Uma destas madrugadas, passou na SIC Notícias, um programa do Panorama BBC.
A chancela da estação britânica confere-lhe alguma, senão muita, credibilidade. A história era a seguinte:
A Glaxo Smith Kline *, monstro farmacêutico no tamanho, nos dólares que factura e na perversidade perante os consumidores, escondeu dados dos ensaios clínicos do Seroxat em jovens e adolescentes. O Seroxat é um psicofarmaco antidepressivo, dos mais vendidos no mercado. E é eficaz.
Os dados que foram escondidos da comunidade médica que os prescrevia, foram responsáveis por alguns suicídios em crianças e adolescentes.
O caso será certamente para os tribunais resolverem e, nos EUA, a história conta-nos que a mão da justiça não tem sido leve em casos semelhantes.
Da poderosa indústria farmacêutica, isto pouco me espanta. Apenas reforçou a ideia que eu já tinha, de que vale tudo. Desde experiências com fármacos em populações miseráveis africanas, mascaradas de altruismo - O Fiel Jardineiro, John Le Carré o livro, Fernando Meireles, o filme - até ao pânico que gostam de lançar, ciclicamente, nas populações - é a gripe influenza, a gripe das aves, os surtos de meningite, que fazem as populações esgotar os stocks de vacinas, tudo vale, quando o objectivo é facturar.
A industria é uma entidade sem rosto, mas os "cientistas" que colaboraram neste embuste, ou neste crime, têm rosto e têm nome. E foram, um dia, conceituados no seu ramo de trabalho. Tão conceituados, que foram escolhidos para mensageiros da boa nova, das imensas qualidades deste fármaco em crianças e jovens. Só se "esqueceram" de alertar para um pormenor que foi responsável por algumas mortes. E sabiam. Os estudos assim o demonstravam mas, isso punha em risco a possibilidade do medicamento ser lançado no mercado.
Quanto valerá (em dólares) a consciência destes "cientistas"? Provavelmente, muito. Muito mais que o valor da sua reputação profissional.
* A mesma Smith Kline que, com tanto dinheiro para gastar, há uns anos atrás me ofereceu uma viagem de luxo às Caraíbas que eu, muito agradeci. Se fosse hoje ...