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Maria Barroso apaixonou-se pelo Teatro ainda muito nova. Aos 19 anos era actriz de grande êxito no Teatro Nacional. Por dar voz a dramaturgos e poetas da liberdade foi afastada do palco. Mas participou ainda em vários filmes antes e depois do 25 de Abril. Ontem à noite, no decorrer da abertura oficial do festival, Maria Barroso, actriz, foi homenageada.
E também Graça Lobo. Vocês conhecem esta senhora! Ela diz que todos somos muitas pessoas ao mesmo tempo. Mais à frente neste festival vamos poder ver um documentário realizado por Frederico Corado sobre a mulher por trás da actriz.
AInda ontem começaram também a ser exibidos os primeiros filmes a concurso:
- "Maria Bethânia: Música é perfume", de Georges Gachot
- "Movimentos perpétuos" de Edgar Pêra
Espero que tenham visto alguns dos filmes do Ciclo King Kong (por agora o de Merian C. Cooper & Ernest B. Schoedsack de 1933 e o de John Guillermin de 1968) ou do Ciclo Harold Pinter (O Alfaiate do Panamá, de John Boorman, ou Estranha Sedução, de Paul Schrader)... mas vai haver mais!
E por favor, quem puder não perca hoje mesmo estes inéditos do Ciclo Samuel Beckett (Pequeno Auditório da Casa das Artes):
15h00 - Waiting For Godot, de Michael Lindsay-Hogg; Rough Fot Theatre I, de Kieron J. Walsh; Ohio Impromptu, de Charles Strurruidge (com Jeremy Irons)
18h00 - Krapp's Last Tape, de Atom Egoyan; What Where, de Damien O'Donnel; Footfalls, de Walter Asmus; Come And Go, de John Crowley; Act Without Words I, de Karel Reisz
21h30 - End Game, de Conor McPherson; Act Without Words II, de Enda Hughes; A Piece Of Monologue, de Robin Lefreve; Play, de Anthony Menghella; Rockbaby, de Richard Eire
24h00 - Happy Days, de Patricia Rosena; Catastrophe, de David Mamet (com Harold Pinter, Rebecca Pidgeon, John Gielgud); Rough Fot Theatre I, de Kathie Mitchell; That Time, de Charles Garrad
É claro que podem preferir a Agatha Christie ou Charles Dickens e nesse caso, só têm que deslocar-se à Biblioteca Municipal ou ao Auditário S. Miguel de Ceide (respectivamente).
É mesmo caso para dizer: querem mais? :))
Até ao dia 6 de Maio, em Famalicão. Não percam este festival!
A melhor de todas é ir à Wikipedia em português ou à Wikipedia em inglês, e pesquisar palavrões.
Eis seis belos exemplares: 1 2 3 4 5
e o melhor e mais informativo de todos: 6

Feria de Abril de Sevilla.

Foto: Niko Guido
Posso deixar, em público, o meu contributo.
Em matéria de fantasias sexuais, não me sinto muito diferente dos homens. Também eu, sonho com o clássico "ménage a trois". Eu, com dois homens só para mim. Um para a cozinha, outro que saiba fazer a lida da casa.
Em privado e mais a sério se, a minha experiencia, as minhas ideias, o meu conhecimento sobre o assunto puderem interessar a alguém, ou só mesmo à Isabel Freire, terei todo o prazer em colaborar no livro e quem sabe, alcançar assim, os meus 15 minutos de fama.

Foto: Bilhas.
Pelos vistos foi construído por portugueses para defesa da preciosa praça de Ceuta. É o primeiro forte no mundo que teve um fosso navegável e neste capítulo apenas tem a concorrência de um outro (não sei se construção nossa) na América do Sul. Deste outro não conheço a localização exacta, mas o de Ceuta tinha a característica de ter o fundo completamente branco de tal forma que não era possível, à noite, qualquer embarcação ou pessoa por ali passar sem ser detectada pelos atentos vigias. Ainda hoje podemos ver as águas límpidas e sentir a maresia própria da ligação entre os grandes mares Mediterrâneo e Atlàntico.
Se forem a Ceuta num dia de sol e com tempo aproveitem para tomar uma "copa" na esplanada que fica no interior do Forte.
Bom fim de semana!
Três coisas que ficaram mais fáceis de fazer depois do 25 de Abril:

