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janeiro 31, 2006

31 de Janeiro de 1891 - a república chegou primeiro ao Porto

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Gravura publicada na Illustração: revista universal impressa em Paris, 1891, vol. 8
Gravura de Louis Tynayre que representa a Guarda Municipal a atacar os revoltosos entrincheirados no edifício da Câmara Municipal, durante a Revolta republicana do Porto.
A revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi a primeira tentativa de implantação do regime republicano em Portugal.

Gravura e texto acima daqui.

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Como forma de assinalar, neste dia 31 de Janeiro que hoje estamos a viver, os 115 anos decorridos sobre a revolução republicana de 1891, deixo-vos aqui uma imagem (gravura publicada na revista Illustração) onde se documenta a proclamação do novo regime feita a partir da varanda da Câmara Municipal do Porto, bem como o modo como então se saudou e festejou aquela vitória da liberdade -- ainda que efémera, como dolorosamente se viu logo depois...! --, com chapéus e bengalas ao alto...
Mas, a 31 de Janeiro de 1908 -- há que recordá-lo aqui também --, em plena ditadura de João Franco, depois de esmagada a reacção revolucionário republicana de 28 de Janeiro, o rei Carlos I assinou um decreto que conferia ao ditador poderes de excepção, permitindo-lhe perseguir, prender e deportar, sumariamente (ie: sem processo judicial), qualquer pessoa suspeita de republicanismo activo ou de mera insubmissão ao regime e ao governo, decreto esse que terá motivado o atentado regicída levado a cabo no dia seguinte...

Gravura e texto recebidos via e-mail da autoria de Luis Mateus (REPÚBLICA e LAICIDADE - associação cívica)

Saudade

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Saara Desert
Photo © ONMT


Saudade

Música © Love and Rockets



Deserto. Deserto... viagens, viagens... leiam os posts sobre aeroportos no Divas da Amiga Maria


Catarse

A cidade era triste. Vivia todo o ano com apenas duas estações. O Outono e o Inverno.
As ruas estavam sempre cobertas neve, gelo e de folhas.
As cores que predominavam nesta cidade eram o castanho e o branco.
Castanho das folhas, das árvores. Branco da neve e das casas. Todas as casas eram brancas.
Joana era uma jovem que gostava de correr pelas ruas a cantar e a dar pontapés nas folhas caídas que forravam o chão.
Joana destoava do resto das pessoas que tristes viviam sem alegria acompanhando as estações do ano.
A jovem sonhava com cores. O azul, o verde e o amarelo.
Um dia, deitada num banco castanho, no jardim coberto de folhas caídas no chão e a olhar para o céu cinzento decidiu que durante a noite iria pintar as paredes das casas com cores alegres, o azul, o amarelo e o verde, para assim tentar mudar as cores da cidade e trazer sorrisos alegres ao rosto das pessoas.
Joana acreditava que se existissem sorrisos o Sol teria razões para brilhar naquela cidade e faria com que flores coloridas crescessem nas ruas e nos jardins.
Nessa noite pintou as paredes de uma só rua e cansada deitou-se no chão junto aos pincéis e às latas de tinta.
Na manhã seguinte, os habitantes daquela triste cidade, chocados com tamanha afronta mandaram prender a jovem.
Na prisão, deitada na cama de uma cela cinzenta, com uma farda castanha, Joana olhou para o céu, através das grades da janela. Um raio de Sol iluminou-lhe o rosto e fê-la sorrir. Joana era a única que conseguia ver a verdadeira luz do Sol.

(É deprimente mas prometo compensar amanhã às 14 horas)

Hoje acordei assim - título plagiado da bomba mais famosa da blogosfera

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Imagem daqui.

Cut thru my soul

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Foto:Haleh Bryan

janeiro 30, 2006

Mourinho, esse homem...

Tranquilo na hora do almoço estava eu quando numa secçao de curiosidades desportivas dum canal de TV começa a soar música portuguesa.

O vosso Dani, apaixonado por tudo o que cheire a raia e vizinhos, deixa a comida e levanta o olhar. Guitarras portuguesas, música fadista e imagens de Cávaco Silva. A "voz en off" fala deste, do Mário Soares e dum do que nao me lembro (com bigode)... e também de Mourinho!, 4000 votos nas eleiçoes??!!

Caros amigos portugueses. Voçes sao mesmo trocistas!!

É pena nao poder saber o que opinam os "Gato Fedorento" desta noticia... comments, quero comments!!

E de novo o Sol...

Reflectido num dia de calor numa qualquer praia algarvia!

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Foto:Bilhas.

PS: A ver se a malta (ou pelo menos eu) anima!

Mais um dia

O dia começou, mais um dia. O barulho dos carros e os passos apressados das pessoas já se fazem sentir. O Faísca está acordado e a olhar para mim, esperando um sinal meu para me dar a primeira lambidela do dia.

Esta noite ninguém me chateou e consegui dormir descansado. De vez em quando há alguém que não me quer à porta do prédio e chama a polícia. É engraçado que de dia sou quase invisível, mas à noite as pessoas reparam em mim. Desta vez não tive problemas.

O Faísca já deve estar com fome. Arrumo o cobertor no carrinho de mão que anda sempre comigo, encontrado numa lixeira há algum tempo. No talho do Sr. António há sempre um osso para o Faísca. Por vezes, no Natal, na Páscoa, ou quando ele vê que estou um pouco adoentado, diz-me para passar por lá na hora do almoço, para me dar um pouco do seu.

