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Maria Barroso apaixonou-se pelo Teatro ainda muito nova. Aos 19 anos era actriz de grande êxito no Teatro Nacional. Por dar voz a dramaturgos e poetas da liberdade foi afastada do palco. Mas participou ainda em vários filmes antes e depois do 25 de Abril. Ontem à noite, no decorrer da abertura oficial do festival, Maria Barroso, actriz, foi homenageada.
E também Graça Lobo. Vocês conhecem esta senhora! Ela diz que todos somos muitas pessoas ao mesmo tempo. Mais à frente neste festival vamos poder ver um documentário realizado por Frederico Corado sobre a mulher por trás da actriz.
AInda ontem começaram também a ser exibidos os primeiros filmes a concurso:
- "Maria Bethânia: Música é perfume", de Georges Gachot
- "Movimentos perpétuos" de Edgar Pêra
Espero que tenham visto alguns dos filmes do Ciclo King Kong (por agora o de Merian C. Cooper & Ernest B. Schoedsack de 1933 e o de John Guillermin de 1968) ou do Ciclo Harold Pinter (O Alfaiate do Panamá, de John Boorman, ou Estranha Sedução, de Paul Schrader)... mas vai haver mais!
E por favor, quem puder não perca hoje mesmo estes inéditos do Ciclo Samuel Beckett (Pequeno Auditório da Casa das Artes):
15h00 - Waiting For Godot, de Michael Lindsay-Hogg; Rough Fot Theatre I, de Kieron J. Walsh; Ohio Impromptu, de Charles Strurruidge (com Jeremy Irons)
18h00 - Krapp's Last Tape, de Atom Egoyan; What Where, de Damien O'Donnel; Footfalls, de Walter Asmus; Come And Go, de John Crowley; Act Without Words I, de Karel Reisz
21h30 - End Game, de Conor McPherson; Act Without Words II, de Enda Hughes; A Piece Of Monologue, de Robin Lefreve; Play, de Anthony Menghella; Rockbaby, de Richard Eire
24h00 - Happy Days, de Patricia Rosena; Catastrophe, de David Mamet (com Harold Pinter, Rebecca Pidgeon, John Gielgud); Rough Fot Theatre I, de Kathie Mitchell; That Time, de Charles Garrad
É claro que podem preferir a Agatha Christie ou Charles Dickens e nesse caso, só têm que deslocar-se à Biblioteca Municipal ou ao Auditário S. Miguel de Ceide (respectivamente).
É mesmo caso para dizer: querem mais? :))
Até ao dia 6 de Maio, em Famalicão. Não percam este festival!
A melhor de todas é ir à Wikipedia em português ou à Wikipedia em inglês, e pesquisar palavrões.
Eis seis belos exemplares: 1 2 3 4 5
e o melhor e mais informativo de todos: 6

Feria de Abril de Sevilla.

Foto: Niko Guido
Posso deixar, em público, o meu contributo.
Em matéria de fantasias sexuais, não me sinto muito diferente dos homens. Também eu, sonho com o clássico "ménage a trois". Eu, com dois homens só para mim. Um para a cozinha, outro que saiba fazer a lida da casa.
Em privado e mais a sério se, a minha experiencia, as minhas ideias, o meu conhecimento sobre o assunto puderem interessar a alguém, ou só mesmo à Isabel Freire, terei todo o prazer em colaborar no livro e quem sabe, alcançar assim, os meus 15 minutos de fama.

Foto: Bilhas.
Pelos vistos foi construído por portugueses para defesa da preciosa praça de Ceuta. É o primeiro forte no mundo que teve um fosso navegável e neste capítulo apenas tem a concorrência de um outro (não sei se construção nossa) na América do Sul. Deste outro não conheço a localização exacta, mas o de Ceuta tinha a característica de ter o fundo completamente branco de tal forma que não era possível, à noite, qualquer embarcação ou pessoa por ali passar sem ser detectada pelos atentos vigias. Ainda hoje podemos ver as águas límpidas e sentir a maresia própria da ligação entre os grandes mares Mediterrâneo e Atlàntico.
Se forem a Ceuta num dia de sol e com tempo aproveitem para tomar uma "copa" na esplanada que fica no interior do Forte.
Bom fim de semana!
Três coisas que ficaram mais fáceis de fazer depois do 25 de Abril:

Foto: Pascal Renoux
- Não senhor deputado, isso que o senhor diz não é rigoroso. O senhor vai ter de me desculpar mas eu tenho dizer isto. Se alguém fodeu o país foram vocês nos três anos que nos antecederam – dizia com ar de muita propriedade o PM no parlamento.
- É preciso ter lata e não ter um par de tomates no sítio para dizer isso – ripostou o líder do maior partido da oposição, o tal que tinha sido governo antes – os senhores deixaram-nos o país na mão como se deixa um bebé todo cagado a quem é preciso mudar a fralda. Vocês deixaram o país cheio de merda e continuam a produzir mais. Ou o senhor já não se lembra da porcaria que fez quando era ministro do governo que antecedeu o nosso?
- Sr. Presidente peço a palavra para defender a honra do governo!
- Bem, isso não é regulamentar mas, uma vez que somos do mesmo partido, está autorizado – palavras do presidente da assembleia, com a bonomia que lhe é característica.
- Obrigado Sr. Presidente. O Sr. Deputado fala de um tempo atrasado em que o meu camarada Gut… bom não interessa o nome, teve de governar sem dinheiro, numa época em que as vacas nem leite em pó eram capazes de dar. Está é a esquecer-se que o actual PR, quando foi primeiro-ministro apoiado pelo seu governo recebia dinheiro e esbanjava dinheiro como se ele caísse do céu (aqui um aparte, caía mesmo). E quando todos pensavam que isto era o oásis que ele anunciava, nós já valíamos menos que um tuaregue a comer merda de camelo. Ó Sr. Deputado esteja caladinho que cada vez se enterra mais no lodo.
- Agora sou eu que peço desculpa Sr. PM. O Sr., por acaso, está lembrado que antes do Prof ser governo…
Nisto, um deputado de esquerda, submeteu uma moção à mesa com o seguinte teor:
“Considerando que:
1. O Sr. PM e o líder do maior partido da oposição, não param de se acusar um ao outro;
2. Este leque de acusações mútuas já está a ser feito com uma retroactividade de quase 30 anos;
3. Quer um quer outro, têm razão, nas acusações mútuas que estão a fazer;
4. Quer o Governo, quer o maior partido da oposição correm o risco dos portugueses, mais década menos década virem a perceber que eles são os únicos responsáveis pelo cócó de país que temos e que se afigura venhamos a ter nos próximos 50 anos, se ainda houver país.
5. Um apagão não gera desconfianças, excepto se forem as cegonhas a provocá-lo.
Propõe-se que
Seja desligada a corrente eléctrica e se termine de imediato a sessão.”

imagem daqui
Olá. O meu nome é Quim Post. Faz neste momento 24 horas que não me blogo.
Foi um dia difícil, mas graças ao apoio do meu servidor de Internet, que não funcionou decentemente, durante toda a noite, e do chefe, que não saiu da minha beira durante todo o dia, consegui. Até o administrador do sistema veio ver se estava tudo bem com o meu computador, dado que o seu tráfego era praticamente nulo.
Os meus amigos ficaram surpreendidos quando lhes liguei. Fazia tanto tempo desde o último telefonema. A minha mãe ficou surpreendida quando foi a minha casa e eu lhe dei um abraço como não dava há anos. Até a minha namorada ficou espantada quando lhe disse que a amava em vez de lhe dedicar um post.
A verdade é que descobri que há vida para além dos blogs. Foi por isso que decidi vir cá. Estou decidido a deixar para trás aqueles tempos de dependência. Com ajuda de todos vocês, dos amigos e familiares, e do meu dealer, eu sei que vou conseguir.
Só por curiosidade, quando vinha para cá, descobri que o céu ainda é azul, que ainda é bom sentir o vento na cara, e que as pessoas, por vezes, ainda correspondem a um sorriso.

mural em Benguela - Angola
foto:aNa

The farther he goes the more good it does me. I don’t want philosophies, tracts, dogmas, creeds, ways out, truths, answers, nothing from the bargain basement. He is the most courageous, remorseless writer going and the more he grinds my nose in the shit the more I am grateful to him.
He’s not f---ing me about, he’s not leading me up any garden path, he’s not slipping me a wink, he’s not flogging me a remedy or a path or a revelation or a basinful of breadcrumbs, he’s not selling me anything I don’t want to buy — he doesn’t give a bollock whether I buy or not — he hasn’t got his hand over his heart. Well, I’ll buy his goods, hook, line and sinker, because he leaves no stone unturned and no maggot lonely. He brings forth a body of beauty. His work is beautiful.
-- HAROLD PINTER
Estes são apenas dois dos escritores que o Famafest vai homenagear este ano. De 28 de Abril a 6 de Maio, em Famalicão. Cinema e literatura. Mas eu devia dizer mais..., que o Lauro António é o director do Famafest, que este é um dos melhores festivais de cinema internacionais, que a programação deste ano é absolutamente extraordinária porque inclui 19 inéditos de adaptações de Beckett ao cinema e cerca de 20 filmes escritos, representados ou realizados por Harold Pinter, e ainda haverá um ciclo Charles Dickens e outro ciclo Agatha Christie, porque existem 36 obras a concurso oriundas de mais de 20 países, e haverá animação para a pequenada e ... eu deveria dizer ainda mais!
Porto, Coimbra, Lisboa (Parque das Nações de fugida), Beja (sim Mad eu estive aí a pernoitar, mas não tive oportunidade de te contactar para um café que fosse), Sevilha (Dani... só parei mesmo para abastecer... não deu para nada), Algeciras, Ceuta (vocês nem imaginam o que um congresso de médicos pago por uma empresa farmacêutica causa aos escassos hotéis da cidade) e depois volta para Algeciras, Vila Real de Santo António, Mértola (é um espectáculo almoçar no Alentejo), Beja (agora apenas de passagem para deixar um colega) e finalmente auto-estrada e mais auto-estrada até ao Porto.
Um dia de descanso e...
Porto, Chaves (infelizmente nem tempo para o folar tive, Jorge), Verín, auto-estrada e mais auto-estrada, Leon. Paragem de uma noite num excelente hotel, excelente companhia, excelente restaurante, excelente movida, excelente cidade (recomendo mesmo umas férias em Leon!). No dia a seguir, entusiasmado pela boa recepção em Leon e pensamos: "Bem... agora temos que ir às Asturias! A viagem é lindíssima e assim ficamos a conhecer mais alguma coisa." E vai daí... auto-estrada, montanhas, picos da europa ao longe, auto-estrada de montanha e, finalmente, Oviedo. Voltinha no centro, temperatura mais baixa uns 6 graus do que em Leon e então siga para Gijón. Auto-estrada e mais auto-estrada e Gíjón. Já vos disse que Gijón ficou cortada do meu mapa de saídas? Pois.. ficou mesmo! Mesmo que publicitem eles próprios que é uma cidade de excelência turística! Pois sim... Para onde vamos agora? Decisão em cima da perna e atolhados pelo frio e desespero que os recepcionistas de hotel nos faziam sentir e toca de ir até à Corunha! Estrada nacional e mais estrada nacional... 240km de estrada nacional e finalmente Corunha! Uma noite de hotel e descanso e no dia seguinte estavamos prontos a dar uma volta pela Corunha e depois sair em direcção a Portugal.
Auto-estrada e mais auto-estrada... paragem em Barcelos para um café expresso que é "solo" sem que a malta o tenha de apregoar a todos os ventos. Mais um pouco de auto-estrada e finalmente Porto. Descanso na soalheira varanda de casa ao final da tarde!
Mas não fui só eu que não parei nos últimos tempos. Pelos vistos o Porto foi campeão e eu esqueci-me de dar os parabéns aqui ao pessoal da empresa. Tenho aí uns 212368123871623618263 mails para ler, responder, apagar, mandar para o junk-mail. No ante-et-post foi um tal dar-lhe na postagem. Perdoem-me, meus caros e caras ante-et-postadores que ainda não consegui ler metade dos vossos posts. Parece que aqui e pelo resto do país se comemorou o 25 de Abril. Nem sequer o Marco de Canavezes (agora sem o Avelino) escapou às comemorações. No resto do mundo tudo na mesma sem paragens, com muitos atentados, comunicados da Al Qaeda (posso escrever isto aqui? Ainda vamos ser investigados pelo FBI... agora é que tramei tudo... Al Qaeda e FBI no mesmo texto!!!! Tamos tramados) e vitórias do Schumacher (escreve-se assim?).
Enfim... parece que a única coisa que parou nos últimos tempos foi o meu Glorioso! Ó rapaziada... a coisa ainda não acabou, pá!
PS: Em breve... e com mais tempo, sairão as prometidas crónicas da re-reconquista de Ceuta! E da tentativa de conquista da península Ibérica!
Tudo bem, justiça é justiça e faça-se justiça num estado de direito. Os políticos quando instados a pronunciar-se dizem sempre “não comento decisões judiciais”. Estão no direito deles. De não comentarem. De não se comprometerem. Aliás é normal não se comprometerem. Os votos contam muito e é à conta dos votos que eles lá estão. Mas eu não sou da política e acredito naquilo que eu quiser. O S. Tomé agia de um modo semelhante. Gostava de ver primeiro. O que me distingue de S. Tomé é que vejo demais para os meus míopes olhos. Por isso, nem vendo eu acredito. Não sou obrigado a acreditar. Não acredito na Justiça em Portugal e pronto! C’est finit. Aliás, a propósito do francesismo utilizado, alguém se lembra ainda da condenação do todo-poderoso Bernard Tappie em França? “Mas,” dizem vocês, “França não é propriamente um país do terceiro mundo”. “Pois!” digo eu que sou parco em palavras. Vamos vendo, paulatinamente, sendo arquivados processos associados ao Apito Dourado. Ontem um, hoje outro, até ao arquivo final. E já agora, há algum poderoso no processo Casa Pia? “Pois!” digo eu que sou parco em palavras.
PS. Não esquecer que ontem o 25 de Abril fez 32 anos.
A redacção que se segue foi escrita por um candidato numa selecção de Pessoal na Volkswagen.
O candidato foi aceite e seu texto está a fazer furor na Internet, pela sua criatividade e sensibilidade.

