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Agosto...

Nunca mais regressaste a casa desde agosto.
O teu lugar à mesa ficou vazio. Eu passei a coleccionar
os nomes de coisas distantes, sentei-me a desenhar
sistemas de coordenadas, soletrei os hemisférios
das palavras, regressei às zonas epidérmicas do toque,
à fome anatómica dos gestos, às regiões endémicas
dos sismos, à solidão unívoca das margens dos rios,
ao silêncio lento das magnólias. Trouxe o domingo
para dentro de casa e guardei-o junto ao parto
em que me deste à luz.

Digo: Os dias são todos de morrer.
Nenhuma das memórias que tenho de ti
sabe negar essa evidência.

{José Rui Teixeira}

Postado por Bill

Comentários

Fiquei presa na "fome anatómica dos gestos".
Bonito :)

Bill,
é engraçado pensar em Agosto como calor cá em Portugal e pensar como será no Brasil. Lembro-me de um disco (já não me lembro se era da Maria Bethania) chamado Dezembros, porque ela queria transmitir a sensação de calor...

Salve salve....

Por aqui agosto é um mês estranho... Digamos que o tempo gosta de brincar.
Devia ser frio, ja que por cá estamos no inverno, mas fica uma briga entre um frio de rachar e um calor dos inferno.
Eu prefiro o frio (= Mas quase sempre está quente.

[s]s

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