O marco
O caminho é percorrido em silêncio.
De vez em quando, um olhar furtivo, para verificar que não se está só.
O chão barrento prende os pés, difcultando a travessia.
De vez em quando, um barulho inesperado faz travar a marcha.
Olha-se em volta, nervosamente.
Nada acontece.
Terá sido um bicho qualquer.
O cansaço toma conta das pernas.
A água quase acabou.
Do naco de pão com mel nada sobrou.
Quanto caminho faltará percorrer?
De repente, ao longe, avistam o marco.
A ânsia de correr é muita.
Mas avançam lentamente, em silêncio.
Percorrem os últimos passos, cuidadosamente.
Passam pelo marco.
De um lado, a pátria-mãe.
Do outro lado, a pátria da esperança.
E na face um choro misto de sentimentos opostos.
Comentários
Jorge,
lindo, lindo, lindo.
Um naco de prosa brilhante, como o naco de pão com mel ...
Colocado por: Karla | novembro 28, 2005 05:32 PM
Karla,
inicialmente o pão não tinha mel, mas depois achei que era melhor não sair do tema em foco. ;-)
Obrigado. :-)
Colocado por: Jorge | novembro 28, 2005 06:24 PM