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fevereiro 28, 2006

Crónicas de Viagem IV - A prima

Esta pequena história realça uma certa ingenuidade minha e falta de preparação que os livros escolares estão longe de colmatar. Como não sei se alguém que protagonizou (ou esteve próximo) lerá este texto, não situarei a narração no espaço e no tempo e referir-me-ei apenas ao local, como algures no sul de França, numa noite igual a tantas outras, se para mim não encerrasse alguma revelação. Aconteceu, após uma saída para desentorpecer as pernas e readquirir o equilíbrio (navegar três meses consecutivos faz-nos ter outros pontos de referência e, quando em terra inclinamos a cabeça, inclinamos também o corpo - o cardin ainda não tinha inventado o sistema). A cara do chaufeur que nos transportava da cidade ao cais era de poucos amigos, quando o cumprimentei com toda a educação, incluindo o tão apreciado, pelos franceses, aperto de mão, dando logo ali a entender de que se teria passado algo que me passou despercebido, já que fui um dos últimos a entrar no autocarro. O marinheiro aprontou-se a pedir-me desculpa (uma vez que eu era o único oficial presente no autocarro) e que pretendia levar a prima que vivia na região e se não viam há anos, desde pequeninos, “lembras-te quando brincávamos às escondidas no quintal da avó?”, recordações de infância, forjadas, está claro, que este marinheiro não só falava muito bem francês como era um pintas do caraças e pensava que tinha enganado o motorista do bus tal como me estava a enfiar o gorro a mim. Eu respondi-lhe que isso não era comigo – e efectivamente não era, pois não tinha qualquer poder de decisão sobre quem poderia ou não entrar a bordo – e que ele deveria solicitar autorização ao comandante ou ao imediato quando chegasse ao navio. Soe dizer neste momento que assumi a responsabilidade perante o motorista e, mais importante ainda, é necessário dizer também que ele tinha uma prima lindíssima, que arreava bem, boa como o milho, em suma era uma bomba!
Mais tarde vim a saber que esta era uma prima muito sui generis e muito danada para a brincadeira. Eu entrei de quarto (de serviço, para quem não está familiarizado com a linguagem) à meia-noite, não mais me lembrei da prima, mas a bordo as notícias correm céleres. Quando fui render o meu amigo M, ao contrário de estar chateado por eu ter ido a terra e ele ter ficado a bulir, os seus olhos brilhavam – não sei se brilhavam ou se me fulminavam por eu não ter chegado há mais tempo – e, antes que eu o inquirisse pelo ponto da situação foi ele quem me perguntou de imediato pela puta. Só nesse momento, juro, é que percebi porque é que o marinheiro tinha convidado a “prima” a ir ao navio. É que na verdade a menina no dia seguinte iria de ter de fazer umas compras no Lafayette e os marinheiros iriam de ter de ir fazer outra viagem de alguns meses a olhar uns para os outros. Mas os livros na Escola Náutica, não nos ensinam esta matéria.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

ai que horror de vida!!!

entre a mala escancarada no escritório, a vacina do tétano que não estava em dia, procurar o boletim da febre amarela, e as saídas de praia que não as encontro? calções! preciso de imensos calções, camisolas com alças, cuecas... quantas cuecas levarei? ai, não me posso esquecer dos biquinis! e os chinelos! as máquinas fotográficas! ainda tenho de despejar um cartão que está cheio de fotos da Tunísia! e as plantas? quem me virá cuidar das plantas? e os peixinhos?
aiiiiiiiii, que daqui a pouco tenho um esgotamento!!!

ps: Jorge, ma boy, a morena que mexe o chocalho... vive aqui em casa. um dia me dirás se é verdade ou não!

aNa (tinha-me esquecido quem era :D)

Carnaval de Veneza - lady with black rose

lady with black rose - stefan nielsen.jpg
Foto:Stefan Nielsen

fevereiro 27, 2006

Proposta de cartoon (cartune!?)

Tivesse eu o talento do Raim e hoje o que vocês veriam aqui seria um cartoon com o Vitor Baía de máscara, com cara confiante, porque teria acabado de evitar um monumental frango!

Como não tenho esse extraordinário talento que é desenhar (apenas consigo fazer linhas rectas com uma régua) fica aqui a ideia.

PS: É verdade... este post é uma celebração da vitória de ontem! :) Grande Benfica! (agora quero ver se continuam assim!)

Contos da minha janela I - o fumo

A rapariga senta-se no pequeno muro. Com uma camisola de gola alta e um casaco comprido, ambos bejes, umas calças de ganga boca de sino, e umas sapatilhas castanhas. Parece insensível ao frio que a rodeia. As poucas folhas que ainda povoam o passeio, confundem-se com ela, tristes, abandonadas.

Tira do bolso uma daquelas carteiras em pele que a impedem de ver o aviso: "Fumar mata!". Tira de lá um cigarro, pelo tamanho deve ser um Marlboro 100's. Coloca o cigarro nos lábios, languidamente. Fica alguns instantes assim, pensativa.

Depois tira um isqueiro prateado e fica a olhar para ele. Estará a ver a sua imagem reflectida no espelho? Não creio, deve estar a pensar naquele rapaz que lho ofereceu, há alguns dias. Sim, esta era a primeira vez que ela fumava sozinha. Antes, todas as segundas, quartas e quintas, encontravam-se os dois e fumavam um cigarro, juntos. Cada um dava uma passa, alternadamente. A última passa era dada por ele, passando-lhe o fumo num beijo final, antes de saírem de mãos dadas.

Hoje ela está sozinha. Acende finalmente o cigarro. O seu olhar parece distante. Os lábios vão sorvendo, lentamente, o fumo, para depois, de forma calma, se moldarem, de forma a saírem, em cadência, pequenas argolas de fumo.

Subitamente, uma das argolas deforma-se, e ganha a forma de um coração. É nesse momento que uma lágrima escorre pela sua face. Baixa a cabeça, deixando cair os seus longos cabelos para a frente, ficando alguns momentos assim.

Depois, levanta a cabeça, limpa com a mão esquerda as lágrimas, enquanto na outra mão coloca o resto do cigarro, entre os dedos polegar e médio, de modo a atirá-lo para longe. Levanta-se e segue o mesmo caminho de sempre.

50.000 visitas

Ontem chegámos às 50.000 visitas.
Obrigado a todos os que nos têm visitado.

50mil.jpg
Foto daqui.

Ante & Post. Rolling Lives

aao.jpg
aac.jpg

As fotos e o título são do Cochofel, as pernas não. Nada é meu. A não ser esta mesma impressão de uma rolling life. Com sorte, a massa aumenta, a velocidade reduz, mas o sentido continua ascendente. Sabem que mais, e=mc² !

