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Scolari e a selecção... mais um olhar sobre a meia-final perdida

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Foto daqui.

Depois dos rescaldos das minhas ilustres colegas de blog e do desenho sempre oportuno do Raim, também quero aqui deixar o que penso sobre o Scolari e sobre a eliminação de Portugal, para que não fiquem dúvidas sobre o que penso.

Vou começar por falar do Scolari. Para mim o Scolari teve, durante o tempo que orientou a selecção, pontos positivos e negativos. Do meu ponto de vista, o balanço é positivo. Mas isso não quer dizer que se possam esquecer os pontos negativos. E em alguns casos, a mesma situação teve aspectos positivos e negativos.

Começando pelo caso que levantou mais polémica: Vítor Baía. Por muito que gostasse mais do Ricardo, o seleccionador nunca trabalhou com o Vítor Baía. Concordo quando diz que não tem de explicar por que motivo não convoca um jogador. Vários motivos foram apontados para a ausência do Vítor Baía. Um deles foi por ser testemunha num processo contra Gilberto Madail. Outro seria para não colocar pressão sobre o Ricardo, o seu preferido.

O primeiro não comento, pois demonstraria falta de carácter, o que não me parece. O segundo também não acho justificável. Se olharmos para a selecção alemã, onde Kahn perdeu o lugar para o mais jovem Lehman, vemos que é possível compatibilizar rivalidades. Se Lehman se lesionasse, havia um suplente de luxo. E se Ricardo se tivesse lesionado, ou fosse suspenso por cartões amarelos? Pelo que se conhece de Scolari, teria sido o Quim, que era terceira escolha no Benfica, apesar da melhor época do Paulo Santos. E quantas vezes ambos jogaram pela selecção? Isto para não falar que a primeira escolha para terceiro guarda-redes tinha sido Bruno Vale.

É claro que esta opção teve um aspecto positivo. Ricardo, na selecção (não no Sporting), estava mais moralizado que nunca, capaz de deixar tudo em campo pelo treinador que pôs as mãos no fogo por ele. Mas o que teria acontecido se Ricardo se lesionasse? Felizmente, nunca aconteceu. E eu, ao contrário de outros, nunca desejei que tal acontecesse, mas o receio acompanhou-me durante estes tempos, especialmente quando o Ricardo correu o risco de ficar fora da final, caso tivesse um cartão amarelo.

Relativamente às outras escolhas, não tenho muito a dizer. Embora não concorde com algumas, percebo a lógica de grupo que ele implementou na selecção. Mesmo que não tivesse os melhores jogadores, a coesão do grupo foi muito importante para chegarmos onde chegámos. Foi uma lição importante para futuros seleccionadores.

Também nada tenho a dizer sobre a sua teimosia. Um treinador tem de ser teimoso, caso contrário está na profissão errada. Se não levar as suas ideias até às últimas consequências, não serve. É por isso que, no fim, o treinador é julgado pelo seu desempenho. E, apesar dos pesares, os resultados falam por si, a acção do Scolari acaba por ser francamente positiva. E é por isso que as críticas, quando fundamentadas e não meros insultos, devem ser acatadas com naturalidade.

Analisando agora os jogos onde Scolari falhou. Essencialmente, foram dois: com a Grécia, o primeiro do europeu, com a França, nas meias-finais do mundial. De referir que na final contra a Grécia penso que pouco poderia fazer, dado que era a primeira vez que Portugal estava numa final, e logo com a responsabilidade de ser favorito e contra a selecção que tinha infligido a única derrota. O problema nesse jogo, a meu ver, foi o facto de os jogadores não terem conseguido lidar com a pressão.

No primeiro jogo, contra a Grécia, o problema foi ter deixado no banco jogadores que estavam em melhor forma do que os seus (de Scolari) titulares. Corrigiu isso, logo a seguir, conseguiu até transformar isso em algo positivo, mas permitiu que a Grécia passasse a primeira fase e nos viesse a derrotar na final.