Depois de tratar do Faísca, passo pela padaria do Sr. Carlos, que tem sempre uma regueifa para mim. Depois, no restaurante do Sr. Zé, ele dá-me um copo de leite e um pacotinho de manteiga para o meu pequeno almoço. O Sr. Zé dá-me ainda a sopa ao almoço e ao jantar.

Durante o dia, percorro as lixeiras dos bairros mais ricos. De vez em quando lá se encontram umas latas de conserva fora do prazo, ou uns pêssegos enlatados, que sempre dão para uma refeição diferente. Se tiver sorte, ainda encontro alguns objectos interessantes, como o carrinho de mão, que me dá um grande jeito, um cesto e uma almofada, que servem de cama para o Faísca, e ainda um tacho, que me serve para transportar a comida.

À hora da missa vou para a porta da igreja, tentar arranjar alguns trocos, que vou juntando religiosamente, tirando alguns copitos de vinho para afastar a amargura. Hoje, as pessoas já não dão tantas esmolas, com medo que o dinheiro vá ser gasto em drogas.

E assim vou passando o dia, até que a noite me leva para algum recanto mais abrigado onde possa dormir.

O Sr. Zé arranjou-me o cobertor e vai-me arranjando uns cigarritos, para matar o vício antigo. Aquelas pessoas foram-me aceitando aos poucos. Tanto o Sr. Zé como o Sr. António e o Sr. Carlos estão sempre preocupados comigo. Quando adoeço dão-me alguns dos seus remédios. Uma vez, levaram-me ao hospital, enquanto tomavam conta do Faísca. Também me arranjam roupas que já não usam, sempre que as minhas dão sinais de não aguentar muito mais.

Eles são os poucos que sabem porque eu ando nesta vida. Sabem como eu gastava todo o dinheiro que ganhava, deixando a mulher e os três filhos em casa passar necessidades. Um dia, um acidente deixou-me sem dois dedos e sem trabalho, e vim-me embora para a cidade, à procura de melhor sorte. E depois de dois empregos breves, acabei nas ruas.

Não soube mais da mulher nem dos filhos. Penso que eles também não querem saber de mim. Quando saí de lá pensava voltar, com dinheiro, para reparar a minha má conduta anterior. Mas agora perdi tudo, não posso voltar...

Um dia arranjaram-me um bilhete de comboio, deram-me banho e barbearam-me, vestiram-me com uma roupa melhor, e ainda me puseram cinco contos no bolso, para eu poder voltar. Não passei da porta da estação...

(conto publicado a 3 de Maio de 2005)

Sem... abrigo, pão,esperança.

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Foto:Karla

O mesmo frio, a mesma solidão, em Nova York como em Lisboa.
É com desconforto que tropeçamos nos sem abrigo das grandes cidades. Pessoas que perderam toda a sua dignidade social, escondidas entre trapos e cartões.
Outras há, porém, que carregam na alma espezinhada, uma réstia de dignidade que as prende, por um fio ténue, a uma vida de cabeça erguida, embora miserável. É a pobreza envergonhada. São 200 000, para as estatísticas.

Always the sun - parte II

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Foto daqui.


The Stranglers
Always the sun

(música fresquinha, directamente de Macau)

How many times have you woken up and prayed for the rain?
How many times have you seen the papers apportion the blame?
Who gets to say?
Who gets to work and who gets to play?
I was always told at school, everybody should get the same.

How many times have you been told if you don't ask you don't get?
How many times have you wasted your money? your Mother said you shouldnt bet.
Who has the fun?
Is it always a man with a gun?
Someone must have told you if you work to hard you can sweat?

There's always the sun.
mmmm
There's always the sun.
Always, always,always the sun.

How many times has the weatherman told you stories that made you laugh?
You know its not upto the Politicians and leaders, when they do things by halves.
Who gets the job?
Of pushing the knob.
Thats what responsibility you draw straws for if your mad enough.

There's always the sun.
mmmm
There's always the sun.
Always, always,always the sun.

There's always the sun.
mmmm
There's always the sun.
Always, always,always the sun.

Always the sun

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Foto: Alexey Naumov

janeiro 29, 2006

O gelo

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Ano Novo Lunar em Macau - as imagens

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As iluminações de rua, em que o cão é o principal visado. Por todo o lado há flores e tangerineiras.

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Os edifícios públicos e quase todo o comércio aderem em dar mais cor à cidade.

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A panóplia de artigos de pirotectia é de uma diversidade que só visto!

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A queima de panchões.

Fotos: Noite

KUNG HEI FAT CHOI*

A cidade vestiu-se de vermelho e dourado para receber o Ano Lunar do Cão. Esta é a mais importante festividade do calendário lunar e as suas festas prolongam-se por três dias.

Na que é chamada a "semana dourada", a grande maioria dos estabelecimentos comerciais e industriais mantém as suas portas encerradas, gozando assim a maioria dos trabalhadores as suas férias anuais. As compras, essas foram feitas dias antes, com a colaboração dos comerciantes, que cumpriram uma época de grandes saldos. Nos dias que antecederam as festas, a cidade encheu-se de gente e dificilmente se conseguia romper, principalmente nos locais de grande concentração do comércio. Também nos dias que antecedem, as casas são limpas a fundo e enfeitadas com diversos artigos alusivos (sempre em tons de vermelho e dourado) e flores. As mobílias velhas, se possível, são substituídas por novas.

