Hoje, não há post para ninguem ...

Foto: Ehsan Shahin Sefa
... ainda estou a trabalhar!
Desejo-vos, um belíssimo fim de semana!
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« fevereiro 2006 | Principal | abril 2006 »

Foto: Ehsan Shahin Sefa
... ainda estou a trabalhar!
Desejo-vos, um belíssimo fim de semana!
Fui num dia de início de verão que cheguei pela primeira vez à empresa onde hoje trabalho. Estava a aproximar-se o final da manhã, e tinhamos que nos despachar para chegar a tempo de conversar com o responsável sobre os nossos estágios. O professor de Tecnologias aplicadas tinha-me proposto a mim e à Erica para o estágio da pós-graduação que estávamos a concluir. Normalmente estes estágios não eram feitos em empresas. Quase todos os outros colegas foram para alguma instituição pública.
Lá encontramos o boss (ainda é o mesmo e irão sempre ouvir-me chamar-lhe Boss ou Doc), uma secretária de duas pernas, a Aurora D'Lima como fazia questão de escrever e dois marmanjos da informática, o António (grande maluco) e o Sérgio (outro grande maluco). Conversa vai, conversa vem... acordámos os termos do estágio e as nossas tarefas e passados alguns dias demos início ao dito. Confesso que o estágio correu-me particularmente bem. Sou um tipo bem disposto e desenrascado e o tema (novas tecnologias aplicadas à minha área de formação) era ouro sobre azul. Mais algumas semanas numa conferência na Faculdade de Belas Artes do Porto seria surpreendido por um convite para começar a trabalhar a tempo inteiro na empresa. Foi o delírio, meus caros!
Na altura estava desempregadíssimo. Tinha estado a trabalhar no Museu de Aveiro com um empenho e dedicação que só percebo pelo gosto que tinha em trabalhar naquele museu e com aquela equipa, mas como não existiam lugares no quadro, não havia a possibilidade de eu continuar indefenidamente em contratos a tempo certo, a recibos verdes, ou nos eternos estágios profissionais que fazem baixar o número de desempregados do país. Então a coisa chegou mesmo no tempo certo. Um emprego com perspectivas de futuro e que juntava as minhas duas áreas de predilecção: património e novas tecnologias. Melhor não podia, não é?
Nesta empresa conheci pessoas extraordinárias. O António, conhecido para os lados de Campanhã como o Toninho Maluco, foi e ainda é o meu mestre nas questões tecnológicas. Se hoje sei o que é desenvolver uma aplicação em Visual Basic é fruto da sua paciência. O Sérgio e a Aurora tinham sempre as mais acessas discussões sobre Sky Alpino, futebol, gajas e as suas merdas, viagens, carros, etc. e permitiam que todos os outros se matassem a rir com os disparates todos que diziam. O Sérgio, é justo dizê-lo era também mestre para outras coisas da informática. Depois começaram a chegar mais pessoas. O primeiro foi o Paulo. Como é que alguém consegue descrever um amigo destes. É daquelas pessoas que nos faz rir mesmo quando está terrivelmente mal disposto nas manhãs de segunda-feira. Era um conhecido de um outro emprego, mas depressa se tornou um amigalhaço. Agora está em Madrid a trabalhar, mas continua a ser um de nós. Logo a seguir ao Paulo, chegou a Natália. Veio para a empresa exactamente como eu. Era colega da mesma pós-graduação. No entanto, sempre não teve que aguentar as secas monumentais dos informáticos que eu aguentei. Na altura já lhe conseguia traduzir e decifrar quase tudo que eles diziam. A Natália, para além de uma excelente amiga, é o meu braço direito. A "partener" como ela se auto denomina :). Por fim chegaram a Maria (a trapalhona da casa, mas como é designer a malta desconta-lhe a maior parte), a Sónia (que percebe de computadores, mas não sabe dizer não a tudo que lhe pedem), o Hugo (mais um grande maluco, mas já estamos habituados), a Margarida (que tem a belíssima mania do tudo organizadinho com as CI e controla as finanças da casa com o Boss), o Adão (que tem também uma pastelaria e faz uns bolos que nem vos conto) entre alguns estagiários que não ficaram por cá, dos quais destaco a Sílvia (nos últimos tempos esteve no Botswana numa acção humanitária). Recentemente chegou uma nova estagiária, a Elisabete... a ver vamos como corre.
Mas hoje falo-vos da minha empresa (e digo minha porque a considero um pouco assim) porque comemoramos 10 anos de existência. Anos de muito trabalho e empenho, de momentos maus e momentos bons (mais destes felizmente), de entendimentos de desentendimentos, de clientes novos e de projectos aliciantes. Dez anos (para mim apenas sete) que parecem ter passado a correr nas palavras do Doc. Bem o percebo. Esta empresa é para ele um projecto de vida, quase um filho. Desde que o conheço que uma das grandes preocupações é fazer com que cada um de nós seja amigo de todos os outros, porque acredita que só assim pode ter uma boa equipa que se apoia mutuamente e procura ultrapassar todos os obstáculos, sendo certo que a maior parte da responsabilidade está sobre os ombros dele. Não é dar graxa, não preciso de o fazer felizmente, mas é também um amigalhaço o Boss, muito mais do que um patrão.
Por fim meus caros este fim de semana é dedicado à empresa. Vamos para Tomar (uns copos) partir a louça toda e divertir-nos com as tiradas surreais da Maria após o primeiro gole de sangria de champagne!


