Dia Mundial do Teatro e ó Karla, escuta!
Winnie:... Pois é... assim eu pudesse suportar a solidão, quero dizer, ficar para aqui a pairar sem ser ouvida por ninguém. Não é que eu tenha ilusões, Deus me livre. Tu não ouves lá grande coisa, Willie. Há mesmo dias em que não ouves nada. Mas há também outros em que respondes. De maneira que eu posso sempre dizer de mim para mim, mesmo quando não respondes e talvez nem oiças: Winnie, posso eu dizer, há alturas em que alguém te escuta, tu não estás a falar só para ti própria, quero dizer, no deserto, coisas que eu nunca pude suportar - por muito tempo. E é isso que me permite continuar, continuar a falar, entenda-se. Enquanto que, se tu viesses a morrer, para falar à moda antiga, ou se te fosses embora e me deixasses, que havia eu de fazer então, que poderia fazer ao longo do dia, quero dizer, desde o instante em que a campainha toca para acordar até ao instante em que a campainha toca para adormecer?
in Dias Felizes
Samuel Beckett
Comentários
Lilly,
Samuel Beckett é sempre um argumento de peso. Traz-me também o Tenessee Williams, já para não falar no Shakespear ou no Gil Vicente, já para só falar dos mais famosos, e torna-se impossível argumentar contra. :-)
Colocado por: Jorge | março 27, 2006 02:39 PM
Lilly,
o texto é muito interessante. Mas prefiro lê-lo, relê-lo, digeri-lo ao meu rítmo.
Jorge,
poupa-me ... Shakespear?? Acho uma tremenda seca. A maior parte das vezes, nem o consigo entender.
Colocado por: Karla | março 27, 2006 03:35 PM
Karla,
isso é porque nunca viste "A tempestade" protagonizada pelo Ruy de Carvalho, com uma cenografia espectacular. ;-)
Colocado por: Jorge | março 28, 2006 11:23 AM