Um pouco por toda a cidade existem iluminações (sobretudo bonecos, consoante o ano lunar que se inicia; este ano há cães por todo o lado), flores, tangerineiras, nas ruas e nos estabelecimentos comerciais, que têm nas montras enfeites, ora a habitual mensagem de "Kung Hei Fat Choi" ou outras inscrições, ora tangerineiras, flores amarelas e vermelhas, ramos de pessegueiro, envelopes de lai-si.

Durante estes dias, as pessoas vestem bem, fazem visitas aos templos, onde rezam, acendem pivetes e queimam papéis, visitam familiares e trocam pequenas oferendas, como chocolates. Os casados oferecem lai-sis aos solteiros (o lai-si é um envelope vermelho onde se coloca uma nota de um qualquer valor, geralmente dobrada em três, com o intuito de dar sorte, a quem dá e a quem recebe).

À mesa do jantar da véspera de ano novo há geralmente “Nin Kou” (bolo do ano novo chinês), “Chim Tui” (bolo de farinha frito coberto de sésamo), “Kwa Chi” (pevides), “Tong Kam Kat” (tangerina cristalizada) e o “Iao Kok” (fritura em forma triangular). A cada iguaria corresponde um desejo para o ano novo: “Nin Kou”, a promoção gradual (devido à semelhança na pronúncia), “Chim Tui”, a acumulação de ouro e prata e “Kwa Chi”, o desejo de ter um filho varão e de se ganhar mais dinheiro. “Tong Kam Kat” simboliza o ouro (Kam Chi) e “Ião Kok”, à riqueza (devido à semelhança com um lingote de prata).

Nos locais próprios (à beira-rio, numa estrutura montada propositadamente, debaixo de apertada vigilância e presença constante dos Bombeiros) queimam-se foguetes de todas as formas e feitios e panchões (cartuchos de pólvora revestidos a papel de cor vermelha), que tanto podem ser curtos como ter vários metros, o que se traduz numa queima de vários minutos, com a barulheira infernal que a acompanha. O barulho é mesmo o intuito desde ritual, que segundo a tradição, cumpre-se para afugentar um animal sobrenatural denominado “Shan Xiao”, que tinha por vício matar pessoas ou gado nos fins de ano mas que tinha medo da luz e do ruído. Crê-se que queimar afasta os males e traz sorte. Nós pelo sim pelo não já fomos queimar os nossos! ;)

Nos casinos (que nunca fecham) faz-se a cerimónia da "abertura do jogo". A afluência é enorme e os funcionários públicos, proibidos de ali se deslocarem durante o resto do ano, estão durante estes três dias autorizados a tentar a sua sorte.

O cão é um dos 12 animais do zodíaco chinês, que se completa a cada 12 anos.

(seguem as fotos)

* (Feliz Ano Novo Lunar)

amanhecer gelado

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Foto de origem desconhecida, mas bem ilustrativa da paisagem de hoje.

Anoitecer poeirento

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Dusty Evening
Joe Wittkop

janeiro 28, 2006

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Foto:Eyal Barttov


Jogo? Qual jogo? Eu não sei de nada...

Tomar nota: os penalties do Simão já não resolvem jogos, vender quanto antes.

Árbitro dá volta ao jogo

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1 penalty não assinalado sobre o Nuno Gomes
1 penalty inventado sobre o Liédson

1-2

Shame on you!

O 1.º de penalty do Simão já lá canta...

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1 - 0

Em linha

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Voltando a colocar o blog na ordem...

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8 - 0

no mínimo

Saudade (também)

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A última garrafa que temos. Nao e quero abrir. É como a última ligaçao...

Vontade de voltar.

janeiro 27, 2006

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Obrigada

Ai eles querem guerra!?

Então vão tê-la... Estes gajos da galp nem sabem com quem se andam a meter... Polaca de 22 anitos e estudante de medicina! Favas contadas!
Quem é que os senhores e senhoras escolhiam se não tivessem gás canalizado!? A polaca!? Ou:

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Foto:Original daqui mas tratada pela Maria.

Fico à espera da nova contratação da Galp!

PS: Mad... não havia necessidade de publicitares a concorrência! Assim vi-me obrigado a contratar reforços! ;)

Terroristas? Quais Terroristas? II

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Todas as fotos estão neste Livro


"The greatest Zionist and Israeli crime against me and six million other Palestinians is that they have deprived us of living in our ancestral homeland, Palestine, as citizens of our independent undivided Palestinian State.
"

Issa Nakhleh

Recomendo a Leitura da Encyclopedia of the Palestine Problem.

Porque Isto, Isto, Isto, Isto, Isto, Isto,Isto e Isto e ainda Isto está tudo ligado, e merece a nossa especial atenção e sobretudo consciencialização.

Já nada pode passar em claro.
Que se discuta e se debatam ideias.

E sobretudo que estes posts sejam alertas aqui na blogosfera e lá fora, no mundo real.

Bin

Mozart - 250 anos

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Pauta retirada daqui.


Maria Callas
Ária Rainha da noite, A Flauta Mágica, Mozart

janeiro 26, 2006

Ainda e sempre a Palestina

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Photo © Arna Ösp Magnúsardóttir



Hoje o mundo surpreendeu-se com o resultado das eleições na Palestina. Confesso que não me surpreendi. Os 76 lugares conquistados pelo Hamas, contra os 43 da Fatah, num parlamento de 132 lugares, são um resultado de há muito previsível. Porque um povo cansado de promessas vota naqueles com quem se identifica na luta e no sofrimento. E esse é o papel do Hamas, dado que a Fatah, pelo facto de liderar desde sempre os destinos da Palestina, foi obrigada a um maior afastamento do povo.

