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Natal à porta em terras budistas

A pouco e pouco, o Natal vai dando um ar da sua graça. Não nos anúncios da TV, nem tão pouco em hipermercados ou em folhetos na caixa do correio. Estamos felizmente livres disso. As papelarias começam a encher-se de outras cores e brilhos: árvores e fitas, bolas e enfeites, luzes e centros de mesa. Em casa, a árvore guardada durante todo o ano ocupa o seu lugar no canto da sala. Troca-se-lhe a lâmpada, que havia fundido, zangada por ter estado tanto tempo guardada. Coloca-se uma fita e outra, as bolas, os sinos, as renas, as pinhas douradas, tudo se conjuga harmoniosamente. Por fim, umas bengalas doces que não devem durar até ao Natal dão-lhe uma certa piada. Começam as habituais festas de Natal: da Casa de Portugal (de onde cheguei há pouco) e da Escola Portuguesa, por ora.

Esta quadra para mim é mais tempo de reflexão que de festa, o que não é totalmente mau. Impressiona-me o consumismo desenfreado a que se assiste por esta altura (por exemplo em Portugal) e desse estou livre. Ainda não comprei prenda alguma, nem sequer estou preocupada com isso. Nem me apetece. Confesso que fico sempre um bocado deprimida por esta altura. É difícil pensar que não irei passá-la com o resto da família, que à mesa seremos 4 e não... 10, 15? (quantos seríamos agora, se nos juntássemos à mesa?), que vou fazer tudo sozinha, em vez de repartir a confecção das iguarias com a minha Mãe, ou fazê-las com ela, que não terei aquele gosto em escolher esta e aquela prenda, para esta e aquela pessoas especiais, que vai ser enfim, mais simples, menos festivo, mais triste. O espírito natalício temos que ser nós a fazê-lo, mas por vezes torna-se difícil. Porque somos poucos, porque estamos longe, porque não se sente lá fora, porque por vezes não é respeitado (no ano passado a consoada foi passada ao som ambiente dos meus vizinhos de cima a arrastarem móveis...)

Lembro-me que há muitos que não têm Natal, mas fome e frio. Lembro-me também que faz este Natal um ano que a natureza revolta ceifou pelo menos três centenas de milhar de vidas. É impossível esquecer.

Seja então tempo de reflexão, de introspecção, de calma e paz interior!

Comentários

Noite,
sempre me pus a pensar como seria o Natal em Macau. Este consumismo louco em que vivemos deturpa muitas vezes o verdadeiro sentido de Natal.

Noite,
o Natal longe da família, num país de outros costumes, não deve ser fácil.

Jorge e Karla: não é facil, não. Não cheira a Natal! :) É mais triste, mais solitário. Por outro lado, como eu disse, afasta-nos dos desmesurados rituais consumistas e torna-se mais interior, o que provavelmente fará mais sentido. Mas custa!


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