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Avenidas de Merda

[A JP do Faz de Conta respondeu a este desafio, assim:]

Doíam-me a carne e os ossos.

A alma já nem por isso.
O espelho lateral daquele carro estacionado em cima do passeio, mostrou-me papos negros que não acredito nos de anjo.
Ao endireitar-me, resmunguei que me doía a carne. Mas que raio esta história da carne.
Os passos perdem-se e acham a rua do risco ao meio.
Um pé para cada lado. Um no lado negro e outro no lado claro.
E pato vou, pé dum lado e pé no outro.
Mãos nos bolsos e cabelo à bolina, pé de um lado e pé no outro.
Este rego mediano deve ter servido outros fins.
Pé de um lado e pé no outro.
Dói-me a carne, ouves-me?
O vento bate-me nas pálpebras de mansinho.
Estaco perplexa no movimento das folhas, e junto os pés no início da avenida.
Percebo agora o rego.
Muita merda já correu para aqui.

Comentários

JP,
talvez por isso é que se diz que a carne é fraca ;-)
Como eu ando afastado dos blogs alheios (não por falta de vontade, mas de tempo), foi bom rever um texto teu. :-)

obrigado Jorge
:-)

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