Por outro lado, o povo israelita não escapa a esta lógica. Por algum motivo, após a morte Ytzak Rabin, colocou Benjamin Netaniahu no poder. Porque ele se identificava com a desconfiança e o medo que o caminho para a paz percorrido por Rabin significava.

Hoje vi alguns textos sobre o assunto, tanto nos blogs como na imprensa on-line. E chocou-me algumas das palavras e ideias defendidas.

Em primeiro lugar, parece-me que não se pode reduzir a luta contra Israel a um discurso anti-semita. Não é por Israel ser um estado judeu que poderá ter mais ou menos direitos. O facto de estar constantemente sob pressão dos países seus vizinhos não justifica o uso da força de forma desmesurada, o olho por olho, dente por dente. Não quero com isto apoiar quem pratica os atentados contra civis. Mas as respostas israelitas só prolongam eternamente o caos.

Outra das questões que me deixa abismado, é a tentativa de colar a esquerda ao apoio ao Hamas, enquanto a direita será pró-israelita. O caminho para a paz não é, não pode ser, dependente da força que está no poder em cada momento. O caminho para a paz tem de ser percorrido por todos, esquecendo as diferenças ideológicas.

Para o mundo talvez fosse mais fácil que a Fatah continuasse a liderar a Palestina. Mas o povo escolheu o Hamas. E o povo é que decide. Não quero com isto dizer que não haja alguma apreensão, por ser incerto o caminho que o Hamas vai percorrer. Mas esta pode também ser uma oportunidade.

Se os países influentes (onde já se sabe que não se pode contar com os Estados Unidos) olharem para os resultados de hoje como uma oportunidade, poderão convencer o Hamas a enveredar pelo caminho da paz, a reconhecer o estado de Israel e a, junto com a Fatah, criar um governo de união para uma transição para a paz.

Pode parecer utópico, mas não é tanto. Se a Fatah tivesse ganho, o Hamas estaria de fora, e poderia boicotar as resoluções com que não concordasse. Com a actual situação, os riscos acabam por ser menores. Com o Hamas à mesa das negociações, com a Fatah como aliada, há uma grande maioria representada. E se estes dois não se entenderem, então nunca mais haverá paz na Palestina.

É preciso que se coloquem de lado os preconceitos e se avance no sentido da paz. Porque a Palestina, tal como Israel, merece a paz. E o mundo também.

Há coisas...

...que não se podem guardar só para nós.
Aqui está uma prenda para todos/as visitantes deste blog.
Para que se saiba que por aqui abunda o bom gosto.
Quem é amiga, quem é?

Terroristas? Quais Terroristas?

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Photo © Salim Yaqub



"Na África do Sul, os africânderes consideravam-se como «um povo e uma nação à parte, ocupando a terra dos seus antepassados, (…) falando uma língua dada por Deus(…), e destinados por Deus a reinar (nessa terra) para civilizar as populações pagãs*».

É precisamente isso que a maioria dos israelitas se considera, incluindo os laicos que votaram em Sharon.
É preciso, pois, começar a procurar um de Klerk israelita. (…)

Ironicamente, no momento em que acabava o apartheid na África do Sul (início de Maio de 1994), o Estado de Israel começou a erigir um novo apartheid na Palestina através da assinatura do primeiro acordo Gaza/Jericó. Ao contrário da África do Sul, onde os velhos métodos de separação e de aquisição de terras pelos brancos tiveram de acabar a partir do início das negociações, na Palestina, pelo contrário, eles intensificaram-se. Do mesmo modo, ao contrário do governo branco de de Klerk, que regularizou a questão das confiscações de terras durante os três anos de negociações com o ANC de Nelson Mandela, o governo de Yitzhak Rabin permitiu o prosseguimento de colonatos na Cisjordânia e noutros territórios, como se os acordos de Oslo nunca tivessem sido assinados.

O governo de apartheid sul-africano expulsara as populações negras das suas terras, obrigando-as a viver em homelands, e distribuíra a terra aos brancos. Os sucessivos governos israelitas, do Likud ou do Partido Trabalhista, aplicaram a mesma política de «limpeza étnica» na Palestina. Quanto ao parlamento israelita, legalizou o sistema.
Durante os sete longos anos do processo de paz, prevaleceram duas legislações na Palestina: uma para os judeus e outra para os palestinianos. Os judeus tiveram liberdade de circular, construir e expandir-se, ao passo que os palestinianos foram acantonados em bantustões. Os israelitas adquiriram terras e expropriaram muitas outras, enquanto os palestinianos, limitados por interdições de circulação, nem sequer tinham acesso físico a essas terras. Israel manteve uma rigorosa separação entre os colonos judeus, que viviam sob legislação e protecção israelita, e os palestinianos, que viviam sob a legislação e segurança palestinianas. Tal como a África do Sul atribuíra aos dirigentes dos homelands uma soberania que eles não podiam exercer, também o Estado de Israel quis dar à Autoridade Palestiniana uma certa liberdade dotada dos sinais aparentes de uma soberania, mas que aquela não tinha possibilidade de exercer.

Tal como a África do sul dominou e controlou os black homelands, também o Estado de Israel conservou o poder, o controlo e a soberania nos enclaves autónomos. Controla também as terras, a água, os recursos naturais, a circulação de pessoas na Cisjordânia e na faixa de Gaza, os fluxos de mercadorias dentro e fora dos bantustões palestinianos.