Lilly Rose

Rough Road

Rough Road
Foto: Augusto Peixoto

Andrade

fevereiro 26, 2006

Crime - Castigo

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14 menores no crime

Porque o beijo é muito importante ...

beijo3.jpg
Photo © Alex Nubocov



... principalmente, quando a partir de um único beijo, nos entregamos, inteiros, a outros desejos.
Os lábios, os dentes, a lingua. Num bailado molhado, ao ritmo dos corpos.


Jaguar


Post à Bin

tuarego - Dieter Biskamp.jpg
Foto: Dieter Biskamp

... será que se perdeu nas areias das dunas, algures, num qualquer deserto?

Carnaval!?

Sexta-feira é o dia da tolerância em relação aos trabalhos de casa: estes são normalmente feitos ao fim-de-semana e sem os grandes dramas e pressas que por vezes os dias de semana impõem. Assim, à sexta-feira é também o dia de dar descanso à mochila e muitas vezes aos papéis que lá vêm dentro. Sábado de manhã trata-se do assunto: mochila do mais novo, num papel verde, anunciava um palhaço: "Informamos que no dia 28 de Fevereiro, das 14:30 às 16:00 se irá realizar um desfile de máscaras no âmbito da celebração do "Carnaval". Os alunos que o pretendam deverão vir mascarados neste período" Carnaval!? Pois é, Carnaval! Costuma ser por esta altura, sim. "É Carnaval, ninguém leva a mal", não é? Pois eu levo a mal ser lembrada de que o Carnaval existe, 3 dias antes, numa terra em que este não se assinala e em que não há onde comprar um disfarce e em que as lojas de brinquedos estão em vias de extinção!
- "Ó filho, podias ir de pirata, é simples, já tens aquele chapéu, ias com aqueles calções de ganga compridos e uma camisa, um lenço na cintura, outro na cabeça e podíamos arranjar uma pistola!"
- "OK!"

Lá fomos até ao centro comercial cá do burgo, rezando para que houvesse uma pistola, o que é sempre um tiro de sorte (aqui o melhor é mesmo não ter ideias e escolher depois de ver e não ao contrário...)
Encontrámos uma pistola. Uma pistola que dispara quando faz barulho, que vinha com um coldre e um distintivo de xerife. Naquele centro comercial, entrou um pirata e saiu um cowboy! (Jeans, camisa branca e blusão de ganga - sim, que a criança não tem um colete e dificilmente arranjaria um! - difícil vai ser encontrar um chapéu, mas não há-de ser nada!)

eu vou eu vou eu vou eu vou eu vou eu vou

fineart_14.jpgPhoto Ana Koudella

Bom Domingo - Bom Fim de Semana - de preferência prolongado... e encham o vosso Carnaval de fantasias e encantamentos
Podem escolher algo diferente dos sete anões ;)

Lilly Rose

fevereiro 25, 2006

A morena de Angola - uma missão para a aNa

aNa,
já que vais a Angola, és capaz de descobrir a morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, e verificar se é ela que mexe o chocalo ou se é o chocalho que mexe com ela?
Obrigado.

P.S. Cuidado, não comas muita muamba de galinha. Não é por causa da gripe das aves, é que aquilo engorda mesmo.

merengue.jpg
Foto daqui.

Morena de Angola
Clara Nunes e Chico Buarque

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

Será que a morena cochila escutando o cochicho do chocalho
Será que desperta gingando e já sai chocalhando pro trabalho

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que ela tá na cozinha guisando a galinha à cabidela
Será que esqueceu da galinha e ficou batucando na panela

Será que no meio da mata, na moita, a morena inda chocalha
Será que ela não fica afoita pra dançar na chama da batalha

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Passando pelo regimento ela faz requebrar a sentinela

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

Será que quando vai pra cama a morena se esquece dos chocalhos
Será que namora fazendo um bochincho com seus penduricalhos

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que ela tá caprichando no peixe que eu trouxe de Benguela
Será que tá no remelexo e abandonou meu peixe na tigela

Será que quando fica choca põe de quarentena o seu chocalho
Será que depois ela bota a canela no nicho do pirralho

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Eu acho que deixei um cacho do meu coração na Catumbela

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

fevereiro 24, 2006

Multipla personalidade

Nunca consegui definir a minha profissão, com uma simples palavra.
Tenho formação numa área em que nunca investi, exerço um determinado cargo na empresa em que trabalho, ocupo uma posição hierárquica com nome pomposo mas, na realidade, sou empresária.
Quando me perguntam a profissão, engasgo-me sempre, sem saber o que dizer. Se o posto, se o que realmente faço, se a condição de empresária.
Por isso, quando vi, no Divas e Contrabaixos, este teste sobre vidas passadas, com base na profissão que exercemos hoje, pensei logo "Qual delas?"
Para cada uma, um resultado diferente :

In a Past Life...
You Were: A Kind Sailor.

Where You Lived: Poland.

How You Died: Consumption.
In a Past Life...
You Were: A Charming Jester.

Where You Lived: New Zealand.

How You Died: Natural causes.
In a Past Life...
You Were: A Brave Alchemist.

Where You Lived: Italy.

How You Died: The Plague.

Experimentem. Não tem interesse nenhum, mas pode ser divertido.

Tempo para nada!

Ando sem tempo quase nenhum! E uma falta de inspiração que vai sendo agravada pela leitura de...

normalizacion.jpg
Foto muito má, mas é o que se arranja: Bilhas.

No entanto, não queria deixar passar a oportunidade de dar uma dica sobre falos, cromeleques, menhires, antas, dólmens, mamoas, etc e tal. Sempre que li alguma coisa sobre estes assuntos encontrava palavras como: fertilidade, calendário, medição do tempo, rituais, desconhecido, mito, celtas, universo, arquitectura, engenharia, etc. O Megalitismo (litos=pedra e mega= super-muito-mas-mesmo-muito grande) desperta, em mim, sempre as mesma perguntas: "Que homenagem, culto, crença, etc. fazia com que dispendessem tanto tempo e esforço para erigir (a erecção é apropriadíssima aqui) estes monumentos? Qual era o complexo que fazia com que aquela rapaziada utilizasse pedras tão grandes?"

Assim sendo e porque não sou especialista como estes e estes senhores, deixo-vos com a notícia (imagem em baixo) retirada do melhor site de arqueologia do mundo segundo a UNESCO e publicada pelo Expresso a 8 de Março de 2003, exactamente sobre cultura megalítica.


Basta clicar duplamente que se faz magia e conseguem ler a notícia.

PS: Dani, ainda te vou ter que te pedir uma ajuda na tradução de coisas como "papel agarbanzado"! Sei que é um tipo de papel, mas como é que encontro este tipo de papel em português!? E que raio é uma "taquilla"? eheheeh eu sei que as encontro no dicionário, mas um gajo já havia de ter um sistema de download que permitisse integrar toda esta informação no cérebro, não era!?

ante et post #2

ante et post #2

Porque nem sempre se muda para melhor...

