26 de Abril de 2007... o fim da revolução
Cada vez mais acredito que o 25 de Abril já passou à história, ou seja, não é mais do que uma data igual a tantas outras, como o 5 de Outubro (excepto para o nosso monárquico de serviço), o 1 de Dezembro ou o 10 de Junho. Ninguém, das gerações novas, sabe qual a diferença. E o actual estado da política está, em parte, a levar muitos a rever com saudade o período anterior.
Por muito que se discorde dos princípios, existe uma Constituição, aprovada de forma democrática. Para muitos, é um empecilho. O facto de lá se falar de "ensino tendencialmente gratuito" já há muito foi convenientemente "esquecido". As taxas moderadoras para a saúde são uma aberração, só justificável por uma política em que tudo é válido para baixar a todo o custo o défice.
Durante muito tempo, havia alternância democrática. Até 1985, havia até demasiada alternância. Com a chegada de Cavaco Silva ao poder, houve o primeiro período de alguma estabilidade. E quando o descontentamento chegou, toca a substituir a direita pela esquerda. Depois veio António Guterres, com uma política "à la Tony Blair", com uma "esquerda moderna", mas que ainda tinha, pelo menos teoricamente, um fundo de esquerda.
De então para cá, tudo acabou. Não há alternância democrática, não há verdade. Depois de Durão Barroso ter prometido baixar os impostos, e ter feito o contrário, veio José Sócrates dizer que não os subia e, espantem-se, também os subiu (esqueci propositadamente o senhor que foi Primeiro-Ministro entre estes dois, não me peçam para explicar porquê).
Neste momento, a grande diferença que temos em relação a antes do 25 de Abril de 1974 é o facto de termos liberdade para falar, embora até esta liberdade comece a querer ser posta em causa por muitos. Mas no que respeita à escolha democrática de quem nos governa, parecemos ter voltado ao antigamente - é sempre o mesmo tipo de política.
Uma política centrada nos números em vez das pessoas. Uma política centrada no marketing em vez dos ideais. Uma polítca baseada no encobrimento em vez da verdade.
Acabou-se!
A REVOLUÇÃO MORREU...
Comentários
Depois de eleito Salazar como o maior Português de todos os tempos, merecíamos era ficar sem o feriado. Só por isso. Fora o resto...
Saudações
Colocado por: Carriço | abril 26, 2007 11:59 PM
Sim, a revolução (do 25 d Abril) morreu!
Mas o mais revoltante (e ou mto m engano, será o motivo d uma revolução à escala europeia) é a falência dos valores.
Aqui no cu da Europa, essa falência está presente TODOS os dias na ineficácia da justiça, tal como na ausência de resposta a 1 direito fundamental: o protesto. E tal como na crescente diminuição de todos os direitos dos cidadãos, a começar pela saúde.
É o "QSF" (que se f0d@) arrogante e descarada e Socraticamente instalado no poder.
Q fazer? Retribuir? É a falência, d facto...
"When you got nothing, you got nothing to lose", o pto de ruptura q levantará uma sociedade comodamente afundada no sofá defronte d1 qq BigTeleLixo, chegará?
Era a revolução uma utopia? Era humanamente possível?
Colocado por: peras | abril 27, 2007 12:57 AM
A revolução morreu a 26/4 !
A REVOLUÇÃO nunca chegou a acontecer . A amostra está à vista de todos .
Colocado por: antoniojoseseabra | abril 27, 2007 01:39 AM
A Revolução aconteceu. Passar de um regime ditatorial para uma democracia não é coisa pouca! mas a democracia não é uma caixinha, um tesouro que se agarre e meta num cofre, é uma coisa viva pela qual todos temos de nos bater sempre. Os sistemas falham - a justiça, a educação, a saúde, a cultura. Mas, mesmo que nas prisões, 1/3 da população esteja em prisão preventiva, nenhum é enviado para o Tarrafal por defender ideias contrárias ao regime. Isso parece-me muito. E se as escolas não têm autonomia admistrativa e financeira e precisam de fazer um requerimento para comprar uma caixa de tintas, a verdade é que estamos muito distantes das escolas-regimento em que se cantava o Pai-Nosso.