Tal como na África do Sul, durante o processo de Oslo cavaram-se diferenças profundas entre israelitas judeus e palestinianos (nível de vida, acesso à educação, à saúde, ao emprego), diferenças que, en certos casos, não pararam de se agravar. Se o desemprego dos israelitas palestinianos diminuiu, na faixa de Gaza passou a atingir 40 por cento da população (tal como na África do Sul), e o nível de vida baixou 25 por cento em sete anos.
Mas, tal como na África do Sul, para o Estado de Israel não se tratava apenas de interesses materiais. Os israelitas, como os africânderes, têm uma característica comum: estão irremediavelmente prisioneiros da sua mentalidade defensiva.

Sete anos mais tarde, os palestinianos, como todos os povos colonizados, exigiram que fosse posto termo à ocupação e ao apartheid, condição essencial para a paz. Recusaram também o acordo-quadro final, elaborado a partir do modelo vago e geral dos acordos de Oslo. Rebentou então a segunda Intifada.

De imediato, o exército israelita interveio segundo planos precisos há muito preparados. O governo de Barak atacou os palestinianos em duas frentes distintas: no terreno, na Cisjordânia e na faixa de Gaza, e até em Israel, utilizou a punição colectiva e a violência excessiva; na frente internacional, lançou a guerra dos media, o que era indispensável para conservar, perante o Ocidente, a sua imagem de vítima, tarefa delicada quando o poderoso «Golias» israelita, armad até aos dentes, defrontava o pequeno «David» palestiniano, lançador de pedras.

O Estado de Israel não podia ganhar batalhas no terreno e perder a guerra da opinião pública internacional. Levou então a cabo uma campanha destinada a apresentar a população palestiniana como «desumana» e a desacreditar os seus dirigentes.
Foi necessário as forças de segurança israelitas matarem treze cidadãos israelo-palestinianos árabes e fazerem centenas de feridos nos primeiros dias de repressão, em Outubro de 2000, para o mundo tomar consciência de que um milhão de palestinianos viviam em Israel como cidadãos de segunda, submetidos a um sistema que apresentava algumas características de apartheid.

Extracto do livro Palestina – Israel, A Paz ou o Apartheid de Marwan Bishara, Fevereiro de 2001


Olhando hoje para o resultado ainda não definitivo das eleições na Palestina, depois das pressões veio ao de cima o espirito democrático britânico e os outros.

Não considero o Hamas um movimento terrorista. Recordo aqui isto. Recordo também Ahmed Yassin e Abdel Rantissi.

Penso que toda a gente tem noção das atrocidades que tem sido cometidas contra o Povo Palestiniano durante anos a fio, é para mim perfeitamente justificável que o povo palestiniano responda a essas mesmas atrocidades, ao apartheid criado pelo Estado de Israel.

É também muito interessante a opinião do amigo Luis, principalmente numa altura em que muitas memórias são curtas. Estas organizações, como afirmei anteriormente, lutam contra a opressão que o seu povo é alvo.
Não tentem branquear a história, porque ela não pode ser branqueada.
Continuo sem perceber como um povo que foi vitimas de uma das maiores atrocidades que há memória na história da humanidade, faça exactamente o mesmo a outro povo.

Revolta-me, indigna-me e agita-me o sangue. Mas pelos vistos não só mim. Também aqui e aqui.

Isto que está a acontecer na Palestina, dá que pensar em relação ao Iraque e outros países no mundo onde dizem por ai que existem organizações terroristas.

E se ele e e ele se candidatassem?


* Oxford History of South Africa, vol. II,Oxford, 1971, p.301.

Saudade

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Foto: Elliott Erwitt

Cruzamo-nos com pessoas na vida que, para além de uma enorme amizade, influenciam e moldam parte do nosso carácter. Indicam-nos o caminho a seguir. Ajudam-nos a crescer.
Tive a sorte de, na minha vida, ter tido uma amizade dessas.
Desapareceu permaturamente, mas a sua presença e memória é constante. Não há um fim, para uma amizade assim.

Transcrevo para aqui um texto que, há uns meses, respondia a um desafio lançado pelo Jorge Morais no 6 em 1 & algo mais. O tema era a saudade. Porque a saudade está em nós, nunca é demais lembrar.

Talvez haja saudade.

Já lá vão 6 meses, desde o dia em que deixaste este mundo, sem tempo para um adeus.

Talvez mesmo por isso, por não ter havido lugar a despedidas, eu não te sinta ausente.
Talvez porque tive de agarrar a vida sozinha.
Talvez por tudo à minha volta, ter o teu cunho.
Talvez porque continuo a viver, como se logo entrasses por esta porta.
Talvez porque nos momentos de dúvida e incerteza, és a bússola que me orienta.
Talvez porque continuo a sorrir com as nossas lembranças.
Talvez porque continuo a lutar pelos nossos ideais.
Talvez .
Talvez por teres feito de mim, muito da mulher que sou hoje.
Talvez por tudo, eu não te sinta ausente.

Talvez haja saudade, mas sou uma mulher feliz.

Palestina - que futuro?

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Muro perto de Qalqylya, Palestina.
Foto daqui.

Os últimos anos da minha juventude tiveram como marco a queda do Muro de Berlim. Esse passo simbólico abriu nas mentes humanas a crença na possibilidade de um mundo sem divisões, onde todos pudéssemos viver em paz e harmonia, num clima de igualdade de direitos e oportunidades.

Mas, na Palestina, outro muro se ergueu, desta vez pelas mãos de Israel. Independentemente de quem possa ter razão no conflito, o muro traz à memória uma das páginas negras da humanidade. Em Berlim, o muro durou 38 anos. Na Palestina, ninguém sabe.

