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março 31, 2006

Hoje, não há post para ninguem ...

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Foto: Ehsan Shahin Sefa

... ainda estou a trabalhar!

Desejo-vos, um belíssimo fim de semana!

10º aniversário

Fui num dia de início de verão que cheguei pela primeira vez à empresa onde hoje trabalho. Estava a aproximar-se o final da manhã, e tinhamos que nos despachar para chegar a tempo de conversar com o responsável sobre os nossos estágios. O professor de Tecnologias aplicadas tinha-me proposto a mim e à Erica para o estágio da pós-graduação que estávamos a concluir. Normalmente estes estágios não eram feitos em empresas. Quase todos os outros colegas foram para alguma instituição pública.

Lá encontramos o boss (ainda é o mesmo e irão sempre ouvir-me chamar-lhe Boss ou Doc), uma secretária de duas pernas, a Aurora D'Lima como fazia questão de escrever e dois marmanjos da informática, o António (grande maluco) e o Sérgio (outro grande maluco). Conversa vai, conversa vem... acordámos os termos do estágio e as nossas tarefas e passados alguns dias demos início ao dito. Confesso que o estágio correu-me particularmente bem. Sou um tipo bem disposto e desenrascado e o tema (novas tecnologias aplicadas à minha área de formação) era ouro sobre azul. Mais algumas semanas numa conferência na Faculdade de Belas Artes do Porto seria surpreendido por um convite para começar a trabalhar a tempo inteiro na empresa. Foi o delírio, meus caros!

Na altura estava desempregadíssimo. Tinha estado a trabalhar no Museu de Aveiro com um empenho e dedicação que só percebo pelo gosto que tinha em trabalhar naquele museu e com aquela equipa, mas como não existiam lugares no quadro, não havia a possibilidade de eu continuar indefenidamente em contratos a tempo certo, a recibos verdes, ou nos eternos estágios profissionais que fazem baixar o número de desempregados do país. Então a coisa chegou mesmo no tempo certo. Um emprego com perspectivas de futuro e que juntava as minhas duas áreas de predilecção: património e novas tecnologias. Melhor não podia, não é?

Nesta empresa conheci pessoas extraordinárias. O António, conhecido para os lados de Campanhã como o Toninho Maluco, foi e ainda é o meu mestre nas questões tecnológicas. Se hoje sei o que é desenvolver uma aplicação em Visual Basic é fruto da sua paciência. O Sérgio e a Aurora tinham sempre as mais acessas discussões sobre Sky Alpino, futebol, gajas e as suas merdas, viagens, carros, etc. e permitiam que todos os outros se matassem a rir com os disparates todos que diziam. O Sérgio, é justo dizê-lo era também mestre para outras coisas da informática. Depois começaram a chegar mais pessoas. O primeiro foi o Paulo. Como é que alguém consegue descrever um amigo destes. É daquelas pessoas que nos faz rir mesmo quando está terrivelmente mal disposto nas manhãs de segunda-feira. Era um conhecido de um outro emprego, mas depressa se tornou um amigalhaço. Agora está em Madrid a trabalhar, mas continua a ser um de nós. Logo a seguir ao Paulo, chegou a Natália. Veio para a empresa exactamente como eu. Era colega da mesma pós-graduação. No entanto, sempre não teve que aguentar as secas monumentais dos informáticos que eu aguentei. Na altura já lhe conseguia traduzir e decifrar quase tudo que eles diziam. A Natália, para além de uma excelente amiga, é o meu braço direito. A "partener" como ela se auto denomina :). Por fim chegaram a Maria (a trapalhona da casa, mas como é designer a malta desconta-lhe a maior parte), a Sónia (que percebe de computadores, mas não sabe dizer não a tudo que lhe pedem), o Hugo (mais um grande maluco, mas já estamos habituados), a Margarida (que tem a belíssima mania do tudo organizadinho com as CI e controla as finanças da casa com o Boss), o Adão (que tem também uma pastelaria e faz uns bolos que nem vos conto) entre alguns estagiários que não ficaram por cá, dos quais destaco a Sílvia (nos últimos tempos esteve no Botswana numa acção humanitária). Recentemente chegou uma nova estagiária, a Elisabete... a ver vamos como corre.

Mas hoje falo-vos da minha empresa (e digo minha porque a considero um pouco assim) porque comemoramos 10 anos de existência. Anos de muito trabalho e empenho, de momentos maus e momentos bons (mais destes felizmente), de entendimentos de desentendimentos, de clientes novos e de projectos aliciantes. Dez anos (para mim apenas sete) que parecem ter passado a correr nas palavras do Doc. Bem o percebo. Esta empresa é para ele um projecto de vida, quase um filho. Desde que o conheço que uma das grandes preocupações é fazer com que cada um de nós seja amigo de todos os outros, porque acredita que só assim pode ter uma boa equipa que se apoia mutuamente e procura ultrapassar todos os obstáculos, sendo certo que a maior parte da responsabilidade está sobre os ombros dele. Não é dar graxa, não preciso de o fazer felizmente, mas é também um amigalhaço o Boss, muito mais do que um patrão.

Por fim meus caros este fim de semana é dedicado à empresa. Vamos para Tomar (uns copos) partir a louça toda e divertir-nos com as tiradas surreais da Maria após o primeiro gole de sangria de champagne!

Continuação de bom fim de semana

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Bom fim de semana

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Foto: Marcio Murilo Pilot

Frutas V

morango - Lyubomir Bukov.jpg
Foto: Lyubomir Bukov

Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.
*
Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
*
Voltando à cor, afinal


Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

de pequenino...

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foto: aNa

Pescaria Iemanjá - Baía Farta

março 30, 2006

O poço

Dizia-se que a água do poço era santa, quem dela bebesse, os seus males curava. Era uma água única. Diziam os filhos da terra que de Verão era fresquinha e que de Inverno até fumegava. O progresso chegou e trouxe consigo a água canalizada, mas o povo não esqueceu o poço. Todos os dias bebiam pelo menos um copo da sua água, quando estavam doentes, bebiam toda a que podiam.

Mas o poço estava ao lado de uma mansão abandona. Um dia, um forasteiro comprou a casa, e com ela o poço, e mudou-se para lá. Era um homem da cidade, que resolvera ir respirar ares menos poluídos.

No primeiro dia que chegou lá, viu algumas pessoas irem buscar água. Mandou-os embora. Eles não obedeceram, que a água do poço era de todos. Perante os seus ares ameaçadores, recuou.

Na semana seguinte, começou a ser erigido um muro à volta da casa e do poço. Numa semana ficou pronto. No dia seguinte, deitaram abaixo parte do muro, junto ao poço, e as pessoas continuaram a poder ir buscar água.

O muro foi reconstruído. A polícia foi chamada para evitar novos problemas. Se de dia, tirando os protestos contra o forasteiro, nada aconteceu, pela calada da noite, parte do muro foi dinamitada, permitindo novamente o acesso ao poço.

Mas o proprietário estava cada vez mais determinado. Voltou a reconstruir o muro, instalou câmaras de vídeo, colocou alarmes, arame farpado, cães de guarda, tudo o que se lembrou. Desta vez, o muro manteve-se de pé.

O povo nomeou então uma comissão para ir falar com o proprietário. Mas ele não cedeu, o poço era seu, aquela propriedade era sua, tinha-a comprado com o suor do seu trabalho.

Depois da comissão, foi o senhor padre. Bem tentou apelar ao seu coração cristão, mas nada feito. Se Deus estivera com ele todo aquele tempo, ajudando-o a acumular riqueza, também esta, com toda a certeza, do lado dele naquele assunto.

Alguns dias depois, já o sol morrera, numa noite calma em que o vento emudecera, estava ele em sua casa, quando os cães começaram a ladrar. Pegou na sua caçadeira, e saiu. Depois de verificar tudo da parte de dentro do muro, dirigiu-se ao portão. Abriu-o e espreitou. Nesse momento, um tiro quebrou o silêncio da noite, e uma bala certeira atingiu-o.

Atordoado, cambaleou, procurou as suas últimas forças, e num último instinto protector, fechou o portão da sua propriedade, antes de cair, morto.

uma aventura na mata

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fotos: aNa

como disse na altura, não houve avião para nos levar de Benguela para Luanda, e tivémos de fazer a viagem de jipe durante a noite. irá fazer mais logo, quinze dias.
chovia imenso. os primeiros cem quilómetros em terra batida cheia de altos e baixos. a táctica é sempre andar com um rodado na berma e ou outro na estrada. como chovia muito e as bermas estavam mais fofas, raramente se optou por essa alternativa.
viajávamos há cerca de duas horas, tinha eu acabado de fechar os olhos e sinto o carro a deslizar para a minha direita, a inclinar-se e ouvi dizer "já fomos!". antes, já estávamos! enterrados e como carro a tombar para a ribanceira. que depois verificarmos ser pequena, mas ainda assim suficiente para capotarmos e a viagem ficar por ali.
saímos do carro, ainda a tremer com medo que ele se virasse. lá fora, escuro como breu e só os ruídos da mata. lindo! aos poucos os olhos foram-se habituando à escuridão e já víamos muito bem - estava lua cheia, embora as nuvens só deixassem passar alguma claridade.
começaram a procurar uma árvore suficiente forte para amarrar o guincho eléctrico, que nos permitiria tirar o jipe e seguir viagem. à volta algumas árvores mas nenhuma com a grandeza que se impunha. e não podíamos correr o risco do guincho se soltar, pois aí é que o jipe tombava de vez!
não podendo recorrer à mãe natureza, só nos restava esperar que alguns dos carros que tínhamos passado há imenso tempo conseguissem alcançar-nos. o que poderia levar horas, visto haver um pouco antes uma povoação e eles poderem lá parar para descansar.
ouço dizer "vem aí um carro". eu olho e não vejo luz nenhuma. só passado uns minutos é que consegui vislumbrar alguma claridade. isto, quem sabe, sabe, quem não sabe fica triste! era um autocarro. depois, a operação foi fácil. atar o guincho, pegar no comando e aí vai disto: jipe fora de perigo!
poderia ter demorado horas. eu, com a mania que ganhei no futebol de cronometrar tudo, olhei para o relógio quando saí do jipe: 01h22m. às 01h40m estávamos com o jipe pronto para seguir!
prova superada em contra-relógio!

Estratégias para a cultura

Isabel Pires de Lima tem sido criticada por não ter uma estratégia clara para a Cultura. Depois de a ouvir com atenção, fiquei com a impressão de que o problema não será exactamente falta de estratégia, antes excesso de ambição, idealismo e depois, falta de planos de acção.
A Ministra aponta como prioridade a Internacionalização da cultura portuguesa, partindo do princípio de que fazer diplomacia cultural é também fazer diplomacia económica. Não podíamos concordar mais. Na verdade, já era tempo de alguém evidenciar esse aspecto, mas ela não avança com medidas concretas.
A Ministra aponta a Conservação Preventiva como outra prioridade - não só do património edificado, como do livro antigo, por exemplo - ou seja, mudar a arquivística. Não podíamos concordar mais, mas ela não avança com medidas concretas. (se souberes de qualquer coisa, Bilhas, informa-nos)

Outro grande objectivo do actual Ministério da Cultura é o de incluir Portugal na rota das grandes exposições da Europa. Para isso prosseguem as negociações (que já têm um histórico de dez anos) para a fixação da colecção de arte do comendador Joe Berardo em Portugal, que seria integrada num novo Museu de Arte Contemporânea, em Lisboa. Por agora todos parecem optimistas, Joe Berardo incluido! Porque se trata de uma negociação, e não de uma doação, está previsto um "elevado esforço financeiro" por parte do Estado, mas a Ministra não adianta valores! Outra notícia fantástica é a provável celebração do Protocolo Hermitage. O Museu Hermitage é um dos maiores do mundo e faz circular as suas exposições na Europa e EUA. Se este acordo for assinado, a partir de 2010, Portugal passa a ser o terceiro ponto da Europa onde essas exposições poderão ser vistas. Preocupante: o Protocolo está quase a ser assinado mas, diz a Ministra, só agora foi criada uma comissão para orçamentar o projecto!?

Outra grande aposta estratégica da Ministra é a Descentralização. Eu acho que é uma excelente ideia dinamizar a rede de Cineteatros, concertando programação e oferta, optimizando recursos. Porque a cultura "é um veículo de qualificação dos portugueses", é excelente que o Estado aposte nos Serviços Educativos desses organismos e incentive programações para o público escolar. Com o projecto "Território das Artes", o Ministério pretende ainda fazer uma "divulgação local" das artes. São só boas ideias! Mas, a começar pelo caso da nomeação do novo Director do Teatro Nacional, da responsabilidade do poder central, a acabar nas nomeações dos Directores dos Cineteatros pelos Presidentes de Câmaras Municipais, verificamos que o critério a que se obedece não é tanto o da competência mas mais o da cor política. Em Aveiro, pós-autárquicas, o novo executivo camarário (PSD-CDS) "despediu" o recentemente investido Director do Teatro Aveirense... que era Paulo Ribeiro, ex-Director Artístico da Fundação Gulbenkian e, crime maior, simpatizante socialista! Temos uma Câmara sem competência no domínio artístico a demitir um programador cultural qualificado! OK!
A Ministra diz que muda Direcções porque quer mudar correntes. Vê as críticas como naturais "quando se incomoda os interesses instalados". Fico à toa! É que ela é capaz de ter alguma razão! Mas como quebrar o ciclo? Como não instalar novos interesses... que não são os nossos, nem os da Ministra, que, sem pessoal competente, não descentraliza nada nem qualifica público algum!


PS: Que não se conclua destas palavras que responsabilizo o Estado, ou o PS ou o PSD, pelo atraso português em matéria de produções e consumo culturais. Ele há a Escola, pois! E os Media, pois! E o Estado pode regular e legislar melhor, é claro! Mas na verdade, acho que é tempo de nos responsabilizarmos todos por este estado de situação. Quando escolhemos a TVI, ou a novela brasileira, ou o Circo das Celebridades, quando deixamos o Teatro lá da terra às moscas, não sabemos onde fica o Cineclube local, não lemos mais que um ou dois livros por ano, fazemos uma opção em termos do país (e do mundo) que queremos para nós, ou não? :P

Notícia de última hora

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Casamento em Portugal.
Sintra, onde o actor passou a lua de mel com a ex-mulher, terá sido o local escolhido.
(Não me parece que tenha sido uma boa ideia, esta de reviver o passado em Sintra.)

Fonte: Sic Notícias, 30.03.2006, 9:00h

março 29, 2006

Bird-Flu para Totós

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Simplex e porque não Kleenex

Para que não me acusem de estar sempre a falar do Benfica (essa gloriosa equipa de futebol que ontem quase que ganhava, com sorte, ao Barcelona) hoje vou falar-vos do Simplex. Para os nossos leitores estrangeiros (que segundo os últimos estudos da Eurosondagem são quase 1 milhão) aviso que não se trata de uma equipa de futebol nova, nem sequer de um produto de venda na teleshop. Não... nada disso! É o programa do governo para a simplificação administrativa do estado (daí o Simplex... estes gajos são bons a dar nomes aos programas... então não é melhor assim do que uma sigla do género PSAE. Devem ter lá algum especialista em marketing). E lembro, os estrangeiros e também os nacionais, que não há nada mais urgente do que simplificar o Estado (é que o filho da mãe é complicado como o caraças... aliás consegue ser ainda mais complicado do que o caraças).

Então este Simplex, anunciado ao mundo em conferência de imprensa que mais parecia um anúncio de um novo sistema operativo da Apple (sem as qualidades gráficas da dita, nem a personalidade excêntrica do Steve Jobs), parece que intenta facilitar a vida aos cidadãos, empresas e outras entidades que necessitam do Estado para uma bodegazita qualquer que normalmente envolve toneladas de papéis, horas perdidas em burocracia e autênticas visitas guiadas de guichet em guichet pelos corredores das repartições públicas.

Confesso-vos que vale a pena ler e perceber o que vai mudar (eu espero sinceramente que mude mesmo) na nossa relação com o Estado. No entanto acho que para alguns dos males do Estado seria melhor utilizar Kleenex com um Cilit Bang poderossísimo (daqueles que limpa sem esfregar).

As minhas escolhas.

Divas e contrabaixos - V Edição do concurso O Escritor Famoso - Actos de Cinema

Não se querem candidatar a um Óscar? Participem em mais uma inicitiva da Maria. ACÇÃO!!!

Estado Civil - Femme fatale (2)

Pensamentos de um solteiro.

Míscaro Venenoso - Envia uma mensagem para o ...

Onde vai parar a vida sexual desta juventude? O Míscaro está preocupado.

Frutas IV

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Foto: Roberto Roseano

Tenho com ela uma atitude nobre.
Suavemente, a rugosa veste retirando
Retribui-me essa nobreza, me mostrando
O véu sedoso que seu corpo cobre.

Espera de mim um pouco mais de aprumo.
Não a defraudo e, como se fora mestre
Dispo-a então dos restos que se veste
E já nua, chupo seu delicioso sumo.

Mas nem sempre esta atitude tomo
Gosto de a comer de feição diversa,
Por isso, a abro muitas vezes em flor.

E, egoísta, a seus gomos eu assomo.
- vou ser directo, basta de conversa -
Sou louco por laranja, (não pl’a cor).

O PreDatado, in Frutas e outros comeres

Três .6

Três coisas em que eu já acreditei incomparavelmente mais:

  • Pai Natal;
  • Coelhinho da Páscoa;
  • Amor.

  • março 28, 2006

    Frutas III

    cereja.jpeg

    Coloco-te nas orelhas só por graça,
    Dentro de água gelada ou sobre gelo.
    Faço de ti licor e p’ra bebê-lo
    Te verto em copo ou cristalina taça.

    No meio de chocolate licoroso
    Te chupo e faço, por isso, derramar,
    Correndo no queixo sem queixar,
    Um liquido suave e bem viscoso.

    De todo o jeito, para te comer eu sou capaz
    Saltar veredas e te colher na árvore
    Sejas tu vermelhinha ou como mármore,

    Na praça adquirir mais de um cabaz
    Tal como as conversas, é assim:
    Cereja puxa cereja até ao fim!

