Mulheres ao Poder
Não meus caros... não é uma traição ao "macho latino" que todos temos no nosso âmago. As palavras de ordem que titulam este post servem um propósito: fazer-vos pensar sobre a entrega do poder (lato senso) ao gajame! Ou não!
Estava ontem à noite a ler sobre o papel das mulheres na sociedade contemporânea e ocorreu-me fazer uma campanha cívica com o objectivo de proibir durante uns anos a participação masculina no poder. Seguramente, na opinião de muito boa gente, seria o melhor que poderia acontecer ao mundo. Basta que atentemos na "mais que muito bem" recebida notícia da candidatura de Ségolène Royal à presidência de França, para percebermos que não é preciso mais nada para que o mundo melhore do que entregar a sua gestão às mulheres. Só assim se percebe o entusiasmo relativo a uma mulher que, sendo "supostamente" de esquerda, afirma que se devem cortar os benefícios sociais aos pais de criminosos reincidentes, ou que acha que as leis de imigração da União Europeia deveriam ser muito mais restritas, das que são apresentadas por muitos partidos de direita europeus.
Confesso, sem nenhum custo, que lá em casa quem manda é a Mrs. Bilhas e por isso nada me move contra a maior participação da Mulher na vida pública. Sei que a sociedade é extremamente injusta com o género que mais contribui para o seu desenvolvimento. Elas são filhas, mães, trabalhadoras, educadoras, gestoras, entre muitas outras funções enquanto que o machame, na sua maioria, se preocupa com o seu trabalho apenas! É chegar a casa e ter os putos tratados e o tacho na mesa que o cansaço é imenso. Mas teremos mesmo que ficar contentes com a chegada de uma mulher a um cargo como a presidência de França? E se ela for uma incompetente? O facto de ser mulher é motivo per si para lhe darmos o voto? Será que há mesmo essa relação directa entre mulher e competência? Devemos por isso estabelecer cotas para que o género competente participe mais? Que me dizem?
Nós até já tivemos uma mulher como Primeiro-ministro (uma mulher exemplar devo dizer) e se bem me recordo ela não precisou de cotas para chegar lá, pois não? E na altura não foi, com toda a certeza, por sermos um país muito avançado no que diz respeito à participação das mulheres na vida pública!
Comentários
Ei! Eu não me importo, aliás, sempre invejei o Tony Danza em "Chefe mas pouco". Mulher trabalha que eu cuido da casa. Este blog é fixe.
Colocado por: João Vasco | novembro 29, 2006 07:01 PM
Quando tivemos a Maria de Lurdes Pintasilgo- de quem aliás gostei-, isso aconteceu porque quem estava no poder a impôs. Mesmo nessa época, por votação ela não chegaria lá, aliás como se provou nas presidenciais seguintes.
Por esta lógica, ou se impõem cotas ou nunca ninguém se "habitua" a partilhar o poder com as mulheres.
Porque a questão básica é falta de experiência em trabalho partilhado, em trabalho de equipa.
Os homens deste país estão habituados a ter mulheres no poder quando lhe são impostas ou a delegar-lhes poder em casa para terem menos trabalho mas não estão acostumados a estar com elas numa situação de paridade e responsabilidade.
As mulheres deste país também estão habituadas a ter poder por delegação dos homens ou a abdicar dele por outros valores.
Daí que, na minha opinião, ou a experiência é imposta " de cima" para criar hábito ou daqui a 50 anos ainda vamos aqui estar a discutir isto. ;)
Colocado por: maria arvore | novembro 29, 2006 09:27 PM
:) João não digas mais nada que ainda me dão cabo do pêlo aqui as meninas!
Colocado por: Bilhas | novembro 29, 2006 10:09 PM
Se os homens conseguiram desgraçar isto completamente...porque não tentar uma mulher?!
Aliás o que é preciso é competência e apenas ideias sensatas....no masculino ou no feminino!
Colocado por: mfc | novembro 29, 2006 10:14 PM
Maria... bem sei que a Maria de Lurdes Pintassilgo foi indigitada, no entanto isso não me parece afectar em nada o que eu disse. A sua nomeação foi fruto do trabalho dela e da sua participação na vida pública. Há outras que o fazem, hoje em dia, sem existirem as famigeradas cotas.
Para além disso eu confesso que prefiro ter um parlamento e governo carregados de pessoas inteligentes, honestas e eficientes... e repara que por mim tanto me dá que sejam 100% mulheres... do que ter mais incompetência à pala de uma cota obrigatória!
Colocado por: Bilhas | novembro 29, 2006 10:35 PM
Maria... bem sei que a Maria de Lurdes Pintassilgo foi indigitada, no entanto isso não me parece afectar em nada o que eu disse. A sua nomeação foi fruto do trabalho dela e da sua participação na vida pública. Há outras que o fazem, hoje em dia, sem existirem as famigeradas cotas.