Foto: Ben Goossens
Já fiz cócegas à minha irmã só para que deixasse de chorar, já me queimei a brincar com uma vela, já fiz um balão com a pastilha que se me colou na cara toda, já falei com o espelho, já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista; já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora; já estive sob o chuveiro até fazer chichi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo a caminhar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde se cozinhou o creme, já me cortei ao barbear-me muito apressado e chorei ao escutar determinada música no autocarro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta, já caí de uma escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei sozinho na casa de banho por algo que me aconteceu; já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo a falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar do rosado ao alaranjado, já mergulhei para a piscina e não quis sair mais, já bebi whisky até sentir os lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão, já tremi de nervos, já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial, já acordei a meio da noite e senti medo de me levantar.
Já apostei a correr descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num enorme jardim, já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua; já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas as coisas que fiz, tantos os momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel: " - Qual é a sua experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro. "Experiência.... "Experiência... " Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
" - Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"

Foto: Alfredo Cunha
Elementos da PIDE/DGS disparam sobre a população que cerca a sua sede, causando 4 mortos e 45 feridos. Forças da Marinha juntam-se ao MFA, ocupam as entradas da rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS.alcançando a sua rendição.
às 22,00h, forças paraquedistas conseguem, na Prisão de Caxias, a rendição dos últimos PIDES, ainda resistentes.
“Hoje é a 4ª vez que venho a esta terra. A última vez que cá vim foi a terceira e se voltar cá de novo será a 5ª, se Deus quiser”
Américo Tomás, Presidente da República, alhures antes de 1974
“Vou ter que desmentir o Sr. Comandante; afinal há 2 algarvias. Já havia uma e consigo são duas. Uma de Tavira e outra de Loulé”
Cavaco Silva, Presidente da República, Balcãs 2006
A política é para quem sabe fazer contas. E mainada!
José Saramago
Pátria é uma palavra que podemos dizer
sem que a maioria do povo a reconheça
Ela não pertence ao léxico das palavras comuns
e se os políticos a referem é quase sempre com a violência
de uma retórica vã
Mas seja qual for a forma e substância dos seus símbolos
bronze ou pedra bandeira chama música ou palavra
nós sabemos que ela está viva e vitoriosa
sobre todos os obstáculos e desastres
grávida de um futuro de comum liberdade
Se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente
em que temos de projectar as suas dinâmicas linhas
em que vibrará o ritmo do nosso sangue e da nossa respiração
porque ela será a realidade do que em nós é a irrealidade do nosso ideal
in António Ramos Rosa, Pátria Soberana
Foto: Alfredo Cunha
Spínola chega ao Largo do Carmo, completamente rodeado pela população em euforia e, acompanhado por Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com Marcelo Caetano.
Foto: Alfredo Cunha
A Chaimite Bula entra no Quartel do Carmo para transportar Marcelo Caetano à Pontinha.
Aceite a rendição de Marcelo Caetano, iniciam-se os preparativos para o transporte, na Chaimite Bula, até à Pontinha do chefe do Governo e respectivos ministros, que abandonam o local num blindado.
Foto: Alfredo Cunha
Salgueiro Maia entra no Quartel do Carmo e exige a rendição a Marcelo Caetano, que lhe responde que só se renderia a um Oficial-General para que o Poder não caísse na rua. O Posto de Comando mandata o General Spínola para ir receber a rendição de Marcelo Caetano ao Quartel do Carmo.
Foto: Alfredo Cunha
Os militares experimentam cada vez mais dificuldades para conterem a multidão que aguarda o carro em que se transporta o General Spínola.
Foi longe, bastante longe, em Luanda, onde nasci… Tinha 17 meses.
Por isso, à partida, o 25 de Abril de 1974 pouco me diz. É claro que não é assim. Mas antes de dizer qual o significado que esta data tem para mim, é preciso falar um pouco do que foi o pós-25 de Abril no meu caso particular.
Em Outubro do mesmo ano, voltámos para Portugal, para a aldeia da minha mãe, S. Lourenço, no concelho de Chaves, de bolsos quase vazios. Muitos dos que saíram antes trouxeram os bolsos recheados. No nosso caso, não.
Mas, tal como acontece muitas vezes, temos a fama, não o proveito. Quando regressámos, éramos retornados, o que, para muitos, era sinónimo de ladrões. Foram tempos complicados que eu, por ainda ser muito novo, pouco senti, mas que deixaram marcas na minha família.
Os tempos foram difíceis. O meu pai lá conseguiu começar a trabalhar num restaurante, a minha mãe fazia roupa para criança para uma casa da especialidade. Nunca me lembro de ter faltado comida na mesa. A roupa e os sapatos usavam-se até romperem definitivamente os remendos, já os dedos dos pés espreitavam o frio do Inverno.
Por sorte, a minha irmã e eu éramos bons alunos, nunca reprovando um ano até ao fim da licenciatura. Isto apesar de, a minha irmã (5 anos mais velha) primeiro, ajudando a minha mãe na costura, e eu depois, a partir dos 13 anos, no restaurante que o meu pai tinha conseguido abrir, termos trabalhado ao mesmo tempo que estudávamos.
Chegado aqui, porque é que eu, no meio disto tudo, sou a favor do 25 de Abril? Afinal, a resposta mais simples seria deitar as culpas à revolução, pois tinha sido ela a causadora de todas as nossas dificuldades. Essa é sempre a resposta mais simples, assim como a xenofobia e o racismo são para a falta de emprego. Além disso, seria sempre uma falácia, pois a guerra em Angola já era insustentável.
A razão para eu ser a favor da revolução é simples. Acredito que, se não tivesse havido a revolução, seria impossível para famílias como a minha terem conseguido, do nada, chegar onde nós chegámos. A liberdade, independentemente de tudo o que se seguiu de bom e de mau, é que nos permite sermos capazes de enfrentar a vida sem medo, sermos capazes de sonhar e concretizar um futuro melhor.
Também por isso, tenho pena que, hoje em dia, haja quem já tenha esquecido o significado da revolução. Quando vejo os últimos governos colocarem os números à frente das pessoas, a sede do poder à frente do dever de servir os cidadãos, o marketing à frente da verdade, penso que talvez estejamos novamente a retroceder. Talvez esteja na hora de uma nova revolução…
Foto: Alfredo Cunha
Por ordem do Posto de Comando, Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR para que se renda, ameaçando rebentar com os portões do Quartel do Carmo.
Foto: Alfredo Cunha
Disparos sobre a fachada do Quartel do Carmo, por ordem de Salgueiro Maia, o que obriga ao reinício das conversações para a rendição de Marcelo Caetano.
Vi tanta esperança andar à solta
José Mário Branco
O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raíz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo
Foto: Alfredo Cunha
O Posto de Comando envia uma coluna militar, comandada pelo Major Jaime Neves, para ocupar a Legião Portuguesa na Penha de França e uma coluna, comandada por Salgueiro Maia, para o Quartel do Carmo, onde se encontravam Marcelo Caetano, Rui Patrício, ministro dos Negócios Estrangeiros e Moreira Baptista, ministro da Informação e Turismo.
Salgueiro Maia comanda as forças da EPC que vão cercar o Quartel da GNR no Largo do Carmo, em Lisboa.
Foto: Alfredo Cunha
Baixa de Lisboa, ocupada e controlada pelos militares.
Foto: Alfredo Cunha
As forças de Salgueiro Maia cercam o Largo do Carmo e recebem ordens do Posto de Comando para abrir fogo sobre o Quartel da GNR, para obter a rendição de Marcelo Caetano.
Foto: Alfredo Cunha
Na Ribeira das Naus, o Alferes Miliciano Fernando Sottomayor, do RC 7, não obedece às ordens do Brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia e as suas tropas, o que leva o Brigadeiro a dar ordem de prisão a Sottomayor e a ordenar aos soldados que disparassem. Tendo-se estes recusado também a disparar, Junqueira dos Reis dispara dois tiros para o ar, abandona o local e dirige-se para a rua do Arsenal.

Henk Braam, foetus
Ai, filho, sabes, sabes
donde vens ?
Dum lago com gaivotas
brancas e famintas.
Junto à água de inverno
ela e eu levantámos
uma fogueira rubra,
consumindo os lábios
de tanto beijarmos nossas almas,
lançando ao fogo tudo,
queimando as nossas vidas.
Assim vieste ao mundo.
Mas ela, para ver-me
e para ver-te, um dia
atravessou os mares
e eu, para abraçar
sua pequena cintura,
percorri a terra inteira,
por entre guerras e montanhas,
areais e espinhos.
Assim vieste ao mundo.
Vens de tantos lugares,
da água e da terra,
do fogo e da neve,
de tão longe caminhas
ao encontro de nós dois,
desse terrível amor
que nos acorrentou,
que queremos saber
como és, que nos dizes,
porque tu sabes mais
do mundo que te demos.
Como uma grande
tempestade sacudimos
a árvore da vida
até às mais ocultas
fibras das raízes
e apareces agora
cantando na folhagem,
no mais alto ramo
que contigo alcançamos.
in Pablo Neruda, Os Versos do Capitão
Ruy Belo, Homem de Palavras(s)
Meu amor
no teu peito de coragem
feito de pedras e cardos
há um país de viagem
e vinhos de cada cor
verdes maduros bastardos.
Há uma pedra de cal
em cada olhar que respira
há uma dor que já dura
desde que dura a mentira
há um muro levantado
numa seara madura.
Verde mar
verde limão
são os teus olhos de medo
o vento é este segredo
que escreve em cada manhã
o nome dela na erva
numa folha numa pedra
nos bagos de uma romã.
Acendo-te uma fogueira
nas tuas mãos acordadas
dou-te flores de laranjeira
dou-te ruas dou-te estradas
dou-te palavras secretas
dou-te coragem e setas
dou-te os meus dedos crispados
ponho cravos amarelos
à volta dos teus cabelos
dou-te o meu sangue vermelho
e o meu canto proibido
Dou-te o meu nome
raíz
há muito tempo arrancada
dou-te esta calma guardada
nos homens do meu país
dou-te a fome
do meu canto
dou-te os meus braços em cruz
e as mãos feitas num crivo
dou-te os meus pulsos abertos
mas é por outra que vivo.
in Joaquim Pessoa, Poemas da Resistência (1968/1971)
O cão da tristeza está aqui.
Aqui, sem alma, ferrado no meu espanto.
Puxando as verdes charruas do meu pranto
lavrando a dor cinzenta do meu povo.
O cão da tristeza está aqui.
No giz do meu lume, na fogueira acesa
que queima a minha casa, destrói a minha mesa
e magoa o meu sangue e a minha voz.
O cão da tristeza está aqui.
No açaime do medo que nos cala
na sombra do punhal, no frio da bala
apontada ao coração da nossa esperança.
in Joaquim Pessoa, Poemas da Resistência (1968/1971)
Comemorar o 25 de Abril sem esquecer que o Dia Mundial do Livro aconteceu há apenas dois dias. Por isso, poemas, poemas.
Para quem esqueceu ou não viveu os tempos da outra senhora, talvez ler ou reler os Poemas da Resistência de Joaquim Pessoa, reavive o canto da liberdade. Porque se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente (o poema completo de António Ramos Rosa subirá ao altar dos posts daqui a pouco).
Enquanto lêem vão ouvindo, José Mário Branco. Resistir é vencer é um álbum belíssimo, fantástico, maduro, poético. Canção preferida, já agora: o Papão do Anão! Ser anão não é coisa do corpo, é forma do espírito morto.
Foto: Alfredo Cunha
A fragata "Gago Coutinho" - que integrava as forças da NATO em exercícios – toma posição frente ao Terreiro do Paço, recebendo ordens para disparar sobre as tropas de Maia, mas não chega a fazê-lo.
Foto: Alfredo Cunha
Os ministros da Defesa, da Informação e Turismo, do Exército e da Marinha, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Governador Militar de Lisboa, o sub-secretário de Estado do Exército e o Almirante Henrique Tenreiro fogem por um buraco que abriram na parede do ministério do Exército e dirigem-se para o Regimento de Lanceiros 2, onde instalaram o Posto de Comando das forças leais ao Governo.
Foto: Alfredo Cunha
Ferrand de Almeida, Salgueiro Maia e o seu adjunto Assunção, são os protagonistas dos primeiros momentos de tensão, quando forças fiéis ao governo, progrediram do Cais do Sodré em direcção aos blindados da EPC.
Foto: Alfredo Cunha
Capitão Salgueiro Maia, Tavares de Almeida e o Alferes Miliciano Maia Loureiro mandam descongestionar o trânsito no Terreiro do Paço, aos guardas da PSP, que entretanto se puseram à disposição da Escola Prática de Cavalaria.
Foto: Alfredo Cunha
Capitão Salgueiro Maia, Tavares de Almeida e o Alferes Miliciano Maia Loureiro mandam descongestionar o trânsito no Terreiro do Paço, aos guardas da PSP, que entretanto se puseram à disposição da Escola Prática de Cavalaria.
Foto: Alfredo Cunha
A Escola Prática de Cavalaria ocupa o Terreiro do Paço.
Foto: Alfredo Cunha
O Tenente de Inf. Nelson dos Santos, em frente ao Ministério do Exército, no Terreiro do Paço, aguarda com outros oficiais, para proceder à prisão das altas individualidades militares.
O Rádio Clube Português transmite o primeiro comunicado do MFA.
Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.
Ocupação de pontos estratégicos considerados fundamentais
RTP,
Emissora Nacional,
Rádio Clube Português,
Aeroporto de Lisboa,
Quartel General,
Estado Maior do Exército,
Ministério do Exército,
Banco de Portugal e
Marconi.

