Pergunta:
Caro ante et post,
eu e o meu marido lemos o ante et post antes de nos deitarmos e fazemos amor tantas vezes quantos os posts que vocês colocam. Gostamos, em particular, quando vocês perdem a cabeça e fazem posts à fartazana. Houve dias em que o meu Zé teve dificuldades em cumprir este nosso hábito. É claro que, nos últimos dias, as coisas correram mal. Por isso pergunto, será que posso processar a AEIOU pelo decréscimo quantitativo da minha vida sexual?
Olga Ratacova, Raispartinegrado
Resposta:
Cara Olga Ratacova,
não sabemos responder, nós é mais posts... Mas é curioso, porque enquanto a sua vida sexual estava em baixo, aqui o pessoal estava todo f*****.
Despertei com a luz do Sol que penetrava na fresta que servia de entrada à tenda. Mal me levantei as duas anciãs que permaneciam de cócoras vigiando a jovem, cobertas por pequenas marlotas, braços carregados de mananas cujas agulhas, batendo umas nas outras, faziam um estranho tilintar, com ar de malcomidas, saíram sem içar as cabeças. Dirigi-me à fenda, semicerrada por dois magnetos, espreitei a machamba que a rodeava. Num ápice toda a tenda fora inundada, pelo cheiro das madressilvas e das magnólias. Fiquei ainda uns momentos escutando o chilrear dos maria-é-dia, antes de reentrar. Nunca tinha visto a jovem “quase-virgem” à claridade da luz. Deitada em marroquinas, longas madeixas de cabelo cobriam-lhe o peito. À espreita, não maiores que marmelos, os seios que, apesar de insensíveis, ainda me seduziam.
O nubente assistiu macambúzio ao ritual que se seguiu. De facto não era espectável que, após uma tão excitante cerimónia de iniciação, a passagem seguinte assumisse um tão maçadiço teor. Assim para vos poupar a uma macarrónea crónica, apenas refiro que a jovem foi conduzida numa maca, acompanhada por duas anciãs, para uma tenda isolada, colocada nas cercanias da aldeia. Mal acabou de entrar, o futuro noivo estendeu-me a mão, no que foi retribuído. E sem a largar conduziu-me ao meu lugar, previamente reservado na mesa principal, precisamente do lado direito do chefe. Ele sentar-se-ia à esquerda. Os pratos exóticos de jamantes e jeticas, de miolos de macaco servidos na própria cabeça, de língua de jacaré numa espécie de estufado, que ía chegando em grandes travessa de barro cru, de espetos de láparos apenas separados por folhas de urtiga fresca, de jambé, de rabo de boi com natas de leite de morcega, misturavam-se com alguns dos mais conhecidos pratos ocidentais, como o javali assado em forno de lenha, estaladiço, rodeado de laranja e maçarocas de mabalemade cozido, macedónia de frutas, lulas (embora de um tamanho inusitado) recheadas com linguiça, nêsperas em calda de açúcar, muito marisco de casca e pardais nidífugos fritos em óleo de nicori. E foi com este repasto, de que não hesitei em provar todas as iguarias, que me saciei de uma fome de três dias. Adormeci bebendo um chimarão, não de erva-mate como seria de esperar, mas de uma mistura de gengibre e macela.
Pergunta:
Caro ante et post,
a minha prima é, segundo dizem, bondosa como aquela coisa com que se faz pipocas (já não me lembro). A questão é que, na semana passada, ela debruçou-se para apanhar a roupa que caíra ao chão e eu pequei, dado que transgredi o 9.º mandamento. Assim, durante a noite, tive um sonho húmido com ela, e agora estou num grande dilema. Será que continuo a poder seguir a minha vocação: ser padre? É que tenho medo de, com o meu sonho, ela poder estar grávida.
Prudêncio Inocêncio, S. Jerónimo dos Quatro Caminhos
Resposta:
Caro Prudêncio Inocêncio,
posso garantir-lhe que as probabilidades de a sua prima ter engravidado são muito remotas. O último caso registado com contornos semelhantes ocorreu há mais de 2000 anos. Assim, a menos que veja um anjo a pairar sobre a casa da sua prima, penso que pode estar tranquilo. Mas, não vá o Diabo tecê-las, envie-me o contacto da sua prima, para eu poder verificar a fidedignidade de uma das suas afirmações.
Pergunta:
Caro ante et post,
estou com um grande problema. Eu queria contratar uma empregada doméstica e a minha mulher também disse que precisava de um jardineiro. No entanto, eu não sei falar ucraniano. O que devo fazer?
João Pestana, Carroçais de Baixo
Resposta:
Caro João Pestana,
não se preocupe, se os objectivos são limpar a casa e cuidar do jardim, a língua não é o mais importante.
... porque nos preenche a espera do reencontro.
Porque floresce a memória e nos alimenta o desejo.
Saibamos viver plenamente o presente, pois ele será a saudosa lembrança de amanhã.
Desde miúdo que me emociono com esta música. Naquele tempo e ainda hoje serás sempre o meu herói. Obrigado por tudo!
Pai
Fábio Jr.
Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez
Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta Longos anos em busca de paz....
Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo, tô tentando vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer...
Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e não vou ficar mudo
Pra falar de amor pra você
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver
Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu
Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só recostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho , que hoje eu sigo em paz !!!!!
Os membros da tribo só saíam da aldeia por dois motivos. Caçar e, quando se tornava necessário, iniciar o ritual do casamento. Era da tradição que qualquer jovem da tribo, antes de casar, fosse desvirginada por um “estrangeiro”. Por um lado, a jovem nunca seria acusada pelo futuro marido de que tivera tido um romance antes com alguém do mesmo grupo. Isso diminuía drasticamente as relações de desconfiança. Por outro lado, uma vez que a cerimónia era pública, haveria a certeza que a jovem era virgem antes do casamento. Desta vez, o estrangeiro escolhido fora eu. Quando a jovem parou de lacrimejar, respirei fundo. Abstraí-me da plateia e fiz amor com ela. Para ser preciso, o acto durou apenas o tempo de a desflorar. Uma ladainha ecoou em todo o anfiteatro e como que por magia, as nuvens, que desde há horas cobriam os céus, desapareceram e o luarejar misturou-se com a luz dos archotes. Foi um acto lancinante. Para mim, por me ter prestado a tão lapuz ritual. Para a implume jovem, porque o seu rosto se contorceu de dor no momento da penetração. Quando a ladainha que as anciãs entoavam em uníssono terminou, o chefe ergueu alto o lábaro com as armas da tribo - um falcão com focinho de jacaré. Numa lemniscata desenhada no chão, onde num dos círculos me sentei e, no outro, se sentou o futuro noivo, o tratado que antes haveria assinado com sangue, foi-nos lido em voz alta, por uma espécie de feiticeiro. Teria de ficar na aldeia até que a gravidez da jovem se consumasse.
Keepsakes: A Collection é uma colectânea a não perder. A voz de Julianne Regan é do melhor que há, como se pode comprovar neste registo ao vivo do seu grande êxito Wild Hearted Woman.
Letra
Baby sings the blues... for you
She may get happy later
Baby cries for comfort
For something to surround her
And when she sings it
You believe her
How everyone she ever knew
Would leave her spinning 'round
All on fire
Another wild hearted woman
Another child with the stars in her eyes
A wild hearted woman
And she's falling... falling
Baby's lost her soul... to you
Call her a fallen angel
Stormy weather forever
With every friend a stranger
Lost little girl
In hurricanes of love and pain
Locked in her world
Of daisy chains and love and pain
Trying to find peace of mind
Another wild hearted woman...