Andrade

Crónicas de Viagem III - É já ali

É já ali, tinha eu sete anos de idade e juro que não foi no Alentejo. Sabemos que quando perguntamos a um alentejano onde fica determinado lugar, ele invariavelmente responde que é já ali. Mas dessa vez não foi no Alentejo. Eu tinha sete anos de idade quando fui ao casamento do Vitor e da Fátima, ao Minho. O Minho é lindo quando vestido de verde e salpicado com o vermelho das cerejas maduras. Foi há tanto tempo que já nem me lembro onde era a terra da Fátima, mas seria, claro, já ali. Mas lembro-me dos caminhos desde que saímos da carreira até á aldeia e eu, com o meu passo curto e como todos os meninos dessa idade sempre a perguntar se ainda faltava muito e a Fátima, de olhar carinhoso, a responder sempre da mesma forma. É já ali. Preciso agora de falar da D. Eduarda, que era a minha professora primária. Ela tinha dito aos meus pais que não faria mal eu faltar três dias às aulas porque eu era esperto (não, não é convencido pois com cinco anos de idade já lia o jornal, e se tiver pachorra para contar e vocês para lerem, ainda escreverei uma crónica de viagem Cacilhas-Terreiro do Paço, com cinco anos de idade e o Diário de Notícias na mãos). Adiante, a D. Eduarda autorizou aqui o rapaz esperto a ir a um casamento ao Minho. Retomemos o percurso, e as minhas pernas frágeis e bamboleantes, extenuadas de cansaço atingiram finalmente aquela casinha lá no meio da aldeia. A Fátima chegava fresca que nem uma alface e tenho agora a certeza que era de facto já ali, porque quem vai casar no dia seguinte não se pode desgastar muito na véspera.

Mas este costume de retirar importância às distâncias não é um exclusivo português. Está bem que Portugal é pequeno, tudo pode ser considerado próximo, mas a América não. Quando o Mike me deu aquele papelinho, meio telegráfico, “red lights turn right through I5 – direction sacramento – exit walnut creek” eu imaginei poder ser uma informação ao bom estilo alentejano ou então aquela caminhada que fiz com a Fátima lá pela Serra do Gerês. Mas se o Mike disse que era já ali, não havia do que temer. O carro estava reservado no aeroporto, a saída foi fácil e aí estou eu a caminho de Walnut Creek. Mas o semáforo não estava vermelho. Então se red lights turn right porque raio haveria logo no momento em que eu ía a passar o estúpido do sinal estar verde e eu ter seguido em frente e não virado à direita? Lembrei-me então da D. Eduarda que se tivesse tido conhecimento do caso não iria voltar a achar que eu era assim tão esperto. Encontro-me desta forma às voltas, perdido nos arredores de Oakland, sob um lusco-fusco que me trazia à memória os filmes americanos de underground , os grafitti demolidores pintados em amplas e infindáveis filas de barracões de vidros partidos, onde eu imaginava vir a ser assaltado em cada esquina mas ao mesmo tempo muito positivo de pensamento, “calma Vitor tu vais sair daqui o mais depressa possível, se calhar ainda és esperto”. Voltei à casa partida, estive-me nas tintas para a cor dos semáforos, voltei à direita, entrei na tal ai faive, porque uolnotcrique era já ali. E sem ter a Fátima para lhe perguntar se faltava muito, ao fim de hora e meia de auto-estrada cheguei ao destino. Era já ali.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

haja enTUSiAsmo nesta sexta-feira!

Cromeleq Almendres 91.jpg
Cromeleque dos Almendres
foto: aNa

fevereiro 23, 2006

Zeca Afonso (2 de Agosto de 1929 - 23 de Fevereiro de 1987)

A Isabel, Isabel Faria para os amigos, do Troll Urbano, de vez em quando, faz destas coisas. Desafia-nos. Umas vezes com a simplicidade dos seus textos. Outras vezes com desafios directos.

Zeca Afonso. Tendo eu nascido em 1972, não consigo falar do Zeca resistente com o mesmo conhecimento de causa de quem viveu no período da ditadura. Conheci a sua música já depois do 25 de Abril de 1974. Por isso, não tendo lido os outros posts que se foram fazendo em resposta ao repto da Isabel, vou falar daquilo que conheço da beleza da sua música. Não quero com isto negar a parte revolucionária dele (seria negar o próprio Zeca Afonso), mas dar uma perspectiva pessoal em que não repita a faceta que já se terá lido noutros blogs.

Para mim, Zeca Afonso é um cantor de baladas inconfundível, dono de uma voz inconfundível, capaz de arrepiar quem o ouve. Canções como a Balada de Outono, Mar Alto, ou ainda as canções mais doces como a Canção de Embalar e o Menido d'oiro (que costumava cantar, e ainda canto por vezes, para a minha filha), são disso exemplo.

É também a voz que alimenta canções populares, como Milho Verde e Maria Faia. Nestas canções identifico o Zeca Afonso com uma ligação à tradição que já lhe é reconhecida no fado.

É ainda, aquela voz de ritmo inesperado, que canta um verso com uma alteração repentina, como nos Vampiros, quando diz "eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada" ou nas Cantigas do Maio, quando diz "minha mãe quando eu morrer, minha mãe quando eu morrer, ai chore por quem muito amargou, ai chore por quem muito amargou, para então dizer ao mundo, para então dizer ao mundo, ai Deus mo deu ai Deus mo levou, ai Deus mo deu ai Deus mo levou".

E claro, não podia deixar de ser, é também o revolucionário, o cantor da liberdade, o desiludido com o caminho que o pós-25 de Abril traçou para a liberdade. O rosto da utopia, como tão bem o definiram num livro que um dia me ofereceram e que guardo na minha estante.

zecautopia.jpg
Imagem daqui.

Eis Zeca Afonso, a triplicar.


A morte saiu à rua


Canto moço

Cantar alentejano

aviso à navegação

o ante et post vai ficar, temporariamente, sem duas colaboradoras.
para a semana vou de férias para Angola e a Karla pediu-me que a levasse escondidinha numa malita - desde que Louis Vuitton, obviamente!
eu não sou mulher de negar desejos aos amig@s!
ei-la, a malita.

LV.jpg
(remodelação da loja da Louis Vuitton em Paris, em Agosto de 2004)
foto: aNa

aNa

Descubra as 7 diferenças

Revista Amélia.jpg

Jimmy Margulies New Jersey The Record.gif


É por estas e outras que eu deixei de comprar revistas femininas! :))

Lilly Rose

Antes da Playboy e da Penthouse, as Pin-ups

vargas4.GIF Na década de 40, ilustrações de modelos, bailarinas e artistas começaram a dominar não apenas a imaginação dos homens, mas também as portas dos armários e as paredes dos quartos de milhares de admiradores dessa nova onda de "sexualidade permitida".
Foi precisamente esta, a origem do nome pin-up: o acto de pendurar as ilustrações em algum lugar.
O conceito clássico de uma pin-up é ser sexy e ao mesmo tempo inocente. Estar vestida, mas em alguma posição ou situação que revele sensualmente partes do corpo, sem querer, por acaso.

