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fevereiro 28, 2006

Crónicas de Viagem IV - A prima

Esta pequena história realça uma certa ingenuidade minha e falta de preparação que os livros escolares estão longe de colmatar. Como não sei se alguém que protagonizou (ou esteve próximo) lerá este texto, não situarei a narração no espaço e no tempo e referir-me-ei apenas ao local, como algures no sul de França, numa noite igual a tantas outras, se para mim não encerrasse alguma revelação. Aconteceu, após uma saída para desentorpecer as pernas e readquirir o equilíbrio (navegar três meses consecutivos faz-nos ter outros pontos de referência e, quando em terra inclinamos a cabeça, inclinamos também o corpo - o cardin ainda não tinha inventado o sistema). A cara do chaufeur que nos transportava da cidade ao cais era de poucos amigos, quando o cumprimentei com toda a educação, incluindo o tão apreciado, pelos franceses, aperto de mão, dando logo ali a entender de que se teria passado algo que me passou despercebido, já que fui um dos últimos a entrar no autocarro. O marinheiro aprontou-se a pedir-me desculpa (uma vez que eu era o único oficial presente no autocarro) e que pretendia levar a prima que vivia na região e se não viam há anos, desde pequeninos, “lembras-te quando brincávamos às escondidas no quintal da avó?”, recordações de infância, forjadas, está claro, que este marinheiro não só falava muito bem francês como era um pintas do caraças e pensava que tinha enganado o motorista do bus tal como me estava a enfiar o gorro a mim. Eu respondi-lhe que isso não era comigo – e efectivamente não era, pois não tinha qualquer poder de decisão sobre quem poderia ou não entrar a bordo – e que ele deveria solicitar autorização ao comandante ou ao imediato quando chegasse ao navio. Soe dizer neste momento que assumi a responsabilidade perante o motorista e, mais importante ainda, é necessário dizer também que ele tinha uma prima lindíssima, que arreava bem, boa como o milho, em suma era uma bomba!
Mais tarde vim a saber que esta era uma prima muito sui generis e muito danada para a brincadeira. Eu entrei de quarto (de serviço, para quem não está familiarizado com a linguagem) à meia-noite, não mais me lembrei da prima, mas a bordo as notícias correm céleres. Quando fui render o meu amigo M, ao contrário de estar chateado por eu ter ido a terra e ele ter ficado a bulir, os seus olhos brilhavam – não sei se brilhavam ou se me fulminavam por eu não ter chegado há mais tempo – e, antes que eu o inquirisse pelo ponto da situação foi ele quem me perguntou de imediato pela puta. Só nesse momento, juro, é que percebi porque é que o marinheiro tinha convidado a “prima” a ir ao navio. É que na verdade a menina no dia seguinte iria de ter de fazer umas compras no Lafayette e os marinheiros iriam de ter de ir fazer outra viagem de alguns meses a olhar uns para os outros. Mas os livros na Escola Náutica, não nos ensinam esta matéria.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

ai que horror de vida!!!

entre a mala escancarada no escritório, a vacina do tétano que não estava em dia, procurar o boletim da febre amarela, e as saídas de praia que não as encontro? calções! preciso de imensos calções, camisolas com alças, cuecas... quantas cuecas levarei? ai, não me posso esquecer dos biquinis! e os chinelos! as máquinas fotográficas! ainda tenho de despejar um cartão que está cheio de fotos da Tunísia! e as plantas? quem me virá cuidar das plantas? e os peixinhos?
aiiiiiiiii, que daqui a pouco tenho um esgotamento!!!

ps: Jorge, ma boy, a morena que mexe o chocalho... vive aqui em casa. um dia me dirás se é verdade ou não!

aNa (tinha-me esquecido quem era :D)

Carnaval de Veneza - lady with black rose

lady with black rose - stefan nielsen.jpg
Foto:Stefan Nielsen

fevereiro 27, 2006

Proposta de cartoon (cartune!?)

Tivesse eu o talento do Raim e hoje o que vocês veriam aqui seria um cartoon com o Vitor Baía de máscara, com cara confiante, porque teria acabado de evitar um monumental frango!

Como não tenho esse extraordinário talento que é desenhar (apenas consigo fazer linhas rectas com uma régua) fica aqui a ideia.

PS: É verdade... este post é uma celebração da vitória de ontem! :) Grande Benfica! (agora quero ver se continuam assim!)

Contos da minha janela I - o fumo

A rapariga senta-se no pequeno muro. Com uma camisola de gola alta e um casaco comprido, ambos bejes, umas calças de ganga boca de sino, e umas sapatilhas castanhas. Parece insensível ao frio que a rodeia. As poucas folhas que ainda povoam o passeio, confundem-se com ela, tristes, abandonadas.

Tira do bolso uma daquelas carteiras em pele que a impedem de ver o aviso: "Fumar mata!". Tira de lá um cigarro, pelo tamanho deve ser um Marlboro 100's. Coloca o cigarro nos lábios, languidamente. Fica alguns instantes assim, pensativa.

Depois tira um isqueiro prateado e fica a olhar para ele. Estará a ver a sua imagem reflectida no espelho? Não creio, deve estar a pensar naquele rapaz que lho ofereceu, há alguns dias. Sim, esta era a primeira vez que ela fumava sozinha. Antes, todas as segundas, quartas e quintas, encontravam-se os dois e fumavam um cigarro, juntos. Cada um dava uma passa, alternadamente. A última passa era dada por ele, passando-lhe o fumo num beijo final, antes de saírem de mãos dadas.

Hoje ela está sozinha. Acende finalmente o cigarro. O seu olhar parece distante. Os lábios vão sorvendo, lentamente, o fumo, para depois, de forma calma, se moldarem, de forma a saírem, em cadência, pequenas argolas de fumo.

Subitamente, uma das argolas deforma-se, e ganha a forma de um coração. É nesse momento que uma lágrima escorre pela sua face. Baixa a cabeça, deixando cair os seus longos cabelos para a frente, ficando alguns momentos assim.

Depois, levanta a cabeça, limpa com a mão esquerda as lágrimas, enquanto na outra mão coloca o resto do cigarro, entre os dedos polegar e médio, de modo a atirá-lo para longe. Levanta-se e segue o mesmo caminho de sempre.

50.000 visitas

Ontem chegámos às 50.000 visitas.
Obrigado a todos os que nos têm visitado.

50mil.jpg
Foto daqui.

Ante & Post. Rolling Lives

aao.jpg
aac.jpg

As fotos e o título são do Cochofel, as pernas não. Nada é meu. A não ser esta mesma impressão de uma rolling life. Com sorte, a massa aumenta, a velocidade reduz, mas o sentido continua ascendente. Sabem que mais, e=mc² !

Lilly Rose

Rough Road

Rough Road
Foto: Augusto Peixoto

Andrade

fevereiro 26, 2006

Crime - Castigo

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14 menores no crime

Porque o beijo é muito importante ...

beijo3.jpg
Photo © Alex Nubocov



... principalmente, quando a partir de um único beijo, nos entregamos, inteiros, a outros desejos.
Os lábios, os dentes, a lingua. Num bailado molhado, ao ritmo dos corpos.


Jaguar


Post à Bin

tuarego - Dieter Biskamp.jpg
Foto: Dieter Biskamp

... será que se perdeu nas areias das dunas, algures, num qualquer deserto?

Carnaval!?

Sexta-feira é o dia da tolerância em relação aos trabalhos de casa: estes são normalmente feitos ao fim-de-semana e sem os grandes dramas e pressas que por vezes os dias de semana impõem. Assim, à sexta-feira é também o dia de dar descanso à mochila e muitas vezes aos papéis que lá vêm dentro. Sábado de manhã trata-se do assunto: mochila do mais novo, num papel verde, anunciava um palhaço: "Informamos que no dia 28 de Fevereiro, das 14:30 às 16:00 se irá realizar um desfile de máscaras no âmbito da celebração do "Carnaval". Os alunos que o pretendam deverão vir mascarados neste período" Carnaval!? Pois é, Carnaval! Costuma ser por esta altura, sim. "É Carnaval, ninguém leva a mal", não é? Pois eu levo a mal ser lembrada de que o Carnaval existe, 3 dias antes, numa terra em que este não se assinala e em que não há onde comprar um disfarce e em que as lojas de brinquedos estão em vias de extinção!
- "Ó filho, podias ir de pirata, é simples, já tens aquele chapéu, ias com aqueles calções de ganga compridos e uma camisa, um lenço na cintura, outro na cabeça e podíamos arranjar uma pistola!"
- "OK!"

Lá fomos até ao centro comercial cá do burgo, rezando para que houvesse uma pistola, o que é sempre um tiro de sorte (aqui o melhor é mesmo não ter ideias e escolher depois de ver e não ao contrário...)
Encontrámos uma pistola. Uma pistola que dispara quando faz barulho, que vinha com um coldre e um distintivo de xerife. Naquele centro comercial, entrou um pirata e saiu um cowboy! (Jeans, camisa branca e blusão de ganga - sim, que a criança não tem um colete e dificilmente arranjaria um! - difícil vai ser encontrar um chapéu, mas não há-de ser nada!)

eu vou eu vou eu vou eu vou eu vou eu vou

fineart_14.jpgPhoto Ana Koudella

Bom Domingo - Bom Fim de Semana - de preferência prolongado... e encham o vosso Carnaval de fantasias e encantamentos
Podem escolher algo diferente dos sete anões ;)

Lilly Rose

fevereiro 25, 2006

A morena de Angola - uma missão para a aNa

aNa,
já que vais a Angola, és capaz de descobrir a morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, e verificar se é ela que mexe o chocalo ou se é o chocalho que mexe com ela?
Obrigado.

P.S. Cuidado, não comas muita muamba de galinha. Não é por causa da gripe das aves, é que aquilo engorda mesmo.

merengue.jpg
Foto daqui.

Morena de Angola
Clara Nunes e Chico Buarque

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

Será que a morena cochila escutando o cochicho do chocalho
Será que desperta gingando e já sai chocalhando pro trabalho

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que ela tá na cozinha guisando a galinha à cabidela
Será que esqueceu da galinha e ficou batucando na panela

Será que no meio da mata, na moita, a morena inda chocalha
Será que ela não fica afoita pra dançar na chama da batalha

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Passando pelo regimento ela faz requebrar a sentinela

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

Será que quando vai pra cama a morena se esquece dos chocalhos
Será que namora fazendo um bochincho com seus penduricalhos

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que ela tá caprichando no peixe que eu trouxe de Benguela
Será que tá no remelexo e abandonou meu peixe na tigela

Será que quando fica choca põe de quarentena o seu chocalho
Será que depois ela bota a canela no nicho do pirralho

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Eu acho que deixei um cacho do meu coração na Catumbela

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela

fevereiro 24, 2006

Multipla personalidade

Nunca consegui definir a minha profissão, com uma simples palavra.
Tenho formação numa área em que nunca investi, exerço um determinado cargo na empresa em que trabalho, ocupo uma posição hierárquica com nome pomposo mas, na realidade, sou empresária.
Quando me perguntam a profissão, engasgo-me sempre, sem saber o que dizer. Se o posto, se o que realmente faço, se a condição de empresária.
Por isso, quando vi, no Divas e Contrabaixos, este teste sobre vidas passadas, com base na profissão que exercemos hoje, pensei logo "Qual delas?"
Para cada uma, um resultado diferente :

In a Past Life...
You Were: A Kind Sailor.

Where You Lived: Poland.

How You Died: Consumption.
In a Past Life...
You Were: A Charming Jester.

Where You Lived: New Zealand.

How You Died: Natural causes.
In a Past Life...
You Were: A Brave Alchemist.

Where You Lived: Italy.

How You Died: The Plague.

Experimentem. Não tem interesse nenhum, mas pode ser divertido.

Tempo para nada!

Ando sem tempo quase nenhum! E uma falta de inspiração que vai sendo agravada pela leitura de...

normalizacion.jpg
Foto muito má, mas é o que se arranja: Bilhas.

No entanto, não queria deixar passar a oportunidade de dar uma dica sobre falos, cromeleques, menhires, antas, dólmens, mamoas, etc e tal. Sempre que li alguma coisa sobre estes assuntos encontrava palavras como: fertilidade, calendário, medição do tempo, rituais, desconhecido, mito, celtas, universo, arquitectura, engenharia, etc. O Megalitismo (litos=pedra e mega= super-muito-mas-mesmo-muito grande) desperta, em mim, sempre as mesma perguntas: "Que homenagem, culto, crença, etc. fazia com que dispendessem tanto tempo e esforço para erigir (a erecção é apropriadíssima aqui) estes monumentos? Qual era o complexo que fazia com que aquela rapaziada utilizasse pedras tão grandes?"

Assim sendo e porque não sou especialista como estes e estes senhores, deixo-vos com a notícia (imagem em baixo) retirada do melhor site de arqueologia do mundo segundo a UNESCO e publicada pelo Expresso a 8 de Março de 2003, exactamente sobre cultura megalítica.


Basta clicar duplamente que se faz magia e conseguem ler a notícia.

PS: Dani, ainda te vou ter que te pedir uma ajuda na tradução de coisas como "papel agarbanzado"! Sei que é um tipo de papel, mas como é que encontro este tipo de papel em português!? E que raio é uma "taquilla"? eheheeh eu sei que as encontro no dicionário, mas um gajo já havia de ter um sistema de download que permitisse integrar toda esta informação no cérebro, não era!?

ante et post #2

ante et post #2

Porque nem sempre se muda para melhor...

Andrade

Crónicas de Viagem III - É já ali

É já ali, tinha eu sete anos de idade e juro que não foi no Alentejo. Sabemos que quando perguntamos a um alentejano onde fica determinado lugar, ele invariavelmente responde que é já ali. Mas dessa vez não foi no Alentejo. Eu tinha sete anos de idade quando fui ao casamento do Vitor e da Fátima, ao Minho. O Minho é lindo quando vestido de verde e salpicado com o vermelho das cerejas maduras. Foi há tanto tempo que já nem me lembro onde era a terra da Fátima, mas seria, claro, já ali. Mas lembro-me dos caminhos desde que saímos da carreira até á aldeia e eu, com o meu passo curto e como todos os meninos dessa idade sempre a perguntar se ainda faltava muito e a Fátima, de olhar carinhoso, a responder sempre da mesma forma. É já ali. Preciso agora de falar da D. Eduarda, que era a minha professora primária. Ela tinha dito aos meus pais que não faria mal eu faltar três dias às aulas porque eu era esperto (não, não é convencido pois com cinco anos de idade já lia o jornal, e se tiver pachorra para contar e vocês para lerem, ainda escreverei uma crónica de viagem Cacilhas-Terreiro do Paço, com cinco anos de idade e o Diário de Notícias na mãos). Adiante, a D. Eduarda autorizou aqui o rapaz esperto a ir a um casamento ao Minho. Retomemos o percurso, e as minhas pernas frágeis e bamboleantes, extenuadas de cansaço atingiram finalmente aquela casinha lá no meio da aldeia. A Fátima chegava fresca que nem uma alface e tenho agora a certeza que era de facto já ali, porque quem vai casar no dia seguinte não se pode desgastar muito na véspera.