Foto: Pascal Renoux
- Não senhor deputado, isso que o senhor diz não é rigoroso. O senhor vai ter de me desculpar mas eu tenho dizer isto. Se alguém fodeu o país foram vocês nos três anos que nos antecederam – dizia com ar de muita propriedade o PM no parlamento.
- É preciso ter lata e não ter um par de tomates no sítio para dizer isso – ripostou o líder do maior partido da oposição, o tal que tinha sido governo antes – os senhores deixaram-nos o país na mão como se deixa um bebé todo cagado a quem é preciso mudar a fralda. Vocês deixaram o país cheio de merda e continuam a produzir mais. Ou o senhor já não se lembra da porcaria que fez quando era ministro do governo que antecedeu o nosso?
- Sr. Presidente peço a palavra para defender a honra do governo!
- Bem, isso não é regulamentar mas, uma vez que somos do mesmo partido, está autorizado – palavras do presidente da assembleia, com a bonomia que lhe é característica.
- Obrigado Sr. Presidente. O Sr. Deputado fala de um tempo atrasado em que o meu camarada Gut… bom não interessa o nome, teve de governar sem dinheiro, numa época em que as vacas nem leite em pó eram capazes de dar. Está é a esquecer-se que o actual PR, quando foi primeiro-ministro apoiado pelo seu governo recebia dinheiro e esbanjava dinheiro como se ele caísse do céu (aqui um aparte, caía mesmo). E quando todos pensavam que isto era o oásis que ele anunciava, nós já valíamos menos que um tuaregue a comer merda de camelo. Ó Sr. Deputado esteja caladinho que cada vez se enterra mais no lodo.
- Agora sou eu que peço desculpa Sr. PM. O Sr., por acaso, está lembrado que antes do Prof ser governo…
Nisto, um deputado de esquerda, submeteu uma moção à mesa com o seguinte teor:
“Considerando que:
1. O Sr. PM e o líder do maior partido da oposição, não param de se acusar um ao outro;
2. Este leque de acusações mútuas já está a ser feito com uma retroactividade de quase 30 anos;
3. Quer um quer outro, têm razão, nas acusações mútuas que estão a fazer;
4. Quer o Governo, quer o maior partido da oposição correm o risco dos portugueses, mais década menos década virem a perceber que eles são os únicos responsáveis pelo cócó de país que temos e que se afigura venhamos a ter nos próximos 50 anos, se ainda houver país.
5. Um apagão não gera desconfianças, excepto se forem as cegonhas a provocá-lo.
Propõe-se que
Seja desligada a corrente eléctrica e se termine de imediato a sessão.”

imagem daqui
Olá. O meu nome é Quim Post. Faz neste momento 24 horas que não me blogo.
Foi um dia difícil, mas graças ao apoio do meu servidor de Internet, que não funcionou decentemente, durante toda a noite, e do chefe, que não saiu da minha beira durante todo o dia, consegui. Até o administrador do sistema veio ver se estava tudo bem com o meu computador, dado que o seu tráfego era praticamente nulo.
Os meus amigos ficaram surpreendidos quando lhes liguei. Fazia tanto tempo desde o último telefonema. A minha mãe ficou surpreendida quando foi a minha casa e eu lhe dei um abraço como não dava há anos. Até a minha namorada ficou espantada quando lhe disse que a amava em vez de lhe dedicar um post.
A verdade é que descobri que há vida para além dos blogs. Foi por isso que decidi vir cá. Estou decidido a deixar para trás aqueles tempos de dependência. Com ajuda de todos vocês, dos amigos e familiares, e do meu dealer, eu sei que vou conseguir.
Só por curiosidade, quando vinha para cá, descobri que o céu ainda é azul, que ainda é bom sentir o vento na cara, e que as pessoas, por vezes, ainda correspondem a um sorriso.