Na segunda guerra mundial, o seu sucesso era tanto que frequentemente eram pintadas nos narizes dos aviões.
A musa loura, Marylin Monroe, perdia em popularidade para a ruiva Rita Hayworth, a número dois na lista da preferência dos soldados da Segunda Guerra. Uma foto da eterna Gilda vestida com uma camisa de noite transparente, foi transformada em desenho e invadiu os acampamentos.
Nem Marilyn nem Hayworth, porém, conseguiram destronar a lendária Betty Grable, a mulher que colocou suas pernas no seguro no valor de 1 milhão de dolares. Ela foi a pin-up mais famosa da história posando em roupa interior com um sorriso convidativo, transformou-se na amante imaginária, predileta dos soldados.

kansascitykitty.jpg liberty belle.jpg
Fotos daqui

O sucesso dos cartões e calendários foi tal, que estimulou editores a lançar revistas especializadas, as chamadas girlie magazines, onde exibiam pin-ups vestidas de coristas, marinheiras, enfermeiras e outros uniformes-fetiches. Embora as mais célebres fossem as musas de papel, alguns fotógrafos dispensavam os retoques da pintura e publicavam suas pin-ups em carne e osso.

Os ilustradores
Alberto Vargas: Peruano, ficou famoso por desenhar musas como Marilyn Monroe e Ava Gardner. As suas pin-ups são conhecidas como Vargas Girls. Considerado por muitos colecionadores como o maior ilustrador de pin-ups da história, Vargas morreu em 1982, quando as musas de papel já tinham perdido o glamour.

vargas 1.jpg vargas 2.jpg


George Petty: Outro rei das pin-ups, o norte-americano George Petty começou a carreira como fotógrafo. Sua primeira pin-up, a Petty Girl, foi inspirada nas figuras da mulher e da filha do artista, e ilustrou a capa da revista Esquire em 1933. Daí para calendários e propagandas foi um pulo. Morreu em 1975.

petty1.jpg petty3.jpg petty2.jpg


Gil Elvgren: Começou a ilustrar pin-ups na década de 1930 e só parou 40 anos depois. A fama de comercial deve-se ao facto de que a maioria de seus desenhos eram criados para ilustrar campanhas publicitárias, como as propagandas da Coca-Cola. As pin-ups de Elvgren ilustravam principalmente calendários. O artista morreu em 1980.

elvgren1.JPG elvgren2.jpg elvgren3.jpg

Informação retirada daqui

Glamour II

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Foto: Louise Dahl-Wolfe

fevereiro 22, 2006

Ministério da Educa(demoli)ção

educa(demoli)cao_01.jpg

Los borrachos...

A mais fabulosa das pinturas de Velásquez. "Los Borrachos", "The feast of Bacus" para os ingleses e se quiserem (eu prefiro) Bacanal... ou a festa de Baco, foi encomendada por Felipe IV, III de Portugal (corriam os anos de 1628-1629). Nesta tela, pintada magistralmente, o artista coloca a par dos bebedolas espanhóis um Deus da mitologia Romana numa alegre festa de amigos, onde é elogiado o vinho como uma cura, se bem que momentânea, para os males da vida.

Se eu tivesse vivido na Roma Imperial seria de certeza um seguidor de Baco.

losborrachos.jpg
Foto: daqui.

EL TRIUNFO DE BACO O "LOS BORRACHOS"
DIEGO VELAZQUEZ DE SILVA (1599-1660)
Tela (165x225 cms)
Escola Espanhola. Barroco
Séc. XVII

PS: A escrever este post percebi que o Velásquez se chamava da Silva... será que o homem era português!? Teremos aqui mais uma Olivença!? Hmmmm não sei... afinal a Duquesa de Alba também tem Silva no nome, não é!?

Crónicas de Viagem II - Quantas bolas?

A diáspora portuguesa é grande, encontramo-la em todos os cantos do mundo desde que nos dedicámos a espalhar a fé e o império tendo sido reforçada pela guerra colonial e pelas miseráveis condições de sobrevivência que o Portugal da ditadura fez o favor de oferecer aos portugueses. Ainda hoje se emigra, mas principalmente se imigra, já que votados ao abandono os campos e o interior, devido a uma política desastrosa de fixação de populações e de incentivos à interiorização, as nossas gentes continuam a procurar o litoral, excepção feita a alguns senhores de dinheiro que de há uns tempinhos para cá descobriram os montes alentejanos. Voltando ao tema, é assim que a diáspora é grande e que quase tropeçamos em portugueses no mundo. Por vezes, quando por razões várias me desloco “lá fora” penso ter algum jeito para os/nos distinguir seja pelos traços seja pelos comportamentos. Obviamente nem sempre acerto e cometo gaffes quase imperdoáveis e nem sempre pautadas pela educação que o chá que tomei em criança faria crer. Lembro-me de um certo dia, numa das muitas lojas para turista, situadas no celebérrimo peer 39, da bonita cidade de S. Francisco, Califórnia, eu ter comentado com o meu amigo Sérgio de que os pinguins também gostam de souvenirs. Eis senão quando, aquela simpática freira baixinha, portuguesinha da silva, me olhou de soslaio, tentei disfarçar, mas depois cumprimentei elegantemente "ora viva, muito boas tardes, nós os portugueses encontramo-nos em todas as partes do mundo não é verdade?". Passado o incidente aviático-mosteiral ali ficamos uns cinco minutos na conversa, embora eu para o açoreano de S. Miguel seja meio duro de ouvido. Mas nem sempre é assim e, na verdade, até tenho algum feeling para reconhecer os portugueses sem os ouvir falar, claro, estando sempre preparado, para no caso de me enganar, assobiar inocente para o ar o Abril em Portugal, assim como quem não quer a coisa. Estávamos, eu com a minha mulher e um casal nosso amigo, a passear pelos lagos de Zurique, numa temperada e apetecível tarde de primavera, já com aquela vontade de comer um geladinho quando o Zé Manel “que não, que eu estava era a querer que ele desse barraca” e eu a insistir que ele chegasse à garota do balcão da gelataria e que pedisse um gelado de morango, assim mesmo, em português, porque embora estivéssemos ainda a uns vinte ou trinta metros de distância, com uma carinha daquelas só poderia ser uma conterrânea cá das berças. “E se ela não for portuguesa vou ficar encavacado", "não, Zé Manel, falar a nossa língua não encavaca ninguém", argumentava eu patrioticamente e, I'm sorry toda a gente entende. Pois então um sorry remediaria as coisas e straubér a gente também sabe dizer. Até deu para fazer uma aposta, se a menina não fosse portuguesa eu pagaria os gelados caso contrário a aposta seria minha e eu pouparia uns quantos francos daqueles que valiam mais de cem paus cada. Então lá fomos e o Zé Manel meio envergonhado pede, "quero um gelado por favor". "Quantas bolas?", acto contínuo, pergunta a menina ao balcão e escusado será dizer que comi o meu gelado à borla não sem o meu amigo se interrogar se eu já a conheceria antes. Este foi apenas um dos episódios do género que aqui vos trago e não termino sem antes vos dizer que a menina era uma beirã que ía fazer a saison à Suiça. Hoje mesmo as estatísticas nos dizem que o desemprego real é de onze por cento e cada vez mais vai ser uma brincadeira de crianças descobrir um português a trabalhar no estrangeiro.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