    O Predatado, in Frutas e outros comeres

    Infância e Lilly, claro que gostas

    criança -wilson tsoi.jpg
    Foto: wilson tsoi

    Claro que gostas.
    Ainda gostas. Como naquele dia que, regressadas da escola, despiste o bibe sujo de tinta, das aguarelas com que nos tínhamos entretido na sala de aula. Eu, sempre mais sossegada e tranquila, com o bibe imaculado, como se o tivesse acabado de vestir.

    Fui uma criança assim. Tranquila, cumpridora de regras, sem as questionar ou por em causa. Conformada e comportada. Responsável. Tive uma infância pacífica e devo ter sido muito feliz. Tão feliz, que me fiz mulher. Menos conformada, mais lutadora, mas igualmente tranquila.

    humm...

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    candengue na Caota
    foto:aNa


    - tá? Kuman? Mantorra vai jogá? não? ché! tem di jogá!!!

    Até os comemos, carago!

    Se não se importam, hoje gostaria de ver o Ronaldinho assim:
    ronaldinho_serio.jpg

    não assim:
    Ronaldinho_alegre.jpg

    Eu sei que o Benfica já chegou muito longe, mas não fazia mal se fosse um pouquinho mais...

    Karla, e já te disse que gosto muito de ti?

    Sarah Afonso -Meninas-1928.jpg
    Sarah Afondo, Meninas

    março 27, 2006

    Intercâmbio (tranquila, Karla: eu não falo de teatro!)

    Amanhã vai acontecer um raro intercâmbio:

    Milhões de espanhois vão ser benfiquistas.

    Milhões de portugueses (se calhar menos que no primeiro caso) vão ser do FC Barcelona.

    Mas, por questões puramente numéricas e de quantidade, acho que com esta regra de três, amanhã e por causa espanhola o Benfica vai ter mais adeptos do que nunca teve.

    Paradoxas hispano-lusas... não acham?

    PD: o único espanhol benfiquista de coração, o que escreve...

    Dia Mundial do Teatro e ai Karla, sente, sente! :))

    Este fio é a única coisa que me liga ainda à nossa vida.................Anteontem à noite? Dormi. Deitei-me com o telefone.........................não, não. Levei-o para a cama............Claro, fui ridícula, mas se levei o telefone para a cama é porque ele, apesar de tudo, nos une ainda. Liga esta casa à tua casa e não te esqueças que me tinhas prometido falar. Imagina que mergulhei na confusão dos sonhos. A tua chamada transformava a campainha do telefone num som mortal e eu caía; depois, vi um pescoço branco que alguém estrangulava; depois ainda, achei-me no fundo de um mar que se parecia com o apartamento de Auteuil, ligada a ti por um tubo de escafandro e a suplicar-te que o não cortasses. Enfim, sonhos estúpidos quando se contam; mas o pior é que durante o sono eram demasiado vivos. Terrível, meu amor..................................................Porque tu me falas. Há cinco anos que vivo de ti, que és o ar que posso respirar, que levo o tempo à tua espera, a julgar-te morto quando te demoras, a morrer porque te julgo morto, a reviver quando entras e te vejo, a morrer com medo de partires. Neste momento, respiro porque me falas.

    in A Voz Humana
    Jean Cocteau

    Dia Mundial do Teatro e ai Karla, eu nem sei o que te faça! :)

    Luís de Camões: É Vossa reverença o revedor do meu livro...
    Frei Bartolomeu Ferreira: Eu sou. E hei-de vos dizer, posto que não tenha concluído ainda a segunda leitura, que não encontro nele coisa contrária à nossa santa fé. O mesmo, porém, não ousaria dizer no que toca aos bons costumes. Vossa Mercê por todo o lado introduz nudezas, e em tal excesso que fará da leitura um constante alerme dos sentidos.
    Luís de Camões: São elas muito necessárias à minha fábula. Vossa Reverença bem sabe que os antigos deuses cuidavam pouco de roupagens, em particular as deusas, consoante as vemos costumadamente representadas em pinturas e estátuas. Também Eva, nossa primeira mãe, e Adão, nosso primeiro pai...
    Frei Bartolomeu Ferreira: Mais devagar, senhor Luís de Camões. Adão e Eva viviam nus quando em estado de inocência. Logo que cairam em pecado, determinou o Senhor, enfim, não o determinou o Senhor, eles foram que viram que estavam nus e vestiram-se. Por forte razão, como vedes.

    in Que Farei Com Este Livro?
    José Saramago

    Dia Mundial do Teatro

    Como disse o mais recente deus do futebol nacional, esse guru da bola que dá pelo nome de José Mourinho, amanhã vamos ter no fabuloso estádio da Luz uma das equipas que mais teatro faz! (Ok... ele disse que quem fez o teatro foi o Messi, mas isso agora não interessa nada).

    Então como hoje é Dia Mundial do Teatro aproveito para o lembrar e recomendar esta celebração e, já agora, desejar ao Glorioso que amanhã (com ou sem teatro) consiga ganhar ao Barcelona! Podem ser aí uns "quinxe a xero!", mas se for por um... marcado com a mão do "Vata" (onde andará este marmanjo) também ficamos extremamente agradecidos!

    É o teatro português...

    Gil Vicente, Almeida Garrett, Bernardo Santareno, Romeu Correia, Luís de Sttau Monteiro, Luís de Camões, D. João da Câmara, António José da Silva, António Ferreira, Raul Brandão, Luísa Todi, Mário Viegas, João Mota, Eunice Muñoz, Diogo Infante, João Villaret, Ruy de Carvalho, José Viana, João Guedes, Palmira Bastos, Maria Matos, Cármen Dolores, Raul Solnado, Maria do Céu Guerra, Vasco Santana, Laura Alves, Beatriz Costa, Seiva Trupe, Amélia Rey Colaço, A Barraca, TEC, Guilherme Cossul, A Comuna, Luís Francisco Rebello, José Oliveira Barata.


    Muitos mais nomes haveria a referir, muitos, muitos mais. Quero nestes autores, actores, companhias e estudiosos, que me vieram assim de repente à cabeça, prestar a minha homenagem ao Teatro Português, neste Dia Mundial do Teatro.

    Sendo hoje o Dia Mundial do Teatro...

    ...não posso deixar de divulgar o que se faz na minha terra.
    Hoje, no Teatro Municipal Pax Julia, em Beja, estreia a peça MADALENA JOPLIN pelo Arte Pública.
    Uma intervenção dramática para uma única actriz: Gisela Cañamero.
    Primeiro, interpretando a personagem Maria Madalena através do belíssimo texto de Marguerite Yourcenar.
    Depois, fazendo reviver a mítica Janis Joplin, cantora americana, que personificou os mais alarmantes aspectos do estilo de vida rock´n roll.
    O espectáculo tem início marcado pelas 22 horas e o preço dos bilhetes é de 3 euros.

    Dia Mundial do Teatro e ó Karla, escuta!

    Winnie:... Pois é... assim eu pudesse suportar a solidão, quero dizer, ficar para aqui a pairar sem ser ouvida por ninguém. Não é que eu tenha ilusões, Deus me livre. Tu não ouves lá grande coisa, Willie. Há mesmo dias em que não ouves nada. Mas há também outros em que respondes. De maneira que eu posso sempre dizer de mim para mim, mesmo quando não respondes e talvez nem oiças: Winnie, posso eu dizer, há alturas em que alguém te escuta, tu não estás a falar só para ti própria, quero dizer, no deserto, coisas que eu nunca pude suportar - por muito tempo. E é isso que me permite continuar, continuar a falar, entenda-se. Enquanto que, se tu viesses a morrer, para falar à moda antiga, ou se te fosses embora e me deixasses, que havia eu de fazer então, que poderia fazer ao longo do dia, quero dizer, desde o instante em que a campainha toca para acordar até ao instante em que a campainha toca para adormecer?

    in Dias Felizes
    Samuel Beckett

    Dia Mundial do Teatro e ó Karla, não digas isso!

    Criado: Senhor.
    Director: Que é?
    Criado: Está aí o público.
    Director: Que entre.

    in O Público
    Federico Garcia Lorca

    Dia Mundial do Teatro

    theatre.jpg
    daqui

    Não gosto de teatro, mas apetecia-me escrever aqui qualquer coisa.
    É um sacrilégio, eu sei. Mas nunca me julguei perfeita.
    O mundo também não é perfeito.

    l'air de rien, ou uma banda que não precisou do CPE para se revoltar


      ces nains qu'on paie tant


      letra e música : Thomas JIMENEZ

      Ces inconscients scient sciemment la branche
      Sur laquelle nous sommes tous assis
      N'ont rien à faire des conséquences
      De tout ce qu'ils ont entrepris
      Et même si la Terre prend sa revanche
      Et même si tout ça se finit
      En Big Bang ou en avalanche
      Du moment qu'les pros en profitent

      Insupportable bruit de nos voisins du d'ssus
      Coups d'éclat médiatiques et discours ambigus
      Insupportable bruit de ces " français d'en haut "
      Qui à coup de hautes idées ont tué nos idéaux

      Ces cons scient consciencieusement les branches
      De l'arbre de la vie
      Si la vie se coupait en tranches
      S'en payer une s'rait hors de prix
      Si la Terre était une planche
      Ils la vendraient à la Syrie
      La Terre est bleue comme une orange
      Ils veulent la repeindre en gris

      Insupportable odeur de leur cuisine éléctorale

      Grassement diététique, si peu éthique si ammorale
      Insupportable, les magouilles, les non-lieux
      Quelle main supporte donc cette France du Milieu ?

      Ces inconscients scient sciemment la branche
      Sur laquelle nous sommes tous assis
      N'ont rien à faire des conséquences
      De tout ce qu'ils ont entrepris
      Et même si la Terre prend sa revanche
      Et même si tout ça se finit
      En Big Bang ou en avalanche
      Du moment qu'les pros en profitent

      Ces cons sanguins scient consciencieusement les branches
      De l'arbre de la vie
      Si la vie se coupait en tranches
      S'en payer une s'rait hors de prix
      Si la Terre était une planche
      Ils la vendraient à la Syrie
      La Terre est bleue comme une orange
      L'ont ils déjà repeinte en gris ?

      Ces incompétents plus haut qu'leur cul
      Sur le trône du pouvoir
      N'veulent pas sentir que tout ça pue
      Et refusent de voir
      Que leurs idées s'ils en ont eu
      Ne furent qu'idées noires
      Rêves d'impunité absolue
      D'une dictocratie sans histoires
      Tolérance zéro pour la rue
      L'humanité à l'abattoir
      Que la BUSH'rit continue
      Que pullulent les SHARON'gniards




      l
      Foto: André Lopes de Arruda

      março 26, 2006

      Bird-Flu para Totós

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      A lingú maquista

      Utilizado durante cerca de trezentos anos como linguagem familiar entre os macaenses, mesmo entre as famílias mais distintas, o patuá era bandeira dos macaenses, que se orgulhavam de ter o que os naturais de Hong Kong não tinham: uma língua própria.

      Crê-se que a sua origem esteve na passagem dos portugueses por Malaca (cerca de 1511), onde fruto da união de alguns portugueses com mulheres malaias, nasceu o dialecto português-malaio, conhecido por papia kristang (dialecto cristão), que usa a gramática malaia e na sua maioria vocabulário da língua portuguesa. O mesmo terá sido trazido para Macau, quando os portugueses se fixaram na península em 1557, tendo tomado características próprias.

      Ficou conhecido sob várias denominações, como macaista chapado (macaense puro), creolo de Macau, papia cristam di Macau (língua cristã de Macau", dóci língu di Macau (doce língua de Macau), e doci papiaçam (falar doce).

      Com o desenvolvimento do ensino em língua portuguesa, o desaparecimento das gerações mais antigas e o êxodo dos macaenses devido aos ataques dos japoneses durante a segunda guerra mundial, o dialecto foi desaparecendo, estando hoje praticamente extinto.

      Natural de Macau, José Inocêncio dos Santos Ferreira (Adé) foi sem dúvida o grande responsável pelo relançamento deste dialecto, dedicando grande parte da sua vida à divulgação do dialecto macaense em cada poema, em cada livro, em cada peça de teatro, levando as gerações mais novas a recuperá-lo, demonstrado um interesse muito grande pela preservação deste pedaço da história e do património cultural de Macau e dos macaenses. Adé deixou-nos a 24 de Março de 1993, mas graças a si podemos hoje encontrar o patuá em muitas das suas obras e ouvir o doce linguajar nas peças de teatro que o grupo Doce papiacám de Macau leva à cena.

      Aqui vos deixo um poema de José dos Santos Ferreira, um olhar sobre Macau, que fará sorrir quem por aqui passou.


      Macau, beléza di passado*

      Tera di fé, qui Dios j` abençoá,
      Casa qui Têm sosségo, têm pâm;
      Fogo sandino pa` vêm lumiá
      Alma fichado n` iscuridám.

      Tera di chiste co formosura,
      Retrato di Sol na Primavera;
      Riva, Ceu azul; basso verdura;
      Fora, mar chám; dentro sánto tera.

      Sã Macau! Nôsso bérço cristám,
      Jardim na pê di Mundo semeado ...
      Sã Macau, qui têm su coraçam
      N` unga dilúvio di amor banhado.

      Macau n` unca-sã hoze sômente:
      Sã tudo di bom qui na passado
      Capacidade di nôsso gente
      Criá co trabalo ismerado.

      Aqui têm pagode antiquado,
      Ali, gréza arto co su sino,
      Rua co travessa consertado,
      Ornado co casa piquinino.

      Prai-Grándi damostrá formosura!
      Arto Guia, co farol empido,
      Têm Nos` Siora, méga, co doçura,
      Ta protezê Su gente quirido.

      Subí Pénha contemplá Capela,
      Vêm basso buscá Bica Lilau.
      Sám Tiago, na Bara, sentinela,
      Co espadarám viziá Macau.

      Sám Lorénço sã qui vêlo bairo,
      Co su antigo Quatel di Môro.
      Na Chunambéro nôs panhá nairo,
      Na San-Ma-Lou pôde comprá ôro.

      Ma-Kok-Mio sai na embocadura,
      Lembrá Macau na bérço mulado:
      N` unga lado, sã mar di bravura,
      N` otrunga, lágri sacrificado.

      Arto, basso, grándi, piquinino,
      Um-cento bote na mar bojá.
      Curto, comprido, tufado, fino,
      Sã pêsse qui ilôtro pescá.

      Na meo de cidade sai Senado,
      Co botica de catá-cutí.
      Unga Siminário respetado,
      Têm na traz, pa Dios ficá sirvido.

      Misericórdia de Dom Melchior
      Têm ali co suave humildade.
      Tong-Sin-Tóng, co su grándi fervor
      Nom-têm fim di fazê caridade.

      Más pa diánte, olá Taraféro,
      Co botica di catá-cutí.
      Vai riva sã ta olá bombéro,
      Hospital Kiang-Vu qui china erguí.

      Di Basso-Mónte vai La-Chap-Mio,
      Lónge di bairo di S-Li-T`au.
      Na unga vánda, sã têm san Kio,
      Na otrunga, olá Matapau.

      Fortaléza Mónte co su peça,
      Lembrá nôsso Macau di otrora;
      Andá vai diánte, decê travessa,
      Gréza Sant` António sai vêm fora.

      Decê Sé, sã ta vai Sám Domingo
      Rezá pa Mai di Dios co fervôr.
      Vai Sant` Agostinho na domingo,
      Adorá Siôr Passo na andôr.

      Traz di Sám Laz` ro têm Sám Miguel,
      Pa alma di justo discansá.
      Virá Flora, passa na quatel,
      Sã ta intrá na bairo Mong-há.

      Têm unga vánda chomá Tap-Siac,
      Co unga porçám di casarám.
      Vai más pa riva sã Macau-Siac,
      Co Ilha Vérde na bocarám.

      Na Sám Januário têm Hospital,
      Co Sám Francisco na pê di Guia;
      Cavá olá Môro-as Ramal,
      Virá, sã têm na Dóna Maria.

      Di Sám Paulo, dêce vai Jardim
      Co nómi di Camões esquivido.
      Porta-Cérco sã têm na fim-fim,
      Co su portám di fero erguido.

      Lugar janota, desdi qui ora,
      Aqui China, ali Portugal,
      Macau champorado já vêm fora
      Unga jardim qui nom-têm igual.

      Tera di fé qui têm coraçám,
      Têm alma, inchido de beléza,
      Sã Macau! Nôsso bérço cristám,
      Di Portugal chistosa princésa.

      Adé dos Santos Ferreira, em “Macau di tempo antigo”
      Dezembro de 1984

      e se nos despedíssemos do Inverno com Piazzolla?

      Nathalie Grenzhaeuser - Trees- from de seies Omaha Beach 2002.jpg
      Foto de Nathalie Grenzhaeuser

      Astor Piazzolla, Inverno Porteño, Tango.
      Interpretação de Patricia Kopatchinskaja, Sol Gabetta e Henri Sigfridsson.


      março 25, 2006

      Capaz de voar?

      pearljamgiventofly.jpg

      Há canções que me fascinam.
      Não só pela música mas também pela letra.
      Tento sempre perceber a letra, mas às vezes é difícil. Esta é uma delas.
      Vou deixar aqui a minha tradução da letra e o original, para o caso de alguém me querer ajudar, corrigindo o que possa não ter sido bem traduzido.
      E claro, também a música. Para ouvir bem alto.
      Por curiosidade, diz-se que o nome Pearl Jam vem de uma geleia (jam) que a avó do vocalista Eddie Vedder (chamada Pearl) fazia. Como pearl também significa pérola, há quem diga que significa apenas "geleia de pérolas".

      Given to fly
      Pearl Jam

      Capaz de voar

      Ele poderia ter-se deitado, deitou-se
      Mas levantou-se
      Um tempo mau, nada o podia salvar
      Sozinho num corredor, esperando, fechado
      Ele saiu de lá, correu centenas de milhas
      Chegou ao oceano, fumou numa árvore.
      O vento levantou-se, fê-lo ajoelhar-se.

      Uma onda acertou-lhe como um murro no queixo.
      Entregou-lhe asas, hei, olha para mim agora
      Braços bem abertos, com o mar como chão.
      Oh, poder, oh.