Avisam-se os interessados que os diabos vermelhos ingleses tremeram que nem varas verdes (já repararam que as varas verdes tremem bué... as verdes!!!!) ao saberem que lhes calhou em sorte os Diabos Vermelhos de Portugal.
Grupo F
Manchester United
Celtic
S.L. Benfica
F.C. Copenhaga
Lá vamos nós ter que tratar da saúde aos moços. No entanto acho que eles conseguem o segundo lugar do grupo. Não acham? E o Cristiano até merece!
Espero que não tenham esquecido ___e ter escrito isto no início de Agosto, e estar ainda de férias, faz com que não tenha mesmo nenhuma percepção das reacções ao pedido que vos fiz___ mas há um desafio no ar desde 7 de Agosto.
As Confissões Sexuais (possíveis) de Um Anónimo Português acabaram quanto à parte que me toca... Agora são vocês que devem continuar o relato à vossa maneira (SEM Pornografia, Obrigada!). Jorge, Pre, Bilhas, Dani, Raim, Andrade, parceiras, adorados visitantes, estou a passar-vos a batata quente!
Quando chegar, assim bem moreninha (cof cof), espero encontrar este Ante mais Post que nunca!
Continuando na senda das mulheres maduras, teria eu os meus trinta e poucos anos e, numa das curvas da vida, choquei com uma mulher que fez aqueles meus dias parecerem uma corrida de Fórmula 1, tal era a velocidade e adrenalina com que vivia.
Sendo eu na altura casado, não era suposto que acontecesse.
Não vou, Maria, descrever as tardes de amor (ou seria só sexo?), as longas cartas trocadas (ainda não havia MSN) ou até, todos os pretextos que serviam para nos encontrarmos, ainda que por breves momentos.
Nunca a incomodou o papel que lhe era reservado naquela relação proibida. Sabia exactamente o vértice que ocupava naquele triângulo. Sabia tirar partido das vantagens que só ela encontrava no facto de não podermos estar juntos nas datas festivas, nem nas férias, na dificuldade de passarmos uma noite juntos, no receio que tínhamos de sermos vistos juntos no cinema, de tudo se passar dentro de portas. Ninguém como ela, valorizava todos os minutos que podíamos estar juntos. Nunca me pediu nada e tudo recebia com um brilho nos olhos.
A única vez que abordei a possibilidade de ficarmos juntos, só me falou de roupa para tratar, jantares para fazer, obrigações com os filhos, noites em frente à televisão, sexo porque sim …
Pai... e pensava eu que te ia dar uma boa prenda! Muito obrigado pelo excelente dia, pela companhia, pela conversa, pelas histórias, pelos abraços nos golos do Benfica e acima de tudo muito obrigado por seres um grande amigo!
PS: Vocês haviam de nos ver aos pulos no golo do Rui Costa! Espectáculo... como disse o meu pai "... agora até vai dar vontade de ouvir o sorteio da Liga dos Campeões na TSF!" Pois vai! Vai mesmo!!!!
Apesar da minha fraqueza física, motivada pela fome e quiçá pela situação inusitada, não quis parecer um qualquer jagodes. Levemente acariciei-lhes os seios. Primeiro um, depois outro. Tive uma surpresa. Não posso jactar-me de ter tido muitas mulheres na minha vida. Ainda sou relativamente jovem, falta um bom par de anos para atingir os quarenta. Nunca tive nenhuma mulher insensível ao toque nos mamilos. Pensei que a minha inabilidade ou a minha retracção fossem as responsáveis. Toquei-lhes com a ponta da língua numa tentativa de os bolinar. Nenhuma reacção da jovem, nem um tremor, nem uma expressão de prazer. Completamente insensível. Num instante, o chefe da “tribo” levantou-se e começou a jacular. Tal a velocidade com que emitia os sons, uma evidente forma primitiva de fala, que o joco se instalou entre os assistentes. Arrepiei no meu jogo amoroso e acto contínuo a jovem começou a jeremiar. Fez-se silêncio, só não absoluto porque, do goto da rapariga, se escutava um ténue choro. Alguns dias mais tarde, entendi essa insensibilidade dos seios das mulheres da aldeia.
Os seios da jovem apresentavam-se hirtos. Os mamilos, de um castanho-escuro, pronunciado, destacavam-se da tez cor de mel do próprio peito. Olhando ao redor, nenhuma das fêmeas, diga-se em abono da verdade, bem mais idosas, tinha semelhanças com aquela. De resto, o homozigotismo não parecia ser a característica daquela variante da raça humana. Sem nunca deixar de se insinuar, pegou-me na mão e encaminhamo-nos para uma enxerga de vime, estrategicamente colocada, onde todos e cada um dos presentes poderiam observar-nos. Fiquei de joelhos em frente de um corpo estendido. Imotos. O jovem corpo feminino e eu próprio. O rapaz imberbe e nu, aproximou-se. Numa mão aportava uma folha de papiro que me apresentou e uma faca que mais parecia uma catana miniaturizada. Na outra, uma jaca. Passou-me a folha de papiro para as mãos e quase me obrigou a ler. A disposição dos caracteres, a fazerem-me lembrar línguas estranhas, códigos antigos, como que indecifráveis hieróglifos, tinha todo o aspecto de um hiopocraz. Fez-me entalar a jaca entre os dentes, a qual, instintivamente, mordi, no momento em que um corte fino no meu dedo indicador era perpetrado pelo próprio jovem. A dor aguda fez-me trincar a jaca em duas metades. O dedo, sangrando, foi-me feito colocar, como que assinando um testamento. Depois, virou as costas e foi tomar um dos dois lugares mais altos da plateia, ao lado do chefe da tribo. O hipocraz que um dos, aparentemente, súbditos de menor estatuto, me fez ingerir, seria feito, não da maneira convencional, pois em vez do costumeiro vinho na sua constituição, mas de uma espécie de aguardente pura de alto teor alcoólico. A partir desse momento, apenas os seios da jovem concentravam a minha atenção.
Há quem promova esta viagem, na categoria das viagens de aventura.
Tenho para mim, que é a promoção da miséria humana, para gente miserável.
É legitimar o pior das sociedades modernas, é desculpabilizar o poder ... ou será que devíamos ter mantido o Casal Ventoso, como atracção túristica?
Lembro-me de algumas coisas da minha infância com mais clareza do que me lembro do que comi ontem. É... quase sempre tenho de fazer um esforço para conseguir me lembrar o que comi no dia anterior, mas recordo-me com uma exactidão espantosa de alguns momentos da minha infância e juventude.
Um desses momentos especiais foi a primeira vez que o meu pai me levou à bola. Foi um S.C. Espinho X S.L. Benfica ganho pelo segundo (como só poderia ser) por 0-1. O Autor do golo chamava-se Néné. Esse mesmo que tem uma filha transexual e que nunca sujava o equipamento (verdadeiro amor à camisola, não é?). Recordo perfeitamente a ansiedade que sentia nesse dia. Ia ver a equipa que admirava, juntamente com o meu pai e os amigos dele (admiradores do Benfica também) e tinha para mim que aquele ritual me incluíria no grupo dos homens que iam à bola. Recordo a forma como o meu pai me explicava tudo o que se ia passando à minha volta, o olhar de soslaio e orgulhoso para o filho que ostentava o seu primeiro cachecol do Glorioso e a alegria que sentia por poder festejar a vitória ao lado do seu "herdeiro" mais novo. Nessa noite demorei horas para adormecer.