Foto: Marcio Murilo Pilot

Foto: Lyubomir Bukov
Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.
*
Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
*
Voltando à cor, afinal
Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

foto: aNa
Pescaria Iemanjá - Baía Farta
Dizia-se que a água do poço era santa, quem dela bebesse, os seus males curava. Era uma água única. Diziam os filhos da terra que de Verão era fresquinha e que de Inverno até fumegava. O progresso chegou e trouxe consigo a água canalizada, mas o povo não esqueceu o poço. Todos os dias bebiam pelo menos um copo da sua água, quando estavam doentes, bebiam toda a que podiam.
Mas o poço estava ao lado de uma mansão abandona. Um dia, um forasteiro comprou a casa, e com ela o poço, e mudou-se para lá. Era um homem da cidade, que resolvera ir respirar ares menos poluídos.
No primeiro dia que chegou lá, viu algumas pessoas irem buscar água. Mandou-os embora. Eles não obedeceram, que a água do poço era de todos. Perante os seus ares ameaçadores, recuou.
Na semana seguinte, começou a ser erigido um muro à volta da casa e do poço. Numa semana ficou pronto. No dia seguinte, deitaram abaixo parte do muro, junto ao poço, e as pessoas continuaram a poder ir buscar água.
O muro foi reconstruído. A polícia foi chamada para evitar novos problemas. Se de dia, tirando os protestos contra o forasteiro, nada aconteceu, pela calada da noite, parte do muro foi dinamitada, permitindo novamente o acesso ao poço.
Mas o proprietário estava cada vez mais determinado. Voltou a reconstruir o muro, instalou câmaras de vídeo, colocou alarmes, arame farpado, cães de guarda, tudo o que se lembrou. Desta vez, o muro manteve-se de pé.
O povo nomeou então uma comissão para ir falar com o proprietário. Mas ele não cedeu, o poço era seu, aquela propriedade era sua, tinha-a comprado com o suor do seu trabalho.
Depois da comissão, foi o senhor padre. Bem tentou apelar ao seu coração cristão, mas nada feito. Se Deus estivera com ele todo aquele tempo, ajudando-o a acumular riqueza, também esta, com toda a certeza, do lado dele naquele assunto.
Alguns dias depois, já o sol morrera, numa noite calma em que o vento emudecera, estava ele em sua casa, quando os cães começaram a ladrar. Pegou na sua caçadeira, e saiu. Depois de verificar tudo da parte de dentro do muro, dirigiu-se ao portão. Abriu-o e espreitou. Nesse momento, um tiro quebrou o silêncio da noite, e uma bala certeira atingiu-o.
Atordoado, cambaleou, procurou as suas últimas forças, e num último instinto protector, fechou o portão da sua propriedade, antes de cair, morto.


fotos: aNa
como disse na altura, não houve avião para nos levar de Benguela para Luanda, e tivémos de fazer a viagem de jipe durante a noite. irá fazer mais logo, quinze dias.
chovia imenso. os primeiros cem quilómetros em terra batida cheia de altos e baixos. a táctica é sempre andar com um rodado na berma e ou outro na estrada. como chovia muito e as bermas estavam mais fofas, raramente se optou por essa alternativa.
viajávamos há cerca de duas horas, tinha eu acabado de fechar os olhos e sinto o carro a deslizar para a minha direita, a inclinar-se e ouvi dizer "já fomos!". antes, já estávamos! enterrados e como carro a tombar para a ribanceira. que depois verificarmos ser pequena, mas ainda assim suficiente para capotarmos e a viagem ficar por ali.
saímos do carro, ainda a tremer com medo que ele se virasse. lá fora, escuro como breu e só os ruídos da mata. lindo! aos poucos os olhos foram-se habituando à escuridão e já víamos muito bem - estava lua cheia, embora as nuvens só deixassem passar alguma claridade.
começaram a procurar uma árvore suficiente forte para amarrar o guincho eléctrico, que nos permitiria tirar o jipe e seguir viagem. à volta algumas árvores mas nenhuma com a grandeza que se impunha. e não podíamos correr o risco do guincho se soltar, pois aí é que o jipe tombava de vez!
não podendo recorrer à mãe natureza, só nos restava esperar que alguns dos carros que tínhamos passado há imenso tempo conseguissem alcançar-nos. o que poderia levar horas, visto haver um pouco antes uma povoação e eles poderem lá parar para descansar.
ouço dizer "vem aí um carro". eu olho e não vejo luz nenhuma. só passado uns minutos é que consegui vislumbrar alguma claridade. isto, quem sabe, sabe, quem não sabe fica triste! era um autocarro. depois, a operação foi fácil. atar o guincho, pegar no comando e aí vai disto: jipe fora de perigo!
poderia ter demorado horas. eu, com a mania que ganhei no futebol de cronometrar tudo, olhei para o relógio quando saí do jipe: 01h22m. às 01h40m estávamos com o jipe pronto para seguir!
prova superada em contra-relógio!
Isabel Pires de Lima tem sido criticada por não ter uma estratégia clara para a Cultura. Depois de a ouvir com atenção, fiquei com a impressão de que o problema não será exactamente falta de estratégia, antes excesso de ambição, idealismo e depois, falta de planos de acção.
A Ministra aponta como prioridade a Internacionalização da cultura portuguesa, partindo do princípio de que fazer diplomacia cultural é também fazer diplomacia económica. Não podíamos concordar mais. Na verdade, já era tempo de alguém evidenciar esse aspecto, mas ela não avança com medidas concretas.
A Ministra aponta a Conservação Preventiva como outra prioridade - não só do património edificado, como do livro antigo, por exemplo - ou seja, mudar a arquivística. Não podíamos concordar mais, mas ela não avança com medidas concretas. (se souberes de qualquer coisa, Bilhas, informa-nos)
Outro grande objectivo do actual Ministério da Cultura é o de incluir Portugal na rota das grandes exposições da Europa. Para isso prosseguem as negociações (que já têm um histórico de dez anos) para a fixação da colecção de arte do comendador Joe Berardo em Portugal, que seria integrada num novo Museu de Arte Contemporânea, em Lisboa. Por agora todos parecem optimistas, Joe Berardo incluido! Porque se trata de uma negociação, e não de uma doação, está previsto um "elevado esforço financeiro" por parte do Estado, mas a Ministra não adianta valores! Outra notícia fantástica é a provável celebração do Protocolo Hermitage. O Museu Hermitage é um dos maiores do mundo e faz circular as suas exposições na Europa e EUA. Se este acordo for assinado, a partir de 2010, Portugal passa a ser o terceiro ponto da Europa onde essas exposições poderão ser vistas. Preocupante: o Protocolo está quase a ser assinado mas, diz a Ministra, só agora foi criada uma comissão para orçamentar o projecto!?
Outra grande aposta estratégica da Ministra é a Descentralização. Eu acho que é uma excelente ideia dinamizar a rede de Cineteatros, concertando programação e oferta, optimizando recursos. Porque a cultura "é um veículo de qualificação dos portugueses", é excelente que o Estado aposte nos Serviços Educativos desses organismos e incentive programações para o público escolar. Com o projecto "Território das Artes", o Ministério pretende ainda fazer uma "divulgação local" das artes. São só boas ideias! Mas, a começar pelo caso da nomeação do novo Director do Teatro Nacional, da responsabilidade do poder central, a acabar nas nomeações dos Directores dos Cineteatros pelos Presidentes de Câmaras Municipais, verificamos que o critério a que se obedece não é tanto o da competência mas mais o da cor política. Em Aveiro, pós-autárquicas, o novo executivo camarário (PSD-CDS) "despediu" o recentemente investido Director do Teatro Aveirense... que era Paulo Ribeiro, ex-Director Artístico da Fundação Gulbenkian e, crime maior, simpatizante socialista! Temos uma Câmara sem competência no domínio artístico a demitir um programador cultural qualificado! OK!
A Ministra diz que muda Direcções porque quer mudar correntes. Vê as críticas como naturais "quando se incomoda os interesses instalados". Fico à toa! É que ela é capaz de ter alguma razão! Mas como quebrar o ciclo? Como não instalar novos interesses... que não são os nossos, nem os da Ministra, que, sem pessoal competente, não descentraliza nada nem qualifica público algum!
PS: Que não se conclua destas palavras que responsabilizo o Estado, ou o PS ou o PSD, pelo atraso português em matéria de produções e consumo culturais. Ele há a Escola, pois! E os Media, pois! E o Estado pode regular e legislar melhor, é claro! Mas na verdade, acho que é tempo de nos responsabilizarmos todos por este estado de situação. Quando escolhemos a TVI, ou a novela brasileira, ou o Circo das Celebridades, quando deixamos o Teatro lá da terra às moscas, não sabemos onde fica o Cineclube local, não lemos mais que um ou dois livros por ano, fazemos uma opção em termos do país (e do mundo) que queremos para nós, ou não? :P