Barbie Mil Broches

Acredite quem quiser...

Andrade

Olha o peixe fresco!

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Foto: Noite

Lá que é fresco, ninguém tem dúvidas... por vezes or órgãos ainda mexem!

fevereiro 21, 2006

Crónicas de viagem I - As focas

O mar estava calmo e uma ligeira névoa cobria o horizonte. À parte o zumbido que se ouvia das turbinas, capaz de abafar alguma voz a pouco mais de dez metros de distância, passe a ironia da afirmação, quase se poderia dizer que o silêncio era ensurdecedor. Aquele poderia ter sido um dia igual a todos os outros desde que o chefe Palhinhas me ofereceu o terceiro quarto. Mas não foi. O terceiro quarto, além de me obrigar a deitar quase às cinco da manhã, obrigava-me a almoçar às onze, ainda meio estremunhado que só o banho, antes da primeira refeição, se esforçava para me abrir os olhos. Daí o silêncio. Entre o meio-dia e as quatro da tarde, tirando os artífices escondidos na sua oficina da casa da máquina e alguns marinheiros que arranjavam sempre qualquer coisa para fazer, mesmo que essa coisa fosse nada, a trabalhar, mesmo, só os do terceiro quarto. O meu amigo Félix era o terceiro oficial de serviço. Ar bonacheirão, gordo, aliás “anafado” como ele gostava de dizer, era uma pessoa bem disposta, tanto quanto a bordo pode ser bem disposto um recém-casado, com um filhote que ainda mal conhecia e que navegava seis meses consecutivos. Era meu amigo mas não se privava de pregar as suas partidas. As que são habituais nestas andanças eram conhecidas por banhadas, e vai não vai, esta alminha via-se encharcada dos pés à cabeça, tal alma molhada, por balde ou latão. Os baptismos eram coisas que não se deixavam passar em claro, eram praxe. Ele há praxes e praxes. Se comparadas com as que se fazem aos caloiros, hoje, nas universidades portuguesas, aquelas eram brincadeiras de criança. Sou visceralmente contra praxes mas dou-me conta que daquelas ainda sinto alguma saudade. E eu teria de ser baptizado, seria a primeira vez que navegaria no Mediterrâneo e o Estreito aproximava-se a 12 nós. Lá ía o “Neiva” um navio de grande porte e grande resistência, este “Neiva” que nem um incêndio de grandes proporções dois anos antes em Antuérpia, o conseguiu mandar para a sucata. O governo da época sim, mandou-o para a sucata, o tal que a contas ou a desculpas com crises económicas, resolveu começar a destruir toda a nossa frota marítima mercante. E dou comigo a pensar que um dia Gama foi à Índia de barco e Cabral, que não era ainda Cabral, mas sim Gouveia como rezam as crónicas do tempo, alcançou terras de Vera. Lá ía o “Neiva” cruzando o estreito e o Félix a perguntar-me se eu não tinha visto as focas. Quais focas, qual carapuça, era mas era de outro banho que eu estava à espera, e o bendito baptismo preparado (que eu pelo sim pelo não, nem pensei em voz alta não fosse o diabo tecê-las e, se não fosse isso, estaria a dar-lhes os argumentos), lá fui eu, pé ante pé, pois gostar desta praxe não significava expor-me de peito aberto. E fui sorrateiramente pelos sítios por onde não ía habitualmente, cheguei ao convés por baixo de um varandim que dava para bombordo de onde se vislumbrava já a costa do sul de Espanha algures a caminho de Algeciras e do britânico piñon e, de focas nem sombras, nem tão pouco de banhada. Vai daí, quando o Félix me perguntou se eu tinha visto as focas e me olhou com um ar de quem estava admirado mas não o dando a entender (talvez a mim que, nessa altura ainda não tinha tido nenhum daqueles cursos de análise transaccional que nos fazem desconfiar do próprio pai, adiante que a psicologia não é para aqui chamada), e eu lhe disse que não tinha ido espreitar, “vai lá, se não, deixas passar uma oportunidade única para contares aos teus netos” e eu fui! Desta vez por caminhos mais habituais e eureka! a estibordo lá andavam, aliás nadavam, as tão célebres focas do mediterrâneo, essas coisas lindas que nos circos passam o tempo a cheirar uma bola no focinho e a comer sardinha. E o balde! O inevitável balde estava escondido no varandim à espera da contemplação e nesta fiquei quase cinco minutos, antes e depois do banho, que o navio já se afastava e era necessário beber cada momento e o perfume do mar, com ou sem focas, se bebe. Só o que se não bebe é a água do óbvio banho.

O PreDatado, in Cronicas de Viagem, todos os direitos reservados.

humm... não sei, não!

Moretto
Alcides, Luisão, Anderson e Léo
Beto, Petit e Manuel Fernandes
Robert, Nuno Gomes e Simão

com esta ala direita... rezem para que a ala esquerda do adversário seja calma!

mas isto são só desabafos... na verdade, eu não percebo nada de futebol!!

(parecia sacanice, mas não era... esqueci-me de assinar!)

aNa

os nossos momentos

a nossa vida é cheia de momentos.
momentos de agir, momentos de retrair, momentos de esperar, momentos de reflectir, momentos de festejar, momentos de chorar, etc, etc, etc.
quanto maior for a assertividade com que eles acontecem, maior é a probabilidade de lidarmos bem com eles e retirarmos os respectivos frutos.

ontem, ao ver um jogo de futebol, reparei numa jogadora que conheço há anos. foi uma belíssima jogadora, internacional, até. ontem, arrastava-se no meio campo, quase não conseguindo mexer os joelhos massacrados por operações e recuperações que correram menos bem, e disfarçando mal o excesso de peso que entretanto adquiriu. meteu-me dó - o que me deixou incomodada.

e fiquei a pensar: qual terá sido o momento que ela ignorou?


aNa

Diabos Vermelhos vs Red Devils

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Foto daqui.