Amanhã vou poder retribuir esse momento. Vamos estar os dois no Estádio da Luz a puxar pela nossa equipa, sendo que antes vamos ter a oportunidade de passar quase um dia inteiro juntos. Não vos consigo descrever a alegria que sinto por poder levar o meu pai à bola. Será qualquer coisa parecida com um "obrigado por tudo", mas nunca será o suficiente para lhe agradecer tudo o que ele me deu.
Agora só para ele: Pai... amanhã está a acordar cedinho que eu passo aí em casa às sete e meia, ok? Toca de levar o cachecol e paciência para me aturares o dia inteiro. Beijo aqui do filho traquina!
Em jovem, as mulheres maduras exerciam em mim, um fascínio quase hipnótico. Hoje, quase a cair de maduro, vejo-me a cobiçar corpos de jovens ninfas.
Teria os meus 16 ou 17 anos, era um verão quente e a vizinha do 3º andar, sem qualquer pudor, despia-se de roupa e de preconceitos. Era uma mulher gostosa, de formas bem proporcionadas que insistia em apreciar e medir no espelho do elevador, sempre que nos cruzávamos, à entrada ou saída do prédio.
Naquele dia, com a blusa mais aberta a deixar antever a pele bronzeada, lançou-me um “Anda daí, quero mostrar-te uma coisa”. Segui-a, obediente. Mal a porta se fechou atrás de nós, senti-me a desfalecer. Fiquei à espera. Não esperei muito, até me presentear com um beijo. Nunca tinha sido beijado assim. Continuei imóvel, até ser conduzido na ponta dos pés, até ao quarto de casal, onde nos esperava uma cama desfeita. Consegui coragem para meter as mãos por dentro da blusa, agora toda aberta e agarrar-me ao seu corpo quente. Já na cama, debaixo do lençol, fechei os olhos para só sentir a minha cabeça entre os seus seios macios, enquanto os seus beijos percorriam os meus olhos fechados. Guiou-me para dentro dela e, uma vez lá dentro, apoderou-se de mim, uma tal sensação de poder que, quando me murmurou ao ouvido “Acho que te podes mexer um bocadinho”, explodi numa felicidade imensa.
Nunca mais a vi, Maria. Nem no elevador, nem na cama. Mas ainda tenho comigo, o sabor daquele beijo. Dr. Freudulento 18 de Junho de 2005, no Chez Maria
Repeti o 11° ano, repeti o 12°, voltei a repetir o 12° para melhorar a média, mas com 20 anos consegui entrar em Engenharia dos Têxteis na Covilhã.
Não se pode dizer que não me tenha servido para nada essa experiência. Para além de ter ficado a odiar climas frios, nunca mais perdi um certo pragmatismo que me foi muito útil para o resto da vida. E lamentavelmente, foi pouco tempo depois de sair da Covilhã que descobri que estava com um início de tuberculose. Aqueles ares até me podiam ter feito bem.
Mas mal vi a Paola percebi que tinha que a seguir. A Paola era uma estudante de design industrial que apareceu na Covilhã para pesquisar técnicas de tecelagem tradicionais e a evolução dos processos de fabrico a partir das formas originais. Eu vi logo que era imperativo conhecer e pertencer ao mundo que produzira uma pessoa com aquela beleza e encanto e mistério e reserva e sentido estético. Tive dificuldade em acreditar quando me disse que era virgem e ainda mais, quando salientou que estava noiva. A minha história com ela é longa e marcada por rudes afastamentos e ternas aproximações. Foram necessários mais de doze anos para que ela aceitasse deitar-se comigo.
Vivi assim numa castidade quase absoluta entre os vinte e os trinta e dois anos. De início, a abstinência era-me penosa, mas depois fui-me habituando e deixei de pensar nas mulheres. Em contrapartida, as minhas ocupações e as minhas leituras profissionais, as conversas com gente instruída e inteligente, que não falta em Milão, tornavam-me a vida interessante. A minha saúde era bastante boa; continuava a ter um peito débil e a ser nervoso, mas a tuberculose já não me ameaçava. As poluções nocturnas iam rareando; ocorriam, ao princípio, uma vez por semana, depois uma vez de quinze em quinze dias, e por último, à volta dos trinta anos, uma vez de vinte em vinte dias ou de mês a mês. Eram sempre acompanhadas por imagens dos orgãos sexuais da mulher. Contrariamente ao que tinha lido em livros, verifiquei, pela minha própria experiência, que o instinto sexual é tanto mais estimulado quanto mais satisfeito for e que se apazigua, se acalma, quando se presta menos atenção aos seus apelos. Embora pareça estranho, é indubitavelmente assim que se passam as coisas. Quantas mais vezes se pratica o coito, tanto mais se deseja renová-lo.
Comprovei-o bem nas minhas relações com a Paola. Era logo após vários coitos seguidos e esgotantes que o desejo se tornava mais acutilante, mais agudo, e que se tornava difícil satisfazê-lo. O coito normal não satisfaz a imaginação excitada: procura-se toda a sorte de refinamentos, de perversões. Neste aspecto, não sou uma excepção, todos os homens me disseram que tiveram uma experiência idêntica.
[Neste capítulo as Confissões sexuais de um anónimo português e de um anónimo russo colaram-se uma à outra. Se preferirem as do russo, e estão no vosso direito, repito que é a ASA que as publica.]
Tradução gentilmente cedida pelo nikonman, em comentário a este post:
PROVA = As mulheres são más
É reconhecido e não há dúvidas que as mulheres exigem Dinheiro e Tempo.
Daí que:
Mulheres = Tempo x Dinheiro
E todos nós sabemos que Tempo é Dinheiro.
Tempo = Dinheiro
Pelo que
Mulheres = Dinheiro x Dinheiro = (Dinheiro)2
Também se sabe que o Dinheiro é a raiz do Mal
Dinheiro = √Mal
Por isso
Mulheres = (√Mal)²
Pelo que se conclui que
Mulheres = Mal
(para mais traduções de alemão, contactar o autor deste comentário. Preços acessíveis com atendimento personalizado. Não vai a casa mas recebe grupos ou individuais. Descontos para Empresas mencionadas nas Listas Caloteiras. Campanha de Outono, a partir de 15 de Setembro: paga uma, leva duas*)
Prémio instituído por mim próprio para os termos de pesquisas que acabam por dar no Bilhas. Segue então a lista de categorias, os respectivos premiados (os termos claro, porque não sei quem é que raio procura estas coisas) e alguns comentários do júri (ou seja aqui o vosso amigo).
Categoria "É lógico que acabem por chegar ao Bilhas!"
1.º lugar: bilhas
(porque é óbvio que mais tarde ou mais cedo teria que chegar ao Bilhas. Se bem que também há um em Nisa)
2-º lugar: butano
(porque butano é a alma da bilha)
3.º lugar: rui costa chorou marcar golo
(nem sequer vou comentar. Quem procura pelo Rui Costa ou pelo Benfica arrisca-se a chegar ao Bilhas.)
Categoria: "Põe-te a fanques que a PJ está atenta à pirataria!"
1.º lugar: smart cards for tv cabo
(só não percebo é como chegaram ao Bilhas. Eu até sou contra a pirataria e tenho o meu software todo legalizado. Já para não falar na ligação à TV Cabo que está nos conformes. É verdade... quase me esquecia experimenta pesquisar sem o "for". É um termo em inglês e assim complicas a coisa!)
2.º lugar: keys tv cabo
(esta foi logo a seguir. De certeza que anda aí gajo a querer "crackar" as ligações da TV Cabo. Quem é que fará estas maldades!?)