Casamento em Portugal.
Sintra, onde o actor passou a lua de mel com a ex-mulher, terá sido o local escolhido.
(Não me parece que tenha sido uma boa ideia, esta de reviver o passado em Sintra.)
Fonte: Sic Notícias, 30.03.2006, 9:00h
Para que não me acusem de estar sempre a falar do Benfica (essa gloriosa equipa de futebol que ontem quase que ganhava, com sorte, ao Barcelona) hoje vou falar-vos do Simplex. Para os nossos leitores estrangeiros (que segundo os últimos estudos da Eurosondagem são quase 1 milhão) aviso que não se trata de uma equipa de futebol nova, nem sequer de um produto de venda na teleshop. Não... nada disso! É o programa do governo para a simplificação administrativa do estado (daí o Simplex... estes gajos são bons a dar nomes aos programas... então não é melhor assim do que uma sigla do género PSAE. Devem ter lá algum especialista em marketing). E lembro, os estrangeiros e também os nacionais, que não há nada mais urgente do que simplificar o Estado (é que o filho da mãe é complicado como o caraças... aliás consegue ser ainda mais complicado do que o caraças).
Então este Simplex, anunciado ao mundo em conferência de imprensa que mais parecia um anúncio de um novo sistema operativo da Apple (sem as qualidades gráficas da dita, nem a personalidade excêntrica do Steve Jobs), parece que intenta facilitar a vida aos cidadãos, empresas e outras entidades que necessitam do Estado para uma bodegazita qualquer que normalmente envolve toneladas de papéis, horas perdidas em burocracia e autênticas visitas guiadas de guichet em guichet pelos corredores das repartições públicas.
Confesso-vos que vale a pena ler e perceber o que vai mudar (eu espero sinceramente que mude mesmo) na nossa relação com o Estado. No entanto acho que para alguns dos males do Estado seria melhor utilizar Kleenex com um Cilit Bang poderossísimo (daqueles que limpa sem esfregar).
Divas e contrabaixos - V Edição do concurso O Escritor Famoso - Actos de Cinema
Não se querem candidatar a um Óscar? Participem em mais uma inicitiva da Maria. ACÇÃO!!!
Estado Civil - Femme fatale (2)
Pensamentos de um solteiro.
Míscaro Venenoso - Envia uma mensagem para o ...
Onde vai parar a vida sexual desta juventude? O Míscaro está preocupado.

Foto: Roberto Roseano
Tenho com ela uma atitude nobre.
Suavemente, a rugosa veste retirando
Retribui-me essa nobreza, me mostrando
O véu sedoso que seu corpo cobre.
Espera de mim um pouco mais de aprumo.
Não a defraudo e, como se fora mestre
Dispo-a então dos restos que se veste
E já nua, chupo seu delicioso sumo.
Mas nem sempre esta atitude tomo
Gosto de a comer de feição diversa,
Por isso, a abro muitas vezes em flor.
E, egoísta, a seus gomos eu assomo.
- vou ser directo, basta de conversa -
Sou louco por laranja, (não pl’a cor).
O PreDatado, in Frutas e outros comeres
Três coisas em que eu já acreditei incomparavelmente mais:

Coloco-te nas orelhas só por graça,
Dentro de água gelada ou sobre gelo.
Faço de ti licor e p’ra bebê-lo
Te verto em copo ou cristalina taça.
No meio de chocolate licoroso
Te chupo e faço, por isso, derramar,
Correndo no queixo sem queixar,
Um liquido suave e bem viscoso.
De todo o jeito, para te comer eu sou capaz
Saltar veredas e te colher na árvore
Sejas tu vermelhinha ou como mármore,
Na praça adquirir mais de um cabaz
Tal como as conversas, é assim:
Cereja puxa cereja até ao fim!
O Predatado, in Frutas e outros comeres

Foto: wilson tsoi
Claro que gostas.
Ainda gostas. Como naquele dia que, regressadas da escola, despiste o bibe sujo de tinta, das aguarelas com que nos tínhamos entretido na sala de aula. Eu, sempre mais sossegada e tranquila, com o bibe imaculado, como se o tivesse acabado de vestir.
Fui uma criança assim. Tranquila, cumpridora de regras, sem as questionar ou por em causa. Conformada e comportada. Responsável. Tive uma infância pacífica e devo ter sido muito feliz. Tão feliz, que me fiz mulher. Menos conformada, mais lutadora, mas igualmente tranquila.

candengue na Caota
foto:aNa
- tá? Kuman? Mantorra vai jogá? não? ché! tem di jogá!!!