As notícias que indicam que o Hamas terá ganho as eleições são preocupantes. Apesar de o resultado ser legítimo, fruto de uma eleição democrática, que decorreu sem incidentes, há países que se dizem democráticos, como os Estados Unidos, que já vieram fazer declarações que mostram que, para eles, a democracia só é válida quando os resultados vão ao encontro dos seus desejos.

São estas reacções que me deixam preocupado relativamente às próximas eleições em Israel (onde os radicais contra a paz podem vir a ganhar) e, principalmente, ao futuro da Palestina. Acima de tudo, é a paz que está em jogo, e o povo palestiniano, tal como qualquer povo do mundo, merece viver em paz.

ADENDA:

Sendo este tema de importância mundial, penso que se justifica juntar a este texto as opiniões expressas nos comentários.

Eu acredito no bom senso dos lideres do Hamas. A Palestina hoje está muito diferente da Palestina de há dois anos atrás.
Há um caminho percorrido rumo à paz, eu não sei se perdoaria assim facilmente o que Sharon, e os outros antes dele fizeram durante anos a fio ao povo palestino. Mas, isso é outra questão.
Em relação ao foco central do teu post, o resultado destas eleições, os palestinos escolheram livremente, votaram livremente e em consciência. É de todo legitimo este resultado.
O mesmo não se pode dizer da parcialidade dos EUA, que como sempre são umas autênticas BESTAS nas relações internacionais. Se o cavalo em que apostam perde, dizem que o jogo não valeu.
Vamos ver se existe algum bom senso da Rússia e da Europa para refrear os ímpetos americanos e sobretudo os israelitas, mas, sinceramente não estou a ver nenhuma figura política de peso em Israel que não no caminho da radicalização de posições.
O Hamas irá sofrerer nos próximos tempos uma evolução politica, continuará a ter uma ala mais radical e uma mais moderada, o equilibrio entre as duas é que irá permitir À Palestina o trilhar de um efectivo caminho rumo à paz.
Quanto ao Muro da vergonha, tal como o de Berlim, haverá de ser destruído, porque tal como na Palestina também em Israel existem pessoas que querem efectivamente a paz. e o terminus efectivo da guerra e da violência.

Bin

Basicamente, partilho as vossas opiniões. Sempre fui sensível ao sofrimento do povo palestiniano e raramente aceito a disparidade das respostas de Israel.
Tenho alguma esperança que o processo de paz, possa dar alguns passos em frente.

Karla

Partilho da opinião do Jorge e do Bin sobre as posições sempre muito estratégicas e oportunistas dos USA! No entanto, meus caros, o problema da Palestina devia ser olhado por todos nós com outros olhos, não apenas com a posição de algo que acontece no médio oriente! Todos os países da ONU que assinaram a criação do Estado Israelita (penso que Portugal foi um deles) são responsáveis pelo problema. Após a segunda grande guerra a preocupação era apenas colocar os Judeus num canto seu, sem haver uma alma iluminada que percebesse o que se iria passar com esta situação!
Bilhas

janeiro 25, 2006

Banco de Portugal

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Emprego dificíl...

No passado dia 22 foi celebrada na Capela Sistina, no Vaticano, uma missa de celebração dos 500 anos da guarda pessoal do Papa, a Guarda Suíça.

Hoje em dia a Guarda Suíça é composta por 110 homens, todos cidadãos suíços, de reputação irrepreensível e na sua maioria celibatários.

Ele é cada trabalhinho!!!!

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Foto: Retirada daqui, mas originária daqui.

É quando estás de joelhos...

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Foto: Joachim Oppermann

É quando estás de joelhos
que és toda bicho da Terra
toda fulgente de pêlos
toda brotada de trevas
toda pesada nos beiços
de um barro que nunca seca
nem no cântico dos seios
nem no soluço das pernas
toda raízes nos dedos
nas unhas toda silvestre
nos olhos toda nascente
no ventre toda floresta
em tudo toda segredo
se de joelhos me entregas,
sempre que estás de joelhos,
todos os frutos da Terra.

David Mourão Ferreira

Macau está em festa!

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Foto: Noite

A cidade está em festa para dar as boas-vindas ao ano do Cão. É tempo de espantar os maus espíritos e fomentar a boa sorte para o ano que se avizinha. No Domingo falarei mais sobre esta festa.

janeiro 24, 2006

Já que estamos a falar de "Scarlett Johansson"
lembrei-me de "The scarlet thing in you"

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From the world to the dreaming fields of light
Yeah from the soaking mud
Gonna fly up to the sky
To the scarlet thing in you
On a long lost ocean wave of light
Submerged and unafraid

I saw you
You were one
I saw you
You were one

No way back to recall the way
Cause I threw out all the why's
Spinning with the spider in the cave
Found the scarlet thing in you
Where the birds can't reach
No words can teach
Spinning in the cave
For the scarlet thing in you

I saw you, you saw me

I saw you
You were the one
I saw you
You were one

Spinning in the cave
For the scarlet thing in you


Peter Murphy
The scarlet thing in you

Post para todos os sexos

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Estou completamente viciada nesta mulher. Desde que vi Scarlett Johansson em Lost in Translation fiquei rendida.
Além de ser uma belíssima mulher que transmite tranquilidade só de olhar é também uma fabulosa actriz.

(É também um dos nomes mais procurados na net pelo que o número de visitas vai aumentar).

