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janeiro 31, 2006

31 de Janeiro de 1891 - a república chegou primeiro ao Porto

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Gravura publicada na Illustração: revista universal impressa em Paris, 1891, vol. 8
Gravura de Louis Tynayre que representa a Guarda Municipal a atacar os revoltosos entrincheirados no edifício da Câmara Municipal, durante a Revolta republicana do Porto.
A revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi a primeira tentativa de implantação do regime republicano em Portugal.

Gravura e texto acima daqui.

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Como forma de assinalar, neste dia 31 de Janeiro que hoje estamos a viver, os 115 anos decorridos sobre a revolução republicana de 1891, deixo-vos aqui uma imagem (gravura publicada na revista Illustração) onde se documenta a proclamação do novo regime feita a partir da varanda da Câmara Municipal do Porto, bem como o modo como então se saudou e festejou aquela vitória da liberdade -- ainda que efémera, como dolorosamente se viu logo depois...! --, com chapéus e bengalas ao alto...
Mas, a 31 de Janeiro de 1908 -- há que recordá-lo aqui também --, em plena ditadura de João Franco, depois de esmagada a reacção revolucionário republicana de 28 de Janeiro, o rei Carlos I assinou um decreto que conferia ao ditador poderes de excepção, permitindo-lhe perseguir, prender e deportar, sumariamente (ie: sem processo judicial), qualquer pessoa suspeita de republicanismo activo ou de mera insubmissão ao regime e ao governo, decreto esse que terá motivado o atentado regicída levado a cabo no dia seguinte...

Gravura e texto recebidos via e-mail da autoria de Luis Mateus (REPÚBLICA e LAICIDADE - associação cívica)

Saudade

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Saara Desert
Photo © ONMT


Saudade

Música © Love and Rockets



Deserto. Deserto... viagens, viagens... leiam os posts sobre aeroportos no Divas da Amiga Maria


Catarse

A cidade era triste. Vivia todo o ano com apenas duas estações. O Outono e o Inverno.
As ruas estavam sempre cobertas neve, gelo e de folhas.
As cores que predominavam nesta cidade eram o castanho e o branco.
Castanho das folhas, das árvores. Branco da neve e das casas. Todas as casas eram brancas.
Joana era uma jovem que gostava de correr pelas ruas a cantar e a dar pontapés nas folhas caídas que forravam o chão.
Joana destoava do resto das pessoas que tristes viviam sem alegria acompanhando as estações do ano.
A jovem sonhava com cores. O azul, o verde e o amarelo.
Um dia, deitada num banco castanho, no jardim coberto de folhas caídas no chão e a olhar para o céu cinzento decidiu que durante a noite iria pintar as paredes das casas com cores alegres, o azul, o amarelo e o verde, para assim tentar mudar as cores da cidade e trazer sorrisos alegres ao rosto das pessoas.
Joana acreditava que se existissem sorrisos o Sol teria razões para brilhar naquela cidade e faria com que flores coloridas crescessem nas ruas e nos jardins.
Nessa noite pintou as paredes de uma só rua e cansada deitou-se no chão junto aos pincéis e às latas de tinta.
Na manhã seguinte, os habitantes daquela triste cidade, chocados com tamanha afronta mandaram prender a jovem.
Na prisão, deitada na cama de uma cela cinzenta, com uma farda castanha, Joana olhou para o céu, através das grades da janela. Um raio de Sol iluminou-lhe o rosto e fê-la sorrir. Joana era a única que conseguia ver a verdadeira luz do Sol.

(É deprimente mas prometo compensar amanhã às 14 horas)

Hoje acordei assim - título plagiado da bomba mais famosa da blogosfera

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Imagem daqui.

Cut thru my soul

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Foto:Haleh Bryan

janeiro 30, 2006

Mourinho, esse homem...

Tranquilo na hora do almoço estava eu quando numa secçao de curiosidades desportivas dum canal de TV começa a soar música portuguesa.

O vosso Dani, apaixonado por tudo o que cheire a raia e vizinhos, deixa a comida e levanta o olhar. Guitarras portuguesas, música fadista e imagens de Cávaco Silva. A "voz en off" fala deste, do Mário Soares e dum do que nao me lembro (com bigode)... e também de Mourinho!, 4000 votos nas eleiçoes??!!

Caros amigos portugueses. Voçes sao mesmo trocistas!!

É pena nao poder saber o que opinam os "Gato Fedorento" desta noticia... comments, quero comments!!

E de novo o Sol...

Reflectido num dia de calor numa qualquer praia algarvia!

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Foto:Bilhas.

PS: A ver se a malta (ou pelo menos eu) anima!

Mais um dia

O dia começou, mais um dia. O barulho dos carros e os passos apressados das pessoas já se fazem sentir. O Faísca está acordado e a olhar para mim, esperando um sinal meu para me dar a primeira lambidela do dia.

Esta noite ninguém me chateou e consegui dormir descansado. De vez em quando há alguém que não me quer à porta do prédio e chama a polícia. É engraçado que de dia sou quase invisível, mas à noite as pessoas reparam em mim. Desta vez não tive problemas.

O Faísca já deve estar com fome. Arrumo o cobertor no carrinho de mão que anda sempre comigo, encontrado numa lixeira há algum tempo. No talho do Sr. António há sempre um osso para o Faísca. Por vezes, no Natal, na Páscoa, ou quando ele vê que estou um pouco adoentado, diz-me para passar por lá na hora do almoço, para me dar um pouco do seu.

Depois de tratar do Faísca, passo pela padaria do Sr. Carlos, que tem sempre uma regueifa para mim. Depois, no restaurante do Sr. Zé, ele dá-me um copo de leite e um pacotinho de manteiga para o meu pequeno almoço. O Sr. Zé dá-me ainda a sopa ao almoço e ao jantar.

Durante o dia, percorro as lixeiras dos bairros mais ricos. De vez em quando lá se encontram umas latas de conserva fora do prazo, ou uns pêssegos enlatados, que sempre dão para uma refeição diferente. Se tiver sorte, ainda encontro alguns objectos interessantes, como o carrinho de mão, que me dá um grande jeito, um cesto e uma almofada, que servem de cama para o Faísca, e ainda um tacho, que me serve para transportar a comida.

À hora da missa vou para a porta da igreja, tentar arranjar alguns trocos, que vou juntando religiosamente, tirando alguns copitos de vinho para afastar a amargura. Hoje, as pessoas já não dão tantas esmolas, com medo que o dinheiro vá ser gasto em drogas.

E assim vou passando o dia, até que a noite me leva para algum recanto mais abrigado onde possa dormir.

O Sr. Zé arranjou-me o cobertor e vai-me arranjando uns cigarritos, para matar o vício antigo. Aquelas pessoas foram-me aceitando aos poucos. Tanto o Sr. Zé como o Sr. António e o Sr. Carlos estão sempre preocupados comigo. Quando adoeço dão-me alguns dos seus remédios. Uma vez, levaram-me ao hospital, enquanto tomavam conta do Faísca. Também me arranjam roupas que já não usam, sempre que as minhas dão sinais de não aguentar muito mais.

Eles são os poucos que sabem porque eu ando nesta vida. Sabem como eu gastava todo o dinheiro que ganhava, deixando a mulher e os três filhos em casa passar necessidades. Um dia, um acidente deixou-me sem dois dedos e sem trabalho, e vim-me embora para a cidade, à procura de melhor sorte. E depois de dois empregos breves, acabei nas ruas.

Não soube mais da mulher nem dos filhos. Penso que eles também não querem saber de mim. Quando saí de lá pensava voltar, com dinheiro, para reparar a minha má conduta anterior. Mas agora perdi tudo, não posso voltar...

Um dia arranjaram-me um bilhete de comboio, deram-me banho e barbearam-me, vestiram-me com uma roupa melhor, e ainda me puseram cinco contos no bolso, para eu poder voltar. Não passei da porta da estação...

(conto publicado a 3 de Maio de 2005)

Sem... abrigo, pão,esperança.

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Foto:Karla

O mesmo frio, a mesma solidão, em Nova York como em Lisboa.
É com desconforto que tropeçamos nos sem abrigo das grandes cidades. Pessoas que perderam toda a sua dignidade social, escondidas entre trapos e cartões.
Outras há, porém, que carregam na alma espezinhada, uma réstia de dignidade que as prende, por um fio ténue, a uma vida de cabeça erguida, embora miserável. É a pobreza envergonhada. São 200 000, para as estatísticas.

Always the sun - parte II

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Foto daqui.


The Stranglers
Always the sun

(música fresquinha, directamente de Macau)

How many times have you woken up and prayed for the rain?
How many times have you seen the papers apportion the blame?
Who gets to say?
Who gets to work and who gets to play?
I was always told at school, everybody should get the same.

How many times have you been told if you don't ask you don't get?
How many times have you wasted your money? your Mother said you shouldnt bet.
Who has the fun?
Is it always a man with a gun?
Someone must have told you if you work to hard you can sweat?

There's always the sun.
mmmm
There's always the sun.
Always, always,always the sun.

How many times has the weatherman told you stories that made you laugh?
You know its not upto the Politicians and leaders, when they do things by halves.
Who gets the job?
Of pushing the knob.
Thats what responsibility you draw straws for if your mad enough.

There's always the sun.
mmmm
There's always the sun.
Always, always,always the sun.

There's always the sun.
mmmm
There's always the sun.
Always, always,always the sun.

Always the sun

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Foto: Alexey Naumov

janeiro 29, 2006

O gelo

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Ano Novo Lunar em Macau - as imagens

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As iluminações de rua, em que o cão é o principal visado. Por todo o lado há flores e tangerineiras.

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Os edifícios públicos e quase todo o comércio aderem em dar mais cor à cidade.

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A panóplia de artigos de pirotectia é de uma diversidade que só visto!

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A queima de panchões.

Fotos: Noite

KUNG HEI FAT CHOI*

A cidade vestiu-se de vermelho e dourado para receber o Ano Lunar do Cão. Esta é a mais importante festividade do calendário lunar e as suas festas prolongam-se por três dias.

Na que é chamada a "semana dourada", a grande maioria dos estabelecimentos comerciais e industriais mantém as suas portas encerradas, gozando assim a maioria dos trabalhadores as suas férias anuais. As compras, essas foram feitas dias antes, com a colaboração dos comerciantes, que cumpriram uma época de grandes saldos. Nos dias que antecederam as festas, a cidade encheu-se de gente e dificilmente se conseguia romper, principalmente nos locais de grande concentração do comércio. Também nos dias que antecedem, as casas são limpas a fundo e enfeitadas com diversos artigos alusivos (sempre em tons de vermelho e dourado) e flores. As mobílias velhas, se possível, são substituídas por novas.

Um pouco por toda a cidade existem iluminações (sobretudo bonecos, consoante o ano lunar que se inicia; este ano há cães por todo o lado), flores, tangerineiras, nas ruas e nos estabelecimentos comerciais, que têm nas montras enfeites, ora a habitual mensagem de "Kung Hei Fat Choi" ou outras inscrições, ora tangerineiras, flores amarelas e vermelhas, ramos de pessegueiro, envelopes de lai-si.