Sarah Afondo, Meninas
Amanhã vai acontecer um raro intercâmbio:
Milhões de espanhois vão ser benfiquistas.
Milhões de portugueses (se calhar menos que no primeiro caso) vão ser do FC Barcelona.
Mas, por questões puramente numéricas e de quantidade, acho que com esta regra de três, amanhã e por causa espanhola o Benfica vai ter mais adeptos do que nunca teve.
Paradoxas hispano-lusas... não acham?
PD: o único espanhol benfiquista de coração, o que escreve...
Este fio é a única coisa que me liga ainda à nossa vida.................Anteontem à noite? Dormi. Deitei-me com o telefone.........................não, não. Levei-o para a cama............Claro, fui ridícula, mas se levei o telefone para a cama é porque ele, apesar de tudo, nos une ainda. Liga esta casa à tua casa e não te esqueças que me tinhas prometido falar. Imagina que mergulhei na confusão dos sonhos. A tua chamada transformava a campainha do telefone num som mortal e eu caía; depois, vi um pescoço branco que alguém estrangulava; depois ainda, achei-me no fundo de um mar que se parecia com o apartamento de Auteuil, ligada a ti por um tubo de escafandro e a suplicar-te que o não cortasses. Enfim, sonhos estúpidos quando se contam; mas o pior é que durante o sono eram demasiado vivos. Terrível, meu amor..................................................Porque tu me falas. Há cinco anos que vivo de ti, que és o ar que posso respirar, que levo o tempo à tua espera, a julgar-te morto quando te demoras, a morrer porque te julgo morto, a reviver quando entras e te vejo, a morrer com medo de partires. Neste momento, respiro porque me falas.
in A Voz Humana
Jean Cocteau
Luís de Camões: É Vossa reverença o revedor do meu livro...
Frei Bartolomeu Ferreira: Eu sou. E hei-de vos dizer, posto que não tenha concluído ainda a segunda leitura, que não encontro nele coisa contrária à nossa santa fé. O mesmo, porém, não ousaria dizer no que toca aos bons costumes. Vossa Mercê por todo o lado introduz nudezas, e em tal excesso que fará da leitura um constante alerme dos sentidos.
Luís de Camões: São elas muito necessárias à minha fábula. Vossa Reverença bem sabe que os antigos deuses cuidavam pouco de roupagens, em particular as deusas, consoante as vemos costumadamente representadas em pinturas e estátuas. Também Eva, nossa primeira mãe, e Adão, nosso primeiro pai...
Frei Bartolomeu Ferreira: Mais devagar, senhor Luís de Camões. Adão e Eva viviam nus quando em estado de inocência. Logo que cairam em pecado, determinou o Senhor, enfim, não o determinou o Senhor, eles foram que viram que estavam nus e vestiram-se. Por forte razão, como vedes.
in Que Farei Com Este Livro?
José Saramago
Como disse o mais recente deus do futebol nacional, esse guru da bola que dá pelo nome de José Mourinho, amanhã vamos ter no fabuloso estádio da Luz uma das equipas que mais teatro faz! (Ok... ele disse que quem fez o teatro foi o Messi, mas isso agora não interessa nada).
Então como hoje é Dia Mundial do Teatro aproveito para o lembrar e recomendar esta celebração e, já agora, desejar ao Glorioso que amanhã (com ou sem teatro) consiga ganhar ao Barcelona! Podem ser aí uns "quinxe a xero!", mas se for por um... marcado com a mão do "Vata" (onde andará este marmanjo) também ficamos extremamente agradecidos!
Gil Vicente, Almeida Garrett, Bernardo Santareno, Romeu Correia, Luís de Sttau Monteiro, Luís de Camões, D. João da Câmara, António José da Silva, António Ferreira, Raul Brandão, Luísa Todi, Mário Viegas, João Mota, Eunice Muñoz, Diogo Infante, João Villaret, Ruy de Carvalho, José Viana, João Guedes, Palmira Bastos, Maria Matos, Cármen Dolores, Raul Solnado, Maria do Céu Guerra, Vasco Santana, Laura Alves, Beatriz Costa, Seiva Trupe, Amélia Rey Colaço, A Barraca, TEC, Guilherme Cossul, A Comuna, Luís Francisco Rebello, José Oliveira Barata.
Muitos mais nomes haveria a referir, muitos, muitos mais. Quero nestes autores, actores, companhias e estudiosos, que me vieram assim de repente à cabeça, prestar a minha homenagem ao Teatro Português, neste Dia Mundial do Teatro.
...não posso deixar de divulgar o que se faz na minha terra.
Hoje, no Teatro Municipal Pax Julia, em Beja, estreia a peça MADALENA JOPLIN pelo Arte Pública.
Uma intervenção dramática para uma única actriz: Gisela Cañamero.
Primeiro, interpretando a personagem Maria Madalena através do belíssimo texto de Marguerite Yourcenar.
Depois, fazendo reviver a mítica Janis Joplin, cantora americana, que personificou os mais alarmantes aspectos do estilo de vida rock´n roll.
O espectáculo tem início marcado pelas 22 horas e o preço dos bilhetes é de 3 euros.
Winnie:... Pois é... assim eu pudesse suportar a solidão, quero dizer, ficar para aqui a pairar sem ser ouvida por ninguém. Não é que eu tenha ilusões, Deus me livre. Tu não ouves lá grande coisa, Willie. Há mesmo dias em que não ouves nada. Mas há também outros em que respondes. De maneira que eu posso sempre dizer de mim para mim, mesmo quando não respondes e talvez nem oiças: Winnie, posso eu dizer, há alturas em que alguém te escuta, tu não estás a falar só para ti própria, quero dizer, no deserto, coisas que eu nunca pude suportar - por muito tempo. E é isso que me permite continuar, continuar a falar, entenda-se. Enquanto que, se tu viesses a morrer, para falar à moda antiga, ou se te fosses embora e me deixasses, que havia eu de fazer então, que poderia fazer ao longo do dia, quero dizer, desde o instante em que a campainha toca para acordar até ao instante em que a campainha toca para adormecer?
in Dias Felizes
Samuel Beckett
Criado: Senhor.
Director: Que é?
Criado: Está aí o público.
Director: Que entre.
in O Público
Federico Garcia Lorca
Não gosto de teatro, mas apetecia-me escrever aqui qualquer coisa.
É um sacrilégio, eu sei. Mas nunca me julguei perfeita.
O mundo também não é perfeito.
Ces inconscients scient sciemment la branche
Sur laquelle nous sommes tous assis
N'ont rien à faire des conséquences
De tout ce qu'ils ont entrepris
Et même si la Terre prend sa revanche
Et même si tout ça se finit
En Big Bang ou en avalanche
Du moment qu'les pros en profitent
Insupportable bruit de nos voisins du d'ssus
Coups d'éclat médiatiques et discours ambigus
Insupportable bruit de ces " français d'en haut "
Qui à coup de hautes idées ont tué nos idéaux
Ces cons scient consciencieusement les branches
De l'arbre de la vie
Si la vie se coupait en tranches
S'en payer une s'rait hors de prix
Si la Terre était une planche
Ils la vendraient à la Syrie
La Terre est bleue comme une orange
Ils veulent la repeindre en gris
Insupportable odeur de leur cuisine éléctorale
Grassement diététique, si peu éthique si ammorale
Insupportable, les magouilles, les non-lieux
Quelle main supporte donc cette France du Milieu ?
Ces inconscients scient sciemment la branche
Sur laquelle nous sommes tous assis
N'ont rien à faire des conséquences
De tout ce qu'ils ont entrepris
Et même si la Terre prend sa revanche
Et même si tout ça se finit
En Big Bang ou en avalanche
Du moment qu'les pros en profitent
Ces cons sanguins scient consciencieusement les branches
De l'arbre de la vie
Si la vie se coupait en tranches
S'en payer une s'rait hors de prix
Si la Terre était une planche
Ils la vendraient à la Syrie
La Terre est bleue comme une orange
L'ont ils déjà repeinte en gris ?
Ces incompétents plus haut qu'leur cul
Sur le trône du pouvoir
N'veulent pas sentir que tout ça pue
Et refusent de voir
Que leurs idées s'ils en ont eu
Ne furent qu'idées noires
Rêves d'impunité absolue
D'une dictocratie sans histoires
Tolérance zéro pour la rue
L'humanité à l'abattoir
Que la BUSH'rit continue
Que pullulent les SHARON'gniards


