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outubro 31, 2005

sanidad

... outras vezes, pelo contrário, acontece que pessoas como eu, amigos da integração, temos amizades portuguesas que acham que o seu espanhol é perfeito.

E é só quase perfeito...

Lisboa, Bairro Alto, 1998. O jantar terminado na altura dos cafés, então, a minha namorada tossiu.

-"sanidad!"- disse o Miguel.

Ela e eu não pudemos parar de rir... ouvir "sanidad" e nao o nosso espanhol "salud!" era como invocar o "ministerio de sanidad pública" ou uma coisa parecida.

-"Miguel, para a próxima, santinho diz-se salud"-

Estado Zen

Se por acaso houve alguma forma de vos indicar o meu estado de espírito hoje num "emoticon" aqui no blog, hoje ele seria um misto de "serial killer" e de boneco apático a ver se o mundo lhe passava ao lado.

Hoje é daquelas segundas em que não há qualquer pachorra para aturar patrões, colegas chatos, clientes ainda mais chatos ou qualquer tipo de ave rara sem a gripe das aves que por acaso apareça. É daquelas segundas depois de casamento do primo que nos obriga no dia anterior a levá-lo a bares de reputação duvidosa (nada duvidosa... toda a gente sabe o que é aquilo) e no dia a ser simpático e agradável com toda a família, sem dar a perceber que estamos com uma cardina das antigas!

Ora bem! Hoje foi daquelas segundas em que aturamos um cliente chato de manhã, telefonema do chefe a chatear porque falta alguma coisa, mas ele está em casa a curtir a ponte, telefonema de um outro cliente chato de tarde (com uma daquelas perguntas de resposta filosófica do género: "Porque é que as garrafas de gás são redondas!?"

Assim meus amigos entrei em estado Zen! Estou a contar até dez devagarinho para não ter que partir para a ignorância!

Festival RTP da Canção 1983

Pois é, de vez em quando não consigo dormir e, a altas horas da madrugada, estou a ver televisão. Pelo meio passo pelo canal RTP Memória. E descubro que está a passar o Festival RTP da Canção de 1983, que se realizou no Coliseu do Porto.

Estive a relembrar o formato de então, as roupas (pausa para rir), e os concorrentes. E aos poucos fui recordando algumas das canções que fazem parte do meu imaginário. Naquela altura, o Festival ainda era um acontecimento e eu só tinha 10 anos, pelo que olhos para trás mais com nostalgia do que com aquela ideia "como é que eu alguma vez fui gostar disto?".

Mas vamos ao que ouvi e vi. É que eu próprio me surpreendi com alguns dos candidatos desse ano.

Apresentadores: Eládio Clímaco e Valentina Torres (bem mais magra do que hoje).

Comecei por ouvir uma tal Sofia cantar as duas primeiras canções (tinha uma bonita voz, que terá sido feito dela?).

Depois, veio a Ana, com a sua voz esganiçada, cantar "Parabéns a você". Refrão lindo: Parabéns, parabéns (várias vezes), Parabéns a você, parabéns a você (várias vezes). Lindo!

De seguida, Armando Gama (que ganhou o Festival e a Valentina Torres de uma só vez), ao piano, com aquela canção "linda, linda, esta balada que te dou".

Depois, dois nomes que já desapareceram: Carlos Paião e Cândida Branca Flor, cantando "Vinho do Porto, vinho de Portugal". Estes foram aqueles que mais gostei de recordar.

Depois veio um que tal de Francisco Jorge, que não me lembro de ver fazer alguma coisa mais. E já me esqueci da canção, também...

Em seguida, vestido de preto e com uns quilos a menos, Herman José. Sim, esse mesmo, a cantar "A côr do teu baton". E ficou em 2.º lugar.

E ainda se lembram de Jorge Fernando, celebrizado pelo Umbadá, que veio cantar "Rosas brancas para o meu amor"?

Mas a grande surpresa veio depois. Helena Isabel, a actriz, que eu já não me lembrava de alguma vez ter cantado. E não cantou muito mal, não se aventurou muito na interpretação, mas fez um bom trabalho. E ficou em 3.º lugar.