Durante estes dias, as pessoas vestem bem, fazem visitas aos templos, onde rezam, acendem pivetes e queimam papéis, visitam familiares e trocam pequenas oferendas, como chocolates. Os casados oferecem lai-sis aos solteiros (o lai-si é um envelope vermelho onde se coloca uma nota de um qualquer valor, geralmente dobrada em três, com o intuito de dar sorte, a quem dá e a quem recebe).

À mesa do jantar da véspera de ano novo há geralmente “Nin Kou” (bolo do ano novo chinês), “Chim Tui” (bolo de farinha frito coberto de sésamo), “Kwa Chi” (pevides), “Tong Kam Kat” (tangerina cristalizada) e o “Iao Kok” (fritura em forma triangular). A cada iguaria corresponde um desejo para o ano novo: “Nin Kou”, a promoção gradual (devido à semelhança na pronúncia), “Chim Tui”, a acumulação de ouro e prata e “Kwa Chi”, o desejo de ter um filho varão e de se ganhar mais dinheiro. “Tong Kam Kat” simboliza o ouro (Kam Chi) e “Ião Kok”, à riqueza (devido à semelhança com um lingote de prata).

Nos locais próprios (à beira-rio, numa estrutura montada propositadamente, debaixo de apertada vigilância e presença constante dos Bombeiros) queimam-se foguetes de todas as formas e feitios e panchões (cartuchos de pólvora revestidos a papel de cor vermelha), que tanto podem ser curtos como ter vários metros, o que se traduz numa queima de vários minutos, com a barulheira infernal que a acompanha. O barulho é mesmo o intuito desde ritual, que segundo a tradição, cumpre-se para afugentar um animal sobrenatural denominado “Shan Xiao”, que tinha por vício matar pessoas ou gado nos fins de ano mas que tinha medo da luz e do ruído. Crê-se que queimar afasta os males e traz sorte. Nós pelo sim pelo não já fomos queimar os nossos! ;)

Nos casinos (que nunca fecham) faz-se a cerimónia da "abertura do jogo". A afluência é enorme e os funcionários públicos, proibidos de ali se deslocarem durante o resto do ano, estão durante estes três dias autorizados a tentar a sua sorte.

O cão é um dos 12 animais do zodíaco chinês, que se completa a cada 12 anos.

(seguem as fotos)

* (Feliz Ano Novo Lunar)

amanhecer gelado

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Foto de origem desconhecida, mas bem ilustrativa da paisagem de hoje.

Anoitecer poeirento

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Dusty Evening
Joe Wittkop

janeiro 28, 2006

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Foto:Eyal Barttov


Jogo? Qual jogo? Eu não sei de nada...

Tomar nota: os penalties do Simão já não resolvem jogos, vender quanto antes.

Árbitro dá volta ao jogo

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1 penalty não assinalado sobre o Nuno Gomes
1 penalty inventado sobre o Liédson

1-2

Shame on you!

O 1.º de penalty do Simão já lá canta...

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1 - 0

Em linha

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Voltando a colocar o blog na ordem...

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8 - 0

no mínimo

Saudade (também)

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A última garrafa que temos. Nao e quero abrir. É como a última ligaçao...

Vontade de voltar.

janeiro 27, 2006

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Obrigada

Ai eles querem guerra!?

Então vão tê-la... Estes gajos da galp nem sabem com quem se andam a meter... Polaca de 22 anitos e estudante de medicina! Favas contadas!
Quem é que os senhores e senhoras escolhiam se não tivessem gás canalizado!? A polaca!? Ou:

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Foto:Original daqui mas tratada pela Maria.

Fico à espera da nova contratação da Galp!

PS: Mad... não havia necessidade de publicitares a concorrência! Assim vi-me obrigado a contratar reforços! ;)

Terroristas? Quais Terroristas? II

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Todas as fotos estão neste Livro


"The greatest Zionist and Israeli crime against me and six million other Palestinians is that they have deprived us of living in our ancestral homeland, Palestine, as citizens of our independent undivided Palestinian State.
"

Issa Nakhleh

Recomendo a Leitura da Encyclopedia of the Palestine Problem.

Porque Isto, Isto, Isto, Isto, Isto, Isto,Isto e Isto e ainda Isto está tudo ligado, e merece a nossa especial atenção e sobretudo consciencialização.

Já nada pode passar em claro.
Que se discuta e se debatam ideias.

E sobretudo que estes posts sejam alertas aqui na blogosfera e lá fora, no mundo real.

Bin

Mozart - 250 anos

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Pauta retirada daqui.


Maria Callas
Ária Rainha da noite, A Flauta Mágica, Mozart

janeiro 26, 2006

Ainda e sempre a Palestina

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Photo © Arna Ösp Magnúsardóttir



Hoje o mundo surpreendeu-se com o resultado das eleições na Palestina. Confesso que não me surpreendi. Os 76 lugares conquistados pelo Hamas, contra os 43 da Fatah, num parlamento de 132 lugares, são um resultado de há muito previsível. Porque um povo cansado de promessas vota naqueles com quem se identifica na luta e no sofrimento. E esse é o papel do Hamas, dado que a Fatah, pelo facto de liderar desde sempre os destinos da Palestina, foi obrigada a um maior afastamento do povo.

Por outro lado, o povo israelita não escapa a esta lógica. Por algum motivo, após a morte Ytzak Rabin, colocou Benjamin Netaniahu no poder. Porque ele se identificava com a desconfiança e o medo que o caminho para a paz percorrido por Rabin significava.

Hoje vi alguns textos sobre o assunto, tanto nos blogs como na imprensa on-line. E chocou-me algumas das palavras e ideias defendidas.

Em primeiro lugar, parece-me que não se pode reduzir a luta contra Israel a um discurso anti-semita. Não é por Israel ser um estado judeu que poderá ter mais ou menos direitos. O facto de estar constantemente sob pressão dos países seus vizinhos não justifica o uso da força de forma desmesurada, o olho por olho, dente por dente. Não quero com isto apoiar quem pratica os atentados contra civis. Mas as respostas israelitas só prolongam eternamente o caos.

Outra das questões que me deixa abismado, é a tentativa de colar a esquerda ao apoio ao Hamas, enquanto a direita será pró-israelita. O caminho para a paz não é, não pode ser, dependente da força que está no poder em cada momento. O caminho para a paz tem de ser percorrido por todos, esquecendo as diferenças ideológicas.

Para o mundo talvez fosse mais fácil que a Fatah continuasse a liderar a Palestina. Mas o povo escolheu o Hamas. E o povo é que decide. Não quero com isto dizer que não haja alguma apreensão, por ser incerto o caminho que o Hamas vai percorrer. Mas esta pode também ser uma oportunidade.

Se os países influentes (onde já se sabe que não se pode contar com os Estados Unidos) olharem para os resultados de hoje como uma oportunidade, poderão convencer o Hamas a enveredar pelo caminho da paz, a reconhecer o estado de Israel e a, junto com a Fatah, criar um governo de união para uma transição para a paz.

Pode parecer utópico, mas não é tanto. Se a Fatah tivesse ganho, o Hamas estaria de fora, e poderia boicotar as resoluções com que não concordasse. Com a actual situação, os riscos acabam por ser menores. Com o Hamas à mesa das negociações, com a Fatah como aliada, há uma grande maioria representada. E se estes dois não se entenderem, então nunca mais haverá paz na Palestina.

É preciso que se coloquem de lado os preconceitos e se avance no sentido da paz. Porque a Palestina, tal como Israel, merece a paz. E o mundo também.

Há coisas...

...que não se podem guardar só para nós.
Aqui está uma prenda para todos/as visitantes deste blog.
Para que se saiba que por aqui abunda o bom gosto.
Quem é amiga, quem é?

Terroristas? Quais Terroristas?

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Photo © Salim Yaqub



"Na África do Sul, os africânderes consideravam-se como «um povo e uma nação à parte, ocupando a terra dos seus antepassados, (…) falando uma língua dada por Deus(…), e destinados por Deus a reinar (nessa terra) para civilizar as populações pagãs*».

É precisamente isso que a maioria dos israelitas se considera, incluindo os laicos que votaram em Sharon.
É preciso, pois, começar a procurar um de Klerk israelita. (…)

Ironicamente, no momento em que acabava o apartheid na África do Sul (início de Maio de 1994), o Estado de Israel começou a erigir um novo apartheid na Palestina através da assinatura do primeiro acordo Gaza/Jericó. Ao contrário da África do Sul, onde os velhos métodos de separação e de aquisição de terras pelos brancos tiveram de acabar a partir do início das negociações, na Palestina, pelo contrário, eles intensificaram-se. Do mesmo modo, ao contrário do governo branco de de Klerk, que regularizou a questão das confiscações de terras durante os três anos de negociações com o ANC de Nelson Mandela, o governo de Yitzhak Rabin permitiu o prosseguimento de colonatos na Cisjordânia e noutros territórios, como se os acordos de Oslo nunca tivessem sido assinados.

O governo de apartheid sul-africano expulsara as populações negras das suas terras, obrigando-as a viver em homelands, e distribuíra a terra aos brancos. Os sucessivos governos israelitas, do Likud ou do Partido Trabalhista, aplicaram a mesma política de «limpeza étnica» na Palestina. Quanto ao parlamento israelita, legalizou o sistema.
Durante os sete longos anos do processo de paz, prevaleceram duas legislações na Palestina: uma para os judeus e outra para os palestinianos. Os judeus tiveram liberdade de circular, construir e expandir-se, ao passo que os palestinianos foram acantonados em bantustões. Os israelitas adquiriram terras e expropriaram muitas outras, enquanto os palestinianos, limitados por interdições de circulação, nem sequer tinham acesso físico a essas terras. Israel manteve uma rigorosa separação entre os colonos judeus, que viviam sob legislação e protecção israelita, e os palestinianos, que viviam sob a legislação e segurança palestinianas. Tal como a África do Sul atribuíra aos dirigentes dos homelands uma soberania que eles não podiam exercer, também o Estado de Israel quis dar à Autoridade Palestiniana uma certa liberdade dotada dos sinais aparentes de uma soberania, mas que aquela não tinha possibilidade de exercer.

Tal como a África do sul dominou e controlou os black homelands, também o Estado de Israel conservou o poder, o controlo e a soberania nos enclaves autónomos. Controla também as terras, a água, os recursos naturais, a circulação de pessoas na Cisjordânia e na faixa de Gaza, os fluxos de mercadorias dentro e fora dos bantustões palestinianos.

Tal como na África do Sul, durante o processo de Oslo cavaram-se diferenças profundas entre israelitas judeus e palestinianos (nível de vida, acesso à educação, à saúde, ao emprego), diferenças que, en certos casos, não pararam de se agravar. Se o desemprego dos israelitas palestinianos diminuiu, na faixa de Gaza passou a atingir 40 por cento da população (tal como na África do Sul), e o nível de vida baixou 25 por cento em sete anos.
Mas, tal como na África do Sul, para o Estado de Israel não se tratava apenas de interesses materiais. Os israelitas, como os africânderes, têm uma característica comum: estão irremediavelmente prisioneiros da sua mentalidade defensiva.