mural em Benguela - Angola
foto:aNa

The farther he goes the more good it does me. I don’t want philosophies, tracts, dogmas, creeds, ways out, truths, answers, nothing from the bargain basement. He is the most courageous, remorseless writer going and the more he grinds my nose in the shit the more I am grateful to him.
He’s not f---ing me about, he’s not leading me up any garden path, he’s not slipping me a wink, he’s not flogging me a remedy or a path or a revelation or a basinful of breadcrumbs, he’s not selling me anything I don’t want to buy — he doesn’t give a bollock whether I buy or not — he hasn’t got his hand over his heart. Well, I’ll buy his goods, hook, line and sinker, because he leaves no stone unturned and no maggot lonely. He brings forth a body of beauty. His work is beautiful.
-- HAROLD PINTER
Estes são apenas dois dos escritores que o Famafest vai homenagear este ano. De 28 de Abril a 6 de Maio, em Famalicão. Cinema e literatura. Mas eu devia dizer mais..., que o Lauro António é o director do Famafest, que este é um dos melhores festivais de cinema internacionais, que a programação deste ano é absolutamente extraordinária porque inclui 19 inéditos de adaptações de Beckett ao cinema e cerca de 20 filmes escritos, representados ou realizados por Harold Pinter, e ainda haverá um ciclo Charles Dickens e outro ciclo Agatha Christie, porque existem 36 obras a concurso oriundas de mais de 20 países, e haverá animação para a pequenada e ... eu deveria dizer ainda mais!
Porto, Coimbra, Lisboa (Parque das Nações de fugida), Beja (sim Mad eu estive aí a pernoitar, mas não tive oportunidade de te contactar para um café que fosse), Sevilha (Dani... só parei mesmo para abastecer... não deu para nada), Algeciras, Ceuta (vocês nem imaginam o que um congresso de médicos pago por uma empresa farmacêutica causa aos escassos hotéis da cidade) e depois volta para Algeciras, Vila Real de Santo António, Mértola (é um espectáculo almoçar no Alentejo), Beja (agora apenas de passagem para deixar um colega) e finalmente auto-estrada e mais auto-estrada até ao Porto.
Um dia de descanso e...
Porto, Chaves (infelizmente nem tempo para o folar tive, Jorge), Verín, auto-estrada e mais auto-estrada, Leon. Paragem de uma noite num excelente hotel, excelente companhia, excelente restaurante, excelente movida, excelente cidade (recomendo mesmo umas férias em Leon!). No dia a seguir, entusiasmado pela boa recepção em Leon e pensamos: "Bem... agora temos que ir às Asturias! A viagem é lindíssima e assim ficamos a conhecer mais alguma coisa." E vai daí... auto-estrada, montanhas, picos da europa ao longe, auto-estrada de montanha e, finalmente, Oviedo. Voltinha no centro, temperatura mais baixa uns 6 graus do que em Leon e então siga para Gijón. Auto-estrada e mais auto-estrada e Gíjón. Já vos disse que Gijón ficou cortada do meu mapa de saídas? Pois.. ficou mesmo! Mesmo que publicitem eles próprios que é uma cidade de excelência turística! Pois sim... Para onde vamos agora? Decisão em cima da perna e atolhados pelo frio e desespero que os recepcionistas de hotel nos faziam sentir e toca de ir até à Corunha! Estrada nacional e mais estrada nacional... 240km de estrada nacional e finalmente Corunha! Uma noite de hotel e descanso e no dia seguinte estavamos prontos a dar uma volta pela Corunha e depois sair em direcção a Portugal.
Auto-estrada e mais auto-estrada... paragem em Barcelos para um café expresso que é "solo" sem que a malta o tenha de apregoar a todos os ventos. Mais um pouco de auto-estrada e finalmente Porto. Descanso na soalheira varanda de casa ao final da tarde!
Mas não fui só eu que não parei nos últimos tempos. Pelos vistos o Porto foi campeão e eu esqueci-me de dar os parabéns aqui ao pessoal da empresa. Tenho aí uns 212368123871623618263 mails para ler, responder, apagar, mandar para o junk-mail. No ante-et-post foi um tal dar-lhe na postagem. Perdoem-me, meus caros e caras ante-et-postadores que ainda não consegui ler metade dos vossos posts. Parece que aqui e pelo resto do país se comemorou o 25 de Abril. Nem sequer o Marco de Canavezes (agora sem o Avelino) escapou às comemorações. No resto do mundo tudo na mesma sem paragens, com muitos atentados, comunicados da Al Qaeda (posso escrever isto aqui? Ainda vamos ser investigados pelo FBI... agora é que tramei tudo... Al Qaeda e FBI no mesmo texto!!!! Tamos tramados) e vitórias do Schumacher (escreve-se assim?).
Enfim... parece que a única coisa que parou nos últimos tempos foi o meu Glorioso! Ó rapaziada... a coisa ainda não acabou, pá!
PS: Em breve... e com mais tempo, sairão as prometidas crónicas da re-reconquista de Ceuta! E da tentativa de conquista da península Ibérica!
Tudo bem, justiça é justiça e faça-se justiça num estado de direito. Os políticos quando instados a pronunciar-se dizem sempre “não comento decisões judiciais”. Estão no direito deles. De não comentarem. De não se comprometerem. Aliás é normal não se comprometerem. Os votos contam muito e é à conta dos votos que eles lá estão. Mas eu não sou da política e acredito naquilo que eu quiser. O S. Tomé agia de um modo semelhante. Gostava de ver primeiro. O que me distingue de S. Tomé é que vejo demais para os meus míopes olhos. Por isso, nem vendo eu acredito. Não sou obrigado a acreditar. Não acredito na Justiça em Portugal e pronto! C’est finit. Aliás, a propósito do francesismo utilizado, alguém se lembra ainda da condenação do todo-poderoso Bernard Tappie em França? “Mas,” dizem vocês, “França não é propriamente um país do terceiro mundo”. “Pois!” digo eu que sou parco em palavras. Vamos vendo, paulatinamente, sendo arquivados processos associados ao Apito Dourado. Ontem um, hoje outro, até ao arquivo final. E já agora, há algum poderoso no processo Casa Pia? “Pois!” digo eu que sou parco em palavras.
PS. Não esquecer que ontem o 25 de Abril fez 32 anos.
A redacção que se segue foi escrita por um candidato numa selecção de Pessoal na Volkswagen.
O candidato foi aceite e seu texto está a fazer furor na Internet, pela sua criatividade e sensibilidade.