Para além disso eu confesso que prefiro ter um parlamento e governo carregados de pessoas inteligentes, honestas e eficientes... e repara que por mim tanto me dá que sejam 100% mulheres... do que ter mais incompetência à pala de uma cota obrigatória!
Colocado por: Bilhas | novembro 29, 2006 10:54 PM
Esta coisa da weblog põe-me os nervos esfrangalhados!!!!!!!!! Dasssss Repeti o comentário três vezes e o gajo não aparecia... agora aparece duas vezes!
mfc... é exactamente o que eu penso!
Colocado por: Bilhas | novembro 29, 2006 10:59 PM
Bilhas,
antes de mais nada, se fosses mulher, não ficavas com os nervos esfrangalhados, por uma bagatela destas ... só se estivesses com a maldita TPM.
Concordo com a Maria, a competência não é, de todo, apanágio do género masculino (como se comprova facilmente, pelos governantes que temos tido), mas a verdade é que às mulheres, lhes foram sendo vedadas, as mesmas oportunidades que aos homens. Se, em teoria, me custa aceitar as cotas, compreendo que na prática, devam existir. Não só para impor ao poder a presença das mulheres, como para impor às mulheres uma maior participação cívica. Assim, se criem as condições para aliviar as mulheres de todos os cargos/cargas que exercem (não remunerados).
Colocado por: karla | novembro 29, 2006 11:45 PM
Karla... em lado nenhum eu afirmei que as mulheres são menos ou mais competentes do que os homens! Afirmei sim que há pessoas competentes e outras não competentes, independentemente do seu género!
Entretanto tu tocaste no ponto fulcral da questão... as condições a criar para que a mulher participe na vida pública são muito mais importantes do que as cotas.
Colocado por: Bilhas | novembro 29, 2006 11:57 PM
Pensa em termos do "micro" e depois tenta um paralelo com o "macro". Aliás, tu mesmo dizes que as mulheres conseguem ser muita coisa ao mesmo tempo. Então, imagina o exemplo de um casal com 2 filhos que entra em processo de divórcio. Obviamente, os filhos ficam com a mãe. E a mãe precisa ainda de continuar a trabalhar. E de manter a casa limpa, o frigorífico cheio, os filhos vestidos, limpos, a tempo na escola e actividades paralelas, refeições e deveres a horas, idas ao médico e afins. O ex, arranja uma casa, quase sempre desarrumada e talvez volte a ir comer à mãe. Depois, a mulher tratará de pedir ajuda às amigas e falar, falar muito sobre o que se passa e, pelo diálogo, encontrar um qualquer espaço onde ainda lhe seja possível continuar a viver. O tipo vai ter com os amigos e o melhor que estes lhe oferecem é uma noite de copos e a facilidade para arranjar rapidamente outra mulher. No entretanto, talvez lhe proponham um desporto violento, para "soltar a raiva". Dificilmente haverá diálogo, excepto se o gajo, apesar de tudo, ainda for daqueles que consegue ter amigas. Levar a experiência feminina para a política? Só pode ser coisa boa! Eu olho à volta e vejo a típica governação masculina e só me ocorre que ainda vai ser preciso contar muitos corpos e que os dinheiros públicos continuarão a ser desperdiçados em "brinquedos" caros, nomeadamente carros topo de gama ou então uns ainda mais carotes que dão muito jeito para matar vizinhos. Acho mesmo que o estrogénio devia invadir a “coisa pública”. Está mais que visto para onde nos tem levado a testosterona….
Colocado por: hipatia | novembro 30, 2006 12:51 PM
:)Hipatia... concordo plenamente contigo... estrogénio à presidência e para primeiro ministro... mas acho que não são preciso cotas! É preciso é que se criem as condições para que as mulheres (divorciadas, mães solteiras, casadas, etc... ) consigam ter as mesmas oportunidades no mundo da testoterona!
Colocado por: Bilhas | novembro 30, 2006 02:20 PM
Bilhas,
comecemos então a criar as tais condições.
Quem fez o jantar ontem, em tua casa? E a loiça? E a roupa e a cama e o pó?
Qual a tua cota na actividade doméstica da tua casa?
Colocado por: karla | novembro 30, 2006 03:00 PM
Karla... lá em casa (tirando os últimos tempos por causa da minha tese) é tudo a meias! 50% para cada um... e para poupar a minha catraia às tarefas domésticas finalmente convencia a contratar uma mulher a dias!
Colocado por: Bilhas | novembro 30, 2006 04:36 PM
Eu concordo!
As mulheres têm mais sensibilidade e tato. Capazes das melhores proezas... energicas como ninguém
Abraços
Colocado por: Escola de Yôga - Amadora | agosto 13, 2008 01:21 PM