Categoria: "Já me pronunciei sobre esse assunto. Para saberem mais podem falar com os meus assessores!"
Lugar de tudo ao molho e fé em Deus: reconquista de ceuta; svieira blog; livro tubarao peter benchley; atlantida(de alguma forma pode ser consultada jurisprudência sobre estes assuntos no BIlhas ehehehe)
Categoria: "Completamente perdidos! Mais perdidos ainda que os da série Perdidos! Muito perdidos mesmo!"
1.º lugar: cumprimentos diários de esquimó
(só porque um gajo fala do Café esquimó em Espinho! Realmente estas pesquisas não são assim tão inteligentes.)
2.º lugar: ora pois videos e fotos
(vídeos e fotos ainda se percebe! Mas o "ora pois" era completamente desnecessário, não vos parece?)
3.º lugar: mensagens de parabens sms fixe
(logo eu que nunca dou os parabéns por SMS! E que não tenho pachorra nenhuma para os escrever... quanto mais arranjar mensagens sms fixe)
4.º lugar: ar condicionado portatil é bom mesmo?
(ó amigo que procura por estas coisas! Vá a uma loja da especialidade, pá! Perguntar dessas coisas ao google é o mesmo que pedir para encontrar páginas sobre Bilhas)
Categoria: "Vê lá se queres levar com uma bilha nos olhos!"
1.º lugar: rabudo
(Se eu apanho o gajo, ou gaja, que chegou cá através deste termo eu dou-lhas! Rabudo eu? Que raio de ligação estes gajos encontram entre bilhas e rabudos!? Será que procuravam pelo outro Rabudo? Aquele que também é conhecido pelo Belzebu?)
2.º lugar: frases engraçadas para perdedores
(ó meu amigo! Frases engraçadas é certinho que encontra aqui, mas para perdedores? Isto é lá blog disso? Veja lá se não vamos ter chatices, ou então leva com a frase "és o elo mais fraco, adeus!")
3.º lugar: tortura das bilhas
(como é que é possível!?!?!?!?!?! Tortura das Bilhas? Mas eu lá torturo alguém? De vez em quando até coloco umas fotos da Scarllet e tudo!!!! Vou processar o Google por esta!)
Nesta fase em que a grande maioria (lá estou eu nas minorias!) dos Portugueses começa ou termina as férias... aqui fica um exercício que daria muito jeito!!
Anónima e vestindo a pele e as fantasias masculinas, escrevi um dia, no Chez Maria. A propósito do desafio da Lilly trago agora, para aqui, alguns desses momentos, vividos no divã.
Horas e horas sem me alimentar, atentava-me uma mesa assim. Não sabia a composição dos alimentos, mas isso não era importante. No entanto, permaneci imoto. Seria imperdoável tomar a iniciativa. Mais que imperdoável, inadequado e imbecil. O chefe tinha um aspecto rude, a atingir laivos de imane. Qualquer tentativa, mesmo que imaculada poderia ser considerada uma imisção nos costumes. Esperei. A cena que se seguiu é imperdível, mesmo para um observador externo. Dois jovens, um rapaz imberbe e uma moça implume, aproximaram-se, nus. Alguns dos indígenas desviaram-se abrindo caminho para o jovem par. O que se passou de seguida é, para um leigo nos costumes, inarrável. Como que impetrando, os olhos da rapariga dirigiram-se a mim. Não teria mais de 16 anos o que me começava a incomodar. Embora celibatário, qualquer relação que pudesse haver entre nós me pareceria ímpia. Mas, as circunstâncias, não me permitiriam impeticar com os anfitriões. Deu-me a mão e obrigou-me a levantar. Uma a uma, num ritual de sensualidade, retirou-me as vestes. Senti-me impotente para parar aquela espiral de emoções. Nunca fui casado, nunca tive filhos, mas qualquer acto que eu cometesse me acometia de incestuoso. Se alguém, da minha cultura, me visse, face a tão inusitados preparos, me acharia inábil. No entanto, o jogo iria continuar.
Bastaram 2 dias, sozinha em casa e doente, para o meu quarto parecer um campo de batalha.
À minha volta, tudo o que me faz falta. Telefone, portátil, comando de TV, revistas, livros, caixas de medicamentos, garrafas de água vazias, caixa de pizza, manta de lã, termómetro (de mercúrio).
A roupa espalhada, a cama desfeita, as gatas ... afinal, não estou sozinha. rrronnn rrrooonn
Este é tão só um poema
que gostaria de ter escrito,
e por isso hesito...
A hesitação é pois o tema,
a falta de inspiração o cenário,
e os actores...
Os actores faltaram à chamada,
Apesar de a hora estar marcada...
Na acta ficou apenas o horário
e as faltas,
pois não é a horas altas
que se abafam as dores.
Dá-se o assunto por encerrado,
o poema fica assim, inacabado!
... Pré, para @s amig@s e PreDatado, para a blogosfera em geral.
Chegou e encantou-nos com as suas crónicas de viagem, deliciou-nos com as suas frutas eróticas
"Coloquei-te na mesa, e tu te abriste
Em racha de onde a pevide já espreita,
Tarda o tempo em que te vou comer. "
e, num momento de total delírio, divertiu-nos com a sua teoria da criação onde todos nós, seres imaginários, somos hologramas da sua diversão. Existimos, enquanto ele quiser e porque ele quer.
Vitor, um grande beijo e um forte abraço. E não percas nunca essa vontade e alegria de viver.
Mas foi por essa altura que a ideia de despir uma rapariga e ver e tocar e sentir o corpo feminino apareceu. Nunca mais me vi livre dessa ideia.
Entre os treze e os vinte anos, tive frequentes experiências sexuais. Foram sete anos de satisfatória exploração. Houve, no entanto, por razões involuntárias, períodos de abstinência. Nessas ocasiões, à razão de três ou quatro vezes ao dia, recorria à masturbação e, em média, tinha duas ou três poluções nocturnas. A minha cabeça fervilhava com imagens eróticas, tudo era fetiche, ficava horas a imaginar situações estranhas e exóticas. Todas estas fantasias resultaram, obviamente, em dificuldades escolares.
Repeti o 11° ano, repeti o 12°, voltei a repetir o 12° para melhorar a média, mas com 20 anos consegui entrar em Engenharia dos Têxteis na Covilhã.
Antes de mais uma palavrinha para os meus caríssimos e ilustres ante-et-postadores: desculpem pela falha no post de segunda-feira, mas isto de andar com mil e uma coisas para fazer é tramado. As desculpas são também extensivas aos 3 leitores que ansiosamente esperavam por esse post.
Desculpas pedidas e esperando o castigo devido (Mad... não sejas muito severa) vamos lá ao que nos traz hoje por cá: o concerto dos Stones no Estádio do Dragão.
Uma palavra de apreço aos senhores da Metro do Porto pela simpatia demonstrada na recepção que organizaram à chegada ao estádio. A comitiva de PSP e de fiscais de metro na Estação era um espectáculo. Tudo para que ninguém andasse de Metro sem pagar. Controle apertadinho à saída da plataforma, com direito a multa de 70 e tal euros para a Mrs. Bilhas por não ter validado o Andante. Tungas. É que isto de não saber validar o título, ainda que sem qualquer intenção de lesar a companhia dos 100 cm, não pode ser. E não há desculpas que nos valham. "Devia ter verificado se o título tinha sido validado. Se a luz verde tinha acendido!" Pois muito bem, pena é que não estivesse apenas uma pessoa do Metro nas estações de início da viagem para dar ajuda às pessoas que pela primeira vez utilizaram este meio de transporte.