E festival que se preze, não podia deixar de ter os fantásticos Broa de Mel, com uma canção que não é das suas mais conhecidas: "No calor da noite".

Chegou então o desastre da noite. Não sei se foi por nervos ou mesmo por falta de voz, uma tal de Tessa, de quem nunca mais ouvi falar, "cantou" uma canção que prefiro nem saber o nome, mas foi muito aplaudida.

E para terminar, alguém que, tal como os Broa de Mel, também não perdia um festival, a Alexandra, para mim a melhor voz da noite. Embora não seja fã dela, tenho de lhe reconhecer uma capacidade vocal acima da média. Por alguma razão ela fez o papel de Amália, na peça do Filipe La Féria.

Resolvi procurar (no Google, onde mais poderia ser?) por mais informação sobre o Festival RTP da Canção. E descobri uma página sensacional, com toda e mais alguma informação: http://festivais.home.sapo.pt/. Estão lá todos. E claro, que acabei por descobrir o de 1983: http://fes83.no.sapo.pt/.

Agora que o Festival parece ter morrido de vez, penso que não fica nada mal prestar-lhe uma singela homenagem. E mesmo que se possa pensar "Meu Deus, o que nós éramos obrigados a ouvir", é sempre bom rever aquele que era um dos pontos altos da RTP durante o ano.

P.S. Se alguém me arranjar a interpretação da Tessa em mp3, eu prometo que a coloco aqui.

Farmácia chinesa - uma experiência


Farmácia chinesa: o outro lado
Foto por: Noite

Na 4ª feira publiquei uma imagem de uma farmácia chinesa. Bem sei que uma imagem vale mais que 1000 palavras, mas por vezes há que contar as estórias que se escondem por detrás da objectiva.
Não é vasta a experiência que tenho da medicina chinesa, creio que se resume ao recurso ao médico das “quedas e pancadas” para tratamento de dores musculares, através de massagens com bálsamos, que vos garanto serem eficazes, senão melhor remédio do que nos hospitais convencionais em que ninguém resolve senão escondendo a dor. Quanto às farmácias chinesas em particular, excepciono um intragável mas funcional xarope para a tosse que fiz toda a família tomar no Inverno que passou e de um chá de barbas de milho que tomei há uns anos para a bexiga (mas este também em Portugal se toma). Mas há um episódio de um familiar muito próximo, que faz sentido recuperar.
A minha Mãe sofreu, desde os seus 18 anos, de colibacilo, uma infecção urinária provocada por bactérias que resolvem instalar-se onde não devem. Foram anos e anos de dores fortes, de idas à cama, de utilização de medicamentos que se limitavam a aliviar um pouco, mas que nada resolviam. Após uns anos em Macau e por conselho de colegas macaenses, decidiu tratar-se com a medicina chinesa. Consultou um médico chinês com a ajuda de um intérprete e iniciou o seu tratamento de algumas semanas com uma tomada diária de um chá específico. A minha Mãe, que é de experimentar tudo (só para terem uma pequena ideia, em Pequim experimentou comer escorpiões e sim, ainda é minha Mãe, não a deserdei! ;) ), dia-sim, dia-não deslocava-se à farmácia e bebia o horrível, escuro, espesso e estranho chá que lhe punham à frente, levando para casa num termo a toma para o dia seguinte. Nunca soube de que era feito. Nunca mais ouviu falar de colibacilo.
… que as há, há!

Plongeon

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Foto: Christian Coigny

Fotógrafo generalista de origem suiça é um fabuloso adepto do preto e branco.

outubro 30, 2005

Invenções

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Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama

por uma vida saudavel.jpg

Foto: Jens Werner


É o cancro que mais afecta as mulheres portuguesas. Mas também, aquele com melhor prognóstico.
90% dos cancros de mama, se detectados a tempo, são curáveis.

Prevenção é preciso. E não custa nada.


A minha aldeia


Foto: Jorge

outubro 29, 2005

Sábado, às 10 da noite, no café do costume

Combinamos encontrar-nos no Sábado, às 10 da noite, no café do costume. Mas tu não apareceste. Ainda te dei o desconto da meia hora protocolar, mas nunca mais apareceste. Os dois maços de SG Ventil foram enchendo os cinzeiros que empregados atentos iam substituindo. Até que à meia-noite, o dono do café me obrigou a sair.