A transmissão da canção " Grândola Vila Morena " de José Afonso, no programa Limite da Rádio Renancença, é a senha escolhida pelo MFA, como sinal confirmativo de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis.

A transmissão da canção " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, marca o ínicio das operações militares contra o regime.
Meu pai é comunista e já o era bem antes do 25 de Abril.
Esteve preso e sentiu na pele a ditadura.
Cresci na biblioteca do meu pai rodeada de livros de Marx, Lenine e Mao Tsé-Tung.
Cresci ouvindo as histórias que ele contava e sentindo um desgosto tremendo por não ter nascido mais cedo para poder participar nestas lutas que conduziram à Liberdade de um país.
Deve ter sido indescritível o que se sentiu no dia 25 de Abril de 1974.
Quando eu era miúda, no feriado do dia 25 de Abril, ia com os meus pais e irmãos ao monumento de homenagem à Catarina Eufémia e recordo-me de ver o meu pai fazer longos minutos de silêncio e com os olhos fechados. Ele dizia-nos que ao fazer isso estava a prestar homenagem àqueles que não tiveram a sorte que ele teve e que não podem agora contar a sua história.
Cresci com histórias contadas na 1ª pessoa e sempre prezei muito a liberdade das pessoas.
É por isso que agora vejo o 25 de Abril de forma diferente.
Muitos dos que agora o comemoram não sabem o que é arrancarem-lhes as unhas a frio ou não poderem dormir durante 6 dias seguidos. Não sabem o que é lutar por nada porque sempre tiveram tudo. Muitos dos que agora comemoram a liberdade são os primeiros a violá-la. Há quem se apelide de comunista e nem saiba quem foi Vladimir Ilich Ulianov. Há quem feche o punho nos comícios e não saiba o que significa CDU.
Quem defende e luta pela liberdade deve ser coerente quando a aplica na sua vida.
Quem defende e luta pela liberdade deve saber o verdadeiro significado da palavra.
Sou uma pessoa de esquerda e é preciso não perceber-se nada de politica ou não conhecer a pessoa que sou para me posicionar na direita.
O 25 de Abril faz-me recordar o que de melhor e pior existe no ser humano.
Viver em liberdade é também ser livre de sentimento de culpa. E é essa liberdade que muito poucos têm.
Sokolsky
Camille Laurens, Dans ces bras-là, sobre a relação com os leitores. Continuação.
Houve um tempo em que, sem dúvida, eu esperava uma resposta. Que vocês me explicassem, que vocês me dissessem. Eu interrogava os homens dos livros, poetas, personagens, imaginava que um dia a vida correria sob a ponte dos nossos braços. E depois li esta história que consagra o mundo à escrita: a de um rapazinho que quer que a sua mãe o beije antes de se deitar e que apenas recebe, como resposta à sua carta de amor, estas palavras de solidão: "Não há resposta".
O sentido foi-me comunicado dessa forma, libertando-me também de tanta ausência, de tanta espera. Eu não escrevo para que vós me respondais, não: eu escrevo porque não há resposta. Eu jamais estarei nos vossos braços - nem vocês nos meus - nunca abraçados.
Às vezes, no entanto, sonho com uma forma de nos unirmos. A dormir, sobretudo - Morfeu embala-me e imagino como prolongar este sono amoroso em que o deus é um homem. E então eu vejo-vos - estais na fronteira do esquecimento mas vejo-vos, estendeis os braços para mim, e eu avanço, avanço na direcção de vós que me estais destinado - meu destinatário. Quem disse que sois uma mulher ? Que loucura ! A morte terá os vossos olhos, e é sobre o vosso tronco que inclinarei a minha cabeça, tenho a certeza, e sobre os vossos ombros colocarei as minhas mãos. Sois vós, sois mesmo vós na margem oposta, e a distância entre nós a reduzir-se, logo logo a anular-se, dancemos, eu aproximo-me e tu estreitas-me - ah aperta-me, leva-me - como estamos bem, sim, como estamos bem nestes braços!




Ante, isto é, durante 6 meses, este blog andou direitinho e graças a leitores respeitáveis chegámos a ultrapassar as 1000 visitas num só dia.
Mas hoje-inho, Senhorias, permiti-me ajavardar por completo o sistema. A ideia não é original! Mas vamos fazer a experiência... a ver quantas visitas passámos a ter... Post golpe baixo!
Amigos do Google, Yahoo, Sapo e de outros motores de busca, com gostos mordazes e algumas parafilias, este post é vosso! Só este. Também vós, perdoai este golpe baixo, mas que sejam muitas as pesquisas falhadas! De qualquer forma, na CGD o nosso endereço já está bloqueado!!?
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Há exactamente uma semana aterrei em Macau, regressada de umas curtíssimas, mas agradáveis férias, na praia de Jomtien, Pattaya, na Tailândia. Foram quatro diazitos em grande, aproveitados ao máximo entre praia e piscinas.
A praia não ficou entre as minhas preferências. O areal é curto, as águas não são tão límpidas, o cenário não é tão paradisíaco como as praias que continuo a preferir: as do Sul (Phuket), mas ainda não me sinto preparada para me banhar onde tanta gente perdeu a vida. Mas sempre era uma praia com Sol e águas quentes, o que veio mesmo a calhar por esta altura. A temperatura da água é optima: entra-se nela sem hesitações, sem necessidade de o fazer aos poucos e fica-se de molho até fartar. As águas são calmas e temos pé até perder de vista. A temperatura é quente, sabe bem o solinho a bater nas costas. A praia é pequena e semi-privada, já que só tem acesso pelo hotel. É frequentada por pouca gente e está bem apetrechada, com espreguiçadeiras e guarda-sóis, chuveiros e serviço de mesa! Numa zona da praia, mulheres fazem optimas e baratas massagens (uma hora, 4 euros), tratam das mãos e dos pés e fazem trancinhas no cabelo (é um must). O hotel era muito bom, muito bem organizado, muito bem apetrechado, muito seguro. Os funcionários muito simpáticos, prestáveis e atenciosos, como aliás é característico do povo tailandês, bom serviço, bom buffet de pequeno almoço, bons restaurantes, belas piscinas, muitas facilidades.
No dia 13 foi a grande festa do Songkram, a passagem de ano tailandesa. Tivémos um jantar de gala no Hotel, um jantar-buffet, em que comemos de tudo um pouco, em que houve música ao vivo e várias demonstrações da arte tailandesa, nos arranjos de frutas e flores.
Grande tradição desta festa é atirar água e farinha a quem quer que passa, o que não nos aconteceu no nosso reputado hotel, mas que experimentámos bastante no nosso passeio a Pattaya, à "Walking Street", grande centro de bares, compras e restaurantes da cidade, para os turistas. Há pessoal que anda três e mais dias em grupo, em carrinhas de caixa aberta com bidões de água, a dar banhos a quem está na rua, ora com tijelas de plástico, ora com pistolas de água (há inúmeras no mercado, umas com depósitos enormes). É uma tradição divertida, que devemos acolher com um sorriso, ainda que fiquemos molhados dos pés à cabeça. Afinal está calor, até sabe bem! :) Não tenho imagens da "guerra de água", porque não arrisquei a testar a resistência à água da minha máquina fotográfica.
Esta é uma imagem da Walking Street durante o dia, que é totalmente diferente à noite. Durante o dia a rua é quase toda de quem nela caminha, as lojas estão abertas, mas há poucas tendinhas na rua, há pouca música, metade dos restaurantes estão fechados e os bares estão às moscas. À noite, parece outro local. Na rua não se rompe, pela quantidade de gente que nela se passeia, para além das lojas abertas, há várias tendinhas, vendendo pulseiras, colares, manufacturas tailandesas, CD's, DVD's e outros, todos os restaurantes estão abertos, os bares apinhados de gente são abertos para a rua e a sua música ecoa e entrelaça-se com a música do bar do lado e ainda com a da tendinha do homem que vende CD's piratas. É uma rua cheia de animação, onde toda a gente procura diversão e alguns, algo mais. Uma das indústrias relevantes da Tailândia como se sabe é a prostituição e isso nota-se bem nos ambientes nocturnos.
Há coisas muito giras para comprar: artigos em madeira (jogos, bibelots - sobretudo elefantes, mas há outras variantes) artigos em seda, vestuário de marca, artigos em pele de elefante, velas lindíssimas, almofadas giríssimas, quadros e muitas, muitas outras coisas. Discutir o preço é um ritual muito forte. O preço inicial nunca é o final; desce sempre muito, por vezes para metade, entre ameaças da nossa parte de que nos vamos embora sem a compra e da parte deles, de que o patrão lhes corta o pescoço (acompanhadas do gesto). Continuo a não ter jeitinho nenhum para regatear, mas o que é facto é que os preços estão inflaccionados a contar com isso e que eles nunca ficam a perder.
Foi o resumo dos meus quatro diazitos de férias: bons, intensos, com muita diversão e em boa companhia! :)
Fotos: Noite

Continuando a crescer...

