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L'amour dure trois ans

Já não posso com lojas cheias de corações vermelhinhos nas montras! Já não posso com declarações de amor a cheirar a alfazema! Sou alérgica a alfazema, mesmo se é virtual! Irra!
Ainda por cima, acho sinceramente que o Fréderic Beigbeder tem alguma-muita razão. Ele escreveu um livro com este mesmo título. É assim: "O amor dura três anos".

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Photo © Miguel Telles da Gama

O amor é um combate perdido à partida.
No início tudo é belo, mesmo vocês. Vocês nem querem acreditar que estão assim tão apaixonados. Cada dia traz o seu pequeno carregamento de milagres. (...) A felicidade existe e é simples: é um rosto. O universo sorri. Durante um ano a vida não é mais que uma sucessão de manhãs ensoleiradas, mesmo à tarde quando neva. Escreveis livros sobre tudo isto. Casais, o mais rapidamente possível - porquê reflectir quando somos felizes? Pensar deixa-nos triste; é a vida que deve vencer.

No segundo ano as coisas começam a mudar. Passais a ser mais ternos. Sentis orgulho da cumplicidade que existe na vossa relação. Compreendeis a vossa mulher por meias palavras; que alegria ser só um. (...) Fazeis amor cada vez menos e acreditais que não é grave. Estais persuadidos de que em cada dia que passa o vosso amor é cada vez mais sólido, quando na verdade o fim do mundo está para breve. Defendeis o casamento junto dos vossos amigos celibatários, que de resto já nem vos reconhecem. Mas vós mesmos, estais seguros de que ainda vos reconheceis (...)?

No terceiro ano, já não deixais de olhar para as miúdas frescas que iluminam a rua. Já não falais com a vossa mulher. Passais horas no restaurante com ela a ouvir o que dizem os vizinhos da mesa ao lado. Saís para programas fora de casa com mais frequência: o que vos dá uma desculpa para não foder. Rapidamente chega o momento em que já não suportais mais a vossa mulher, até porque estais apaixonados por outra. Há um único aspecto sobre o qual não se enganaram: efectivamente, é a vida que tem a última palavra. No terceiro ano há uma boa e uma má notícia. A boa notícia: farta, a vossa mulher deixa-vos. A má notícia: começais um novo livro.
(pp 15-16)

Beigbeder, Frédéric
L'amour dure trois ans
Gallimard, 1997

(tradução livre feita por mim)(coitados!)

Então, é assim ou não?
Nota1: é claro que às vezes um ano tem mais do que 365 dias.
Nota2: é claro que às vezes um ano tem menos do que 365 dias.
Nota3: desejo-vos longos primeiros anos e curtíssimos terceiros anos.
Nota4: se estiverem no primeiro ano, eu compreendo que não queiram ler o livro.


Lilly Rose

Comentários

Totalmente de acuerdo: a veces un año dura tres años y a veces una vida dura un año.

Lo malo es que eso pasa poco.

O que mais me incomoda, nem é o cheiro a alfazema ... gosto de alfazema, em saquinhos de linho bordados, nas gavetas.

Incomoda-me que haja um dia que lembra os mais esquecidos, que atenção, respeito e amizade, têm de ser vividos todos os dias. Incomoda ver neste dia, as rua repletas de homens (porque as mulheres costumam ser mais imaginativas) com ramos de rosas nas mãos, quando se calhar, se esquecem de outras datas mais importantes.

Não me incomoda nada que este dia seja o dia dos amigos e sirva para aquele contacto que nos escapa no dia-a-dia.

bem, eu já vou no 2º ano... achas que é caso para me assustar? :P
olha, karla, a mim ofereceram-me uma gerbera :)

É o que eu digo ... as mulheres são mais imaginativas ;-) LOL

Como em tudo, o tempo é relativo, né?

Estou safo... ao fim de 8 anos e tal? :)

como se pode ver, até por muitos de nós, há anos que
não acabam!
tb há, é dias importantes para o comércio !! ;)

L'amour toujours l'amour...

É o eterno retorno...

Andrade, nunca estamos safos... e olha que eu já vou em 14!

:) :D

:) :D


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