Mas este costume de retirar importância às distâncias não é um exclusivo português. Está bem que Portugal é pequeno, tudo pode ser considerado próximo, mas a América não. Quando o Mike me deu aquele papelinho, meio telegráfico, “red lights turn right through I5 – direction sacramento – exit walnut creek” eu imaginei poder ser uma informação ao bom estilo alentejano ou então aquela caminhada que fiz com a Fátima lá pela Serra do Gerês. Mas se o Mike disse que era já ali, não havia do que temer. O carro estava reservado no aeroporto, a saída foi fácil e aí estou eu a caminho de Walnut Creek. Mas o semáforo não estava vermelho. Então se red lights turn right porque raio haveria logo no momento em que eu ía a passar o estúpido do sinal estar verde e eu ter seguido em frente e não virado à direita? Lembrei-me então da D. Eduarda que se tivesse tido conhecimento do caso não iria voltar a achar que eu era assim tão esperto. Encontro-me desta forma às voltas, perdido nos arredores de Oakland, sob um lusco-fusco que me trazia à memória os filmes americanos de underground , os grafitti demolidores pintados em amplas e infindáveis filas de barracões de vidros partidos, onde eu imaginava vir a ser assaltado em cada esquina mas ao mesmo tempo muito positivo de pensamento, “calma Vitor tu vais sair daqui o mais depressa possível, se calhar ainda és esperto”. Voltei à casa partida, estive-me nas tintas para a cor dos semáforos, voltei à direita, entrei na tal ai faive, porque uolnotcrique era já ali. E sem ter a Fátima para lhe perguntar se faltava muito, ao fim de hora e meia de auto-estrada cheguei ao destino. Era já ali.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

haja enTUSiAsmo nesta sexta-feira!

Cromeleq Almendres 91.jpg
Cromeleque dos Almendres
foto: aNa

fevereiro 23, 2006

Zeca Afonso (2 de Agosto de 1929 - 23 de Fevereiro de 1987)

A Isabel, Isabel Faria para os amigos, do Troll Urbano, de vez em quando, faz destas coisas. Desafia-nos. Umas vezes com a simplicidade dos seus textos. Outras vezes com desafios directos.

Zeca Afonso. Tendo eu nascido em 1972, não consigo falar do Zeca resistente com o mesmo conhecimento de causa de quem viveu no período da ditadura. Conheci a sua música já depois do 25 de Abril de 1974. Por isso, não tendo lido os outros posts que se foram fazendo em resposta ao repto da Isabel, vou falar daquilo que conheço da beleza da sua música. Não quero com isto negar a parte revolucionária dele (seria negar o próprio Zeca Afonso), mas dar uma perspectiva pessoal em que não repita a faceta que já se terá lido noutros blogs.

Para mim, Zeca Afonso é um cantor de baladas inconfundível, dono de uma voz inconfundível, capaz de arrepiar quem o ouve. Canções como a Balada de Outono, Mar Alto, ou ainda as canções mais doces como a Canção de Embalar e o Menido d'oiro (que costumava cantar, e ainda canto por vezes, para a minha filha), são disso exemplo.

É também a voz que alimenta canções populares, como Milho Verde e Maria Faia. Nestas canções identifico o Zeca Afonso com uma ligação à tradição que já lhe é reconhecida no fado.

É ainda, aquela voz de ritmo inesperado, que canta um verso com uma alteração repentina, como nos Vampiros, quando diz "eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada" ou nas Cantigas do Maio, quando diz "minha mãe quando eu morrer, minha mãe quando eu morrer, ai chore por quem muito amargou, ai chore por quem muito amargou, para então dizer ao mundo, para então dizer ao mundo, ai Deus mo deu ai Deus mo levou, ai Deus mo deu ai Deus mo levou".

E claro, não podia deixar de ser, é também o revolucionário, o cantor da liberdade, o desiludido com o caminho que o pós-25 de Abril traçou para a liberdade. O rosto da utopia, como tão bem o definiram num livro que um dia me ofereceram e que guardo na minha estante.

zecautopia.jpg
Imagem daqui.

Eis Zeca Afonso, a triplicar.


A morte saiu à rua


Canto moço

Cantar alentejano

aviso à navegação

o ante et post vai ficar, temporariamente, sem duas colaboradoras.
para a semana vou de férias para Angola e a Karla pediu-me que a levasse escondidinha numa malita - desde que Louis Vuitton, obviamente!
eu não sou mulher de negar desejos aos amig@s!
ei-la, a malita.

LV.jpg
(remodelação da loja da Louis Vuitton em Paris, em Agosto de 2004)
foto: aNa

aNa

Descubra as 7 diferenças

Revista Amélia.jpg

Jimmy Margulies New Jersey The Record.gif


É por estas e outras que eu deixei de comprar revistas femininas! :))

Lilly Rose

Antes da Playboy e da Penthouse, as Pin-ups

vargas4.GIF Na década de 40, ilustrações de modelos, bailarinas e artistas começaram a dominar não apenas a imaginação dos homens, mas também as portas dos armários e as paredes dos quartos de milhares de admiradores dessa nova onda de "sexualidade permitida".
Foi precisamente esta, a origem do nome pin-up: o acto de pendurar as ilustrações em algum lugar.
O conceito clássico de uma pin-up é ser sexy e ao mesmo tempo inocente. Estar vestida, mas em alguma posição ou situação que revele sensualmente partes do corpo, sem querer, por acaso.

Na segunda guerra mundial, o seu sucesso era tanto que frequentemente eram pintadas nos narizes dos aviões.
A musa loura, Marylin Monroe, perdia em popularidade para a ruiva Rita Hayworth, a número dois na lista da preferência dos soldados da Segunda Guerra. Uma foto da eterna Gilda vestida com uma camisa de noite transparente, foi transformada em desenho e invadiu os acampamentos.
Nem Marilyn nem Hayworth, porém, conseguiram destronar a lendária Betty Grable, a mulher que colocou suas pernas no seguro no valor de 1 milhão de dolares. Ela foi a pin-up mais famosa da história posando em roupa interior com um sorriso convidativo, transformou-se na amante imaginária, predileta dos soldados.

kansascitykitty.jpg liberty belle.jpg
Fotos daqui

O sucesso dos cartões e calendários foi tal, que estimulou editores a lançar revistas especializadas, as chamadas girlie magazines, onde exibiam pin-ups vestidas de coristas, marinheiras, enfermeiras e outros uniformes-fetiches. Embora as mais célebres fossem as musas de papel, alguns fotógrafos dispensavam os retoques da pintura e publicavam suas pin-ups em carne e osso.

Os ilustradores
Alberto Vargas: Peruano, ficou famoso por desenhar musas como Marilyn Monroe e Ava Gardner. As suas pin-ups são conhecidas como Vargas Girls. Considerado por muitos colecionadores como o maior ilustrador de pin-ups da história, Vargas morreu em 1982, quando as musas de papel já tinham perdido o glamour.

vargas 1.jpg vargas 2.jpg


George Petty: Outro rei das pin-ups, o norte-americano George Petty começou a carreira como fotógrafo. Sua primeira pin-up, a Petty Girl, foi inspirada nas figuras da mulher e da filha do artista, e ilustrou a capa da revista Esquire em 1933. Daí para calendários e propagandas foi um pulo. Morreu em 1975.

petty1.jpg petty3.jpg petty2.jpg


Gil Elvgren: Começou a ilustrar pin-ups na década de 1930 e só parou 40 anos depois. A fama de comercial deve-se ao facto de que a maioria de seus desenhos eram criados para ilustrar campanhas publicitárias, como as propagandas da Coca-Cola. As pin-ups de Elvgren ilustravam principalmente calendários. O artista morreu em 1980.

elvgren1.JPG elvgren2.jpg elvgren3.jpg

Informação retirada daqui

Glamour II

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Foto: Louise Dahl-Wolfe

fevereiro 22, 2006

Ministério da Educa(demoli)ção

educa(demoli)cao_01.jpg

Los borrachos...

A mais fabulosa das pinturas de Velásquez. "Los Borrachos", "The feast of Bacus" para os ingleses e se quiserem (eu prefiro) Bacanal... ou a festa de Baco, foi encomendada por Felipe IV, III de Portugal (corriam os anos de 1628-1629). Nesta tela, pintada magistralmente, o artista coloca a par dos bebedolas espanhóis um Deus da mitologia Romana numa alegre festa de amigos, onde é elogiado o vinho como uma cura, se bem que momentânea, para os males da vida.

Se eu tivesse vivido na Roma Imperial seria de certeza um seguidor de Baco.

losborrachos.jpg
Foto: daqui.

EL TRIUNFO DE BACO O "LOS BORRACHOS"
DIEGO VELAZQUEZ DE SILVA (1599-1660)
Tela (165x225 cms)
Escola Espanhola. Barroco
Séc. XVII

PS: A escrever este post percebi que o Velásquez se chamava da Silva... será que o homem era português!? Teremos aqui mais uma Olivença!? Hmmmm não sei... afinal a Duquesa de Alba também tem Silva no nome, não é!?

Crónicas de Viagem II - Quantas bolas?

A diáspora portuguesa é grande, encontramo-la em todos os cantos do mundo desde que nos dedicámos a espalhar a fé e o império tendo sido reforçada pela guerra colonial e pelas miseráveis condições de sobrevivência que o Portugal da ditadura fez o favor de oferecer aos portugueses. Ainda hoje se emigra, mas principalmente se imigra, já que votados ao abandono os campos e o interior, devido a uma política desastrosa de fixação de populações e de incentivos à interiorização, as nossas gentes continuam a procurar o litoral, excepção feita a alguns senhores de dinheiro que de há uns tempinhos para cá descobriram os montes alentejanos. Voltando ao tema, é assim que a diáspora é grande e que quase tropeçamos em portugueses no mundo. Por vezes, quando por razões várias me desloco “lá fora” penso ter algum jeito para os/nos distinguir seja pelos traços seja pelos comportamentos. Obviamente nem sempre acerto e cometo gaffes quase imperdoáveis e nem sempre pautadas pela educação que o chá que tomei em criança faria crer. Lembro-me de um certo dia, numa das muitas lojas para turista, situadas no celebérrimo peer 39, da bonita cidade de S. Francisco, Califórnia, eu ter comentado com o meu amigo Sérgio de que os pinguins também gostam de souvenirs. Eis senão quando, aquela simpática freira baixinha, portuguesinha da silva, me olhou de soslaio, tentei disfarçar, mas depois cumprimentei elegantemente "ora viva, muito boas tardes, nós os portugueses encontramo-nos em todas as partes do mundo não é verdade?". Passado o incidente aviático-mosteiral ali ficamos uns cinco minutos na conversa, embora eu para o açoreano de S. Miguel seja meio duro de ouvido. Mas nem sempre é assim e, na verdade, até tenho algum feeling para reconhecer os portugueses sem os ouvir falar, claro, estando sempre preparado, para no caso de me enganar, assobiar inocente para o ar o Abril em Portugal, assim como quem não quer a coisa. Estávamos, eu com a minha mulher e um casal nosso amigo, a passear pelos lagos de Zurique, numa temperada e apetecível tarde de primavera, já com aquela vontade de comer um geladinho quando o Zé Manel “que não, que eu estava era a querer que ele desse barraca” e eu a insistir que ele chegasse à garota do balcão da gelataria e que pedisse um gelado de morango, assim mesmo, em português, porque embora estivéssemos ainda a uns vinte ou trinta metros de distância, com uma carinha daquelas só poderia ser uma conterrânea cá das berças. “E se ela não for portuguesa vou ficar encavacado", "não, Zé Manel, falar a nossa língua não encavaca ninguém", argumentava eu patrioticamente e, I'm sorry toda a gente entende. Pois então um sorry remediaria as coisas e straubér a gente também sabe dizer. Até deu para fazer uma aposta, se a menina não fosse portuguesa eu pagaria os gelados caso contrário a aposta seria minha e eu pouparia uns quantos francos daqueles que valiam mais de cem paus cada. Então lá fomos e o Zé Manel meio envergonhado pede, "quero um gelado por favor". "Quantas bolas?", acto contínuo, pergunta a menina ao balcão e escusado será dizer que comi o meu gelado à borla não sem o meu amigo se interrogar se eu já a conheceria antes. Este foi apenas um dos episódios do género que aqui vos trago e não termino sem antes vos dizer que a menina era uma beirã que ía fazer a saison à Suiça. Hoje mesmo as estatísticas nos dizem que o desemprego real é de onze por cento e cada vez mais vai ser uma brincadeira de crianças descobrir um português a trabalhar no estrangeiro.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

Barbie Mil Broches

Acredite quem quiser...

Andrade

Olha o peixe fresco!

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Foto: Noite

Lá que é fresco, ninguém tem dúvidas... por vezes or órgãos ainda mexem!

fevereiro 21, 2006

Crónicas de viagem I - As focas

O mar estava calmo e uma ligeira névoa cobria o horizonte. À parte o zumbido que se ouvia das turbinas, capaz de abafar alguma voz a pouco mais de dez metros de distância, passe a ironia da afirmação, quase se poderia dizer que o silêncio era ensurdecedor. Aquele poderia ter sido um dia igual a todos os outros desde que o chefe Palhinhas me ofereceu o terceiro quarto. Mas não foi. O terceiro quarto, além de me obrigar a deitar quase às cinco da manhã, obrigava-me a almoçar às onze, ainda meio estremunhado que só o banho, antes da primeira refeição, se esforçava para me abrir os olhos. Daí o silêncio. Entre o meio-dia e as quatro da tarde, tirando os artífices escondidos na sua oficina da casa da máquina e alguns marinheiros que arranjavam sempre qualquer coisa para fazer, mesmo que essa coisa fosse nada, a trabalhar, mesmo, só os do terceiro quarto. O meu amigo Félix era o terceiro oficial de serviço. Ar bonacheirão, gordo, aliás “anafado” como ele gostava de dizer, era uma pessoa bem disposta, tanto quanto a bordo pode ser bem disposto um recém-casado, com um filhote que ainda mal conhecia e que navegava seis meses consecutivos. Era meu amigo mas não se privava de pregar as suas partidas. As que são habituais nestas andanças eram conhecidas por banhadas, e vai não vai, esta alminha via-se encharcada dos pés à cabeça, tal alma molhada, por balde ou latão. Os baptismos eram coisas que não se deixavam passar em claro, eram praxe. Ele há praxes e praxes. Se comparadas com as que se fazem aos caloiros, hoje, nas universidades portuguesas, aquelas eram brincadeiras de criança. Sou visceralmente contra praxes mas dou-me conta que daquelas ainda sinto alguma saudade. E eu teria de ser baptizado, seria a primeira vez que navegaria no Mediterrâneo e o Estreito aproximava-se a 12 nós. Lá ía o “Neiva” um navio de grande porte e grande resistência, este “Neiva” que nem um incêndio de grandes proporções dois anos antes em Antuérpia, o conseguiu mandar para a sucata. O governo da época sim, mandou-o para a sucata, o tal que a contas ou a desculpas com crises económicas, resolveu começar a destruir toda a nossa frota marítima mercante. E dou comigo a pensar que um dia Gama foi à Índia de barco e Cabral, que não era ainda Cabral, mas sim Gouveia como rezam as crónicas do tempo, alcançou terras de Vera. Lá ía o “Neiva” cruzando o estreito e o Félix a perguntar-me se eu não tinha visto as focas. Quais focas, qual carapuça, era mas era de outro banho que eu estava à espera, e o bendito baptismo preparado (que eu pelo sim pelo não, nem pensei em voz alta não fosse o diabo tecê-las e, se não fosse isso, estaria a dar-lhes os argumentos), lá fui eu, pé ante pé, pois gostar desta praxe não significava expor-me de peito aberto. E fui sorrateiramente pelos sítios por onde não ía habitualmente, cheguei ao convés por baixo de um varandim que dava para bombordo de onde se vislumbrava já a costa do sul de Espanha algures a caminho de Algeciras e do britânico piñon e, de focas nem sombras, nem tão pouco de banhada. Vai daí, quando o Félix me perguntou se eu tinha visto as focas e me olhou com um ar de quem estava admirado mas não o dando a entender (talvez a mim que, nessa altura ainda não tinha tido nenhum daqueles cursos de análise transaccional que nos fazem desconfiar do próprio pai, adiante que a psicologia não é para aqui chamada), e eu lhe disse que não tinha ido espreitar, “vai lá, se não, deixas passar uma oportunidade única para contares aos teus netos” e eu fui! Desta vez por caminhos mais habituais e eureka! a estibordo lá andavam, aliás nadavam, as tão célebres focas do mediterrâneo, essas coisas lindas que nos circos passam o tempo a cheirar uma bola no focinho e a comer sardinha. E o balde! O inevitável balde estava escondido no varandim à espera da contemplação e nesta fiquei quase cinco minutos, antes e depois do banho, que o navio já se afastava e era necessário beber cada momento e o perfume do mar, com ou sem focas, se bebe. Só o que se não bebe é a água do óbvio banho.

