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Catarse

A cidade era triste. Vivia todo o ano com apenas duas estações. O Outono e o Inverno.
As ruas estavam sempre cobertas neve, gelo e de folhas.
As cores que predominavam nesta cidade eram o castanho e o branco.
Castanho das folhas, das árvores. Branco da neve e das casas. Todas as casas eram brancas.
Joana era uma jovem que gostava de correr pelas ruas a cantar e a dar pontapés nas folhas caídas que forravam o chão.
Joana destoava do resto das pessoas que tristes viviam sem alegria acompanhando as estações do ano.
A jovem sonhava com cores. O azul, o verde e o amarelo.
Um dia, deitada num banco castanho, no jardim coberto de folhas caídas no chão e a olhar para o céu cinzento decidiu que durante a noite iria pintar as paredes das casas com cores alegres, o azul, o amarelo e o verde, para assim tentar mudar as cores da cidade e trazer sorrisos alegres ao rosto das pessoas.
Joana acreditava que se existissem sorrisos o Sol teria razões para brilhar naquela cidade e faria com que flores coloridas crescessem nas ruas e nos jardins.
Nessa noite pintou as paredes de uma só rua e cansada deitou-se no chão junto aos pincéis e às latas de tinta.
Na manhã seguinte, os habitantes daquela triste cidade, chocados com tamanha afronta mandaram prender a jovem.
Na prisão, deitada na cama de uma cela cinzenta, com uma farda castanha, Joana olhou para o céu, através das grades da janela. Um raio de Sol iluminou-lhe o rosto e fê-la sorrir. Joana era a única que conseguia ver a verdadeira luz do Sol.

(É deprimente mas prometo compensar amanhã às 14 horas)

Comentários

Parece eu... a Joana...
Muito giro, boa MAD!

Até tu Mad!!!! Mas está tudo a contribuir para o aumento do clima depressivo!? ehheheheh
Excelente! A mim faz-me olhar para o Sol!

Bilhas, em ti teve exactamente o efeito que eu queria.
O texto tem várias leituras.
Mas amanhã compenso.

Estepes, obrigada :)

Mad,
realmente pode ter várias leituras. A que me prendeu foi a de saber ver as cores da vida e, no meio da normalidade, ser capaz de a pintar de outros tons, mesmo contra a sociedade que se habituou às cores de sempre.
Outras leituras:
1. É uma história para contar aos meninos que costumam pintar as paredes da casa: se fizeres isso outra vez, podes ir para a prisão ;-)
2. Ensinar os meninos para, quando eles crescerem, saberem que se deve esconder sempre as provas do crime ;-)
3. O céu é cinzento e "prontos"!

jorge, passou-te mesmo ao lado. Tu não vês que este conto é um anuncio da robialac?

Mad,
eu nunca acerto na moral por detrás da história. :-(
Sabes, eu é mais sinais... ;-)

jorge, estou para saber que batota fizeste...

Mad,
batota???

pronto, não foi batota, foi perspicácia.

Mad,
ou eu estou muito "loiro" e não estou a perceber nada, ou estás a dizer que venci um repto "aliciante"?

Jorge, pois.

Mad,
pois a primeira ou a segunda?
(começo a ver-me dentro de um sketch do Gato Fedorento ;-) )

Solução do repto amanhã.

OK. Quer dizer, continuo na mesma... ;-)

mad,
logo hoje, com tanto sol, te havia de dar para a depressão? :))


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