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Repúblicas e Monarquias

Passaram já uns 115 anos desde o aziago dia (para os republicanos e para os monárquicos) de 31 de Janeiro de 1891. Nesse dia no Porto deu-se a primeira tentativa de implantação da República em Portugal. Um grupo de militares do tentou, contra a maior parte das forças armadas (ainda fiéis à Monarquia) e classe política (esta sempre a ver, salvo honrosas excepções, para que lado a coisa pendia), modificar a partir da cidade mais pujante e industrial do Norte o sistema político do País. Quem aprendeu História recente de Portugal sabe e recorda-se que este foi o motor de arranque e um dos factos que mais contribuiu para a propagação dos ideiais republicanos no País. Um marco importante na nossa História. Quanto mais não seja pela repressão exercida, após este dia, sobre os republicanos (antes considerados uma força de pequena expressão) e pela forma errática como o anterior regime e o seu máximo representante exercia o poder que a Constituição de 1826 lhe auferia.

Confesso, desde já, que se tivesse vivido na altura se calhar tinha sido republicano. Não o posso dizer com toda a certeza, mas muito provavelmente teria sido!

Viviam-se tempos muito complicados. Portugal era um país grande em tamanho e pequeno em projecto, com colónias presas à pequenez da metrópole sub-desenvolvida e nada industrializada (uma boa perspectiva sobre este tempo pode ser lida no "Equador" do Miguel Sousa Tavares) e por diversos factores nunca os responsáveis políticos da Monarquia, com responsabilidade máxima do rei, conseguiram que o país se modernizasse e conseguisse desenvolver-se como outros países europeus o fizeram. Por isso uma mudança foi necessária e a culpa dessa mudança recai, única e exclusivamente, nos monarcas e governos de uma monarquia sem rumo para o país. O povo vivia cada vez pior e colocou-se do lado da esperança num futuro melhor. Soubessem eles o que lhes estava (nos estava) reservado!

Ora bem... assim sendo, perguntam vocês, porque raio o gajo é monárquico!? Já perguntaram!?... Mesmo os das carteiras do fundo!? Ok eu respondo!

Porque embora acredite que todos temos direitos iguais e deveres iguais e seja um democrata, penso que não há melhor pessoa para representar o meu País do que aquele cuja história dos seus antepassados se cruza com a do país e que por diversos factores tem (no caso português eu bem sei que não é assim) uma identificação umbilical ao país. Acredito que se assim o desejar, o herdeiro poderá ter uma preparação maior do que qualquer outro político para exercer este cargo. Acredito porque o vejo acontecer, com bastante sucesso nalguns dos países mais evoluídos e democráticos do mundo. Mas também há outras questões. As de carácter político.

Um rei não precisa de ser eleito (com as implicações democráticas que isso traz... que eu percebo muito bem) e por isso não se precisa de escudar dentro de um partido político, não precisa de estar ligado à esquerda ou à direita... o seu principal partido é o seu país e (há excepções eu sei) é por este e pelo seu bem estar que tem a máxima responsabilidade de cuidar. O mesmo poderiamos dizer de um presidente da república, mas se assim fosse não haveria a necessidade de cada vez que um é eleito de dizer que irá ser o presidente de "todos os portugueses"! Nunca o será, a meu ver! Soares para mim sempre foi o presidente de Portugal, mas nunca o "meu presidente"! E, assim a talhe de foice, imaginem o que seria hoje a Espanha se o regime não tivesse sido alterado para uma monarquia!? (se calhar eramos o país maior da península). Antes que se lembrem do resultado do Manuel Alegre, pergunto-lhes se não acham que seria à mesma um candidato do PS no caso de passar à segunda volta e mesmo se ganhasse a eleição? Gostaria, ainda, de frisar que o papel em que revejo um monarca ou um presidente da república seria sempre algo muito parecido com o que acontece em Espanha. Acredito que uma monarquia constitucional parlamentar é um excelente regime. Se existe um governo o seu papel é governar. Há diversas entidades que o podem regular (parlamentos e tribunais) e ao representante máximo do país são deixadas questões importantíssimas de representação do país e de vigilância ao trabalho dos outros poderes.