Enfrentei a chuva que caía abundantemente. Os meus passos repetiram o ritual que nós dois fazíamos, passando o jardim onde tu colhias uma flor e a colocavas no cabelo, depois segui as ruas ondulantes que nos guiavam até ao nosso esconderijo.

O quarto estava vazio, a cama ainda feita, no pequeno solitário não estava a flor que retiravas do cabelo, quando chegavas. Mas as memórias estavam todas ali. As memórias das noites em que os nossos corpos nus se entregavam ao prazer.

Uns dias eram mais calmos, na cama, íamos percorrendo os corpos um do outro, suavemente, experimentando as mais diversas posições do Kamasutra. Outras vezes, possuídos por algo demoníaco, dedicávamo-nos a saciar o nosso apetite sexual da forma mais selvagem que conseguíamos, no chão, contra a parede, ou até, num dia em que a vontade se sobrepôs à razão, nas escadas do lado de fora.

A noite durava até ao raiar do sol. Várias vezes adormecíamos, para voltar a acordar, e recomeçar tudo de novo. E voltávamos às nossas vidas, distantes, até que o destino nos permitisse voltar a marcar um encontro, num Sábado, às 10 da noite, no café do costume.

Mas naquele dia não apareceste. Nunca mais apareceste, nem deste qualquer explicação. E eu não te consegui dizer o quanto te amo.

Primeira vez

em 1991. O da esquerda sou (era) eu

outubro 28, 2005

Curiosidades sobre 4 rodas I

Lembram-se destes?

Abba - 70's.jpg

Pois, alguns de vós teriam acabado de nascer…
Fizeram sucesso na música depois de terem ganho para a Suécia um Festival da Eurovisão, não me lembro, em que ano.
O loirinho da direita, era o baterista do grupo.
Para além da música, Slim Borgudd, tinha outra paixão. Os automóveis.
Teve mais sucesso na música que nas pistas. Participou em 15 grandes prémios, nunca conseguiu nenhuma pole position e menos ainda, algum lugar no pódium.

PS. Tiago Monteiro, nunca te dediques à música … não parece ser uma mistura que resulte bem.


Simplicidade

Cenário: Exame de Filosofia...

Primeira e única pergunta no exame:
Isto é uma pergunta, responda.

Resposta de um dos alunos:
Isto é uma resposta, corrija.

Classificação - 20 Valores

Por vezes temos tendência a complicar o que é simples, mas na simplicidade está tudo não acham!?

Africa >> Tanzania >> East >> Zanzibar

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Photo © Bertrand Devimeux



"Le soir, la mer se transforme en un océan d'or.
Les reflets métalliques s'effeuillent sur la plage.
Les vagues naissent et meurent au rythme d'une respiration.
Les couleurs changent, le ciel s'embrase, les nuages se forment.

Une voile glisse vers l'horizon, c'est l'homme qui s'invite dans le décors.

La mer, le soleil et le bateau.
Spectacle grandiose."

Bertrand Devimeux

¡Feliz cumpleaños, Dani!

Acho que não esquecemos nada:

As bailarinas hula

2hulagirls.gif

A dança do ventre

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Ainda houve quem quase estragasse a festa

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Mas conseguimos fazer um bolo a tempo e horas

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Cumpleaños feliz
Cumpleaños feliz
Te deseamos todos
Cumpleaños feliz

(e desculpa os erros em espanhol, eu não me lembro se se diz feliz ou felices)

GIFs animados retirados daqui e daqui.

A cidade... ao longe

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Foto: Leonardo

outubro 27, 2005

Coisas interessante que se descobrem na Wikipedia

A Wikipedia é uma ferramenta brilhante. Se seleccionarmos a data de hoje, 27 de Outubro, descobrimos coisas interessantes, como o aniversário do Lula, Presidente do Brasil (60 anos), que é feriado municipal em Lagos, e que em 1991 foi declarada a independência do Turcomenistão (será mesmo assim que se escreve?).