E pensar que já passou meio ano...
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Camille Laurens falava assim da sua relação com os leitores em Dans ces bras-là. Vou tentar uma tradução razoável.
O destinatário recebe o que lhe damos. Ele cala-se, ele não responde. O destinatário não é um correspondente, ele está destinado a calar-se, a permanecer na sombra deste silêncio em que, no entanto, sabemos que ele nos ouve. O acordo por parte do destinatário em relação a este seu destino discreto é essencial, é importante que ele nunca o ponha em causa.
Escrevo para vocês, escrevo-vos. (...) É a vocês [homens] que eu falo, falo-vos de vocês, de vocês e de mim. Não sei quem sois, mas vejo-vos, adivinho-vos, pinto-vos, falo-vos, invento-vos: escrevo-vos.
Quem sois vós? Ignoro-o. Não vos conheço.
Acima de tudo, não me respondais. É inutil. Nós não podemos corresponder-nos, não há correspondência possível entre nós. Vós estais longe, vós sois o outro, vós sois o homem. Aceitei esta distância que flutua entre nós como o trajecto de uma carta que viaja. Não escrevo para que me respondais, e no entanto escrevo-vos. Não fiqueis admirados: eu renunciei a agarrar-vos, mas não ao gesto de vos agarrar. A escrita é esse gesto; escrevo na vossa direcção. É como a mão que agitamos quando o combóio está a partir: inútil, sem que seja vã.
[P.O.L éditeur, 2000, pp 308-309]
1. Desliga tudo o que tiver som na tua casa: televisão, exaustor, miúdos, etc...
2. Se o som do computador estiver ligado, segue para o número 3, senão liga o som.
3. Estás a ver aquele primeiro botãozinho a seguir a este texto? Então, antes de veres o resto do post, carrega nele, fecha os olhos e encosta-te na cadeira ou sofá (se estás num banco, paciência...).
4. Agora que já ouviste, gostaste? Eu não te disse que não te ias arrepender?
5. Sabes quem canta? Aqui fica toda a informação, incluindo a letra.
Ana y Miguel
Mecano
No ha salido el sol y ana y miguel ya prenden llama
Ella sobre el hombre y mujer deshacen la cama
Y el mar que esta loco por ana, prefiere no mirar
los celos no perdonan
al agua ni a las algas ni a la sal
Al amanecer ya esta miguel sobre su barca
dame un beso amor, y espera quieta junto a la playa
y el mar murmura en su lenguaje
maldito pescador despidete de ella
no quiero compartir su corazon
CORO
Y llorar y llorar y llorar por el
y esperar y esperar y esperar de pie
en la orilla que vuelva miguel
Dicen en la aldea que esa roca blanca es ana
cubierta de sal y de coral espera en la playa
no esperes mas niña de piedra miguel no va a volver
el mar le tiene preso por no querer cederle a una mujer
CORO
Incluso hay gente que asegura que cuando hay tempestad
las olas las provoca miguel luchando a muerte con el mar
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
CORO

A Cruzeiro do Tejo lembrou-se do ante et post e lançou-nos mais um desafio. A ideia, é divulgar uma Associação Humanitária de Solidariedade Social, nacional ou internacional.
Quando, no final do curso de Psicologia, tive de escolher um tema e um local para fazer o meu estágio, escolhi a então APPCA - Associação Portuguesa de Protecção às Crianças Autistas e, cedo me deparei com uma realidade difícil. A falta de meios da Associação, a dificuldade em lidar com a patologia e, o que mais me impressionou, a preocupação dos pais, quanto ao futuro dos seus filhos. Sendo uma doença crónica, as crianças depressa se tornaram adolescentes e adultos portadores de uma deficiência, na maioria das vezes, que as impede de ter uma vida autónoma.A construção de um lar que acolhesse estes casos, era um objectivo da época, hoje concretizado.
APPDA - Associação Portuguesa de Protecção aos Deficientes Autistas, porque a realidade, está muito longe da imagem passada pelo filme Rain Man (Encontro de Irmãos) de Barry Levinson.
Perguntam os que deram pela falta do sempre divertido post das quartas-feiras às 18 horas. "Onde anda esse gajo? Será que o negócio começoua correr melhor agora com a chegada das polacas? Será que o gajo assinou pela Pluma e agora está refugiado em Saint Tropez por causa dos paparazzi?"
E o Bilhas responde:
Não meus caros e caras (salvo seja). Nada disso... estive numa incursão no continente africano com o único objectivo de arranjar novas ideias para posts! Assim sendo aguardem que para a semana vão sair uns bem "nices" (diz-se naices à moda do Porto)! Episódios da segunda conquista de Ceuta pelos portugueses!
Mai nada!


Foto: Olaf Captcooper
Trata-se de uma situação imaginária, porém deves decidir o que farias.
Estás no Porto, no meio do caos dos terríveis momentos de enchentes que ocorrem em épocas de chuvas mais intensas.
És repórter fotográfico, trabalhas para o "Paris Match" e estás a tirar as fotos de maior impacto.
De repente, vês o Pinto da Costa a ser arrastado pela correnteza, lodo e pedras. No entanto, tu tens a oportunidade de o salvar ou tirar a fotografia
ganhadora do Prémio Pulitzer, que daria a volta ao mundo ao mostrar a morte de tão famosa personagem.
Baseado nos teus princípios éticos e morais e na fraternidade e solidariedade humanas, responde sinceramente:
Tiravas a fotografia a preto e branco ou a cores ?
(recebido por e-mail; como achei piada e ando numa fase em que não tenho vontade, imaginação ou estado de espírito para escrever, decidi transcrever aqui)

foto: aNa
Chamava-se Mariana. Como o seu irmão, Marco, tinha o nome começado por mar, porque o mar era sustento da sua famíla. Família de pescadores, o mar era tudo para eles. Quando nasciam, eram banhados no mar, para que os espíritos dos que partiram os protegesse. Depois, era o sustento. Por fim, ou morriam no mar ou eram-lhe posteriormente entregues.
Mariana sabia que o mar tudo dava e tudo tirava. Levara-lhe o pai, bem cedo. Por esse motivo, Marco começou cedo na faina. Um dia também não voltou. Poucos dias depois, a mãe terá escorregado num falésia e desapareceu para sempre. Mariana ficou só.
Apesar da tragédia familiar, Mariana conseguiu ganhar a vida sozinha. De mãos prendadas, fazia os bordados mais bonitos da região. E assim se fez mulher, independente. Nenhum dos rapazes das redondezas lhe conquistara o coração.
Um dia, um rapaz bateu à sua porta. Era João, outrora pescador e seu vizinho, que partira para tentar a sorte na cidade. Tornara-se fotógrafo. Tinha decidido vir reviver a sua infância, fotografar a vida dos pescadores. Pensava ficar uma semana. Acabou por ir ficando, fascinado por Mariana.
Um dia João perguntou a Mariana a quem devia pedir a sua mão. Nessa noite, Mariana levou-o até à praia. E João, virando-se ao mar, pediu aos seus pais e irmão a sua mão. Uma brisa beijou-lhes a cara, abençoando-os. Naquele momento, independentemente de qualquer papel oficial, eram marido e mulher. E os seus corpos salgados uniram-se na areia molhada, sendo o mar testemunha do seu amor.
Alguns dias depois, João partiu com os pescadores. Queria fotografar o seu trabalho árduo. Mariana, pressentindo o pior, pediu-lhe que não fosse. Ele descansou-a, dizendo-lhe que eram só algumas horas. Mas as horas passaram, e o barco não voltou.
Desde então, Mariana começou a ir todos os dias olhar o mar, na esperança do seu regresso. A esperança foi dando lugar à resignação. Já só ia lá recordar, reviver os bons momentos que o mar lhe reservara.
Até que, nove meses depois daquele fatídico dia, fez as malas. Pegou no filho, entretanto nascido, e foi banhá-lo no mar, cumprindo a tradição. Tinha esperado até àquele momento para que o pai, os avós, o tio e todos os seus antepassados conhecessem o seu filho, o primeiro homem da família que não seria pescador. Depois, abalou para o interior, onde o mar não os conseguiria alcançar.

(eu, em versão "dirigente de cabelo curto")
o futebol prendeu-me nos seus encantos ainda era miúda. nem sei como, nem quando comecei a dar pontapés na bola. sei que em 73/74 andava eu nas jogatanas de pé descalço com os primos do Jordão. e diziam-me eles, que o primo tinha ido para o puto jogar no Benfica.
em adolescente, quando vim para o puto, continuei a jogar. mesmo quando as raparigas da minha idade já tratavam do enxoval - comportamento típico do interior.
por paródia alguém se lembrou de fazer uma equipa lá na terra, e para comemorarmos o feito, fizemos um jogo com uma equipa federada que era de Cernache. levámos uma abada, mas ficámos todas contentes.
um dia, ia eu muito descansadinha na rua Ferreira Borges, em Coimbra e um senhor aborda-me e pergunta-me se eu não queria ir jogar para o Cernache. se eu queria? aquilo era pergunta que se fizesse? eu não queria. eu adoraria! tive de convencer a mãezinha, que o paizinho estava algures na construção de uma barragem na Venezuela, a deixar-me ir. só ao jogo. só para ver como era. na volta até nem ia gostar. qual quê!!! foi o início de uma amor que só acabou doze anos depois. muitos treinos, muitos jogos, alguns clubes, digressões a França, Jugoslávia e Polónia, poucas lesões, uma expulsão, dois penalties, nenhum auto-golo e alguns campeonatos quase ganhos, porque estávamos numa altura em que o Boavista não dava abébias a ninguém!
a paixão pelo futebol levou-me, um ano após ter arrumado as chuteiras, a continuar ligada como dirigente. tarefa fascinante por um lado, mas árdua e sugadora de todo o nosso tempo livre, de todas as nossas energias. sim, porque quando se é dirigente não há folgas para a cabeça. é horrível! está-se sempre a pensar naquilo. porque os problemas nascem como ervas daninhas num campo descampado. até ao dia em que nos fartamos, claro! e foi o que me aconteceu, há quase dois anos.
a paixão que tinha já não é a mesma. já não era a mesma quando fui dirigente.
isto tudo vem a propósito da paixão que sinto nas pessoas, quando falam do clube da sua simpatia. acho incrível, fascinante até, como se conseguem envolver com uma situação que é abstracta. porque dela não participam directamente. a não ser como espectadores e pagantes. e discutem, esgrimem argumentos, zangam-se, ficam tristes, e falam do clube como o "seu" clube. dizem o "meu" presidente, quando se referem ao presidente do clube.
é giro. e acho que inexplicável, mesmo! pelo menos para mim.
Faz agora um ano fui a Roma e é claro que atirei a moedinha para a fonte di Trevi, com o desejo de lá voltar! A cidade é troppo bela e alguns dias não bastaram para saciar a vontade de conhecer. Mas quando a ocasião chegar vou planear melhor a viagem. Certamente não vou escolher uma data próxima...:
- da entronização de um Papa;
- da entronização de uma Papa alemão: pelo menos 150 mil alemães na cidade!
- de um fim de semana prolongado também em Itália - a 25 de Abril comemoravam os 60 anos do seu Independence day;
- de uma "domenica sportiva" com um jogo de futebol importantíssimo para o campeonato italiano - no Stadio Olimpico de Roma, a Juventus, que disputava a liderança com o Milan, jogava com o Lazio.
Na prática, isto significou: rios de gente na Piazza di Spagna e suas escadinhas, rios de gente na Piazza del Popolo e suas igrejas, via Condotti intransitável, vontade de atirar à Fontana di Trevi todos os turistas que, como nós, queriam sentar-se e fotografar-se e refrescar-se, verdadeira Via Sacra entre o Colosseo e o Foro Romano, filas intermináveis e colossais para entrar no Colosseo, no Musei Vaticani e Cappella Sistina, na Basílica di San Pietro,... e já ficaram com uma ideia!
Mas, apesar de toda esta agitação, não deixava de exclamar a todo o momento: belíssimo! Roma não tem arranha-céus nem janelas de alumínio. Roma tem verde, existem imensos parques. Roma tem charme. As fachadas romanas clássicas de cores ocres, amarelo, pêssego, estão bem conservadas. A cada esquina a memória do império romano numa pirâmide, numa coluna, numa parede, num obelisco, numa ruína. E a renascença e o romantismo que pintores e escritores que passaram por Roma lá deixaram, não foram destruídos. Roma tem inúmeras fontanas, palazzos, museos, chiesas, piazzas que vivem! E depois os detalhes, que são dicas a não perder: o museo atelier Canova Tadolin, o antigo estúdio do famoso escultor agora transformado em restaurante; o caffè Greco para o melhor cciocholai da vossa vida; a Galleria Nazionale d'Arte Moderna (com almoço ou lanche dentro do museu)!
No Domingo, dia da entronização, foi definida uma "área rosa" à volta do Vaticano. A missa começava às 10h mas nenhum automóvel podia entrar na área depois das 8h. O Metro foi fechado, os autocarros não podiam circular, por razões de segurança (não a dos chefes de Estado mas a do popolo, que aos milhares acorria à zona). Assim, a maior parte dos peregrinos deslocou-se a pé para a Basílica. Benedetto XVI foi aclamado. Lembro-me de um comentário na RAI: o Papa teve uma postura muito solene! A RAI ainda não sabia que um dos novos pecados imaginados por Benedetto seria a promessa do Inferno para os seus tele-espectadores!
Quase todas as Monarquias e Repúblicas enviaram um representante. Por razões de companheirismo, destaco a presença dos reis de Espanha (holla Dani!). Bush (mais papista que o Papa) enviou o irmão (o único que se ajoelhou no momento dos cumprimentos). E claro, vimos o presidente italiano e o agora disgraciatto Berlusconi, não esquecendo o "europeu" Durão Barroso.
Foi então que decidi ir para o Coliseu... para fugir às multidões, e descobri que (1) todos os italianos em fim de semana prolongado que não tinham ido para os Alpes ou para Porto Fino, tinham também optado por conhecer nesse preciso dia aquele pedaço de Roma e do tempo; (2) tinham instalado por lá um écran gigante. Senti-me verdadeiramente perseguida pelo Benedetto!
Palavras que ficaram:
Mussolini era o Homem da Providência Divina, enquanto governou evocava a Glória da Roma Antiga..., de repente percebi como ele era pequeno, foi um choque.
Urbano Lazzaro, o soldado que prendeu o ditador em fuga, numa reportagem da RAI (Mussolini e a amante Clara foram executados no dia 28 de Abril de 1945, sem julgamento, e os corpos mutilados foram expostos em Milão)
O meu pai dizia que os políticos são como canas ao vento, se não abanarem, quebram.
Ilustre passageiro da TAP, reformado, filho de um carabineri que fez parte do corpo de guarda de Mussolini, com quem conversei no vôo Lisboa-Roma.
O fantasma de Nero aterrorizava aquele local onde, diziam, havia uma árvore amaldiçoada. O Papa Pascal II apaziguou a população mandando queimar a árvore e construindo uma capela.
(1099, Santa Maria del Popolo)
Confirmações:
Não podemos deitar-nos no chão da Capela Sistina para ver o tecto.
Em Itália não se fuma em restaurantes e cafés.
Os taxistas discutem em todos os países do mundo.
Os franchisings espanhóis de vestuário não invadiram a Itália.
As cidades conhecem-se a pé.
No regresso:
Não é só chegar do Outro Mundo e pronto! Reencontramos o fio dos dias como o deixámos, a arrastar-se por aqui, pegajoso, precário. A esperar-nos.
in Céline, Viagem ao fim da noite, Ed. Ulisseia, pp 209
Ah perguntas!
Para quando o fim dos dias de dogmas criados arrastados recriados na Cidade do Vaticano?
Quando voltarei à bela Roma?
As mulheres que sorriem são vistas pelos outros como mais inteligentes e bonitas. Esta é a conclusão de um estudo científico inédito divulgado esta terça-feira pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção (FEELab).
Utilizando uma ‘Escala de Percepção do Sorriso’, a investigação concluiu que as pessoas sorridentes são vistas pelos outros como mais alegres do que as de face neutra. O estudo revela ainda que a mulher é percepcionada como mais inteligente e bonita com o sorriso superior e o sorriso fechado do que quando exibe a face neutra.
Há quem perca tempo com estas coisas. Pior! Há quem gaste dinheiro com estas merdas!
Para além deste estudo ser interessante, importante, eu diria mesmo, fundamental, para a melhoria da qualidade de vida das pessoas em geral e das mulheres em particular, chega a conclusões brilhantes, só possíveis com aprofundados métodos científicos -" Pessoas sorridentes são vistas pelos outros como mais alegres do que as de face neutra." Isto, é de génio! Nenhum de nós, nunca, conseguiria chegar a esta conclusão.
Parece que o tal laboratório funciona em Felgueiras, o que pode explicar, o sorriso na cara da outra senhora. Para além da expressão "sorriso amarelo", ainda vamos ouvir falar do "sorriso azul"!