Sete anos mais tarde, os palestinianos, como todos os povos colonizados, exigiram que fosse posto termo à ocupação e ao apartheid, condição essencial para a paz. Recusaram também o acordo-quadro final, elaborado a partir do modelo vago e geral dos acordos de Oslo. Rebentou então a segunda Intifada.

De imediato, o exército israelita interveio segundo planos precisos há muito preparados. O governo de Barak atacou os palestinianos em duas frentes distintas: no terreno, na Cisjordânia e na faixa de Gaza, e até em Israel, utilizou a punição colectiva e a violência excessiva; na frente internacional, lançou a guerra dos media, o que era indispensável para conservar, perante o Ocidente, a sua imagem de vítima, tarefa delicada quando o poderoso «Golias» israelita, armad até aos dentes, defrontava o pequeno «David» palestiniano, lançador de pedras.

O Estado de Israel não podia ganhar batalhas no terreno e perder a guerra da opinião pública internacional. Levou então a cabo uma campanha destinada a apresentar a população palestiniana como «desumana» e a desacreditar os seus dirigentes.
Foi necessário as forças de segurança israelitas matarem treze cidadãos israelo-palestinianos árabes e fazerem centenas de feridos nos primeiros dias de repressão, em Outubro de 2000, para o mundo tomar consciência de que um milhão de palestinianos viviam em Israel como cidadãos de segunda, submetidos a um sistema que apresentava algumas características de apartheid.

Extracto do livro Palestina – Israel, A Paz ou o Apartheid de Marwan Bishara, Fevereiro de 2001


Olhando hoje para o resultado ainda não definitivo das eleições na Palestina, depois das pressões veio ao de cima o espirito democrático britânico e os outros.

Não considero o Hamas um movimento terrorista. Recordo aqui isto. Recordo também Ahmed Yassin e Abdel Rantissi.

Penso que toda a gente tem noção das atrocidades que tem sido cometidas contra o Povo Palestiniano durante anos a fio, é para mim perfeitamente justificável que o povo palestiniano responda a essas mesmas atrocidades, ao apartheid criado pelo Estado de Israel.

É também muito interessante a opinião do amigo Luis, principalmente numa altura em que muitas memórias são curtas. Estas organizações, como afirmei anteriormente, lutam contra a opressão que o seu povo é alvo.
Não tentem branquear a história, porque ela não pode ser branqueada.
Continuo sem perceber como um povo que foi vitimas de uma das maiores atrocidades que há memória na história da humanidade, faça exactamente o mesmo a outro povo.

Revolta-me, indigna-me e agita-me o sangue. Mas pelos vistos não só mim. Também aqui e aqui.

Isto que está a acontecer na Palestina, dá que pensar em relação ao Iraque e outros países no mundo onde dizem por ai que existem organizações terroristas.

E se ele e e ele se candidatassem?


* Oxford History of South Africa, vol. II,Oxford, 1971, p.301.

Saudade

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Foto: Elliott Erwitt

Cruzamo-nos com pessoas na vida que, para além de uma enorme amizade, influenciam e moldam parte do nosso carácter. Indicam-nos o caminho a seguir. Ajudam-nos a crescer.
Tive a sorte de, na minha vida, ter tido uma amizade dessas.
Desapareceu permaturamente, mas a sua presença e memória é constante. Não há um fim, para uma amizade assim.

Transcrevo para aqui um texto que, há uns meses, respondia a um desafio lançado pelo Jorge Morais no 6 em 1 & algo mais. O tema era a saudade. Porque a saudade está em nós, nunca é demais lembrar.

Talvez haja saudade.

Já lá vão 6 meses, desde o dia em que deixaste este mundo, sem tempo para um adeus.

Talvez mesmo por isso, por não ter havido lugar a despedidas, eu não te sinta ausente.
Talvez porque tive de agarrar a vida sozinha.
Talvez por tudo à minha volta, ter o teu cunho.
Talvez porque continuo a viver, como se logo entrasses por esta porta.
Talvez porque nos momentos de dúvida e incerteza, és a bússola que me orienta.
Talvez porque continuo a sorrir com as nossas lembranças.
Talvez porque continuo a lutar pelos nossos ideais.
Talvez .
Talvez por teres feito de mim, muito da mulher que sou hoje.
Talvez por tudo, eu não te sinta ausente.

Talvez haja saudade, mas sou uma mulher feliz.

Palestina - que futuro?

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Muro perto de Qalqylya, Palestina.
Foto daqui.

Os últimos anos da minha juventude tiveram como marco a queda do Muro de Berlim. Esse passo simbólico abriu nas mentes humanas a crença na possibilidade de um mundo sem divisões, onde todos pudéssemos viver em paz e harmonia, num clima de igualdade de direitos e oportunidades.

Mas, na Palestina, outro muro se ergueu, desta vez pelas mãos de Israel. Independentemente de quem possa ter razão no conflito, o muro traz à memória uma das páginas negras da humanidade. Em Berlim, o muro durou 38 anos. Na Palestina, ninguém sabe.

As notícias que indicam que o Hamas terá ganho as eleições são preocupantes. Apesar de o resultado ser legítimo, fruto de uma eleição democrática, que decorreu sem incidentes, há países que se dizem democráticos, como os Estados Unidos, que já vieram fazer declarações que mostram que, para eles, a democracia só é válida quando os resultados vão ao encontro dos seus desejos.

São estas reacções que me deixam preocupado relativamente às próximas eleições em Israel (onde os radicais contra a paz podem vir a ganhar) e, principalmente, ao futuro da Palestina. Acima de tudo, é a paz que está em jogo, e o povo palestiniano, tal como qualquer povo do mundo, merece viver em paz.

ADENDA:

Sendo este tema de importância mundial, penso que se justifica juntar a este texto as opiniões expressas nos comentários.

Eu acredito no bom senso dos lideres do Hamas. A Palestina hoje está muito diferente da Palestina de há dois anos atrás.
Há um caminho percorrido rumo à paz, eu não sei se perdoaria assim facilmente o que Sharon, e os outros antes dele fizeram durante anos a fio ao povo palestino. Mas, isso é outra questão.
Em relação ao foco central do teu post, o resultado destas eleições, os palestinos escolheram livremente, votaram livremente e em consciência. É de todo legitimo este resultado.
O mesmo não se pode dizer da parcialidade dos EUA, que como sempre são umas autênticas BESTAS nas relações internacionais. Se o cavalo em que apostam perde, dizem que o jogo não valeu.
Vamos ver se existe algum bom senso da Rússia e da Europa para refrear os ímpetos americanos e sobretudo os israelitas, mas, sinceramente não estou a ver nenhuma figura política de peso em Israel que não no caminho da radicalização de posições.
O Hamas irá sofrerer nos próximos tempos uma evolução politica, continuará a ter uma ala mais radical e uma mais moderada, o equilibrio entre as duas é que irá permitir À Palestina o trilhar de um efectivo caminho rumo à paz.
Quanto ao Muro da vergonha, tal como o de Berlim, haverá de ser destruído, porque tal como na Palestina também em Israel existem pessoas que querem efectivamente a paz. e o terminus efectivo da guerra e da violência.

Bin

Basicamente, partilho as vossas opiniões. Sempre fui sensível ao sofrimento do povo palestiniano e raramente aceito a disparidade das respostas de Israel.
Tenho alguma esperança que o processo de paz, possa dar alguns passos em frente.

Karla

Partilho da opinião do Jorge e do Bin sobre as posições sempre muito estratégicas e oportunistas dos USA! No entanto, meus caros, o problema da Palestina devia ser olhado por todos nós com outros olhos, não apenas com a posição de algo que acontece no médio oriente! Todos os países da ONU que assinaram a criação do Estado Israelita (penso que Portugal foi um deles) são responsáveis pelo problema. Após a segunda grande guerra a preocupação era apenas colocar os Judeus num canto seu, sem haver uma alma iluminada que percebesse o que se iria passar com esta situação!
Bilhas

janeiro 25, 2006

Banco de Portugal

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Emprego dificíl...

No passado dia 22 foi celebrada na Capela Sistina, no Vaticano, uma missa de celebração dos 500 anos da guarda pessoal do Papa, a Guarda Suíça.

Hoje em dia a Guarda Suíça é composta por 110 homens, todos cidadãos suíços, de reputação irrepreensível e na sua maioria celibatários.

Ele é cada trabalhinho!!!!

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Foto: Retirada daqui, mas originária daqui.

É quando estás de joelhos...

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Foto: Joachim Oppermann

É quando estás de joelhos
que és toda bicho da Terra
toda fulgente de pêlos
toda brotada de trevas
toda pesada nos beiços
de um barro que nunca seca
nem no cântico dos seios
nem no soluço das pernas
toda raízes nos dedos
nas unhas toda silvestre
nos olhos toda nascente
no ventre toda floresta
em tudo toda segredo
se de joelhos me entregas,
sempre que estás de joelhos,
todos os frutos da Terra.

David Mourão Ferreira

Macau está em festa!

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Foto: Noite

A cidade está em festa para dar as boas-vindas ao ano do Cão. É tempo de espantar os maus espíritos e fomentar a boa sorte para o ano que se avizinha. No Domingo falarei mais sobre esta festa.

janeiro 24, 2006

Já que estamos a falar de "Scarlett Johansson"
lembrei-me de "The scarlet thing in you"

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From the world to the dreaming fields of light
Yeah from the soaking mud
Gonna fly up to the sky
To the scarlet thing in you
On a long lost ocean wave of light
Submerged and unafraid

I saw you
You were one
I saw you
You were one

No way back to recall the way
Cause I threw out all the why's
Spinning with the spider in the cave
Found the scarlet thing in you
Where the birds can't reach
No words can teach
Spinning in the cave
For the scarlet thing in you

I saw you, you saw me

I saw you
You were the one
I saw you
You were one

Spinning in the cave
For the scarlet thing in you


Peter Murphy
The scarlet thing in you

Post para todos os sexos

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Estou completamente viciada nesta mulher. Desde que vi Scarlett Johansson em Lost in Translation fiquei rendida.
Além de ser uma belíssima mulher que transmite tranquilidade só de olhar é também uma fabulosa actriz.

(É também um dos nomes mais procurados na net pelo que o número de visitas vai aumentar).

Os Eunucos

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Os Eunucos


Os eunucos devoram-se a si mesmos

Não mudam de uniforme, são venais

E quando os mais são feitos em torresmos

Defendem os tiranos contra os país

Em tudo são verdugos mais ou menos

No jardim dos haréns os principais

E quando os mais são feitos em torresmos

Não matam os tiranos pedem mais

Suportam toda a dor na calmaria

Da olímpica visão dos samurais

Havia uma dona a mais na satrapia

Mas foi lançado à cova dos chacais

Em vénias malabares à luz do dia

Lambuzam da saliva os maiorais

E quando os mais são feitos em fatias

Não matam os tiranos pedem mais

José Afonso


Os Eunucos (No Reino da Etiópia)


Música © José Afonso




É precisamente neste poema que penso quando me lembro destas últimas eleições.