Resolvi ir mais longe, e testar a busca com a expressão "ante et post". Nada. Depois tirei as aspas. Neste caso, em vez de procurar a expressão, vai procurar uma das palavras que compõem a expressão, e dá a relevância da mesma em percentagem. Os primeiros 20 foram:
Antes 100.0%
Frans Post 98.8%
Ante Pavelić 67.3%
Post-rock 66.9%
Post rock 65.6%
Adam Ant 62.3%
Ante Pavelic 62.3%
Post Captain (livro) 54.5%
Post and Telecommunication 54.5%
Post Office Protocol 52.7%
ANts P2P 50.5%
Ille-et-Vilaine 48.8%
Urbi et Orbi 48.2%
Francavilla d'Ete 47.6%
Saint Pierre et Miquelon 47.4%
Gaudium et Spes 47.3%
Jules et Jim 46.9%
Syndicat des Constructeurs d'Appareils Radiorécepteurs et Téléviseurs 44.9%
ET 43.8%
Lista de pessoas que morreram antes dos trinta anos 31.9%

Fiquei satisfeito, afinal a Wikipedia percebeu o que é o conceito deste blog. É mesmo isto tudo. Uma diversidade de coisas, que é impossível definir (daí a pesquisa da expressão não ter tido nenhuma resposta).

Ontem

Tenho dois filhos pequenos. São dois rapazes. Um tem 7 anos e o outro tem 5.
Ontem à noite, depois do banho tomado estavamos os 3 sentados a ver televisão quando o meu filho mais novo me pediu para que ouvissemos música.
Apesar de eu dizer que já era tarde e que tinham que ir para a cama facilmente me convenceram com a ternura dos seus olhares.
Desliguei a televisão e coloquei a rodar na aparelhagem o album de James Blunt. Música calma para relaxar.
Pedi ao mais novo para se deitar no sofá enquanto o mais velho, sentado no chão, jogava gameboy abanando a cabeça ao som da música.
Ao André, deitado de barriga para baixo, comecei a fazer uma massagem por todo o corpo.
A suavidade da sua pele e o relaxamento dos músculos fez-me perceber que ele estava a gostar e a sentir-se bem.
Durante 10 minutos, mantendo sempre o ritmo das mãos e da música fi-lo sentir-se realmente calmo e tranquilo.
Quando termintei ele levantou-se, deu-me um beijo e um abraço e foi para a cama.
Veio o Henrique para que eu lhe fizesse o mesmo. Pediu-me para lhe contar uma história enquanto lhe massajava as costas. 5 minutos depois dormia profundamente.
Levei-o ao colo para o seu quarto onde o irmão também já dormia.
Depois de lhes aconchegar os lençóis sentei-me numa das duas camas, olhei-os e respirei fundo.
Enche-me o coração de alegria saber a importância que tenho nas suas vidas e saber que lhes transmito segurança e tranquilidade.
Sinto-me orgulhosa e feliz no meu papel de mãe.

Eu gosto ...