Para os que se interrogam qual a 1ªpeça...

Caro Bin,
Devido a um problema técnico no acesso ao weblog.com.pt, ontem foi um
pouco difícil aceder a determinados conteúdos, no entanto já
iniciámos as devidas diligências para que esta situação não se repita.
Espero que aceite as nossas sinceras desculpas pelo incomodo causado.
Obrigada pela Compreensão
Cátia Pitrez
Em mais de noventa por cento das vezes que escrevo para um post, faço-o de forma a conduzir o texto a um fim que já conheço. O epílogo é portanto o leit-motive ou a musa que me inspira o fluir das palavras. No entanto há dias em que nada do que penso para arrematar a questão me parece suficientemente interessante para, sobre o tema, fazer uma prelecção que seja no mínimo cativante para o leitor e que não pareça apenas que estou a encher chouriços. E quando isso acontece é exactamente o oposto que me assola. Construo mentalmente o texto, acho-o razoável para divulgação, por vezes auto censuro-o ainda no limbo, principalmente em tamanho para não se tornar maçudo, mas no fim não encontro um fecho adequado. E sem um bom fecho não há um bom texto. Hoje, no dilema entre publicar mais uma Arte ou o texto que estive a construir, achei que este último era empolgante e que deveria ser publicado. Eis se não quando deparo que não consegui selar o envelope. Poderia ter escrito qualquer coisa como “…continua no próximo capítulo”, deixaria alguém que me lesse na expectativa e deixaria morrer com o tempo a prometida continuação. No final das contas o corpo estava lá, o essencial estava dito, mas seria sempre um aleijadinho. Por isso preferi não o publicar e vir aqui dizer-vos que quando eu não considero o final suficientemente forte o melhor é não escrever nada. E é por isso que hoje não há post para ninguém. Na próxima sexta-feira, pelas nove da manhã, cá estarei de novo para quem ainda tem a pachorra de me ler.
Três "novos pecados":

Foto: Noite
(Post de Noite, que nao podia ligar ao internet e eu fiz o favor)
Queria ser o chefe, o caudilho.
Sempre gostou de falar
Para multidões,
Ordená-las,
Conduzi-las.
A voz potente, eloquente, convicta, empolgante.
Sabia vender ideias.
Consta que não passava recibo.
O PreDatado, in O Livro das Artes

* claro que não! em primeiro porque elas já sabem discutir o jogo, e em segundo porque em Portugal os jogadores são (quase) todos horríveis!
![]()
Foto daqui.
No final dos anos 80, havia uma canção espanhola que falava das dificuldades inerentes a fazer amor num Simca 1000 (ou será Symca?). Era uma das canções que fazia parte de um medley que tocava na Discoteca Vanity, em Chaves, que incluia outras com as quais eu me identificava, principalmente "Me duele la cara de ser tan guapo".
Eu penso que qualquer carro, por muito bons que sejam os estofos, não faz a vez de uma boa cama... ou de uma boa banheira... ou de uma boa mesa de cozinha... ou... adiante! A verdade é que tem sido complicado comprovar a veracidade desta canção, dado não encontrar este carro à venda. Alguém arranja um para confirmar?
Que difícil es hacer el amor en un Simca 1000
Los Inhumanos
Soy pobre y solo pude comprar
un Simca 1000 bastante vulgar.
Soy pobre y solo pude alquilar
un picadero para ligar.
Y cuando alguna me quiero cepillar,
en mi coche me tengo que apañar.
Que dificil es hacer el amor en un Simca 1000
en un Simca 1000.
El asiento no se echa para atrás
y la postura a buscar tiene dificultad.
Pon tu pierna aqui yo la pondré alla tendremos que abrir la puerta de atrás.
El volante me vuelve a fastidiar
ese no es el pito que debes tocar.
Cuando sea rico voy a comprar
un autobus para pillar.
Y cuando alguna me quiero cepillar
en mi coche me tengo que apañar.

Foto: Karla
Lá estão essas mentes pecaminosas a funcionar, não é? Viram no título "a minha primeira vez..." e pensaram no imediato: "Ena... o Bilhas já teve uma primeira vez e vai descrevê-la para o pessoal!". Outros ainda cogitaram: "Xiiii relatos eróticos no ante-et-post, mas será que não chegavam as fotografias que a Mad posta para classificar o blog como pecaminoso!" (a acreditar nos mais recentes formas de pecado cibernético...). Alguns ainda imaginaram que iria aqui descrever como foi a primeira vez que carreguei uma bilha, mas esse fabuloso momento não pode ser descrito porque a emoção era muita e o teclado precisa de estar seco para funcionar. Se calhar outros fecharam logo a janela horrorizados com o que podia vir aí...
Mas não é nada disso! Descanso-os desde já! O título relaciona-se com a minha primeira vez... em África. É verdade, vou pela primeira vez a África e começo as minhas explorações naquele continente, exactamente no mesmo sítio onde começaram os portugueses, Ceuta! (não há nada como começar pelo primeiro sítio, não é?)
Fazem já uns 591 anos desde que no ano de 1415 a armada de D. João I conquistou Ceuta. A sua conquista é tida em todos os manuais de história como o ponto de partida para os Descobrimentos. Era uma cidade situada estrategicamente no estreito de Gibraltar e era tida como um dos principais entrepostos comerciais no Norte de África. No entanto a sua conquista não trouxe grande proveitos a Portugal, porque as rotas comerciais muçulmanas começaram a ser desviadas para outras cidades dominadas, ainda, pelos muçulmanos. Após a Restauração da Indepência de Portugal, em 1640, Ceuta não aclamou o rei D. João IV e manteve-se fiél ao rei espanhol. Em 1668 foi oficializada a sua cedência a Espanha com a assinatura do tratado que põe fim à Guerra da Restauração.
Ainda hoje as armas de Ceuta utilizam as quinas e os castelos das armas de Portugal e eu confesso-vos que me sinto orgulhoso de ser parte da nação que "deu novos mundos ao mundo" e estou mortinho por conhecer a belíssima Ceuta.


Fotos: Karla
Passando nas estradas principais, a paisagem brinda-nos com "apalaçadas" casas de emigrantes, ferro-velhos que mais parecem lixeiras, barracões de actividades comerciais várias, serras esventradas por pedreiras, "stands" de carros velhos e máquinas agrícolas, bermas sujas e desleixadas.
Dobrar o mapa e desviar para caminhos não assinalado, pode ser uma aventura.
Parar o carro, respirar o ar fresco da montanha e seguir a pé à descoberta de um país limpo, que a chuva do último inverno, verdejou.
De preferência com compasso (ainda se lembram?) e boa disposição!

Hoje à noite quando forem umas 22:30 (acreditando no horário que está na página da Dois) vai ser exibido um documentário que fala sobre a descoberta de um Evangelho, supostamente o escrito por Judas, que poderá por em causa a construção e pressupostos em que se baseia a Igreja Católica até aos nossos dias.
É uma produção da National Geographic, realizado por James Barrat, e promete ser bastante polémico. Confesso a minha curiosidade sobre o documentário e não consigo deixar de elogiar a qualidade com que a 2 nos brinda à tantos anos!
Uma boa Páscoa para todos os cristãos! E bom fim de semana para os restantes!