Sim, a política vive de jogadas mediáticas, assistimos a demasiados casos em que a ética não existe, e pior que isso, os cidadãos reelegem líderes políticos com processos crime às costas. Vejam o que se passou nas últimas autárquicas. O problema não reside apenas nos governantes, mas naqueles que os elegem. Porque hoje, é possível sancionar um político. é possível, mas não se exerce esse direito.
Não acho que possamos negar a revolução. Houve um dia em que tudo foi possível. E esse dia também é hoje. Com todo o desapontamento que possamos sentir, ou precisamente por causa disso.
Colocado por: Lilly Rose | abril 27, 2007 03:24 AM
Não há Democracia onde não há Justiça e o lápis azul foi substituido pelo poder económico. A "Revolução" nunca existiu e o espírito do 25 de Abril, se ainda não morreu, está moribundo.
Colocado por: Maria | abril 27, 2007 02:13 PM
Carriço,
epá, o feriado não, que esse ainda nos serve para alguma coisa ;-)
Mas a eleição do Salazar, embora valha o que vale, é um sinal de que algo vai mal na democracia.
Colocado por: Jorge | abril 27, 2007 11:31 PM
peras,
é esse o grande problema, a falência dos valores e o desinteresse geral. Quando o estado de saúde do Eusébio, por muita importância que ele tenha, abre os telejornais, isso já é um indicativo do que é mais importante para o país.
Colocado por: Jorge | abril 27, 2007 11:34 PM
antoniojoseseabra,
discordo totalmente. Houve uma revolução, houve a oportunidade de mudar tudo, e muita coisa mudou para melhor, temos hoje acesso a coisas que não tínhamos, temos liberdade (mesmo a que nos tentam tirar não é comparável ao de antes). Mas, a nível de governo, e é aí que eu quero focar a questão, estamos a voltar atrás, com governos que não ouvem a voz do povo, com um discurso arrogante. E o pior é que PS e PSD não são alternativas um do outro, são quase iguais.
Colocado por: Jorge | abril 27, 2007 11:46 PM
Lilly,
concordo com tudo o que dizes.
O que eu quero dizer é que a revolução do 25 de Abril de 1974 acabou. Temos que a enterrar de vez e começar uma nova. Não resgatar a velha, hoje o país é outro. Mas começar uma nova, onde possamos fazer ver a quem nos governa que não podem continuar a agir da mesma forma.
Colocado por: Jorge | abril 27, 2007 11:55 PM
Maria,
revolução, chegou a haver e, felizmente, muita coisa mudou. Mas já morreu. Agora é preciso uma nova.
Colocado por: Jorge | abril 27, 2007 11:58 PM
Seus grandes revolucionários! :) Tudo a querer outra revolução, carago! Eu insistia em evolução... isso sim é o que se precisa. Lilly... tens toda a razão. Abril não falhou... hoje somos livres apesar de tudo temos possibilidade de fazer aquilo que nos der na gana! E quanto mais não fosse apenas por esse pequenino, mas importante contributo, o seu espírito nunca morre! Está presente neste blog, por exemplo.
Colocado por: Bilhas | abril 28, 2007 06:56 PM
Pois é verdade houve uma revolução. A REVOLUÇÃO essa ainda está para vir. Vejam-se os programas do Prof António Barreto e tirem-se as conclusões certas e depois digam-me se houve Revolução.
Colocado por: Antoniojiseseabra | abril 29, 2007 09:53 PM
Antoniojiseseabra,
pode não ter sido a que queríamos, mas houve e mudou a vida de todos (e é isso que uma revolução é). Se foi boa ou má, não interessa.
Colocado por: Jorge | abril 30, 2007 10:55 AM
Tal como o tal dizia...:
Cada povo tem o destino que merece
Colocado por: Julio Cardoso | junho 20, 2008 03:22 PM