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Aquela nuvem e outras

Poder ver as nuvens, ter tempo para olhá-las e sonhar com elas, é um privilégio raro. Eugénio de Andrade, um poeta único, capaz de escrever para todas as idades, escreveu um livro com o título deste post. E dentro dele estava este poema, que a minha filha sabe de cor, e costumava recitar enquanto brincava num cavalinho de madeira.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Quero um cavalo só meu,
seja baio ou alazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer não.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Eugénio de Andrade

Comentários

Escrita simples, com uma sabedoria imensa. :)

Karla,
Eugénio de Andrade é assim mesmo, imenso...

Jorge,
não fosse o Eugénio de Andrade o escritor que foi e continuará a ser, porque a sua obra falará por ele.
Gosto dos Poetas que têm uma poesia entendível e não demasiado metafóricos. Que sejam directos! Um abraço.

Soslayo,
eu acho que o Eugénio de Andrade escreve com a simplicidade do que lhe vai na alma. E sendo a poesia um espelho da alma, deve ter sido uma pessoa de pensamentos simples, mas muito bonitos e transparentes. :-)


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