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10º aniversário

Fui num dia de início de verão que cheguei pela primeira vez à empresa onde hoje trabalho. Estava a aproximar-se o final da manhã, e tinhamos que nos despachar para chegar a tempo de conversar com o responsável sobre os nossos estágios. O professor de Tecnologias aplicadas tinha-me proposto a mim e à Erica para o estágio da pós-graduação que estávamos a concluir. Normalmente estes estágios não eram feitos em empresas. Quase todos os outros colegas foram para alguma instituição pública.

Lá encontramos o boss (ainda é o mesmo e irão sempre ouvir-me chamar-lhe Boss ou Doc), uma secretária de duas pernas, a Aurora D'Lima como fazia questão de escrever e dois marmanjos da informática, o António (grande maluco) e o Sérgio (outro grande maluco). Conversa vai, conversa vem... acordámos os termos do estágio e as nossas tarefas e passados alguns dias demos início ao dito. Confesso que o estágio correu-me particularmente bem. Sou um tipo bem disposto e desenrascado e o tema (novas tecnologias aplicadas à minha área de formação) era ouro sobre azul. Mais algumas semanas numa conferência na Faculdade de Belas Artes do Porto seria surpreendido por um convite para começar a trabalhar a tempo inteiro na empresa. Foi o delírio, meus caros!

Na altura estava desempregadíssimo. Tinha estado a trabalhar no Museu de Aveiro com um empenho e dedicação que só percebo pelo gosto que tinha em trabalhar naquele museu e com aquela equipa, mas como não existiam lugares no quadro, não havia a possibilidade de eu continuar indefenidamente em contratos a tempo certo, a recibos verdes, ou nos eternos estágios profissionais que fazem baixar o número de desempregados do país. Então a coisa chegou mesmo no tempo certo. Um emprego com perspectivas de futuro e que juntava as minhas duas áreas de predilecção: património e novas tecnologias. Melhor não podia, não é?

Nesta empresa conheci pessoas extraordinárias. O António, conhecido para os lados de Campanhã como o Toninho Maluco, foi e ainda é o meu mestre nas questões tecnológicas. Se hoje sei o que é desenvolver uma aplicação em Visual Basic é fruto da sua paciência. O Sérgio e a Aurora tinham sempre as mais acessas discussões sobre Sky Alpino, futebol, gajas e as suas merdas, viagens, carros, etc. e permitiam que todos os outros se matassem a rir com os disparates todos que diziam. O Sérgio, é justo dizê-lo era também mestre para outras coisas da informática. Depois começaram a chegar mais pessoas. O primeiro foi o Paulo. Como é que alguém consegue descrever um amigo destes. É daquelas pessoas que nos faz rir mesmo quando está terrivelmente mal disposto nas manhãs de segunda-feira. Era um conhecido de um outro emprego, mas depressa se tornou um amigalhaço. Agora está em Madrid a trabalhar, mas continua a ser um de nós. Logo a seguir ao Paulo, chegou a Natália. Veio para a empresa exactamente como eu. Era colega da mesma pós-graduação. No entanto, sempre não teve que aguentar as secas monumentais dos informáticos que eu aguentei. Na altura já lhe conseguia traduzir e decifrar quase tudo que eles diziam. A Natália, para além de uma excelente amiga, é o meu braço direito. A "partener" como ela se auto denomina :). Por fim chegaram a Maria (a trapalhona da casa, mas como é designer a malta desconta-lhe a maior parte), a Sónia (que percebe de computadores, mas não sabe dizer não a tudo que lhe pedem), o Hugo (mais um grande maluco, mas já estamos habituados), a Margarida (que tem a belíssima mania do tudo organizadinho com as CI e controla as finanças da casa com o Boss), o Adão (que tem também uma pastelaria e faz uns bolos que nem vos conto) entre alguns estagiários que não ficaram por cá, dos quais destaco a Sílvia (nos últimos tempos esteve no Botswana numa acção humanitária). Recentemente chegou uma nova estagiária, a Elisabete... a ver vamos como corre.

Mas hoje falo-vos da minha empresa (e digo minha porque a considero um pouco assim) porque comemoramos 10 anos de existência. Anos de muito trabalho e empenho, de momentos maus e momentos bons (mais destes felizmente), de entendimentos de desentendimentos, de clientes novos e de projectos aliciantes. Dez anos (para mim apenas sete) que parecem ter passado a correr nas palavras do Doc. Bem o percebo. Esta empresa é para ele um projecto de vida, quase um filho. Desde que o conheço que uma das grandes preocupações é fazer com que cada um de nós seja amigo de todos os outros, porque acredita que só assim pode ter uma boa equipa que se apoia mutuamente e procura ultrapassar todos os obstáculos, sendo certo que a maior parte da responsabilidade está sobre os ombros dele. Não é dar graxa, não preciso de o fazer felizmente, mas é também um amigalhaço o Boss, muito mais do que um patrão.

Por fim meus caros este fim de semana é dedicado à empresa. Vamos para Tomar (uns copos) partir a louça toda e divertir-nos com as tiradas surreais da Maria após o primeiro gole de sangria de champagne!

Comentários

ola Amigo Jorge
Voltei para te ler
parabens pelos 10 anos e claro que é comum dizer a minha empresa...
Deixo um abraço e as desculpas de não comentar tudo que leio, mas sou preguiçoso, admito.
ps. Reparei que estou aqui lincado, muito obrigado e vou ja retribuir...

ola Amigo Jorge
Voltei para te ler
parabens pelos 10 anos e claro que é comum dizer a minha empresa...
Deixo um abraço e as desculpas de não comentar tudo que leio, mas sou preguiçoso, admito.
ps. Reparei que estou aqui lincado, muito obrigado e vou ja retribuir...

Bilhas,
que sorte a tua. Um emprego onde fazes o que gostas e com bom ambiente de trabalho. Só é possivel, porque o pessoal é maioritáriamente masculino.

Sim Bilhas, a Karla tem razão, tens boas razões para comemorar! Abraço a todos, e ao boss em particular, que pelos vistos sabe gerir pessoal (coisa rara!)

(mas quéquéisso, Karla? q boca mais machista foi aquela?! isto vai dar porrada a sério qdo nos encontrarmos;))

Lilly,
se trabalhasses numa empresa, onde quase só trabalham mulheres, havias de ver o galinheiros onde te metias.
É triste, mas é verdade.
Nem que eu leve as luvas de boxe, mas aviso já, que sou muito pacífica e contra qualquer tipo de violencia. :))

Boas Alexandre :) Não sou o Jorge mas agradeço na mesma :)
Karla... a malta aqui na empresa cumpre na totalidade as quotas! 5 gajas e 5 gajos! :) E olha que não foi preciso nenhuma lei! É qualidade mesmo!
Lilly... sabe sim, mas de vez em quando se não fossemos nós nem te conto!
Karla.. se por acaso for uma luta na lama convida!

Bilhas,
quem te lê, até pensa que estás a trabalhar no paraíso, isto é, no Estádio da Luz ;-)
Parabéns para a tua empresa! :-)


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