No jogo contra a França, o problema foi não ter arriscado a partir do momento em que estava a perder. É certo que foi condicionado pela lesão do Miguel, ficando com apenas duas substituições. Mas jogar com apenas um ponta-de-lança todo o jogo, e estando esse ponta-de-lança sempre ausente, é algo que não se percebe. Quando tirou Pauleta, foi para colocar mais um extremo, mais um para despejar bolas para a área onde não estaria ninguém, só depois é que foi buscar outro ponta-de-lança, o Postiga. Não vou falar da opção do Postiga em vez do Nuno Gomes, porque não faço ideia da forma do último. Apenas posso especular que, sendo o aniversário do Nuno Gomes, e tendo ele marcado o único golo na última vez que as duas equipas se defrontaram oficialmente, talvez este estivesse mais motivado do que nunca para mostrar serviço. Mas, como disse, esta parte é mera especulação, não sei se o Nuno Gomes fez por merecer a confiança.

Posto isto, será que o Scolari deveria continuar a orientar a selecção? A meu ver, não. Não porque não o considere competente e, como já disse, penso que o balanço é positivo. Mas também penso que os ciclos não devem ser intermináveis. E penso que, para bem do próprio, Scolari deve abraçar novos projectos, ou acabará por se acomodar e perder a sua ambição. E nada é pior do que isso. Além disso, a primeira vez que falhar, todos vão esquecer o que ele fez até agora. Saber sair na altura certa também é uma virtude dos verdadeiros campeões.

Depois de tanto falar do Scolari, quero falar da justeza da eliminação de Portugal. A justeza do futebol é sempre relativa. Em última instância, é justo vencedor quem marca mais golos. No caso do jogo de ontem, quem marcou foi a França. Logo, é justo vencedor.

No entanto, penso que Portugal foi superior à França durante todo o jogo. A França não fez quase nada para vencer. Aproveitou um lance furtuito (e infeliz de Ricardo Carvalho) para se colocar em vantagem, e depois limitou-se a defender essa vantagem. É claro que, se fosse Portugal a fazer isso e ganhasse o jogo, estaríamos todos contentes. O que faltou a Portugal, a meu ver, foi o Scolari não ter arriscado mais, como já referi acima.

Quanto ao árbitro, penso que não se pode estar sempre a justificar as derrotas com erros dos árbitros. Para mim era óbvio que o árbitro, tal como muita gente no futebol, preferia ver a França e o Zidane na final, uma despedida digna do seu curriculum. Se Zidane for campeão, sairá pela porta grande, como poucos, ou ningém, conseguiram fazer até hoje. Só assim se percebe que Zidane não tivesse levado um cartão amarelo. Assim como Patrick Vieira. Mas os jogadores portugueses já deviam estar preparados para isso. Depois de tudo o que se disse sobre a selecção portuguesa, devíamos estar preparados. Nos lances de penalties, já se sabe: o que aconteceu na área portuguesa foi marcado, o outro não.

Mas, independentemente dos lances, e tendo em conta que num jogo de futebol tem sempre de se ter em conta a possível falha humana do árbitro, Portugal não conseguiu dar a volta por cima. Não penso que seja falta de experiência. Poderíamos ter mais, não fossem o não apuramento em 1998 e o completo desastre de 2002. Mas estamos a falar de jogadores que jogam em grandes clubes, de campeões europeus de clubes, de vice-campeões da europa, de campeões mundias de sub-20. Se isto não é experiência, então o que é?

O que faltou foi ambição. Também um pouco de sorte. E faltaram os "ses". Se Figo tivesse cabeceado bem a bola, se Deco tivesse jogado ao seu nível, se Pauleta não estivesse tão apagado lá na frente, se se se... Portugal perdeu uma boa oportunidade de chegar à final. O que me custa, e custará a muitos, é que Portugal foi eliminado num jogo em que foi superior à França. Em 2000, a França foi superior e ganhou, independentemente da polémica do penalty. Em 2006, Portugal foi superior e não ganhou, por culpa própria. Isso é que chateia.