Foto: Ben Goossens
Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência.... "Experiência... " Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"

Foto: Alfredo Cunha
Elementos da PIDE/DGS disparam sobre a população que cerca a sua sede, causando 4 mortos e 45 feridos. Forças da Marinha juntam-se ao MFA, ocupam as entradas da rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS.alcançando a sua rendição.
às 22,00h, forças paraquedistas conseguem, na Prisão de Caxias, a rendição dos últimos PIDES, ainda resistentes.
“Hoje é a 4ª vez que venho a esta terra. A última vez que cá vim foi a terceira e se voltar cá de novo será a 5ª, se Deus quiser”
Américo Tomás, Presidente da República, alhures antes de 1974
“Vou ter que desmentir o Sr. Comandante; afinal há 2 algarvias. Já havia uma e consigo são duas. Uma de Tavira e outra de Loulé”
Cavaco Silva, Presidente da República, Balcãs 2006
A política é para quem sabe fazer contas. E mainada!
José Saramago
Pátria é uma palavra que podemos dizer
sem que a maioria do povo a reconheça
Ela não pertence ao léxico das palavras comuns
e se os políticos a referem é quase sempre com a violência
de uma retórica vã
Mas seja qual for a forma e substância dos seus símbolos
bronze ou pedra bandeira chama música ou palavra
nós sabemos que ela está viva e vitoriosa
sobre todos os obstáculos e desastres
grávida de um futuro de comum liberdade
Se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente
em que temos de projectar as suas dinâmicas linhas
em que vibrará o ritmo do nosso sangue e da nossa respiração
porque ela será a realidade do que em nós é a irrealidade do nosso ideal
in António Ramos Rosa, Pátria Soberana
Foto: Alfredo Cunha
Spínola chega ao Largo do Carmo, completamente rodeado pela população em euforia e, acompanhado por Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com Marcelo Caetano.
Foto: Alfredo Cunha
A Chaimite Bula entra no Quartel do Carmo para transportar Marcelo Caetano à Pontinha.
Aceite a rendição de Marcelo Caetano, iniciam-se os preparativos para o transporte, na Chaimite Bula, até à Pontinha do chefe do Governo e respectivos ministros, que abandonam o local num blindado.
Foto: Alfredo Cunha
Salgueiro Maia entra no Quartel do Carmo e exige a rendição a Marcelo Caetano, que lhe responde que só se renderia a um Oficial-General para que o Poder não caísse na rua. O Posto de Comando mandata o General Spínola para ir receber a rendição de Marcelo Caetano ao Quartel do Carmo.
Foto: Alfredo Cunha
Os militares experimentam cada vez mais dificuldades para conterem a multidão que aguarda o carro em que se transporta o General Spínola.
Foi longe, bastante longe, em Luanda, onde nasci… Tinha 17 meses.
Por isso, à partida, o 25 de Abril de 1974 pouco me diz. É claro que não é assim. Mas antes de dizer qual o significado que esta data tem para mim, é preciso falar um pouco do que foi o pós-25 de Abril no meu caso particular.
Em Outubro do mesmo ano, voltámos para Portugal, para a aldeia da minha mãe, S. Lourenço, no concelho de Chaves, de bolsos quase vazios. Muitos dos que saíram antes trouxeram os bolsos recheados. No nosso caso, não.
Mas, tal como acontece muitas vezes, temos a fama, não o proveito. Quando regressámos, éramos retornados, o que, para muitos, era sinónimo de ladrões. Foram tempos complicados que eu, por ainda ser muito novo, pouco senti, mas que deixaram marcas na minha família.