Cheiro de verão.jpg
Foto:Karla

da luz

das cores

do cheiro do Verão.

`````c`h`u`v`a`````

rainkiss.jpg
Foto retirada daqui.

Está a chover?
E depois?

Africa >> Burkina Faso >> West >> Sanguie >> Pouni

burkina1.jpg


Photo © Sophie Launey



OUTRA BELEZA


Uns exibem insólitos perfis
de outra beleza
maquilhada
no mato.

ou
do viés
ou de frente
perfeitos modelos de caveira
desfilam sem nariz.


JOSÉ CRAVEIRINHA
(Babalaze das Hienas, 1997)

outubro 26, 2005

Rosa Parks

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Mudar

Não vos quero estar aqui a mentir e dizer-vos que sou um gajo pouco materialista. Não... eu sou um gajo materialista na exacta medida em que as coisas materiais que possuo me são úteis e me dão o conforto que eu (e os meus) necessitam.

Este meu post é curto mas ocorreu-me quando estava a falar sobre a troca do famoso (pelo menos lá na rua) Bilhasmóbil, meu companheiro de muitas e muitas horas e kilometros de viagens. Confesso que há algumas coisas materiais a que me apego... a casa dos pais, onde cresci e vivi a maior parte da minha vida, os livros antigos do avô que a minha mãe me presenteou, as prendas de amigos, um fiat 127 que conduzia nos primórdios da minha condição de automobilista, sei lá.... montes de coisas a que me apeguei e que me deixaram, ou eu deixei um dia. O Bilhasmóbil é um deles... vou ter que o trocar por um com menos kilómetros, novo e claro que me entusiasmo com isso, mas deixo-o nas mãos de alguém que não conheço. É um carro bem sei e não quero exagerar para que não me tenham como maluco... mas apeguei-me a ele! Levou-me sempre onde eu quis ir e isso é importante, não é!?

Dizem que resistimos à mudança... eu prefiro pensar que gosto de mudanças, mas também consigo perceber as vantagens do que tinha antes de mudar.

A tribo do futebol

Tribo Lusa.jpg
Foto:Karla

Não é segredo para ninguém. Eu não gosto de futebol.

Quando o digo assim, de forma tão taxativa, não me refiro ao desporto em si. Ao jogo jogado dentro das 4 linhas. Embora também esse, não me prenda muito a atenção.

O que eu não gosto no futebol, é o que gira à sua volta.

O poder dos clubes e seus dirigentes quando, quase impunes, fogem descaradamente aos compromissos sociais que qualquer outro cidadão se vê obrigado a cumprir.
Os salários milionários pagos a jogadores e treinadores que servem, basicamente, para os vermos pavonearem-se nos seus belos carros desportivos, nas festas de verão algarvias mas muito raramente, a contribuírem com qualquer coisa de útil para a sociedade.
O baixo nível dos jogadores (se disser rasca, não estou a exagerar) que, ídolos da juventude, não se coíbem de comportamentos (dentro e fora do campo) que nenhum de vós deseja para os filhos.
E por último, as claques. Pintam as caras, berram, pulam, insultam e destroem.
Só podem estar enfeitiçados quando partem tudo à sua volta, quando deixam a violência, tomar conta deles, quais possessos.
A tribo tem o chefe, os feiticeiros e os enfeitiçados.

Também fiz parte da tribo, em Junho de 2004. Eu e mais 20 milhões de portugueses. (Não éramos 20? Éramos só 10 milhões? Pois não parecia, tal era o tamanho do país, por esses dias) Dizia eu que fiz parte da tribo.
Mas nessa tribo, o chefe era outro e teve um poder tal sobre os feiticeiros, que o feitiço foi lindo. E viram-se sorrisos e cantaram todos o mesmo hino, vestiram todos as mesmas cores e veneraram os símbolos.
E até as tribos rivais se juntaram à festa.

Dobrada à moda do Porto

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Foto retirada daqui.

Bem, depois de ver a fotografia da Noite da farmácia chinesa, lembrei-me da última coisa que me obrigou a tomar algo para a digestão. E nada melhor do que uma fotografia da dita e o famoso poema de Fernando Pessoa (ou Álvaro de Campos) para abrir o apetite para o almoço.

Fui buscá-lo aqui (corrigi algumas coisinhas que estavam mal) e até tem uma vesão em espanhol para o Dani treinar mais um pouco.

Dobrada à moda do Porto

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Farmácia chinesa


Foto por: Noite

outubro 25, 2005

Saudade também é...

...acordar à noite porque estava a sonhar contigo... e na manhã seguinte não poder ver o teu sorriso...

Sombras...