Logo à noite vão andar vários diabos à solta... que ganhem os primeiros.

P.S. Os Red Devils costumam ser os do Manchester United, mas esses revelaram-se uns anjinhos...

Glamour

Glamour 4 Rita Hayworth.jpg
Rita Hayworth

Foto daqui

fevereiro 20, 2006

Amanha vai ser.

Entao...

Cheio o depósito de gasolina. lembra-te: em Portugal "sin plomo" é "sem chumbo". Pronta a mapa. Dinheiro na carteira. Presente para o meu amigo Miguel, "espero que le guste la película que le traigo". Levo a camisola e o cachecol. 5 horas no carro. Deixo o carro pelo Colombo, almoço lá o pelo camainho?

E as 19,45, lá vou estar: pela primeira vez na minha vida, no estádio da Luz. É a rara história dum benfiquista espanhol.

Bendita locura.

Tentação versus Fidelidade

Perguntava-me a Lilly neste post se eu achava que a figura que se encontra na entrada do Capítulo novo do Convento de Jesus de Aveiro seria uma representação do Diabo disfarçado de cordeiro ou o cão do Senhor que defendia as monjas do Mal e da tentação.

Olha Lilly... lamento desapontar-te... (e a mim também) mas a teoria da tentação parece-me ter muito poucas bases de sustentação. Não que não pudesse existir uma figura que lembrasse as piedosas monjas de clausura que o diabo (e as tentações) estivessem mesmo ali, ao virar da porta, mas as razões que sustentam a teoria de se tratar de uma representação de um cão são quase inegáveis. Senão vejamos.

"Domini canis" é a designação em latim para "Cão do Senhor", símbolo da Ordem dos Pregadores (OP) da qual S. Domingos foi o criador e que é conhecida como Ordem Dominicana. Ora se não bastasse apenas o Cão ser um dos principais símbolos desta ordem, nomeadamente por se tratar de um animal fiél e devoto ao seu dono, a sua inclusão na porta de entrada para a Sala do Capítulo de um convento dominicano parece relembrar aos seus membros a devoção que lhes é pedida na principal divisão do edifício conventual, logo a seguir à Igreja. Nesta sala tomavam-se todas as decisões da vida da comunidade. Aqui eram "julgadas" virtudes e castigados os pecados das religiosas. Nesta sala acolhiam-se as noviças, resolviam-se assuntos não clericais, geriam-se os negócios do Convento e suas propriedades... era um sítio onde o pecado estaria mais perto, porque se tratavam de assuntos mundanos e o cão na porta deveria lembrar-lhes (a cada uma das devotas monjas) que a sua devoção devia ser a Deus e à Ordem.

Ou será que seria mesmo um diabo... a indicar que a partir dali se podia gerar o Mal e o pecado!? Pecado e Virtude... Bem e Mal... as velhas dicotomias... O que vocês escolhiam!? O Diabo disfarçado de Cordeito... ou o "Domini Canis".

PS: Aqui fica uma ajuda para os indecisos...;)

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Foto: Daqui

Posts and sex

During the last more than two years I've been blogosphering, I've seen several kind of bloggers, and I realized that many comparisons could be made between posts and sex. See a few examples bellow.

Making posts is like making a child
A blogger that thinks like this is always thinking a post as a procriation process. It's worth doing the post if they are sure that it will be sucessful. It's possible that some tries will not succeed. But when the post becomes perfect they will be happy and they won't have to try again during the next nine months.

Making posts is like having an orgasm
This kind of blogger makes a post without thinking if the result will be good or not, they just want to have pleasure doing it. And after a short amount of time, they may start a new one.

Making posts is like trying Kama Sutra
This blogger makes each post a new adventure trying to make them in several formats, with several spices, always different.

Making posts is like being part of a gangbang
This blogger likes to be surrounded by other bloggers, making posts in answer to other posts. They change their preferences frequentely and are always ready for more.

Making posts is like a quick one
One can define this kind of blogger in a single sentence: I'm going to make a post, didn't it become nice?

Making posts is like (h)o(u)ral sex
Each hour comes a new post.

Making posts is like an(u)al sex
Each year comes a new post.

After this brief explanation, I must ask you:

WHAT KIND OF BLOGGER ARE YOU?

Os posts e o sexo

Nos dois anos e picos que levo blogosferando, tenho-me deparado com vários tipos de bloggers. E apercebi-me que havia várias associações que se podiam fazer entre os posts e o sexo. Aqui vão alguns exemplos.

Fazer um post é como fazer um filho
Um blogger que pensa assim, está sempre a pensar num post como um processo de procriação. Assim, só valerá a pena fazer o post se tiver a certeza que ele terá sucesso. Não quer dizer que não tente algumas vezes, sem êxito. Mas quando o post sai perfeito, fica contente e já não precisa de voltar a tentar durante nove meses.

Fazer um post é como ter um orgasmo
Este blogger é daqueles que faz um post, não lhe interessa se o resultado foi ou não bom, interessa-lhe apenas que tenha tido prazer a fazê-lo. E é capaz de, após um breve período de descanso, começar um novo.

Fazer um post é como experimentar o Kama Sutra
Este blogger faz de cada post uma nova aventura, tenta fazer posts de várias formas, com vários condimentos, sempre diferente.

Fazer um post é como participar num bacanal
Este blogger gosta de estar no meio de outros bloggers, fazer posts em resposta a outros posts, muda constantemente de preferências, e está sempre pronto para mais.

Fazer um post é como uma rapidinha
Esta tipo de blogger pode resumir-se numa frase: vou fazer um post, não ficou lindo?

Fazer um post é como praticar sexo (h)oral
De hora a hora, sai um post.

Fazer um post é como praticar sexo an(u)al
De ano a ano, sai um post.

Depois desta breve explicação, é pertinente perguntar:

E TU, QUE TIPO DE BLOGGER ÉS?

making of

Spencer Tunick Montreal3 Museu de Arte Contemporanea.jpg

Spencer Tunick tornou-se famoso por fotografar multidões despidas. Esteve em Santa Maria da Feira em 2003 e muitos portugueses aceitaram posar para ele. Eu sempre me diverti a imaginar o making of dessas grandes produções. Estão a ver aquela bicicleta no meio dos corpos nus? Fiquem com uma pequena ideia do que pode ter acontecido - vendo este filme.

Lilly Rose

Goooooood Morning, Blogosfera

Goooooood Morning, Blogosfera
Foto:Erik Reis

Andrade

fevereiro 19, 2006

A mudança

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Lá vem pássaro!!!

