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Contos da minha janela VIII - o louco

Ele passa todos os dias, clamando contra as injustiças, lutando contra dragões imaginários, perseguindo as moças novas que o desafiam, coleccionando os objectos que encontra e observa, de olhos e sorriso brilhantes. O seu olhar parece sempre alheado da realidade, buscando outros mundos mais maravilhosos do que este.

Só o Sr. Mário, do talho ao fim da rua, consegue mantê-lo calmo. Passa lá o dia, ajudando-o. Umas vezes sai sozinho para fazer recados, outras ajuda a transportar as carnes. A meio da manhã e a meio da tarde, vão os dois até ao café em frente comer qualquer coisa. Quando está ao serviço do Sr. Mário, parece diferente, parece assentar os pés na terra.

Quando o dia de trabalho acaba, volta ao seu mundo particular. Sempre temi a loucura. Mas o Sr. Mário ensinou-me que existe um lugar onde mesmo os loucos conseguem ser pessoas normais. Lá está ele a passar, mais uma vez, desafiando a lógica das pessoas com que se cruza. Eu observo, atentamente, nem me apercebendo que, na minha aparelhagem, Syd Barrett canta Arnold Layne.

Comentários

Jorge,
quem é o louco, aqui?

Karla,
de poeta e de louco, todos temos um pouco...

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