Assim está o Partido Socialista. Revolta-me, sim, bastante, eu que já passei por aquela casa. Há mais de dez anos que ali vive aquela fauna sem escrúpulos, vocacionada apenas para o poder, a mesma gente que renegou há muitos anos a matriz base da Declaração de Princípios do Partido Socialista. Falo da raiz, da força geradora, daquele livro rectangular de capa vermelha, com um punho esquerdo cerrado sob uma circunferência branca. Aprovado em Dezembro de 1974.

Bem sei que o mundo avança, e se transforma, mas existem princípios base que nos regem, seja há 100 anos atrás, seja daqui a 100 anos; os nossos princípios políticos, aqueles que moldam a nossa interacção com os outros, a forma como agimos, escutamos, participamos e expomos as nossas convicções.

Quem me conhece sabe que não sou conformado ou resignado, a nossa opinião e participação politica não se pode silenciar, nunca. Seja como indivíduo, seja como grupo colectivo o espírito crítico não se pode silenciar. Para silêncio bem basta o que todas as ditaduras geraram e geram, ainda; mas não só as chamadas ditaduras geram o silêncio. Infelizmente, também na denominada Democracia isso acontece, tal como temos assistido por esse Mundo fora. Esse deitar de areia para os olhos, subestimando a inteligência das pessoas, acontece à escala mundial, mas, também, à escala nacional.

Falo da atitude ou da forma de actuação de José Sócrates perante Manuel Alegre, mas, não só disso. Durante esta campanha passaram-se coisas muito desagradáveis, atitudes altamente reprováveis por parte da fauna que compõe actualmente a direcção do Partido Socialista em relação a Manuel Alegre.

Aquele aparelho de que Alegre falou quando foi candidato a secretário-geral do PS existe mesmo, tudo é controlado, manipulam-se pessoas, exerce-se pressão sobre os militantes, prédefinindo votações, utilizando verdadeiros lobbies.

Olhando agora para a votação que Manuel Alegre atingiu nestas eleições, percebe-se que os verdadeiros eleitores socialistas votaram em Alegre, o que permitiria questionar a eleição de José Sócrates enquanto secretário-geral do PS.

Não sei o que Alegre irá fazer no futuro; a mim, agradar-me-ia que fosse parte activa de uma revolução que há muito é precisa dentro do Partido Socialista: acabar de vez com esta fauna dos interesses, da manipulação, dos jogos de poder. Gente sem substrato político.

Foi essa gente a responsável pela derrota da esquerda nestas eleições. Não foi o Jerónimo de Sousa, que atingiu uma excelente votação; ele, que derrotou o candidato da direita em Beja. Ele e o Partido Comunista que, com uma excelente dinâmica encheram o Pavilhão Atlântico, fazem recordar as mobilizações de outros tempos.

Não foi Manuel Alegre o responsável pela derrota da esquerda, ele que contra ventos e marés levou a sua candidatura a um lugar que muita gente julgava não ser possível. Um autêntico movimento de cidadania, questionarão os meus amigos do Partido Comunista.

Mas, afinal, Alegre foi o único candidato sem máquina partidária por trás, apenas as pessoas e a palavra.

É histórico, sim, sentimos que, afinal, as Utopias são tangíveis, sentimos que o povo, esse conjunto de indivíduos que somos nós pode efectivamente participar com o seu voto, com a sua palavra, na construção de um mundo melhor. Sem as teias que infelizmente existem dentro dos partidos políticos – esses que fizeram com que as pessoas olhassem com muita desconfiança para os políticos e para a política.

Enquanto permitirmos situações como aquela a que assistimos dentro do Partido Socialista, neste caso em particular, estamos a contribuir para essa desconfiança. Para a construção desse clima no qual se fazem declarações absolutamente irresponsáveis, para não dizer mais, como as que fez Pedro Silva Pereira, durante a campanha eleitoral - esse iluminado militante do Partido Socialista, desde 2000. Ou o ar arrogante com que fala José Sócrates; afinal quem pretende esta Fauna enganar?

O poder popular existe, é uma realidade; a prova disso foi a forma como mais de um milhão de portugueses apoio Manuel Alegre. Uma verdadeira lição de Cidadania, que deverá fazer reflectir essa Fauna sem princípios, existente dentro de alguns partidos políticos.

No Partido Socialista ela existe.


Bin

Quando os olhos falam

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Foto: Haleh Bryan

janeiro 23, 2006

nas fotos todo é mais bonito.

Quatro horas... quatro horas!

O tempo que tenho passado a montar os três estantes comprados numa loja de certa empresa sueca... nao é dificil fazê-lo, certamente... se tens cuidado, tudo quadra... parafusos, chaves inglesas... tudo no seu lugar e as instrucçoes bem abertas e presentes em cada paso dado. É por isso que tenho tardado tanto, devagar, devagarinho...

Ao fim, levanto do chao os estantes, ponho os contra a parede, orgulhoso de mim com meio sorriso na boca e lá está:

Hoje descobri que as minhas paredes nao tem 90º!

Estudos daqueles que não lembra a ninguém!

Leio no Público de hoje que um investigador britânico (se não fosse britânico, seria americano) da Universidade de Cardiff concluiu, após apurado estudo, que o dia 23 de Janeiro é o dia mais deprimente do ano!

Eu acrescentaria que para algumas almas (mais ou menos 14%) portuguesas, hoje é também o dia com mais azia do ano... pelo menos dos últimos anos!

Para os ditos, aqui vai com os cumprimentos do Bilhas...

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Foto: Daqui.

1. Lion Portrait, Serengeti, 1998.

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Photo © Nick Brandt



A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

Miguel Torga



Sarankégni

Música © Djelimady Tounkara



A exposição continua, Aqui.


...são como divãs...

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Foto daqui.

...refiro-me às dunas do post aqui abaixo, acho que dizem muito bem com este divã...

Dunas

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Foto: Kazuo Okubo

Eleições presidenciais - the day after

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Foto daqui.

Uma prenda para todos os candidatos.
É que com tantos ósculos durante a campanha, é melhor prevenir...

janeiro 22, 2006

Ante et Post III

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Escolhas

Ontem foi dia de reflexão.
E eu, reflecti. Aliás, ando em reflexão há um mês e cheguei finalmente a uma conclusão.
Ganhe quem ganhar, quem quer que venha a ser o próximo Presidente da República, nada altera na escolha que vou fazer, no carro novo que tenho de comprar.
Decididamente, nunca poderá ser este.

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janeiro 21, 2006

80 000

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Foto:Karla

é o numero de bandeiras que El Rei Alberto João, o bobo, encomendou, para no dia 1 de Julho comemorar o dia da Região autónoma. Uma bandeira em cada casa. Não são duas, é só mesmo a da autonomia.

Onde é que eu já vi isto?

WLA e WHB

Caros amigos e sócios da WLA - We Love Angelina,

Foi com muita dor e sofrimento que soubemos que a nossa musa inspiradora Angelina

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...
onde é que eu ia? Angelina... ah, sim...

Foi com muita dor e sofrimento que soubemos que a nossa musa inspiradora Angelina se deixou enredar nas teias daquele inefável, feioso e loiro actor, de seu nome... de seu nome... de seu nome... eu não consigo pronunciar!

Por isso, resolvi criar uma outra associação, que complementará esta, a WHB - We Hate B... (continuo a não conseguir escrever o nome). Associe-se a nós e ajude a Angelina a livrar-se desse terrível destino. Todos os novos sócios recebem este magnífico alvo de parede, totalmente grátis.

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CONTAMOS CONVOSCO!

A fumar à rua!

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Em Espanha já se faz. Prohibido fumar no trabalho, é lei. Que é o que acham, vizinhos meus?

28 dias no mar

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Foto daqui


Eu adoro barcos. De pesca, veleiros, de guerra, de mercadorias, submarinos, cacilheiros, paquetes...
É sobre um paquete que vos quero falar. Aquele que, há muitos anos atrás, me levou até Moçambique.
Um paquete dos antigos, já na altura era velho e rangia por todos os lados. Um paquete com cabines pequnas, de beliches, mas com vigias para o imenso azul. Com um deck corrido e aberto, espreguiçadeiras e o mar já ali. Um paquete que, nas classes menos económicas, ainda vivia de glamour, de festas e vestidos para as ocasiões. As tardes de canasta e outros jogos de salão e os chás dançantes, ocupavam os dias dos adultos. Nós, crianças, corriamos pelo deck. Organizavam-se gincanas e eu, aprendi a nadar naquela piscina. Na passagem pelo equador, a tradicional festa de máscaras.

Quando hoje vejo, atracados no Tejo, os enorme e modernos paquetes, a lembrar hoteis flutuantes, completamente fechados, cheios de brilho e luzes, mas sem encanto algum, recordo, com saudade, 28 dias no mar. 28 dias, com escala em algumas ilhas que, à medida que nos aproximavamos do destino, me iam dando uma visão de África, para mim, completamente desconhecida.
Era o Pátria. Foi a sua última viagem.

janeiro 20, 2006

Bolha ao sol!

Espero que todos tenham um excelente fim de semana... deixo-vos com uma música especial dos Violent Femmes. Uma daquelas que se ouviam nos meus tempos de teenager (in)consciente! O título deste post é uma tradução do nome da música feita aqui.

Blister in the sun
Violent Femmes
Slash Records, 1982

Sexta à tarde

O relógio na parede estava trinta minutos atrasados relativamente à hora correcta. Ainda não percebera como era possível que de manhã o relógio estivesse meia-hora adiantado e, quando regressava do almoço, estivesse meia-hora atrasado. Enfim, mistérios de uma empresa portuguesa, com certeza.

Mesmo assim, os minutos eram contados um a um. De vez em quando, o telefone tocava. A resposta a dar já era automática: "É Sexta à tarde, alguns dos departamentos já fecharam, já não lhe posso fazer isso hoje. Ligue Segunda-feira. De tarde!"

Quando finalmente chegou a hora, pulou da sua cadeira e foi a toda a velocidade para casa. Acabou de fazer as malas, pegou na mulher e nos filhos, e preparou-se para um fim de semana na Serra da Estrela. Até Domingo à noite, ia ser uma festa.

Já no carro, preparado para arrancar, olhou para o cartaz afixado na porta da junta. Acabara-se o fim de semana fora. Domingo era dia de eleições e o dever cívico está sempre em primeiro lugar.

Sem ... abrigo, pão e esperança

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Foto:Karla

O mesmo frio, a mesma solidão, em Nova York como em Lisboa.
É com desconforto que tropeçamos nos sem abrigo das grandes cidades. Pessoas que perderam toda a sua dignidade social, escondidas entre trapos e cartões.
Outras há, porém, que carregam na alma espezinhada, uma réstia de dignidade que as prende, por um fio ténue, a uma vida de cabeça erguida, embora miserável. É a pobreza envergonhada. São 200 000, para as estatísticas.

Amoras...

