Depois da história da aldeia de S. Lourenço, aqui vai mais um contributo do mesmo autor, a quem mais uma vez agradeço. As fotos abaixo foram tiradas por mim este ano, por altura da Páscoa. Clicando em cada imagem, podem vê-la em tamanho grande.




Historial da Escola do 1ºCEB de S. Lourenço
O actual edifício daquela que foi Escola do 1ºCEB de S.Lourenço foi concluído em 1928,conforme data gravada por cima da entrada da porta principal.
O Edifício é construído em pedra coberta de argamassa no seu exterior e interior, pintada de branco na parte de fora e de bege na parte de dentro.
A cobertura é de telha tipo “Marselha” e o piso em soalho de madeira de pinho.
Possui uma sala de aulas com a área de cerca de 50 m2 e mais duas divisões (saletas) com aproximadamente 10 m2 cada uma.
Os quatro esquinais do edifício está à vista e são feitos em pedra trabalhada a cinzel. Existe em toda a sua volta uma cornija, igualmente em pedra trabalhada, e por baixo desta, pedra à vista igual à dos esquinais quer na largura, quer no trabalho.
Tem do lado Nascente 4 janelas amplas e uma entrada “Solarenga” que dá acesso a uma das saletas acima descritas. A comunicação entre as Saletas é feita através de uma porta, sendo acesso da Saleta de entrada para a Sala de aulas, igualmente feito através de uma outra porta.
Do lado Poente há um alpendre bastante amplo e coberto, que confina com um átrio para recreio, onde se situa a porta da entrada principal para a sala de aulas.
Segundo consegui apurar junto das pessoas mais idosas da localidade, o Edifício, foi mandado construir por um então habitante da aldeia, chamado Luciano Rodrigues ao tempo Escrivão de Fazenda (Funcionário da Repartição de Finanças), que adquiriu o terreno a um tal Francisco Gomes, não se sabendo ao certo qual foi o seu custo. Aí mandou construir o Edifício a um empreiteiro da aldeia, de apelido Ferraz, também não se conseguindo saber qual foi o custo da execução da obra. Apenas sabemos que o citado Luciano Rodrigues efectuou uma quotização entre os moradores, mas que foi insuficiente para o pagamento da compra do terreno e da construção do Edifício, pelo que teve que suportar a diferença do custo total da obra pelo obtido pelos quotizantes.
Há quem afirme que para tal teve que vender uma das suas propriedades agrícolas.
Até então a Escola funcionava numa casa particular, talvez alugada para o efeito.
Depois de concluído o Edifício, foi o mesmo entregue ao Governo da Nação, passando desde aí a funcionar ininterruptamente a Escola, durante quase 80 anos.
Foi ali que na longínqua década de 50 do Século passado aprendi as primeiras letras, e depois de mim tantas outras pessoas, também por ali passaram.
Já lá vão mais de 25 anos que o edifício foi objecto de uma ligeira reparação, nada mais sendo ali feito até agora.
A partir do final do Ano lectivo de 2005/2006, a Escola foi desactivada, obrigando a que as nossas crianças fossem frequentar outro estabelecimento de ensino, em piores condições daquelas que a nossa Escola então oferecia. Na altura própria, através da comunicação social local, alertei para o facto dos malefícios do seu encerramento. Em vão…
Continuo a afirmar que ainda hoje a Escola poderia estar em actividade, pois reunia e reúne condições para isso. No ano seguinte à sua desactivação a Escola iria funcionar com 12 alunos só da nossa terra, e se fosse considerada acolhedora este número aumentaria para 17.
As saletas acima mencionadas, e caso a escola continuasse activa, poderiam servir para ali instalar numa delas uma pequena biblioteca e sala de informática e a outra poderia servir para refeitório.
Pelo conhecimento que tenho, diz-se que a escola vai ser transformada em Centro de Convívio. Vamos aguardar para ver.
Por se tratar de um edifício de boa construção e de uma arquitectura excelente julgo que merece uma boa conservação e um bom aproveitamento, porque de escola só já resta a saudade.
Autor:
Amável Eduardo Pinto Rebelo