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Foto: Christian Coigny

Sombras...
na pele
marcas escuras
vazios de cor
ausências de calor
Sombras...
na pele
são presença
dois corpos
um cenário
um amor

(Encontrei esta foto e como a adorei optei por colocá-la aqui. O texto foi fruto da inspiração do momento)

The Sahel, Africa

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Photo © Steve McCurry


Um abraço a todos os meus companheiros deste novo blog, e para todos os que por aqui passam.

Bin

Alter ego

Hi, my name's George and I'm a kinda cool guy. You see, Jorge, my alter ego, is always complaining about his present life and missing his past calm life. He even says that land smells good. Rubbish. Pizza smells good. And also tastes good.

The reason why I'm writing right now is because I would like to understand the meaning of that strange word called "saudade". You see, I don't get it. If you miss something why don't you go on and get it? It doesn't make sense. C'mon, what's the big deal?

Jorge tried to explain me that we miss it but there's no way of getting it back, because time has already gone. Then I tried to convince him that if he fought for it, maybe there was a way of doing it. He just smiled and said that if he did and weren't succeed, he would be sorry, because instead of missing it he would be disappointed, and it's better to miss something that we don't have anymore than recovering it and see that is not the same as it used to be.

Well, anyone may have their own weird thoughts. For instance, I don't write in Portuguese because I think it's cooler to write in English, like David Fonseca thinks it's cooler to sing in English (man, do you know it should be "put me on your supermarket list" instead of "put me in your supermarket list"?). If I were to face a Prime Minister like Blair or a President like Bush, I would probably think that Portuguese was a good language. At least, I wouldn't understand a word of the rubbish they say.

Well, I'm leaving before Jorge comes. He really doesn't like the mess his alter ego leaves when he passes, so I'd better not be around. See you, folks!

perspectiva

Tejo.jpg
Foto:Karla

outubro 24, 2005

Un cortao

Foi este verão

O parque de campismo de Albufeira estava cheio. Cheio não, cheíssimo!. Parece que meio Portugal tinha decidido passar a ponte do 15 de agosto naqueles metros quadrados, mais perto da saida da auto-estrada que da praia, mas dentro do concelho de Albufeira... –“estamos na costa, é suficiente”-

O problema era que meia Espanha também tinha pensado o mesmo. Entre tantos turistas vindos da fronteira, Sarah e eu.

Finalmente a coisa não esteve tão mal. Pudemos dormir tranquilos. Era segunda de manhã e a bicha da cafetaria lembrava-me as que se formaram no estádio do Bétis quando tive que retirar os bilhetes para a final da “Copa del Rey”. Paciência.

Não era eu o único sevilhano. Diante de mim, uma rapariga de uns vinte-e-muitos, alta e gorda, com um estilo bastante lamentável na forma de vestir. Seguro que se apostasse, adivinhava de que bairro da cidade era.

Notei que era sevilhana quando abriu a boca para peder o café. –“ a mí me pones un cortao”-, disse ao homem que, atrapalhado trás o balcão, não parava de colocar pequenas chavenas de bicas e espressos debaixo das torneiras da máquina.

Por supuesto, nossa amiga sevilhana saiu da bicha com um expresso, como todo aquele que não sabe pedir exactamente o que quer.

-“un cortao”- ,¿achava esta mulher que pedir um café em Portugal é igual que fazê-lo na “confitería La Campana, aqui no centro da cidade?, ¿pensava que o português é essa lingua tradução do espanhol que se fala em Sevilha?

-“un cortao”-, nem sequer pediu “un cortado”, não... ela pediu “un cortao”, como se o empregado da cafetaria soubesse que na Andaluzia é normal tirar o “d” final aos participios... –“pero si el portugués es casi igual que el español...”- pensaria ela.

Suponho que se calhar, já na sua mesa, quando provasse o seu café e não o encontrasse com só uma gotinha de leite, como ela tinha querido, pensaria: -“mmm, quizás cortao no se diga igual en Portugal que en Sevilla”-