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Foto daqui.

janeiro 19, 2006

Eugénio de Andrade - a forma simples de escrever Portugal

As Amoras

O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade

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Foto daqui.

n. 19/01/1923 em Póvoa de Atalaia (Fundão), f. 13/06/2005 no Porto

Amigo

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Foto: Kevin Temple

Temos amigos assim.
Não precisam de estar sempre ... em permanência.
Basta que estejam no momento certo. Basta que digam as palavras certas.
Basta que existam e reparem em nós.

Há pessoas que nos enchem, sem ocupar espaço nenhum.

Parabéns Nuninho.

E já que estamos a falar de banho...

... ou bath, em inglês...

Old woman of Bath

There was an Old woman of Bath,
And she was as thin as a Lath,
She was brown as a berry,
With a Nose like a Cherry;
This skinny Old Woman of Bath.

Retirado da página de Edward Lear.

É que já sabia bem...

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Roy Lichtenstein
Copiado daqui.

... um pouco de água para refrescar!

É impressão minha...

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Foto daqui.

... ou isto está um bocadinho deserto? ;-)

janeiro 18, 2006

Ante et Post II

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Prémio - O prometido é devido...

Ora como os meus caros devem ter percebido estava a concurso uma viagem de ida e volta à Foz aqui neste post. A vencedora foi a Sofia e aqui fica o voucher (gosto mesmo desta palavra, lembra férias...)!

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PS: Sofia... basta imprimires a coisa e depois trocar em qualquer estação dos STCP ou Metro do Porto (espera este não que ainda não chega à Foz!). Mas em caso de dúvida, ou de encontrares algum magano mal disposto nos STCP, basta dizer alguma coisa aqui ao Bilhas.

Post à Bin (agora completo)

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Africa, 1998 (óleo) 36" x 48"
© Raphael Sirianni

This piece was done to the African beat of Manu Dibango and Fela Anikulapo Kuti.

"The energy of their music made it impossible for me to stop once I started."

E aqui estão algumas das músicas que terão acompanhado estas danças.


Manu Dibango
Dikalo


Fela Anikulapo Kuti
Shakara

janeiro 17, 2006

Post à Mad

É só uma tentativa, para que não vos falte nada, nas férias da Mad.

Women estudio 32 Christian Coigny.jpg
Foto:Christian Coigny

Vício blogosférico - post interactivo

Ontem o Dani, fez um post com um pequeno cartoon (deveria dizer cartune ou cartum?) que nos faz pensar. Será que estamos de tal forma viciados que os blog passam a ser a nossa vida?

Por isso lembrei-me deste post interactivo, que irá ser construído com a ajuda de quem quiser contribuir. A ideia parte de um comentário que eu fiz nesse post, e consiste em sugerirem segmentos de frases que possam completar o início da frase que eu vou dar. Aqui fica o início e a minha primeira sugestão:

Descobrimos que estamos viciados na blogosfera quando...

sugestões:
... uma pessoa nos conta alguma coisa e começamos a procurar na sua roupa pela caixa de comentários. (Jorge)
... alguém nos pergunta qualquer coisa e dizemos que já respondemos a essa questão no blog. (Carriço)
... queremos dizer alguma coisa a alguém e não conseguimos por não encontrarmos o botão de "Post" ou "Publish"! (Bilhas)
... ao conhecer uma pessoa nova, em vez de lhe pedir o número de telemóvel, lhe perguntamos se tem um blog. (Maria)
... em vez de pensarmos no presente que vamos comprar ao namorado no seu dia de anos, ficamos a pensar no post que lhe vamos dedicar. (Maria)
... às 4 da manhã abrimos o computador, para ver se há novidades. (Karla)
... fazemos refresh de 30 em 30 segundos. (Karla)
... quando estamos de gripe, sem paciência nem capacidade para ligar o computador, mas mesmo assim nos perguntamos: será que há novidades? tive visitas? alguém perguntou por mim? e os outros?... (Sofia)
... quando começamos a escrever os ofícios no serviço em html. (Mad)
... quando me cruzo com alguém a quem não me apetece falar e penso em bloquear-lhe o IP! (Nikonman)
... quando entramos em crise pelo blo.gs estar a ter (mais) uma "paradinha". (Hipatia)
... quando passamos a trazer connosco um bloquinho para anotar em todas as alturas qualquer ideia para um post. (Maria Árvore)
... quando vivemos uma situação na vida real e pensas na maneira de contá-la e as palavras justas no próximo post. (Dani)
... quando não temos tempo para coçar as costas, mas ainda assim não evitamos passar por aqui sorrateiramente, para ver o que se passa! (Noite)
... após um qualquer encontro a dois, no dia seguinte a outra pessoa te diz: "Estive a ver o teu blog, à espera de encontrar lá algum post sobre ontem, e nada...". (Jorge Portugal)
... ficamos desconfiados quando se conhece alguém, que não tem blog... (Bibas)

última actualização: 20/01/2005 12:38

Para a frente, é o caminho.

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Foto:Karla

janeiro 16, 2006

Vida dum blogger.

vida dum blogger

Ideia de aqui.

Tenho que reconhecer que as vezes me sinto como na caderneta.

Ontem, dia de chuva, nem saí. Passei toda a noite a ler blogs.

Para esta semana o propósito é claro: sair. Que sem saidas nao há histórias.

Boa semana ao pessoal!

Pelos caminhos de Portugal!

Mais uma para tentarem adivinhar... em que sítio de Portugal foi tirada esta foto!?

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Foto: Bilhas

PS: Mantém-se o prémio de um bilhete de ida e volta à Foz!

O juramento

Éramos os três melhores amigos do mundo, o Paulo, o Carlos e eu. Andávamos na escola juntos. Ninguém nos separava. Mesmo a jogar futebol, éramos sempre da mesma equipa.

Acabada a escola explorávamos tudo em nosso redor. Os montes, as cavernas, os rios, nada era segredo para nós. Só a noite nos separava, mas mal nascia o sol, tudo recomeçava.

Um dia os nossos caminhos separaram-se, quando eu mudei para longe. Algum tempo depois o Carlos emigraria para França.

Nesse último dia, subimos ao alto do monte, de onde podíamos ver todo o mundo que até então conhecíamos. Perguntámo-nos se seria possível ser feliz longe dali. O Paulo, sentia-se privilegiado, por permanecer ali, mas dizia que nada seria igual.

Fizemos um juramento solene, unindo os nossos sangues, que seríamos amigos para sempre e que tudo faríamos para ser felizes.

O Paulo acabaria por morrer, três anos depois, num acidente de mota. O Carlos sucumbiria a uma overdose, dez anos mais tarde. Fiquei eu, tentando ser feliz, mesmo que a ausência deles torne essa tarefa difícil. Mas um juramento entre irmãos de sangue jamais pode ser quebrado.

Travel

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Foto: Paulo César

janeiro 15, 2006

Ante et Post I

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Fim do Lisboa-Dakar

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Foto daqui.

14 portugueses chegaram ao fim, com destaque para Carlos Sousa (7.º nos automóveis) e para Hélder Rodrigues (9.º nas motos). Para o ano há mais.

Encontro à chuva

foi o nome dado a esta foto, pelo seu autor.

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Foto de Animesh Ray

janeiro 14, 2006

A solidão

Por diversas razões, Zé da Vinha não casara. Tinha 50 anos e continuava sem companhia. O pai morrera muito cedo, deixando-o filho único de uma mãe que nunca mais casou nem homem teve. Namoradas teve algumas, mas tinha o estranho fado de, sempre que abandonava uma, ser abandonado, pouco depois, pela nova.

A mãe nunca se zangou por ele se ter mantido solteiro. Pelo menos ele tinha namoradas, não era como aquele Carlinhos, sempre acompanhado por homens. Por outro lado, todas as namoradas que a mãe escolhia ao filho, ele acabava por abandoná-las. Trocava-as por outras, que não serviam para o seu filho, e que acabavam por abandoná-lo (dizem as más línguas que isso acontecia mal conheciam a mãe).

Sem família para sustentar que não fosse a mãe, foi um homem de biscates, só se preocupando com o trabalho quando lhe começava a faltar o dinheiro. O tempo foi passando. Chegou aos 45 anos e ficou sem mãe, quase sem dinheiro e com pouco trabalho, dado que já era muito conhecido pelos seus desaparecimentos antes de a obra acabar.

Sozinho, a bebida era o seu único consolo. Em pouco tempo transformou-se num farrapo, com a roupa suja, cabelo por pentear, barba por fazer, cara por lavar e um cheiro nauseabundo. Na taberna, era motivo da risota. Os rapazes mais novos metiam-se com ele. Ele não ligava, até ao dia que lhe disseram que devia arranjar uma mulher. Começou a pensar seriamente nessa hipótese. E no dia seguinte perguntou aos mesmos rapazes se conheciam uma moça nova que quisesse casar com ele.

Os rapazes, tentando conter o riso, disseram-lhe que uma moça nova não o ia querer, porque precisaria de um homem com dinheiro. Ele tinha era de procurar uma viúva rica, que o sustentasse. Ele começou a pensar e lembrou-se da D. Rita, que ficara viúva há alguns meses e que tinha algum dinheiro e terras.

Foi a casa dela, mas ela nem sequer o recebeu, pensando que ele vinha pedir trabalho. A sua fama era bem conhecida. Cabisbaixo, voltou para a taberna. Os rapazes continuaram a espicaçá-lo. Ali na aldeia não podia ser, as viúvas eram muito reservadas. Tinha de ir procurar na cidade.

No dia seguinte, meteu-se a caminho, a pé, percorrendo os 10 quilómetros até à cidade. Procurou, mas nada conseguiu, sendo até corrido por algumas à paulada. Voltou para a aldeia, muito triste.

Os rapazes, talvez já com um pouco de sentimento de culpa, disseram-lhe que ele não ia conseguir nada naquela figura. Tinha de tomar banho, fazer a barba, vestir um fato. Um deles prometeu que lhe arranjava um fato, e levou-lhe um antigo do seu pai. Estava decidido. Tomou banho, fez a barba e vestiu o facto. Um dos rapazes emprestou-lhe uns sapatos e ainda lhe deu boleia de mota até à cidade. Emprestou-lhe algum dinheiro e disse-lhe que o voltava a levar à noite.

Mesmo assim, embora de cara lavada e vestido a rigor, a sorte parecia madrasta. Cansado da procura infrutífera, entrou numa taberna vazia, para beber uns copos. Ao balcão estava uma mulher, também pelos seus 50 anos. Acabaram a conversar, a falar das suas histórias. Ela era viúva, e ficara com a taberna, que ia dando para sobreviver. A taberna fechou, mas ficaram os dois a conversar, bebendo juntos.

Tinha descoberto a sua mulher. Passados 3 meses casavam, numa festa que a rapaziada ajudou a organizar. Ele ganhou nova vida, foi viver para a cidade e começou a trabalhar na taberna. Se a mãe fosse viva, aprovaria certamente o casamento.

Mas a felicidade pode durar anos, ou pode acabar rapidamente. Nove meses depois a mulher morria, com uma trombose. Toda a rapaziada compareceu ao funeral, onde ele não parava de chorar. Não compreendia que a vida pudesse ser tão madrasta.

