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Quase uma hora de atraso!

- Quase uma hora de atraso! Como é possível?
Cabisbaixo, fitava a madeira velha do chão e dizia baixinho:
- Desculpe, senhora professora. Tive de ir levar as ovelhas ao monte.
- É sempre a mesma coisa. Entra, mas amanhã quero falar com o teu pai ou com a tua mãe, isto ernão pode continuar assim.
Dirigiu-se ao seu lugar, sempre com o olhar pregado no chão. Mas uma lágrima contida ameaçava rolar. Sabia que ia ser o fim. A escola era tolerada apenas porque o seu tio tinha insistido junto do pai:
- Deixa lá o teu filho estudar, isso não interfere no trabalho, e pode ser que até lhe dê jeito, um dia.
O pai lá acabou por aceder, a mãe nunca se opunha ao pai.
Mas agora, o pai bebia cada vez mais, a mãe estava de cama com a última coça que tinha levado. Se a professora lhe dissesse alguma coisa, seria o fim.
No fim da escola, quis o destino que se encontrasse a chorar, no monte, quando o seu tio passou por lá, e tomou conhecimento da história. O tio falou com a professora, a contar a sua história familiar, e passou a ir levar o rabanho ao monte, para não o deixar chegar atrasado à escola.
Hoje vai ao monte matar saudades, e olhar para a vida que deixou para trás, e pensa quão ténue é a linha que separa dois destinos.

Comentários

Ai Jorge...
(amigo - esse tio)

Que história linda...!

sofia,
mesmo muito bom amigo, um verdadeiro pai. :-)

Cientista,
obrigado, totalmente de acordo. :-)

Linda história, confesso que fiquei um pouco emocionado...

zig,
é mesmo de emocionar... :-)

Já te disse, mas hoje repito, és um bom contador de histórias. :)

Karla,
com tantos elogios começo a ficar demasiado inchado... ;-)


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