Oxalá um dia ela chegue a este blog e leia que “un cortao” é “um pingado”, mas oxalá um dia os espanhóis percebam que o português nao é essa lingua traduzida do castelhano de cada bairro e com cada sotaque de cada canto de Espanha.

PS: muito obrigado a Karla pela ajuda nas emendas.

Post de ansiedade

Hoje é um dia de ansiedade na Bilhalândia...

Não esperem nada de muito entusiasmante neste primeiro post... hoje o post serve como escape aqui para o Bilhas que está a horas de ter um entrevista profissional das exigentes e por isso vamos falar (para descompressão mental minha) do assunto do momento: "Gripe das Aves".

Então aqui seguem algumas das últimas notícias em forma de prevenção:

1 - A águia Vitória (a majestosa águia do Benfica) não tem gripe das aves, segundo o que é relatado pelo seu tratador no Jornal "A Bola";
2 - Nada de ir a competições onde entrem o Desportivo das Aves, o Gil Vicente (Galo de Barcelos), o Rio Ave ou os Galitos de Aveiro;
3 - Há mais um motivo para começar a tratar da saúde aos milhentos pombos que andam nos céus do Porto e que me estragaram um casaco novo aqui há uns anos atrás! Reparem que era um daqueles casacos de estimação... lindo de morrer;
4 - Se por acaso passarem por um papagaio inglês (saberão que é inglês porque vos diz "Good Morning Sir" em vez do habitual "fi... da Pu..") não se cheguem perto. Está confirmada a morte de um no Reino Unido;
5 - Nada de passar pela Cadeia da Relação do Porto ao domingo de manhã... é aí que decorre a famosa Feira dos Passarinhos. Ainda têm que aturar um passarinho qualquer ou, ainda pior, podem ser presos como o Camilo.

E pronto... já fiz a minha descompressão mental e estou menos ansioso!

Cheiro de terra

Quis o destino que eu nascesse numa terra distante, que desconheço quase por completo. Com menos de dois anos os meus pais retornaram de Luanda, capital de Angola, onde abri os olhos para o mundo, mas da qual não guardo memórias, a não ser as descritas pelos meus pais.

Fui morar na terra onde a minha mãe nasceu, numa pequena aldeia transmontana, chamada S. Lourenço, no Concelho de Chaves. Ali passei a minha infância e a minha juventude, antes de ingressar na Universidade e mudar-me de armas e bagagens para o Porto e, cinco anos mais tarde, para S. Mamede de Infesta.

Apesar do afastamento, e porque os meus pais ainda lá vivem, sinto que um pedaço de mim ficou sempre lá. Por muito que me sinta bem no sítio onde moro agora, sinto alguma falta ao cheiro da terra que circundava a minha casa. E esse cheiro é insubstituível.

Não me posso queixar da minha actual casa, onde tenho um jardim com bastantes plantas e espaço para a minha filha brincar. Mas acaba por ser um pequeno oásis, incomparável com a imensidão a que estava habituado. Se de um lado tenho um jardim, do outro tenho uma estrada movimentada. Se de um lado tenho a calma, do outro lado tenho o barulho citadino.

É certo que lá havia um frio gélido, que me trazia sempre com um pingo no nariz. Mas a geada matinal, nos dias de Inverno, deixava um manto branco por todo a paisagem. Os ventos fortes, que cortavam a pele, faziam sentir o lar mais aconchegante. A neve, que não cai aqui, era um momento único de brincadeira. As chuvas, que alagavam os caminhos barrentos, tornando-os impraticáveis para os automóveis e para os pés menos apetrechados, lavavam a paisagem e a alma. E o sol quente e insuportável do Verão, diminuía o ritmo da vida, que hoje nos impede de parar para pensar. E o granito das grandes fragas, conseguia conviver harmoniosamente com a terra e o que dela nascia. E o cheiro, sim, esse cheiro da terra...

Alguém me disse que o grande problema da humanidade é que vive a chorar o que não tem, em vez de ser feliz com o que consegue ter. Em parte é verdade, e eu evito fazer parte desta norma vigente. Mas também é verdade que quem já se deitou à sombra de uma árvore, olhando o céu por entre as folhas e sentindo o odor da sua terra à sua volta, jamais consegue esquecê-lo. Esse cheiro entranha-se na memória, e passa a fazer parte de nós.

Pandemia

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Vidas

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Foto: João Espinho

Natural de Beja, tem a fotografia como uma das suas paixões.

outubro 23, 2005

Ante et post

Só se Cria na Diversidade.