      Ele está a voar
      Todo
      Alto... longe... oh

      Voltou a descer porque queria partilhar
      A sua chave para os cadeados nas correntes que viu por todo o lado
      Mas primeiro foi despido e depois ferido
      Por homens sem rosto, bem, seus cabrões
      Ele continua de pé.

      E ele continua a dar o seu amor, ele simplesmente o oferece
      O amor que ele recebe é o que é guardado
      E às vezes é vista uma mancha estranha no céu
      Um ser humano que foi capaz de voar

      Alto... a voar
      Oh, oh
      Alto... a voar
      Oh, oh
      Ele está... a voar
      Oh, oh

      Given to fly

      He could’ve tuned in, tuned in
      But he tuned out
      A bad time, nothing could save him
      Alone in a corridor, waiting, locked out
      He got up outta there, ran for hundreds of miles
      He made it to the ocean, had a smoke in a tree
      The wind rose up, set him down on his knee

      A wave came crashing like a fist to the jaw
      Delivered him wings, hey, look at me now
      Arms wide open with the sea as his floor
      Oh, power, oh

      He’s... flying
      Whole­
      High... wide... oh

      He floated back down ’cause he wanted to share
      His key to the locks on the chains he saw everywhere
      But first he was stripped and then he was stabbed
      By faceless men, well, fuckers
      He still stands

      And he still gives his love, he just gives it away
      The love he receives is the love that is saved
      And sometimes is seen a strange spot in the sky
      A human being that was given to fly

      High... flying
      Oh, oh
      High... flying
      Oh, oh
      He’s... flying
      Oh, oh

      aquí sólo soñamos con una cosa:

      PAZ-1000.jpg

      foto daqui.

      Será desta vez?

      março 24, 2006

      Afrodisíacos II

      banana_girl rachel fowler.jpg
      Banana Girl - Rachael Fowler

      Voltando a um post anterior e, porque as frutas estão na ordem do dia, qual será o papel da banana, quer à mesa, quer na cama?

      Á mesa, sabemos que é rica em potássio, dizem que reduz o risco de ataque cardíaco e, mais recentemente, alguns psiquiatras recomendam, para pessoas que sofrem de depressão, o consumo de bananas. A banana aumenta os níveis de serotonina na conexão entre os neurónios. A serotonina, como se sabe, é um neurotransmissor que contribui para a sensação de bem-estar psíquico.

      Diz, quem se interessa e pratica sexo tântrico, que a banana é fonte de energia erótica.
      Temos dois chakras que se encontram de baixo da língua e no palato mole que tem o nome de Jiva - chakra. Os chakras são estimulados pelo beijo e por frutas.
      Cada fruta tem um atributo mágico. Para a Banana, o lingan - poder masculino.

      Para mim, afrodisíaco, só mesmo a forma, já que a cor amarelada e com manchas, nem aos olhos parece agradar.

      Para quem preferir outras frutas:
      Mamão – yoni, poder feminino.
      Maça – representa também a yoni, além do conhecimento de si.
      Morango – o coração, a capacidade de amar.
      Caqui – Néctar da yoni. (lubrificante vaginal)
      Uva – sêmen de Shiva. Estimula a sexualidade masculina.

      Cantadeiras de fado

      A acreditar na wikipedia (e desculpem-me se acredito) Maria Severa foi a primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento. Se assim é esta senhora iniciou uma tradição que teve e tem algumas das melhores vozes femininas que eu conheço. Desde a brilhante e afamada Amália Rodrigues, passando pela Hermínia Silva e acabando na bestial e por demais conhecida Marisa, apenas para citar alguns exemplos. Claro que também há excelentes homens a cantar fado, mas isso ficará para outro post.

      Hoje trago-vos mais uma voz brilhante do fado português, Aldina Duarte, com o fado "Ai meu amor se bastasse". Senhores e senhoras... silêncio que se vai cantar o Fado!

      AldinaDuarte1m.jpg
      Foto: Daqui.





      "Ai meu amor se bastasse
      Saberes que eu te amo tanto
      E cada vez que eu cantasse
      Ai meu amor se bastasse
      Saberes que é por ti que eu canto

      Ai meu amor se bastasse
      O que a cantar eu consigo
      E mesmo que eu não cantasse
      Ai meu amor se bastasse
      O que a falar eu não digo

      Ai meu amor se bastasse
      Eu saber que não te basta
      E na vida que eu gastasse
      A Cantar eu reparasse
      Que a nossa vida está gasta

      Se o que eu tenho p'ra te dar
      Quando eu canto te chegasse
      Se isso pudesse bastar
      Se me bastasse cantar
      Ai meu amor se bastasse."

      Letra: Manuela de Freitas
      Música: Pedro Rodrigues de Quintilhas

      Gostas de ténis?

      Ténis
      Recebido por e-mail

      Sim? Então aqui fica um fabuloso passatempo para o fim de semana...

      Bom fim de semana

      justinGrant.jpg
      Foto: Justin Grant

      Frutas II


      Coloquei-te na mesa, e tu te abriste
      Em racha de onde a pevide já espreita,
      Tarda o tempo em que te vou comer.

      Num ritual de preliminares feito,
      Apalpo-te o bojo e oiço sons
      Que de dentro emites, como queixa;
      - e olhas-me o instrumento já em riste.
      Mas antes que te prepare o fino leito
      Admiro-te a pele (de vários tons)
      E como que à espera de uma deixa
      Coloquei-te na mesa, e tu te abriste.

      Não estás intacta, dá para ver
      Teu interior vermelho, reluzente.
      A água que me escorre já da boca
      Que de pecaminosa gula se deleita
      Quer que avance sem mais tempo perder.
      E prestes chegarei com ar demente
      E mordo e chupo e lambo, à louca,
      Em racha onde a pevide já espreita.

      É agora. Meu desejo mais não espera,
      Que de esperas poderá desesperar.
      E apareces-me assim feita talhada,
      E no centro um castelo de prazer
      Da arte de cortar a linda esfera.
      Melancia, que a sede faz matar
      Como se fora sede saciada.
      Tarda o tempo em que te vou comer.

      O PreDatado, in Frutas e outros comeres

      para limpar os olhos da chuva

      bng-mar06-059.jpg
      foto: aNa

      Baía Azul - Benguela

      março 23, 2006

      Já que estamos numa de bananas...

      bananaswoody.jpg
      Foto daqui.

      ...há filmes do Woody Allen que são imperdíveis.

      a propósito da banana do Pré

      bananas.jpg
      foto: aNa

      (agora sinto que deveria escrever qualquer coisa mais séria, tipo onde é que tirei a foto - foi à saída da Casa do Gaiato em Benguela - e outras coisas que tais, mas não me sai da ideia a fruta do Pré. espero que esta amostra faça jus ao soneto do meu querido amigo. e, já agora, aos sonetos de todos os nossos colegas do blogue. lá espetaditas estão elas... elas espetaditas e eu atrevidita!)

      Oasis

      maro0628.jpg
      Photo © Jef Maion


      Apesar de ter, conhecer e ouvir muita música não sou um expert na matéria, mas na minha simples opinião de amante de música, este tema dos Oasis é excelente. Fazendo por momentos lembrar a excelência musical de alguns temas dos Beatles.

      Aprendi há muito que a música deve ouvir-se alto e em bom som de forma a ouvirmos todos os instrumentos e sons que ela produz. Esta música merece ser ouvida assim :)

      Bin

      Don't Look Back In Anger (Live From MTV Unplugged)

      Música © Oasis




      Museu da Língua Portuguesa

      Museu lingua portuguesamaquete_home.jpg

      É o primeiro museu do mundo dedicado a uma língua. Acaba de ser inaugurado em São Paulo.

      Aqui, em primeira mão, o endereço para o site oficial do museu.

      ai esta língua portuguesa é tão traiçoeira :)

      Se o Mário Mata,
      a Florbela Espanca,
      o Armando Gama
      e o Jorge Palma,
      o que é que a Rosa Lobato Faria?


      E, já agora:

      Talvez a Zita Seabra para o António Peres Metello

      Post húmido

      chuva - hassan farahani.jpg
      Foto: hassan farahani

      Não chega já?
      Ontem encontrei um caracol na porta do meu quarto. Já tinha pisado outro, no terraço de aceso a casa. Certo que nenhum deles, tinha os pauzinhos de fora, pois sol, é coisa que não tem aparecido nos últimos dias. Devia estar a fugir da humidade da rua, pois a sua casinha já não era suficiente.
      Temo que na parede do quarto, comece a crescer musgo. Que no rodapé, nasçam cogumelos.

      Este ano, não nos falem em seca.
      Não chega já?

      Lua

      cel8-473.jpg
      Photo © Jean-Sébastien Monzani



      O POETA E A LUA

      Em meio a um cristal de ecos
      O poeta vai pela rua
      Seus olhos verdes de éter
      Abrem cavernas na lua.
      A lua volta de flanco
      Eriçada de luxúria
      O poeta, aloucado e branco
      Palpa as nádegas da lua.
      Entre as esfera nitentes
      Tremeluzem pelos fulvos
      O poeta, de olhar dormente
      Entreabre o pente da lua.
      Em frouxos de luz e água
      Palpita a ferida crua
      O poeta todo se lava
      De palidez e doçura.
      Ardente e desesperada
      A lua vira em decúbito
      A vinda lenta do espasmo
      Aguça as pontas da lua.
      O poeta afaga-lhe os braços
      E o ventre que se menstrua
      A lua se curva em arco
      Num delírio de luxúria.
      O gozo aumenta de súbito
      Em frêmitos que perduram
      A lua vira o outro quarto
      E fica de frente, nua.
      O orgasmo desce do espaço
      Desfeito em estrelas e nuvens
      Nos ventos do mar perpassa
      Um salso cheiro de lua
      E a lua, no êxtase, cresce
      Se dilata e alteia e estua
      O poeta se deixa em prece
      Ante a beleza da lua.
      Depois a lua adormece
      E míngua e se apazigua...
      O poeta desaparece
      Envolto em cantos e plumas
      Enquanto a noite enlouquece
      No seu claustro de ciúmes.

      Vinicius de Moraes



      The Killing Moon

      Música © Echo and the Bunnymen





      março 22, 2006

      Dia da Água

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      Dias de Verão na terra onde as ruas não têm nome...

      Começavam, quase sempre, com a entrada da mãe no quarto. Atarefada, mas na maior parte das vezes bem disposta e com um sorriso que impede qualquer um de reclamar do madrugar. "Vamos está um dia óptimo para a praia! Levantem-se seus preguiçosos! O vosso pai já saiu do banho e está a sair para o trabalho..." Eram normalmente as palavras escolhidas, enquanto nos abria as portadas da janela do quarto. Eu e o meu irmão dormíamos no mesmo quarto. Embora o número 449 da rua 16 fosse uma casa enorme, os meus pais deram abrigo, durante anos a fio, à família que veio do ultramar. Chamavam-lhes "os retornados", mas sobre eles falarei num outro post. É que há muita coisa a dizer sobre eles... mas a seu tempo.

      Após o despertar carinhoso da mãe e dada a espreitadela na janela, era tempo de tirar a remela do olho e comer uma bucha e dois iogurtes que impedissem que a fome aparecesse durante a manhã. Claro que antes de ir para a praia tinhamos sempre que passar pelo supermercado e abastecer. O Gama ou o Novo Horizonte (passo a publicidade) eram as escolhas óbvias. A mãe tinha lá conta corrente e assim não tinhamos que despender nickles para abastecer a mochila com os óptimos "croisants" que o Gama tinha. Eram mesmo fabulosos! Parece que lhes sinto ainda o sabor.

      Depois era só descer a 19, virar à direita na 16, seguir até à 7 ou à 9 (dependia se íamos chamar o Panchas, o Zé Miguel, O Miguel Jacinto, ou outro qualquer), virar à esquerda e começar a sentir o cheiro a maresia. Nos dias em que estava vento de oeste o cheiro era fabuloso. De uma intensidade impossível de descrever com o vocabulário que conheço. Por vezes também fazíamos o percurso da rua 19, onde encontrávamos o Peixoto, o Pickles, a Cila ou a Gabi, mas este era menos comum. O destino final era sempre a zona de praia mais a norte de Espinho. Para quem conhece Espinho é aquela zona onde está a esplanada nova (há quem diga que hoje se chama Marginal Miguel Maia e João Brenha, mas para mim será sempre a Esplanada... mesmo a parte nova). A praia de destino dependia do grupo com o qual tinhamos combinado na noite anterior no Esquimó, ou da localização de algum rabo de saia em que estivéssemos interessados. No entanto, entre a Pop Americano, a praia Azul, a Seca norte ou a Seca sul (lê-se Séca) alguma delas tornava-se a feliz contemplada com a nossa presença e um martírio para quem queria fazer praia sossegadamente. Ali não era lugar para isso. Alugassem a barraquita na praia Verde... mais indicada para os "antiquários"! Ali era para a galofa todo o dia.

      Confesso que quando vou à praia, hoje em dia, me admiro como é que conseguíamos passar um dia (era mesmo um dia... das 9 às 21) na praia! Mas entre volley (desporto de eleição em Espinho, como sabem), futebol de praia, rugby, mergulhos, natação, remo nos barcos dos salva-vidas (tinhamos cunha), namoricos (havia sempre uma "camone" ou uma ave rara vinda de Lamas (lhamas no dialecto local) que despertavam o macho latino que havia e ainda há em cada um de nós) e passeios a armar ao pingarelho com os calções e óculos escuros novos passávamos lindamente o dia. Passavam até depressa demais visto daqui.

      No fim do dia, exaustos, recolhíamos a casa. Impreterivelmente a mãe e o pai Bilhas esperavam pela nossa chegada para a janta, Passávamos sempre pela zona de desinfestacão das areias (vulgo mangueira do quintal), antes do banho de água quente e do jantar com toda a família. As conversas normalmente eram sobre o dia de praia e sobre a boa vida que nós tínhamos (sempre achei que o pai Bilhas ficava orgulhoso de nos poder ter dado este prazer de passar dias e dias de verão como este). E se era uma boa vida! Aliás... ainda é! Quem me conhece sabe que é.

      À noite reunião no Esquimó. Isto na juventude mais distante. Depois abriu o Tubo de Ensaio, a Última instância, o Spinus, as esplanadas na praia, com especial relevo para o Bombar... se bem que o Esquimó continua lá. Para além de combinarmos o dia seguinte, faziam-se apostas de entradas nocturnas no mar (desde o paredão à praia da Baía), saltavam-se os muros da piscina, namorava-se, roubava-se alguma fruta no quintal do Padre Manuel (Deus perdoa-nos... não se preocupem) e acabava-se sempre por ir para a cave do João Nuno. Este sim um local de culto que um dia destes dará um post interessantíssimo.

      E por hoje chega! Não os maço mais com histórias da terra onde as ruas não têm nome.

      Frutas I

      Vejo-te erecta suspensa no teu cacho
      Seduzindo quem de ti se alimenta
      E quem da sedução não se aguenta
      Te agarra e colhe em poiso baixo.

      Depois, suavemente ou sem demora
      Baixando a cobertura em teu redor
      Num impulso de vontade e com fervor,
      Leva-te inteira à boca e te devora.

      Mas, se por desleixo ou acaso ser,
      Te desdenha, te despreza e te abandona,
      Embora quase sempre doutras à tona,

      Não te resta mais que amolecer.
      Banana. Fruta, filha da tropicalidade,
      Eterno símbolo da nossa virilidade.

      O PreDatado, in Frutas e outros comeres

      Três.5

      Três videoclips para os quais o som é meramente acessório:

    • We Belong Together, Mariah Carey;
    • These Boots Are Made For Walkin', Jessica Simpson;
    • Check On It, Beyoncé.

    • Monumento à amizade luso-chinesa

      212_1261.JPG
      Foto: Noite

      Ao fundo da escadaria das Ruínas de S. Paulo. Inaugurado ainda durante a administração portuguesa.

      março 21, 2006

      Crónicas de Viagem IX - O enfermeiro

      O cheiro a éter era o mesmo ao de todas as enfermarias. O odor do álcool, embora não tão intenso, também se fazia sentir. E se o nariz fosse atento poder-se-ia mesmo descortinar a origem do perfume. O copo do whisky era a sua principal companhia durante os longos dias da viagem. Qualquer que fosse a hora a que o consultássemos lá estava com o seu companheiro, o copo de whisky em cima de uma mesa e ou em cima do frigorífico. Como todos os frigoríficos de enfermaria este deveria conter injecções, supositórios e outros medicamentos que não podem estar expostos às variações da temperatura ambiente. Ora, este frigorífico, quando se abria, possuía isso tudo lá dentro, juro. Mas como o espaço era grande, numa de aproveitamento máximo da energia disponível, toca de lá enfiar as belas garrafinhas da preciosa bebida porque a viagem seria longa. Além do whisky, o outro companheiro do enfermeiro era um dos pilotos. Como era visita permanente devido a uma úlcera estomacal e talvez porque não bebia (não fosse ter de partilhar o precioso líquido), o enfermeiro adoptou-o como segunda companhia e parceiro de xadrez. E nos intervalos da bebida e do xadrez o enfermeiro também fazia uns curativos, dava umas injecções ou receitava uns comprimidos para o enjoo. A paixão deste homem pelo álcool era tal, que por um triz não nos vimos em apuros na fronteira luso-espanhola, na época em que os autocarros eram revistados por amostragem nas alfândegas. Por habilidade de um tripulante (creio que o tal piloto) uma das bagagens seleccionadas não foi a que foi entregue ao oficial de alfândega. E essa era do enfermeiro e vinha cheia de garrafas de bebida. Pois este “doutor” teve comigo um peculiar episódio, na bonita cidade de Arandas del Duero. Sendo a última paragem que teríamos até á fronteira, seria também a minha última oportunidade de comprar um souvenir para a família. Como a imaginação para compras não grassa nesta cabecinha decidi que levaria uma garrafa de Pedro Domecq, gran reserva para o meu velhote. Desgraçadamiente, àquela hora, não encontrei nenhuma tienda aberta. Paciência, o meu pai não iria levar a mal. Ao comentar o caso com um colega dei azo a que o bom do enfermeiro fizesse um brilharete a frente de todos. “Pegue lá esta, homem, que eu consegui comprar outras, esta não me faz falta nenhuma e como você sabe eu sou mais amigo de um bom whisky. De resto ainda tenho umas garrafitas que trouxe de bordo, não há-de ser por isso que o seu pai vai ficar sem o brandy para o café”. “…”. “Não, não, não tem de pagar nada, o preço não tem importância…”, que era uma atenção à nossa amizade, e mais que frito e mais que assado, rebéubéu pardais ao ninho, e lá ficou toda a tripulação a conhecer a generosidade daquele homem que até se desfez de uma das suas maiores amizades, a garrafa, em prol de outra, a do colega de trabalho. Uns dias mis tarde, recebi, em casa, uma carta com o seguinte texto “Caro V. Na ocasião não tive oportunidade de lhe dizer o preço da garrafa que fiz o favor de lhe ceder na nossa viagem de regresso, por não ter encontrado o recibo da compra. Tenho agora a oportunidade de o informar que me deve cento e vinte seis escudos que poderá deixar ao meu cuidado nos escritórios da companhia. Com amizade, fulano de tal”. Fartei-me de rir ao pensar na vingança. Fui aos escritórios, deixei os 126 escudos, mas não lhe deixei o dinheiro do selo. Bem feito!