O PreDatado, in Cronicas de Viagem, todos os direitos reservados.

humm... não sei, não!

Moretto
Alcides, Luisão, Anderson e Léo
Beto, Petit e Manuel Fernandes
Robert, Nuno Gomes e Simão

com esta ala direita... rezem para que a ala esquerda do adversário seja calma!

mas isto são só desabafos... na verdade, eu não percebo nada de futebol!!

(parecia sacanice, mas não era... esqueci-me de assinar!)

aNa

os nossos momentos

a nossa vida é cheia de momentos.
momentos de agir, momentos de retrair, momentos de esperar, momentos de reflectir, momentos de festejar, momentos de chorar, etc, etc, etc.
quanto maior for a assertividade com que eles acontecem, maior é a probabilidade de lidarmos bem com eles e retirarmos os respectivos frutos.

ontem, ao ver um jogo de futebol, reparei numa jogadora que conheço há anos. foi uma belíssima jogadora, internacional, até. ontem, arrastava-se no meio campo, quase não conseguindo mexer os joelhos massacrados por operações e recuperações que correram menos bem, e disfarçando mal o excesso de peso que entretanto adquiriu. meteu-me dó - o que me deixou incomodada.

e fiquei a pensar: qual terá sido o momento que ela ignorou?


aNa

Diabos Vermelhos vs Red Devils

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Foto daqui.

Logo à noite vão andar vários diabos à solta... que ganhem os primeiros.

P.S. Os Red Devils costumam ser os do Manchester United, mas esses revelaram-se uns anjinhos...

Glamour

Glamour 4 Rita Hayworth.jpg
Rita Hayworth

Foto daqui

fevereiro 20, 2006

Amanha vai ser.

Entao...

Cheio o depósito de gasolina. lembra-te: em Portugal "sin plomo" é "sem chumbo". Pronta a mapa. Dinheiro na carteira. Presente para o meu amigo Miguel, "espero que le guste la película que le traigo". Levo a camisola e o cachecol. 5 horas no carro. Deixo o carro pelo Colombo, almoço lá o pelo camainho?

E as 19,45, lá vou estar: pela primeira vez na minha vida, no estádio da Luz. É a rara história dum benfiquista espanhol.

Bendita locura.

Tentação versus Fidelidade

Perguntava-me a Lilly neste post se eu achava que a figura que se encontra na entrada do Capítulo novo do Convento de Jesus de Aveiro seria uma representação do Diabo disfarçado de cordeiro ou o cão do Senhor que defendia as monjas do Mal e da tentação.

Olha Lilly... lamento desapontar-te... (e a mim também) mas a teoria da tentação parece-me ter muito poucas bases de sustentação. Não que não pudesse existir uma figura que lembrasse as piedosas monjas de clausura que o diabo (e as tentações) estivessem mesmo ali, ao virar da porta, mas as razões que sustentam a teoria de se tratar de uma representação de um cão são quase inegáveis. Senão vejamos.

"Domini canis" é a designação em latim para "Cão do Senhor", símbolo da Ordem dos Pregadores (OP) da qual S. Domingos foi o criador e que é conhecida como Ordem Dominicana. Ora se não bastasse apenas o Cão ser um dos principais símbolos desta ordem, nomeadamente por se tratar de um animal fiél e devoto ao seu dono, a sua inclusão na porta de entrada para a Sala do Capítulo de um convento dominicano parece relembrar aos seus membros a devoção que lhes é pedida na principal divisão do edifício conventual, logo a seguir à Igreja. Nesta sala tomavam-se todas as decisões da vida da comunidade. Aqui eram "julgadas" virtudes e castigados os pecados das religiosas. Nesta sala acolhiam-se as noviças, resolviam-se assuntos não clericais, geriam-se os negócios do Convento e suas propriedades... era um sítio onde o pecado estaria mais perto, porque se tratavam de assuntos mundanos e o cão na porta deveria lembrar-lhes (a cada uma das devotas monjas) que a sua devoção devia ser a Deus e à Ordem.

Ou será que seria mesmo um diabo... a indicar que a partir dali se podia gerar o Mal e o pecado!? Pecado e Virtude... Bem e Mal... as velhas dicotomias... O que vocês escolhiam!? O Diabo disfarçado de Cordeito... ou o "Domini Canis".

PS: Aqui fica uma ajuda para os indecisos...;)

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Foto: Daqui

Posts and sex

During the last more than two years I've been blogosphering, I've seen several kind of bloggers, and I realized that many comparisons could be made between posts and sex. See a few examples bellow.

Making posts is like making a child
A blogger that thinks like this is always thinking a post as a procriation process. It's worth doing the post if they are sure that it will be sucessful. It's possible that some tries will not succeed. But when the post becomes perfect they will be happy and they won't have to try again during the next nine months.

Making posts is like having an orgasm
This kind of blogger makes a post without thinking if the result will be good or not, they just want to have pleasure doing it. And after a short amount of time, they may start a new one.

Making posts is like trying Kama Sutra
This blogger makes each post a new adventure trying to make them in several formats, with several spices, always different.

Making posts is like being part of a gangbang
This blogger likes to be surrounded by other bloggers, making posts in answer to other posts. They change their preferences frequentely and are always ready for more.

Making posts is like a quick one
One can define this kind of blogger in a single sentence: I'm going to make a post, didn't it become nice?

Making posts is like (h)o(u)ral sex
Each hour comes a new post.

Making posts is like an(u)al sex
Each year comes a new post.

After this brief explanation, I must ask you:

WHAT KIND OF BLOGGER ARE YOU?

Os posts e o sexo

Nos dois anos e picos que levo blogosferando, tenho-me deparado com vários tipos de bloggers. E apercebi-me que havia várias associações que se podiam fazer entre os posts e o sexo. Aqui vão alguns exemplos.

Fazer um post é como fazer um filho
Um blogger que pensa assim, está sempre a pensar num post como um processo de procriação. Assim, só valerá a pena fazer o post se tiver a certeza que ele terá sucesso. Não quer dizer que não tente algumas vezes, sem êxito. Mas quando o post sai perfeito, fica contente e já não precisa de voltar a tentar durante nove meses.

Fazer um post é como ter um orgasmo
Este blogger é daqueles que faz um post, não lhe interessa se o resultado foi ou não bom, interessa-lhe apenas que tenha tido prazer a fazê-lo. E é capaz de, após um breve período de descanso, começar um novo.

Fazer um post é como experimentar o Kama Sutra
Este blogger faz de cada post uma nova aventura, tenta fazer posts de várias formas, com vários condimentos, sempre diferente.

Fazer um post é como participar num bacanal
Este blogger gosta de estar no meio de outros bloggers, fazer posts em resposta a outros posts, muda constantemente de preferências, e está sempre pronto para mais.

Fazer um post é como uma rapidinha
Esta tipo de blogger pode resumir-se numa frase: vou fazer um post, não ficou lindo?

Fazer um post é como praticar sexo (h)oral
De hora a hora, sai um post.

Fazer um post é como praticar sexo an(u)al
De ano a ano, sai um post.

Depois desta breve explicação, é pertinente perguntar:

E TU, QUE TIPO DE BLOGGER ÉS?

making of

Spencer Tunick Montreal3 Museu de Arte Contemporanea.jpg

Spencer Tunick tornou-se famoso por fotografar multidões despidas. Esteve em Santa Maria da Feira em 2003 e muitos portugueses aceitaram posar para ele. Eu sempre me diverti a imaginar o making of dessas grandes produções. Estão a ver aquela bicicleta no meio dos corpos nus? Fiquem com uma pequena ideia do que pode ter acontecido - vendo este filme.

Lilly Rose

Goooooood Morning, Blogosfera

Goooooood Morning, Blogosfera
Foto:Erik Reis

Andrade

fevereiro 19, 2006

A mudança

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Lá vem pássaro!!!

Centenas de nadadores em pânico foram evacuados sábado de uma piscina coberta de Wan Chai, em Hong Kong, quando um pássaro voou para dentro de água, noticia hoje o diário de Hong Kong, South China Morning Post. A piscina esteve encerrada por duas horas, para limpeza intensiva, e o pássaro foi entregue, vivo, às autoridades, para ser sujeito a análises do vírus H5N1, da gripe das aves.
O incidente é indicador do nível de receio da população sobre a gripe das aves, numa cidade de cerca de 6,9 milhões de habitantes.

A histeria não terá aparentemente razão de ser, mas recordo que Hong Kong tem sido altamente fustigada por fenómenos como a H5N1 e a SARS, nestes últimos anos. Em 1997 morreram 6 pessoas com a gripe das aves (naqueles que foram os primeiros casos conhecidos de infecção em humanos) e em 2003 padeceram cerca de 300 pessoas com a pneumonia atípica. Só neste ano contam-se já uma série de casos confirmados pelas autoridades da presença do virus em aves detectadas mortas na cidade.
Todo o cuidado é pouco. As regras são rígidas, a vigilância é apertada, o medo é grande. Neste momento em Hong Kong, é pedida aos criadores de pombos uma licença de 10000 Hong Kong dólares (cerca de 1000 euros) para que possam manter os seus bichos, não sem a exigência de determinadas condições.
Nós por cá, continuamos com saldo zero no que toca a estes assuntos. Talvez por isso as nossas galinhas continuem expostas nos mercados...
E que A-Ma nos proteja!

Notícia de última hora

Ante et Post.png

O ANTE & POST COMPROU A YAHOO!

(agradecemos os serviços de consultoria e design)

Lilly Rose

fantástico-burlesco

Continuando a série iniciada no passado Domingo, como posicionam estas imagens no eixo imaginário fantástico-burlesco?___sabendo que não existem respostas certas ou erradas___ apenas, certamente, respostas diferentes___para percebermos a relatividade dos valores.

Lilly Rose


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Andy Warhol


Theo Jennissen - homens no barco.jpg
Theo Jennissen

fevereiro 18, 2006

Avançados do Benfica

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Foto daqui.

Jogos Olímpicos de Inverno

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Para Don Bilhas, uma preciosidade e um mistério

Este animal, junto à ombreira da sala do capítulo novo (claustro do Museu de Aveiro), está a cair. O que simboliza? As interpretações dividem-se. Será o diabo disfarçado de cordeiro, para tentar as freiras, ou o cão do Senhor para as defender do mal ?

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Foto: Lilly Rose

E Bilhas, obrigada pela tua explicação.

fevereiro 17, 2006

Ainda o tribunal

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Foto daqui

Parecia um conto fantástico.
Os funcionários do tribunal, oficiais de justiça, como lhes chamam, passeiam-se com uma capa preta, simples e desalinhada, a fazer lembrar o Harry Potter.
Por esta ordem de ideias e subindo a na hierarquia, os advogados, com as suas togas mais rodadas, com machos e folhos, bem que podiam encarnar os professores da escola de magia.
Sendo assim, e com algum receio meu, deverei dizer que o Juiz não é mais que o maléfico Lord Valdemort?
Nem sei bem do que estou a falar. Nunca li um único livro da série, nem vi os filmes.
As capas as togas e todo aquele aparato, sem pompa nenhuma, pareceram-me desnecessários. Servem para quê?
Curiosa, ainda espreitei para dentro da sala de audiencias ... o juiz não usava aquela peruca branca, que nos habituamos a ver nos filme ingleses.
Fiquei mais descansada, ou teria muita dificuldade em conter o riso, da próxima vez que lá fosse.

"Mata-frades" e já agora mata-curiosidades também.

Ora vamos lá a ver se eu consigo responder à altura das interpelações (desta e desta) da Lilly.

Em 1834, como penso ser do conhecimento geral, foi publicada uma lei pela qual se declaravam extintos «todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares», sendo os seus bens secularizados e incorporados na Fazenda Nacional. Esta lei extinguiu todas as ordens religiosas existentes à altura no país, sendo que nos casos de Conventos de Clausura Femininos (penso eu que a excepção foi apenas para estes) a extinção apenas aconteceu após a morte da última freira. Esta lei foi criada pelo governo de Joaquim António de Aguiar (este senhor dá nome a uma das ruas que começam ou acabam na Rotunda do Marquês. Os lisboetas conhecem bem... digo eu!) e pelo seu carácter anti-eclesiástico valeu a este governante a alcunha de "Mata-frades".

Devem vocês estar a perguntar... "Será que o Bilhas anda a snifar gás das novas Pluma!?" ou "A concorrência e o stress andam a pôr o Bilhas doido!". Mas que raio tem a ver O "Mata-frades" com os dois elementos de arquitectura que estão no Museu de Aveiro e que a Lilly postou ontem como curiosidades! Tudo! Como se lia ontem neste post, há acontecimentos e pessoas do passado que interferem ainda hoje com a nossa vida e a nossa vivência. E nem precisam de ser nossos antepassados (se bem que nestes a interferência é, por assim dizer, mais directa).

A extinção das Ordens Religiosas foi o ponto de partida para uma história de diferentes utilizações que o edifício do extinto convento de Jesus de Aveiro teve desde então. Foi colégio, se bem me recordo abrigou repartições públicas, enfim, um rol enorme de diferentes utilizações, até que, há quase um século (1911), foi lá instalado o Museu Regional de Aveiro. Sendo um museu com carácter regional recebeu todo o tipo de objectos e património provenientes de outros conventos extintos, igrejas de Aveiro e região limítrofe e de outras instituições que por este ou aquele motivo entregaram o seu património à guarda do Museu. Hoje em dia é um dos museus portugueses com maior e melhor colecção de arte sacra e conseguiu manter a parte do edifício relacionada com a vivência conventual (pelo menos a mais importante) quase intacta. Ainda hoje se podem visitar a fabulosa Igreja barroca, o côro alto e o côro baixo, onde podemos ver, respectivamente, a tal "chinoiserie" e o túmulo de St.ª Joana Princesa (filha de D. Afonso V que passou grande parte da sua vida neste convento e lá viria a morrer), e, por fim o claustro do convento, onde se pode ainda, com bastante facilidade, vivenciar algumas das rotinas das monjas de clausura. Esta filha do D. Afonso V é de extrema importância para esta história, mas isso passará para outro post. Vamos agora às curiosidades... afinal é o que nos traz aqui, não é!?