Colocou a taberna à venda e voltou para a aldeia. Voltou a visitar a taberna da aldeia, bebendo ainda mais do que antes. Os rapazes tentavam animá-lo, mas a dor, a mágoa, a solidão, não desapareciam.

Um dia ele não apareceu na taberna. Ninguém deu muita importância, pensaram que teria ido à cidade. Mas ao fim de uma semana sem dar notícias, resolveram ir procurá-lo. Encontraram-no morto, no fundo do poço, ao lado da sua casa.

Uns disseram que se teria atirado, outros que teria caído acidentalmente devido ao estado de embriaguez. O padre encomendou a sua alma ao criador, onde se espera que ele esteja, acompanhado de quem ama, longe da solidão.

(Publicado a 01/02/2005)

Física e Matemática - um génio famoso e outro nem tanto

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Albert Einstein & Kurt Gödel
Foto daqui.

Albert Einstein é mundialmente famoso. Mesmo quem não estudou física, é capaz de já ter visto a sua cara, com farto bigode e cabelo despenteado, numa qualquer revista ou livro. Para a generalidade dos físicos, é o pai da Física e, em particular, da teoria da relatividade.

Já não tão conhecido do cidadão comum é Kurt Gödel. Mas qualquer matemático o conhece e ao seu mais famoso teorema: o Teorema da Incompletude. Basicamente, o teorema prova que é impossível que um sistema seja simultaneamente completo e consistente. Faz hoje 28 anos desde o seu desaparecimento. Alguns dados biográficos, e mais informação sobre o referido teorema, podem ser vistos aqui, aqui e aqui.

janeiro 13, 2006

Rosette e a boa sorte!

Ele há coisas do camandro!!!

Estava eu à procura de um símbolo de boa sorte pelos meandros do Google Images e eis que senão quando dou de caras com a Rosette!!! Lembram-se da Rosette!? A da música "(...) o tira e mete é de chorar por mais! o mete e tira! e outras coisas que tais...eu hei-de lá voltar! eu fui à Rosete! lá lá lá (...)". Lembraditos!? Gloriosos anos 80! Pois então não é que a moça se converteu no mais antigo símbolo de boa sorte!

Ele há coisas...
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Imagem: Daqui.

PS: Boa sorte e um bagaço para todos os que nos lêem, mesmo para os que nunca foram à Rosette!

Sexta-feira 13

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janeiro 12, 2006

Traz os montes

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Foto daqui.

Para lá do Marão,
Onde a rudeza do clima
E a beleza agreste se fundem,
Pisei muitas vezes o chão
Empedrado dos velhos caminhos,
Avistando lá de cima
Os montes vizinhos,
Que no horizonte se confundem.

Hoje, as casas tomaram o lugar dos montes,
As portas o lugar das fontes,
O asfalto o lugar dos caminhos,
A indiferença o lugar dos vizinhos.

Por vezes, em dias de melancolia,
Tenho saudades do calor sentido em dias gelados,
Das adegas onde o vinho acompanhava o pão centeio,
Das noites à lareira em família,
Das geadas que um manto branco deixavam,
Das estrelas que num céu descoberto brilhavam,
Da lua que alumiava os prados,
Da promessa do progresso, que nunca veio.

Por vezes, uma brisa fria devolve-me a lembrança,
E traz os montes de volta ao meu pensar,
Trazendo consigo a ténue esperança
De um dia, talvez, regressar...

(Publicado a 27/01/2005)

Paternidade ou Tic Tac, Tic Tac

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Quem me conhece, sabe que não tenho filhos. Por opção.
Quem não me conhece, tire as conclusões que entender.
Ainda estou em idade de procriar. Quem sabe?
O relógio biológico não pára. Nem tão pouco se atrasa. Quando o mecanismo se avaria, normalmente adianta.
Não era sobre isto que eu queria falar. Mas quando uma mulher, mesmo que nunca tenha pensado em ter filhos, começa a divagar sobre este assunto, é inevitável! Tic, Tac. Tic, Tac.

O assunto era o Pai. Neste caso a ausência de pai.
Não concebo uma maternidade independente. Não admito que um capricho feminino, prive uma criança de pai. Um filho só faz sentido, em família. Como um projecto de vida a dois. Ou melhor, a três. Tal como não aceito, que um pai se demita de um filho. Seja burocrática ou socialmente.
Não estou a discutir os motivos. Cada um sabe os seus. E, por hipótese, até serão válidos.

Quando leio isto, não posso ficar indiferente. Não tanto pelo que o pai perde, perde porque quer, mas pelo que filho não tem.
O que vale é que uma mãe, só ou bem acompanhada, é sempre mãe. E esta, é uma mãe coragem. São todas. Mas algumas são mais que outras.

Hoje, parece que dei corda ao relógio!

Um pouco de futebol

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Ontem foi dia de Taça de Portugal em futebol, e os "3 grandes" passaram à eliminatória seguinte...

janeiro 11, 2006

Extintos

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Mar de Portugal - um clássico

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Foto: Marinha

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa, in Mensagem

Estava aflitinha ...

... para postar!!

vergonha - mplestudios.jpg
Foto aqui

janeiro 10, 2006

Pós-contra-revolução! Uma contribuição pequena e tardia...

Beleza no feminino retratada pelo masculino ou a sensibilidade masculina.



Woman with a Parrot, 1866
Jean-Désiré-Gustave Courbet (Francês, 1819–1877)
Imagem: Metropolitan Museum of New York

Comunicado

"O Movimento Contra-Revolucionário conseguiu colocar a República do Ante et Post novamente na ordem, pondo fim à revolução perpetrada pelo MFA - Movimento Feminino do Ante et Post.

Todos os cidadãos podem voltar a postar em segurança, o post entretanto censurado já foi recolocado, e as prevaricadoras foram amnistiadas, fruto da nossa incomensurável boa-vontade e generosidade, cumprindo apenas alguns castigos corporais a pedido das próprias."

El Comandante

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos VIII - O Sexo

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Photo © Loic Peoc'h


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Photo © Loic Peoc'h


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Photo © Loic Peoc'h



Generation Sex


Música © Diviny Comedy




Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos VII - A Raíz

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Photo © Tine Drefahl


Raíz


O primeiro dos meus sonhos era sobre um
amante e o seu único amor,
caminhando devagar(pensamento no pensamento)
por alguma verde misteriosa terra
e.e. cummings


"...porque há sempre um verso de Cummings que me acompanha.

Um dia vou sentar-me contigo, pego nos livros dele, nos que mais gosto, o xix poemas e o livrodepoemas, e declamo para ti. ensinas-me a dizer etcetera em inglês, e ficas a conhecer my sweet old aunt lucy. Vamos supor suppose life a vida."

Lilly no País do Glamour




La valse à mille temps


Música © Jacques Brel




Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

Concerto ou conserto! - o post censurado ontem, finalmente colocado

Hoje foi dia de gajos aqui no Ante-et-post... ora como o que é demais também é moléstia, aqui vos deixo com a Maria Rita!

fotomariarita.jpg
Foto: Daqui

Uma mulher e peras! É impressionante a forma como se comove a cantar! Adorei o concerto dela no Coliseu!

Aqui fica um bónus da Warner Music Brasil, para ver se consigo conc(s)ertar a tendência sexista do Blog nos dias que correm!

PS: pede-se aos leitores masculinos que não desistam de ler o Ante-et-post... o estado de possessão em que se encontram duas das nossas colaboradoras terá (esperamos) um limite temporal! ehehehehehhee

Agora com acrescento!

O post agora colocado online poderá parecer estranho para quem o ler agora! Ontem tinha apenas um sentido... elogiar o gajame... resultado... fui alvo de castigos corporais e psicológicos que levarão décadas e contas de psiquiatra abismais para curar!

Entretanto hoje passei o dia em tratamento de choque e não me foi possível acompanhar a contra-revolução levada a cabo por El Comandante! No entanto, encontro-me, já em casa, em convalescença e já li os posts dos homens do Blog e apenas tenho a dizer... parabéns! Até deixaram a Mad postar e tudo! Aqui se vê a nossa magnificência...

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos VI - O Mimo

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Photo © João Azevedo


""Às vezes as palavras fogem para parte incerta.
Às vezes...
...um mimo é tudo!"


Sofie no Tecto do Mundo




Triptico


Música © Gotan Project




Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

Contra-revolução ou retratos de mulheres eternas III

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Foto daqui.

Shirin Ebadi
Advogada e activista dos direitos humanos iraniana
Prémio Nobel da Paz 2003

Há vozes que são o eco do silêncio.

Contra-revolução ou retratos de caras bonitas III

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Foto daqui.

Quando fazemos uma criança sorrir
tornamos o futuro do mundo mais risonho.

Jantar

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Foto: José Pinto Ribeiro

O restaurante estava cheio, como é habitual.
Ao jantar é mais frequentado por homens que se sentam ao balcão e vão petiscando entradas frias acompanhadas de uma imperial enquanto passam os olhos pela televisão que está sempre no canal de desporto.
Ao fundo da sala surgem risadas discretas que não passam desapercebidas a ninguém.
Duas mulheres conversam animadas enquanto comem marisco e bebem vinho verde.
Passam a ser o centro das atenções naquele espaço que estava anteriormente a ser dominado pelo futebol.
Entre elas era patente a cumplicidade que existia. Mexiam no cabelo uma da outra, sussurravam palavras ao ouvido, partilhavam sorrisos.
O interesse e a atenção aumentavam para quem as estava a observar. Elas nem reparavam. Sentiam-me numa redoma como se mais ninguém existisse naquele espaço físico.
Eram ambas bastante atraentes. Cabelos longos, olhos ligeiramente maquilhados, lábios rosados e brilhantes. Uma trazia calças pretas e camisa azul ligeiramente desabotoada deixando transparecer um pouco do peito. A outra trazia um vestido preto com as costas completamente desnudadas.
No fim do jantar bebiam apenas o resto do vinho enquanto continuavam a conversar animadamente.
Os observadores ficaram vidrados naquele cenário quando uma das mulheres molha o dedo de vinho e o coloca na boca da outra que o lambe revelando uma língua húmida e sedenta de prazer.
Chamam o empregado e pedem para sobremesa morangos com chantilly que chegam à mesa rapidamente.
No restaurante ninguém consegue tirar os olhos daquela mesa.
Entre elas dá-se início a uma performance de sensualidade e excitação que não é indiferente a ninguém naquele espaço.
Os morangos e aquele creme branco começam a dançar de boca para boca como se de fundo estivesse a tocar um tango que incentivasse aqueles movimentos.
Completamente extasiadas e excitadas pedem a conta e reparam que todos as olham tentando disfarçar o interesse.
Sorriem uma para a outra, pagam a conta e saem do restaurante deixando todos aqueles voyeurs com a imaginação a viajar.