Passado este pequeno problema o restante foi um verdadeiro espectáculo. A entrada para o estádio muito calma, sem as habituais filas e com a vantagem de podermos ficar um pouco à volta do estádio, a ver o ambiente, numa das barraquinhas de cerveja que por lá existiam. Ainda deu para ver uns amigos de faculdade e tudo. No entanto, não nos podiamos demorar muito se o objectivo era arranjar um lugar maneiro no relvado A (o mais chegadinho à frente). Assim sendo toca de entrar.
Dentro do estádio a ansiedade e boa disposição era por demais evidente. Os Stones são uma banda de múltipla geração. Estavam lá as pitas, os irmãos mais velhos das pitas, os trintões e trintonas, os pais das pitas e, ainda, os pais destes. Não sei se estaria lá algum bisavô, mas se me disserem que sim, acredito sem reservas.
Nestas alturas é simples conhecer pessoal porreiro. Afinal estamos ali todos por um gosto comum e a conversa é fácil de puxar. Pertinho de nós estavam o Ricardo, o Rui e a Susana. Pessoal de Lisboa e Alcobaça com muito boa onda que facilitou a espera (um pouco longa) pelo início das hostilidades. Espero que tenham tido boa viagem para o sul e que a sandes de leitão tenha valido o esforço.
Antes do concerto tivemos um "warm up" com os "Dandy Warhols" que até foi bom, mas é de salientar que a escolha de Coimbra (Xutos e Pontapés) foi bastante mais acertada.
Por fim o concerto dos Stones. Fantabulástico! Foi mesmo assim. Tão bom que pelos vistos o Mick (já fui a três concertos do gajo e assim já me sinto à vontade para o tratar sem formalidades) ficou sem voz e teve de cancelar o concerto em Valladolid. Em duas pequenas palavrinhas: "im-pressionante" ehehehehehhee!
A idiossincrasia do que parecia ser o chefe do grupo, dado que todos os restantes pareciam idolatrá-lo, criou-me a ilusão que seria idóneo. Quando me desloquei a caminho do deserto, estava efectivamente convencido que o era. Entretanto, pequenos igarapés cortavam o terreno em quase todo o seu comprimento e em toda a sua largura criando malhas incomensuráveis de água, o que nos obrigou a dividir em ínfimos grupos de apenas três indivíduos, que mal cabíamos nas igaras estacionadas em fila. Chegamos finalmente a uma pequena ilha, ao fim de mais de 12 horas de viagem sem nada comermos. Apenas um gole de água, que um dos indígenas me ofereceu, por uma única vez. Quando chegamos, o meu aspecto apresentava-me como um ser ignóbil. A ilha estava iluminada aparentando uma igreja natural. De repente tive a sensação de me ter deixado iliçar. Ígneos archotes debruavam um caminho que me conduziria ao mais ignoto dos mundos. Eu que não era da igualha destes autóctones, estava a ser convidado a sentar-me à volta de uma mesa coberta das mais exóticas iguarias. Não arranjei coragem para ilidir. Só pensava se sairia dali ileso.
Os autócnes tinham um ar fúfio. As gaforinas não ajudavam à criação de uma imagem menos depreciativa. No entanto os pescoços exibiam fulgentes colares de estranho metal. Ensaiaram uma ginga em meu redor e tentaram comunicar. Não sei se por ter acordado no momento, os sons que emitiam eram-me ininteligíveis. A última vez que tinha escutado algo similar, foi de uns indígenas de Timor Oriental que tentaram ensinar-me o seu galóli. Tive medo que se tratassem de antropófagos preparando a funçanata. Num pequeno hiato de tempo, um deles de aspecto galhardo, apercebendo-se de que eu efectivamente não estava atinando com o seu linguarejar, ensaiou uma ideografia simples mas eficaz. Aí eu não tive coragem para ilidir. Aceitei de imediato. Era um convite para repasto. Seria?
Antes de começar a dominar a situação fui vítima de abuso sexual e isso deixou-me um pouco confuso.
Aconteceu quando uma vizinha mais velha do que eu - ela teria uns treze e eu onze ou doze anos -, me apalpou. Fomos para a Torreira fazer um piquenique e como o pai dela não tinha carro, viajamos todos no Fiat 600 do meu pai. No banco de trás iam as duas mães e quatro crianças, a minha irmã e a irmã dela ao colo e nós os dois entalados contra uma das janelas. Foi aí que com a maior lata do mundo, ela começou a tactear e encontrou algumas vezes o que queria encontrar. Eu fiquei paralisado. Chegados ao destino, era como se não tivesse acontecido nada!? Na volta, tentei escapar mas sentaram-nos no mesmo sítio. A sorte foi que ela entretanto tinha apanhado um escaldão e até passou o tempo todo a queixar-se de que ia apertada. Comecei aí um ódio de estimação e até tinha pesadelos em que ela me aparecia. Mas foi por essa altura que a ideia de despir uma rapariga e ver e tocar e sentir o corpo feminino apareceu. Nunca mais me vi livre dessa ideia.
Para a melhor definição de amor é preciso aguardar (e guardar) a última imagem deste filme. um filme de Jean-Pierre Jeunet.
que gostei de ver, mesmo se o espectro luminoso de Le Fabuleux Destin d' Amélie Poulain (2001) e de Delicatessen (1991, ainda com Marc Caro), ensombrou o meu espanto. com Jeunet, queremos sofrer choques de emoções e de "inovação estética".
neste filme, uma ode ao romantismo, elevada pelo realismo cru e húmido das trincheiras, absorvemos ainda alguma da poeira mágica do Fabuleux Destin. os personagens muito franceses e pitorescos, os detalhes finos, as vidas simples, os acasos que trazem grandeza ou dor, o campo e Paris do início do século, o enredo em espiral, as pequenas grandes decisões. e uma Mathilde igual à Amélie, ou Audrey Tautou igual a si própria. ou seja, doçura.
Nunca fui um rapaz de muita música. Claro que gosto de música! Toda a gente gosta de música, não é? Claro que cada um gosta da sua música, do que melhor lhe entra nos ouvidos, afinal gostos não se discutem. Lamentam-se, mas nunca se discutem. Se alguém gosta de Nel Monteiro ou Ágata não podemos fazer mais nada do que lamentar, se calhar como essas pessoas lamentam que outras gostem de Verdi, Puccini ou Mozart. A música é mesmo assim. Mas voltando ao início digo que não sou um rapaz de muita música, porque não sou um "connaisseur" ou coleccionador de qualquer tipo específico de música. Claro que tenho os meus conhecimentos musicais e claro que tenho alguns álbuns de bandas e músicas que me agradam, mas não sou realmente uma daquelas pessoas que sabem as datas de edição de álbuns, que ao ouvirem um nome conseguem logo dizer quem era e quase toda a história da vida musical desse artista. Invejo-os, confesso, mas não sou como este meu amigo.
No entanto, se houvesse alguma banda sonora da minha vida ela seria quase exclusivamente feita pelos Stones. Era ainda um puto quando ouvi pela primeira vez "It's Only Rock 'N' Roll (But I Like It)". Se bem me recordo foi um amigo que me emprestou o álbum que era do irmão mais velho. Passei esta música aí umas cinco vezes no gira-discos de casa (ainda se lembram dos velhinhos gira-discos?) e fiquei a adorar aqueles tipos. A capa do álbum era esta, recordam-se dela?
Imagem: retirada de algum site que agora não me lembro, sorry.
