... dos objectos, as botas

Vincent Van Gogh
Já cumpriram o seu destino. Protegeram do frio, da chuva, da lama e do pó das viagens.
São atiradas para um canto, quando o calor se calça de sandálias. Mas sempre voltam a ser calçadas, quando os pés pedem calor e conforto.
Com a chegada das botas novas, modernas, eventualmente mais bonitas, mas com muito menos quilómtros, com muito menos história, menos cumplicidade dos trilhos das serras, das pedras dos rios, menos moldadas aos pés que calçam, ainda assim, as botas velhas já não cabem no armário.
Ficarão guardadas no baú das coisas velhas, onde se guardam os trastes com memória, os trastes que, quem sabe, um dia ainda poderão servir. Já foram brilhantes, vistosas, usadas com orgulho, quando usadas pela primeira vez. E outra e outra vez, quando se moldaram aos pés e os protegeram do terreno difícil e das pedras que teimavam em entrar.
Ficam no baú, porque os companheiros de estrada, não se deitam para o lixo.
Comentários
Karla,
excelente o quadro do Van Gogh. Mas mais do que as botas, eu gostava dos socos que se usavam antigamente e que também não cabem nos armários. :-)
Colocado por: Jorge | julho 26, 2006 11:31 PM
Jorge,
és um típico transmontano. :)) Quem se lembraria dos socos?
Colocado por: karla | julho 27, 2006 10:57 AM
eu tenho umas botas com mais de 5 anos. todas gastas. horríveis! (o que a Maria dava para eu as deitar ao lixo!!!) e não consigo desfazer-me delas! :)
Colocado por: aNa | julho 27, 2006 12:40 PM
aNa,
não te desfaças. Nem sempre as novidades compensam as mudanças ;-)
Colocado por: karla | julho 27, 2006 12:54 PM