Albert Camus

Um novo blog nasceu! Da vontade indómita de dez pessoas em se associarem para fazer um blog (ou blogue) colectivo, que fosse capaz de albergar diversas formas de estar, nasceu o ante et post. E, para começar, nada como apresentar-nos, e desejar que este espaço vos agrade.

O Bilhas é um incorrigível trabalhador. É uma canseira vê-lo de manhã à noite a carregar bilhas de um lado para o outro sempre na companhia do seu bólide de estimação, o Bilhasmóbil! Tem uma estranha forma de vida online, mas prima sempre por andar com a tacha arreganhada... é o verdadeiro e quase último dos optimistas. Não é à toa que é adepto do Glorioso, afinal trata-se do mais-que-fabulástico-e-melhor-de-todos clube do Mundo... e arredores!"

O Bin gosta da Liberdade e do Amor principalmente.

O Dani é essa "rara avis" que quando cruza a raia gosta de falar e ouvir português. A história dum coração andaluz mais perto de Lisboa que de Madrid, mas também a história duma pessoa cheia de matizes e diferentes lados. Desde um deles, o lado trás-o-Guadiana, é que vai escrever.

DK in a nutshell? Tem uma natureza volátil e contraditória - tal como os blogues, aliás. A um tempo 'light' e densa, apaixonada e distante, cínica e sincera, vive a blogoesfera ao sabor das emoções. Daí ter com os blogues uma relação de amor-ódio. Ela bem tenta libertar-se, mas acaba sempre por regressar ao local do crime... É na troca de ideias e no debate aceso que se sente verdadeiramente no seu elemento. Por (de)formação profissional, tem uma tendência incontrolável para a citação erudito-charlatã. Alguns leitores, ingénuos, deixam-se enganar; a maioria, porém, não vai na conversa e ignora-a ostensivamente. Esperem, por isso, muita citação e exibicionismo gratuito sobre livros e poemas de que nunca ninguém ouviu falar nem quererá decerto ler. "Ó leitor, meu semelhante e meu irmão!"

O Jorge é um caso grave de múltipla personalidade. Dependendo de que lado sopra o vento, da fase actual da lua, do lado da cama em que acordou ou ainda do que tomou ao pequeno almoço, assim será a sua escrita. E nos dias em que o seu clube de futebol perde, é melhor nem pensar no que ele é capaz de escrever.

A Karla nasceu para os blogs, dentro de uma caixa de comentários. Mas só saiu da caixinha, quando a puxaram para fora. Desta experiência espera tudo, sem saber exactamente o quê. Espera sobretudo, divertir-se. E para que conste, a Karla não gosta de futebol.

A avó do Leonardo já dizia que quem quer aprender tem de passear ou ler. Por isso decidiu seguir os seus conselhos e partiu, sem deixar de continuar a ler e escrever. Todos os dias, do alto de um monte, olha para a catedral que se destaca entre o casario da cidade, e surpreende-se. Aqui, Leonardo vai falar do que vê, do que sente, do que vive, do que aprende. Ou simplesmente calar-se atrás de uma imagem...

A Mad é uma pessoa desinibida e de bem com a vida que conquistou a pulso. É uma mulher de batalhas com ideiais e objectivos muito próprios. Os textos que aqui poderão ler irão demonstrar uma série de personalidades que revelarão, com tempo a mulher que ela é. Da Mad não se esperem surpresas mas é certo que a qualquer momento pode surpreender com a sua escrita e as suas fotografias.

A Noite está do outro lado do mundo, em Macau. A Noite é como a noite: tanto pode ser tranquila como agitada, muito dependendo do que a rodeia colaborar ou não. Iniciou-se na blogoesfera para se aproximar do Portugal distante e do Macau mais pitoresco e começou a contar ao mundo esta cidade em que vive. Gosta de escrever, mas ultimamente não lhe tem dado muito para aí. Desde que tem máquina fotográfica que acha que faz uns bonecos giros e propôs-se mostrar também em imagens o que a envolve, mas o segredo está na máquina e no cenário, que tem muito que mostrar.

O Raim tinha como clientes os amigos e enchia as gavetas de desenhos até que descobriu a blogosfera... a partir daí nunca mais foi o mesmo. Aos papeis já ele estava habituado, mas depois de domesticados o lápis e a borracha comprou uma coleira para o scanner.

Agora que já nos conhecem, vão aparecendo. A porta estará sempre aberta, à vossa espera.


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