Os gajos sempre tiveram bom gosto na imagem, não acham? É mais ou menos com a Apple nos computadores. Poucos símbolos se identificam tão claramente como a maça já trincada e a língua dos Stones.
Pois muito bem, este sábado então vou passar em revista uma grande parte da banda sonora da minha vida. Já é a terceira vez que o faço. Estive em Alvalade em 95 na "Voodoo Lounge", fui ao estádio Municipal de Coimbra na "Forty Licks" e agora vou ao Dragão (por muito que me custe ehehehehe mentira não custa nada) assistir à "Bigger Bang Tour". Caso eles retornem vou lá de novo, porque não me canso de ouvir "Angie", "Simpathy for the Devil", "Miss you", "Harlem Shuffle" ou "Gimme Shelter" para citar apenas algumas das músicas dos Stones.
Em jeito de desejos de um bom fim de semana (não tão ilustrativamente bom como os da Mad costumam ser) deixo aqui a música e letra da primeira música que ouvi deles. Pode ser que contribua para destronar o Nel Monteiro dos gostos musicais de algumas mentes.
It's Only Rock 'N' Roll (But I Like It)
M. Jagger & K. Richards
If I could stick my pen in my heart
And spill it all over the stage
Would it satisfy ya, would it slide on by ya
Would you think the boy is strange? Ain't he strange?
If I could win ya, if I could sing ya
A love song so divine
Would it be enough for your cheating heart
If I broke down and cried? If I cried?
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I know it's only rock 'n roll but I like it, like it, yes, I do
Oh, well, I like it, I like it, I like it
I said can't you see that this old boy has been a lonely?
If I could stick a knife in my heart
Suicide right on stage
Would it be enough for your teenage lust
Would it help to ease the pain? Ease your brain?
If I could dig down deep in my heart
Feelings would flood on the page
Would it satisfy ya, would it slide on by ya
Would ya think the boy's insane? He's insane
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I said I know it's only rock'n roll but I like it, like it, yes, I do
Oh, well, I like it, I like it, I like it
I said can't you see that this old boy has been a lonely?
And do ya think that you're the only girl around?
I bet you think that you're the only woman in town
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I said I know it's only rock 'n roll but I like it
I said I know it's only rock 'n roll but I like it, like it, yes, I do
Oh, well, I like it, I like it. I like it...
PS: Avisam-se os interessados e os que não se interessam mesmo nada que estaremos pelas 18 horas a tomar uma cervejinha, em jeito de preparação, no Velasquez. Apareçam!
Durante uns dias vou republicar um conto que publiquem em tempos em O PreDatado. Desta vez, se a tanto me ajudarem Atena e Minerva, aproveitarei para termina-lo, já que no outro blog ele ficou inacabado. É de uma escrita simples e parece-me bom para ler em férias.
A disceptação teve o seu epílogo. Estava decidido. Como bom dendrófobo dirigir-me-ía para o deserto. Ele caminharia para os antípodas. Sentia-me fatigado de ser sempre apoucado nas minhas decisões. Assumiria de uma vez por todas o meu eremitismo. O badano, já cambado, haveria de suportar as duas ou três horas que me faltavam para chegar ao destino. Quando as adelfas e as carvalhinhas começaram a rarear nas margens do caminho, o dia abaçanava. A alimária alentecia e nem os golpes de butuca a fariam mover. Paramos. Coligi os escassos haveres, cobri-me com um bedém, com o qual me tinha abispado antes da partida, sentei-me ao velho jeito índio, pernas cruzadas uma sobre a outra e adormeci. A minha mente extenuada achapuçava-se de sonhos. Abentesmas albípedes, cujas restantes partes corporais se não viam, bandarreavam no meu espírito deixando-me azabumbado. Como seria possível em lugar tão ermo me sentir cercado. Acordei abruptamente. Autócnes de aspecto boçal faziam a festa. Nunca na vida tinham deparado com tão alva tez. Com as mãos enrugadas esbarbavam-me o capote como que se inteirando da minha condição de real.
Por volta dos dez anos apaixonei-me.
Até aí gostava apenas de estar com ela, a Alice chegava e começavam logo as brincadeiras e as gargalhadas. Com a paixão, as coisas complicaram-se. Sonhava com ela, sofria se ela não aparecia aos Domingos, estranhava uma espécie de agitação que começava a acontecer no meu corpo. Mas só soube que era paixão porque a minha irmã, involuntariamente, me disse. Com um ar trocista perguntou-me se eu não andava pelo beicinho e então percebi que finalmente estava a acontecer essa coisa a que todos davam alguma importância, tanta que desde miúdo me perguntavam se tinha namorada. Mas a paixão deu cabo da minha relação com a Alice. Como era minha prima ninguém achou muita piada, além de que a certeza de que ela já sabia ou ia saber que eu passava o tempo todo a pensar nela - e como isso era humilhante! -, fez com que eu começasse a agir de forma tão brusca e violenta com a Alice, que ela passou - imaginava -, a não gostar de mim, e ninguém pode continuar apaixonado por alguém que não gosta de nós.
O pior de tudo foi a conversa que o meu pai teve comigo. Explicou-me meia dúzia de coisas sobre os factos da vida, sendo que a moral da história era "aindas és um puto mas daqui a pouco vais deixar de ser, e o melhor é arranjares namoradas que não sejam da família, espero que muitas, as mulheres são todas diferentes, cada uma tem o seu encanto, e um tipo só vive uma vez, não sejas burro, goza muito antes de casar, que depois de casar também é possível mas é mais complicado, e mais depressa do que imaginas envelheces e depois um tipo já não é o mesmo, mas és muito novo para perceberes isto, e portanto já sabes que se quiseres falar comigo estás à vontade, sou o teu pai, já vivi muito, ahahah, por acaso diverti-me à brava com as miúdas quando era novo, eu e o teu tio, o pai da Alice, que a tua mãe e a tua tia nem sonham, ahahah, epá rapaz mais uns anitos e chega a tua vez, e agora dorme bem, está bem?"
Antes de começar a dominar a situação fui vítima de abuso sexual e isso deixou-me um pouco confuso.
Este é um daqueles posts que o calor teima em não deixar sair. Não há ar condicionado que valha hoje aqui na invicta e mui leal cidade do Porto, carago (para não ser ...alho)! Assim sendo, segue o recurso de sempre... mais uma edição de "Pelos caminhos de Portugal". Desta feita o prémio é uma entrada na piscina Solário Atlântico em Espinho, com direito a salto da terceira prancha! São só dez metros, acho eu. Nada de preocupante...
O dia acordou-se-me estragado. A manhã enevoada e a baixa temperatura, tendo em conta a expectativa, convidaram-me a não vestir os calções e a deixar a toalha no respectivo armário. Era uma vez um dia de praia. Logo aproveitei para tratar de alguns assuntos adiados pela boa causa das férias quando me deparei com o vidro da janela do meu carro escancarado. Uma olhada rápida permitiu ver que não se tratou de tentativa de furto pois nada faltava no seu interior. O motivo foi facilmente detectado. O elevador do vidro não o fazia ascender e o veredicto final foi da oficina: motor da janela pifado. Como há pouco mais de 15 dias tinha acontecido o mesmo ao carro da minha mulher terei de preparar uns duzentos euros para o estrago. Sobrou-me mais tempo ainda do que eu pensava para ocupar o meu dia sem praia. Andava há vários dias para reformatar o meu computador pois ele apresentava queixas que pediam um tratamento radical. Pois meus amigos, o computador não me reformata. São erros atrás de erros. Tenho a impressão que a reciclagem o espera. Há dias em que as coisas correm mal, mas como costumo ouvir dizer, antes isto do que partir uma perna. Por isso enquanto ainda faltam cerca de uma hora e meia para o dia acabar, vou-me deitar sossegadinho para ver se não tropeço em nada. Dasse.
