A vida irritantemente simples de Zeca Lado (6.º mini-episódio) - um mini-conto de Natal
Zeca Lado sempre adorou o Natal. Desde pequeno, quando colocava o sapatinho na chaminé, esperando que o menino Jesus lhe colocasse um presente. E assim acontecia, todos os anos recebia um bonequinho de madeira igualzinho aos que o seu pai fazia com o canivete, embrulhado num gorro igual ao que a sua mãe tricotara nos últimos dias. Ao lado, o presépio e árvore de Natal testemunhavam a sua alegria transbordante.
Um dia o seu pai deixou de fazer bonecos, a sua mãe de tricotar, os sapatinhos foram substituidos pelas meias, o menino Jesus pelo Pai Natal. O presépio, aos poucos, foi desaparecendo, vítima das traquinices do gato Alfe Lino. E a árvore, tendo as luzes avariado, deixou de ser enfeitada. E Zeca, procurando uma vida nova, acabou por abandonar a sua terra natal, e ir para a cidade, onde no seu apartamento exíguo não existia espaço para grandes decorações. E o excesso de trabalho que o chefe lhe dava ainda menos tempo lhe deixava.
Hoje, noite de consoada, lembrou-se dos tempos de outrora e da felicidade de então. No vidro embaciado do quarto, desenhou uma árvore. As luzes dos prédios vizinhos vieram enfeitá-la. Deitou-se na cama, maravilhado com o explêndido espectáculo. Há que tempos não tinha um Natal assim.