Ora pois bem... segundo os mais reputados especialistas de História de Arte da praça aquelas duas peças são, provavelmente, bicas (ou bocas) de fonte, ou ainda, bicas de pias de Sacristia (não confundir com as baptismais). No Museu de Aveiro as duas peças estão, pelo que me foi dado a saber, classificadas como gárgulas, mas certamente não será esta a sua classificação definitiva, dado que a estrutura de uma gárgula (elemento arquitectónico de escoamento de água) é tecnicamente diferente da que apresentam estas duas.

Em todo caso Lilly é com todo gosto que te informo que as duas peças já não se encontram no Claustro do Museu. Encontram-se agora em reserva. Poderão obter mais informação sobre elas inquirindo o museu sobre as peças com os números de inventário 332/B e 338/B.

Espero ter conseguido ser também um pouco mata-curiosidades!

PS: Nunca teria conseguido responder a esta pergunta sem a prestimosa ajuda de um amigo de longa data que trabalha no Museu que, embora esteja a viver um momento extremamente difícil na vida pessoal, é sempre um excelente conselheiro nestes assuntos e tem para comigo uma atenção que dificilmente poderei retribuir. Um grande, muito grande, abraço de amizade para ti Zé. Força!

Três .2

Três apresentadores de televisão por quem o público ainda suspira:

  • Eládio Clímaco
  • Amiga Olga
  • Carlos Ribeiro

    Andrade

  • Coincidências, acasos, sorte e rais parta a tanta filosofia

    Ontem de manhã estava a pensar no meu amigo Jorge. Há mais de dez anos que não o vejo, pensei. Da parte da tarde fui ao Fórum de Almada e com quem foi que dei de caras? Com o Jorge. Lembrei-me de um episódio que me ocorreu há uns largos anos. Não via uma amiga minha, chamemos-lhe Ana, desde 1973, ano em que acabamos o Liceu. Estaríamos no final dos anos 80, quando no autocarro me sentei ao lado da Ana. Olhamos um para o outro com ar de “eu conheço-te”. Nem eu nem ela tivemos a ousadia de dirigir palavra um ao outro. A meio do percurso “a Ana” saiu e eu senti-me baralhado. Seria a Ana? E ela terá pensado: seria o gajo? À noite adormeci com a dúvida ainda a assolar-me a mente. No outro dia de manhã, fui com a Ana no metro. A verdadeira Ana, não a Ana do dia anterior. Outro rosto, o reconhecimento imediato, aquele abraço de dois amigos que não viam há mais de 15 anos. Coincidência ou acaso? Há pessoas que explicam este tipo de acontecimentos, tratando-os como coincidências explicadas por teorias estranhas, quiçá paranormais. Quantas vezes terei, ao longo desses 10/15 anos, pensado nesses meus amigos sem nunca os ter efectivamente encontrado, a não ser nas alturas que relatei? Na verdade só relevamos aquilo que nos parece diferente e estranho. Como por exemplo, quando se entra numa fila para as portagens e só as do lado é que avançam, ou quando temos uma reunião às 9h00 da manhã e nesse dia há um acidente na ponte e o trânsito fica entupido por mais de duas horas. E porque é que bato sempre com o joelho ferido nas ombreiras das portas? Na minha opinião é só por acaso pois não vejo nada de transcendente nestes eventos. Em verdade não acredito que todos os outros 3852 automóveis que ficaram empancados no mesmo acidente de trânsito fossem de pessoas que iam ter uma reunião às nove. E se por acaso no exemplo anterior, troco de fila, é exactamente a minha que fica parada. Pode ser que um dia destes tenha mais sorte e escolha a fila certa da portagem (ou uma SCUT). E porque nenhum fenómeno para algo ou trans-qualquer coisa me faz acertar no Euromilhões sem jogar, mesmo tendo passado toda a noite a sonhar com ele, o melhor mesmo é deixar-me de conversa e ir já registar o meu boletim. Ah, e se eu ficar excêntrico…

    O PreDatado

    finalmente é sexta!

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    berbere em Mahatma - Tunísia
    foto: aNa

    fevereiro 16, 2006

    A verdadeira razão dos buracos na estrada

    Desde pequeno que aprendi que Portugal é um país de buracos nas estradas. Bastava passar a raia, e víamos uma realidade diferente. Das duas umas, ou os carros espanhóis eram menos pesados, ou alguma razão estranha fazia com que os buracos aparecessem do lado de cá e não em Espanha.
    Com o tempo as coisas foram melhorando, embora o critério não seja uniforme. As auto-estradas vão chegando, embora com atraso, a quase todos os cantos do país. Mas ainda há locais onde continuam os buracos. O que me leva a concluir que ainda existe essa estranha razão para a permanência de buracos colocados em lugares estratégicos, como a estrada por onde tenho de passar para chegar a minha casa.
    Pronto, lá está ele a aproveitar o tempo de antena do blog para atacar o Presidente da Câmara (de Matosinhos, diga-se) ou o Presidente da Junta (de São Mamede de Infesta). Não, nada disso. São razões poéticas que me movem.
    Durante muito tempo, na minha vinda para casa, protestava com os buracos que nunca mais se tapavam. Ainda por cima, tinham andado em obras, tinham colocado um piso novinho em folha, mas logo a 50 metros, deixaram alguns buracos à vista.
    E eu continuava cismado, por que razão não tapam aqueles buracos. Bem, é certo que eu já sei onde eles estão e costumo desviar-me, a menos que venha a ouvir música do José Cid no carro. Até que vi, por duas vezes nesta semana, a última das quais hoje, a verdadeira razão.
    Em ambos os casos, conduzia eu o meu automóvel, sem ouvir música do José Cid, e deparei com uma coisa espectacular. Um dos buracos, por força da chuva, tinha ficado uma espécie de pequeno charco. E nesse buraco, em ambos os dias, um pássaro (não posso precisar se era o mesmo) tomava banho. Assustou-se com a minha chegada, ambas as vezes. Senti-me culpado.
    A verdade é que finalmente descobri que tinha sido egoísta. Se eu até já sei onde estão os buracos e me desvio a tempo, por que motivo deveria desejar que os tapassem, destruíndo assim uma banheira para pássaros, tão necessitados de preservar a sua higiéne como nós.
    Faço assim o meu mea culpa, e agradeço aos responsáveis pela manutenção dos buracos, todo o cuidado que têm tido na preservação deste habitat natural. Acima de tudo, sinto-me bem por viver num país tão avançado a nível ecológico como o nosso.

    ADENDA

    O nosso Jorge é um poeta,
    De popular poesia, eis um naco,
    Num versejar meio pateta.

    Mas não me tapem o buraco.

    Desculpas-te com os passarinhos
    Que é um argumento fraco
    Para salvar Matosinhos.

    Mas não me tapem o buraco.

    Distrai-te do Cid, a cantada
    E o teu carro vira caco
    E matas a passarada.

    Mas não me tapem o buraco.

    Eu só para os castigar
    Metia os gajos num saco
    E atirava-os ao mar.

    (Ou tapava-lhes o buraco)

    Desculpa-me este versejo
    Pois a culpa foi de Baco
    E do vinho do Alentejo.

    Mas não me vão ao buraco.

    (poema do Pré, transportado dos comentários para o post)

    o direito, ou o dever, de ser feliz?

    agora que a tentativa de casamento das outras raparigas já não é notícia, apetece-me pegar no assunto para o desmontar um pouco.
    naturalmente, gostaria que houvesse a possibilidade de, à luz da lei, a minha união com a Maria fosse reconhecida. porque uma série de pressupostos, que os casais heterossexuais tão bem conhecem e não abdicam, apesar de uma série de bocas que ouvi, nos permitiriam ter uma maior segurança na vida em comum. e porque, na verdade, não vejo qual a confusão que possa causar, duas pessoas do mesmo sexo legalizarem a sua união. será que quem se diz contra, sente que isso pode ter um efeito dissuasor?
    tenho para mim, que sou aberta a quase tudo o que faça as pessoa felizes, que me deveria ser reconhecido esse direito. e nenhum discurso me conseguirá demover, porque esse direito não põe em causa os direitos de terceiros.
    e pronto, falei de direitos. que eu, como cidadã contribuinte, acho que mereço.
    mas, apesar deles (os direitos), ou melhor, da sua ausência, nada me desobriga ao dever de ser feliz. ou de, pelo menos, procurar ser.
    é porque uma coisa não é impeditiva da outra. e se quem não reconhece que tenho esses direitos, acha que pelo facto de não os ter, sou menos feliz, desengane-se!
    sou muito feliz, sim!!! e digo-o à boca cheia! sou feliz com a mulher que escolhi, apesar dessas coisas todas!
    porque a felicidade vem de dentro. vem da nossa capacidade de nos conhecermos, nos aceitarmos, e, principalmente, de só valorizarmos o que é importante e essencial para a nossa felicidade. é verdade, gostava de legalmente ter as coisas todas direitinhas, mas sabem que mais? não posso? não posso. e estou-me bem marimbando para toda a gente que pense o contrário. ah, pois! no que toca à minha felicidade pessoal, tudo o que sejam argumentos contra, meus queridos, vai directamente para a caixa do spam! está formatado assim. sou muito básica nessas coisas. da minha vida e do meu dever de ser feliz, só eu sei!!
    e, já agora, talvez, se toda a gente se preocupasse com o seu dever de ser feliz, houvesse um pouco mais de espaço para o direito dos outros.

    aNa

    curiosidade II

    E ainda esta, Bilhas...

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    Foto: Lilly Rose

    curiosidade

    Bilhas, explicas-me que significado pode ter este "fragmento" encontrado no chão do claustro do actual Museu de Aveiro?

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    Foto: Lilly Rose

    10:00 H

    juiz.jpg

    Neste preciso momento, se as coisas não se atrasarem (a justiça em Portugal nunca se atrasa, verdade?), estarei numa sala do tribunal, pela primeira vez na minha vida.
    Não me vou sentar no banco dos réus ... mas confesso que estou intimidada.

    fevereiro 15, 2006

    the plot

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    Pelos caminhos de Portugal

    Ora cá está mais uma edição do famigerado concurso... Já sabem todos que o prémio é uma viagem de ida e volta à Foz, não sabem!? Pois então... se quiserem juntar-se a mim, ao Jorge e à Sofia (os dois vencedores de edições passadas) numa tarde solarenga na Foz, basta que digam onde é.

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    Foto: Bilhas.

    Caros amigos e amigas,

    Já foi encontrado mais um vencedor do "Pelos Caminhos de Portugal". Ele é o Sr. Jorge Morais do Ante-et-post (isto dos prémios saírem à casa... temos de pensar na coisa). A ele o júri do concurso endereça os mais cordiais cumprimentos e felicitações. É já a segunda vez que o Sr. Jorge Morais ganha este importante galardão (a gerência da casa ainda te proíbe de participar, Jorge) o que atesta o conhecimento que tem do País e dos seus mais belos e escondidos cantos.

    Assim sendo, caro Jorge, é só marcar uma data em que possas e tungas... lá vamos nós para a Foz! (rima e é verdade!)

    Uma questão de sorte

    Vou voltar ao tema da minha presença no ante-et-post. Estive a reflectir porque é que aqui estou e acabei por concluir que isso só se deve a um mero acaso. Vejamos, eu tenho pai e mãe – graças a Deus ainda vivos – mas tive quatro avós e oito bisavós. Tive também 16 trisavós, 32 tetravôs e por aí a fora. É claro que estes meus antepassados já foram há muito, muito tempo. Mas também cada um dos meus tetravôs teve dois pais, 8 avós, 16 bisavós e 32 tetravôs. E isso foi, ainda, há muito mais tempo. Mesmo tendo em conta que a esperança de vida e, por consequência, segundo Sócrates, não o filósofo mas este a quem nos cabe aturar agora, se reformassem antes dos 65 e por isso tivessem mais uns diazitos de vida para gozar a pensão, os meus mais antigos antepassados em linha directa têm hoje muitos e muitos séculos de terra, cinza e pó. Não preciso nem de ir mais longe, à origem dos seres vivos neste planeta, nem ao Verbo que era o início. Dados os conhecimentos que temos da História da Humanidade há uma grande probabilidade de alguns deles, dos meus antepassados, terem sido estrangeiros. Se reduzirmos um pouco o espaço temporal e pensarmos apenas da Idade Média para cá e mesmo restringindo a minha história antepassada apenas ao espaço europeu, tendo em conta o número de pestes, epidemias, guerras e até guerras civis, que houve por esse continente fora (não esqueçam de que considerei a possibilidade de poder ter ainda uma gota de sangue de outra civilização qualquer), onde provavelmente “eu” poderei até ter andado a combater “comigo” próprio, a verdade é que escapei a todos esses desígnios da Humanidade. Bastaria que um deles, que nem precisaria ser dos mais antigos (todos vós, com certeza, ouvisteis falar na pneumónica que nos atingiu no início do século 20), ter atacado um desses meus ante-avós ou que, ainda mais recentemente, o meu avô paterno, em vez de ter sido feito prisioneiro dos alemães tivesse tombado nas trincheiras de La Lys para que fosse completamente impossível eu hoje estar aqui a escrever um texto destes. Portanto se não é por acaso que aqui estou é por sorte. E se ela continuar assim, um dia destes anunciar-vos-ei qual foi a minha cautela premiada.

    O PreDatado

    ante et post #1

    ante et post #1

    Andrade

    Altar

    230_3035.JPG
    Foto: Noite

    fevereiro 14, 2006

    Eréctil - Valentim - H5N1

    valentim_01.jpg

    Eu, o Valentim e o ante-et-post

    Eu sei que hoje vocês andaram aqui todos a brincar aos namorados e eu sem tempo para vos dar bola. Eu sou assim, sou do contra, quando os outros brincam eu fico no meu cantinho a espiá-los. Gosto de vos ver felizes. E digam-me cá que ninguém nos ouve, deram muitas beijocas, deram? Ofereceram e receberam muitas flores? Vão jantar fora com os vossos barra vossas namorados barra namoradas? Pois eu, meus queridos e minhas queridas, ainda só dei dois beijinhos hoje. Um à saída “bom trabalho” e outro à chegada “correu bem o dia?”. Mas também não vos digo o que vai ser daqui prá frente. Fiquem a fazer postes, fiquem, que eu vou pró choco. Ah valente(im)!

    O PreDatado

    São Valentim - Postais pirosos IV

    SV - Rainbow - Haleh Bryan.jpg
    Foto:Haleh Bryan

    hoje visto assim.

    camisola vermelha

    Três .1 ou Postais pirosos III

    SV - Amor e musica - Lee S.jpg
    Foto: Lee S.