Os Eunucos

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Os Eunucos


Os eunucos devoram-se a si mesmos

Não mudam de uniforme, são venais

E quando os mais são feitos em torresmos

Defendem os tiranos contra os país

Em tudo são verdugos mais ou menos

No jardim dos haréns os principais

E quando os mais são feitos em torresmos

Não matam os tiranos pedem mais

Suportam toda a dor na calmaria

Da olímpica visão dos samurais

Havia uma dona a mais na satrapia

Mas foi lançado à cova dos chacais

Em vénias malabares à luz do dia

Lambuzam da saliva os maiorais

E quando os mais são feitos em fatias

Não matam os tiranos pedem mais

José Afonso


Os Eunucos (No Reino da Etiópia)


Música © José Afonso




É precisamente neste poema que penso quando me lembro destas últimas eleições.

Assim está o Partido Socialista. Revolta-me, sim, bastante, eu que já passei por aquela casa. Há mais de dez anos que ali vive aquela fauna sem escrúpulos, vocacionada apenas para o poder, a mesma gente que renegou há muitos anos a matriz base da Declaração de Princípios do Partido Socialista. Falo da raiz, da força geradora, daquele livro rectangular de capa vermelha, com um punho esquerdo cerrado sob uma circunferência branca. Aprovado em Dezembro de 1974.

Bem sei que o mundo avança, e se transforma, mas existem princípios base que nos regem, seja há 100 anos atrás, seja daqui a 100 anos; os nossos princípios políticos, aqueles que moldam a nossa interacção com os outros, a forma como agimos, escutamos, participamos e expomos as nossas convicções.

Quem me conhece sabe que não sou conformado ou resignado, a nossa opinião e participação politica não se pode silenciar, nunca. Seja como indivíduo, seja como grupo colectivo o espírito crítico não se pode silenciar. Para silêncio bem basta o que todas as ditaduras geraram e geram, ainda; mas não só as chamadas ditaduras geram o silêncio. Infelizmente, também na denominada Democracia isso acontece, tal como temos assistido por esse Mundo fora. Esse deitar de areia para os olhos, subestimando a inteligência das pessoas, acontece à escala mundial, mas, também, à escala nacional.

Falo da atitude ou da forma de actuação de José Sócrates perante Manuel Alegre, mas, não só disso. Durante esta campanha passaram-se coisas muito desagradáveis, atitudes altamente reprováveis por parte da fauna que compõe actualmente a direcção do Partido Socialista em relação a Manuel Alegre.

Aquele aparelho de que Alegre falou quando foi candidato a secretário-geral do PS existe mesmo, tudo é controlado, manipulam-se pessoas, exerce-se pressão sobre os militantes, prédefinindo votações, utilizando verdadeiros lobbies.

Olhando agora para a votação que Manuel Alegre atingiu nestas eleições, percebe-se que os verdadeiros eleitores socialistas votaram em Alegre, o que permitiria questionar a eleição de José Sócrates enquanto secretário-geral do PS.

Não sei o que Alegre irá fazer no futuro; a mim, agradar-me-ia que fosse parte activa de uma revolução que há muito é precisa dentro do Partido Socialista: acabar de vez com esta fauna dos interesses, da manipulação, dos jogos de poder. Gente sem substrato político.

Foi essa gente a responsável pela derrota da esquerda nestas eleições. Não foi o Jerónimo de Sousa, que atingiu uma excelente votação; ele, que derrotou o candidato da direita em Beja. Ele e o Partido Comunista que, com uma excelente dinâmica encheram o Pavilhão Atlântico, fazem recordar as mobilizações de outros tempos.

Não foi Manuel Alegre o responsável pela derrota da esquerda, ele que contra ventos e marés levou a sua candidatura a um lugar que muita gente julgava não ser possível. Um autêntico movimento de cidadania, questionarão os meus amigos do Partido Comunista.

Mas, afinal, Alegre foi o único candidato sem máquina partidária por trás, apenas as pessoas e a palavra.

É histórico, sim, sentimos que, afinal, as Utopias são tangíveis, sentimos que o povo, esse conjunto de indivíduos que somos nós pode efectivamente participar com o seu voto, com a sua palavra, na construção de um mundo melhor. Sem as teias que infelizmente existem dentro dos partidos políticos – esses que fizeram com que as pessoas olhassem com muita desconfiança para os políticos e para a política.

Enquanto permitirmos situações como aquela a que assistimos dentro do Partido Socialista, neste caso em particular, estamos a contribuir para essa desconfiança. Para a construção desse clima no qual se fazem declarações absolutamente irresponsáveis, para não dizer mais, como as que fez Pedro Silva Pereira, durante a campanha eleitoral - esse iluminado militante do Partido Socialista, desde 2000. Ou o ar arrogante com que fala José Sócrates; afinal quem pretende esta Fauna enganar?

O poder popular existe, é uma realidade; a prova disso foi a forma como mais de um milhão de portugueses apoio Manuel Alegre. Uma verdadeira lição de Cidadania, que deverá fazer reflectir essa Fauna sem princípios, existente dentro de alguns partidos políticos.

No Partido Socialista ela existe.


Bin

Quando os olhos falam

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Foto: Haleh Bryan

janeiro 23, 2006

nas fotos todo é mais bonito.

Quatro horas... quatro horas!

O tempo que tenho passado a montar os três estantes comprados numa loja de certa empresa sueca... nao é dificil fazê-lo, certamente... se tens cuidado, tudo quadra... parafusos, chaves inglesas... tudo no seu lugar e as instrucçoes bem abertas e presentes em cada paso dado. É por isso que tenho tardado tanto, devagar, devagarinho...

Ao fim, levanto do chao os estantes, ponho os contra a parede, orgulhoso de mim com meio sorriso na boca e lá está:

Hoje descobri que as minhas paredes nao tem 90º!