      O PreDatado, in Crónicas de Viagem

      a luta pelas palavras por via das imagens

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      foto: aNa

      quando a poesia não sai em palavras, se pulsar dentro de nós, sai de qualquer forma. neste caso, por murais pintados junto a um colégio situado na marginal de Benguela, paredes meias com a praia Morena. são imensos, todos eles com mensagens muito assertivas e maduras, feitas por crianças ou jovens.
      neste, o cansaço da guerra. o desejo de liberdade retratado num livro com sol por fundo. as palavras que lhes trarão sabedoria.
      é impressionante a quantidade de crianças que vão à escola. mesmo que a escola esteja situada numa povoação no meio do mato, e elas tenham que levar um lata, um tijolo, qualquer coisa que sirva de assento.
      e quando existe essa ânsia de conhecimento, de saber, penso que ainda há esperança para os povos.

      Sonhar

      Os olhos fecham-se, lentamente,
      Pedindo que sonhe contigo,
      O teu respirar, à minha frente,
      Tenta-me, mas não consigo
      Pensar em te amar,
      Pois neste momento
      Quero apenas sonhar,
      Prender-te no pensamento.
      Porque os sonhos me fazem mais forte,
      Sou um herói que te protege dos dragões,
      Que te livra das agruras da sorte,
      Que semeia no peito ilusões.
      Quando acordo nada sou,
      Sou um simples homem vulgar,
      E tudo aquilo que te dou
      É o amor, e a vontade de sonhar.

      (21 de Março, Dia Mundial da Poesia)

      E ainda ...

      Dia Mundial da Floresta (ONU)

      Dia Mundial do Sono (OMS)

      Dia Mundial contra a Discriminação Racial (ONU)

      Dia Mundial da Infância (UNICEF)

      Dia Mundial da Poesia (UNESCO)

      Não sei por onde comece a comemorar...
      Para os curiosos, podem encontrar ainda muito mais.

      21 Março - 20 Abril

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      Harmonia Macrocósmica, Andreas Cellarius

      Este signo numa frase: " Não tenho tudo o que amo... Mas vou conseguir já, já!"

      março 20, 2006

      Afinal em que dia começa!?

      Ontem ao jantar discutia-se com a restante família Bilhas em que dia é que começa a Primavera. O Pai Bilhas jura que leu que a primavera começa hoje, dia 20 de Março, mas a tia mais velha diz que aprendeu na primária (e vamos lá nós duvidar dos antigos) que era no dia 21 de Março. A malta está confusa! Ajudem a dissipar a dúvida: afinal em que dia começa a Primavera?

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      Foto: Daqui.
      Giuseppe Arcimboldo (1527-1593)
      La Primavera
      1573

      Hoje...

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      Foto: Josephine L

      ...é um dia estranho.
      Estou ansiosa para que as horas passem e ao mesmo tempo desejo que o relógio pare.
      Isto de um pessoa não conseguir ter tudo sob controle é do caraças...
      Era bem mais fácil se conseguisse controlar tudo o que se passa na minha vida, ter o poder de fazer coisas fascinantes:
      parar ou adianter o relógio,
      tirar as dores dos meus filhos,
      dormir logo que fecho os olhos e encosto a cabeça na almofada...
      Mas há que passar pelas coisas boas e más para que cresçamos como pessoas, não é?


      Galinhas do Mato

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      Lukulu, Zambia, 1997
      Photo © Chris Johns


      "Fiquei terrivelmente ligado àquela realidade física que é a África, aquilo tem de facto qualquer coisa de estranho, uma força muito grande que nos seduz".

      José Afonso



      Galinhas do Mato

      Música © José Afonso




      "...o ‘Galinhas do Mato’, por exemplo, eram coisas que estavam na prateleira e cheguei a admitir não poder gravar. ‘Galinhas do Mato’ é uma canção demasiado africana, demasiado ligada às minhas memórias de infância, e pensei que não encontraríamos uma solução instrumental para ela. Mas, afinal, com a ajuda de um computador, conseguiu-se.

      – Um computador?

      – Um computador, nas mãos do Júlio Pereira. Mete sons vários, desde o kissange, percussões e outros sons mais ou menos electrificados ou plastificados mas que são exactamente tipo som artesanal. E tivemos que recorrer às vozes das mulheres do Coro de Oeiras, um bocadinho modificadas, de modo a criar aquele ambiente africano. E, além disso, contámos com as filhas do Janita que, no caso presente, parecem duas pretinhas a cantar... Eu fiquei surpreendido porque, no final, o resultado é de tal ordem que eu me senti transportado aos meus quatro ou cinco anos, quando estive no planalto do Bié."


      pensar Primavera

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      Els Overkleef


      Foto: Veríssimo Dias

      março 19, 2006

      Ante et Post V

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      Ala dos Namorados em Macau

      Música, teatro, dança, exposições, espectáculos vários compõem o vasto programa do XVII Festival de Artes de Macau, evento que anualmente traz a Macau vários nomes da arte contemporânea. De Portugal vêm sempre conhecidos nomes da música e este ano não foi excepção: Ala dos Namorados e Vitorino e o Septeto de Habana trouxeram-nos os sons da música portuguesa, que aqui tão longe, sabe tão bem ouvir.
      Não vi Vitorino, mas vi a Ala dos Namorados, que deu um belíssimo concerto, no envolvente cenário da Fortaleza do Monte, espaço infelizmente curto para acolher todos os que quiseram apreciar a sua música. Tentar descrever o espectáculo é tarefa inglória; muitos sentimentos me trespassaram durante este lindo concerto: a belíssima voz de Nuno Guerreiro, o magnífico reportório da banda e o cenário perfeito foram ainda superados pela conjugação sublime da Ala dos Namorados com a Orquestra Chinesa de Macau, orquestra que utiliza somente instrumentos musicais tradicionais chineses. O resultado deste encontro entre culturas foi um espectáculo notável, dos mais belos a que assisti em Macau, em que me senti noutra dimensão, completa, cheia de mim, de música, de luar. O português nas lindas músicas da Ala que conhecemos, o som dos instrumentos chineses, Nuno Guerreiro a cantar em Mandarim, a assistência que, em uníssono, cantou "Perdidamente" (o que me transportou para outros tempos - Trovante, Campo Pequeno, 1988), tudo junto resultou numa noite perfeita, em que até as núvens que ameaçaram chuva, se retraíram perante a gradiosidade da sonoridade, perante o encontro perfeito.

      Venham mais espectáculos assim; Macau precisa, eu preciso!

      Dia do Pai

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      Apresento-vos o pai de Lilly Rose.

      março 18, 2006

      Mulheres vs Homens

      Eu ia fazer um post de mais de 100 linhas a falar sobre as diferenças entre mulheres e homens.

      Quando me preparava para o fazer, descobri que alguém já o tinha feito com grande mestria e poucas palavras.

      Quem poderia ser? Bruno Bozzetto. A não perder.

      Mulheres vs Homens
      Página do Bruno Bozzetto

      Trabalho

      Copia de fotos de la Heladería (10 y 11 de julio de 2004) 021.jpg

      março 17, 2006

      Post Familiar

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      Foto: Pai da Karla

      Nunca usei este espaço para falar da minha vida. Não, de uma forma directa, porque indirectamente, a única coisa que não é minha, em tudo o que escrevo, é mesmo o nome com que assino.
      Nunca aqui falei dos filhos que não tenho, dos pais maravilhosos, dos meus muitos irmãos que adoro, de meus amores e desamores. Porque sou assim.

      Mas hoje, este post, é inteiramente dedicado ao mano Miguel, o futuro Ayrton Senna .... senão do país, pelo menos da família.
      Espero que esta primeira prova oficial te corra bem. Ninguém espera que te tornes campeão este fim de semana. O que é preciso, é que chegues ao fim (de preferência, o mais à frente possível). Não arrisques demasiado, ou coração do pai não aguenta. (Não te esqueças que é o teu patrocinador oficial).
      Quanto à chuva, não te deixes intimidar. O Ayrton Senna, venceu a sua primeira prova de Fórmula 1 à chuva, no Autódromo do Estoril.
      Prego a fundo e boa sorte!!

      P.S. Mariana, querida, um beijinho pra ti também e, um dia, faço um post para ti.

      Super ego

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      Foto: Daqui.

      Quando te dizem "é um excelente comunicador" e a comunicação é a base do teu trabalho só podes ficar com um super ego! Não é!?

      PS: alguém por acaso comercializa babetes em grandes quantidades!?

      Não há pachorra!

      Ligo o rádio e não há dia em que a Melanie, rapariga optimista por natureza, não me diga que este podia ser o primeiro dia da sua vida. O Daniel, para não se deixar ficar, insiste em contar-me as aventuras e desventuras de um tal Jimmy e do seu rock 'n roll e o James, choroso como sempre, uiva a não se sabe bem quem "és bonita, és bonita", acrescentando ser verdade o que acaba de dizer.
      Pergunto eu agora: porque é que insisto em os aturar??

      Bom fim de semana

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      Foto: Lajos Filep

      Peço Desculpa

      Peço imensa desculpa por este meu post não ter sido publicado à 9:00 da manhã como seria suposto. Hoje é um dia de grande constrangimento para mim. Alguém, a blogger acho eu, matou o PreDatado. O meu querido blog, a caminho do seu 3º ano de existência, deixou de estar acessível. Aparentemente há um erro no acesso aos arquivos que impede que o blog abra. Tenho estado há horas a tentar resolver o problema e não consegui. O melhor que vou tentar fazer é abrir um novo blog dando continuidade ao Pré. Talvez por estarmos a caminho da Páscoa, até que não seja mal visto uma ressurreição. A minha tristeza está em ter perdido uma grande parte dos textos que escrevi nos últimos meses. Não é que fossem alguma coisa de jeito, mas eram meus. Melhores dias virão, tenho a certeza disso. Darei noticias aqui ou em qualquer outro lugar. Até já PreDatado.

      de regresso!

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      foto: primo da aNa

      março 16, 2006

      ...

      Tudo tem um início...
      Nada tem um fim...
      Cada vida é um caminho...
      Por vezes, esses caminhos cruzam-se...
      Outras vezes afastam-se até perder de vista...
      Outras vezes seguem em paralelo...

      ainda em Benguela

      (para ler em voz alta com sotaque angolano)
      como vêem, o post de baixo foi uma tentativa vã de dar notícias actualizadas.
      fomos no aeroporto às três horas. o vôo era às quatro.
      ficámos ainda dentro do jipe, o calor é muito e sempre aproveitámos o fresquito.
      começou a chover. logo, logo começaram os mujimbos*, avião não vai aterrar. vai vir aqui e volta para Luanda.
      pois é... tar e car! o comandante desconseguiu de aterrar em segurança, por causa da chuva. andou no ar, mesmo em cima de nós, e bazou pra Luanda, mesmo!
      pegámos nas imbambas** e voltámos para casa. fazer o quê?! o avião não voltava mesmo!
      a solução: vamos de jipe para Luanda. partimos daqui a pouco - dez horas. fazer a viagem de noite para chegar de manhã. 600 kms. os primeiros 100 são picada mesmo! buraco, buraco, buraco, buraco, um pouquito de terra, repete a dose, buraco, buraco, buraco! o resto é asfalto. sem luz nem marcações de bermas.
      vou chegar de madrugada a Luanda, outra vez. mas não vou ver nada de especial. nem baía, sequer. acho.
      para vôo confirmado para as 11,30 é prudente ir para o aeroporto às sete da manhã. é só gozo, mesmo. não dá para desatinar. também, com este calor uma pessoa desconsegue de se chatear. o melhor mesmo é entrar no esquema. rir e levar na onda.
      agora, meus kambas***, vou descansar um pouquito. tomar um duche e preparar-me para uma longa noite.
      estamos juntos!

      * rumores
      ** pertences
      *** companheiros, amigos

      curtas... de Angola

      se tudo correr bem, terei vindo de avião de Benguela e a esta hora já estarei em Luanda.
      amanhã é dia de partir. hoje iremos jantar na ilha, naqueles restaurantes para gente endinheirada, num país onde a pobreza e o lixo são mato!!! mas, adiante, lá estou eu com as minhas manias de humanista. o melhor é não me alongar muito, não vá a secreta me descobrir (sim, já estou a falar à moda de cá) e arranjar uma maka dos diabos!
      entretanto, vi a posse do nosso PR. também já sei que o JES não esteve presente (e eu a dar-lhe!). afazeres no Dubai! quem pode, pode! e phode o povo, claro! mas isso não interessa nada, fazer o quê?!
      tirei bué da fotos. assim tenha arte e engenho, e todos os meus posts durante muito tempo poderão ser ilustrados com uma foto!
      agora, vou masé! a gente se fala no fim de semana. a partir de agora vou responder a todos os comentários, prometo!

      depois dos cartoons só faltava começar agora outra guerra!

      Amigos, não me responsabilizo.
      Muslim Rave Party Sensation

      EARLY MORNING BLOGS 547

      A esta hora, ainda estou assim.
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      NOTA: Pedir à administração para me mudar este horário.

      Bom dia

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      Foto: Martin Zurmuehle

      março 15, 2006

      Brokeback Mountain/OPA hostil

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      10 anos é muito tempo...

      Muito tempo à espera de melhorias prometidas (já se sabe por quem) aos habitantes do Vale do Coa. Não sei se recordam da famosa frase "As gravuras não sabem nadar, yo!", repetida vezes sem conta para alertar os responsáveis políticos para a importância de um achado arqueológico sem igual e que rivalizava com as mais proeminentes gravuras ruprestes encontradas por essa Europa fora. Há mais ou menos uma década consegui-se parar a construção da barragem de Foz Coa, alegando que grande parte das gravuras ficariam submergidas e inacessíveis para o estudo, investigação e deleite dos turistas àvidos de informação sobre o património cultural. As gravuras acabariam por se tornar património da humanidade (classificadas pela UNESCO) e os sucessivos governos portugueses prometeriam uma intervenção de fundo, de forma a recompensar os prejuízos óbvios que os habitantes daquela região teriam com a decisão de parar a construção da barragem. Dizia-se, e na minha opinião bem, que a barragem traria benefícios apenas na sua construção. Quando esta estivesse concluída o emprego gerado, directa ou indirectamente, iria desaparecer. A solução seria transformar o vale do Coa numa região de turismo cultural de excelência, criando um museu e um parque arqueológico que chamassem milhares de visitantes anuais a Foz Coa.

      Hoje leio nos jornais nacionais declarações da Sr.ª Ministra da Cultura indicando que o processo está numa "fase avançada" e que o projecto de arquitectura do museu está quase concluído. Em dez anos reparem que até já temos um projecto de arquitectura quase concluído... sim senhora! Bem sei, por experiência própria, que não é de um dia para o outro que se consegue fazer um projecto de museu. Nada que é bem feito pode sê-lo em cima do joelho, mas dez anos!!!! Bem sei que este governo poderá dizer que a culpa não é dele, que o museu é agora uma prioridade para o ministério, que houve atrasos pela falta de empenho de outros governos, etc, etc, etc e tal, mas tal não serve de muito consolo para quem vive e quer continuar a viver no vale do Coa e a quem foi prometido um desenvolvimento baseado neste pólo de atracção cultural. Ainda gostava de ver um governante a dizer "Têm razão. Este processo já devia estar concluído há muito tempo! Vamos concluí-lo em dois anos." (reparem que a precisão dos dois anos é sempre substituída por um "em breve" na maior parte dos casos).Assim ninguém se acreditará nunca no desenvolvimento que é impulsionado pela cultura.

      50 maquetas depois, como se pode ler no JN, com uma expectativa de investimento de 21 milhões de euros na construção (apenas na construção reparem) do museu e esperando atrair, segundo os mais recentes cálculos, 200 mil visitantes por ano parece que é desta que vamos poder ir a Foz Coa e aprender alguma coisa sobre as gravuras ruprestes e sobre um dos mais importantes parques arqueológicos europeus. Será que vai ser mesmo!? Eu espero sinceramente que sim, mas não deixarei de estar atento.

      Handicap ou como quem diz, este gajo é um tretas do caraças

      Decorria a Segunda Guerra Mundial e se as privações dos portugueses já eram muitas por esses tempos, a guerra agudizou-as. A maioria das famílias tinha dificuldades de acesso a bens essenciais cuja aquisição, muitas vezes, era sujeita a senhas de racionamento. Escasseava o trigo, que só o Alentejo a produzir não alimentava o país todo e o pão era escasso. O recurso ao pão de milho, ou broa como se chama em algumas regiões, era uma alternativa muito comum, dada a sua durabilidade e preço. Por um desses dias, um tio meu, pequeno no tamanho e na idade entalou um dedo numa porta. Fez um dói-dói que lhe haveria de servir como argumento. “Mãe, hoje o menino não pode comer pão de milho”. “Porquê meu filho?”, perguntava a minha avó. “Porque me dói um dedo”. Ganhou com a gracinha direito a comer uma fatia de pão de trigo. Hoje eu estou numa situação semelhante. Que me perdoem os leitores mas hoje o PreDatado não pode escrever o seu post. “Porquê meu menino?”, perguntam os meus assíduos leitores. “Porque hoje estou com uma dor horrível na minha perna esquerda”, respondo eu, a custo, já que a ciática até a voz me tolhe. Espero que me desculpem e que na sexta-feira venham todos a correr ler mais uma crónica de viagem. Vou ali deitar-me um bocadinho e já volto.