Os tempos foram difíceis. O meu pai lá conseguiu começar a trabalhar num restaurante, a minha mãe fazia roupa para criança para uma casa da especialidade. Nunca me lembro de ter faltado comida na mesa. A roupa e os sapatos usavam-se até romperem definitivamente os remendos, já os dedos dos pés espreitavam o frio do Inverno.
Por sorte, a minha irmã e eu éramos bons alunos, nunca reprovando um ano até ao fim da licenciatura. Isto apesar de, a minha irmã (5 anos mais velha) primeiro, ajudando a minha mãe na costura, e eu depois, a partir dos 13 anos, no restaurante que o meu pai tinha conseguido abrir, termos trabalhado ao mesmo tempo que estudávamos.
Chegado aqui, porque é que eu, no meio disto tudo, sou a favor do 25 de Abril? Afinal, a resposta mais simples seria deitar as culpas à revolução, pois tinha sido ela a causadora de todas as nossas dificuldades. Essa é sempre a resposta mais simples, assim como a xenofobia e o racismo são para a falta de emprego. Além disso, seria sempre uma falácia, pois a guerra em Angola já era insustentável.
A razão para eu ser a favor da revolução é simples. Acredito que, se não tivesse havido a revolução, seria impossível para famílias como a minha terem conseguido, do nada, chegar onde nós chegámos. A liberdade, independentemente de tudo o que se seguiu de bom e de mau, é que nos permite sermos capazes de enfrentar a vida sem medo, sermos capazes de sonhar e concretizar um futuro melhor.
Também por isso, tenho pena que, hoje em dia, haja quem já tenha esquecido o significado da revolução. Quando vejo os últimos governos colocarem os números à frente das pessoas, a sede do poder à frente do dever de servir os cidadãos, o marketing à frente da verdade, penso que talvez estejamos novamente a retroceder. Talvez esteja na hora de uma nova revolução…
Foto: Alfredo Cunha
Por ordem do Posto de Comando, Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR para que se renda, ameaçando rebentar com os portões do Quartel do Carmo.
Foto: Alfredo Cunha
Disparos sobre a fachada do Quartel do Carmo, por ordem de Salgueiro Maia, o que obriga ao reinício das conversações para a rendição de Marcelo Caetano.
Vi tanta esperança andar à solta
José Mário Branco
O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raíz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo
Foto: Alfredo Cunha
O Posto de Comando envia uma coluna militar, comandada pelo Major Jaime Neves, para ocupar a Legião Portuguesa na Penha de França e uma coluna, comandada por Salgueiro Maia, para o Quartel do Carmo, onde se encontravam Marcelo Caetano, Rui Patrício, ministro dos Negócios Estrangeiros e Moreira Baptista, ministro da Informação e Turismo.
Salgueiro Maia comanda as forças da EPC que vão cercar o Quartel da GNR no Largo do Carmo, em Lisboa.
Foto: Alfredo Cunha
Baixa de Lisboa, ocupada e controlada pelos militares.
Foto: Alfredo Cunha
As forças de Salgueiro Maia cercam o Largo do Carmo e recebem ordens do Posto de Comando para abrir fogo sobre o Quartel da GNR, para obter a rendição de Marcelo Caetano.
Foto: Alfredo Cunha
Na Ribeira das Naus, o Alferes Miliciano Fernando Sottomayor, do RC 7, não obedece às ordens do Brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia e as suas tropas, o que leva o Brigadeiro a dar ordem de prisão a Sottomayor e a ordenar aos soldados que disparassem. Tendo-se estes recusado também a disparar, Junqueira dos Reis dispara dois tiros para o ar, abandona o local e dirige-se para a rua do Arsenal.