(este post foi autorizado pelo El Comandante do Movimento Contra-Revolução)

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos V - A Utopia

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Photo © Loic Peoc'h


"Utopia


Caminhamos dia a dia para o total empobrecimento.
Portugal continua a viver do fado.
Somos uns conformados que nos habituámos a ser espectadores de um mundo que nos passa totalmente ao lado.
Este "sítio" onde vivemos daria um excelente país situado à beira mar.
Um dia fomos conquistadores do mundo. Hoje somos um provincia de um qualquer país.
Exportamos os génios e nada lucramos com isso.
Portugal é uma amostra do mal que existe no mundo.
A Amazónia é impunemente destruída a cada dia que passa.
Os pedófilos não são criminosos, são doentes.
Os condutores alcoolizados são inconscientes, não são potenciais assassinos.
Vai-se sobrevivendo e observando a destruição do planeta e dos valores sociais.
Os seres humanos são maus, invejosos, ciumentos e mesquinhos.
Salvam-se aqueles que vivem da utopia.
Na crença de um mundo melhor.
Que todos juntos podemos fazer mais e melhor.
Só assim vale a pena viver.
O planeta onde vivemos pode ser um local maravilhoso. Cheio de verde e azul.
Onde existe amor e amizade.
Onde existem crianças com razões para sorrir.
Onde as mulheres têm o rosto destapado e podem sair sozinhas à rua.
Onde a homossexualidade não é apedrejada.
Onde os ricos dão de comer aos pobres.
Onde a igualdade imperasse.
Este é um mundo utopico mas é assim que vale a pena viver.
Tentar compensar o mau com o bem.
Sorrir para quem me quer mal.
Entregar-me com corpo e alma a um amor que pensei impossível de existir.
Dar todos os dias o lanche a um menino que não tem onde comer.
Dizer aos meus filhos que os amo e educá-los por forma a que saibam dar valor às coisas.
Ir todos os dias a casa dos meus pais demonstrando que apesar de vivermos em casa separadas continuamos a ser uma família unida.
Agradecer olhando nos olhos quem me deseja bem.
Dizer bom dia aos meus vizinhos.
Retribuir os sorrisos das crianças.
Espalhar boas energias.
É por isso que me refugiu quando estou triste.
Tento fazer do meu mundo um lugar melhor.
Será o meu mundo uma utopia?"


Daminha no País da Utopia




Utopia


Música © Goldfrapp




Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos IV - A Partilha

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Photo © Patrick Demarchelier


"A Partilha é fundamental. Partilhar desde o primeiro dia, tudo. Amar-se e respeitar-se acima de todas as coisas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença"


Anita no País das Maravilhas




Naweye Toro


Música © Ali Farka Touré e Toumani Diabaté




Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

Contra-revolução ou retratos de mulheres eternas II

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Foto daqui.

Há sempre alguém que quebra a tradição,
lei não escrita,
e alcança o inalcançável.
Quando uma mulher é pioneira
num território tradicionalmente masculino
abre portas para a igualdade.

Contra-revolução ou retratos de caras bonitas II

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Contra-revolução ou retratos de mulheres eternas I

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Oil portrait, Marie Curie by Daniel Graves, 1995.
Dibner Institute for the History of Science and Technology, Cambridge, Massachusetts.

Contra-revolução ou retratos de caras bonitas I

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Vom Leben gezeichnet
Foto João Espinho

Rugas,
sinais do tempo,
de histórias passadas,
vividas,
história escrita na pele.

Jorge
(às minhas falecidas avós Marias e bisavó Domitília)

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos III - A Vida

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Photo © Vlad Gansovsky


"Afinal, na vida tudo é perfeito. Como num sonho. Tudo faz sentido."


Anita no País das Maravilhas




Imortal


Música © Rodrigo Leão




Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos II - O Amor

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Moonrise and Oak Tree


Photo © Bryan F. Peterson


"Para (...) tanto amor, imagino uma árvore plena de vida, frondosa, cujos ramos possam tocar todos aqueles que por lá se abrigam, que por lá procuram a sombra, um aconchego, um refúgio ..."

Anita no País das Maravilhas




Mon coeur s'ouvre à ta voix


Música © Maria Callas




Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

Contra-Revolução ou Revolução dos Sentidos I - O Sorriso

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Taj Mahal


Photo © Gerald Brimacombe.




Che Guevara, fez, a Revolução Cubana.


Nós, vamos fazer, a dos Sentidos.


O Sorriso, esse,


Abre Corações


Bin




Sanvean (I am your shadow)


Música © Lisa Gerard



Nota:

Recomenda-se aos membros do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post, que escutem esta música alto. Ou se preferirem, com phones.

Bin

janeiro 09, 2006

Até à Victória final.

O MFA - Movimento Feminino do Ante et Post surgiu porque a cumplicidade, empatia e química que nasceu através deste blog é algo inexplicável. A Mad e a Karla não se conhecem, nem nunca ouviram a voz uma da outra mas quando uma lança um desafio a outra está pronta para acompanhar e isso tem-se visto ao longo dos comentários e dos posts.

Mas a empatia sente-se igualmente com todos os outros ante-postadores. As relações têm crescido e o blog mostra bem a química existente também com os comentadores habituais que aqui se sentem bem.
Porque as mulheres estão em minoria no ante-et-post a Mad e a Karla decidiram juntar-se por forma a tentar educar os homens daquele que pretende ser o melhor blog do panorama nacional.

Às primeiras horas da manhã publicámos um post onde descrevemos o porquê desta nossa manifestação: pretendíamos apenas que os homens soubessem apreciar os músculos, a testosterona, e a força dos homens, tal como as mulheres deste blog sabem apreciar as curvas, a sensualidade e o poder feminino; que hoje só sairiam imagens de corpos masculinos e que não seria permitido aos homens do ante-et-post publicarem posts ao longo do dia.
Seguiram-se comentários a denegrir a imagem dos pobres rapazes que publicámos, tentativas de publicação de posts à revelia, ainda chegaram ao cúmulo de alterarem a password de administrador para que assim publicassem a seu bel prazer.

Quando pensávamos que a nossa causa estava perdida e que não havia nada mais a fazer a não ser entregar as armas eis que surge um post do outro lado da barricada. Os homens deste blog publicaram um post com o Che Guevara. Subitamente, os nossos olhos encheram-se de alegria, o coração palpitou.
O Che é tudo. É o pleno. É a realização dos sonhos. É o imaginário. O melhor homem de todos os tempos aparece no blog e pela mão máscula dos nossos colegas.

Ou seja, alcançamos o nosso objectivo. Os homens do Ante et Post perceberam o que é um homem que nos agrada. Está certo que precisaram muito da nossa ajuda, mas chegaram lá. Antes do fim do dia.

Mad e Karla

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... e tudo pode voltar ao normal.

E porque as mulheres são justas

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e sabem premiar a elegância, a decência e a ausencia desta verdadeira guerra de sexos, deixamos ao raim, aquilo que ele anda a tentar à tanto tempo.

Hombre ...

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Aterrando em plena revolução Dani, surpreso, parece perguntar:
Mas o que se passa aqui?

1º Comunicado

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"Desde as primeiras horas da madrugada que a República do Ante-et-Post foi tomada por um Movimento auto-intitulado MFA - Movimento Feminino do Ante et Post. Exigiram-se por isso, da nossa parte, medidas Contra-Revolucionárias...

Mais tarde, será lido o 2º Comunicado do nosso Movimento Contra-Revolucionário."


El Comandante

É só ameaças ...

... mas não nos assustam.
Jorge, prepara-te. O próximo, és tu!

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Aposto que ...


... aqueles que estão mais caladinhos - sim Bin, és tu mesmo - devem estar armados em anjinhos, enquanto conspiram nas nossas costas.

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Então meninos,

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Foto: F.S.

Estão a gostar do dia de hoje?

Tentativa frustrada ...

Fomos bem claras ... Qualquer tentativa para furar as regras, seria severamente punida.
O post que à má fila, aqui foi colocaado pelo Bilhas, foi sumariamente banido, sem ser necessário reunir o conselho.

E a punição, está dada.
Vais ser algemado, e pior que isso ...

saltos.jpg

Jorge,

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tu adoras estas coisas da igreja, não é?

O que seria...

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Foto: Christian Coigny

...da mulher sem o homem.
O que seria do homem sem a mulher.
Não podemos estar de costas voltadas.
(Já estou a antever o dia de amanhã aqui no blog, cheio de pernas e de silicone).

Para além da sabedoria...

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...apreciamos também os cabelos brancos.
Ohhh...se apreciamos.

Valor

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Robert Redford

As mulheres são generosa e tolerantes. Até nas rugas, sabem apreciar um homem.
Dão valor à experiencia, à sabedoria.

Homens de verdade...

JohnMalkovichcc.jpg
John Malkovich fotografado por Christian Coigny

...como se a Soraia Chaves fosse uma mulher de verdade.
Pfhuuu!!!!

Cuidados

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Foto:Christian Coigny

Ao contrário do que o Charlie diz, as mulheres embelezam-se para agradarem ao espelho.
A elas próprias. Pena que os alguns homens, não pensem assim.
Já não se usa a triologia - feios, porcos e a cheirar a cavalo!!

Nós somos assim...

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Foto: Christian Coigny

"A mulher que se acha inteligente reclama igualdade de direitos com os homens. Mas a mulher que é realmente inteligente não o faz". Nós nunca exigiriamos igualdade. Igualdade seria os homens terem coragem de dizer do corpo masculino o que as mulheres têm a coragem e ousadia de dizer do corpo feminino mas isso é uma utopia e nós, mulheres, conhecemos as vossas limitações.

Porque hoje é um dia especial

Aqui, posto de comando do MFA - Movimento Feminino do Ante et Post.

Esta madrugada, o blog foi tomado de assalto pelos elementos femininos, de forma a educar o lado masculino daquele que pretende ser o melhor blog do panorama nacional.
Assim, vamos publicar durante o dia, um vasto número de fotos de homens, por nós escolhidas com o intuito de aprenderem a apreciar os musculos, a testoterona, e a força dos homens, tal como as mulheres deste blog sabem apreciar as curvas, a sensualidade e o poder feminino.
Mais informamos que hoje não é permitido os homens publicarem posts. Podem unicamente comentar e agradece-se que o façam com elegância e educação.
Não vamos igualmente permitir qualquer tipo de manifestação de desagrado para com estas medidas, por parte de qualquer grupo organizado.
E qualquer tentativa de retaliação será severamente punida.

Mad e Karla

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Rodrigo Santoro

janeiro 08, 2006

Mais um Português

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Cientista português coordena investigação internacional na Antárctica

Paris Peace Conference, 1919

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Photo © Scholastic Library Publishing, Inc.


Leaders of the four major victorious powers—Britain's Prime Minister David Lloyd George, Italy's Prime Minister Vittorio Orlando, President Georges Clemenceau of France, and President Woodrow Wilson of the United States—met in 1919 at the Paris Peace Conference to settle the issues raised by World War I. Among the results of the conference were the Treaty of Versailles and the formation of the League of Nations. (CORBIS)



Paris 1919


Música © John Cale



1979 - Smashing Pumpkins. Este post é dedicado ao meu irmão Sérgio.