      Brokeback Mountain/Back to the future

      Brokeback to the Future.

      Adorava ser um homem charmoso...

      ... mas não há maneira de me sair o Euromilhões!!

      Porta

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      Foto: Noite

      março 14, 2006

      Crónicas de Viagem VIII - Eu ladrei

      Outro dia bonito. Ainda que não estivesse, seria sempre um dia bonito. Só o prazer de ir a terra faz com que os dias de desembarque, mesmo que temporário, sejam dias bonitos. Algeciras é um lugar onde uma torção de pescoço nos dá para vislumbrar a África e a Europa, Marrocos, a Espanha e Gibraltar, o mar e a terra, um belíssimo monumento natural, falo obviamente do célebre pinhão, o movimento de vai vem de contrabandistas e polícias, de tráfego clandestino de pessoas, de clandestinos traficando coisas, de coisas à espera de serem compradas em clandestinas lojas, que os marujos conhecem como a palma da mão. E as compras. Embarcadiço, em terra, tem a mania de fazer compras, porque a bordo não há onde gastar o dinheiro a não ser a jogar à batota.

      Tinha (acho que ainda tenho) um senão com os cães. Acho-os uns bichos maravilhosos mas tinha (acho que ainda tenho) um medo atroz de cães. Alguns há, que até a uma distância considerável me provocam subidas incontroláveis de adrenalina de modo que quem fica incontrolável sou eu com os nervos completamente à flor da pele. É mariquice, pois claro, já que a alguns sou capaz de fazer festas, brincar com eles, criar uma relação de amizade. Mas na generalidade quando os vejo na rua, atravesso a estrada e vou passar pelo passeio contrário.

      Estava a contemplar Algeciras, junto ao mar, tão ledo e tão quedo, esperando a lancha que me haveria de devolver ao navio, orgulhoso das compras que tinha feito nas lojas de contrabando, de certo coisas que não me faziam falta nenhuma, eis senão quando, a uma velocidade tal que se fosse cavalo diria que vinha a galope, o bicho a correr para mim. Fiquei na dúvida se seria um cão ou uma pantera, um tigre ou um puma, um leão ou um leopardo, ai meu Deus desta é que é, o bicho era bravo, não me conhecia, talvez eu estivesse a invadir um território de sua vigilante responsabilidade, ladrando tão estrondosamente que parecia que uma trovoada se estava a abater sobre a minha cabeça. Não há fuga possível, não posso atirar-me ao mar, não vá dar cabo das compras, estou perdido, a adrenalina no máximo, a boca do animal bem aberta, a minha perna à distância de um pulo, de um palmo, de um centímetro. Eu ladrei tão alto, tão alto que o bichano se assustou e tão veloz se aproximou como deu meia volta e se foi. Eu ladrei, o cão fugiu, eu tremi. Não cheguei a ficar em estado de choque. O cão, não sei.

      O Predatado, in Crónicas de Viagem

      curtas de Benguela II

      por aqui ontem choveu todo o dia.
      as estradas ficaram impraticáveis. e o calor amenizou um pouco.
      na verdade, para mim tanto fazia. estive todo o dia em casa, com uma dor de garganta que me acompanha desde sábado, mas que ontem teve o seu auge fazendo os ouvidos entrar na baila.
      sosseguem. não é paludismo. não é a tão afamada cólera, porque essa não quer saber de gargantas. é tão somente ter andado à chuva, e depois entrar para os carros com o ar condicionado no máximo!
      agora vou bazar, dar um salto até ao Lobito. Olupito, seu nome de origem.

      ps: Lilly Rose, enganei-te com a resposta que te dei. com quem eu já estive imensas vezes, passei os dois fins de semana, e que é uma pessoa extremamente agradável, foi com o irmão da Alda Lara. Tio Lara aqui para nós.
      ps2: Karla, descansa que o bronze não é assim tanto! mas por via das dúvidas, encontramo-nos só daqui a quinze dias ;)
      ps3: entratanto, falou-se, em surdina, em golpe de estado. tudo por causa da maka com o Miala e a ausência do JES. mas foram só ondas...

      Cinco sentidos

      i. O cheiro

      Cheiro a mar,
      Em constante ondular,
      A areia por ele humedecida,
      A odores frescos da vida.

      Cheiro a campo,
      A flores de encanto,
      A erva fresca dos prados,
      A pensamentos lavados.

      Cheiro a lar,
      A lençóis de amar,
      Ao odor intenso a mel,
      Que emana da tua pele.

      ii. Os sons

      Sons altos,
      Sobressaltos,
      Ódio, guerra, fúria,
      Choro forte, lamúria.

      Sons de calma,
      Repouso de alma,
      Murmúrio, segredo,
      Palavras doces, sem medo.

      Sons silenciados,
      Corpos colados,
      Escrevem histórias, sem as contar,
      Produzem melodias, sem as tocar.

      iii. Os sabores

      Sabores amargos,
      De amores vagos.
      Sonhos que o tempo destruiu,
      Sentimento interior que ruiu.

      Sabores doces de mel,
      De amor escrito na pele.
      Sonhos que o tempo guardou,
      Sentimento que ninguém apagou.

      Sabor teu, intenso,
      De amor forte, imenso,
      Sonhos que o tempo carrega,
      Sentimento que a alma não nega.

      iv. O olhar

      Olhar frio,
      Sensação de arrepio,
      Perdido na imensidão,
      Reflexo de solidão.

      Olhar quente,
      Incandescente,
      Repleto de emoção,
      Faiscando de paixão.

      Olhos teus, brilhantes,
      Pedras preciosas, diamantes,
      Transmitem serenidade, calma,
      Espelham o fundo da tua alma.

      v. O toque

      Toque intenso,
      Querer imenso,
      Corpo que não sabe esperar,
      Cabeça que não quer pensar.

      Toque terno,
      De amor eterno,
      Coração tenso a palpitar,
      Pensamentos doces a voar.

      Toco-te a pele, sem pudor,
      Com toda a força do meu amor,
      Entrelaçam-se os corpos, molhados,
      Fundem-se um no outro, apaixonados.

      (nota: os 3 primeiros sentidos tinham sido escritos e publicados anteriormente, em Maio de 2005, ficando a sequência inacabada até hoje)

      O descanso do guerreiro

      O descanso do guerreiro - Miguel Angel Cuadrado.jpg
      Foto: Miguel Angel Curado

      março 13, 2006

      Quando o domingo é segunda.

      06.03-13 - en Bajo de Guía 018.jpg

      Trabahar numa geladeria tem estas coisas: eu rara vez tenho um domingo livre. Os meus dias de folga sao terças, quartas... ou segundas, como hoje.

      Hoje foi o meu dia livre desta semana. Sanlúcar de Barrameda (Cádiz) o destino. Sem aglomerações nem engarrafamentos na auto estrada o almoço ainda sabe melhor.

      A primavera já se cheira, onde o Gudalquivir morre.

      Para mim foi domingo: agora boa semana para vocês!

      Esquecimento...

      Eu tinha de ter colocado este post aqui há exactamente uma hora e 2 minutos, não era!?

      Sorry... mas isto da Internet estar em todo lado, mas não andar sempre atrás da malta tem que se lhe diga! O que acham os meus caros sobre este assunto!? Já precisaram da net num sítio onde não a tinham!? O que fazer nestas situações para evitar os castigos da Mad!?

      Até mais logo!

      Exortação

      josephineChervinska.jpg
      Foto: Josephine Chervinska

      Em nome do teu nome,
      Que é viril,
      E leal,
      E limpo, na concisa brevidade
      — Homem, lembra-te bem —!
      Sê viril,
      E leal,
      E limpo, na concisa condição.
      Traz à compreensão
      Todos os sentimentos recalcados
      De que te sentes dono envergonhado;
      Leva, doirado,
      O sol da consciência
      Às íntimas funduras do teu ser,
      Onde moram
      Esses monstros que temes enfrentar.
      Os leões da caverna só devoram
      Quem os ouve rugir e se recusa a entrar...

      Miguel Torga

      O primeiro dia

      aves - lucas steuber.jpg
      Foto: lucas steuber

      A chuva caía miudinha. Os corações a galope, ao mesmo ritmo das passadas que os levava ao encontro um do outro.
      Mãos dadas, bem apertadas, coração mais leve e a chuva mais forte.
      A cidade, deserta debaixo de nuvens negras, recebia-os nas entradas cobertas dos prédios onde paravam, não para se abrigar da chuva, mas para se entregarem, entre beijos e abraços.

      Contrariando o calendário, aquele primeiro dia, numa tarde chuvosa de Dezembro, deu início a uma Primavera feliz.

      O português além jardim à beira mar plantado

      Uns posts levam a outros, pelo que este podia ser um post sobre rabos. Quando era mais miúda caía tantas vezes... mas não, não guardo memórias do dito cujo enfaixado! :))
      Por isso vou pegar no tema da Noite, o da nossa relação com o som da língua portuguesa em terras há muito desbravadas. Acontece-me enternecer-me como uma adolescente com pequenos registos de palavras. Há 10 anos, em Praga, numa pequena loja de discos, depois de me ouvir dizer qualquer coisa, um rapaz com pouco mais de vinte anos veio ter comigo porque queria que eu soubesse que ele andava a aprender a minha língua. numa escola? não tenho dinheiro para isso, comprei umas cassetes e todas as manhãs faço exercícios de português. gosto muito de Portugal. porquê? porque é um pequeno país como o nosso que tem uma grande história e fica no extremo da Europa. Ainda hoje o imagino no seu apartamento pequenino a repetir, com aquele sotaque que até era bonito, o que a voz portuguesa ditava, "que ho-ras são?"...
      Anos mais tarde, sozinha nas ruas de Bath, comecei a ouvir uma melodia que me parecia familiar. Seria possível encontrar ali Dulce Pontes? Segui a música até a encontrar num bar quase vazio ao pé das termas romanas. Sentei-me ao balcão e pedi uma bebida qualquer enquanto cantarolava com a Dulce. O empregado anglosaxónico não podia perceber a minha emoção. Com um ar meio incomodado disse-me que foi o boss que comprou o CD já há algum tempo.
      Depois, em França, onde vivi durante dois anos, nunca me habituei a não reagir quando ouvia alguém a falar português na rua. Virava-me sempre e sorria, mas os emigrantes eram menos provincianos que eu, pelo que nunca fiz amigos por causa disso. Na verdade, era difícil conversar em português com emigrantes portugueses!
      São coisas que não entendo. Longe de casa, o povo que se emociona ao som da língua mãe é também o primeiro a deixar cair a língua. Somos os emigrantes que mais facilmente se deixam aculturar. No Brasil, Venezuela, França ou EUA. Basta-nos um anito e olá gerúndio, holla hermanos, monsieur et madame, Yes yes. Poderia ser uma qualidade mas não é. A verdade é que, normalmente, isso apenas significa fraca escolarização no país de origem e insuficiente domínio da nova língua para-alcançar-postos-de-trabalho-qualificados. E a nova geração de emigrantes, a dos licenciados que saem do país com bolsas de investigação ou como quadros médio-superiores de empresas, como se comportará? Defenderá melhor a nossa língua ou estou passando bem, por supuesto, c'est genial, Yes yes?

      Acordar...

      Acordar...
      Foto: A.Brito

      março 12, 2006

      Milosevic não vivia só...

      milosevic_01.jpg

      Lá fora chove

      Depois de um dia em o calor espreitou e apeteceu a manga curta, lá fora chove, o tempo convida a um casaquito e adivinha-se um dia frio para amanhã. E acontece assim: do dia para a noite, da noite para o dia.
      Macau, quando chove, assemelha-se a qualquer outra cidade cosmopolita: o trânsito complica-se, sendo difícil chegar a qualquer lado, quem anda a pé é frequentemente agredido pela arma do vizinho, que não sabe andar de guarda-chuva, os peões levam banhos dos carros que passam, cujos condutores, incautos ou mauzinhos, acertam em cheio nas poças de água da berma da estrada.
      Em Macau, por pouco, não era preciso que chovesse: não há agricultura, a nossa economia depende exclusivamente do jogo e não consta que as fichas de casino precisem de água para circularem. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (vulgo município) encarrega-se de manter em estado impecável os nossos jardins, relvados e floreiras. Mas é um facto que a chuva lava as ruas e estas muitas vezes merecem bem uma lavagem. Não que o dito IACM não trate do assunto - trata e muito bem - mas ainda assim, os comes e bebes pela cidade, a quantidade de gente que esta comporta e alguma falta de civismo por parte de quem cá anda, faz com que muitas vezes as ruas reclamem uma chuvinha.
      Mas não só: há alguns meses que temos estado a braços com uma crise de água potável. Devido à falta de pluviosidade na República Popular da China, de onde provém a nossa água (aqui tudo é importado, até a água da torneira), os níveis de salinidade e magnésio da água que nos chegava tornava desaconselhável o seu consumo. Em consequência, a corrida à água engarrafada não se fez esperar e depressa se esgotaram os stocks existentes dás águas que consumimos habitualmente (nós pelo sim, pelo não, encomendámos logo 12 garrafões de 7fontes). Também não se fez tardar o aparecimento de marcas de água que nunca houvera visto e que não conto experimentar. Não sei porquê, mas com os exemplos de pirataria com que me deparo diariamente, o mais certo é algum esperto ter-se lembrado de encher uns garrafõezitos bem apessoados com água del cano (estes fulanos por dinheiro são como o diabo por almas; ainda falam dos judeus!).

      aNa, alguém se lembra de Alda Lara, em Benguela?

      David Leeson - orfão de guerra Angola.jpg
      David Leeson, Orfão de guerra
      (Angola)


      TESTAMENTO

      À prostituta mais nova
      Do bairro mais velho e escuro,
      Deixo os meus brincos, lavrados
      Em cristal, límpido e puro...
      E àquela virgem esquecida
      Rapariga sem ternura,
      Sonhando algures uma lenda,
      Deixo o meu vestido branco,
      O meu vestido de noiva,
      Todo tecido de renda...
      Este meu rosário antigo
      Ofereço-o àquele amigo
      Que não acredita em Deus...
      E os livros, rosários meus
      Das contas de outro sofrer,
      São para os homens humildes,
      Que nunca souberam ler.
      Quanto aos meus poemas loucos,
      Esses, que são de dor
      Sincera e desordenada...
      Esses, que são de esperança,
      Desesperada mas firme,
      Deixo-os a ti, meu amor...
      Para que, na paz da hora,
      Em que a minha alma venha
      Beijar de longe os teus olhos,
      Vás por essa noite fora...
      Com passos feitos de lua,
      Oferecê-los às crianças
      Que encontrares em cada rua...

      ALDA LARA
      Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962
      Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última. Em Lisboa esteve ligada a algumas das actividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia.

      março 11, 2006

      11-M: no olvidamos.

      velas en atocha

      março 10, 2006

      stress

      kitchen hairdresser.jpg

      Hoje não há post ... não tenho tempo.
      Estou a preparar-me para sair para a night e ainda nem fiz o jantar.

      Divirtam-se e tenham um bom fim de semana

      E agora... para um momento de publicidade!

      Tenho andado ausente meus caros... e por isso tenho tido alguma dificuldade em comentar alguns dos excelentes posts que têm sido publicados. Neste momento são 22:42... esperem 22:43 (isto de não estar nas nossas mãos parar o mundo para descansar um cadito tem muito que se lhe diga) e apenas vim cá deixar um post configuradinho para sair amanhã pelas 18:00, porque passarei mais um dia nas minhas viagens. Encontrei este site num acaso... e o primeiro exemplo que fui ouvir é o que vos deixo a seguir... quem não se lembra da fabulástica pasta medicinal Couto... a tal que andava na boca de toda a gente! No site encontram alguns clássicos da publicidade e das séries infantis que mais recordações me trazem (ver o Tom Saywer a correr como um maluquinho numa animação que parece ter 200 anos, comparada com as actuais, ainda me faz rir como um perdido!). Aqui vai...


      Retirado do site... reservam-se todos os direitos e mais alguns.

      Três .4

      Três actores nacionais com talento de sobra para um Oscar:

    • Valentim Loureiro
    • Pinto da Costa
    • José Veiga

      (Quem tinha dito que andávamos só numa de futebol? :))

    • Bom fim de semana

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      Foto: Luca Patrone

      Falar de rabos, não é exclusivo do Jorge

      Estava para postar mais uma das minhas histórias de viagem quando li o post do Jorge ali em baixo, sobre futebol e rabos. Continuarei depois com as crónicas e entretanto conto uma história de rabos. A do futebol e lesões fica para depois.

      Descobri o nudismo nos idos de 70, precisamente em Lagos, onde gostava de passar férias. Tudo aquilo era novidade, para mais era proibido, mas quando somos jovens arriscamos, não estamos para pensar duas vezes. Fomos um grupo de amigos, e ala que tudo ao léu era o que estava a dar. Mas também quanto mais novos, mais imprevidentes e logo nos dois primeiros dias apanhei um daqueles escaldões que nem vos conto. Adormeci de barriga para cima e desfrutei do sol naquelas partes mais sensíveis. Já estais imaginando onde, não é?

      Bom, os dias foram passando e só piorou. Passada uma semana comentava, à mesa de um café, o facto com outros amigos, dizendo que estava aflito das partes. Um dos nossos colegas de aventura nudista, sem saber do que estávamos falando, entrou no café e com todo o à vontade comentou. “É pá há uma semana que ando aflito do rabo”.

      Claro foi gargalhada geral, mas é obvio que tudo ficou esclarecido. Ah, é verdade, desde esses tempos para cá já inventaram o protector de factor 30.

      eu, hoje...

      ana-praia.JPG

      ... poderei estar assim!

