Zeca Afonso (2 de Agosto de 1929 - 23 de Fevereiro de 1987)
A Isabel, Isabel Faria para os amigos, do Troll Urbano, de vez em quando, faz destas coisas. Desafia-nos. Umas vezes com a simplicidade dos seus textos. Outras vezes com desafios directos.
Zeca Afonso. Tendo eu nascido em 1972, não consigo falar do Zeca resistente com o mesmo conhecimento de causa de quem viveu no período da ditadura. Conheci a sua música já depois do 25 de Abril de 1974. Por isso, não tendo lido os outros posts que se foram fazendo em resposta ao repto da Isabel, vou falar daquilo que conheço da beleza da sua música. Não quero com isto negar a parte revolucionária dele (seria negar o próprio Zeca Afonso), mas dar uma perspectiva pessoal em que não repita a faceta que já se terá lido noutros blogs.
Para mim, Zeca Afonso é um cantor de baladas inconfundível, dono de uma voz inconfundível, capaz de arrepiar quem o ouve. Canções como a Balada de Outono, Mar Alto, ou ainda as canções mais doces como a Canção de Embalar e o Menido d'oiro (que costumava cantar, e ainda canto por vezes, para a minha filha), são disso exemplo.
É também a voz que alimenta canções populares, como Milho Verde e Maria Faia. Nestas canções identifico o Zeca Afonso com uma ligação à tradição que já lhe é reconhecida no fado.
É ainda, aquela voz de ritmo inesperado, que canta um verso com uma alteração repentina, como nos Vampiros, quando diz "eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada" ou nas Cantigas do Maio, quando diz "minha mãe quando eu morrer, minha mãe quando eu morrer, ai chore por quem muito amargou, ai chore por quem muito amargou, para então dizer ao mundo, para então dizer ao mundo, ai Deus mo deu ai Deus mo levou, ai Deus mo deu ai Deus mo levou".
E claro, não podia deixar de ser, é também o revolucionário, o cantor da liberdade, o desiludido com o caminho que o pós-25 de Abril traçou para a liberdade. O rosto da utopia, como tão bem o definiram num livro que um dia me ofereceram e que guardo na minha estante.

Imagem daqui.
Eis Zeca Afonso, a triplicar.
A morte saiu à rua
Canto moço
Cantar alentejano
Comentários
Eh pá... Jorge temos a mesma idade, man! Grande colheita a de 72! Sabes que nesse ano o Benfica foi campeão sem nunca ter perdido um jogo!?
Belíssimo post sobre o Zeca!
Colocado por: Bilhas | fevereiro 24, 2006 10:13 AM
Zabelinha, para os amigos...faxavor!!!! Òvistzes???
Jorge, fiquei tão feliz...foi bonita a festa, pá!!! Dizia o Chico, lá naqueles idos de 74, quando tu ainda andavas de chucha.
Colocado por: isabel faria | fevereiro 24, 2006 10:24 AM
Dos outros, não sei. Mas gostei desta tua homenagem e gostei de reviver as músicas (com que chateava os vizinhos, nos idos anos de 80)
Colocado por: Karla | fevereiro 24, 2006 10:51 AM
Bilhas,
também és de 72, e eu que pensava que eras mais antigo, para saberes aquelas coisas todas sobre Aveiro ;-)
Obrigado, o Zeca é que merece os parabéns pela sua obra.
Colocado por: Jorge | fevereiro 24, 2006 11:35 AM
Zabelinha,
não te zangues, rapariga ;-)
Obrigado pela iniciativa. :-)
Colocado por: Jorge | fevereiro 24, 2006 11:37 AM
Karla,
as músicas do Zeca são eternas. É sempre bom revivê-las. :-)
Colocado por: Jorge | fevereiro 24, 2006 11:38 AM