Aquela nuvem e outras
Poder ver as nuvens, ter tempo para olhá-las e sonhar com elas, é um privilégio raro. Eugénio de Andrade, um poeta único, capaz de escrever para todas as idades, escreveu um livro com o título deste post. E dentro dele estava este poema, que a minha filha sabe de cor, e costumava recitar enquanto brincava num cavalinho de madeira.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Quero um cavalo só meu,
seja baio ou alazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer não.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Eugénio de Andrade
Comentários
Escrita simples, com uma sabedoria imensa. :)
Colocado por: Karla | novembro 7, 2005 03:53 PM
Karla,
Eugénio de Andrade é assim mesmo, imenso...
Colocado por: Jorge | novembro 7, 2005 06:51 PM
Jorge,
não fosse o Eugénio de Andrade o escritor que foi e continuará a ser, porque a sua obra falará por ele.
Gosto dos Poetas que têm uma poesia entendível e não demasiado metafóricos. Que sejam directos! Um abraço.
Colocado por: soslayo | novembro 8, 2005 10:19 AM
Soslayo,
eu acho que o Eugénio de Andrade escreve com a simplicidade do que lhe vai na alma. E sendo a poesia um espelho da alma, deve ter sido uma pessoa de pensamentos simples, mas muito bonitos e transparentes. :-)
Colocado por: Jorge | novembro 8, 2005 10:29 PM