    Três temas musicais para um dia dos namorados realmente romântico:

  • Estupidamente apaixonado, Toy
  • Passear contigo, Broa de Mel
  • Sinto Amor no ar, Clemente

    Andrade e Karla

  • Gostava de te dizer o quanto te amo,
    mas não tenho palavras,
    não tenho forma de o dizer com palavras,
    não tenho palavras para dizer de que forma
    esse amor ainda vive no meu coração.
    Posso dizer-te que me sinto menor na tua ausência,
    que me sinto perdido,
    que me sinto só,
    sem rumo.
    Posso dizer-te que a tua presença me engrandece,
    me faz sorrir,
    me faz viver,
    me faz feliz.
    A tua ausência entristece a noite,
    arrefece os dias,
    potencia a melancolia,
    desfaz-me em pedaços.
    A tua presença aclara o dia,
    aquece a noite,
    afasta os maus pensamentos,
    reconstrói-me por dentro.
    Muitas vezes me perguntaste
    se ainda te amava
    e eu pensei:
    será possível deixar de amar uma pessoa?
    Não, é impossível,
    a pessoa que amámos,
    amamo-la sempre.
    Podemos já não amar a pessoa em que ela se transformou,
    mas aquela que conhecemos,
    por quem nos apaixonámos,
    nunca se deixa de amar.
    Podemos já não ser a mesma pessoa que amou o outro,
    mas a pessoa que se apaixonou,
    que viveu aqueles momentos especiais,
    ainda amará essa pessoa.
    Já não sou, é certo, a mesma pessoa.
    Mas a pessoa em que me tornei
    evoluiu de mãos dadas com esse amor,
    viu-o crescer enquanto mudava,
    viu-o tomar formas diferentes,
    sabores diferentes,
    cores diferentes.
    Nem sempre terei arranjado a melhor forma de o exprimir,
    não terei usado as palavras certas no momento certo,
    ter-te-ei magoado vezes sem conta,
    mergulhado o teu coração na incerteza,
    na dúvida,
    na descrença,
    mas as palavras que a minha boca não dizia
    o coração sentia
    e batia
    por ti,
    por nós,
    por este nosso amor eterno.
    E por isso eu sei
    que amar-te-ei até morrer,
    aconteça o que acontecer,
    minha razão de ser.

    Dia de S. Valentim

    valentim.jpg
    Foto daqui.

    Ups! Enganei-me...

    a setinha do Cupido

    lembrei-me agora, ao ver o postal que a Karla colocou.
    aqueles amores retorcidos, que a princípio até parecem resultar, mas que rapidamente se transformam em discussões, cobranças, desconfianças, ressabiamentos, manipulações (um sem fim de coisas que estaria até à manhã a enumerá-las e depois acabava o dia de são valentim, logo perdia-se a pertinência do post), esses amores...

    ... será que se transformam nisso tudo, porque a setinha do Cupido estava envenenada?


    aNa

    São Valentim - Postais pirosos II

    SV - Cupido - Haleh Bryan.jpg
    Foto: Haleh Bryan

    L'amour dure trois ans

    Já não posso com lojas cheias de corações vermelhinhos nas montras! Já não posso com declarações de amor a cheirar a alfazema! Sou alérgica a alfazema, mesmo se é virtual! Irra!
    Ainda por cima, acho sinceramente que o Fréderic Beigbeder tem alguma-muita razão. Ele escreveu um livro com este mesmo título. É assim: "O amor dura três anos".

    MTG0061.jpg
    Photo © Miguel Telles da Gama

    O amor é um combate perdido à partida.
    No início tudo é belo, mesmo vocês. Vocês nem querem acreditar que estão assim tão apaixonados. Cada dia traz o seu pequeno carregamento de milagres. (...) A felicidade existe e é simples: é um rosto. O universo sorri. Durante um ano a vida não é mais que uma sucessão de manhãs ensoleiradas, mesmo à tarde quando neva. Escreveis livros sobre tudo isto. Casais, o mais rapidamente possível - porquê reflectir quando somos felizes? Pensar deixa-nos triste; é a vida que deve vencer.

    No segundo ano as coisas começam a mudar. Passais a ser mais ternos. Sentis orgulho da cumplicidade que existe na vossa relação. Compreendeis a vossa mulher por meias palavras; que alegria ser só um. (...) Fazeis amor cada vez menos e acreditais que não é grave. Estais persuadidos de que em cada dia que passa o vosso amor é cada vez mais sólido, quando na verdade o fim do mundo está para breve. Defendeis o casamento junto dos vossos amigos celibatários, que de resto já nem vos reconhecem. Mas vós mesmos, estais seguros de que ainda vos reconheceis (...)?

    No terceiro ano, já não deixais de olhar para as miúdas frescas que iluminam a rua. Já não falais com a vossa mulher. Passais horas no restaurante com ela a ouvir o que dizem os vizinhos da mesa ao lado. Saís para programas fora de casa com mais frequência: o que vos dá uma desculpa para não foder. Rapidamente chega o momento em que já não suportais mais a vossa mulher, até porque estais apaixonados por outra. Há um único aspecto sobre o qual não se enganaram: efectivamente, é a vida que tem a última palavra. No terceiro ano há uma boa e uma má notícia. A boa notícia: farta, a vossa mulher deixa-vos. A má notícia: começais um novo livro.
    (pp 15-16)

    Beigbeder, Frédéric
    L'amour dure trois ans
    Gallimard, 1997

    (tradução livre feita por mim)(coitados!)

    Então, é assim ou não?
    Nota1: é claro que às vezes um ano tem mais do que 365 dias.
    Nota2: é claro que às vezes um ano tem menos do que 365 dias.
    Nota3: desejo-vos longos primeiros anos e curtíssimos terceiros anos.
    Nota4: se estiverem no primeiro ano, eu compreendo que não queiram ler o livro.


    Lilly Rose

    e para quando um dia dos "ex"?

    Amor é um fogo que arde sem se ver,
    é ferida que dói, e não se sente;
    é um contentamento descontente,
    é dor que desatina sem doer.

    É um não querer mais que bem querer;
    é um andar solitário entre a gente;
    é nunca contentar-se de contente;
    é um cuidar que ganha em se perder.

    É querer estar preso por vontade;
    é servir a quem vence, o vencedor;
    é ter com quem nos mata, lealdade.

    Mas como causar pode seu favor
    nos corações humanos amizade,
    se tão contrário a si é o mesmo Amor?

    Luis de Camões


    hoje, especialmente, dedicado às ex-namoradas e ex-namorados.
    com os quais é sempre tão difícil de retornar ao caminho da Amizade.
    (nem percam tempo a pensar no que é que isto tem a ver - hoje estou agreste, logo incompreeensível)

    aNa

    São Valentim - Prevenindo ...

    SV-Amor tóxico - Lee S.jpg
    Foto: Lee S.

    São Valentim - Postais pirosos I

    s. valentim - Louis P.jpg
    Foto: Louis P.

    Um beijo

    Uma das mais fabulosas imagens de namorados... dedicada à minha Namorada! :) Beijo lindona!

    Robert_Doisneau_Le_Baiser_de_lHotel_de_Ville_Kiss_at_the_Hotel_de__25_313.jpg
    Foto: Robert Doisneau. Retirada daqui. "Le Baiser de l'Hotel de Ville".

    O peso do Amor...

    O peso do Amor

    Andrade

    Amor é...

    amore2.jpg
    Kim Casali

    fevereiro 13, 2006

    eu, ante et post. E tu?

    eu, ante et post. E tu?

    Welcome, bienvenidos, willkommen, bienvenue, benvenuti... e por fim bem-vindos

    A esta que é a vossa casa... entrem e sintam-se à vontade... não se assustem com a calorosa recepção, mas este tipo é muito ligado às tradições ancestrais de boas vindas lá da terra!

    welcome.jpg
    Foto: Daqui.

    Uma calorosa cerimónia de boas vindas do povo Maori na Nova Zelândia que eu gostaria de alargar a todos os(as) novos(as) ante-et-postadores(as)!

    Post ilegal

    Post ilegal

    Andrade

    feminino-masculino

    jan_bengtsson_23.jpg
    Photo © Jan Bengtsson


    Não é por estarmos aqui em minoria (olá Karla, olá aNa!), é por sermos muitas e muitos.
    Acontece que me falaram de uma tertúlia que deverá ser realizada no dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, no bar do Teatro da minha aldeia. Os organizadores pensaram que seria oportuno levar a discussão um tema ou problema que tivesse a ver com a mulher, é claro, mas, e é essa a questão, não sabiam (ainda) que raio de tema específico abordar. Fiquei a pensar no assunto.
    No Portugal de hoje, que matérias são exclusivamente ou fortemente associadas a mulheres?


    Lilly Rose

    Ready? Set. Go!

    Ready? Set. Go!
    Foto: Luís Vieira

    Andrade

    fevereiro 12, 2006

    Extremista católico

    padre_01.jpg

    "Temos de compreender a ignorância dos outros..." diz o dito cujo

    TelePost

    madison1.jpg
    Foto daqui

    A história de amor, por excelência.

    « Só tenho uma coisa a dizer, apenas uma; nunca voltarei a dizê-la a ninguém e peço-te que te lembres dela: num universo de ambiguidades, este tipo de certezas só existe uma vez, e nunca mais, não importam quantas vidas se vivam.»
    Excerto do romance de Robert James Waller, que deu origem ao filme.

    Hoje, 22:15h na RTP 1.

    Desapparição de hum marido

    "Mrs. Laura Hunt, de Braadalbani, no Estado de Nova Yorck, notifica ao público, por meio deste periódico - "Amsterdam intelligencer" que seu marido Josias Hunt abandonou a casa e leito conjugal, e partiu para paízes que ella ignora - a interessada prohibe a todas as donzelas, solteiras de maior idade, e viuvas de qualquer classe e condição, que se liguem com elle por contracto matrimonial ou de outro modo, debaixo das penas impostas pela lei, e supplica encarecidamente aos editores de papéis públicos que insirão nelles esta notícia para conhecimento de seus leitores."

    O Macaista Imparcial, Janeiro de 1838

    ---
    Perante o apelo aflito desta senhora, os editores do Macaísta Imparcial viram-se na obrigação de publicar o anúncio, não sem porém manifestarem publicamente o seu desejo de que a moda não pegasse. E não pegou, felizmente...

    (in A Publicidade em Macau (1822-1965), Luís Cunha)

    doce-amargo

    Mais um fim de semana cheio de leituras. Notícias e mais notícias, o mundo ferve. E depois esta impressão de que a verdade se esconde. ou não existe. e se existir, não é singular. porque todos os valores e conceitos são abstracções com múltiplos significados. não podemos vendê-los ao quilo nem fechá-los num cofre. Mas cada um de nós possui uma chave. e é nela que pegamos ao abrir as páginas do mundo.

    A proposta que vos faço é que posicionem as imagens seguintes face a estes "eixos" imaginários: sagrado-profano, interior-exterior, pequeno-grande, urbano-rural. (a série continua)
    Dificilmente as nossas posições vão coincidir. Eu acho que é por isso que o mundo é tão interessante. mas essa diferença tem gerado amargura e violência.


    que seja doce-doce este Domingo,

    Lilly Rose

    sagrado-profano

    Dickson Junior.jpg
    Photo © Dickson Jr


    interior-exterior

    Teoriadocaos2-Cochofel.jpg
    Photo © Cochofel

    pequeno-grande

    m72xc.jpg
    Photo © Ron Mueck

    rural-urbano

    FW911.jpg
    Photo © Andy Warhol

    fevereiro 11, 2006

    Límites do Ante et Post

    m45.jpg

    Misty Morning, Albert Bridge

    Foto e música dedicada a todos os ante-et-postadores, em especial aos recém-chegados

    albertbridge.jpg

    I dreamt we were standing
    By the banks of the Thames
    Where the cold grey waters ripple
    In the misty morning light
    Held a match to your cigarette
    Watched the smoke curl in the mist
    Your eyes, blue as the ocean between us
    Smiling at me

    I awoke so cold and lonely
    In a faraway place
    The sun fell cold upon my face
    The cracks in the ceiling spelt hell
    Turned to the wall
    Pulled the sheets around my head
    Tried to sleep, and dream my way
    Back to you again

    Count the days
    Slowly passing by
    Step on a plane
    And fly away
    I’ll see you then
    As the dawnbirds sing
    On a cold and misty morning
    By the Albert Bridge

    fevereiro 10, 2006

    Lilly Rose... Oui, c'est moi

    Sokolsky 0137shrimpdavinchi.jpg
    Photo Sokolsky


    1. Ontem vi um documentário sobre a utilização da realidade virtual em terapias comportamentais e cognitivas. Indivíduos com fobias ou outras perturbações psicológicas eram colocados virtualmente em situações geradoras de pânico ou de descontrole comportamental e, nesses ambientes "seguros", aprendiam a controlar ansiedades e instintos. A introdução desta tecnologia no campo da psicologia aconteceu quando os cientistas compreenderam que o universo virtual pode suscitar as mesmas emoções que a realidade nos seres humanos. E nem sempre é necessário que o virtual seja muito realista.

    2. O meu nome é Lilly Rose e sou um avatar. Isso quer dizer que não existo mas, porque tenho um blog há algum tempo, garanto-vos que tenho alguma "existência" e que com esse pouco já fiz alguns amigos reais.

    3. O meu criador também é blogger e no seu blog ele assume a sua identidade. Talvez por isso, sentiu necessidade de inventar alguém completamente diferente, que pudesse ser mais... autêntico. Às vezes, é claro, sou uma mera projecção, um delírio seu. Nas discussões que temos, e temos muitas, há um princípio que seguimos: nunca pôr em causa a estima que sentimos um pelo outro. Para mim, em particular, esse acordo é vantajoso. Mas, tal como todos vós, vivo com a lâmina da guilhotina sobre a cabeça. É por isso que tento divertir-me o mais possível enquanto ando por aqui.

    4. Participar num blog com outras pessoas e avatares é uma experiência nova e (influência do meu criador) devo agradecer a oportunidade que me dão. Se já me conhecem, sabem que gosto de escrever antes de me deitar. Aqui no Ante (eu nasci mesmo para "antes de", vamos ver o que dou a posteriori) estou a pensar mandar mais aquele tipo de bitaites inconsistentes, típicos de quem tem de viver a vidinha tal como ela é.

    5. No documentário que vi ontem, os pacientes utilizavam uma escala de 1 a 10 para descrever o seu grau de aproximação à realidade dentro do virtual. De tempos a tempos, façam de meus pacientes e digam-me se estou mais para o 1 ou mais para o 10, ok?

    Lilly Rose

    ... Oui, c'est moi :))

    a minha primeira vez

    nem todas foram emocionantes - as minhas primeiras vezes.
    a primeira vez que fui para a escola, em Portugal, não foi.
    a primeira vez que convivi com o inverno, pior ainda!
    a primeira vez que joguei numa equipa federada de futebol - foi excelente!
    a primeira vez que vi a Maria (porra que a gaja é chata, no primeiro post e logo a falar da querida!) foi única!
    outras primeiras vezes há, que nem sequer me lembro...

    esta é a primeira vez que aqui escrevo, e mais, que escrevo num blogue colectivo. é emocionante, confesso.
    por isso mesmo: por ser uma coisa que não é só minha, que me obriga a ajustamentos e, last but not least, pela aceitação por pessoas tão diferentes de mim. olha! agora lembrei-me daquela coisa da discriminação e tal... mas isso fica para outro dia.

    como vou estar em equipa, talvez fique bem referir algumas das minhas características. gosto de jogar atrás da linha da bola, nas alas. só ataco em situações muito seguras, mas quando ataco é veneno, mesmo! sou boa a fazer a compensação.

    por fim, quero agradecer aos meus pais que, apesar de me terem tornado uma inapta, me fizeram bonita, aos meus queridos patrões o acesso à internet e aos meus futuros colegas de equipa pela gentileza do convite.
    estamos juntos!

    aNa

    Porque o sabor é muito importante...