      Friday Night at the Palace - Fly Paper Jet

      flypaperjet.jpg
      Photo © Fly Paper Jet


      Friday Night At The Palace

      Música © Fly Paper Jet



      Um Olá e um sorriso a todos :)

      Que porreiro vir aqui a casa enquanto estão todos a dormir :), menos a Noite que está a ler um livro...
      A noite vai longa, finalmente acabei uma cena que estava a preparar, deixo-vos aqui este som descontraído dos Fly Paper Jet, uma banda de Cape Town - África do Sul.
      Espero que gostem. Bom, vou descansar um bocado. Amanhã, quer dizer daqui a bocado tenho uma viagem para fazer.
      Senão nos virmos, um bom fim de semana. A propósito, tem havido ai uns posts bem fixes :)

      Jorge, deve ser das horas ou o Teu amigo Benfica pintou as paredes? ;)

      Dani, depois mando-te mais músicas dele pelo msn.

      Mad :) :)

      Ana, espero que depois partilhes umas fotos com a malta :)


      Beijos e Abraços,


      Bin

      março 09, 2006

      Falando de rabos...

      O futebol é um jogo bonito e eu sempre gostei de dar uns toques na bola, fosse ou não a feijões. Hoje em dia, é mesmo só a feijões, apesar de evitar comer uma feijoada antes ou depois do jogo.

      Estou a participar num torneio de futebol de 5, na escola da minha filha, organizado pela Associação de Pais. Depois de no primeiro jogo não ter jogado, por não saber que existia jogo, e de termos ganho por 2-1, fui jogar o segundo jogo. Joguei com dores musculares, mesmo assim ainda marquei o primeiro golo do jogo (canto directo, com frango do guarda-redes - por incrível que pareça, ele usava uma camisola do F.C.P. com o número 99 e o nome Vítor Baía nas costas, apesar de não ser o próprio), mas acabamos por perder por 4-2, e eu lesionei-me na perna. No terceiro jogo, contra uma das equipas favoritas do torneio, perdemos 4-0 (fomos a equipa, até agora, a quem eles marcaram menos golos). No quarto jogo, finalmente, voltamos às vitórias, por 12-3.

      MAS QUE É QUE ISTO TEM A VER COM RABOS?

      Bem, neste último jogo, a minha forma física já estava melhor. O jogo foi equilibrado até ao intervalo, começamos a perder, demos a volta e chegamos ao descanso a vencer por 3-1. Na segunda parte, começamos a facturar, e mostramos a nossa enorme qualidade técnica, chegando ao 10-1, tendo eu marcado um golo de levantar o estádio, isto é, as cerca de 20 pessoas que assistiam ao jogo.

      OS RABOS, OS RABOS...

      Pois, os rabos... Estava o jogo com aquela diferença quando eu, não satisfeito, resolvi ir disputar uma bola com um adversário que devia pesar mais de 100 quilos. Na luta corpo a corpo pela posse da bola, acabei por ser projecto contra o solo, tendo batido, precisamente, com aquilo que vocês já devem estar a pensar... O RABO!

      AH! ENTÃO É Aí QUE ENTRA O RABO!

      Exactamente! Mais uma vez me lesionei, e se anteriormente tinha sido na perna, agora foi no pior sítio onde um homem se pode lesionar: no digníssimo rabo!

      Quando me lesionei na perna, no segundo jogo, não houve problemas, as pessoas viam-me mancar, perguntavam-me o que tinha acontecido e, depois da explicação, desejavam-me as melhoras. Alguns até exaltavam a minha masculinidade. Afinal, uma lesão num jogo de futebol é de homem.

      Agora, lesionado no rabo, tento evitar ser visto pelos amigos. Quando de repente vejo um ao longe, mudo logo de direcção. Mas uma vez não pude escapar, e lá veio a pergunta fatal:
      - Então, porque estás a mancar?
      - Bem, foi a jogar futebol...
      - Outra vez a perna?
      - Não... desta vez foi...
      - ...
      - ...
      - ...
      - ... no rabo...
      - NO RABO?!
      Toda a gente à volta olhou na minha direcção. Já desconfortável, continuei:
      - Sim, foi no rabo...
      - EPÁ! LOGO NO RABO!
      - Pois, podes falar mais baixo...
      - Ah, desculpa, entusiasmei-me...
      - Pois, sabes como é, no calor do jogo...
      É claro que, se fosse na perna qualquer explicação seria aceite. Como foi no rabo, levei logo com várias bocas, do género:
      - Pois, o adversário estava a marcar-te por trás...
      ou ainda:
      - Foi durante o jogo ou deixaste cair o sabonete no chuveiro?...
      E uma pessoa lá faz um sorriso amarelo, ri-se, faz de conta que achou graça...
      No dia seguinte, todos os amigos sabem, e telefonam:
      - Então, como vai o rabo?
      ou:
      - Então, já te consegues sentar?
      ou ainda:
      - Eu estava para te dizer para ir ver o Brokeback Mountain, mas talvez seja o último filme que queres ir ver agora.
      E assim se perde uma ida ao cinema, tudo por causa de uma lesão no rabo.

      Moral da história: se estás a ganhar por 10-1, tem cuidado com o rabo.

      curtas de Benguela

      e breves, também!
      finalmente consegui ter acesso à net!
      e como tenho pouco tempo, só vos digo que é duro ser mulher branca em festa de mulheres negras! chega a uma altura que se olhamos os pés não mexem!! embasbacados de fascínio, claro!
      ainda pensei que o bronzeado ajudasse a falta de jeito, mas não!
      só visto. e isso só será possível quando regressar e vos deixar as fotos que fui tirando!
      até logo!

      E se...

      Fidel Castro NY Times 1959.jpg

      Fidel Castro, New York Times (1959)

      e se em vez de ser amigo de George Bush (pai), que se deslocou a Portugal para a sua tomada de posse como novo PR, o Cavaco Silva fosse amigo de Fidel Castro, a (velha) ordem do mundo estaria forçosamente invertida?

      E se...

      e se o Brokeback Mountain tivesse sido realizado na década de 70? o mundo seria diferente ou nem por isso?
      Robert Redford e Paul Newman.jpg
      por outras palavras, pode o cinema mudar mentalidades?

      E se...

      boysdontcryII.jpg
      Lylia Cornelia, Boys Don't Cry


      e se nos associássemos ao divas & contrabaixos na comemoração do dia do homem? porque os homens são diferentes mas têm direito a tudo, como nós.

      Post machista

      o lado oposto - vladimir georgiev.jpg
      Foto: vladimir georgiev

      Erro de concepção, ou fantasia masculina?

      Satin

      wimIpenburg.jpg
      Foto: Wim Ipenburg

      março 08, 2006

      A felicidade é...

      dia_da_mulher_01.jpg

      A minha mãe...

      ...já o é há 33 anos e picos.

      PARABÉNS!

      A mãe da minha mulherzinha...

      ...foi mãe há 5 anos.

      PARABÉNS!

      A minha mulherzinha...

      ... nasceu faz hoje 5 anos.

      PARABÉNS!

      Moral da história

      E se acabássemos o dia assim?

      jvd536-casal.jpgJoris Van Daele

      As mulheres no mundo

      Parece-me óbvio,
      as mulheres estão no centro do mundo.

      o mundo - oleg novojilov.jpg
      Foto: oleg novojilov

      Dia Internacional dA Mulher!

      A derradeira homenagem ao dia internacional dA Mulher.

      Espero que não associem esta minha homenagem, singela e sincera, com questões sexistas. Longe de mim ver a Marylin como um "sex-symbol"! eheheheheheheheh

      marylin3.jpg
      Foto: Desculpem-me mas não me lembro de onde tirei esta foto.

      de benguela by sms II

      hoje é também, o dia da mulher africana.
      vamos a um almoço de mulheres, que tem tradição já desde o tempo da outra senhora.
      cada uma leva almoço. a nossa anfitriã está a preparar uma salada de lagosta, que me deixou de água na boca.
      ao fim de 30 anos de independência, uma mulher vai ser governadora civil. exactamente aqui, em Benguela. Fátima Jardim, de seu nome.
      agora, está na hora do dito almoço.
      volto já.

      Mulheres























      Este é um post feito a dois.
      A escolha das fotos foi minha, a montagem foi do Bin.
      Bin, obrigada.


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      Deixo-vos, aqui Monsieur Maire de Niafunké do Ali Farka Touré e Toumani Diabaté.

      Bin

      Dias Internacionais das Mulheres

      Tenho de vos confessar (uma vez mais, ou não fosse este um blog intimista) que não vou muito à bola com dias internacionais. No entanto, talvez devido à sua raiz histórica, nutro uma certa simpatia, quiçá imbuída por um espírito de solidariedade, pelo Dia Internacional da Mulher. Estava a comentar o dia com a minha mulher, que por sinal também é minha esposa, passe o desgosto que dê a algum/a leitor menos possidónio, ontem ao jantar, e ela fez-me um comentário bem assertivo. “Amanhã? E hoje, não?”. E dei comigo a viajar com os meus filhos mamando nos peitos da mãe, com as fraldas trocadas, com os banhinhos dados a horas certas, com as viagens para o infantário, com as consultas de pediatria, com o jantar para 16 pessoas, com a camisa lavada, com os colarinhos passados a ferro, com o termómetro, os medicamentos, o chá, levados à cama quando a febre me chegou, com a sala aspirada, com a mesa posta, com as torradas com manteiga, com a cerveja geladinha durante o jogo do Benfica, com a bica depois do jantar, com a roupa estendida e apanhada, com a máquina da loiça cheia, com o pó limpo, com as compras do supermercado feitas, com os gatos no veterinário, com os cuidados com os pais, com as contas em ordem, com o emprego das 9 as 19, com a mala arrumada para viagem, com o beijo de boas noites. E se o dia internacional da mulher não foi ontem, não foi anteontem, não foi no dia antes de anteontem, não foi na semana passada, no mês passado, nos anos passados, se não for hoje, amanhã e depois e depois e depois… então UM dia internacional da mulher, não é justo.

      Porno feminista?


      Ovidie

      É sempre arriscado falar de pornografia, sobretudo quando é uma mulher que o faz. Mas ontem apanhei na TV5 uma entrevista à Ovidie e por isso não resisto. A Ovidie é actriz e realizadora de filmes porno, o que, por si só, não constitui uma grande qualidade nem justifica uma grande conversa. Mas esta Ovidie é uma jovem com 25 anos, formada em filosofia, e que se assume como marxista e feminista. Fala com orgulho do que faz, mas a sua postura tipo é estar contra. Contra a sociedade moralista. Contra a sociedade machista. Contra "o feminismo de consumidoras". Contra uma revolução fundada sobre uma falsa moral. E, sobretudo, contra uma pornografia de exploração. Escreveu um livro que se chama Porno Manifesto onde descreve a vivência no meio em que trabalha. Como boa marxista, coloca de um lado as operárias (e operários) do sexo e, do outro, os produtores de filmes, os capitalistas.
      As contradições ou ilusões desta intello de filmes X são muitas, e apercebemo-nos logo disso quando se convenceu de que tinha criado outra ordem estética e social na pornografia, realizando ela própria dois ou três filmes.
      Mas a sua singularidade fê-la chegar ao grande público e é uma fazedora de opiniões. Para o cidadão médio, a pornografia passou a ter um rosto e uma voz e uma consciência. Tem o mérito de ter posto a França a discutir os direitos dos trabalhadores da indústria porno. Continua a exercer o seu métier mas recusa algumas práticas comuns no cinema porno, pelo risco de transmissão de doenças (nomeadamente o vírus HIV). Ela também participa activamente em campanhas institucionais favoráveis ao uso de preservativos.
      Quando uma Ovidie é apresentada no horário nobre da televisão, já não é possível fazer de conta que não existe uma indústria porno bastante lucrativa, nem esquecer que, se assim é, é porque existe mercado. E todos são forçados a assumir uma posição. Passa-se do inconsequente concordo/não concordo à regulação objectiva de uma actividade.
      Fiquei com a impressão de que, como país, não aguentaríamos uma Ovidie. E, sem querer, percebi que também eu estava contra tudo. Contra uma sociedade moralista. Contra uma sociedade machista. Contra uma revolução fundada sobre uma falsa moral. E, sobretudo, contra todo o tipo de exploração.
      (Não sei se perceberam, mas retirei a cláusula das "feministas consumidoras". Por não saber bem o que isso é. E porque a Ovidie não é uma boa feminista, apesar de ser muito mais do que uma "feminista" boa.)

      Mulher e trabalhadora

      Ela nao tem contrato, nem tem chefes ou chefas. Nao tem ordenado oficial nem horário de escritório.

      Nao teve muitos dias de folga. Eu diria que nenhum, pelo menos desde que teve o seu primeiro filho. O seu nome nao está em nenhuma lista de mulheres trabalhadoras do Estado, mas ela é para mim a que mais tem trabalhado de todas:

      Mamá, felicidades y gracias!

      Provocação!

      Que me perdoe o gajame, mas não resisto!

      woman_mind.jpg
      Imagem: Do site do post anterior!

      Para certas homenagens mais vale ficarem calados

      Free Image Hosting at <a href= Há alguns anos atrás, George W. Bush escreveu um poema que dedicou a Laura, sua mulher, e mostrou-o à imprensa. Ao tomar a decisão de tornar público o conteúdo do seu poema, Bush pretendia também conquistar a simpatia do eleitorado feminino. Não sei se as americanas ficaram seduzidas, mas eu fiquei foi com pena da Laura! Ou vocês acham que temos de ficar felizes só com boas intenções? :))

      Roses are red
      Violets are blue
      Oh my lump in the bed
      How I've missed you

      Roses are redder
      Bluer am I
      Seeing you kissed
      by that charming French guy

      The dogs and the cat, they missed you too
      Barney's still mad you dropped him, he ate your shoe
      The distance, my dear, has been such a barrier
      Next time you want an adventure, just land on a carrier

      Género

      Desde um tempo antigo até hoje,
      quando um homem segura minha mão,
      saltam duas lembranças guarnecendo
      a secreta alegria do meu sangue:
      a bacia da mulher é mais larga que a do homem,
      em função da maternidade.
      O Oswaldo Bonitão está pulando o muro de dona Gleides.
      A primeira eu tirei de um livro de anatomia,
      a segunda, de um cochicho de Maria Vilma.
      Oh! por tão pouco incendiava-me?
      Eu sou feita de palha,
      mulher que os gregos desprezariam?
      Eu sou de barro e oca.
      Eu sou barroca.


      Adélia Prado
      Com Licença Poética

      Oscares

      Oscares
      Imagens obtidas através do "amigo" google

      Uma vez que os últimos dias de ante et post têm estado irritantemente cheios de Clooneys e aproveitando o dia da mulher, achei por bem deixar a homenagem a algumas senhoras que mereciam um Oscar pelas suas prestações de todos os dias. E a todas as outras mulheres também, claro!!

      Dia Internacional da Mulher

      Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de Março de todos os anos. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos económicos, políticos e sociais alcançados pela mulher. De entre outros eventos históricos relevantes, comemora-se o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist (Nova Iorque, 1911) em que 140 mulheres perderam a vida.

      A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na viragem do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão económica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários. As protestantes seriam atacadas pela polícia. As mulheres envolvidas nestes movimentos foram as mesmas que fundaram, dois anos depois, os sindicatos.

      Muitos outros protestos se seguiram nos anos seguintes ao episódio de 8 de Março, destacando-se um outro em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução de horário, melhores salários, e o direito ao voto. Assim, o primeiro Dia Internacional da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América após uma declaração do Partido Socialista da América. Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido. No ano seguinte, esse dia foi celebrado por mais de um milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. No entanto, logo depois, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 140 costureiras; o número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Além disto, ocorreram também manifestações pela Paz em toda a Europa nas vésperas da Primeira Guerra Mundial.

      Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher provaram ser a primeira etapa para a revolução russa de 1917. A seguir à revolução Vermelha, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a sua vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a sua simpatia ou amor pela mulheres da sua vida — um tanto semelhante a uma mistura dos feriados ocidentais Dia da Mãe e Dia dos Namorados. O dia permanece como feriado oficial na Rússia (bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldova e Ucrânia), e verifica-se pelas ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres (quaisquer mulheres). Quando a Checoslováquia integrou o Bloco Soviético, esta celebração foi apoiada oficialmente e gradualmente transformada em paródia — ver MDŽ.

      No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas esmoreceu. Foi revitalizado pelo feminismo na década de 1960. Em 1975, designado como o Ano Internacional da Mulher, as Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.

      Fonte: Wikipédia

      Eis o porquê do dia!

      Andava eu ontem à procura de alguma coisa para postar neste Dia Internacional da Mulher e encontrei este site. Confesso que não gosto muito desta coisa dos dias internacionais. Então o da mulher, nem vos conto. Mas compreendo as razões históricas pelas quais são (foram) criados. Então procurei por algo que o pudesse ilustrar e cheguei ao site que indiquei acima.

      Reparem como o direito ao voto, para citar um exemplo, foi uma luta imensa para quem nunca a deveria ter tido de fazer.

      woman_vote.jpg
      Imagem: do mesmo site.

      Para Ti, Mulher!