Centenas de nadadores em pânico foram evacuados sábado de uma piscina coberta de Wan Chai, em Hong Kong, quando um pássaro voou para dentro de água, noticia hoje o diário de Hong Kong, South China Morning Post. A piscina esteve encerrada por duas horas, para limpeza intensiva, e o pássaro foi entregue, vivo, às autoridades, para ser sujeito a análises do vírus H5N1, da gripe das aves.
O incidente é indicador do nível de receio da população sobre a gripe das aves, numa cidade de cerca de 6,9 milhões de habitantes.

A histeria não terá aparentemente razão de ser, mas recordo que Hong Kong tem sido altamente fustigada por fenómenos como a H5N1 e a SARS, nestes últimos anos. Em 1997 morreram 6 pessoas com a gripe das aves (naqueles que foram os primeiros casos conhecidos de infecção em humanos) e em 2003 padeceram cerca de 300 pessoas com a pneumonia atípica. Só neste ano contam-se já uma série de casos confirmados pelas autoridades da presença do virus em aves detectadas mortas na cidade.
Todo o cuidado é pouco. As regras são rígidas, a vigilância é apertada, o medo é grande. Neste momento em Hong Kong, é pedida aos criadores de pombos uma licença de 10000 Hong Kong dólares (cerca de 1000 euros) para que possam manter os seus bichos, não sem a exigência de determinadas condições.
Nós por cá, continuamos com saldo zero no que toca a estes assuntos. Talvez por isso as nossas galinhas continuem expostas nos mercados...
E que A-Ma nos proteja!

Notícia de última hora

Ante et Post.png

O ANTE & POST COMPROU A YAHOO!

(agradecemos os serviços de consultoria e design)

Lilly Rose

fantástico-burlesco

Continuando a série iniciada no passado Domingo, como posicionam estas imagens no eixo imaginário fantástico-burlesco?___sabendo que não existem respostas certas ou erradas___ apenas, certamente, respostas diferentes___para percebermos a relatividade dos valores.

Lilly Rose


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Andy Warhol


Theo Jennissen - homens no barco.jpg
Theo Jennissen

fevereiro 18, 2006

Avançados do Benfica

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Foto daqui.

Jogos Olímpicos de Inverno

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Para Don Bilhas, uma preciosidade e um mistério

Este animal, junto à ombreira da sala do capítulo novo (claustro do Museu de Aveiro), está a cair. O que simboliza? As interpretações dividem-se. Será o diabo disfarçado de cordeiro, para tentar as freiras, ou o cão do Senhor para as defender do mal ?

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Foto: Lilly Rose

E Bilhas, obrigada pela tua explicação.

fevereiro 17, 2006

Ainda o tribunal

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Foto daqui

Parecia um conto fantástico.
Os funcionários do tribunal, oficiais de justiça, como lhes chamam, passeiam-se com uma capa preta, simples e desalinhada, a fazer lembrar o Harry Potter.
Por esta ordem de ideias e subindo a na hierarquia, os advogados, com as suas togas mais rodadas, com machos e folhos, bem que podiam encarnar os professores da escola de magia.
Sendo assim, e com algum receio meu, deverei dizer que o Juiz não é mais que o maléfico Lord Valdemort?
Nem sei bem do que estou a falar. Nunca li um único livro da série, nem vi os filmes.
As capas as togas e todo aquele aparato, sem pompa nenhuma, pareceram-me desnecessários. Servem para quê?
Curiosa, ainda espreitei para dentro da sala de audiencias ... o juiz não usava aquela peruca branca, que nos habituamos a ver nos filme ingleses.
Fiquei mais descansada, ou teria muita dificuldade em conter o riso, da próxima vez que lá fosse.

"Mata-frades" e já agora mata-curiosidades também.

Ora vamos lá a ver se eu consigo responder à altura das interpelações (desta e desta) da Lilly.

Em 1834, como penso ser do conhecimento geral, foi publicada uma lei pela qual se declaravam extintos «todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares», sendo os seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional. Esta lei extinguiu todas as ordens religiosas existentes à altura no país, sendo que nos casos de Conventos de Clausura Femininos (penso eu que a excepção foi apenas para estes) a extinção apenas aconteceu após a morte da última freira. Esta lei foi criada pelo governo de Joaquim António de Aguiar (este senhor dá nome a uma das ruas que começam ou acabam na Rotunda do Marquês. Os lisboetas conhecem bem... digo eu!) e pelo seu carácter anti-eclesiástico valeu a este governante a alcunha de "Mata-frades".

Devem vocês estar a perguntar... "Será que o Bilhas anda a snifar gás das novas Pluma!?" ou "A concorrência e o stress andam a pôr o Bilhas doido!". Mas que raio tem a ver O "Mata-frades" com os dois elementos de arquitectura que estão no Museu de Aveiro e que a Lilly postou ontem como curiosidades! Tudo! Como se lia ontem neste post, há acontecimentos e pessoas do passado que interferem ainda hoje com a nossa vida e a nossa vivência. E nem precisam de ser nossos antepassados (se bem que nestes a interferência é, por assim dizer, mais directa).

A extinção das Ordens Religiosas foi o ponto de partida para uma história de diferentes utilizações que o edifício do extinto convento de Jesus de Aveiro teve desde então. Foi colégio, se bem me recordo abrigou repartições públicas, enfim, um rol enorme de diferentes utilizações, até que, há quase um século (1911), foi lá instalado o Museu Regional de Aveiro. Sendo um museu com carácter regional recebeu todo o tipo de objectos e património provenientes de outros conventos extintos, igrejas de Aveiro e região limítrofe e de outras instituições que por este ou aquele motivo entregaram o seu património à guarda do Museu. Hoje em dia é um dos museus portugueses com maior e melhor colecção de arte sacra e conseguiu manter a parte do edifício relacionada com a vivência conventual (pelo menos a mais importante) quase intacta. Ainda hoje se podem visitar a fabulosa Igreja barroca, o côro alto e o côro baixo, onde podemos ver, respectivamente, a tal "chinoiserie" e o túmulo de St.ª Joana Princesa (filha de D. Afonso V que passou grande parte da sua vida neste convento e lá viria a morrer), e, por fim o claustro do convento, onde se pode ainda, com bastante facilidade, vivenciar algumas das rotinas das monjas de clausura. Esta filha do D. Afonso V é de extrema importância para esta história, mas isso passará para outro post. Vamos agora às curiosidades... afinal é o que nos traz aqui, não é!?

Ora pois bem... segundo os mais reputados especialistas de História de Arte da praça aquelas duas peças são, provavelmente, bicas (ou bocas) de fonte, ou ainda, bicas de pias de Sacristia (não confundir com as baptismais). No Museu de Aveiro as duas peças estão, pelo que me foi dado a saber, classificadas como gárgulas, mas certamente não será esta a sua classificação definitiva, dado que a estrutura de uma gárgula (elemento arquitectónico de escoamento de água) é tecnicamente diferente da que apresentam estas duas.

