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Sábado, às 10 da noite, no café do costume

Combinamos encontrar-nos no Sábado, às 10 da noite, no café do costume. Mas tu não apareceste. Ainda te dei o desconto da meia hora protocolar, mas nunca mais apareceste. Os dois maços de SG Ventil foram enchendo os cinzeiros que empregados atentos iam substituindo. Até que à meia-noite, o dono do café me obrigou a sair.

Enfrentei a chuva que caía abundantemente. Os meus passos repetiram o ritual que nós dois fazíamos, passando o jardim onde tu colhias uma flor e a colocavas no cabelo, depois segui as ruas ondulantes que nos guiavam até ao nosso esconderijo.

O quarto estava vazio, a cama ainda feita, no pequeno solitário não estava a flor que retiravas do cabelo, quando chegavas. Mas as memórias estavam todas ali. As memórias das noites em que os nossos corpos nus se entregavam ao prazer.

Uns dias eram mais calmos, na cama, íamos percorrendo os corpos um do outro, suavemente, experimentando as mais diversas posições do Kamasutra. Outras vezes, possuídos por algo demoníaco, dedicávamo-nos a saciar o nosso apetite sexual da forma mais selvagem que conseguíamos, no chão, contra a parede, ou até, num dia em que a vontade se sobrepôs à razão, nas escadas do lado de fora.

A noite durava até ao raiar do sol. Várias vezes adormecíamos, para voltar a acordar, e recomeçar tudo de novo. E voltávamos às nossas vidas, distantes, até que o destino nos permitisse voltar a marcar um encontro, num Sábado, às 10 da noite, no café do costume.

Mas naquele dia não apareceste. Nunca mais apareceste, nem deste qualquer explicação. E eu não te consegui dizer o quanto te amo.

Comentários

Encontros e desencontros - eis a vida.

João Norte,
o pior é quando os desencontros se tornam definitivos...

Não foi um desencontro, foi um abandono.
E não deixes para amanhã, o que podes dizer hoje.

Karla,
não se sabe o que foi, com tanta chuva o telemóvel pode ter avariado ;-)
Mas tens razão, não se deve deixar para amanhã o que se pode dizer hoje...

Jorge,
essa é uma atitude típica. Tentar arranjar desculpas à luz dos nossos desejos, quando a verdade doi.
Somos humanos. :)

Karla,
pois, é verdade.
Mas já me aconteceu de perder números de telemóvel por acidente e nunca mais poder contactar determinada pessoa...


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