Utilizado durante cerca de trezentos anos como linguagem familiar entre os macaenses, mesmo entre as famílias mais distintas, o patuá era bandeira dos macaenses, que se orgulhavam de ter o que os naturais de Hong Kong não tinham: uma língua própria.
Crê-se que a sua origem esteve na passagem dos portugueses por Malaca (cerca de 1511), onde fruto da união de alguns portugueses com mulheres malaias, nasceu o dialecto português-malaio, conhecido por papia kristang (dialecto cristão), que usa a gramática malaia e na sua maioria vocabulário da língua portuguesa. O mesmo terá sido trazido para Macau, quando os portugueses se fixaram na península em 1557, tendo tomado características próprias.
Ficou conhecido sob várias denominações, como macaista chapado (macaense puro), creolo de Macau, papia cristam di Macau (língua cristã de Macau", dóci língu di Macau (doce língua de Macau), e doci papiaçam (falar doce).
Com o desenvolvimento do ensino em língua portuguesa, o desaparecimento das gerações mais antigas e o êxodo dos macaenses devido aos ataques dos japoneses durante a segunda guerra mundial, o dialecto foi desaparecendo, estando hoje praticamente extinto.
Natural de Macau, José Inocêncio dos Santos Ferreira (Adé) foi sem dúvida o grande responsável pelo relançamento deste dialecto, dedicando grande parte da sua vida à divulgação do dialecto macaense em cada poema, em cada livro, em cada peça de teatro, levando as gerações mais novas a recuperá-lo, demonstrado um interesse muito grande pela preservação deste pedaço da história e do património cultural de Macau e dos macaenses. Adé deixou-nos a 24 de Março de 1993, mas graças a si podemos hoje encontrar o patuá em muitas das suas obras e ouvir o doce linguajar nas peças de teatro que o grupo Doce papiacám de Macau leva à cena.
Aqui vos deixo um poema de José dos Santos Ferreira, um olhar sobre Macau, que fará sorrir quem por aqui passou.
Macau, beléza di passado*
Tera di fé, qui Dios j` abençoá,
Casa qui Têm sosségo, têm pâm;
Fogo sandino pa` vêm lumiá
Alma fichado n` iscuridám.
Tera di chiste co formosura,
Retrato di Sol na Primavera;
Riva, Ceu azul; basso verdura;
Fora, mar chám; dentro sánto tera.
Sã Macau! Nôsso bérço cristám,
Jardim na pê di Mundo semeado ...
Sã Macau, qui têm su coraçam
N` unga dilúvio di amor banhado.
Macau n` unca-sã hoze sômente:
Sã tudo di bom qui na passado
Capacidade di nôsso gente
Criá co trabalo ismerado.
Aqui têm pagode antiquado,
Ali, gréza arto co su sino,
Rua co travessa consertado,
Ornado co casa piquinino.
Prai-Grándi damostrá formosura!
Arto Guia, co farol empido,
Têm Nos` Siora, méga, co doçura,
Ta protezê Su gente quirido.
Subí Pénha contemplá Capela,
Vêm basso buscá Bica Lilau.
Sám Tiago, na Bara, sentinela,
Co espadarám viziá Macau.
Sám Lorénço sã qui vêlo bairo,
Co su antigo Quatel di Môro.
Na Chunambéro nôs panhá nairo,
Na San-Ma-Lou pôde comprá ôro.
Ma-Kok-Mio sai na embocadura,
Lembrá Macau na bérço mulado:
N` unga lado, sã mar di bravura,
N` otrunga, lágri sacrificado.
Arto, basso, grándi, piquinino,
Um-cento bote na mar bojá.
Curto, comprido, tufado, fino,
Sã pêsse qui ilôtro pescá.
Na meo de cidade sai Senado,
Co botica de catá-cutí.
Unga Siminário respetado,
Têm na traz, pa Dios ficá sirvido.
Misericórdia de Dom Melchior
Têm ali co suave humildade.
Tong-Sin-Tóng, co su grándi fervor
Nom-têm fim di fazê caridade.
Más pa diánte, olá Taraféro,
Co botica di catá-cutí.
Vai riva sã ta olá bombéro,
Hospital Kiang-Vu qui china erguí.
Di Basso-Mónte vai La-Chap-Mio,
Lónge di bairo di S-Li-T`au.
Na unga vánda, sã têm san Kio,
Na otrunga, olá Matapau.
Fortaléza Mónte co su peça,
Lembrá nôsso Macau di otrora;
Andá vai diánte, decê travessa,
Gréza Sant` António sai vêm fora.
Decê Sé, sã ta vai Sám Domingo
Rezá pa Mai di Dios co fervôr.
Vai Sant` Agostinho na domingo,
Adorá Siôr Passo na andôr.
Traz di Sám Laz` ro têm Sám Miguel,
Pa alma di justo discansá.
Virá Flora, passa na quatel,
Sã ta intrá na bairo Mong-há.
Têm unga vánda chomá Tap-Siac,
Co unga porçám di casarám.
Vai más pa riva sã Macau-Siac,
Co Ilha Vérde na bocarám.
Na Sám Januário têm Hospital,
Co Sám Francisco na pê di Guia;
Cavá olá Môro-as Ramal,
Virá, sã têm na Dóna Maria.
Di Sám Paulo, dêce vai Jardim
Co nómi di Camões esquivido.
Porta-Cérco sã têm na fim-fim,
Co su portám di fero erguido.
Lugar janota, desdi qui ora,
Aqui China, ali Portugal,
Macau champorado já vêm fora
Unga jardim qui nom-têm igual.
Tera di fé qui têm coraçám,
Têm alma, inchido de beléza,
Sã Macau! Nôsso bérço cristám,
Di Portugal chistosa princésa.
Adé dos Santos Ferreira, em “Macau di tempo antigo”
Dezembro de 1984

