Dobrada à moda do Porto

Foto retirada daqui.
Bem, depois de ver a fotografia da Noite da farmácia chinesa, lembrei-me da última coisa que me obrigou a tomar algo para a digestão. E nada melhor do que uma fotografia da dita e o famoso poema de Fernando Pessoa (ou Álvaro de Campos) para abrir o apetite para o almoço.
Fui buscá-lo aqui (corrigi algumas coisinhas que estavam mal) e até tem uma vesão em espanhol para o Dani treinar mais um pouco.
Dobrada à moda do Porto
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Comentários
Já estou com azia.
:D
Colocado por: mad | outubro 26, 2005 10:57 AM
Fabuloso.
Não conhecia este poema de Fernando Pessoa. Só ele, para conseguir ver amor, numa travessa de dobrada.
Colocado por: Karla | outubro 26, 2005 11:05 AM
Mad,
desde que não tenha de tomar um daqueles remédios da farmácia chinesa... ;-)
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 11:06 AM
Karla,
ele até sobre o binómio de Newton fez um poema. ;-)
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 11:15 AM
Fernando Pessoa muito bem... mas relacionar dobrada con o amor... uff!
Nao gosto nada da dobrada!
Colocado por: danirmartin | outubro 26, 2005 12:59 PM
adoro tripas, mas quentinhas e a saber a cominhos. que boooom!
Colocado por: lima | outubro 26, 2005 01:37 PM
dani,
é uma pena não gostares de dobrada, sobra mais para mim ;-)
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 02:02 PM
lima,
os cominhos eu dispenso. ;-)
Mas as tripas, venham elas...
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 02:04 PM
Vou ali, comer uma saladinha e volto já. :)
Colocado por: Karla | outubro 26, 2005 02:15 PM
Karla,
é por isso que estás fraquinha, é só saladas, saladas. Come alguma coisa com sustança, mulheri. ;-)
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 04:06 PM
Fraquinha? Eu?
Sou uma mulher cheia de força.
Colocado por: Karla | outubro 26, 2005 04:15 PM
Eu também não gosto de dobrada mas gosto de amor! ;o)
O poema é fantástico, não conhecia. Pessoa há-de surpreender-me toda a vida!
Colocado por: Noite | outubro 26, 2005 04:49 PM
Jorge
Mas o que estavas tu à espera num restaurante fora do espaço e do tempo??
Dobrada quentinha?
Essa só é servida no espaço e no tempo certo!
Colocado por: Bibas | outubro 26, 2005 06:03 PM
Karla,
podes ter força, mas a comer salada vais ficar fraquinha num instante. Come bastante dobrada e 2 copinhos de tinto, que ficas logo em forma...
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 08:07 PM
Noite,
é um excelente poema para ler antes do almoço ou do jantar. ;-)
E quem não gosta do amor???
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 08:08 PM
Bibas,
e eu que ainda não jantei... que bem me sabia uma quentinha agora neste espaço... ;-)
Colocado por: Jorge | outubro 26, 2005 08:15 PM