Contos da minha janela VII - a outra janela
Da minha janela vêem-se outras janelas. Têm várias formas e cores. Mas há uma que sobressai. Uma janela banal, que dificilmente chamaria a minha atenção. Mas, nessa outra janela, havia uma mulher que, como eu, via o mundo através dela.
Sempre imaginei o que a levava a fazer o mesmo que eu. Que lhe teria acontecido para agir daquela forma? De que teria medo? Como pintaria ela o mundo? Seria com cores claras de esperança ou imitar-me-ia no meu recorrente pessimismo? De certa forma, aquela janela era como um espelho, onde me revia todos os dias.
Um dia, de repente, ela abriu a janela. Respirou o ar puro da manhã. Pouco tempo depois vagueava alegremente pela rua, com um vestido sensual que atraía os olhares dos transeuntes. Por instantes, fantasiei que ela pudesse vir tocar à minha porta. Mas ela seguiu, deixando-me simultaneamente desolado e esperançado que um dia seja capaz de seguir os seus passos.
Comentários
Gostei.
Colocado por: Paula Raposo | julho 24, 2006 11:46 AM
Paula,
obrigado. E eu também gosto de ver por aqui :-)
Colocado por: Jorge | julho 24, 2006 12:12 PM