Foto de Nathalie Grenzhaeuser
Astor Piazzolla, Inverno Porteño, Tango.
Interpretação de Patricia Kopatchinskaja, Sol Gabetta e Henri Sigfridsson.

Há canções que me fascinam.
Não só pela música mas também pela letra.
Tento sempre perceber a letra, mas às vezes é difícil. Esta é uma delas.
Vou deixar aqui a minha tradução da letra e o original, para o caso de alguém me querer ajudar, corrigindo o que possa não ter sido bem traduzido.
E claro, também a música. Para ouvir bem alto.
Por curiosidade, diz-se que o nome Pearl Jam vem de uma geleia (jam) que a avó do vocalista Eddie Vedder (chamada Pearl) fazia. Como pearl também significa pérola, há quem diga que significa apenas "geleia de pérolas".
Given to fly
Pearl Jam
Capaz de voar
Ele poderia ter-se deitado, deitou-se
Mas levantou-se
Um tempo mau, nada o podia salvar
Sozinho num corredor, esperando, fechado
Ele saiu de lá, correu centenas de milhas
Chegou ao oceano, fumou numa árvore.
O vento levantou-se, fê-lo ajoelhar-se.
Uma onda acertou-lhe como um murro no queixo.
Entregou-lhe asas, hei, olha para mim agora
Braços bem abertos, com o mar como chão.
Oh, poder, oh.
Ele está a voar
Todo
Alto... longe... oh
Voltou a descer porque queria partilhar
A sua chave para os cadeados nas correntes que viu por todo o lado
Mas primeiro foi despido e depois ferido
Por homens sem rosto, bem, seus cabrões
Ele continua de pé.
E ele continua a dar o seu amor, ele simplesmente o oferece
O amor que ele recebe é o que é guardado
E às vezes é vista uma mancha estranha no céu
Um ser humano que foi capaz de voar
Alto... a voar
Oh, oh
Alto... a voar
Oh, oh
Ele está... a voar
Oh, oh
Given to fly
He could’ve tuned in, tuned in
But he tuned out
A bad time, nothing could save him
Alone in a corridor, waiting, locked out
He got up outta there, ran for hundreds of miles
He made it to the ocean, had a smoke in a tree
The wind rose up, set him down on his knee
A wave came crashing like a fist to the jaw
Delivered him wings, hey, look at me now
Arms wide open with the sea as his floor
Oh, power, oh
He’s... flying
Whole
High... wide... oh
He floated back down ’cause he wanted to share
His key to the locks on the chains he saw everywhere
But first he was stripped and then he was stabbed
By faceless men, well, fuckers
He still stands
And he still gives his love, he just gives it away
The love he receives is the love that is saved
And sometimes is seen a strange spot in the sky
A human being that was given to fly
High... flying
Oh, oh
High... flying
Oh, oh
He’s... flying
Oh, oh

