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Assim não, Prof. Marcelo!

Andava há muito tempo para falar sobre este vídeo do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito do seu movimento "Assim não":

Já me irrita a forma de o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa fugir a assumir as suas posições. Lembro-me de quando foi feito o referendo a propósito da regionalização, e em que o mesmo, de forma dissimulada, dizia que era a favor da regionalização, mas não daquela, que era uma "negociata". Esta é uma forma de agir simultaneamente inteligente e hipócrita.

Inteligente, porque conseguiu ir buscar dois grupos distintos: os que eram contra a regionalização e os que eram contra a divisão que tinha sido feita. Hipócrita, porque não assume o essencial, que era o facto de, na verdade, ele ser contra qualquer tipo de regionalização.

Agora, relativamente ao aborto, a mesma táctica. Diz que é a favor da despenalização, mas que é contra a liberalização. O mesmo princípio: vai buscar os que são contra a despenalização e ao mesmo tempo os que, não sendo contra, não gostariam de ver o aborto banalizar-se. E não assume aquilo que assumiu no último referendo: ser contra qualquer despenalização.

Na minha opinião, ao contrário do que advogam os defensores do não, a despenalização (e mesmo a liberalização) da interrupção voluntária da gravidez vai fazer diminuir o número de abortos. Nenhuma mulher aborta porque lhe apetece, mas sim, na maior parte dos casos, por desespero. E quando recorre ao aborto clandestino, ninguém a vai tentar dissuadir de realizar o aborto. Ao ser feito num local com condições, depois de ter sido aconselhada devidamente, pode, por um lado, evitar-se o aborto (caso a mulher decida, depois de acompanhada, em sentido contrário), e por outro fazê-lo com mais segurança.

O que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, de forma dissimulada, que dizer é que, por uma questão da forma como se coloca a pergunta, se deve continuar a enfiar a cabeça na areia. Espero que o povo português, por muito respeito que tenha pelas opiniões do Prof. Marcelo, não caia nesta esparrela e seja capaz de decidir em consciência.

Pensei fazer um vídeo para colocar na Internet em resposta, mas penso que a melhor resposta já foi dada pelos Gato Fedorento:

Comentários

Este delicioso naco de humor dos Gato Fedorento é fabuloso; Ricardo é fantástico.
Mas, voltando à triste realidade do que se está a passar com a campanha sobre este referendo, acabei de ver os "prós e contras" e confesso que a manipulação que os apoiantes do "não", com as tragédias enunciadas sobre a vida, sobre as "criancinhas" que dentro da mãe, não podem gritar e quejandos, é incrível.
Apresentam números e mais números, mas gostaria que me explicassem também os números dos abortos clandestinos que agora se praticam e que deixarão de se praticar; e também perguntar se nos números referentes a Espanha, contabilizaram devidamente os casos de portuguesas que ali foram fazê-los.
Isto é uma vergonha!
Naquela marcha de ontem, onde estavam as Mulheres a quem interessa realmente que o sim vença, para não serem penalizadas? Eu só vi gente muito bem, com os seue filhinhos, gente que nunca precisou de ponderar bem se era melhor abortar ou não, drama que tanta mulher deste país já sentiu.

pinguim,
é triste, as pessoas chegam a usar argumentos sem nexo para justificarem o injustificável. E o Prof. Marcelo é um verdadeiro "Martelo" neste caso.

Realmente, pinguim, se o "sim" vencer no referendo é bem provável que o número de abortos clandestinos diminua. Os clandestinos, apenas. Porque o número de abortos (e não de interrupções) aumentará, tal como aconteceu em todos os países em que este foi despenalizado.

Vá lá, comenta à vontade:



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