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Photo © Smashing Pumpkins




1979


Música © Smashing Pumpkins



Divagações III e 3/4 - para completar os dois posts anteriores


janeiro 07, 2006

Divagações II e meio, ou Serge Gainsbourg et Jane Birkin *

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Photo © Helmut Newton


*

Divagações II, ou Je t'aime, moi non plus

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Serge Gainsbourg et Jane Birkin


Photo via Discos Antigos



Originally written by French pop music legend Serge Gainsbourg in 1967 in response to a request from Brigitte Bardot to write 'the most romantic song that [Gainsbourg] could imagine', 'Je T'aime (Moi Non Plus)' went on to become a worldwide hit and create considerable scandal.



Je t'aime moi non plus


Música © Serge Gainsbourg et Jane Birkin



Je t'aime, moi non plus

Je t'aime je t'aime
Oh oui je t'aime!
- Moi non plus.
- Oh mon amour...
- Comme la vague irrésolue
Je vais je vais et je viens
Entre tes reins
Je vais et je viens
Entre tes reins
Et je
Me re-
Tiens

- Je t'aime je t'aime
- Oh oui je t'aime!
- Moi non plus.
- Oh mon amour...
Tu es la vague, moi l'île nue
Tu vas tu vas et tu viens
Entre mes reins

Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Et je
Te re-
joins

Je t'aime je t'aime
Oh oui je t'aime!
- Moi non plus.
- Oh mon amour...
- Comme la vague irrésolue
Je vais je vais et je viens
Entre tes reins
Je vais et je viens
Entre tes reins
Et je
Me re-
Tiens

Tu vas et tu viens
Entre mes reins
Et je
Te re-
joins

- Je t'aime je t'aime
- Oh oui je t'aime!
- Moi non plus.
- Oh mon amour...
L'amour physique est sans issue

Je vais je vais et je viens
Entre tes reins
Je vais et je viens
Entre tes reins
Je me retiens
- Non! main-
Tenant
Viens!


Serge Gainsbourg et Jane Birkin

Unknown Pleasures* - Joy Division. Este post é dedicado ao meu bom amigo Gonçalo.

Photo © Philippe Carly- Plan K, Bruxelles, 1979.jpg

Ian Curtis - Plan K, Bruxelles, 1979


Photo © Philippe Carly


* "All visceral, all emotional, all theatrical, all perfect -- one of the best albums ever". - Ned Raggett, All Music Guide




Disorder


Música © Joy Division



Nova viagem

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estou aqui agora!

janeiro 06, 2006

Manhã de sábado

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Foto daqui

Finalmente acaba hoje, a época das natalices.
Não que se festeje grande coisa em dia de reis (come-se mais uma fatia de bolo) mas, a partir de amanhã,
já ninguem se lembra das festas, recolhem-se os enfeites e para alguns, começa uma vida nova.

Pois para mim, pode ser que a manhã de sábado, volte a ser o que era, há 3 semanas atrás.
Um café, um jornal ou uma revista e umas horitas só para mim.

Enquanto não se arranjar nada melhor, são estes os meus desejos, para um sábado de manhã. Com um bocadito de sorte não chove e posso gozá-lo na esplanada.

Bom fim de semana a todos!

Um dia perfeito

Há dias que são perfeitos... espero que tenham muitos dias como este senhor os cantou.



Um dia perfeito para todos!

Sonho


Foto: Christian Coigny

Sonhos
São lugares
Paisagens com espiritos
Pássaros
Brancos, azuis, amarelos
São sorrisos
Crianças que brincam
Saltam e gritam
Lençóis de linho
Estendidos ao vento
Ondas que engolem a areia fina
Prados verdejantes
São mãos
Laços apertados
Unidos num olhar
Arrepios na pele quando os dedos tocam nos ombros
São florestas escuras
O frio da noite
O ritual das corujas
Folhas húmidas no chão
Sonhos é tudo
Pesadelo
É o vazio
O passar das horas sem uso ou utilidade
Pesadelo
É acordar de manhã
Sem o sorriso cansado das viagens da noite.

Amigo Maior que o Pensamento - Este Post é dedicado a Todos os Amigos

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Photo © AJA



Traz Outro Amigo Também


Música © José Afonso



Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!

Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,

Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!

Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.

Amigo é a solidão derrotada!

Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neill


Pequena Nota:

Há tempos que andava para fazer este post, juntar o Zeca com o O'Neill.
não resisto a juntar aqui também este magnífico e profundo poema do Zeca.

Um abraço,

Bin


Traz Outro Amigo Também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também


José Afonso

Um pequeno passo para o homem... - COMENTÁRIOS (No Divas & Contrabaixos)

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janeiro 05, 2006

O mundo visto pelos americanos ou Bin, afinal África não existe

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Recebida por e-mail

Indecisões... a pedido

De acordo com uma solicitação para um post sobre loiras deixo-vos com uma pergunta (desculpem-me as meninas que esta é sexista):

Se vos perguntassem que loira preferiam, qual seria a vossa resposta?

Hipótese 1:

marylin2.jpg
Foto: Não sei de onde mas reservam-se todos os direitos e mais alguns.

Hipótese 2:

Esta outra loira.

PS: eu cá prefiro as "brunettes"... mas o Jorge pediu para o post ser de loiras.

Adeus a Cáceres Monteiro

CaceresTopo.jpg


Quando hoje recebi a Visão, como acontece todas as quintas feiras desde há muitos anos, já sabia qual o tema de capa.
Fui apanhada de surpresa, terça feira, com a notícia da morte de Cáceres Monteiro.

A última vez que o vi, talvez há cerca de 2 meses, achei-o envelhecido. Mas não lhe adivinhei a doença.

Cresci e amadureci a ler Cáceres Monteiro e muitas das publicações de que foi director. Com o se7e e O Jornal, no fim da década e 70 e início de 80, saciei a sede de informação e fui moldando o meu pensar. O reporter-viajante ou viajante-reporter, não sei, deu-nos a conhecer o mundo, numa altura em que o resto do mundo estava longe. Sem Cabo, sem Satélite, sem Net, com uma RTP ainda a crescer, era sobretudo nas páginas escritas que nos chegavam noticias do outro lado do mundo.

Desapareceu o homem que, para mim, personifica o verdadeiro jornalista. Ou, pelo menos, o jornalista como eu o idealizo, aventureiro, romântico, apaixonado e isento. Para um homem desta grandeza, é sempre cedo para nos deixar.

Mas aos 57 anos, com filhos pequenos e ainda cheio de projectos, é uma grande injustiça.
Só os filhos da puta, morrem de velhos!


Divagações; e ainda, a Tita diz*

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Photo © Patrick Demarchelier


Menino De Oiro


O meu menino é d'oiro
É de oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro.

Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do meu menino, do meu menino
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

Quantos sonhos ligeiros
pra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo

Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
Nasceu pra amar
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

O meu menino é d'oiro
É d'oiro é de oiro fino ....

Venham altas montanhas
Ventos do mar ....


José Afonso



*..."Esperemos que leve o ramo a bom porto, bem que precisamos de paz. Bom ano e boa sorte"


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In the back of a taxi


Música © Penguin Cafe Orchestra



janeiro 04, 2006

Cavalo Ibérico

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Dois em um

Ora aqui está a resolução do mistério lançado neste desafio aos leitores e ante-et-postadores. Uma maravilha que encontrei junto ao Farol Design Hotel em Cascais. Do lado oposto ao Coconuts. Cascais é um dos sítios que mais gosto aqui do reino. Um dia destes coloco aqui mais algumas fotos de lá!

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Foto: Bilhas

Entretanto hoje celebra-se o aniversário de Nascimento de Louis Braille e como não podia deixar de ser o Google faz sempre questão de nos lembrar... ora vejam lá como se escreve Google em braille.

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Imagem: daqui

Já que estamos a falar de loiras, aqui fica um desafio: qual é a loira verdadeira?

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Recebido por e-mail

P.S. Mas ainda me estou a rir da anedota de loiras daquele post ali abaixo.

Cigarro

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Foto:Hervé Lewis

Nota: Não que este blog seja apologista do tabaco, ou da proibição do tabaco.
É só uma questão de estética.
Eu, fumadora, me confesso.

janeiro 03, 2006

A vida...


Foto: X. Maya

...por vezes, corre pelas veias como veneno. Negro, ácido, corrosivo.
A vida é má, injusta, amarga.
Traidora. Uma prostituta rasca que se vende barato.
A vida é egoísta, mesquinha.
É triste, melancólica, nostálgica.
A vida é um ser com poder. Ela decide quem somos e como somos.
É autónoma.
Ninguém tem o dom de a saber agarrar.
Quando se pensa que a governamos e temos o poder de decidir ela passa-nos uma rasteira.
A vida é uma cabra.
A vida é tudo e nós não somos nada nas suas mãos.
Cabe a cada um saber gozar e aproveitar os poucos momentos de liberdade que ela nos dá quando está distraída.
A vida é de tal forma egoísta e traiçoeira que por vezes nos oferta momentos que consideramos dádivas para pouco depois nos desgostar.
Há que saber dar-lhe o valor que ela merece.
Tratá-la como companheira e respeitá-la para que nos respeite a nós também.
É uma relação de reciprocidade.
Da vida podemos apenas esperar o mesmo que ela espera de nós.
Bons ou maus, os momentos que lhe damos recebemos em troca.
Nesta vida...

E agora, algo completamente diferente

Só podia vir do Jorge Morais, a melhor anedota de loiras de sempre.

Senhora, em janela florida - Praga

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Foto: Karla

janeiro 02, 2006

Prendas inúteis II

Abri o pacote com muita ilusao e lá estava: um pijama preto muito chato giro. Meio sorriso... "obrigado, vem mesmo a calhar!". Retiro o plástico do envoltório e... as calças chegam-me até o peito.

-"Acho que me fica um bocadinho grande, nao acham?"-

Depois de asegurar-me que tinham o ticket para cambiar o excelente presente, ainda restava o do meu cunhado...

Pacote pequeno, sem peso... abro-o e lá tenho: um vale para uma livreria.

Nao está mal... só um pequeno detalhe: eu nao falo dinamarquês!, Que é o que compra um numa livreria dinamarquesa?

Esta vez o sorriso saiu um bocadinho mais fraco... que é o que podia fazer?


PS: Nao foi até depois de escrever o post que vi que o amigo Bilhas já tinha falado sobre o tema, neste post, mas fica aqui o minha contribuçao.

Onde é?

Esta praia, meus caros, é candidata ao record do Guinness para a praia mais estreita do mundo! :) Sabem onde fica!? Quem adivinhar ganha uma viagem de ida e volta de elétrico à Foz! eheheheh e aproveito para acompanhar a Mad nos post de vistas deslumbrantes...

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Foto: Bilhas

Hoje é o dia da Paz...

...Vega, actriz sevilhana. Faz 30 aninhos. Parabéns!

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Foto daqui.

A Beautiful Sight

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Foto: Bernd Mayer

janeiro 01, 2006

Será desta... I wish

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Music for a found harmonium


Música © Penguin Cafe Orchestra



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 UM BOM ANO DE 2006


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