Em todo caso Lilly é com todo gosto que te informo que as duas peças já não se encontram no Claustro do Museu. Encontram-se agora em reserva. Poderão obter mais informação sobre elas inquirindo o museu sobre as peças com os números de inventário 332/B e 338/B.

Espero ter conseguido ser também um pouco mata-curiosidades!

PS: Nunca teria conseguido responder a esta pergunta sem a prestimosa ajuda de um amigo de longa data que trabalha no Museu que, embora esteja a viver um momento extremamente difícil na vida pessoal, é sempre um excelente conselheiro nestes assuntos e tem para comigo uma atenção que dificilmente poderei retribuir. Um grande, muito grande, abraço de amizade para ti Zé. Força!

Três .2

Três apresentadores de televisão por quem o público ainda suspira:

  • Eládio Clímaco
  • Amiga Olga
  • Carlos Ribeiro

    Andrade

  • Coincidências, acasos, sorte e rais parta a tanta filosofia

    Ontem de manhã estava a pensar no meu amigo Jorge. Há mais de dez anos que não o vejo, pensei. Da parte da tarde fui ao Fórum de Almada e com quem foi que dei de caras? Com o Jorge. Lembrei-me de um episódio que me ocorreu há uns largos anos. Não via uma amiga minha, chamemos-lhe Ana, desde 1973, ano em que acabamos o Liceu. Estaríamos no final dos anos 80, quando no autocarro me sentei ao lado da Ana. Olhamos um para o outro com ar de “eu conheço-te”. Nem eu nem ela tivemos a ousadia de dirigir palavra um ao outro. A meio do percurso “a Ana” saiu e eu senti-me baralhado. Seria a Ana? E ela terá pensado: seria o gajo? À noite adormeci com a dúvida ainda a assolar-me a mente. No outro dia de manhã, fui com a Ana no metro. A verdadeira Ana, não a Ana do dia anterior. Outro rosto, o reconhecimento imediato, aquele abraço de dois amigos que não viam há mais de 15 anos. Coincidência ou acaso? Há pessoas que explicam este tipo de acontecimentos, tratando-os como coincidências explicadas por teorias estranhas, quiçá paranormais. Quantas vezes terei, ao longo desses 10/15 anos, pensado nesses meus amigos sem nunca os ter efectivamente encontrado, a não ser nas alturas que relatei? Na verdade só relevamos aquilo que nos parece diferente e estranho. Como por exemplo, quando se entra numa fila para as portagens e só as do lado é que avançam, ou quando temos uma reunião às 9h00 da manhã e nesse dia há um acidente na ponte e o trânsito fica entupido por mais de duas horas. E porque é que bato sempre com o joelho ferido nas ombreiras das portas? Na minha opinião é só por acaso pois não vejo nada de transcendente nestes eventos. Em verdade não acredito que todos os outros 3852 automóveis que ficaram empancados no mesmo acidente de trânsito fossem de pessoas que iam ter uma reunião às nove. E se por acaso no exemplo anterior, troco de fila, é exactamente a minha que fica parada. Pode ser que um dia destes tenha mais sorte e escolha a fila certa da portagem (ou uma SCUT). E porque nenhum fenómeno para algo ou trans-qualquer coisa me faz acertar no Euromilhões sem jogar, mesmo tendo passado toda a noite a sonhar com ele, o melhor mesmo é deixar-me de conversa e ir já registar o meu boletim. Ah, e se eu ficar excêntrico…

    O PreDatado

    finalmente é sexta!

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    berbere em Mahatma - Tunísia
    foto: aNa

    fevereiro 16, 2006

    A verdadeira razão dos buracos na estrada

    Desde pequeno que aprendi que Portugal é um país de buracos nas estradas. Bastava passar a raia, e víamos uma realidade diferente. Das duas umas, ou os carros espanhóis eram menos pesados, ou alguma razão estranha fazia com que os buracos aparecessem do lado de cá e não em Espanha.
    Com o tempo as coisas foram melhorando, embora o critério não seja uniforme. As auto-estradas vão chegando, embora com atraso, a quase todos os cantos do país. Mas ainda há locais onde continuam os buracos. O que me leva a concluir que ainda existe essa estranha razão para a permanência de buracos colocados em lugares estratégicos, como a estrada por onde tenho de passar para chegar a minha casa.
    Pronto, lá está ele a aproveitar o tempo de antena do blog para atacar o Presidente da Câmara (de Matosinhos, diga-se) ou o Presidente da Junta (de São Mamede de Infesta). Não, nada disso. São razões poéticas que me movem.
    Durante muito tempo, na minha vinda para casa, protestava com os buracos que nunca mais se tapavam. Ainda por cima, tinham andado em obras, tinham colocado um piso novinho em folha, mas logo a 50 metros, deixaram alguns buracos à vista.
    E eu continuava cismado, por que razão não tapam aqueles buracos. Bem, é certo que eu já sei onde eles estão e costumo desviar-me, a menos que venha a ouvir música do José Cid no carro. Até que vi, por duas vezes nesta semana, a última das quais hoje, a verdadeira razão.
    Em ambos os casos, conduzia eu o meu automóvel, sem ouvir música do José Cid, e deparei com uma coisa espectacular. Um dos buracos, por força da chuva, tinha ficado uma espécie de pequeno charco. E nesse buraco, em ambos os dias, um pássaro (não posso precisar se era o mesmo) tomava banho. Assustou-se com a minha chegada, ambas as vezes. Senti-me culpado.
    A verdade é que finalmente descobri que tinha sido egoísta. Se eu até já sei onde estão os buracos e me desvio a tempo, por que motivo deveria desejar que os tapassem, destruíndo assim uma banheira para pássaros, tão necessitados de preservar a sua higiéne como nós.
    Faço assim o meu mea culpa, e agradeço aos responsáveis pela manutenção dos buracos, todo o cuidado que têm tido na preservação deste habitat natural. Acima de tudo, sinto-me bem por viver num país tão avançado a nível ecológico como o nosso.

    ADENDA

    O nosso Jorge é um poeta,
    De popular poesia, eis um naco,
    Num versejar meio pateta.

    Mas não me tapem o buraco.

    Desculpas-te com os passarinhos
    Que é um argumento fraco
    Para salvar Matosinhos.

    Mas não me tapem o buraco.

    Distrai-te do Cid, a cantada
    E o teu carro vira caco
    E matas a passarada.

    Mas não me tapem o buraco.

    Eu só para os castigar
    Metia os gajos num saco
    E atirava-os ao mar.

    (Ou tapava-lhes o buraco)

    Desculpa-me este versejo
    Pois a culpa foi de Baco
    E do vinho do Alentejo.

    Mas não me vão ao buraco.

    (poema do Pré, transportado dos comentários para o post)