Foto: Nikolai Jerabek
Amassou como se fosse um pão.
O coelho, curioso, ao lado,
Esperava a sua vez para entrar em cena.
O pasteleiro, sem dizer palavra, contemplava a obra inacabada.
Uma andorinha achou que era o seu ninho e pôs um ovo.
O cuco (fêmea), achou que era o ninho dos outros e também pôs um ovo.
A galinha saltou-lhe em cima, acocorou-se e pôs um ovo.
A pata, que voava a meia altura, deixou-lhe cair em cima um ovo.
Num voo rasante, a águia quis caçar o coelho (como o pasteleiro o protegia, a águia limitou-se a pôr um ovo).
A avestruz, desavergonhou-se, retirou a cabeça de onde a tinha escondido, saltou na bancada do pasteleiro e pôs um ovo.
Salpicado de massa, desfeita a obra (embora ovada),
O pasteleiro cortou a cabeça ao coelho.
Comeu-o à caçadora, acompanhado de batatas cozidas e salada de alface. Rematou com uma mousse de chocolate com ovos.
Dormiu a sesta a pensar que era bem feito para o coelho.
Quem não cumpre a sua missão pascal de pôr ovos no folar só pode ser comido à caçadora.
O PreDatado, in Livro das Artes
![algarve-169[1]poster.jpg](http://ante-et-post.weblog.com.pt/algarve-169%5B1%5Dposter.jpg)
Ambos queríamos ser escritores. Dominávamos as palavras como ninguém. Mas uma coisa nos diferenciava: tu tinhas talento, eu tinha vontade.
A minha vontade era imensa. Lia livros de outros autores, aprendia as suas técnicas, os seus segredos. Pensava que se dominasse todos estes conhecimentos, o talento viria por acréscimo. Mas tu tinhas um talento inato, algo que saía de ti naturalmente. Para ti não interessavam todos os rodriguinhos presentes nos livros clásssicos, só te interessava o acto de criação, o imaginares um texto e escrevê-lo à tua maneira.
Os anos passaram. Com o tempo, os nossos caminhos afastaram-se. Eu comecei a publicar livros. A crítica, de um modo geral, gostou dos livros, chegaram a chamar-me um "escritor neo-clássico". E os livros foram vendendo, com algum sucesso.
Tu, por outro lado, desapareceste. Nunca vi nada teu publicado em livro. Fui sabendo do teu percurso errante, das tuas várias profissões. Um dia, numa das últimas páginas de um jornal, encontrei um texto teu. Era o primeiro episódio de uma história, publicada diariamente. Genial, como sempre foram as tuas histórias. Ao fim de 20 episódios parou, para pena minha.
Um dia ligaste-me, e apresentaste-me o que era o esboço do teu primeiro livro, pedindo a minha opinião. Um conjunto de 50 páginas de texto, mais 10 páginas a explicar todo o enredo e o rumo que a história seguiria até ao fim. Senti, quando li, uma imensa revolta, por não ter o teu talento. Era um livro brilhante, uma escrita diferente, uma história inimaginável.
No dia em que te deveria devolver o esboço do livro e dizer-te que era uma obra-prima, tiveste um acidente e morreste. Chorei pela tua perda. Chorei por saber que tu, mais merecedor do que eu, jamais verias o teu talento reconhecido.
As folhas com o teu livro inacabado ficaram durante muito tempo arrumadas numa gaveta. Até que um dia a abri. Peguei no texto, li o rumo que lhe querias dar. E resolvi completar o texto. Se eu era capaz de imitar os clássicos, também seria capaz de o fazer relativamente a uma escrita que me era tão familiar.
O motivo inicial para completar a história era fazer com que tivesses um livro teu publicado. Quando estava a meio da escrita, pensei que devia ser verdadeiro e que o livro deveria ter o nome dos dois. Finalmente, acabado o livro, assinei-o apenas com o meu nome e publiquei-o.
As críticas renderam-se ao livro, disseram mil e uma maravilhas acerca dele, chegaram a dizer que "inaugurava uma nova era na literatura". Os prémios não paravam de se acumular. O meu nome aparecia em todas as partes do mundo.
Este foi o meu fim. Percebi que me tinha apoderado da autoria de um livro que jamais conseguiria superar. Por muito que tentasse não seria capaz de imaginar um livro como o teu. E sinto-me incapaz de voltar ao estilo antigo.
Sofro, com toda a certeza, o castigo de me ter apropriado do teu nome. Arrependo-me sinceramente de o ter feito. É tempo de repor a verdade. Depois vou desaparecer. Descobri, da forma mais dura, que a vontade não é nada sem talento. O talento até pode esperar pela vontade, mas a vontade nunca sobreviverá à falta de talento.
![]()
“Até ao final da actual legislatura, o Governo quer dar novo rumo à vida de 25% das crianças institucionalizadas. Ao que o Destak apurou, junto do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS) , o objectivo passa por reintegrar na família biológica ou entregar para adopção 3500 das 14 mil crianças entregues aos cuidados do Estado e de organizações não governamentais.”
In Destak 12Abril2006

foto:aNa
serra da Lousã vista do Gondramaz - concelho de Miranda do Corvo
amanhã vou para a terrinha andar de jipe com a Maria por aquelas estradas.


http://www.sonypictures.com/movies/somethingsgottagive/site/
"A situação a esta mesa, é fascinante. Olhemos para si e Erica, por exemplo. Você já tem uns anitos, não? Tem o quê? 60? 63!
Nunca casou. O que, como sabemos, para uma mulher, seria uma maldição. Seria uma velha solteira. Uma solteirona. Mas, em vez de o lamentarem, escreveram-se artigos sobre si, louvando o facto de nunca ter casado.É um homem fugidio, difícil de fisgar, logo, um bom partido.
Temos aqui a minha deslumbrante irmã. Observe-a bem, tão bem sucedida. É a mais bem sucedida dramaturga desde ... quem? ... Lillian Hellman ... ?
Tem mais de 50 anos, é divorciada e fica em casa noite após noite, após noite, porque os tipos disponíveis da idade dela, desculpe lá dizer, preferem miúdas da idade da Marin.
Todo o panorama dos namoros acima dos 50 ... está orientado de forma a excluir as mulheres mais velhas. Por causa disso, elas tornam-se mais produtivas e, por consequência, mais interessantes, o que, por seu turno, as torna ainda menos desejáveis porque os homens, sobretudo os mais velhos, sentem-se ameaçados e fogem a sete pés... de mulheres produtivas e interessantes.
É tão óbvio! As mulheres mais velhas, disponíveis e interessantes, são o grupo mais excluido que existe."
Somethings gotta give - Alguém tem de ceder
Resta-nos o fascínio que, mulheres mais velhas, interessantes (não necessáriamente disponíveis) exercem sobre homens mais jovens!
Que é muiiitttooooooo boa de aturar quando estamos a 30 de Fevereiro e é feriado nacional em todos os países do Mundo (mesmo os que ainda não foram criados por uma qualquer revolução ou evolução)! Aqui fica para eles uma música do mestre António Variações (já repararam que este gajo era, nos anos 80, muiiiitttttooooo à frente!).
Não me consumas
Não me consumas
Não me consumas
Não me consumas mais
Não me consumas mais
Pára de me consumir
Que tu abusas
Que tu abusas
Sempre cada vez mais
Sempre cada vez mais
Não é fácil digerir
Pára de me consumir
Porque já estou farto
De ser o olfacto
Da tua laca e desse spray
Que é de uma marca
Que eu cá não sei
Ah esses teus sais
Eu já não aguento mais
Estou enjoado do teu perfume
Vê-se extraído de um raro estrume
E com esse bad stick
Não há nariz que não fique
Saturado de cheirar
Pára é de me gastar
Não me consumas
Não me consumas
Não me consumas mais
Não me consumas mais
Pára de me consumir
Que tu abusas
Que tu abusas
Sempre cada vez mais
Sempre cada vez mais
Não é fácil digerir
Pára de me consumir
Não sou coisa nova
Para a tua moda
Não sou a dança do teu penteado
Nem o cabide do teu novo fato
Sempre gostaste de ser
A coca do geral parecer
Não sou o espelho da tua vaidade
Nem a pastilha do teu à vontade
Não comigo não
Não sou canal de televisão
Creme de noite
Creme de dia
Um que endurece
Outro que amacia
Tratas muito da fachada
Porque é que não tratas nada?
Não me consumas
Não me consumas
Não me consumas mais
Não me consumas mais
Pára de me consumir
Que tu abusas
Que tu abusas
Sempre cada vez mais
Sempre cada vez mais
Não é fácil digerir
Pára de me consumir
PS: Desculpem de não colocar aqui a música mesmo, mas não tenho aqui o ficheiro nem o CD para o fazer... no entanto quem é que não sabe trautear esta?
PPS: Bilhas, já está ;-)
O prédio tem cento e vinte e cinco andares.
A escada vai até ao trigésimo.
Do trigésimo ao nonagésimo uma corda,
Com nós.
Daí para cima tem um elevador.
Descai para a direita no sexagésimo segundo.
Uma ponte aérea atravessa-o,
No nonagésimo quinto
Onde existe um shopping center.
Lindos jardins interiores,
Nos patamares do octogésimo sétimo
Irradia o verde, no sentido norte-sul.
Um homem faz a barba,
Olhando o reflexo nos vidros espelhados
Do quadragésimo quinto andar.
E assobia.
O PreDatado, in O Livro das Artes
Porque o ante et post é, sem dúvida, um blogue de serviço público e, mais ainda, de elevada preocupação e dedicação a nobres causas, aqui fica a sugestão de um gesto simples que pretende - ainda que não o consiga já é de louvar, pela intenção - levar à Assembleia da República uma discussão sobre uma série de problemas relacionados com o tratamento dado aos animais nos canis/gatis, assim como a forma de extermínio de que estes são alvo.
Em entrada estendida, fica o texto dirigido ao Presidente da Assembleia da República e o link para o site da associação em causa, onde poderão ser encontradas todas as instruções necessárias a quem quiser participar a ajudar nesta iniciativa. Não custa nada, acreditem!
Petição à Assembleia da República
Pelo Tratamento Condigno e Pelo Fim do Extermínio dos Animais Em Canis/Gatis Municipais
Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República:
Em Portugal, não existe uma política coordenada para controlo da população de cães e gatos. Esta omissão resulta em abandono, maus-tratos e extermínio de animais de companhia. O Estado tem a responsabilidade de dar o exemplo aos seus cidadãos, mas falha claramente nessa obrigação ao exterminar e ao tratar de forma negligente os animais nos canis/gatis municipais. A maioria dos canis/gatis municipais portugueses são locais que envergonham os cidadãos responsáveis e conscientes. Na maioria dos canis/gatis municipais portugueses, os animais padecem sem receber cuidados médico-veterinários adequados, são mantidos em alojamentos sem as mínimas condições de bem-estar e, por fim, sofrem uma morte indigna. Trata-se de uma realidade desnecessariamente atroz e em que não se respeita sequer a legislação existente.
É urgente alterar esta situação promovendo-se obras de melhorias das condições nos canis/gatis municipais que contemplem a criação de divisões mais amplas, a criação de áreas de recreio abertas onde os animais se possam exercitar e o isolamento e tratamento de animais que necessitem de cuidados médico-veterinários; desenvolvendo-se campanhas de adopção responsável dos animais dos canis/gatis municipais após esterilização dos mesmos, e com posterior acompanhamento dos animais adoptados; promovendo-se o controlo de natalidade de cães e gatos mediante técnicas eficazes e humanas como a esterilização; e desenvolvendo-se programas educativos destinados a informar/sensibilizar os cidadãos quanto aos seus deveres e responsabilidades perante os seus animais.
Os canis/gatis municipais têm de deixar de ser corredores da morte, para passarem a ser centros de acolhimento provisório de animais com o objectivo de lhes encontrar um lar. Têm de deixar de ser os péssimos exemplos que são actualmente, para passarem a ser exemplos daquilo que é cuidar dos animais de forma responsável. O abate de animais saudáveis em canis/gatis não só é desumano, como se tem demonstrado completamente ineficaz para resolver o problema da sobrepopulação de animais. A sobrepopulação de animais constitui comprovadamente a causa da sobrelotação dos canis/gatis municipais e abrigos e do crescente número de animais errantes. Segundo um relatório de 1990 da Organização Mundial de Saúde, "a remoção e abate de cães nunca deverá ser considerada a forma mais eficaz de lidar com um problema de excesso de população de cães na comunidade: não tem efeito sobre a causa raiz do problema, que é a sobre-reprodução dos cães". Pode ainda ler-se no mesmo relatório que "a longo prazo, o controlo da reprodução é de longe a estratégia mais eficaz de gestão da população canina".
Em face do exposto, os abaixo-assinados vêm pelo presente meio solicitar à Assembleia da República que sejam tomadas as medidas necessárias para assegurar o bem-estar dos animais nos canis/gatis municipais e que o abate de animais seja abolido como forma de controlo populacional (admitindo-se apenas a eutanásia dos animais gravemente doentes ou que representem perigo para a saúde de pessoas ou outros animais), devendo a esterilização ser o método de eleição para controlo da população canina e felina em Portugal.
A vodka chegou em pequenos copos.
Rapidamente e de uma só vez
Viram-se os fundos.
O fígado em postas e de mãos postas
Ainda se ajoelhou rezando.
Ninguém lhe escutou as preces.
Regaram-no com vinho,
Dois dentes de alho.
Macerou umas horas.
As iscas estavam prontas.
Um shot vindo não sei de onde
Atingiu-o no baixo-ventre.
Não teve tempo de morrer com cirrose.
O PreDatado, in O Livro das Artes
Lilly, Karla, Jorge, Pré, Bin e Raim
já disse que adorei conhecer-vos?
não? pois, eu sou mesmo uma mal educada!
pois...
ADOREI CONHECER-VOS!
(e agora quero adorar conhecer os outros! não faço a coisa por menos!)