    4f4jif4j.jpg
    Photo © Alberto Monteiro



    ...principalmente quando saboreado no meio das coxas, sim é desse sumo delicioso que falo, desse que verte vagarosamente pelos lábios, esse que se espalha pela cara num momento de absoluto prazer onde os lábios encaixam nos lábios como se fossem um. Esse que a lingua saboreia esse que nos faz delirar.

    Bom fim de semana para vocês também :)

    Jaguar


    New Kid On The Blog

    Pode parecer um início de mau gosto, mas o título desta entrada não tem relação absolutamente nenhuma com a célebre e, felizmente, já terminada boy's band. Trata-se, como uma leitura mais atenta do referido título esclarece, da chegada de mais um ante postador a este ilustre blog. Tudo partiu de um convite da restante equipa - espero que não se importem com este precoce abuso de confiança - e que, desde logo, tive dificuldade em não aceitar. Ainda me tentei fazer de ser pensante e racional e dedici colocar-me a mim mesmo umas quantas questões, para depois não poder censurar a minha habitual tendência para tomar decisões impetuosas. Fiz ainda questão de colocar algumas dúvidas ao Jorge e ao Bin, mas eles próprios podem confirmar que não foram mais de 352. Tudo isto, vãs tentativas de adiar o improrrogável: estava na cara, como dizem os nossos amigos do outro lado do Atlântico, que eu queria fazer parte do ante et post.
    Chegados a este ponto, e como acho que é de bom tom iniciar sempre com uma apresentação, vou tentar resumir os traços gerais deste que agora aqui se junta.
    Estreante na blogosfera Vamos esquecer este início, uma vez que não convém estrear-me com qualquer tipo de aldrabice. Para ser verdadeiro, já ando nesta esfera dos blogs há algum tempo e até continuo a manter um outro blog. No entanto, é minha intenção separar ao máximo as águas, motivo que me leva a aqui usar um heterónimo. Além disso, com um heterónimo sempre posso iludir o meu ego e fazê-lo crer que estou ao nível de um Fernando Pessoa. Esquecido este deslize, passaria então à auto-caracterização: sou um rapaz pacato, divertido e com interesses que vão desde a música, à fotografia, passando pelo desporto, pela internet, como é óbvio...
    Assim de repente, não vejo que mais possa acrescentar a este meu retrato e sinto-me aproximar vertiginosamente do final do meu primeiro de muitos posts, como espero.
    Uma vez que o meu objectivo primeiro é não desiludir ninguém, apelo desde já a que não coloquem a fasquia muito alta, porque deste novo ante postador não é de esperar muito mais que banalidades!

    Um muito obrigado pelo convite e, já agora as boas-vindas aos outros recém-contratados bloggers!!
    Aos leitores, paciência: lá terão que me aturar!

    Andrade

    Vim ver a pintura nova da casa

    Finalmente (já não era sem tempo, estais todos vós amigas leitoras e amigos leitores a pensar), o PreDatado foi convidado a colaborar num blog colectivo. Isso é uma grande responsabilidade para ti, sei eu que vós, amigas leitoras e amigos leitores, estais já a balbuciar. Agora pigarreei antes de vos responder - pois é - já fiquei com a voz embargada pela emoção. E se é, uma vez que quem me convidou é gente séria, gente de bom gosto, há até cartunistas e gajos do estrangeiro e gajas com jeito para a poesia, e gajos e gajas que postam lindas fotos e eu aqui sem saber o que é que hei-de escrever neste primeiro post. E que tal se eu começasse por me apresentar? (neste momento estendo a mão, dou umas fortes bacalhauzadas à rapaziada do blog e, obviamente, a raparigada aproximou-se para levar duas beijocas, duas, porque eu ainda sou um bocadinho possidónio). Muito prazer, o meu nome é Alves Fernandes mas entre os amigos da blogosfera sou conhecido pelo Pré. Vi duas delas encostarem-se a um cantinho a cochichar e um tipo lá ao fundo a fazer-me sinais. Quer dizer, mal cheguei e me acabei de apresentar e já me estão a cortar na casaca. Apaguei o cigarro pois pensei que fosse por estar a encher a casa de fumo, mas o tipo lá ao fundo acho que é o cartunista continua a fazer-me sinais. Não estou nada a par dos costumes cá da casa mas aparentemente pode-se fumar. Até que me apercebi que estava com a braguilha desabotoada. Começaste mal, Pré. E de repente, coloquei os ouvidos em alerta e consegui escutar o sussurro das duas miúdas lá do canto. “Ele veio com a braguilha aberta, mas não deu para ver se ele tem tomates para isto”.

    O PreDatado (ao vosso dispôr)

    Una palabra entonces, una sonrisa bastan III.

    cel7-88-16.jpg
    Photo © Jean-Sébastien Monzani


    "Cumpleaños de amor

    ¿Cómo seré yo
    cuando no sea yo?
    Cuando el tiempo
    haya modificado mi estructura,
    y mi cuerpo sea otro,
    otra mi sangre,
    otros mis ojos y otros mis cabellos.
    Pensaré en ti, tal vez.
    Seguramente,
    mis sucesivos cuerpos
    -prolongándome, vivo, hacia la muerte-
    se pasarán de mano en mano,
    de corazón a corazón,
    de carne a carne,
    el elemento misterioso
    que determina mi tristeza
    cuando te vas,
    que me impulsa a buscarte ciegamente,
    que me lleva a tu lado
    sin remedio:
    lo que la gente llama amor, en suma.
    Y los ojos
    -qué importa que no sean estos ojos-
    te seguirán a donde vayas, fieles."


    Angel González


    Donimo

    Música © Cocteau Twins



    fevereiro 09, 2006

    Foi você que pediu um Porto Ferreira?

    Ora bem,

    os meus colegas de blog estão a jantar, a ler um livro, a tirar fotos, a escolher brinquedos no Toys r us, a escrever bilhetinhos de amor, a tratar dos filhotes, a ver a Bela Adormecida, a bulir no mestrado e ainda outros a ouvir música...e eu fiquei de serviço :)

    Queria dizer-vos que nos próximos dias vão ocorrer algumas mudanças aqui no Ante et Post, nomeadamente a entrada de novos Ante Postadores. Eles vão-se apresentando aos poucos :)

    Desde já lhes dou, em nome do Ante et Post, as boas vindas a esta casa acolhedora, com gente bem disposta, alegre e divertida :)

    Queria também informar os nossos Blogo-espectadores, que o novo visual do Ante et Post segue dentro...ora bem, umas horas :)

    A vossa opinião é bem vinda, claro.

    Em nome do Presidente do Conselho de Administração (brincadeirinha!) envio Beijos e Abraços a Todos :)

    Bin


    Excentricidades

    Fui desafiada para responder a uma daquela correntes que crescem pela blogosfera e, como o nome indica, amarram uns blogs aos outros, normalmente com assuntos sem importância nenhuma. Nesta corrente sinto-me, mesmo, o elo mais fraco.

    O Pré quer saber, 5 hábitos excêntricos que eu possa ter e a Isabel, 5 manias.
    Vamos assumir que certas manias nossas, são puras excentricidades e faço disto um dois em um, que é muito mais fácil.

    Julgava que excêntrico, era aquele que ganhava no Euromilhões
    Depois percebi que ninguém ganha o Euromilhões, então excêntrico, é aquele que gasta nas apostas do Euromilhões.

    Sendo que não jogo, nem ganho no Euromilhões, nunca poderei ir fazer o Dakar numa limusina conduzida pelo Sousa.
    O mais provável, é também nunca vir a ter “tempo” para fazer uma volta ao mundo de helicóptero.
    Será que alguma vez, conseguirei autorização do Ministro da Defesa para uma missão num dos novos submarinos da Armada Portuguesa?
    Resta-me a esperança de encontrar um Professor Pardal que invente uma máquina do tempo que me faça visitar épocas passadas e um capacete capaz de transformar sonhos em realidade.

    Excêntrico? Excêntrico é …

    New York 2005 218.jpg
    Foto: Karla

    Liberdade vs medo-de-dizer-alguma-coisa-que-os-chateie

    Acompanho com tristeza os últimos desenvolvimentos da crise dos Cartoons (ainda ninguém na nossa imprensa, sempre isenta e afamada pelo cumprimento da liberdade de expressão, se lembrou de lhe chamar Cartoongate) e estou preocupado com as reacções a ocidente. Ninguém parece perceber o que se passa. Parecemos sentir todos (salvo seja) uma culpa, pelos males que os países ocidentais causam ao mundo árabe, que nos impede de discernir a razão neste assunto.

    E a razão onde está!? A razão está na Liberdade (escrevo a palavra com letra maiúscula, porque a considero essencial e de extrema importância) conquistada em anos e anos de lutas contra a Igreja, contra regimes opressores, contra todas as situações que nos impediam, no passado, de poder dizer o que quer que fosse, sem sentirmos medo. E agora? Agora sentimos que devemos pedir desculpa por um jornal dinamarquês ter publicado uns cartoons que caricaturavam o profeta Maomé! Então e não nos sentimos assim quando vemos os Monthy Piton a caricaturizar Jesus? E se caricaturizarmos o Papa!? Temos que pedir desculpa por escrito e em papel de 25 linhas azul ao Vaticano!? Teriamos o senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros a intervir numa situação destas!? Tenho de sentir receio de escrever que não me sinto o pior dos humanos, nem sequer o pior dos cristãos, por ver caricaturada uma Fé qualquer, mesmo que seja a minha? Não! Arrisco-me mesmo a dizer nunca.

    Bem sei que a minha (nossa) Liberdade acaba, no exacto ponto onde começa a do meu próximo, mas em nenhum ponto nesta polémica a Liberdade que o jornal dinamarquês usou, impediu algum direito ou Liberdade que o povo Islâmico possa ter. Poderiam criticar, ou mesmo, processar o Jornal. Isso sim seria uma atitude inteligente, mas nunca queimar, agredir ou atacar as embaixadas e representações dos países envolvidos.

    Afirma o Pacheco Pereira no Público de hoje que estamos em guerra. Estaremos!? Teremos mesmo que continuar a lutar pela Liberdade? Ou já a podemos dar como garantida?

    Pinturas ou Macromedia?

    ante.jpg

    Andamos em pinturas :)

    Como quem diz a criar uma nova CSS.

    Por isso não admirem se de repente algo mudar por aqui :)

    Bin

    fevereiro 08, 2006

    Cartoonism vs Extremism

    cartoon_war_02.jpg

    Enjoy It II?

    O Novo Ante et Post
    Enjoy it!

    Enjoy It!

    O Novo Ante et Post
    Enjoy it!

    Ditirambo

    xmaya.jpg
    Foto: X. Maya

    É o amor que me inspira
    Amo a vida, esta bela prostitua.
    Esta mulher tão pura e dissoluta
    No mesmo instante,
    Que não dá tréguas a nenhum amante.

    Amo-a, e canto esse gosto renovado
    De uma grande paixão sobressaltada.
    De um leito de soluços e suspiros
    Misturados,
    Ergo a voz e celebro
    Os sublimados deuses
    Que, divinos, me deram
    O bem humano que nunca tiveram.

    Miguel Torga

    O calor quando nasce é para todos!

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    Foto: Noite

    fevereiro 07, 2006

    África

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    Foto de Colecção Particular
    Quénia - Setembro de 2004


    "ÁFRICA"

    É neste silêncio neste assalto do vento a
    navegar a floresta neste sol neste amor
    neste vegetal cobrir-me de verde e ser
    catana cerce a executar o ânimo
    afagar as mulheres no regresso da lavra
    fazer das mãos a festa sonora do sexo
    na cultivação do milho

    É neste grito rente ao corpo frágil das
    folhas que mais em ti me venço e
    moro nas grandes batalhas da vida
    no extenso vale das nossas angústias
    no duelo cíclico das nossas intenções


    DAVID MESTRE(1972)


    Terra Africa

    Música © Bruno Moury/Christophe Mad'dene



    Quero pedir desculpa...

    ...mas hoje não sai uma única palavra que se aproveite.
    Aguardam-se melhores dias.

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    Foto:Roman Kasperski

    fevereiro 06, 2006

    Pelos caminhos de Portugal

    Mais uma edição do "Pelos caminhos de Portugal"! Se bem se lembram o prémio é uma ida e volta à Foz do Douro. Aqui fica mais um desafio... sabem onde é?

    Aqueduto.jpg
    Foto: Bilhas.

    PS: Para que não se diga que a malta não ajuda, gostaria de informar que esta foto foi tirada numa cidade a sul do... Porto. Ehehehehehe Mai nada e boa semana!

    Delírio

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    Foto: Piotr Kowalik

    Delírio

    Nua, mas para o amor não cabe o pejo
    Na minha, a sua boca eu comprimia.
    E, em frêmitos carnais, ela dizia:
    – Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

    Na inconsciência bruta do meu desejo
    Fremente, a minha boca obedecia,
    E os seus seios, tão rígidos mordia,
    Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

    Em suspiros de gozos infinitos
    Disse-me ela, ainda quase em grito:
    – Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

    No seu ventre pousei a minha boca,
    – Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
    Moralistas, perdoai! Obedeci....

    Olavo Bilac
    (Rio de Janeiro RJ, 1865-1918) começou os cursos de Medicina, no Rio, e Direito, em São Paulo, mas não chegou a concluir nenhuma das faculdades. Em 1884 seu soneto Nero foi publicado na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro. Em 1887 iniciou carreira de jornalista literário e, em 1888, teve publicado seu primeiro livro, Poesias. Nos anos seguintes, publicaria crônicas, conferências literárias, discursos, livros infantis e didáticos, entre outros. Republicano e nacionalista, escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Em 1907, foi o primeiro a ser eleito “príncipe dos poetas brasileiros”, pela revista Fon-Fon. De 1915 a 1917, fez campanha cívica nacional pelo serviço militar obrigatório e pela instrução primária. Destaca-se em sua obra poética o livro póstumo Tarde (1919). Parte das crônicas que escreveu em mais de 20 anos de jornalismo está reunida em livros, entre os quais Vossa Insolência (1996). Bilac, autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos. No entanto, para o crítico João Adolfo Hansen, "o mestre do passado, do livro de poesia escrito longe do estéril turbilhão da rua, não será o mesmo mestre do presente, do jornal, a cronicar assuntos cotidianos do Rio, prontinho para intervenções de Agache e a erradicação da plebe rude, expulsa do centro para os morros".

    tirado daqui:
    http://www.astormentas.com/din/biografia.asp?autor=Olavo+Bilac
    Obrigada Pré

    Enfrentar a semana com garra...

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    Foto: Klug Offerman

    fevereiro 05, 2006

    Ante et Post IV

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    Origens

    Castelo Leiria.jpg
    Foto daqui

    Adoro a minha cidade natal, com o seu castelo altaneiro e o seu estádio colorido.

