a ginástica da cabeça
fazer psicoterapia é, à semelhança da ida ao ginásio para exercitar o corpo, fazer ginástica ao que nos vai na cabeça. tipo oxigená-la. a longo prazo, digo eu que ainda lá não cheguei, permite-nos ser mais que um mero treinador. dá-nos um estatuto de manager da nossa vida. antecipando os insucessos, que são de antecipar, e decidir como lidar com eles, quando de todo são inevitáveis.
para quem me lê no outro lado, vai tendo aqui e ali, conhecimento dos meus desabafos com a minha querida Rute.
faz hoje dois anos, a abertura da sessão foi, mais ou menos, como eu a descrevi passado uns dias:
entrei e atirei-lhe com um aperto de mão vigoroso e envolvente (por recomendação de uma amiga) a que ela retribuiu.
ainda não me tinha sentado já ela me dizia
"a aNa hoje está diferente. está bem!"
e eu, mais uma vez não resisti, e disse-lhe maliciosamente
"isso é uma realidade ou uma provocação?"
"é uma realidade, ou melhor, é a constatação de um facto" respondeu ela.
claro, rute, a menina provoca-me mas não é de forma maliciosa. e bem! senão, seria uma carga de trabalhos!!! e não teria paciência para começar tudo de novo.
e a Rute tinha razão. indiferente a todas as angústias, que na altura me dominavam e transformavam num quase robot, nesse dia eu sorria. dentro de mim havia calor. havia energia. havia vontade de descobrir. havia...
... a voz de uma mulher, chamada Maria. que eu só conhecia por email e por telefone. mas que me deixava presa. ansiosa, pela chegada de novo telefonema, da hora seguinte, do dia seguinte. naquela altura, ainda eu não sabia como seria o dia seguinte. ainda eu desconhecia que, o facto de a conhecer pessoalmente, iria constituir na minha vida o ponto de viragem. que, sem eu saber naquele momento, seria no dia seguinte, de manhãzinha, à beira mar.
como diz a minha mãe, ver-te e amar-te foi obra do momento! ela diz isso a gozar, mas a verdade é que connosco foi tal e qual! eu nem era céptica em relação a isso acontecer. mas, tinha algumas dúvidas. e aceito quem as tenha. as probabilidades são ínfimas. e nem de milagre se pode falar. acho que foi a conjugação dos meus desejos, com os desejos dela, um momento mágico! a nós coube-nos viver o momento, e posteriormente não o desperdiçar.
se calhar, esses momentos mágicos acontecem mais vezes do que acreditamos. nem sempre estaremos preparados para os reconhecer. e investir neles.
e aqui chegada, volto ao princípio. fazer psicoterapia foi a melhor decisão que tomei no ano de 2004. porque me permitiu já ter estrutura suficiente para investir forte, na segunda coisa mais fantástica desse ano: conhecer a Maria. faz amanhã dois anos!
ps:
este post é lamechas? sê-lo-á! mas só quem vive um grande amor, se permite ser lamechas sem se sentir ridícula!
Comentários
aNa,
O post não é lamechas, nem ridículo.
E salta-me uma frase, que eu vou tentar nunca esquecer:"a nós coube-nos viver o momento, e posteriormente não o desperdiçar."
E está tudo dito :))
Colocado por: Karla | maio 25, 2006 07:12 PM
aNa,
qual lamechice? Post lindo, como é lindo ver-vos juntas, duas pessoas lindas que se amam. Muitos parabéns!
Colocado por: Jorge | maio 26, 2006 11:17 PM
Pois, chama lamechices a esses sentimentos que sabem muito bem!! ;) São sempre lamechices saudáveis!!
E olha lá, a cabeça não faz "apoios faciais invertidos" nem "rolamentos à frente/rectaguarda"!!!! Portanto, não faz Ginástica!!!brrrrrrr!!! ;)
Colocado por: Mistera | maio 30, 2006 11:40 PM