Henk Braam, foetus
Ai, filho, sabes, sabes
donde vens ?
Dum lago com gaivotas
brancas e famintas.
Junto à água de inverno
ela e eu levantámos
uma fogueira rubra,
consumindo os lábios
de tanto beijarmos nossas almas,
lançando ao fogo tudo,
queimando as nossas vidas.
Assim vieste ao mundo.
Mas ela, para ver-me
e para ver-te, um dia
atravessou os mares
e eu, para abraçar
sua pequena cintura,
percorri a terra inteira,
por entre guerras e montanhas,
areais e espinhos.
Assim vieste ao mundo.
Vens de tantos lugares,
da água e da terra,
do fogo e da neve,
de tão longe caminhas
ao encontro de nós dois,
desse terrível amor
que nos acorrentou,
que queremos saber
como és, que nos dizes,
porque tu sabes mais
do mundo que te demos.
Como uma grande
tempestade sacudimos
a árvore da vida
até às mais ocultas
fibras das raízes
e apareces agora
cantando na folhagem,
no mais alto ramo
que contigo alcançamos.
in Pablo Neruda, Os Versos do Capitão
Ruy Belo, Homem de Palavras(s)
Meu amor
no teu peito de coragem
feito de pedras e cardos
há um país de viagem
e vinhos de cada cor
verdes maduros bastardos.
Há uma pedra de cal
em cada olhar que respira
há uma dor que já dura
desde que dura a mentira
há um muro levantado
numa seara madura.
Verde mar
verde limão
são os teus olhos de medo
o vento é este segredo
que escreve em cada manhã
o nome dela na erva
numa folha numa pedra
nos bagos de uma romã.
Acendo-te uma fogueira
nas tuas mãos acordadas
dou-te flores de laranjeira
dou-te ruas dou-te estradas
dou-te palavras secretas
dou-te coragem e setas
dou-te os meus dedos crispados
ponho cravos amarelos
à volta dos teus cabelos
dou-te o meu sangue vermelho
e o meu canto proibido
Dou-te o meu nome
raíz
há muito tempo arrancada
dou-te esta calma guardada
nos homens do meu país
dou-te a fome
do meu canto
dou-te os meus braços em cruz
e as mãos feitas num crivo
dou-te os meus pulsos abertos
mas é por outra que vivo.
in Joaquim Pessoa, Poemas da Resistência (1968/1971)
O cão da tristeza está aqui.
Aqui, sem alma, ferrado no meu espanto.
Puxando as verdes charruas do meu pranto
lavrando a dor cinzenta do meu povo.
O cão da tristeza está aqui.
No giz do meu lume, na fogueira acesa
que queima a minha casa, destrói a minha mesa
e magoa o meu sangue e a minha voz.
O cão da tristeza está aqui.
No açaime do medo que nos cala
na sombra do punhal, no frio da bala
apontada ao coração da nossa esperança.
in Joaquim Pessoa, Poemas da Resistência (1968/1971)
Comemorar o 25 de Abril sem esquecer que o Dia Mundial do Livro aconteceu há apenas dois dias. Por isso, poemas, poemas.
Para quem esqueceu ou não viveu os tempos da outra senhora, talvez ler ou reler os Poemas da Resistência de Joaquim Pessoa, reavive o canto da liberdade. Porque se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente (o poema completo de António Ramos Rosa subirá ao altar dos posts daqui a pouco).
Enquanto lêem vão ouvindo, José Mário Branco. Resistir é vencer é um álbum belíssimo, fantástico, maduro, poético. Canção preferida, já agora: o Papão do Anão! Ser anão não é coisa do corpo, é forma do espírito morto.
Foto: Alfredo Cunha
A fragata "Gago Coutinho" - que integrava as forças da NATO em exercícios – toma posição frente ao Terreiro do Paço, recebendo ordens para disparar sobre as tropas de Maia, mas não chega a fazê-lo.
Foto: Alfredo Cunha
Os ministros da Defesa, da Informação e Turismo, do Exército e da Marinha, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Governador Militar de Lisboa, o sub-secretário de Estado do Exército e o Almirante Henrique Tenreiro fogem por um buraco que abriram na parede do ministério do Exército e dirigem-se para o Regimento de Lanceiros 2, onde instalaram o Posto de Comando das forças leais ao Governo.
Foto: Alfredo Cunha
Ferrand de Almeida, Salgueiro Maia e o seu adjunto Assunção, são os protagonistas dos primeiros momentos de tensão, quando forças fiéis ao governo, progrediram do Cais do Sodré em direcção aos blindados da EPC.
Foto: Alfredo Cunha
Capitão Salgueiro Maia, Tavares de Almeida e o Alferes Miliciano Maia Loureiro mandam descongestionar o trânsito no Terreiro do Paço, aos guardas da PSP, que entretanto se puseram à disposição da Escola Prática de Cavalaria.
Foto: Alfredo Cunha
Capitão Salgueiro Maia, Tavares de Almeida e o Alferes Miliciano Maia Loureiro mandam descongestionar o trânsito no Terreiro do Paço, aos guardas da PSP, que entretanto se puseram à disposição da Escola Prática de Cavalaria.
Foto: Alfredo Cunha
A Escola Prática de Cavalaria ocupa o Terreiro do Paço.
Foto: Alfredo Cunha
O Tenente de Inf. Nelson dos Santos, em frente ao Ministério do Exército, no Terreiro do Paço, aguarda com outros oficiais, para proceder à prisão das altas individualidades militares.
O Rádio Clube Português transmite o primeiro comunicado do MFA.
Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.
Ocupação de pontos estratégicos considerados fundamentais
RTP,
Emissora Nacional,
Rádio Clube Português,
Aeroporto de Lisboa,
Quartel General,
Estado Maior do Exército,
Ministério do Exército,
Banco de Portugal e
Marconi.