Banana Girl - Rachael Fowler
Voltando a um post anterior e, porque as frutas estão na ordem do dia, qual será o papel da banana, quer à mesa, quer na cama?
Á mesa, sabemos que é rica em potássio, dizem que reduz o risco de ataque cardíaco e, mais recentemente, alguns psiquiatras recomendam, para pessoas que sofrem de depressão, o consumo de bananas. A banana aumenta os níveis de serotonina na conexão entre os neurónios. A serotonina, como se sabe, é um neurotransmissor que contribui para a sensação de bem-estar psíquico.
Diz, quem se interessa e pratica sexo tântrico, que a banana é fonte de energia erótica.
Temos dois chakras que se encontram de baixo da língua e no palato mole que tem o nome de Jiva - chakra. Os chakras são estimulados pelo beijo e por frutas.
Cada fruta tem um atributo mágico. Para a Banana, o lingan - poder masculino.
Para mim, afrodisíaco, só mesmo a forma, já que a cor amarelada e com manchas, nem aos olhos parece agradar.
Para quem preferir outras frutas:
Mamão – yoni, poder feminino.
Maça – representa também a yoni, além do conhecimento de si.
Morango – o coração, a capacidade de amar.
Caqui – Néctar da yoni. (lubrificante vaginal)
Uva – sêmen de Shiva. Estimula a sexualidade masculina.
A acreditar na wikipedia (e desculpem-me se acredito) Maria Severa foi a primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento. Se assim é esta senhora iniciou uma tradição que teve e tem algumas das melhores vozes femininas que eu conheço. Desde a brilhante e afamada Amália Rodrigues, passando pela Hermínia Silva e acabando na bestial e por demais conhecida Marisa, apenas para citar alguns exemplos. Claro que também há excelentes homens a cantar fado, mas isso ficará para outro post.
Hoje trago-vos mais uma voz brilhante do fado português, Aldina Duarte, com o fado "Ai meu amor se bastasse". Senhores e senhoras... silêncio que se vai cantar o Fado!

Foto: Daqui.
"Ai meu amor se bastasse
Saberes que eu te amo tanto
E cada vez que eu cantasse
Ai meu amor se bastasse
Saberes que é por ti que eu canto
Ai meu amor se bastasse
O que a cantar eu consigo
E mesmo que eu não cantasse
Ai meu amor se bastasse
O que a falar eu não digo
Ai meu amor se bastasse
Eu saber que não te basta
E na vida que eu gastasse
A Cantar eu reparasse
Que a nossa vida está gasta
Se o que eu tenho p'ra te dar
Quando eu canto te chegasse
Se isso pudesse bastar
Se me bastasse cantar
Ai meu amor se bastasse."
Letra: Manuela de Freitas
Música: Pedro Rodrigues de Quintilhas

Sim? Então aqui fica um fabuloso passatempo para o fim de semana...

Foto: Justin Grant
Coloquei-te na mesa, e tu te abriste
Em racha de onde a pevide já espreita,
Tarda o tempo em que te vou comer.
Num ritual de preliminares feito,
Apalpo-te o bojo e oiço sons
Que de dentro emites, como queixa;
- e olhas-me o instrumento já em riste.
Mas antes que te prepare o fino leito
Admiro-te a pele (de vários tons)
E como que à espera de uma deixa
Coloquei-te na mesa, e tu te abriste.
Não estás intacta, dá para ver
Teu interior vermelho, reluzente.
A água que me escorre já da boca
Que de pecaminosa gula se deleita
Quer que avance sem mais tempo perder.
E prestes chegarei com ar demente
E mordo e chupo e lambo, à louca,
Em racha onde a pevide já espreita.
É agora. Meu desejo mais não espera,
Que de esperas poderá desesperar.
E apareces-me assim feita talhada,
E no centro um castelo de prazer
Da arte de cortar a linda esfera.
Melancia, que a sede faz matar
Como se fora sede saciada.
Tarda o tempo em que te vou comer.
O PreDatado, in Frutas e outros comeres

foto: aNa
Baía Azul - Benguela

Foto daqui.
...há filmes do Woody Allen que são imperdíveis.

foto: aNa
(agora sinto que deveria escrever qualquer coisa mais séria, tipo onde é que tirei a foto - foi à saída da Casa do Gaiato em Benguela - e outras coisas que tais, mas não me sai da ideia a fruta do Pré. espero que esta amostra faça jus ao soneto do meu querido amigo. e, já agora, aos sonetos de todos os nossos colegas do blogue. lá espetaditas estão elas... elas espetaditas e eu atrevidita!)

Photo © Jef Maion
Apesar de ter, conhecer e ouvir muita música não sou um expert na matéria, mas na minha simples opinião de amante de música, este tema dos Oasis é excelente. Fazendo por momentos lembrar a excelência musical de alguns temas dos Beatles.
Aprendi há muito que a música deve ouvir-se alto e em bom som de forma a ouvirmos todos os instrumentos e sons que ela produz. Esta música merece ser ouvida assim :)
Bin
Don't Look Back In Anger (Live From MTV Unplugged)
Música © Oasis

É o primeiro museu do mundo dedicado a uma língua. Acaba de ser inaugurado em São Paulo.
Aqui, em primeira mão, o endereço para o site oficial do museu.
Se o Mário Mata,
a Florbela Espanca,
o Armando Gama
e o Jorge Palma,
o que é que a Rosa Lobato Faria?
E, já agora:
Talvez a Zita Seabra para o António Peres Metello

Foto: hassan farahani
Não chega já?
Ontem encontrei um caracol na porta do meu quarto. Já tinha pisado outro, no terraço de aceso a casa. Certo que nenhum deles, tinha os pauzinhos de fora, pois sol, é coisa que não tem aparecido nos últimos dias. Devia estar a fugir da humidade da rua, pois a sua casinha já não era suficiente.
Temo que na parede do quarto, comece a crescer musgo. Que no rodapé, nasçam cogumelos.
Este ano, não nos falem em seca.
Não chega já?