Não pensem que eu faço disto (da defesa da monarquia) um cavalo de Batalha. Não me preocupo muito desde que o meu país seja uma nação democrática e respeitadora dos direitos básicos dos seres humanos. Mas há que convir que nos ficaria bastante melhor, se o texto da nossa lei fundamental permitisse a mudança de regime (havendo consenso muito maioritário da população, claro) e que não orientasse, politicamente, os designíos da nação. Não é que eu me chateie se o nosso rumo for um estado "socialista", mas chateio-me porque ninguém me deu a oportunidade de dizer se o quero ou não nesse rumo. Foram os deputados da Constituinte que o fizeram há 30 anos!

Para finalizar deixo-vos aqui alguns exemplos de monarquias e repúblicas com uma provocação: em qual destes países preferiam viver?

Repúblicas:
Itália
França
Alemanha

Monarquias:
Espanha
Inglaterra (UK)
Países Baixos (Holanda)

PS: Declaro sobre compromisso de honra que não sou dono de qualquer publicação cor de rosa! Se bem que ficavamos melhor servidos com uma coisa parecida com a !Hola!
PS1: Não sou, pelo menos que tenha conhecimento, titular de qualquer título nobiliárquico. Se fosse gostava de ser Conde... para ter uma "Condensa"!
PS2: Esqueci-me, Jorge, de dizer que este post foi provocado pelo teu. Não é uma resposta, mas sim uma opinião e assim esperam-se mais contribuições para a discussão!

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Lista de blogs que fazem referência a Repúblicas e Monarquias:

» Questões de legitimidade e lição de história... enfim! de ante et post
Confesso que por vezes, se bem que muito raras, consigo ficar espantado com a capacidade de diarreia mental de alguns seres humanos. Vocês sabem que eu sou um monárquico assumido, até já o disse aqui à atrasado, mas confesso que... [Ler mais]

Comentários

Bilhas,
gostei deste teu post, uma grande lição de história. :-)
Eu não me considero um republicano radical, e acho que ambos os regimes, baseados numa constituição com um parlamento são igualmente viáveis.
Já não sou a favor de um sistema absolutista, seja ele monárquico ou presidencialista, em que haja um todo-poderoso que centre em si todas as decisões de um país.
Alguns senãos dos exemplos monárquicos são o facto de, em muitos, ser o primogénito varão a herdar a coroa, e até o facto de ser o primogénito e não o mais bem preparado. Para além de me parecer um pouco cruel uma pessoa ter de se dedicar toda a vida a preparar-se para reinar (se bem que o Mário Soares não se importaria ;-) ).

:) claro Jorge! Também concordo contigo! regimes absolutistas foram os que levaram a nossa monarquia ao sitio onde acabou! :) E também concordo contigo sobre a violência que é para o herdeiro... mas ele também tem o direito de abdicar! E até já houve quem o fizesse por amor!

Bilhas,
é verdade, abdicar é uma possibilidade. Mas gostava que as monarquias existente se modernizassem um pouco. As monarquias nórdicas são, nesses aspecto, um exemplo. Não sei é se estás de acordo comigo neste aspecto. ;-9

A Espanhola também Jorge! Mas repara que as Nórdicas têm maior tradição democrática do que qualquer outra! Em Espanha, por exemplo, de certeza que vão alterar as questões da sucessão para a catraia poder ser rainha!

Pois, está tudo muito bem. E até muito bem explicado (como eu já esperava). Mas para mim, que desde que sou gente minimamente pensante, sempre vivi em democracia, cada eleição para o parlamento ou para a presidência é vivida com a intensidade de quem tem poder (e dever) de contribuir para os destinos do país, custa-me pensar que teria de levar, anos a fio, com alguem que não me agradasse, só por razões de sangue. Nada me garante que os herdeiros com toda a sua preparação para o cargo, sejam os iluminados, para conduzir o país.
A história dos meus antepassados, também se cruza com a história do meu país. Somos todos nós que a fazemos. E, numa república democrática, podemos intervir mais.

Posto isto, obrigada pela lição de história e pela tua visão descomprometida e democrática da "coisa".


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