      218_1861.JPG
      Foto: Noite

      E que o dia Te sorria... Sempre! :)

      março 07, 2006

      Crónicas de Viagem VII - A culpa foi da chuva

      As pequenas viagens também podem originar crónicas. Normalmente pequenas crónicas se se limitarem ao mero relato. Esta que vou escrever é de facto uma pequena história. A viagem era a de todos os dias do Marquês de Pombal à porta de casa. Rotunda do Marquês, Joaquim António de Aguiar, Amoreiras, Ponte 25 de Abril, etc. e tal. Este pequeno percurso de 13 kms tinha normalmente uma extensão temporal que dava para muita coisa. Observar os comportamentos em carros alheios, ler A Bola que não tinha sido lida porque não houvera tempo, aproveitar para ouvir Stravinsky ou Rachmaninov. Só não dava para dormir, porque é preciso ir de olhos abertos (literalmente), em certos troços do percurso. Nesse dia chovia que Deus a dava, os carros em fila indiana colados, a passo de caracol cansado, a vontade de fazer chi-chi a apertar. Vai um gajo embebido em pensamentos do género “e se eu sair e mijar directo para a Etar da Av. de Ceuta?”, quando a um palmo do seu nariz vê atravessar, vindo não se sabe bem de onde, um tipo todo encharcado, passar pela frente da viatura de uma pacata cidadã a quem também saiu na rifa ter de esperar esta eternidade nos corredores do trânsito. E vem-nos ao pensamento que ainda há solidariedade neste país quando aqui o escriba viu o pobre coitado dirigir-se à viatura da fulana, abrir a porta do passageiro e pronto, grande sorte, já tem boleia. O tanas. Só abriu a porta e nem a fechou, que dá muito trabalho. Filou a mala que a incauta criatura levava tão a jeitinho para aceder ao telemóvel, ao batôn ou ao blush e, ai pernas para que te quero, Monsanto acima, foi um ar que lhe deu e nem a indignação dos outros automobilistas, nem a estupefacção da cidadã roubada, foram suficientes para lhe tolher o passo. Diga-se de passagem que ninguém fez nada para o tentar agarrar. Pudera, estava a chover. Escassos 50 metros à frente, uma patrulha policial multava paulatinamente um automobilista que tinha pisado um traço contínuo.

      O PreDatado, in Crónicas de Viagem

      de benguela by sms

      crianças angolanas - labínio almeida.JPG
      Crianças angolanas Foto de Labínio Almeida retirada do Fotogramas

      praia, calor e boa comida.
      o sorriso permanente no olhar das crianças, a contrastar com a miséria em que vivem a maioria dos angolanos. é confrangedora em alguns casos. mas disso, falarei quando voltar.
      já tenho saudades dos blogs. é muito tempo sem este vício.
      volto já.

      Contos da minha janela IV - a tempestade

      Ontem houve uma grande tempestade. Ainda consigo sentir o vento, ora a assobiar, ora a bater forte nos vidros da janela, fazendo tudo tremer. Depois, como se nada tivesse acontecido, tudo parou. Depois da acalmia, acordei com chuva, uma chuva calma, serena. Fez-me sentir calmo, relaxado, como há muito não me sentia.

      Se a tempestade me lembrou os maus momentos, de raiva, de confronto, de guerra aberta, a chuva matinal fez-me lembrar de ti, face e cabelos molhados, quando saías do banho, ou quando éramos surpreendidos pela chuva. E o teu rosto brilhava, como brilham agora as gotas, tocadas pelo sol nascente.

      Na janela noto um vidro partido. A tempestade fez os seus estragos, alguma água entrou para dentro de casa. Mas lá fora, o mundo está lindo, como já não o via há algum tempo. Parece que a tempestade veio chamar-me, para voltar ao mundo lá fora, lembrar-me que pode haver momentos maus, mas que o mundo pode continuar a ser belo.

      Antevendo o amanhã

      W pb the way she looks - simply yoga.jpg
      Foto: the way she looks - simply yoga

      março 06, 2006

      27 minutos.

      27 minutos. Os que restam até que este post saia à luz.

      Bom, 26 já. Mmm... e de que falo hoje? vamos ver... os oscars?. Mmm.. vejo que a Lilly e a Karla já fizeram uma boa cobertura (cobertura?, isso é correcto em português?... vamos ver... que é o que diz o priberam, ok: é correcto, sigamos... 22 minutos já) bom... cobertura de George Clooney, hehe... o isso quiseram elas, acho. Cobertura de Goerge Clooney. ;-)

      20 minutos. Entao?, se calhar falo do "amor" que têm os catalaes ao Mourinho, que chegou hoje a Barcelona. Mmm... com certeza que em Portugal já se fala disso muito más do que cá em Espanha... ok, vamos procurar outro tema. (tema?, isso é correcto em português?... vamos ver... que é o que diz o priberam, ok: é correcto, sigamos... 17 minutos já!!)

      Mmm... um segundo, caros leitores. Imagens da "red carpet" no telejornal espanhol... mmmm!, eu quero ser o vestido da Jennifer Anniston, ou o sapato da Naomi Watts... uf, uf!, desperta, desperta!!, o tempo corre... o ante et post merece puntualidade... meu Deus!, o Jorge restou-me uma hora!, antes postaba as 23h espanholas, agora as 22h... e só há meia hora que sai da ducha, depois do spinning... entao... de que falo hoje?, shit!, 10 minutos!!

      Olha... e se falarmos da hora... já é hora de jantar. Bom, e que é que janto hoje?, mmm... (janto hoje? soa um bocadinho estranho, isso é correcto em português?... vamos ver... que é o que diz o priberam, ok: é correcto, sigamos... 8 minutos já!!, Dani, pensa depois na refeiçao!!)

      7 minutos... E ainda nao sei o tema desta noite... acho que já nao há tempo para assuntos transcendentais. Se calhar posto uma foto?, mmm... mas de quê? de George Clonney?, nao, nao... too much Clonney for today... uf, uf!, 3 minutos!!!!

      Ok, ok... rendo-me: hoje nao há post!!

      e ainda...

      Se as mulheres ficam muito mais sexies com os cabelos soltos, porque é que elas tiveram tanto trabalho a pô-los up ?

      Lilly Rose

      Pelos caminhos de Portugal

      Este ano as nomeadas para os Óscares não eram da minha preferência (tirando a Charlize, mas essa ganhou um há pouco tempo). Assim sendo, para algo completamente diferente, aqui fica mais um desafio...

      castelo.jpg
      Foto: Bilhas.

      Alguém sabe onde fica!?

      PS: Já sabem que o prémio é uma viagem de ida e volta à Foz, não é!? E Jorge... dá uma hipótese à rapaziada, responde apenas ao final da noite!

      digam lá...

      As meninas gostam de laços?

      Lilly Rose

      A poesia nos blogs

      Hoje vim falar de poesia. E de blogs. Tudo isto a propósito de uma iniciativa do Jorge Castro, do blog Sete Mares. E para dizer: eu estive lá.

      Eu não sou muito bom a fazer relatos do que se passou. Por isso, penso que o melhor é irem ao blog do Jorge Castro (mais conhecido na blogosfera por OrCa), organizador do encontro "A poesia nos blogs", ao blog Catedral , onde está uma excelente foto-reportagem do evento (devo dizer que eu sou bem mais bonito ao vivo), e aos blogs dos restantes participantes, que têm mais jeito do que eu para relatar estas coisas: Anomalias, As romãs de Paula, Cidadão do Mundo, Mulher dos 50 aos 60, Sais minerais e Tadechuva II.

      Começando pelos agradecimentos:
      - ao Jorge, organizador do evento, pela excelente iniciativa e pela forma inspirada como leu um dos meus poemas, para além de me ter ensinado, finalmente, que as fadas más também podem ser boas;
      - ao Fernando, cidadão do mundo, pela forma como leu o meu poema mais longo;
      - por esta ordem de ideias, devo meter aqui pelo meio um agradecimento a mim mesmo, por ter conseguido ler mais dois poemas meus, sem antes ter bebido muito;
      - e já que estou a olhar para o umbigo, aproveito para agradecer à companhia da mesa, incluindo a minha companhia de todos os dias, e aos três outros companheiros (imperdoável, mas esqueci-me dos nomes - afinal talvez tenha bebido um pouco - e não tenho a certeza se o blog era o Peças soltas de um puzzle - era?);
      - ao Fanha, que não leu nenhum poema meu, mas que animou bastante a noite;
      - a todos os presentes, foi uma noite memorável.

      Não posso deixar de destacar os meus dois poemas preferidos da noite. Espero que não achem deselegante este meu gesto, eu gostei bastante de todos, mas estes dois foram os que me prenderam mais, não só pelo poema em si, mas também pela forma como foram declamados:
      - Chegam as palavras, TMara;
      - A carta, Gonçalo Nuno Martins.

      Se da TMara eu já conhecia o seu trabalho, de umas andanças por um escritor famoso, já o Gonçalo foi uma excelente surpresa para mim.

      Mas, para lá destes destaques, estiveram outros poetas que espero poder conhecer melhor numa próxima ocasião. Estes encontros são excelentes, mas sabem sempre a pouco. Mas foi bom conhecer-vos, ouvir-vos, e saborear os vossos poemas.

      L.A. Gossip

      Como sabem, o Pre conseguiu ser seleccionado para a organização da cerimónia dos Oscares. Se leram a novela dos bastidores, até já sabem que a mãe da Charlize Theron o adorou. Aqui podem vê-lo a entrar no Kodak Theater carregando o peso de tanta responsabilidade :P

      bagged-oscar.jpg

      Lilly Rose

      Ai que emoção ...

      geoge.jpg
      Foto da Revista Faces of Hollywood, à qual tivemos de pagar 1 000 000 U$D, para preservar a nossa identidade.

      Foi tanta a emoção do George. E a nossa também.
      No fim da festa, eu e a Lilly tivemos de prestar-lhe os primeiros socorros, medir-lhe a tensão, a pulsação a galope e fazer respiração assistida (boca-a-boca) ;-)
      Recebeu tratamente VIP, não foi Lilli?

      Congratulations George

      clooney2.jpg´

      Todas as razões são boas para colocar aqui uma foto do George Clooney.
      Principalmente depois de sabermos que ele foi tão bem acompanhado à entrega dos Óscares.
      Pena não ter conseguido encontrar uma foto desta perfeição de homem com a Lilly Rose.

      fut marca

      Jokhen Flinzer - Der Ball ist rund 1994.jpgJulia Oschatz

      Tem-se falado muito de futebol por aqui. Faltava salientar esta vertente do desporto-rei, a dos patrocínios, dos direitos de emissão de jogos, dos contratos milionários de publicidade, sem a qual, não haveria marcas globais, grandes estádios, dirigentes barões desportivos, salários astronómicos, porches amarelos, uniões de jogadores com super-models, a moda dos metrossexuais, bares Se7e na marina de Vilamoura, and so on. Por outras palavras, viveríamos num outro mundo e isso seria..., seria ficção? e a realidade ultrapassa a ficção?

      Lilly Rose

      Mergulhar...

      Mergulhar...
      Foto: António Duarte

      ... de corpo e alma!

      Andrade

      março 05, 2006

      Devolvam-me a minha perna

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      Aqui

      O português em terras do Oriente

      Vim pela primeira vez para Macau há vinte anos. Cedo percebi que o português não era língua corrente nesta terra. Durante muitos anos nunca teve grandes aspirações: contentou-se com o facto de ser língua oficial e de ser utilizada na administração pública, o que por si só não foi suficiente para que fosse acolhido pela população. Nunca foi língua corrente, nunca foi ensinado nas escolas chinesas, nunca foi amado.
      Ao contrário do inglês na vizinha ex-colónia britânica, que quase toda a gente conhece, são raros os chineses de Macau que sabem o português. E tanto assim é, que automaticamente partimos do princípio de que as pessoas seguramente não falam. Mas por vezes temos surpresas.
      Num destes dias cinzentos e chuvosos, numa das muitas procuras do chapéu para o meu cowboy, procurei uma loja que conhecia, que vendia artigos em verga e palhinha. Sem grandes esperanças, mas não querendo pôr à partida de lado uma - ainda que remota - possibilidade de encontrar um chapéu, pus-me a caminho por entre o trânsito infernal já habitual nos últimos tempos, agravado pela chuva intensa que se fazia sentir. Encontrado um lugar próximo para o carro, lá fomos calcorreando aquela rua conhecida, à procura da dita loja. Fizémos apenas aquela parte da rua, já que eu sabia que a loja ficava por ali. "Não, não me digas que fechou..." - penso, embora não seja de espantar nos dias de hoje, em que todos os dias assistimos ao fecho de lojas do comércio tradicional, para serem substituidas por todo o tipo de franshisings pouco interessantes. Andámos mais uma vez para cá e para lá e nada. Entrei numa loja que me parecia estar no exacto local da outra. Podia ser que tivessem apenas feito algumas alterações (embora me custasse a crêr...). Entrámos, olhámos em volta e percebi que era um local onde se faziam massagens. Nada de vergas ou palhinhas. Olhei para uma senhora, sorri com ar comprometido, passei a mão na cabeça que pedia um chapéu e disse "anda filho, já não é aqui", sem nada perguntar a ninguém, claro, para quê? Primeiro que me conseguisse fazer entender... Foi então que a senhora me surpreendeu:
      - Não vai fazer massagem?
      - Fala português...
      - Sim...
      - Não, massagem não vou fazer, mas... procuro a loja que estava aqui antigamente... uma de mobílias... sabe alguma coisa...?
      - Sim, tenho aqui um cartão. Mudou para a Rua de S. Paulo"

      Na Rua de S. Paulo havia loja e não havia chapéu, mas eu tinha ganho uma história para contar. Apesar de muito pouco, ainda há quem fale a minha língua!

      Estou ocupadíssima!

      Sam Jones - George Clooney em LA home2.jpgSam Jones

      Acordei cedíssimo porque a massagista vai aparecer daqui a pouco. Depois vem a esteticista para me colocar a primeira máscara do dia, a que se segue o sono de beleza das 10 am. O meu almoço vai ser frugal. O programa da tarde inclui uma sessão de relaxamento e mais massagens e máscaras, até ao sono de beleza das 14h30. Escolhi Gautier para me vestir e estou radiante com o cabeleireiro. Empatizei de imediato com os dois, em particular com o Jean-Paul, o que facilitou o trabalho de criação. Serei eu mesma! O George já passou por isto várias vezes mas este ano sinto-o mais nervoso. Talvez hoje seja finalmente galardoado com um Oscar! Quero estar belíssima ao lado dele!

      Desejem-nos sorte! Quanto a vocês, enfim, divirtam-se como puderem!

      Lilly Rose

      março 04, 2006

      Contos da minha janela III - o velho

      Todos os dias ele passa, cabelos e bigode farto brancos, em direcção ao café-restaurante da esquina, três vezes ao dia. De manhã, por volta das oito, vai tomar o seu café. Volta passado hora e meia, quando o movimento do café já diminuiu. Depois, por volta das onze e meia, munido do seu "taparué", às vezes com um garrafão de vinho, vai buscar o almoço. Finalmente, entre as catorze e as dezoito, fica no café, a jogar às cartas com os amigos (ouvi dizer que é um grande batoteiro). Depois, volta definitivamente para casa, para repetir o ritual no dia seguinte.

      Aos fins de semana, à vez, cada um dos seus três filhos vem buscá-lo. É a excepção à regra. Mas ninguém diria que fez, há uma semana, noventa e dois anos. Anda sem bengala, sozinho, completamente independente. Conta histórias de uma vida cheia, para quem o quer ouvir. Canta velhas cantigas, sem se esquecer de uma única palavra. E se o facto de ter ficado viúvo há dez anos o entristeceu um pouco, não foi por isso que deixou de continuar a viver com a mesma força de sempre. Foi a vontade de Deus, costuma dizer.

      Sempre me causou uma certa inveja, a mim, incapaz de sair deste lugar, desta janela de onde observo este pedaço de mundo. Sempre olhei para ele como um símbolo da vontade de viver. Para mim, ele é eterno. Mas hoje, ele ainda não apareceu.

      5 anos depois

      Ponte.jpg
      Foto reportagem de Gonçalo Rosa da Siva

      Finalmente, 5 anos depois, o julgamento está marcado.
      Esperemos que seja conclusivo no apuramento de responsabilidades.
      Entre-os-Rios, já tem uma ponte nova.

      Fetiche

      nu005h.jpg

      foto de aquí: http://fashion.hobby.ru/

      março 03, 2006

      Pode chegar a Primavera

      Norman Parkinson_ Bird Island_ 1973.jpg
      Foto: Bird Island, 1973, Norman Parkinson

      Foi falso alarme. Os gansos patolas, encontrados mortos perto de Aveiro, não sofriam do virus H5N1.
      Podemos então, esperar pela primavera, a chegar nas asas das andorinhas.

      Preferências musicais

      Estava hoje com os bilhetes dos Stones para o Estádio do Dra..ahhh Drag... Dr... bem, vocês sabem aquele estádio do clube que joga de camisola às riscas azuis e brancas, e dei comigo a pensar: "Bilhas, pá! Tu deves ter o neurónio musical formatado apenas para música, compositores e intérpretes com mais do que uma porrada de anos!" Confesso que prefiro Stones a U2, Frank Sinatra a Michael Bublé, António Carlos Jobim a Celso Fonseca, Amália a Mariza, ou uma qualquer música de George Gershwin ou Cole Porter a uma qualquer de Michael Nyman. Reparem que digo prefiro, porque gosto também de qualquer um dos exemplos que dei. Mas sou mais pelos "Oldies".

      Aqui fica um presente de fim de semana. Fly me to the Moon cantado por dois grandes senhores: Frank Sinatra e António Carlos Jobim.

      Fly me to the moon

      Fly me to the moon
      And let me play among the stars
      Let me see what spring is like
      On Jupiter and Mars
      In other words hold my hand
      In other words darling kiss me

      Fill my life with song
      And let me sing forevermore
      You are all I hope for
      All I worship and adore
      In other words please be true
      In other words I love you

      repeat 2nd verse, then repeat 1st verse

      Lyrics by: Bart Howard.

      Bom fim de semana a todos(as)!