Meus caros, andava aqui de volta do Youtube para finalizar o dia e dei com este brilhante video. A primeira vez que o vi foi há uns anos numa conferência no Museu da Farmácia em Lisboa proferida por um Mac user que é professor na "École du Louvre" em Paris. A pergunta que ele fazia na altura era "Vocês sabem que este senhor é o responsável pela criação da maior parte do software utilizado em todo mundo? Não é assustador?"
Eu não sei se é assustador, mas precavendo-me tenho um cuidado do catano nos backups do meu PC. Não vá o diabo possuir mais alguém!
Para recuperar o tempo perdido? Para atingir uma meta?
A velocidade a que vivemos, pode-nos fazer ganhar anos de vida, ainda que esta, possa acabar depressa.
Pode parecer um lugar comum mas a vida está cheia dessas coisas. A verdade é que comecei a pressentir a importância de ser homem ou de dar provas de que se é homem, através do futebol. Por volta dos quatro anos o meu interesse pela bola aumentou e o que me dava mais prazer era imaginar que marcava grandes golos. Via os jogos na televisão, com o meu pai e o meu avô, e gostar daqueles movimentos e daquelas imagens parecia-me natural. Mas, pouco a pouco, fui percebendo que aquele interesse também me garantia a entrada no mundo da cumplicidade masculina. Quando as mulheres da casa nos pediam para parar de gritar, ouvia frases como "elas não podem entender, não é rapaz?". Além de me agradar o orgulho que o meu pai e o meu avô sentiam, e que eu percebia, quando me ouviam dizer "sou do Benfica"! É claro que me deram um equipamento completo, com uns calções enormes, camisola, cachecol, boné, que eu vestia de cada vez que o Benfica jogava! Tinha um clube, era homem e ainda por cima podia mascarar-me! Fui gostando cada vez mais de futebol.
Uma vez perguntaram-me porque é que era um menino e não uma menina, e eu respondi: "porque sou do Benfica". E essa minha saída ficou para sempre no rol das histórias da família.
Hoje é aquele dia do ano que sempre me custou a passar, o dia de retorno de férias. Nem nos maravilhosos tempos de estudante em que férias era significado de três meses ao alto sem fazer nenhum, conseguia chegar à escola e depois à universidade com aquela ansiedade de rever os amigos e colegas de turma. De voltar a uma coisa que gostava de fazer (sim eu sempre gostei de estudar... e sim eu gosto de trabalhar, quer dizer... gosto do que faço no trabalho ehehehe) e, por conseguinte, ficar bem disposto por voltar. Não é possível ter bom espírito num dia em que passo a ter de cumprir horários, mergulhar na rotina e outras coisas que tal...
As férias são sempre o melhor do ano. Altura em que temos tempo para nós e para o que mais nos agrada, sem restrições, reuniões e outros "ões" que chateiam como mosquitos a zumbir assim que apagamos a luz do quarto. Nas férias de estudante recordo os verões passados na praia de Espinho, com ligeiras interrupções para banhos em Santa Cruz ou S. Pedro de Moel ou, ainda, para torneios de voley de praia em equipas de seis. O mais concorrido era o da Caparica onde nós participavamos com uma equipa que se denominava "Os maus". Jogavamos para o mundial, mas o importante mesmo era que gostávamos de o fazer e de passar aqueles dias de liberdade na famosa praia da banda de lá! Na universidade e com algum dinheirame no bolso a coisa já podia ser mais expansiva. Eram mais os colegas com casas de praia (ou perto da praia). Começamos a ir nessa altura para Vila Praia de âncora, Moledo, Costa Nova e Barra e a algumas terras do interior. Eram férias bestiais.
Hoje, para mal dos meus pecados, as férias continuam a ser bestiais. Mais do que bestiais... fantabulásticas e assim custa a chegar ao escritório em pleno Agosto, com os termómetros a oscilar entre o 34º e o 35º graus! Não há pachorra, mas como temos que contribuir para o PIB e ser trabalhadores produtivos eis-nos aqui. Incansáveis e abnegados porque há que dar a oportunidade aos restantes para gozarem o seu bocadinho prazeiroso de férias. Nada de invejas, portanto!
Passaram ontem, 6 de Agosto, 40 anos sobre a inauguração de uma das (poucas) obras emblemáticas do antigo regime e, verdadeiramente importantes para o desenvolvimento do país.
A Ponte sobre o Tejo, uma obra grande que encurtou Portugal.
Já ouviram falar de um livro que se chama Confissões Sexuais de Um Anónimo Russo? Para ser rapidinho leio o que vem escrito na contracapa: "Esta insólita autobiografia erótica, enviada por um anónimo russo, em 1912, ao sexólogo H. Elis, despertou desde então um vivo interesse no círculo restrito dos que a conheciam. Françoise Dolto consagrou-lhe um estudo e Nabokov serviu-se dela como uma das fontes do seu celebrado romance Lolita..." (Ed. ASA).
E isto vem a propósito de quê? Pois bem, vou escrever as Confissões Sexuais (possíveis) de Um Anónimo Português, ou melhor vou iniciar umas Confissões___ porque, já que a minha experiência no masculino só pode ser projectiva, quem vai escrever o livro são vocês, prestáveis visitantes (e colegas de blogue).
Enquanto estiver de férias vou lançar uns capítulos-itos, eles serão o mote. Vocês inspirem-se e participem nas Confissões! A ideia é encher a caixa de email do blogger-mor de textos (PORNO NÃO, OBRIGADA!) que serão aqui publicados.
Post estas Confissões, só peço ao Dr. Júlio Machado Vaz que nos ajude... porque aposto que vamos precisar!
Pode não ser a praia mais bonita, mas é a melhor praia do mundo.
Podia até ser mais bonita se alguma vez, alguém se tivesse interessado pelo ordenamento do território, por fazer daquela enorme faixa de areia, uma praia como há poucas.
Não sei se a protecção territorial exagerada, aquela que não permite nenhuma construção legal, mas convida às construções ilegais, será a mais adequada. Tenho para mim que, em toda aquela extenção de mata e praia, se construíssem boas infra-estruturas turísticas (boas de qualidade e não de quantidade) de forma controlada, se protegia o ambiente, as dunas, a mata, a falésia. E nunca mais assistíamos a outra Fonte da Telha.
Foto: Rui Pedro Santos
E porque é que é a melhor praia do mundo?
Tem um belíssimo areal. O mar é limpo, com uma temperatura agradável, ondas à maneira e, em alguns bares concessionados, um ambiente moderno e descontraído. E a fauna? Também está muito bem representada ;-)
Depois, está aqui, a meia hora de Lisboa.
E não me venham falar do trânsito e das filas e tal e tal, porque raramente apanho desses inconvenientes. Além disso, temos sempre a alternativa do simpático combóio que nos leva até ao fim da linha e nos livra da dificuldade de estacionamento.
Remexendo em colecções, fui encontrar este auto-colante no meio de tantos outros e só me decidi a mostrá-lo aqui porque esta cara não me é estranha, só que não me consigo recordar de quem seja. Alguém me pode ajudar? Talvez tu papo-seco que és um colecionador também, faças alguma ideia, hein?
Foram Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky que inventaram esse país imaginário, a Sbornia. Já estiveram em Portugal (no Festival de Almada) e é capaz de ser melhor voltarem!
eu - para onde foges tu?
a minha voz - para todo o lado. não me ouves? - ouço. às vezes até bem demais. no trânsito, por exemplo...