    Live Aid Concert 1985

    liveaid.jpg
    Photo © David Bowie


    Heroes

    Na sequência do Post anterior surge este, tudo isto a propósito de músicas que já nem me lembrava que tinha :)

    Deixo-vos aqui um versão gravada ao vivo no Wembley Stadium no dia 13 de Julho de 1985, durante o gigantesco Live Aid.

    Afinal não sou só eu o utópico que acredito num Mundo Melhor :)
    O Bob Geldof e todas as pessoas envolvidas neste mega evento também, neste e noutros do género como o Live 8.

    Resta-me fazer das palavras do David Bowie as minhas e dedicar esta música to "all our children, and the children of the world."


    Abraços

    Bin




    Heroes

    Música © David Bowie



    The Man Who Sold The World

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    Photo © David Bowie


    The Man Who Sold The World

    Andava eu a organizar um bocado a música que tenho e a que vai chegando...e dou de caras com esta pérola do David Bowie, fiquei contente claro :)
    Mais contente fiquei quando vi que tinha uma versão acústica ao vivo gravada na BBC :)

    Como gosto das duas versões decidi dar-vos esta pequena prenda:)
    Mas, acho que vos dar outra daqui a pouco :)

    Recordo que esta música foi tocada mais tarde pelos Nirvana, também em versão acústica :)

    Abraços,

    Bin




    The Man Who Sold The World - Live Acoustic on BBC

    Música © David Bowie



    The Man Who Sold The World

    Música © David Bowie



    Previsões para o Ano Lunar do Cão

    Quando se inicia um ano lunar surgem naturalmente as previsões sobre a sorte de cada um dos signos, para o ano que se inicia. Para as previsões do ano, é importante ter em conta a compatibilidade entre os elementos do próprio ano e os de cada signo. Esta tradição é muito utilizada tanto pela medicina chinesa, como pelo livro I Ching (célebre livro de adivinhação) e também pela geomância chinesa (Feng Shui).

    A tradição chinesa considera que há vários factores que determinam o que de facto se vem a verificar nas pessoas, sendo o seu horóscopo apenas um dos factores influentes, entre outros. Estas previsões são gerais; há que ter em conta que as particularidades e actuações de cada um poderão vir a alterar as preposições do horóscopo para melhor ou pior. Por isso mesmo, leiam com atenção o vosso horóscopo mas não se deixem ficar por ele: façam vocês mesmos por ter um excelente ano!

    Cabra
    (2003 1991 1979 1967 1955 1943 1931 1919 1907 1895)
    A Cabra gosta de coisas finas e extravagantes. Socialmente, não é um ano para isso. No meio de muitas festas, reuniões barulhentas e eventos cheios de gente, tudo será “comum”, sem excessos ou loucuras, e a Cabra vai sentir-se deslocada. Mas esse desconforto social será compensado nos negócios, área na qual a Cabra terá uma boa safra de oportunidades e sucessos.

    Dragão
    (2000 1988 1976 1964 1952 1940 1928 1916 1904 1892)
    Este será um óptimo ano para o Dragão, desde que ninguém lhe peça para fazer nada. No ano passado, o conselho ao Dragão foi ficar parado fingindo que sabia o que estava a fazer (embora, de fato, não estivesse a fazer nada). O Dragão é um signo de aparências por excelência. É tão magnífico que não precisa fazer muito para ter sucesso. No caso do Ano do Cão, o Dragão terá que contar com a influência de um animal que não o compreende bem e ainda por cima se irrita com seu exibicionismo. Por isso, o Dragão deve tentar chamar menos a atenção para si e tentar ser discreto.

    Galo
    (2005 1993 1981 1969 1957 1945 1933 1921 1909 1897)
    Para o Galo, será uma ano complicado. A pobre ave vai estar às voltas com problemas emocionais e financeiros, tudo resultado de suas acções em 2005. O Galo não gosta de confusão e adora mandar. O caos e o barulho deste ano vão incomodá-lo e quase enlouquecê-lo. Também será muito solicitado (como todos os signos), mas a diferença é que o Galo cumpre o que promete. Se ele diz que estará presente, pode contar-se que estará. Assim, vai correr de um lado para outro tentando prestar atenção a todos – e todos vão pedir – e vai acabar estafado e sem energia para fazer outras coisas.

    Macaco
    (2004 1992 1980 1968 1956 1944 1932 1920 1908 1896)
    Se o Macaco, com a sua esperteza e jogo de cintura, não tiver um bom ano financeiro, todos os outros signos podem perder as esperanças e juntar latas de sardinha para sobreviver a uma crise mundial. O Macaco vai ter sucesso, não só nos negócios, mas também no amor. Para ele, será um bom ano, pois o regente é um grande amigo. O Macaco estará à vontade neste ano, o que acarretará brincadeiras de gosto duvidoso em festas e reuniões sociais.

    Porco
    (2007 1995 1983 1971 1959 1947 1935 1923 1911 1899)
    O porco terá um bom ano financeiro, embora meio setressante, mas a área sentimental vai depender da paciência com o clima ansioso que se instalará. Os amigos do Porco estarão felizes na sua companhia. Felizes até demais. O Porco gosta de gente, mas nem tanto. A sua natureza prática fá-lo dividir os amigos por actividades e isso vai deixar muita gente aborrecida este ano. O Porco não tem intenção de excluir ninguém. Apenas acredita que sabe o que é melhor para os outros. O conselho deste ano é não excluir. A energia do ano vai colocar as pessoas certas no lugar certo e todos vão divertir-se sem culpa.

    Rato
    (2008 1996 1984 1972 1960 1948 1936 1924 1912 1900)
    O Rato passou 2005 inteiro a tentar juntar algum dinheiro. Provavelmente vai fazer o mesmo em 2006! O Ano do Cão será um bom ano para todos, mas alguns signos precisam de se adaptar a algumas coisinhas antes de meterem a cabeça aos planos! O Rato, por exemplo, tem por hábito dar um jeitinho em tudo. No ano do Cão, essa esperteza do Rato vai ganhar também o entusiasmo que às vezes lhe falta. É que o Rato adora dinheiro, mas não gosta tanto assim de trabalhar. Como vai haver muita festa e muitos encontros entre amigos este ano, o Rato vai sentir uma energia enorme para trabalhar.

    Cavalo
    (2002 1990 1978 1966 1954 1942 1930 1918 1906 1894)
    Bom ano para o Cavalo, especialmente o que trabalhou e investiu bem em 2005. O Ano do Cão não será um ano para começos e sim para continuidade. É hora de gozar os frutos do seu trabalho! Nos negócios, o Cavalo atrairá a simpatia de todos pelo seu modo falante. Será o mais simpático do escritório e todos vão querer fazer parte da sua equipa. Para tirar o melhor proveito deste ano, o Cavalo deve estar atento às suas deficiências. Não tem grande manancial de ideias, nem é alguém que resolve problemas. Portanto fique longe dessas duas tarefas, por mais que seja contra sua a natureza dizer “eu não sei”.

    Cão
    (2006 1994 1982 1970 1958 1946 1934 1922 1910 1898)
    Um ano afectuoso e cheio de amor e amizade para o Cão. Será convidado para festas, reuniões, viagens! Todos vão querer compartilhar de seu humor e estar na sua presença. Infelizmente, o Cão ficará tão feliz com isso que não dará muita atenção aos negócios, que poderão não ser tão promissores quanto poderiam. Em família e entre amigos, será um ano maravilhoso para o Cão. Correrá e brincará como se não houvesse nenhum tipo de problema no mundo. O melhor é que a sua vontade de ser amado será o que todos procuram neste ano e o Cão não se vai sentir carente. Será a grande estrela das festas, aquele que todos esperam ver chegar e lamentam quando se vai. É o ano do Cão brilhar em sociedade, pois estará patente o seu coração enorme e sua alma nobre.

    Búfalo
    (2009 1997 1985 1973 1961 1949 1937 1925 1913 1901)
    O Búfalo vai demorar a animar-se com o ano novo, pois será atingido pelo movimento e correria típicos do Cão. Para a sua natureza calma, o ano será realmente agitado demais. O importante é não se entregar aos queixumes do “antigamente é que era bom” e encarar as coisas boas que este ano lhe traz! No trabalho, a falta de criatividade do Búfalo vai atrapalhá-lo um pouco, mas sua eficiência vai compensar isso. A persistência no trabalho é admirável, mas poderá deixá-lo doente (e não é força de expressão) se alguém não o arrastar para um descanso.

    Serpente
    (2001 1989 1977 1965 1953 1941 1929 1917 1905 1893)
    Um óptimo ano para a Serpente nos negócios, mas, no amor, alguns tropeços. A Serpente tem um temperamento frio e distante e, para um ano tão afectuoso como o Ano do Cão, vai deixar a desejar em todos os relacionamentos. Só será bem vista no trabalho porque será uma boa solucionadora de problemas e, num mundo Cão, onde todos estarão mais preocupados em agradar aos outros, a presença de alguém com uma certa frieza pode vir a ser bastante útil. Em família, a Serpente estará meio setressada. Não é para menos. Habituada à privacidade e tranquilidade, terá que se adaptar ao barulho de crianças e coisas fora do lugar que acompanharão os lares durante o Ano do Cão.

    Coelho
    (1999 1987 1975 1963 1951 1939 1927 1915 1903 1891)
    Este ano bem que poderia ser melhor para o Coelho, mas já que não é, é melhor conformar-se. O problema é que o Coelho é independente demais para um ano em que serão muitas as exigências. No trabalho, o Coelho será óptimo a arranjar soluções óbvias. O maior problema será as outras pessoas. É um ano para trabalhar em equipa, ir a festinhas de escritório e ser social. O Coelho até gosta de festas, mas é extravagante demais para ambientes comuns (como uma festinha de escritório). Também trabalha melhor sozinho e não vai ficar muito feliz por exercer o seu parco e quase inexistente espírito de equipa. Como se não bastasse, o Coelho é honesto. A sua honestidade pode valer-lhe olhares magoados ou um soco na cara, dependendo dos signos que a rodeiam...

    Tigre
    (2010 1998 1986 1974 1962 1950 1938 1926 1914 1902)
    Ano estranho para o Tigre, que não teve o seu melhor momento em 2005. O novo ano vai prestigiar o Tigre porque o Cão simplesmente o adora. Assim, o Tigre nem vai acreditar quando vir as coisas a melhorar tão rapidamente. Desconfiado, vai sair de mansinho e observar o que realmente se passa. Nos negócios, o Tigre terá óptimas oportunidades de mostrar ao que veio. A sua criatividade estará em alta e como a tendência do ano é inovar e colorir, suas ideias e esquemas serão bem aceites. A falta de persistência do Tigre é que pode comprometer o sucesso, já que ele é óptimo para ter ideias, mas péssimo para executá-las.

    Una palabra entonces, una sonrisa bastan II.

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    Photo © Jean-Sébastien Monzani


    "Tema de Fuego y Mar

    Sólo el fuego y el mar pueden mirarse
    sin fin. Ni aún el cielo con sus nubes.
    Sólo tu rostro, sólo el mar y el fuego.
    Las llamas, y las olas, y tus ojos.

    Serás de fuego y mar, ojos oscuros.
    De ola y llama serás, negros cabellos.
    Sabrás el desenlace de la hoguera.
    Y sabrás el secreto de la espuma.

    Coronada de azul como la ola.
    Aguda y sideral como la llama.
    Sólo tu rostro interminablemente.
    Como el fuego y el mar. Como la muerte."


    Eduardo Carranza


    A Noite Passada

    Música © Sérgio Godinho



    siameses

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    Foto: Marina Cano

    fevereiro 04, 2006

    Pedi às letras do alfabeto para se juntarem e fazerem um post

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    Namíbia I ou Fogo

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    Photo © Hennie Prinsloo


    Continua Aqui

    Deitei-me assim.

    fevereiro 03, 2006

    Lena e Teresa – o ponto de vista do amor

    teresa_lena_reuters.jpg
    Retirado daqui.

    O tema dos últimos dias foi a tentativa de casamento da Lena e da Teresa. As primeiras palavras são para elas, pela coragem demonstrada, por tentarem lutar pela mudança de uma lei que o governo português, ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis, ainda não teve coragem de fazer. Continuem, vão até ao fim das vossas possibilidades. Com certeza que avaliaram os riscos que esta exposição pública pode acarretar, mas a vossa luta pode abrir portas a tantos outros casais na vossa situação.

    Tenho ouvido e lido pessoas que estão contra, e penso que todas as pessoas têm direito a ter uma opinião. Também alguns têm mostrado indiferença, tanto lhes faz. Apesar de tudo, percebo melhor a opinião de quem está contra. Quem mostra indiferença, faz-me pensar um pouco. E se um dia, estando com os respectivos filhos virem duas mulheres ou dois homens a beijarem-se na rua, enquanto passeiam os filhos, o que farão? Tapam-lhes os olhos? Fazem de conta que é outra coisa qualquer? E se os filhos vierem a ser homossexuais? Continuarão a ser indiferentes?

    Mas deixemo-nos de conjecturas. O que é afinal o casamento? Na essência, é uma união de pessoas que se amam e que, perante um estado, oficializam essa união. Na lei, não passa de um contrato, onde as pessoas obtêm algumas regalias, como o direito à herança, em caso de morte de um dos parceiros e, nos casos em que não há separação de bens, ao usufruto de bens comuns (não vou entrar em termos legais, pois é o que menos interessa).

    É claro que duas pessoas que se amam não precisam de um papel para serem felizes, por isso muitos casais heterossexuais optam por não oficializar a relação. Mas têm essa opção. E até a opção de, não se amando, partilharem de benefícios mútuos que o casamento lhes oferece. Para eles, o casamento é um direito. Já um casal homossexual tem de se contentar com a versão não oficial da sua união.

    Muito sinceramente, tenho dúvidas que a questão da inconstitucionalidade possa ganhar. Tenho dúvidas que o actual governo tenha vontade de mudar a lei. Talvez as iniciativas parlamentares em curso possam resolver a questão, se os deputados olharem para a questão do ponto de vista do que um casamento deve ser: a oficialização da união de duas pessoas que se amam, independentemente de serem casais heterossexuais ou homossexuais. Porque o amor, a essência do casamento, é um sentimento vivido de igual forma, qualquer que seja a orientação sexual. E quem legisla, não deve fazê-lo contra a essência do objecto dessa lei.

    Repúblicas e Monarquias

    Passaram já uns 115 anos desde o aziago dia (para os republicanos e para os monárquicos) de 31 de Janeiro de 1891. Nesse dia no Porto deu-se a primeira tentativa de implantação da República em Portugal. Um grupo de militares do tentou, contra a maior parte das forças armadas (ainda fiéis à Monarquia) e classe política (esta sempre a ver, salvo honrosas excepções, para que lado a coisa pendia), modificar a partir da cidade mais pujante e industrial do Norte o sistema político do País. Quem aprendeu História recente de Portugal sabe e recorda-se que este foi o motor de arranque e um dos factos que mais contribuiu para a propagação dos ideiais republicanos no País. Um marco importante na nossa História. Quanto mais não seja pela repressão exercida, após este dia, sobre os republicanos (antes considerados uma força de pequena expressão) e pela forma errática como o anterior regime e o seu máximo representante exercia o poder que a Constituição de 1826 lhe auferia.