Photo © Jean-Sébastien Monzani
O POETA E A LUA
Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
The Killing Moon
Música © Echo and the Bunnymen
Começavam, quase sempre, com a entrada da mãe no quarto. Atarefada, mas na maior parte das vezes bem disposta e com um sorriso que impede qualquer um de reclamar do madrugar. "Vamos está um dia óptimo para a praia! Levantem-se seus preguiçosos! O vosso pai já saiu do banho e está a sair para o trabalho..." Eram normalmente as palavras escolhidas, enquanto nos abria as portadas da janela do quarto. Eu e o meu irmão dormíamos no mesmo quarto. Embora o número 449 da rua 16 fosse uma casa enorme, os meus pais deram abrigo, durante anos a fio, à família que veio do ultramar. Chamavam-lhes "os retornados", mas sobre eles falarei num outro post. É que há muita coisa a dizer sobre eles... mas a seu tempo.
Após o despertar carinhoso da mãe e dada a espreitadela na janela, era tempo de tirar a remela do olho e comer uma bucha e dois iogurtes que impedissem que a fome aparecesse durante a manhã. Claro que antes de ir para a praia tinhamos sempre que passar pelo supermercado e abastecer. O Gama ou o Novo Horizonte (passo a publicidade) eram as escolhas óbvias. A mãe tinha lá conta corrente e assim não tinhamos que despender nickles para abastecer a mochila com os óptimos "croisants" que o Gama tinha. Eram mesmo fabulosos! Parece que lhes sinto ainda o sabor.
Depois era só descer a 19, virar à direita na 16, seguir até à 7 ou à 9 (dependia se íamos chamar o Panchas, o Zé Miguel, O Miguel Jacinto, ou outro qualquer), virar à esquerda e começar a sentir o cheiro a maresia. Nos dias em que estava vento de oeste o cheiro era fabuloso. De uma intensidade impossível de descrever com o vocabulário que conheço. Por vezes também fazíamos o percurso da rua 19, onde encontrávamos o Peixoto, o Pickles, a Cila ou a Gabi, mas este era menos comum. O destino final era sempre a zona de praia mais a norte de Espinho. Para quem conhece Espinho é aquela zona onde está a esplanada nova (há quem diga que hoje se chama Marginal Miguel Maia e João Brenha, mas para mim será sempre a Esplanada... mesmo a parte nova). A praia de destino dependia do grupo com o qual tinhamos combinado na noite anterior no Esquimó, ou da localização de algum rabo de saia em que estivéssemos interessados. No entanto, entre a Pop Americano, a praia Azul, a Seca norte ou a Seca sul (lê-se Séca) alguma delas tornava-se a feliz contemplada com a nossa presença e um martírio para quem queria fazer praia sossegadamente. Ali não era lugar para isso. Alugassem a barraquita na praia Verde... mais indicada para os "antiquários"! Ali era para a galofa todo o dia.
Confesso que quando vou à praia, hoje em dia, me admiro como é que conseguíamos passar um dia (era mesmo um dia... das 9 às 21) na praia! Mas entre volley (desporto de eleição em Espinho, como sabem), futebol de praia, rugby, mergulhos, natação, remo nos barcos dos salva-vidas (tinhamos cunha), namoricos (havia sempre uma "camone" ou uma ave rara vinda de Lamas (lhamas no dialecto local) que despertavam o macho latino que havia e ainda há em cada um de nós) e passeios a armar ao pingarelho com os calções e óculos escuros novos passávamos lindamente o dia. Passavam até depressa demais visto daqui.
No fim do dia, exaustos, recolhíamos a casa. Impreterivelmente a mãe e o pai Bilhas esperavam pela nossa chegada para a janta, Passávamos sempre pela zona de desinfestacão das areias (vulgo mangueira do quintal), antes do banho de água quente e do jantar com toda a família. As conversas normalmente eram sobre o dia de praia e sobre a boa vida que nós tínhamos (sempre achei que o pai Bilhas ficava orgulhoso de nos poder ter dado este prazer de passar dias e dias de verão como este). E se era uma boa vida! Aliás... ainda é! Quem me conhece sabe que é.
À noite reunião no Esquimó. Isto na juventude mais distante. Depois abriu o Tubo de Ensaio, a Última instância, o Spinus, as esplanadas na praia, com especial relevo para o Bombar... se bem que o Esquimó continua lá. Para além de combinarmos o dia seguinte, faziam-se apostas de entradas nocturnas no mar (desde o paredão à praia da Baía), saltavam-se os muros da piscina, namorava-se, roubava-se alguma fruta no quintal do Padre Manuel (Deus perdoa-nos... não se preocupem) e acabava-se sempre por ir para a cave do João Nuno. Este sim um local de culto que um dia destes dará um post interessantíssimo.
E por hoje chega! Não os maço mais com histórias da terra onde as ruas não têm nome.
Vejo-te erecta suspensa no teu cacho
Seduzindo quem de ti se alimenta
E quem da sedução não se aguenta
Te agarra e colhe em poiso baixo.
Depois, suavemente ou sem demora
Baixando a cobertura em teu redor
Num impulso de vontade e com fervor,
Leva-te inteira à boca e te devora.
Mas, se por desleixo ou acaso ser,
Te desdenha, te despreza e te abandona,
Embora quase sempre doutras à tona,
Não te resta mais que amolecer.
Banana. Fruta, filha da tropicalidade,
Eterno símbolo da nossa virilidade.
O PreDatado, in Frutas e outros comeres
Três videoclips para os quais o som é meramente acessório:
O cheiro a éter era o mesmo ao de todas as enfermarias. O odor do álcool, embora não tão intenso, também se fazia sentir. E se o nariz fosse atento poder-se-ia mesmo descortinar a origem do perfume. O copo do whisky era a sua principal companhia durante os longos dias da viagem. Qualquer que fosse a hora a que o consultássemos lá estava com o seu companheiro, o copo de whisky em cima de uma mesa e ou em cima do frigorífico. Como todos os frigoríficos de enfermaria este deveria conter injecções, supositórios e outros medicamentos que não podem estar expostos às variações da temperatura ambiente. Ora, este frigorífico, quando se abria, possuía isso tudo lá dentro, juro. Mas como o espaço era grande, numa de aproveitamento máximo da energia disponível, toca de lá enfiar as belas garrafinhas da preciosa bebida porque a viagem seria longa. Além do whisky, o outro companheiro do enfermeiro era um dos pilotos. Como era visita permanente devido a uma úlcera estomacal e talvez porque não bebia (não fosse ter de partilhar o precioso líquido), o enfermeiro