Dombe Grande
foto:aNa
às vezes invejo a calma com que elas encaram a vida. será, naturalmente, consequência do calor abrasador que faz baixar o ritmo dos movimentos.
mas fico sempre fascinada pelo ondular cadenciado das ancas. sempre à mesma velocidade. como se tudo acontecesse no tempo certo.
e não será mesmo assim?
Eu sou daqueles para quem o francês é uma daquelas línguas familiares, apenas porque deriva do latim e porque até aprendi durante três anos na escola. Portanto, perdoem-me os francófonos se, por ventura, escrevi mal o título do post. É que eu sempre achei que tudo o que era francês era bom se fosse comestível. Incluindo as francesinhas, esse prato fantástico da "Inbicta". As outras também, mas agora estou a falar de comida.
Na verdade, a comida foi apenas uma desculpa, como é sempre, para alguns dos ante-et-postadores se encontrarem. Não todos, infelizmente, mas aqueles que puderam estar presentes. Aos outros não faltarão oportunidades, certamente.
Mas voltemos ao início, à génese do ante et post. Quando comecei a pensar no "projecto ante et post", pensei-o sempre numa perspectiva de sã camaradagem, onde todos tivessem liberdade para escrever, mas onde houvesse uma certa organização. E as pessoas que foram sendo convidadas corresponderam sempre a um perfil: qualidades de posts e humana.
A qualidade dos posts é mais fácil, é visível. E é claro que a Karla, novata nestas andanças, era já uma "certeza", pois os seus comentários em blogs alheios não deixavam margem para dúvidas quanto ao seu futuro bloguístico. E quando aos 10 iniciais se juntaram 4, os critérios foram exactamente os mesmos.
Quanto às qualidades humanas, é sempre mais difícil de julgar, especialmente quando o conhecimento é apenas virtual. Eu não conhecia pessoalmente nenhum dos meus colegas de blog antes. Fui conhecendo aos poucos, primeiro uma, depois outro, depois outra, agora mais quatro (com uma extra). Mas o que interessa é que o real confirmou o virtual. Gostei muito de todos, como já esperava.
Dir-me-ão que uma única vez é insuficiente para tirar conclusões. É um facto. Todos nós temos os nossos feitios, alguns até poderiam chocar, caso estivéssemos mais vezes juntos. E nestas coisas virtuais já vi acontecer tanta coisa que não me atrevo a "colocar as mãos no fogo". Mas acredito, muito sinceramente, neste grupo, e acredito que o que menos querem é transportar para o universo deste blog tudo o que há de mau na vida real. A vida já tem os seus problemas fora dos blogs, aproveitemos o que há de bom na blogosfera: a possibilidade de conhecer e conviver com pessoas que, doutra forma, jamais conheceríamos.
E assim, no meio da raclette, com os excelentes vinhos que a acompharam, a boa disposição de todos, passamos uma noite espectacular. Aos que ainda não conhecia ao vivo, adorei conhecer-vos. Aos outros, adorei rever-vos. Aos que ainda não conheço "tête à tête" (isto é para mostrar que até sei um pouco de francês), venham mais jantaradas.

Foto:Joeri de Schutter
Tenho pelo menos três amigos (ou conhecidos, mais bem) que além de ter um blog pessoal têm um blog segredo.
Bom: dois destes blogs nao sao 100% segredos, porque eles disseram-me a sua autoria. Mas o blog daquele que é mais amigo meu sim é 100% segredo para mim. Ele nem quer dizer em que "server" tem o blog. Conclusao: quanto mais conhecimento, mais reticência a dizer "tenho segredos".
Aqui, no ante et post, eu tenho uma possibilidade parecida. Quase ninguém me conhece pessoalmente e os que lêem os meus escritos nao sao os leitores potenciales do outro blog... poderia ser este espaço o meu cantinho "segredo"?, a pesar de todo isso, acho que nao.
Tenho segredos... e mais que segredos, vontade de dizer coisas que poderiam doer segundo que leitores. Pessoas do meu entorno, pessoas que nao gostava de ferir.
Mas isso implica começar um terceiro blog...
Necessito mais tempo!
Hoje, meus caros, tenho o corpo na Invicta, mas tudo o resto encontra-se a tentar viajar para este lugar...

Foto: Daqui.
Assim sendo esperamos que chegue muito depressa o fim de semana prolongado e as férias de verão!
PS: Correm boatos no distrito de Aveiro que o Ante-et-post vai ser condecorado pela Câmara da capital de distrito. É que parece que ouve uma inundação de boa disposição e gente inteligente na cidade no passado fim de semana. E ao que consta a coisa ficou a dever-se aos meus caros(as) amigos(as) ante-et-postadores!
("Quimbeja de boceses, rapaziada!")

...está à porta vou tentar não dar privilégio à nudez e ao erotismo durante esta semana.
Não prometo nada...mas vou tentar.

Photo © Eric Meola
"Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio."
Provérbio indiano

Foto: Pascal Chambin
Eles estavam logo ali, à saída das portagens da A1, à entrada da cidade, na portaria do prédio. Mas os mais eficazes, foram os que ocuparam os telhados e terraços dos prédios vizinhos e, quais snipers, armados com tele-objectivas de poderosos zooms, conseguiram obter esta imagem, que retrata os preparativos da raclete.

Bea Emsbach
Depois do encontro entre antepostadores no Sábado, palavras como virtual, digital e outras que tal, sabem-me a pouco! Não há nada melhor que o real!
Foi mesmo bom estar com vocês!

Ontem pela manhã dei um salto até Hong Kong. Uma hora de jetfoil e lá estamos nós, na grande cidade, a cidade à séria. Viver em Macau e ir até Hong Kong é uma das formas de arejar a cabeça desta pequenez. Ver outra gente (mais polida), outra organização (muita), outras regras (muitas e apertadas), outro ar (poluído). É assim como o patego ir até à cidade! As ruas imensas, o tráfego intenso, os muitos e bons meios de transporte, os prédios altos e bonitos, as grandes lojas das grandes marcas, a classe, a qualidade, a variedade; muito do que em Macau não há.
Fiquei pela zona de Central. Tratei do assunto que tinha a tratar e depois dei um pulinho aqui, aqui, aqui e ainda almocei num restaurante fantástico, em boa companhia. Não parece, mas nesta meia dúzia de linhas andei muito a pé. Mais uma hora de barco e regressei a casa, derreada mas muito desanuviada. Nem que seja só por uma voltinha curta como esta, sabe sempre bem ir lavar a vista até à vizinhança!

"(---_è&ç-²èèè_"è"_èç_éç)²²à&"é"é'"("-(-')=àà*ù^$$!:;,~#{[[||[`|[```[\[\\\\\\`|[^[-èèèèèè(((((()))))))))))))))))))))))))))))))

????
Apenas um post fora de horas para vos dizer que embora esteja aqui por casa, estou roído de inveja de não ter ido a Aveiro hoje e de não ter tido a hipótese de provar a reclete :)
Espero que se tenham divertido todos e todas :) Lilly... a cambada não te pegou fogo à casa!? Não foram vocês que causaram os distúrbios no Fórum que estavam a ser noticiados na SIC notícias!? ehehehe
Onde estão agora!? No Mercado do Peixe? No Oito Graus!? Na Estação!?
Portem-se bem mal... ok!?

O que fqz este objecto num encontro dos nossos qntepostqdores?
Deixe q suq sugestqo na caixa de comentqrios (sem acentos, estqmos num teclqdo frqncês).
Hqbilite-se a mqis umq viqgem do Bilhqs :) :)

Foto: Nascer do sol na ria - Bruno Miguel Aguiar (Catcher) no TrekEarth

Gostamos de coisas assim.
É a nossa Semana Grande.
Bem-vindos!

Foto: Nancy Fina
Nada como um almoço nas Docas, à beira do Tejo, para nos cruzarmos com um sem número de famosos da nossa praça.
Assim, escuso de esperar pela ida ao cabeleireiro e antecipo a próxima edição das revistas cor de rosa.
Se clicares com o botão direito do rato em cima do filme tens várias opções.

... ou, a Associação Fonográfica que me perdoe o atrevimento!
Amanhã, Sábado 8 de Abril, a partir do início da tarde, vai haver uma edição especial do ante et post. A menos que o hardware não seja soft...
Assim, não percam: o caos... a desordem... a incomensurabilidade...
E claro, a gula...
![]()
Foto daqui.
(Andrade, como podes ver, encontrámos uma das três coisas que querias experimentar)

Foto: Nana Sousa Dias
Despiu-a.
Corrigiu-lhe a posição.
Um braço circundava a cabeça
Primorosamente colocado atrás do pescoço.
Ou outro corria-lhe pelo corpo.
Assentou-lhe uma mão sobre a púbis.
Ficou quieta.
O balde do gesso esvaziado sobre o corpo quieto.
Outro balde.
O corpo quieto.
Ainda outro.
O corpo continua quieto
Em exposição.
O PreDatado, in Livro das Artes

Baía Farta - Benguela
foto: aNa
João, empregado de escritório, identidade secreta: "ladrão" de tomates.
Olá, o meu nome é João, sou conhecido, embora ninguém saiba que sou eu, pelo "ladrão" de tomates. Com aspas, porque, na realidade, eu não os roubo. Mas comecemos, como deve ser: pelo início.
Fui habituado, desde sempre, a comer salada de tomate com todas as refeições. E assim, depois de casado, continuei a manter esse hábito saudável. Mas certo dia cometi um erro. Por duas vezes consecutivas reclamei por causa da qualidade dos tomates que a minha mulher tinha comprado.
Os tomates não podem ser demasiado maduros nem demasiado verdes. Têm de estar no ponto certo. Mas como se pode fazer ver isso a uma mulher? Assim, ao invés de a convencer a ter mais cuidado na escolha dos ditos, ela disse, naquele tom que não admite ser contrariado:
- Se não gostas da minha escolha de tomates, compra-os tu!
E assim, a partir daquele dia, fiquei eu incumbido da compra dos tomates. Mas se, por um lado, sabia apreciar o sabor, a escolha visual ou apalpativa dos tomates não era arte que eu dominasse. Assim, tentei ver, no hipermercado, o que uma senhora idosa (na realidade, era uma velha, mas disseram-me que agora se usa o termo idosa) escolhia. Mas não consegui vislumbrar um padrão na sua escolha que me permitisse inferir um conjunto de regras simples para seguir.
Foi então que a senhora idosa, após pesar os tomates, os colocou no carrinho, e afastou-se, para escolher os pepinos. Foi então que, por instinto, me acerquei do carrinho, e num movimento rápido, peguei no saco e fui a correr para a caixa, paguei e vim-me embora.
Quando cheguei a casa, verifiquei que os tomates tinham a qualidade que o meu paladar exigia. Agora, tinha a certeza, as velhas, digo, as senhoras idosas são as mais bem apetrechadas no que toca ao conhecimento táctil e cromático dos tomates. A partir daí, comecei a seguir este estratagema:
1. Hipermercado.
2. Senhora idosa a escolher tomates.
3. Esperar que ela pese e coloque os tomates no carrinho.
4. Pegar nos tomates já pesados.
5. Pagar na caixa.
6. Sair.
Ao fim de um mês descobri que tinha ganho identidade secreta: "ladrão" de tomates. Entre aspas, porque não roubava, apenas usufruia de um serviço especializado gratuito. Com o tempo fui descobrindo o que distinguia um tomate bom dum tomate mau. Já não precisava de continuar a fazer o mesmo. Mas todo aquele ritual se tinha apoderado de mim, e já não conseguia passar sem ele.
Hoje tento, de todos os modos, perder esta mania estranha, mas não consigo. Mesmo que vá ao hipermercado convicto de que não vou comprar tomates, os meus passos dirigem-se, automaticamente, para lá. E volto a fazer o mesmo...
Dona Clotilde, senhora idosa.
Já é a quarta vez que tal me acontece, neste mês. A princípio pensei que fosse da idade, mas depois percebi que algo de estranho se passava.
O meu marido sempre me disse que eu tinha um dom especial na apalpação dos tomates. E eu acho que sim, tomates que eu comprasse no mercado estavam sempre no ponto certo, nem demasiado maduros nem demasiado verdes.
O certo é que, pela quarta vez, neste mês, após ter escolhido e pesado os tomates, os coloquei no carrinho de compras. Fui comprar outros legumes e, quando voltei, os tomates tinham desaparecido. Não consigo perceber o que se passa. É que eles ainda nem sequer estavam pagos.
Rui, filho de João, aluno imberbe de escola secundária, em processo de afirmação pessoal.
O meu pai sempre me foi buscar à escola, desde pequeno. Durante muito tempo não me importei. Até gostava de ir para casa com ele, falávamos de futebol, de revistas de mulheres nuas, ou até sobre a última encíclica papal ou a última condecoração do Presidente da República. Enfim, sentia-me orgulhoso de ter um pai fixe.
Mas, ultimamente, o meu pai criou o estranho hábito de me ir buscar com um saco de tomates na mão. E a conversa anda sempre á roda dos ditos - a sua cor, textura, etc... E mesmo que eu tentasse, por exemplo, falar sobre a má arbitragem do último domingo, ele conseguia levar a conversa de volta ao seu tema preferido.
- Um árbitro tem de ter tomates! Por falar em tomates...
Eu sei que até parece mal estar a falar mal do meu pai, mas já não aguento ouvir as bocas dos meus colegas:
- Olha, lá vem o teu pai com os tomates na mão...
Maria, esposa de João, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
A culpa foi minha, eu sei. Mas já era a segunda vez que ele protestava por causa da minha escolha de tomates. E eu não aguentei, mandei-o comprar ele. Mas, ao invés de ele não conseguir dar conta do recado e vir-me pedir, de joelhos, para voltar a ser eu a escolher os tomates, ele conseguiu tomar conta do recado, e tornou-se um especialista.
Mas, desde então, a minha vida tem sido um inferno. Os tomates estão por todo o lado. Já não há espaço na cozinha para tanto tomate. Mas isso não é o pior.
Há dias, estando nós em plena consumação das obrigações matrimoniais, ele me pediu:
- Posso pedir-te uma coisa, para apimentar mais este acto?
- Mas claro - disse eu, contente por ele estar a propor algo de novo.
- Podes pegar... nos meus tomates?
Eu fiquei excitadíssima com aquele pedido e disse:
- Claro que sim!
Foi então que, inesperadamente, ele se levantou e foi à cozinha, voltando com dois tomates, que depositou nas minhas mãos, todo contente.
Nem sei o que pensei na altura. Mas desde então que ele me pede para fazer o mesmo todas as vezes que consumamos as nossas obrigações matrimoniais. Eu não sei o que fazer. Fingir um orgasmo já é difícil com as mãos desocupadas, mas assim, torna-se uma tarefa praticamente impossível...

