... dos objectos, a jarra

Foto: Jean-Marie del Moral
Não era exactamente uma jarra.
Fora, inicialmente, um frasco alto, de boca larga, daqueles que parecem sempre ter um qualquer destino. Daqueles que se guardam.
Sempre se lembrou dele como uma jarra. Com areia no fundo, a segurar os pés dos ramos daquelas flores de plástico, que descoloraram mas sobreviveram ao tempo.
Agora, na sua sala, era a memória da simplicidade da sua mãe.
Naquela jarra, ía alternando as flores do campo com as espigas secas mas, nunca, mesmo nunca, lá colocou uma rosa, ou um composto ramo de florista.
Eram demasiado efémeros, para tamanha memória.