      Craques da bola

      Craques
      Imagem recebida por e-mail

      Sou um apaixonado pelo futebol. O futebol jogado, desde o praticado nos pelados, até ao das grandes finais de competições do mais alto nível. Não passo horas a ver jogos na televisão, até porque me vai faltando cada vez mais a paciência. Vejo os do meu clube praticamente todos, muitas vezes no próprio estádio e depois acompanho mais um ou outro que me desperte interesse. Os resumos já me vão bastando, até porque mostram sempre quase sempre os melhores momentos.
      Como sei que há entre estes ilustres ante-postadores mais adeptos deste desporto, deixo uma sugestão: uma vez que os grandes jogos da nossa liga são cada vez mais marcados por futilidades, por ataques mesquinhos, por faltas de desportivismo e os preços continuam a ser de uma exigência só aceitável se tivessemos vencimentos comparáveis com os de países como Inglaterra, Luxemburgo... assistam a jogos das distritais. De preferência, camadas jovens! Está tudo lá e não se paga nada!!
      Se o talento que se vê tantas vezes na televisão e nos grandes estádios só esporadicamente aparece no pelado de um qualquer campo da bola, já a dedicação ultrapassa em grande medida a de qualquer milionário jogador.
      É tudo tão mais puro... que até a falta de desportivismo choca menos!
      Há pelos pelados penteados iguais, como que copiados a régua e esquadro, ao do Quaresma, ao do Simão e ainda mais originais, pasme-se. Há fiteiros de qualidade nada inferior à dos tantas vezes idolatrados jogadores. Há caceteiros que fazem corar um Petit, ou um Paulinho Santos. Há defesas mais seguros que um Hugo, ou um Bruno Alves. Há árbitros que se deixam influenciar por um almoço...
      Que mais se pode querer?
      Se levarmos em conta as preciosidades que se ouvem nas bancadas(??), ou até mesmo as figuras que por esses campos se conseguem ver, é o futebol do mais alto nível que fica a dever a este verdadeiro espectáculo!!

      Se gostam de futebol e nunca viram um jogo destes, de que estão à espera?

      Andrade

      Crónicas de Viagem VI - Amadeu

      Chamo-lhe Amadeu, nome fictício, porque não conheço, pessoalmente, ninguém chamado Amadeu. Diziam que ele era homossexual, mas eu não sei se era ou não, nunca o tinha visto mais gordo nem mais magro até ao dia do evento. Ele era marinheiro e a bordo, na marinha mercante, não se misturavam oficiais e praças a não ser por questões de serviço ou em torneios desportivos que é como quem diz, sueca, damas e xadrez. Mas não era só essa mistura que não se fazia. Por exemplo o pessoal de convés e ponte tinha apenas as relações estritas e necessárias com o pessoal da máquina. O corporativismo era, não sei se ainda é, uma constante, mas penso que ainda seja igual, já que a “tradição” é ancestral. Lembro-me quando convidei o gamela (termo usado para os camareiros), que me limpava o camarote, aspirava, fazia a cama e até me trocava o sabonete por um novo todos os dias e que além disso era o meu despertador, sempre meia hora antes da refeição, para o meeting de copos que me calhou dessa vez organizar, levei um raspanete do meu chefe por ter convidado pessoal que não era da máquina e pior ainda que não era oficial. Mas essas são outras histórias. Voltando ao que me trouxe a este conto e ao facto de ter referido no início de que o Amadeu era homossexual, faço questão em declarar que não sou homofóbico, mas se o referi tem a ver com o resto da crónica. Mas há quem o seja e num ambiente quase exclusivamente masculino (finais dos anos 70) ser “bicha” a bordo era motivo de discriminação, ou mais até, de escárnio. Por isso não se gostava muito do Amadeu. Navegava o navio paulatinamente na costa angolana com 320.000 toneladas de crude a bordo (a preços de hoje mais de 146 milhões de dólares, uma pequena fortuna) quando por circunstâncias que não vou descrever, tivemos um tão indesejado quanto perigoso blackout. Nessa altura toda a gente tem de dar o litro, há tarefas distribuídas e aí sim mistura-se a ponte com a máquina porque quem não trabalha não come. E enquanto se reparam as causas do dito cujo problema, aproveita-se o tempo para nos livrarmos outras pequenas avarias, assim como assim o navio está parado e à deriva e quando não é noite a luz do Sol chega à casa da máquina. Estes quiproquós aumentam o stress, que já existe quando se navegam mais de três meses sem pisar chão firme e alguns ficam ainda mais paranóicos do que na realidade já são. É nesta azáfama que aqui o narrador sobe ao desaerificador, que ficava mais alto que um sétimo andar de um prédio e consumido pelo cansaço de mais de 48 horas já passadas sem dormir, aliado à inexperiência, comete a imprudência de colocar uma chave de grifo no bolso traseiro do fato-macaco, infringindo todas as regras de segurança. E como as leis de Murphy se aplicam em todas as circunstâncias é claro que a chave haveria de abandonar o bolso e plim, plim, plim, ploooong (a onomatopeia é apropriada pois foi sempre metal contra metal até se esparramar no chapa de um passadiço). Segui o percurso com os olhos, sem mais nada poder fazer até ver que só por milagre ela não caiu em cheio na cabeça de um marinheiro que passava naquele instante. Fiquei sem pinga de sangue, desci de imediato que o almoço estava prestes, fui tomar o meu duche, mas quando cheguei à mesa, o cansaço misturado com o pânico em que quase entrei com o incidente vestiam-me a pele de um fantasma. Interpelado porque estava assim, (alguns já gozavam pois eu tinha todo os aspecto de quem estava mais enjoado do que uma pescada), contei o que se tinha passado e ouviu-se quase uníssono respirar de alívio na sala. A minha espontaneidade a contar o caso, na presença do próprio Comandante, fê-lo chamar o marinheiro ao seu escritório sem mesmo termos iniciado a refeição. “O Sr. marinheiro conhece este senhor?”. “Não senhor comandante”, com a sua voz efeminada. O comandante pediu-me para repetir o que tinha contado à mesa e o marinheiro retirou de imediato a queixa contra o pessoal da máquina por tentativa de homicídio. Afinal de contas ninguém queria matar o Amadeu por ele ser homossexual. Mas nunca mais me esqueci do susto que apanhei. O Amadeu, esse, também nunca o deve ter esquecido.

      O PreDatado, in Crónicas de Viagem

      compras para o fim de semana

      Angola-2 071.jpg
      mercado do Roque Santeiro - Luanda - Angola
      (...)O Roque Santeiro é um mercado verdadeiramente democrático, onde se pode comprar tudo. Pense no que quiser e se tiver dólares encontrará uma verdadeira cidade à margem de todas as regras - descreve o jornalista angolano radicado em Portugal Orlando Castro.(...)

      foto: aNa em 12-2003

      março 02, 2006

      Contos da minha janela II - a ferida

      A ferida parece ter parado de crescer. Ainda não sarou, mas parou de crescer. Ainda está bastante dorida. O tempo húmido não ajuda nada. Mas agora tenho esperança que cicatrize, em breve. Para tudo há cura, excepto para a morte, a menos que se professe uma daquelas religiões que advogam a vida post mortem.

      Ainda hoje não sei como sobrevivi à tragédia. Lamento ter perdido a minha fé, caso contrário tudo estaria explicado por um autêntico milagre, daqueles que elevaria um qualquer homem ou mulher normal à categoria de santo. Sim, um milagre seria uma explicação lógica para a minha sobrevivência. Assim, rejo-me pelas leis das probabilidades e da estatística, para explicar o sucedido.

      Mas se sobrevivi, a ferida ficou, cravada em mim. Para não me esquecer. Para me reter aqui, nesta casa, em frente a esta janela, a observar tudo o que se passa na rua e nos prédios vizinhos. Vejo tantas vidas, imagino tantas histórias, tantas aventuras. É a forma que tenho de sair destas quatro paredes, enquanto a ferida não sara.

      Se aqui estivesses, perguntar-me-ias se me refiro à ferida física visível ou à que ficou do nosso amor. Sinceramente, não te saberia responder.

      até já - noutro hemisfério!

      neste momento ainda cá estou, mas já cá não estou!
      (devo estar a chegar a casa para trocar a roupita e allez para o aeroporto.)
      ainda estou fisicamente, mas a minha cabeça, desde manhãzinha que já só pensa a preto. como diz a Maria, eu sou tipo Bollycao - branca por fora e preta por dentro. tenho o maior fascínio por África, por Angola em particular e por toda a gente de raça negra!
      em 2003 tive oportunidade de revisitar a terra amada que me viu nascer, como cantava o Duo Ouro Negro, quero chegar de madrugada / para ver o sol raiar / quero chegar de madrugada / p'ra ninguém ver se eu chorar. claro que chorei - não era difícil isso acontecer, quando se revisita as memórias de infância. e adorei, adorei andar pelas ruas de Luanda, mesmo com aquelas coisas que toda a gente que lá regressou, ou quem revê na televisão tanto abomina, como são o caos do trânsito, o lixo das ruas, etc, etc. eu não fui à procura do tempo que lá vivi, antes sim, da terra que tive que deixar aos doze anos. e essa, mesmo com toda a degradação aparente, recebeu-me bem.
      desta feita, estarei de passagem pois vou mais para Sul, para um sítio que só conheço de fotografias - e me agrada imenso! e vou com a morena com o chocalho agarrado na canela, para as terras de Benguela comer muita moamba e funje! vou ficar ainda mais com cú de preta, mas que se lixe!! é só uma questão de subir o número da roupa! nada que preocupe!
      tentarei, o maior número de vezes possível, cumprir as minhas obrigações aqui com a casa - será muito giro postar a quase oito mil quilómetros daqui!

      aNa

      Literatura de Viagens

      A Literatura de viagens é um género esquecido em Portugal. Começou com os Descobrimentos mas não são muitos os escritores que cultivem o género. É por isso que devemos ler com atenção as Crónicas de Viagem do PreDatado.
      Depois de Almeida Garrett, com as Viagens da minha Terra, chegou o tempo das viagens por todas as terras. Sem burros nem Joaninhas. Com velocidade e diversidade. Num registo de apontamentos ou quase-contos que formam uma colcha de descobertas. A mim pareceu-me que a melhor dessas descobertas é da diferença cultural.
      Cada crónica é um convite à aceitação de outras atitudes ou comportamentos, para além dos nossos PreConceitos. Porque existem mesmo sentidos únicos, que são os nossos próprios limites, a solução é conhecer mais sentidos únicos para que, desse saber, nasçam conceitos relativos - de distâncias, fisionomias ou de praxes.
      Que o diga a Prima! :) E vocês, depois de suspenderem o PreConceito contra os textos cheios de letrinhas. ;)

      Lilly Rose

      Semelhanças na Diferença

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      Falta-me tanto a pachorra para blogues femininos, onde o único objectivo é dizer mal dos homens e vitimar as mulheres. São excelentes contributos para o ego de alguns deles e para a manutenção dos estados de frustração que assolam muitas delas.

      Homens são homens, mulheres são mulheres. Diferentes no género, mas também entre si. Generalizar, não só é injusto, como reduz quer homem, quer mulher, a um punhado de estereótipos que só faziam sentido nos anos 50/60.

      Recuso-me a participar nesse coro de desencanto.
      Sou mulher, adulta, independente e nunca, mas nunca, me senti inferior a homem algum. Nem social, nem profissionalmente.
      Nunca me senti mulher-objecto. Nunca me senti usada por homem nenhum.
      Já o inverso … só se eu não quiser. É tão fácil.

      PhotoPub

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      Land Rover

      março 01, 2006

      H5N1 - 1º Europeu

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      Primeiro mamifero europeu já foi

      Pornografia Ante & Post

      Merel Zwart Naakt2.jpg Merel Zwart

      Foi num daqueles dias em que estranhamos ter forças para acabar o dia. Mas todas as missões foram cumpridas nesse universo que se estende entre afectos e obrigações. Um sorriso e finalmente o corpo estendido no sofá. A mão pega no comando et voilá! Estou no CineClassics e começo a perceber que a programação da noite são filmes pornográficos franceses dos anos 20. Estou perante uma sequência de filmes mudos, cada um com uma duração média de 10/15 minutos. A primeira reacção é de riso, riso puro. A comicidade dos personagens, dos seus movimentos sincopados, quase bruscos. E depois o deleite, qual última cena do Cinema Paraíso (falta-me apenas a memória de um Alfredo para me comover).
      Os guiões são variados, desde a visita combinada do fidalgo a casa da burguesa, algures em Paris, ao atelier do escultor na Grécia antiga, passando por uma troca de doces sevícias entre anjos, num cenário celestial.
      Reparo nas "actrizes". Temos dois tipos: a típica starlet da Grande Époque, magra, longas pernas, cabelo curto, a imagem da sofisticação; e a moça roliça, de pele clara, provinciana e voluptuosa. Imagino as fontes de recrutamento: jovens aspirantes a actrizes e prostitutas de rua.
      Não defino uma tipologia masculina: há homens de todas as idades - desde jovens rapazes a velhos de longas barbas brancas; e de todas as compleições físicas - pequenos, robustos, elegantes, quase efeminados, muito musculados, decrépitos.
      Um filme de 1925 e um filme actual, ambos pornográficos. Quais os denominadores comuns? A exposição crua da nudez e do acto sexual e o uso de fetiches, há uma manipulação perversa dos adereços. E pouco mais.
      Do ponto de vista plástico, os primeiros são um conjunto de "quadros", a perspectiva é de conjunto; os actuais são um conjunto de zoomings. A tecnologia e a insaciedade evoluiram.
      O mais espantoso é o que se passa ao nível do jogo amoroso. Os homens são frequentemente bissexuais pelo que as famosas ménage à trois são vividas verdadeiramente a três. Nos filmes passados na cidade, o burguês (vestido a rigor, com colete, casaca e chapéu) pode, antes de se envolver com a amiga que visita, ter relações com um dos seus empregados (como reflexo da estrutura de classes, o que detém uma posição social mais elevada "domina" o da classe mais baixa).
      A mulher é um ser que se venera. Mesmo tratando-se de um filme pornográfico, frequentemente ela é colocada numa posição superior, como um ícone que se adora: no alto da escadaria, em cima de um banco ou de outro objecto que sirva o efeito de a elevar.
      Nestes filmes sentimos uma espécie de a-moralidade, são elogios ao prazer, tout-court.
      Nos filmes actuais (dirigidos ao público hetero) não existe interacção entre homens e a mulher é "dominada". Existe sempre a ideia de transgressão ou de abuso ou de engano/engate "malandro", como uma vingança. Maio de 68, a pílula, e todas as revoluções parecem não ter acontecido.
      Em qualquer época, estes filmes são atravessados pelas sombras negras da nossa mentalidade colectiva. Mas comparativamente ao que se passava há um século atrás, fiquei com a impressão de que o cinema pornográfico actual, mais do que perverso, é reaccionário. O uso da pornografia para defesa do "amor livre" caducou. Houve uma regressão e estes filmes cristalizaram uma moralidade rasca num non-sense em que não se repara. O teor das imagens arregala olhos que logo se fecham.

      (A pornografia existe desde a aurora dos tempos e não acredito que alguma vez se faça noite. A procura destes produtos não cessa de aumentar. Há pedaços de várias gerações a alimentar-se com isto. Combater a pornografia é quixotesco e não vejo interesse nisso. Mas as discussões sobre essa matéria reduzem-se ao argumento de que "é mau", "degradante para a imagem das mulheres"!?)

      Lilly Rose

      Crónicas de Viagem V - Sentido Único

      Falo com alguma fluência francês, leio sem muita dificuldade o inglês (confesso as dificuldade em perceber alguns termos americanos) e, entendo os nuestros hermanos, como eles, na generalidade, não me conseguem entender a mim. A propósito, quase toda a gente tem a mania de dizer que os espanhóis não nos entendem porque não querem e não fazem o mínimo de esforço. De facto não concordo com isso e vem-me à ideia uma história com um amigo meu, colega da delegação madrilena de uma empresa onde trabalhei. Como a empresa era francesa, encontrávamo-nos cinco a seis vezes por ano em reuniões em Paris onde, geralmente, só se falava francês. Nós que durante mais de seis anos, sempre conversamos em francês, propusemo-nos falar cada um na sua língua mãe, eu em português e ele em castelhano. À mesa do jantar, o António não tirava os olhos do meu rosto, talvez tentando discernir no movimento dos lábios aquilo que os ouvidos não conseguiam entender. Pouco mais de cinco minutos depois, ele pedia-me encarecidamente “Biquetór por favor volvemos a hablar en francés porque yo no te entiendo nada”. Obviamente que ele não fez de propósito e eu reconheço o esforço que fez em tentar. Já tenho contado isto mais de uma vez e insistem em dizer que não, que na maioria são mesmo preguiçosos e até presunçosos. É nesta altura que me dá ganas de defender os nossos vizinhos utilizando expressões como crema de afeitar sin brocha ou contando o caso de la sospecha de que hay sido un coche trampa que tenga explotado.
      Nem sei porque andei vagueando na história anterior se não era nada disso que fazia tenção de referir na minha crónica de hoje. Talvez para dizer que se há tanta diferença nas línguas que têm as mesmas origens imaginemos as que partem de etimologias diferentes. Por exemplo, o alemão. Na verdade sei uma meia dúzia de palavras em alemão, tais como Grundig, Telefunken e Vokswagem. Não sei se por instinto ou verdadeiro sentido de orientação, sempre que me encontro em país estrangeiro vou fixando referências para poder voltar, sem me perder muito, ao local de partida ou a locais a que me interessa voltar. E com a minha auto-confiança de que os pontos de referência que consigo tirar me valem praticamente em todas as ocasiões, respondi à minha mulher, quando me perguntou se eu saberia regressar ao hotel, depois de no primeiro dia termos feito uma longa caminhada pelas ruas de Viena, eu ter respondido que apesar da sua localização ser meio incaracterística, sem uma igreja, um teatro ou um restaurante típico, pelo menos o nome da rua que lhe era adjacente estava bem em letras garrafais e facilmente localizável. Bastaria encontrar a Einbahnstraße e o hotel seria logo ali ao lado. E ela com ar trocista respondeu-me: “Óptimo, temos o nosso hotel espalhado por toda a cidade” E apontou-me pelo menos mais duas Einbahnstraße iguaizinhas à ”minha”. Foi um fartote de rir, mas não foi por isso que deixamos de encontrar o hotel que ficava mesmo ao lado daquela pequena RUA DE SENTIDO ÚNICO.

      O PreDatado, in Crónicas de viagem

      Três .3

      Três títulos possíveis nos famosos correios sentimentais:

    • "Tenho relações com o meu marido uma vez por mês e ele ainda quer mais. Será tarado?"
    • "A minha namorada pede-me para depilar o peito. Isso não colocará a minha masculinidade em jogo?"
    • "A minha mulher é extremamente religiosa e, durante o orgasmo, só grita Meu Deus!!. Sinto-me traído. Que devo fazer?"

      Andrade


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