    Confesso, desde já, que se tivesse vivido na altura se calhar tinha sido republicano. Não o posso dizer com toda a certeza, mas muito provavelmente teria sido!

    Viviam-se tempos muito complicados. Portugal era um país grande em tamanho e pequeno em projecto, com colónias presas à pequenez da metrópole sub-desenvolvida e nada industrializada (uma boa perspectiva sobre este tempo pode ser lida no "Equador" do Miguel Sousa Tavares) e por diversos factores nunca os responsáveis políticos da Monarquia, com responsabilidade máxima do rei, conseguiram que o país se modernizasse e conseguisse desenvolver-se como outros países europeus o fizeram. Por isso uma mudança foi necessária e a culpa dessa mudança recai, única e exclusivamente, nos monarcas e governos de uma monarquia sem rumo para o país. O povo vivia cada vez pior e colocou-se do lado da esperança num futuro melhor. Soubessem eles o que lhes estava (nos estava) reservado!

    Ora bem... assim sendo, perguntam vocês, porque raio o gajo é monárquico!? Já perguntaram!?... Mesmo os das carteiras do fundo!? Ok eu respondo!

    Porque embora acredite que todos temos direitos iguais e deveres iguais e seja um democrata, penso que não há melhor pessoa para representar o meu País do que aquele cuja história dos seus antepassados se cruza com a do país e que por diversos factores tem (no caso português eu bem sei que não é assim) uma identificação umbilical ao país. Acredito que se assim o desejar, o herdeiro poderá ter uma preparação maior do que qualquer outro político para exercer este cargo. Acredito porque o vejo acontecer, com bastante sucesso nalguns dos países mais evoluídos e democráticos do mundo. Mas também há outras questões. As de carácter político.

    Um rei não precisa de ser eleito (com as implicações democráticas que isso traz... que eu percebo muito bem) e por isso não se precisa de escudar dentro de um partido político, não precisa de estar ligado à esquerda ou à direita... o seu principal partido é o seu país e (há excepções eu sei) é por este e pelo seu bem estar que tem a máxima responsabilidade de cuidar. O mesmo poderiamos dizer de um presidente da república, mas se assim fosse não haveria a necessidade de cada vez que um é eleito de dizer que irá ser o presidente de "todos os portugueses"! Nunca o será, a meu ver! Soares para mim sempre foi o presidente de Portugal, mas nunca o "meu presidente"! E, assim a talhe de foice, imaginem o que seria hoje a Espanha se o regime não tivesse sido alterado para uma monarquia!? (se calhar eramos o país maior da península). Antes que se lembrem do resultado do Manuel Alegre, pergunto-lhes se não acham que seria à mesma um candidato do PS no caso de passar à segunda volta e mesmo se ganhasse a eleição? Gostaria, ainda, de frisar que o papel em que revejo um monarca ou um presidente da república seria sempre algo muito parecido com o que acontece em Espanha. Acredito que uma monarquia constitucional parlamentar é um excelente regime. Se existe um governo o seu papel é governar. Há diversas entidades que o podem regular (parlamentos e tribunais) e ao representante máximo do país são deixadas questões importantíssimas de representação do país e de vigilância ao trabalho dos outros poderes.

    Não pensem que eu faço disto (da defesa da monarquia) um cavalo de Batalha. Não me preocupo muito desde que o meu país seja uma nação democrática e respeitadora dos direitos básicos dos seres humanos. Mas há que convir que nos ficaria bastante melhor, se o texto da nossa lei fundamental permitisse a mudança de regime (havendo consenso muito maioritário da população, claro) e que não orientasse, politicamente, os designíos da nação. Não é que eu me chateie se o nosso rumo for um estado "socialista", mas chateio-me porque ninguém me deu a oportunidade de dizer se o quero ou não nesse rumo. Foram os deputados da Constituinte que o fizeram há 30 anos!

    Para finalizar deixo-vos aqui alguns exemplos de monarquias e repúblicas com uma provocação: em qual destes países preferiam viver?

    Repúblicas:
    Itália
    França
    Alemanha

    Monarquias:
    Espanha
    Inglaterra (UK)
    Países Baixos (Holanda)

    PS: Declaro sobre compromisso de honra que não sou dono de qualquer publicação cor de rosa! Se bem que ficavamos melhor servidos com uma coisa parecida com a !Hola!
    PS1: Não sou, pelo menos que tenha conhecimento, titular de qualquer título nobiliárquico. Se fosse gostava de ser Conde... para ter uma "Condensa"!
    PS2: Esqueci-me, Jorge, de dizer que este post foi provocado pelo teu. Não é uma resposta, mas sim uma opinião e assim esperam-se mais contribuições para a discussão!

    Curiosidades sobre rodas V

    Williams Ford FW07 1979.jpg

    Em 1979, a Williams apareceu com o novo FW07 e contratou Clay Regazzoni para fazer equipa com Alan Jones. O carro não esteve pronto para a primeira corrida da época, pelo que a sua primeira participação foi apenas em Jarama em Abril. No GP da Bélgica, em Maio, Alan Jones classificou-se em 4º e Regazzoni em 8º, mas no Mónaco, Clay Regazzoni conseguiu terminar em 2º logo depois de Jody Scheckter. Após alterações na aerodinamica do chassis, antes do GP de Inglaterra, A. Jones classificou-se para a Pole Position mas, na 38ª volta desistiu, com problemas na bomba de água. Contudo, Regazzoni em 4ºlugar à partida, conseguiu dar à Williams, a sua primeira vitória na F1. A. Jones venceu as três corridas seguintes e terminou o Campeonato do mundo em 3º lugar.

    Qual a curiosidade, no meio disto tudo?
    Um dos patrocinadores, do Williams FW07.

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    fevereiro 02, 2006

    O segredo

    O meu nome é Sandra, nome fictício, e esta é a minha história. Uma história nem sempre alegre, nem sempre triste, mas uma história de segredo.

    Joana, também nome fictício, vive comigo há doze anos. Oficialmente, somos duas amigas solteiras que partilham um apartamento. A realidade é diferente, uma história comum de amor que tem a incomum particularidade de não ser a de um casal tradicional.

    Como todas as relações, esta história tem altos e baixos. Como em todas as relações, existem momentos inesquecíveis. Como em todas as relações, existem momentos que preferimos esquecer. Mas, ao contrário das outras relações, nós não podemos expor livremente o nosso amor.

    Talvez por isso, a Joana por várias vezes teve dúvidas sobre o futuro da relação. Muitas vezes saiu de casa, à procura de uma vida normal. Chegou a namorar com alguns homens. Embora me custasse saber isso, sempre interpretei como uma incerteza acerca da sua sexualidade. Penso que, caso tivesse um relacionamento com outra mulher, jamais lhe perdoaria. Mas, dois ou três meses depois, ela voltava, arrependida, e tudo voltava ao normal.

    Havia sempre uma ou outra pessoa que desconfiava, mas nunca demos espaço para que confirmassem. Apenas o Carlos, outro nome fictício, nosso colega da faculdade, homossexual, era da nossa confiança. Era o nosso escape, alguém com quem podíamos falar livremente e que tinha um sentido de humor que nos deixava mais leves.

    Acresce a tudo isto o facto de eu ser católica e a minha relação ser um pecado aos olhos da Igreja. Muitas vezes pedi, nas minhas orações, para que Deus me guiasse, que me indicasse o caminho correcto, mas em vão...

    A Joana ainda não arranjou coragem para contar à família. Eu, depois de muita insistência sobre a inexistência de namorado, acabei por contar aos meus pais e à minha irmã. A princípio foi difícil aceitarem mas, aos poucos, a Joana começou a ser visita da casa.

    A minha mãe sentia alguma dificuldade em ultrapassar os seus preconceitos, mas fazia um esforço, e conseguia falar comigo sem restrições. A minha irmã até achou engraçado ter uma irmã diferente, e até começou a mandar piadas, como finalmente perceber algumas atitudes de quando era mais nova. O meu pai nunca quis falar sobre o assunto. Gostava de falar comigo sobre tudo, menos sobre a minha relação com a Joana. Quando ela ia lá a casa, falava o mínimo possível, apesar de ser amável.

    Conheci a Joana, na faculdade, depois de dois namoros falhados com rapazes. Eu vivia num apartamento que os meus pais compraram para mim, a Joana vivia na residência universitária feminina. Começamos a estudar juntas em minha casa, dado que na residência era impossível, e foi assim que tudo foi começando, por magia, sem que nenhuma de nós tivesse tido uma relação com outra mulher antes. No ano seguinte, ela foi viver comigo. Eu usei o pretexto de que ter alguém a viver comigo poderia ajudar nas despesas, ela conseguiu convencer os pais que na residência era impossível estudar e que arranjara um quarto barato.

    Embora a nossa relação fosse bonita, havia sempre uma coisa que faltava. Eu sempre quisera ser mãe, mas como poderia sê-lo numa família não tradicional. A Joana zangava-se, e dizia que eu estava apenas a querer magoá-la, a vingar-me das saídas dela. Mas não. Era uma vontade superior. E quando a minha irmã teve o primeiro filho, fiquei ainda mais desejosa.

    Há cinco anos, a minha vida mudou. Em mais uma das crises de identidade sexual da Joana, eu decidi que, sozinha ou não, iria ter uma filha. O Carlos ajudou-me. Ainda chegamos a colocar a hipótese de seguir o método tradicional (ainda hoje rimos sobre essa hipótese), a adopção seria um processo praticamente impossível, pelo que acabamos por conseguir arranjar forma de eu fazer uma inseminação artificial.

    Engravidei. Estava eu grávida de três meses quando a Joana voltou. Apreensiva de início com a minha iniciativa individual, logo começou a viver comigo aquela emoção. Parecíamos um casal normal, à espera do primeiro filho. A minha família também acabou por aprovar e ficaram contentes com a vinda de um novo neto.

    Hoje, a nossa filha Inês, nome fictício, tem quatro anos. O Carlos é o pai oficial, a Joana a madrinha oficial e o namorado do Carlos (Rui, outro nome fictício) é o padrinho oficial. O Carlos e o Rui também gostariam de ter um filho, mas para eles é mais difícil. Tornaram-se activistas dos direitos dos casais homossexuais à adopção, mas temo que não consigam atingir os seus objectivos facilmente.

    A nossa filha é uma criança perfeitamente normal, muito esperta e traquinas. Tem o seu namorado na escolinha, é muito bem comportada, as educadoras gostam muito dela. E nós tudo fazemos para que ela tenha um ambiente normal.

    A Joana nunca mais saiu de casa. Acho que o facto de ser mãe a fez esquecer as dúvidas. A nossa relação está mais estável do que nunca e começo a acreditar que será um daqueles amores para toda a vida.

    Quanto à minha relação com Deus, ficou mais tranquila. Não sei se o que faço é pecado, se vai contra os Seus desígnios. Muito já se disse e desdisse em Seu nome. Mas sei que só consigo ser feliz assim. Acima de tudo, acredito que Deus será aquele Pai que, embora não aprove o comportamento dos filhos, terá sempre a porta aberta para os receber.

    (Publicado a 22/02/2005)

    Não me apetece falar sobre ...

    ... a visita do Bill Gates,
    ... o casamento do ano,
    ... as escutas telefónicas,
    ... o rescaldo das presidenciais,
    ... o rescaldo das eleições na Palestina,
    ... a marcação (atempada) do julgamento da Ponte de Entre - os - Rios,
    ... a suposta nova "secreta" de Sócrates,
    ... a estreia de Munique, de Steven Spielberg,
    ... as nomeações para os Óscares,
    ... o dia internacional das zonas húmidas,
    ... o aquecimento global do planeta,
    ... a caça às baleias e uso de peles de animais,
    ... a produção de armas nucleares no Irão,
    ... os atentados em Bagdad,
    ...
    ... não me apetece.

    Quando não há assunto de conversa, falamos do tempo.
    Ainda a neve, que caiu em Lisboa. Não sei se foi num domingo. Mas parece que foi em 1954.

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    Av. António Augusto de Aguiar

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    Av. António Augusto de Aguiar

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    Rua Castilho

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    Parque Eduardo VII

    Fotos recebidas por mail

    Hoje...

    ... é o Dia Internacional das Zonas Húmidas.
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    Foto: Helen

    fevereiro 01, 2006

    A visita do Bill

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    Obrigado...

    Estou a chegar de viagem e sei que tinha prometido um post sobre a implantação da República ontem ao Jorge, assim como que em jeito de resposta a este.

    Mas não posso cumprir a minha promessa neste post, ok Jorge!? Depois deste post... é impossível que a minha alma se concentre em coisas mais pequenas como regimes políticos! Assim... este meu post é um re-post, se quiserem, uma homenagem às pequenas conquistas... a esta em particular que me deixou com um sorriso imenso!

    Parabéns!

    Ontem...

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    ...aconteceu um dos momentos mais importantes da minha vida.
    O meu filho mais novo, o André, desde Setembro que se tem esforçado muito para atingir um objectivo.
    Tenho batalhado imenso para o incentivar e fazê-lo acreditar que ele era capaz.
    Com apenas 6 anos de idade, muitas vezes o vi desanimado e sem vontade de continuar a lutar para conquistar este objectivo.
    Tem sido duro para mim mas principalmente para ele. Quem me tem acompanhado sabe bem os momentos difíceis que tenho passado com ele.
    Ontem, quando o fui buscar ao final da tarde, ele disse-me:
    - Mamã, eu consegui!
    Senti o coração envolto num sentimento que não consigo descrever.
    Tentei controlar a minha fragilidade no meio de tantos pais que à pressa vestem os casacos aos miúdos sem sequer olharem para o seu rosto.
    Não consegui e as lágrimas surgiram incontroláveis. O abraço de conforto que eu deveria dar-lhe foi ele que me deu.
    Não trocava aquele momento único e marcante por nada.
    No fim do dia e depois do meu filho mais velho, o Henrique, com 7 anos, ter percebido como eu estava feliz, ao deitar-se na cama, fez-me uma festa no rosto e disse:
    - Amo-te muito, mamã e ao maninho também.
    Ontem, tal como hoje, sou a mãe mais orgulhosa do mundo.


    Contrastes

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    Foto: Noite

    Um antigo canhão de defesa da cidade, lado a lado com as manifestações tradicionais chinesas do ano novo lunar.

    Una palabra entonces, una sonrisa bastan.

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    Photo © Jean-Sébastien Monzani


    "Me gustas cuando callas porque estás como ausente,

    y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.

    Parece que los ojos se te hubieran volado

    y parece que un beso te cerrara la boca.

    Como todas las cosas están llenas de mi alma

    emerges de las cosas, llena del alma mía.

    Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,

    y te pareces a la palabra melancolía.

    Me gustas cuando callas y estás como distante.

    Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.

    Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:

    déjame que me calle con el silencio tuyo.

    Déjame que te hable también con tu silencio

    claro como una lámpara, simple como un anillo.

    Eres como la noche, callada y constelada.

    Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

    Me gustas cuando callas porque estás como ausente.

    Distante y dolorosa como si hubieras muerto.

    Una palabra entonces, una sonrisa bastan.

    Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto."


    Pablo Neruda


    I'll Fall with Your Knife

    Música © Peter Murphy




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