Comentários

Não há nada a fazer, hoje ficamos todos a falar do mesmo. Não esquecer que uma final Alemanha-França é mais rentável que outras e que um árbitro é um árbitro. Portugal? Quem?

Quem diz Alemanha-França diz França-Itália, dá no mesmo.

É claro que o árbitro não foi imparcial. Nem nas faltas, nem nos cartões e especialmente no penalty que não assinalou. Mas a maior verdade de todas é que não conseguimos marcar... e tivemos pelo menos 3 jogadas de baliza aberta.

propanol,
fugiu-te a boca para a verdade, a final desejada era com a Alemanha. ;-)
Entretanto, o Podolski (da Alemanha, pois claro) lá ganhou o prémio para o melhor jogador jovem ao Ronaldo...

Carmo,
esse é que foi o problema. Se tivéssemos marcado, poderíamos dizer que ganhámos contra tudo e contra todos. Assim, falar do árbitro soa a mau perder.

No caso do Baia não concordo o gajo é um venenoso no balneário. Veja-se o caso com o Mourinho que o sobe por na ordem o Scolari tinha outra maneira de lidar com a situação, tinha alternativas.
No caso do jogo com a França jogamos melhor que contra a inglaterra e Holanda mas os Franceses são superiores mais eficazes, se o ricardo carvalho não tivesse feito o penalti era golo.
Os franceses depois fizeram o que nós fizemos contra a Holanda defenderam e bem.

Professor Neca,
em relação ao Baía, diz-se muita coisa, mas ele é de facto, no mínimo, um dos 3 melhores guarda-redes portugueses. Também se diz o mesmo do Oliver Kahn, e ele foi ao mundial. De qualquer forma, Scolari teve sorte, pois se o Ricardo se tivesse lesionado, era uma grande complicação.

Jorge
uma coisa é ter jogadores experientes, outra bem diferente, é ter uma equipa experiente!
mas, mesmo seguindo a tua lógica de experiência, só o Figo encaixa realmente nesse estatuto!
um jogador não se torna experiente porque ganha uma competição. tem de ganhar mais.
por exemplo: a experiência adquirida pela conquista de uma Champions League, dilui-se rapidamente no tempo se não for acompanhada de conquistas sucedâneas.

aNa,
não é só o Figo. Então e o Deco (se não me engano até tem mais títulos europeus de clubes que o Figo), que foi outra vez campeão europeu este ano?
A equipa francesa já tinha acabado. Este treinador é que conseguiu ir buscar os "velhos" que tinham abandonado (Zidane, Thuram, Makelele) e obrigou-os a voltar. Mas reafirmo, tiveram sorte contra Portugal, e só serão campeões se a Itália estiver em dia não.

Jorge
não me estou a fazer entender... volto a repetir que, um punhado de jogadores experientes em clubes, não faz uma equipa da selecção nacional experiente.
mas, de qualquer forma, o Deco? o Deco é um menino... e provou isso neste último jogo!
e o argumento que mostras em relação à frança, só me dá razão: os jogadores mais experientes vieram, na hora da verdade (apuramento) tornar o sonho realidade.

ah... e não compares ainda, como jogador da selecção, porque é disso que estamos a falar, o Deco com o Figo!!
o Deco poderá ir mais longe... ou não! mas, por ora, nas pernitas do Dequinho, ainda faltam muitos jogos com a camisola das quinas. e o estatuto de craque é assim que se adquire. com muitos, muitos jogos, e ele sempre lá!
temos pontos de vista diferentes. talvez porque sejas homem e eu mulher. talvez porque as nossas experiências sejam diferentes...

Ó aNa... ficas bem assim desenhada! :D

aNa,
pensamos mais ou menos o mesmo mas com ênfases diferentes. ;-)

Bilhas,
mas olha que a aNa ao vivo ainda fica melhor ;-)

Concordo plenamente com a análise feita.

Cruzeiro do Tejo,
eu penso que, felizmente, mais coisa menos coisa, discordando num ponto ou noutro, todos pensam o mesmo (com as excepções de sempre).

como se faz u cartao de socio da seleccao?

Vá lá, comenta à vontade:



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