- sabes, sou um pouco temperamental! - eu sei, eu sei. se sei! por tua causa, às vezes fico um pouco envergonhada...
- desculpa... eu bem tento. mas há situações que não dá! - pois... eu até aceitaria, se noutras alturas te manifestasses com igual desenvoltura.
- quando? - olha, quando vamos à Rute...
- humm... eeeh... - eu a defender-te e a dizer que és uma rapariga desenvolta, de boas falas, boa conversadora, desinibida...
- e sou!! não sou? - às vezes és! mas lá, deixas-me quase sempre pendurada!
- bem!! sempre, não! até dou gargalhadas e tudo! - pois dás! mas, quando toca a falar do que interessa, cortas-te!
- sabes, o ar condicionado afecta-me um pouco as cordas vocais... - sim! sim!
- e a poluição? nem imaginas o mal que faz... e os cigarros que fumas, pensas que me faz algum bem? pensas? sofro muito... - sim! sim! mas só lá é que isso se manifesta... ficas encolhidita da silva!
- sabes... é ao final do dia... muito stress... nunca ouviste dizer, que uma pessoa quando está doente, à noite piora sempre? - deixa-te de tretas! pensas que vou nessas cantigas? temos a mesma idade, não te esqueças!!
- ... - eu sempre à espera de uma ajudinha tua... às vezes está mesmo ali, na ponta da língua, o que me atormenta... e tu, nada!
- penso sempre que queres reflectir mais um pouco. - mas tu não tens que pensar!!! achas que é fácil? faço um esforço tremendo. há coisas que custam imenso a sair, e quando me preparo tu não colaboras!
- vá lá... não te aborreças... - eu não me aborreço! fico furiosa, que é bem diferente. não sabes que é fundamental para a terapia a verbalização do que sentimos?
- sei lá! eu nunca fiz terapia... - olha, se calhar bem que precisavas!
- eu? mas o que é que queres dizer com isso, hem? - quero dizer que tens uma dicção horrível! comes as sílabas, tens problemas a pronunciar duas palavras seguidas começadas por "f"...
- foda-se! foda-se! vês? tenho problemas, o quê? - eu logo vi que ias disparatar! se tivesses um bocadinho de contenção, não se perdia nada...
- (porra! não percebo esta gaja! agora quer contenção! oh, que desatino!) - então? não respondes?
- ... - amuaste?
- ... - amuou mesmo! que se lixe! a Rute é só na segunda. até lá passa-lhe!
- (está bem abelha! vai contando com isso, que vais ver a sessão que vais ter!)
Aceitei o desafio da Hipatia lá no seu blog Voz em Fuga.
Talvez a intenção não fosse bem esta. Mas eu tenho por minha mania, e cada maluco tem a sua, como é vox populit, de assumir o meu próprio entendimento das coisas em detrimento do senso comum. Aliás, este personagem que desde sempre me perseguiu e que de vez em quando entra em diálogo comigo, ao qual (diálogo) só não o adjectivarei de acintoso ou bélico porque sou uma pessoa bem educada, mau grado muitas vezes o ter pensado, sem nunca o fazer, de o mandar bardamerda ou de lhe dar dois pares de estalos, dizia eu, o senso comum é um chato. Quando eu penso em fazer algo do qual ele não está de acordo, lá vem vele chamar-me a atenção do tipo, se eu fosse a ti não faria isso e se eu caio na asneira de lhe perguntar porquê, já sei que tenho sermão e missa cantada e, depois com uma réstia de paciência, que confesso de vez em quando já me vai faltando, lá entro em troca de galhardetes. O meu principal problema é dar a mão à palmatória e mesmo que embirrando com ele e assumindo que vou levar a minha avante, acabo por, às escondidas, conceder-lhe o benefício da dúvida que é como quem diz, ceder ao desgraçado e intrometido senso comum. Tenho a certeza, que ele, de quem não duvido ter pertencido a alguma daquelas organizações de espiões duplos ou a uma agência de detectives particulares, volto atrás de novo, dizia eu tenho a certeza que o tipo se fica a rir baixinho por saber que eu dei o braço a torcer. É assim um pensamento do tipo, o gajo fala, fala, está sempre com a garganta de que se assume contra o senso comum e no frigir dos ovos, que é como quem diz, no final da contas ou por outras palavras ao fim e ao cabo sempre vai aceitando o que o senso comum tem para lhe dizer. É por isso que não sei se deva aqui escrever o que no princípio eu tinha pensado ou se por obra do senso comum (por favor não te importas de me deixar em paz só por uns minutos?) eu deva seguir uma linha de texto que possa interessar aos leitores quer deste blog, quer do blog desafiador. Assim como assim, vou ainda pensar no assunto, mas deixo-vos já a informação que a minha voz foge mais para o lado da cana rachada. E se eu fosse um entendido em música talvez a pudesse caracterizar como uma Fá sustenido ou quiçá um Si bemol. Mas isso é só para quem percebe, não te metas nisso, está aqui a dizer-me ao ouvido, o senso comum. Bolas!
Estes são nomes de capítulos de um livro escrito em 1925. Vamos lá deixar os sudokus e outros passatempos de praia por uns momentos e adivinhem qual é o livro e quem é o seu autor?
As pessoas põem nomes a tudo e a si próprias também
A sociedade só tem que ver com todos, não tem nada que cheirar com cada um
Às vezes o dia começa à noite
Onde se mostra que quem complica as estreias são os experimentados
Quando as ajudas desistem, pega a conspiração
À segunda vez que se nasce, assiste-se ao próprio nascimento
Cada qual vê Eva pela primeira vez
Cada um vai atrás da sua ideia, ou é a sua ideia que vai atrás de cada um?
Não sabendo bem por onde anda a realidade, o protagonista começa a fazer fotografias com a imaginação
Onde se começa a ver que numa mesma vida mal cabe um quanto mais dois
Nem todos os que acabam de dormir ficam logo acordados
Quem não responde às cartas que lhe mandam, ao menos leia-as
Quando se passa de um lugar para o outro, levamos em geral o primeiro lugar connosco
Os olhos da nossa memória vêem melhor do que os nossos
Os palermas que não percebem nada da vida são piores que os malandros
Enquanto o mês de Agosto se vive intensamente nas praias de Portugal, Lisboa vive tranquila.
Uma Lisboa mais silenciosa, mais brilhante e mais calma.
A frescura do Tejo, os reformados nos jardins, os restaurantes vazios, as sombras nas esplanadas, as praças de calçadas pintadas a preto e branco, os amarelos da Carris, lânguidos, a subirem as colinas.
Uma Lisboa para lisboetas. Para se ver e viver, como turistas. Para apreciar.
Esta é a Tapada Grande na Mina de S. Domingos.
Tem muitos prós: É uma praia fluvial sem correntes, a bandeira está sempre verde, não há motas de água, as sombras são naturais (dispensam-se chapéus de Sol) e tem um bar a menos de 20 metros da praia onde a lista ainda é em português.
Tem alguns contras: A água é doce e, como não podia deixar de ser por se encontrar bem no interior do país, os sons que nos rodeiam em Agosto são muito do tipo "arrête Jacques-Marie si non levas une bofetada qui te fodo".
Mas em contrapartida: Cantam os passarinhos pela manhã. E também tem Evas (vá lá, condescendendo para a audiência feminina, alguns Adões). E assim não sei se lhe hei-de chamar Oásis se Paraíso.