A transmissão da canção " Grândola Vila Morena " de José Afonso, no programa Limite da Rádio Renancença, é a senha escolhida pelo MFA, como sinal confirmativo de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis.

A transmissão da canção " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, marca o ínicio das operações militares contra o regime.
Meu pai é comunista e já o era bem antes do 25 de Abril.
Esteve preso e sentiu na pele a ditadura.
Cresci na biblioteca do meu pai rodeada de livros de Marx, Lenine e Mao Tsé-Tung.
Cresci ouvindo as histórias que ele contava e sentindo um desgosto tremendo por não ter nascido mais cedo para poder participar nestas lutas que conduziram à Liberdade de um país.
Deve ter sido indescritível o que se sentiu no dia 25 de Abril de 1974.
Quando eu era miúda, no feriado do dia 25 de Abril, ia com os meus pais e irmãos ao monumento de homenagem à Catarina Eufémia e recordo-me de ver o meu pai fazer longos minutos de silêncio e com os olhos fechados. Ele dizia-nos que ao fazer isso estava a prestar homenagem àqueles que não tiveram a sorte que ele teve e que não podem agora contar a sua história.
Cresci com histórias contadas na 1ª pessoa e sempre prezei muito a liberdade das pessoas.
É por isso que agora vejo o 25 de Abril de forma diferente.
Muitos dos que agora o comemoram não sabem o que é arrancarem-lhes as unhas a frio ou não poderem dormir durante 6 dias seguidos. Não sabem o que é lutar por nada porque sempre tiveram tudo. Muitos dos que agora comemoram a liberdade são os primeiros a violá-la. Há quem se apelide de comunista e nem saiba quem foi Vladimir Ilich Ulianov. Há quem feche o punho nos comícios e não saiba o que significa CDU.
Quem defende e luta pela liberdade deve ser coerente quando a aplica na sua vida.
Quem defende e luta pela liberdade deve saber o verdadeiro significado da palavra.
Sou uma pessoa de esquerda e é preciso não perceber-se nada de politica ou não conhecer a pessoa que sou para me posicionar na direita.
O 25 de Abril faz-me recordar o que de melhor e pior existe no ser humano.
Viver em liberdade é também ser livre de sentimento de culpa. E é essa liberdade que muito poucos têm.
Sokolsky
Camille Laurens, Dans ces bras-là, sobre a relação com os leitores. Continuação.
Houve um tempo em que, sem dúvida, eu esperava uma resposta. Que vocês me explicassem, que vocês me dissessem. Eu interrogava os homens dos livros, poetas, personagens, imaginava que um dia a vida correria sob a ponte dos nossos braços. E depois li esta história que consagra o mundo à escrita: a de um rapazinho que quer que a sua mãe o beije antes de se deitar e que apenas recebe, como resposta à sua carta de amor, estas palavras de solidão: "Não há resposta".
O sentido foi-me comunicado dessa forma, libertando-me também de tanta ausência, de tanta espera. Eu não escrevo para que vós me respondais, não: eu escrevo porque não há resposta. Eu jamais estarei nos vossos braços - nem vocês nos meus - nunca abraçados.
Às vezes, no entanto, sonho com uma forma de nos unirmos. A dormir, sobretudo - Morfeu embala-me e imagino como prolongar este sono amoroso em que o deus é um homem. E então eu vejo-vos - estais na fronteira do esquecimento mas vejo-vos, estendeis os braços para mim, e eu avanço, avanço na direcção de vós que me estais destinado - meu destinatário. Quem disse que sois uma mulher ? Que loucura ! A morte terá os vossos olhos, e é sobre o vosso tronco que inclinarei a minha cabeça, tenho a certeza, e sobre os vossos ombros colocarei as minhas mãos. Sois vós, sois mesmo vós na margem oposta, e a distância entre nós a reduzir-se, logo logo a anular-se, dancemos, eu aproximo-me e tu estreitas-me - ah aperta-me, leva-me - como estamos bem, sim, como estamos bem nestes braços!