Estudos daqueles que não lembra a ninguém!

Leio no Público de hoje que um investigador britânico (se não fosse britânico, seria americano) da Universidade de Cardiff concluiu, após apurado estudo, que o dia 23 de Janeiro é o dia mais deprimente do ano!

Eu acrescentaria que para algumas almas (mais ou menos 14%) portuguesas, hoje é também o dia com mais azia do ano... pelo menos dos últimos anos!

Para os ditos, aqui vai com os cumprimentos do Bilhas...

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Foto: Daqui.

1. Lion Portrait, Serengeti, 1998.

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Photo © Nick Brandt



A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

Miguel Torga



Sarankégni

Música © Djelimady Tounkara



A exposição continua, Aqui.


...são como divãs...

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Foto daqui.

...refiro-me às dunas do post aqui abaixo, acho que dizem muito bem com este divã...

Dunas

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Foto: Kazuo Okubo

Eleições presidenciais - the day after

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Foto daqui.

Uma prenda para todos os candidatos.
É que com tantos ósculos durante a campanha, é melhor prevenir...

janeiro 22, 2006

Ante et Post III

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Escolhas

Ontem foi dia de reflexão.
E eu, reflecti. Aliás, ando em reflexão há um mês e cheguei finalmente a uma conclusão.
Ganhe quem ganhar, quem quer que venha a ser o próximo Presidente da República, nada altera na escolha que vou fazer, no carro novo que tenho de comprar.
Decididamente, nunca poderá ser este.

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janeiro 21, 2006

80 000

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Foto:Karla

é o numero de bandeiras que El Rei Alberto João, o bobo, encomendou, para no dia 1 de Julho comemorar o dia da Região autónoma. Uma bandeira em cada casa. Não são duas, é só mesmo a da autonomia.

Onde é que eu já vi isto?

WLA e WHB

Caros amigos e sócios da WLA - We Love Angelina,

Foi com muita dor e sofrimento que soubemos que a nossa musa inspiradora Angelina

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...
onde é que eu ia? Angelina... ah, sim...

Foi com muita dor e sofrimento que soubemos que a nossa musa inspiradora Angelina se deixou enredar nas teias daquele inefável, feioso e loiro actor, de seu nome... de seu nome... de seu nome... eu não consigo pronunciar!

Por isso, resolvi criar uma outra associação, que complementará esta, a WHB - We Hate B... (continuo a não conseguir escrever o nome). Associe-se a nós e ajude a Angelina a livrar-se desse terrível destino. Todos os novos sócios recebem este magnífico alvo de parede, totalmente grátis.

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CONTAMOS CONVOSCO!

A fumar à rua!

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Em Espanha já se faz. Prohibido fumar no trabalho, é lei. Que é o que acham, vizinhos meus?

28 dias no mar

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Foto daqui


Eu adoro barcos. De pesca, veleiros, de guerra, de mercadorias, submarinos, cacilheiros, paquetes...
É sobre um paquete que vos quero falar. Aquele que, há muitos anos atrás, me levou até Moçambique.
Um paquete dos antigos, já na altura era velho e rangia por todos os lados. Um paquete com cabines pequnas, de beliches, mas com vigias para o imenso azul. Com um deck corrido e aberto, espreguiçadeiras e o mar já ali. Um paquete que, nas classes menos económicas, ainda vivia de glamour, de festas e vestidos para as ocasiões. As tardes de canasta e outros jogos de salão e os chás dançantes, ocupavam os dias dos adultos. Nós, crianças, corriamos pelo deck. Organizavam-se gincanas e eu, aprendi a nadar naquela piscina. Na passagem pelo equador, a tradicional festa de máscaras.

Quando hoje vejo, atracados no Tejo, os enorme e modernos paquetes, a lembrar hoteis flutuantes, completamente fechados, cheios de brilho e luzes, mas sem encanto algum, recordo, com saudade, 28 dias no mar. 28 dias, com escala em algumas ilhas que, à medida que nos aproximavamos do destino, me iam dando uma visão de África, para mim, completamente desconhecida.
Era o Pátria. Foi a sua última viagem.

janeiro 20, 2006

Bolha ao sol!

Espero que todos tenham um excelente fim de semana... deixo-vos com uma música especial dos Violent Femmes. Uma daquelas que se ouviam nos meus tempos de teenager (in)consciente! O título deste post é uma tradução do nome da música feita aqui.

Blister in the sun
Violent Femmes
Slash Records, 1982

Sexta à tarde

O relógio na parede estava trinta minutos atrasados relativamente à hora correcta. Ainda não percebera como era possível que de manhã o relógio estivesse meia-hora adiantado e, quando regressava do almoço, estivesse meia-hora atrasado. Enfim, mistérios de uma empresa portuguesa, com certeza.

Mesmo assim, os minutos eram contados um a um. De vez em quando, o telefone tocava. A resposta a dar já era automática: "É Sexta à tarde, alguns dos departamentos já fecharam, já não lhe posso fazer isso hoje. Ligue Segunda-feira. De tarde!"

Quando finalmente chegou a hora, pulou da sua cadeira e foi a toda a velocidade para casa. Acabou de fazer as malas, pegou na mulher e nos filhos, e preparou-se para um fim de semana na Serra da Estrela. Até Domingo à noite, ia ser uma festa.

Já no carro, preparado para arrancar, olhou para o cartaz afixado na porta da junta. Acabara-se o fim de semana fora. Domingo era dia de eleições e o dever cívico está sempre em primeiro lugar.