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Diz que é uma espécie de jornalismo

Nos últimos tempos, os nossos jornalistas são pródigos em produzir notícias, a partir de qualquer facto de possa gerar polémica. Seja relevante ou não. Normalmente não é, porque para tratar assuntos realmente relevantes, é preciso saber fazer jornalismo.
E depois, andam ali a escarafunchar na ferida, até já não haver mais sangue a derramar.

Desta vez, o genérico dos Gato Fedorento, plagiado de um video-clip de Claude François. Quem navega na blogoesfera, não foi apanhado de surpresa pela notícia do Diário de Notícias. Já conhecia, já tinha visto e não passou de mais uma piada. Mas o DN insiste.
E como tudo o que é demais, ou cheira mal ou enjoa, até já estou a imaginar a cara do Ricardo Araújo Pereira, a responder a esta entrevista:

DN - Dizem que é uma espécie de plágio. Como reage?

RAP - Com o dicionário. Plágio é a apropriação do trabalho alheio sem indicação da origem. Quando apresentámos o genérico à imprensa, indicámos a origem da ideia e a razão pela qual mantivemos o Un, deux, trois, quatre. Não há referências a Claude François porque a canção que ele canta é, basicamente, a conhecidíssima música tradicional inglesa Three Blind Mice. Sendo uma música popular, o autor é desconhecido. Como foi o maestro Ramón Galarza a fazer os arranjos, é ele que assina. Já agora, poupo trabalho futuro ao DN: também não compusemos a música do genérico do nosso programa da Radical. E os Painéis de São Vicente, que usámos na série da RTP, não foram pintados por nós. E também não pedimos autorização ao autor para os usar. Uma coisa garanto: no dia em que queiramos fazer-nos passar por compositores, com todo o respeito pelo François, optaremos por Bach.

DN - Acha que estão a exagerar o assunto por inveja?

RAP - Não. É um assunto importante. Estamos a falar de um genérico cuja música é a adaptação duma canção popular. Dá primeira página em qualquer parte do mundo. Parabéns ao DN por se ter adiantado ao Le Monde.

DN - Se tivesse só cem mil espectadores, davam conta do episódio?

RAP - Não percebo a pergunta. No DN de dia 23 assina uma notícia em que afirma: "Os humoristas assumem, desde o início, que a ideia não é deles." Agora, diz-me que alguém "deu conta do episódio". Se assumimos desde o início, de que "episódio" é "deram conta"? Só se for este: nós, não sabendo compor música, usámos uma que já existia (isenta de direitos de autor). Depois, explicámos o modo como o genérico foi concebido. Seis meses depois, inspirado por blogues, o DN faz manchete revelando ao País o que nós nunca escondemos. Só houve um pormenor que o DN se esqueceu de revelar: que a música em causa está isenta de direitos de autor.

DN - Não deixa de ser curioso que seja no YouTube, onde o Gato tem os vídeos mais partilhados, que se tenha descoberto o original...

RAP - O facto de termos indicado o original a partir do qual fizemos o pastiche é capaz de ter facilitado a "descoberta". Curioso é que, no YouTube, se encontrem também várias versões do Three Blind Mice, como esta (http/youtube.com/watch?v= kPNC1WsVxdU) e o DN não tenha dado por isso. Talvez quando um blogue fizer esse trabalho.

DN - Acredita que o assunto pode ter algum impacto no sucesso do programa?

RAP - Claro. No sucesso do programa e também no futuro do País.

DN - O Gato Fedorento pagou os direitos ou obteve o consentimento do autor original da música para utilizá-la no genérico do programa?

RAP - Nem uma coisa nem outra, na medida em que o autor original da música é um inglês não identificado que terá vivido no século XVI. Não digo que seja impossível obter o seu consentimento, mas nós achamos complicado. Manias. No entanto, se o DN o encontrar, teremos todo o gosto em pagar-lhe.

Comentários

Olha, uma notícia que não fazia ideia existir...

Claro que já vi a versão original no "Yutubi", mas desconhecia a divulgação do alegado plágio num jornal de (suposto) prestígio (ou não!)

Em relação a tudo isto só tenho uma palavra a dizer:

LOL

Ou será que tenho de pagar pelos direitos de autor do acrónimo??

A parte que mais gostei da entrevista foi esta:

"...também várias versões do Three Blind Mice, como esta (http/youtube.com/watch?v= kPNC1WsVxdU) e o DN não tenha dado por isso. Talvez quando um blogue fizer esse trabalho."

Kroker,
tudo é notícia, principalmente se der audiências ou aumento de tiragens de papel.

Wilson,
também me fixei nessa parte. Achas que a jornalista do DN percebeu a boca?

Sejam bem vindos, os dois.

:) :D :-O :x B-) ;) /:) ;;) :( :-& :-* ;) B-)

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