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Última Canção

Se puderes ainda
ouve-me, rio de cristal, ave
matutina. ouve-me,
luminoso fio tecido pela neve,
esquivo e sempre adiado
aceno do paraíso.
Ouve-me, se puderes ainda,
Devastador desejo,
fulvo animal de alegria.
Se não és alucinação
ou miragem ou quimera, ouve-me
ainda: vem agora
e não na hora da nossa morte
- dá-me a beber a própria sede.

Eugénio de Andrade

Comentários

Eugénio de Andrade é, junto a Sophia um dos maiores poetas portugueses do século passado, e recentemente falecidos.
Obrigado por me terem dado oportunidade de o recordar uma vez mais.

pinguim,
eu é que agradeço. Não podia deixar de recordá-lo, no dia em que faria 84 anos, se fosse vivo.

Grande Eugénio... Versos e simplicidade...
Grande entre os grandes.
Fabuloso, merece ser lembrado sempre.

[s]s

Bill,
já vi, no teu blog, que também és um admirador do Eugénio, para além doutros poetas que gosto (como o Al Berto). E acho que disseste a palavra que define o Eugénio: simplicidade. :-)

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