Photo © Jef Maion
Não o Deserto do Mundo, como diz o poema, mas o Saara e ainda o outro.
Porque a viagem é também festa, alegria e riso, deixo-vos este pequeno poema do Ali Farka. E uma foto do Erg Chebbi no deserto do Saara em Marrocos.
É um bom sitio para se iniciar a travessia do Saara. Para nos perdermos e ao mesmo tempo tempo encontrarmo-nos,
com a natureza com a vida e connosco próprios.
Estar no topo daquele Erg, logo aos primeiros raios de sol é absolutamente fascinante. Para os olhos, para a pele e para a alma e para os sentidos.
Dedico este post a todos, todos os meus amigos da blogosfera. Os todos os que tenho conhecido e aos que se tornaram mesmo amigos :)
Quero deixar aqui um abraço especial para a minha amiga Maria do Divas e Contrabaixos aos meus amigos ante postadores :) e ainda:
à Brigida, à Maria Árvore, ao Samir, à Mura, ao Cap, ao Luis, à Blimunda, ao Batatas, à Folha de Chá ;), ao Raul,à LN, à Ana, à Viajante, à JP,ao Helge,ao Henk, à Vague,ao CSA, à Xana, ao MR M, ao MR Sleeves, ao Marco,ao Yardbird, à malta do Castelo,à Sofia,aos The Best e o Genial, à Eva Luna, à Margarida, ao Manuel, à Carla,à Lua e à Concha, ao Tuga Perdido, ao Miguel, à Ananda, ao José Quintas,a algumas amigas do SA ,ao Biranta, à Elvira, à Isabel, à Uxka, ao Fred, e à Hipatia. Caso me tenha falhado alguém , não leve a mal:)
Bin
Lasidan
No-one can deny the things that make them happy.
No-one can mistake the things that make them happy.
Like a dog with a bone, a cat with fresh milk and a young man and woman.
Lasidan
Música © Ali Farka Touré & Ry Cooder

candengue na Caota
foto:aNa
- ché! já estou atrasado para ir na festa do primo Bin! esperem ainda por mim, yah?


Rumo
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra ...
Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!
Vamos, companheiro ...
É tempo!
Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras ...
E o meu suor
se junte ao teu suor,
quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!
Vamos!
que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Alda Lara

" Alguns árbitros, favorecem as equipas mais grandes."
" O Barcelona, era a equipa mais favorita"
Declarações de Petit à RTP 1, após o jogo de ontem, com o Barcelona.
Temos aqui um sério candidato ao 1º lugar, não da Liga de Futebol, mas do Campeonato Nacional de Língua Portuguesa.

Foto: Rarinda Prakarsa
Andrade... sempre me podes processar por abusar dos direitos de autor da tua série "Três.", mas não resisti.
10 coisas que eu gostava de fazer até ao final do dia:
1- Não roer as unhas todas antes do apito inicial do jogo do Glorioso;
2- Começar a ver o Glorioso a mandar no jogo;
3- Aperceber-me aos 15 minutos que a eliminatória está no papo;
4- Ver no 16º minuto um golo do Glorioso;
5- Descansar os nervos ao intervalo;
6- Não chamar nomes a nenhum dos membros da equipa de arbitragem;
7- Gritar pelo menos tantas vezes quantas as dos adeptos do Barcelona GOLOOOOOOOOO! (se possível uma a mais ninguém leva a mal, pois não?);
8- Saltar no final do jogo que nem um maluquinho a gritar "Ninguém pára o Benfica! Ninguém pára o Benfica!"
9- Ir à baixa do Porto festejar a passagem na eliminatória (se os Super Dragões deixarem!)
10- Acalmar os ânimos e conseguir acabar o trabalho que tenho para fazer para não fazer figuras tristes amanhã na reunião com o orientador (será que o homem é do Benfica... amanhã perguntamos no final da reunião, caso corra bem!).
Força rapaziada!

Foto: Daqui.
Abriu um caderno em branco.
Rabiscou duas linhas na primeira página
E foi dormir.
Às seis em ponto da tarde
Chovia e a chuva molhava-lhe
Os pensamentos.
Acordou, tirou o lápis de trás da orelha
Abriu o caderno quase em branco.
Acabou de o preencher.
Deu-o a ler, o editor num movimento suave
(como devem ser suaves os movimentos com as mulheres),
Mas decidido
(como devem ser decididos os movimentos dos editores),
Jogou o manuscrito no lixo de papéis.
É bem feito!
Quem manda a escritora
Pegar no lápis ainda húmida?
O PreDatado, in O Livro das Artes
Três pratos que eu gostava de experimentar nos próximos dias:
Tenho-me dedicado a fazer alguns inquéritos via e-mail. Não podem ser consideradas sondagens pois não obedecem às regras técnicas, nem eu estou credenciado como profissional do ramo. Hoje publico os resultados da minha primeira pesquisa. Esta consulta foi feita a 371 pessoas maiores de 18 anos, de ambos os sexos, residentes no Continente, Açores e Madeira, no dia dos namorados.
Pergunta: Acha que o José Mourinho tem condições para continuar nas boas graças do Abramovich, depois de ter falhado por dois anos consecutivos a conquista da Champeons League?
Resultados:
78% Já pisaram cocó de cão no passeio da rua deles.
64% Sensibilizaram-se muito com o falecimento da irmã Lúcia.
52% Acham que se o Benfica renovar o título de campeão nacional, será um milagre.
73% Não conhecem ou não se lembram de Mozart (destes, 37% têm mais de 45 anos).
21% Devolveram o e-mail pedindo para ser mais explícito na pergunta.
(Abre-se aqui um parêntesis para transcrever algumas dessas mensagens:
- Em que posição joga o Sócrates?
- Não me lembro se Mourinho é um dos três pastorinhos. Pode esclarecer-me?
- Você queria dizer Mourinho ou Sócras?
- Gosto muito de Skip, mas agora há uns produtos brancos do Jumbo que também são jeitosos. E você qual usa?
- E se você fosse fazer essa pergunta ao car****? - só uma devolução neste teor.)
45% Responderam que o José Castelo Branco já começa a chatear.
0,3% Responderam que os inquéritos do Continente são feitos por tontos e que este ano não ía comemorar o 25 de Abril. Vinha assinado com as inicias AJJ.
Recebi 4 e-mails molhados (pareceu-me que alguém mijou sobre eles).
Brevemente publicarei o resultado de outros inquéritos efectuados.

trabalhadora de pescaria mais o filho
foto:aNa
Quando era criança
Vivi, sem saber,
Só para hoje ter
Aquela lembrança.
E hoje que sinto
Aquilo que fui.
Minha vida flui,
Feita do que minto.
Mas nesta prisão,
Livro único, leio
O sorriso alheio
De quem fui então.
Fernando Pessoa, Cancioneiro
O ano que passou, foi um ano muito especial para mim. Intenso, de extremos.
Feito de bons e maus momentos, como todos os anos da nossa vida. Mas este, foi especial.
Com os maus momentos, cresci e aprendi mais qualquer coisa da vida.
Com os bons, consolidei a minha felicidade, o meu gosto pela vida, pela liberdade.
Com o passar dos anos, aprendi que vamos ganhando muito mais do que perdemos.
Este ano que passou, perdi pessoas muito importantes na minha vida. Guardo-as, para sempre na memória e no coração.
Este ano que passou, ganhei alguns amigos.
Vocês são o máximo e eu, adoro-vos a todos.
A ti Jorge, porque sempre acreditaste em mim, e és o responsável por isto tudo.
A ti Mad, porque foste a cúmplice feminina que sempre me apoiou.
A ti Bilhas, porque és o bacano mais fantástico do Norte, carago! E que eu queria ver aqui, pertinho de nós.
A ti Noite, pela tua sensatez.
A ti Dani, porque adoras Portugal e tens uns olhos lindos. Olé! Eu perdoo-te, seres do Benfica!
A ti, Raim, pelas gargalhadas que me fazes soltar e pela admiração que tenho, pela argúcia do teu traço.
A ti, Bin, pelo que me tens feito sonhar e pelas viagens que me tens proporcionado.
A ti, aNa, por seres uma mulher linda e muito, muito especial (e não é só por jogares futebol ;-))
A ti, Andrade, que me fazes uma feroz concorrência no fotoblog.
A ti, Pré, querido amigo, que me delicias com a tua escrita.
A ti Lilly, que apesar de tantos motivos contra, gostas de mim. E eu de ti.
Muito obrigada a todos.

Photo by Sascha Hüttenhain
"Gosto das mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos
caidos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
sentem que as olho, que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterraneo
do tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar."
She
Música © Elvis Costello
A Noite Passada
Música © Sérgio GodinhoUm dia ouvi dizer que se descobria que alguém estava com problemas amorosos quando tinha algum (ou todos) dos seguintes sintomas:
- dores no estômago;
- tonturas;
- falta de apetite;
- olhos lacrimejantes;
- muitos lenços molhados;
- dificuldade em respirar;
- garganta sem conseguir dizer o que sente;
- uma vontade indómita de querer enfrentar o mundo, mas não ser capaz.
Sexta-feira passada um médico disse-me que aqueles sintomas eram, isso sim, de uma gripe.
Não sei se ele tem razão, mas o remédio que ele me receitou surtiu efeito.
Assim, se alguém tiver aqueles sintomas, seja desamor ou gripe, é só dizer, eu já sei qual é o remédio...

Foto: Natalie shau
Nestas segundas em que a ressaca toma completamente conta de nós e limita ao extremo a nossa capacidade de criar um post decente, o que nos salva são as séries criadas em momento oportuno!
Sabem onde é!? Lembram-se de qual é o prémio!? Pois então... só têm que dar a resposta certa!

Foto: Bilhas.

Sam Shaw
"As imagens de cinema têm esse poder extraordinário de criar sensações-pensamentos. Elas são sensações-pensamentos! Louco, o Escritor Famoso sugeriu-me que vos desafiasse a imaginar um acto de cinema... sem câmara. Diz-me que, de qualquer forma, os cineastas só se servem da câmara para a "suprimir"."
Começou assim a V Edição do Concurso O Escritor Famoso. Agora sabemos que o prémio para o melhor texto será a sua adaptação a uma curta-metragem.
Estão à espera de quê para concorrer? Sessenta linhas da vossa imaginação a partir de um filme ou personagem mítico e esse acto de cinema pessoal pode transformar-se num filme!

Meninas tenham compaixão de mim e não me batam muito.

Se hoje fosse ontem eu poderia usar a minha criatividade a arranjar uma desculpa esfarrapada para justificar a ausência deste post, em vez de a usar a escrevê-lo. Vocês acreditavam e eu ficava bem comigo mesma, porque estava legitimada a fazê-lo. E se calhar nem faria mal que o fizesse hoje, porque ontem que foi dia, não enganei ninguém. O meu filho já me perguntou hoje umas 10 vezes porque não menti ontem! "Porque a Mãe não mente", respondo-lhe eu, ao que ele me atira com um "mas ontem podias". Pois podia, filho, mas olha, não me apeteceu! Cada vez gosto menos de mentiras, nem a brincar! (é pena que eles mais tarde aprendam que mentir dá imenso jeito)
E então como hoje é hoje e para vossa informação por aqui até já nem é hoje, mas sim amanhã, não me apetece escrever nada de interessante, tenho sono e me doem as costas, vou mas é para vale de lençóis, que hoje até tenho a cama só para mim! :)
Até para a semana, pessoal!

Joris Van Daele

Kris verswe in Trekearth
Começou assim, com esta foto, há um ano, a Mega Fauna.
Um ano de Amor à liberdade, amor à aventura e, principalmente, amor a África.
Parabéns, bin_tex!

Dizem que em Sevilha em primavera cheira à flor de laranjeira. "Azahar".
Eu digo que o azahar cheira à Sevilha.
Bem-vindos!