Ante, isto é, durante 6 meses, este blog andou direitinho e graças a leitores respeitáveis chegámos a ultrapassar as 1000 visitas num só dia.
Mas hoje-inho, Senhorias, permiti-me ajavardar por completo o sistema. A ideia não é original! Mas vamos fazer a experiência... a ver quantas visitas passámos a ter... Post golpe baixo!
Amigos do Google, Yahoo, Sapo e de outros motores de busca, com gostos mordazes e algumas parafilias, este post é vosso! Só este. Também vós, perdoai este golpe baixo, mas que sejam muitas as pesquisas falhadas! De qualquer forma, na CGD o nosso endereço já está bloqueado!!?
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Há exactamente uma semana aterrei em Macau, regressada de umas curtíssimas, mas agradáveis férias, na praia de Jomtien, Pattaya, na Tailândia. Foram quatro diazitos em grande, aproveitados ao máximo entre praia e piscinas.
A praia não ficou entre as minhas preferências. O areal é curto, as águas não são tão límpidas, o cenário não é tão paradisíaco como as praias que continuo a preferir: as do Sul (Phuket), mas ainda não me sinto preparada para me banhar onde tanta gente perdeu a vida. Mas sempre era uma praia com Sol e águas quentes, o que veio mesmo a calhar por esta altura. A temperatura da água é optima: entra-se nela sem hesitações, sem necessidade de o fazer aos poucos e fica-se de molho até fartar. As águas são calmas e temos pé até perder de vista. A temperatura é quente, sabe bem o solinho a bater nas costas. A praia é pequena e semi-privada, já que só tem acesso pelo hotel. É frequentada por pouca gente e está bem apetrechada, com espreguiçadeiras e guarda-sóis, chuveiros e serviço de mesa! Numa zona da praia, mulheres fazem optimas e baratas massagens (uma hora, 4 euros), tratam das mãos e dos pés e fazem trancinhas no cabelo (é um must). O hotel era muito bom, muito bem organizado, muito bem apetrechado, muito seguro. Os funcionários muito simpáticos, prestáveis e atenciosos, como aliás é característico do povo tailandês, bom serviço, bom buffet de pequeno almoço, bons restaurantes, belas piscinas, muitas facilidades.
No dia 13 foi a grande festa do Songkram, a passagem de ano tailandesa. Tivémos um jantar de gala no Hotel, um jantar-buffet, em que comemos de tudo um pouco, em que houve música ao vivo e várias demonstrações da arte tailandesa, nos arranjos de frutas e flores.
Grande tradição desta festa é atirar água e farinha a quem quer que passa, o que não nos aconteceu no nosso reputado hotel, mas que experimentámos bastante no nosso passeio a Pattaya, à "Walking Street", grande centro de bares, compras e restaurantes da cidade, para os turistas. Há pessoal que anda três e mais dias em grupo, em carrinhas de caixa aberta com bidões de água, a dar banhos a quem está na rua, ora com tijelas de plástico, ora com pistolas de água (há inúmeras no mercado, umas com depósitos enormes). É uma tradição divertida, que devemos acolher com um sorriso, ainda que fiquemos molhados dos pés à cabeça. Afinal está calor, até sabe bem! :) Não tenho imagens da "guerra de água", porque não arrisquei a testar a resistência à água da minha máquina fotográfica.
Esta é uma imagem da Walking Street durante o dia, que é totalmente diferente à noite. Durante o dia a rua é quase toda de quem nela caminha, as lojas estão abertas, mas há poucas tendinhas na rua, há pouca música, metade dos restaurantes estão fechados e os bares estão às moscas. À noite, parece outro local. Na rua não se rompe, pela quantidade de gente que nela se passeia, para além das lojas abertas, há várias tendinhas, vendendo pulseiras, colares, manufacturas tailandesas, CD's, DVD's e outros, todos os restaurantes estão abertos, os bares apinhados de gente são abertos para a rua e a sua música ecoa e entrelaça-se com a música do bar do lado e ainda com a da tendinha do homem que vende CD's piratas. É uma rua cheia de animação, onde toda a gente procura diversão e alguns, algo mais. Uma das indústrias relevantes da Tailândia como se sabe é a prostituição e isso nota-se bem nos ambientes nocturnos.
Há coisas muito giras para comprar: artigos em madeira (jogos, bibelots - sobretudo elefantes, mas há outras variantes) artigos em seda, vestuário de marca, artigos em pele de elefante, velas lindíssimas, almofadas giríssimas, quadros e muitas, muitas outras coisas. Discutir o preço é um ritual muito forte. O preço inicial nunca é o final; desce sempre muito, por vezes para metade, entre ameaças da nossa parte de que nos vamos embora sem a compra e da parte deles, de que o patrão lhes corta o pescoço (acompanhadas do gesto). Continuo a não ter jeitinho nenhum para regatear, mas o que é facto é que os preços estão inflaccionados a contar com isso e que eles nunca ficam a perder.
Foi o resumo dos meus quatro diazitos de férias: bons, intensos, com muita diversão e em boa companhia! :)
Fotos: Noite

Continuando a crescer...

E pensar que já passou meio ano...
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Camille Laurens falava assim da sua relação com os leitores em Dans ces bras-là. Vou tentar uma tradução razoável.
O destinatário recebe o que lhe damos. Ele cala-se, ele não responde. O destinatário não é um correspondente, ele está destinado a calar-se, a permanecer na sombra deste silêncio em que, no entanto, sabemos que ele nos ouve. O acordo por parte do destinatário em relação a este seu destino discreto é essencial, é importante que ele nunca o ponha em causa.
Escrevo para vocês, escrevo-vos. (...) É a vocês [homens] que eu falo, falo-vos de vocês, de vocês e de mim. Não sei quem sois, mas vejo-vos, adivinho-vos, pinto-vos, falo-vos, invento-vos: escrevo-vos.
Quem sois vós? Ignoro-o. Não vos conheço.
Acima de tudo, não me respondais. É inutil. Nós não podemos corresponder-nos, não há correspondência possível entre nós. Vós estais longe, vós sois o outro, vós sois o homem. Aceitei esta distância que flutua entre nós como o trajecto de uma carta que viaja. Não escrevo para que me respondais, e no entanto escrevo-vos. Não fiqueis admirados: eu renunciei a agarrar-vos, mas não ao gesto de vos agarrar. A escrita é esse gesto; escrevo na vossa direcção. É como a mão que agitamos quando o combóio está a partir: inútil, sem que seja vã.
[P.O.L éditeur, 2000, pp 308-309]