Verde Alentejo
Nunca tinha visto o Alentejo tão verde. Costumo encontrá-lo castanho, bege, em tons pastel, mas verde como o vi neste fim de semana, nunca tinha visto.
É impressionante como ainda me admiro com as terras da minha terra. Portugal é das maiores caixas de surpresas que há. Certamente existirão muitas mais por esse mundo fora (e eu aqui ansioso por as abrir), mas alguns constrangimentos económicos obrigam-me, nos dias que correm, a viajar para fora cá dentro. E é se quero viajar!
Eu e a Mrs. Bilhas fomos comemorar. Gostamos de comemorar no Alentejo e já o fizemos algumas vezes. Desta o destino foi o Crato. Terra de muita história, priorado da Ordem de Malta, que combina com o restante Alentejo pela calma e pacatez que encontramos no centro da Vila. Aliás a pacatez foi apenas interrompida por um brilhante concerto do Quim Barreiros (sim que a rapaziada de lá também tem direito à animação, não é?). Nada que fosse muito incómodo, aliás a 100 metros do local não se ouvia pitada de barulho e a vida continuava sem sobressalto algum. Se por acaso forem para aqueles lados pernoitem na Casa do Largo. Serão muito bem recebidos e ficarão acomodados em quartos muito confortáveis e decorados com um extremo bom gosto. A "culpa" é da D. Maria Luiza, uma mestre na arte de bem receber.
Outra recomendação que vos faço é a compra do livro "Boa cama, boa mesa" que foi vendido com o Expresso há duas semanas atrás. Para um laparoto, como este vosso amigo, que viaja frequentemente a trabalho, mas não tem o tempo para procurar o belo do restaurante é uma ajuda preciosa. Eu e a Mrs. Bilhas aproveitamos para verificar se o livro recomendava bem e fomos a três restaurantes aí indicados: um em Alter do Chão, um outro em Portalegre (A gruta) e, por fim, um outro em Mora (O Afonso).
O primeiro é relativamente bom. Come-se um bom pernil no forno e tem uma carta de vinhos razoável. O atendimento é bom, mas teriam alguma vantagem em torná-lo mais pessoal. A repetir numa altura em que não esteja tanto pessoal a comprar cavalos em Alter.
O segundo é muito muito bom. Uns nacos de veado com molho de alho, acompanhados com um bom vinho da adega da Cartuxa, fazem com que fique com água na boca só de lembrar. O atendimento não é dos melhores e é preciso um bom mapa para o localizar, mas se seguirem a estrada da serra, chegam lá sem grande confusão. É daqueles restaurantes que nunca daríamos por ele, se não nos fosse recomendado por um livro, ou por alguém. A repetir sempre que andar em Portalegre.
O terceiro é um must. Mais caro do que os dois anteriores, mas com um Arroz de Lebre capaz de me levar a Mora mais algumas vezes. Aliás... muitas mais vezes, porque tenho de experimentar as perdizes que o Miguel Sousa Tavares recomenda e os restantes pratos de caça da lista. Acompanhar o repasto com um outro vinho da Cartuxa foi quase uma imposição. O antendimento neste foi o melhor. Em tudo (menos no preço) este foi o melhor. A repetir vezes sem conta.
Como perceberam andei às voltas pelo alto Alentejo. A Mora, Alter do Chão, Portalegre e Crato juntem Avis e uma ida ao clube náutico e à praia fluvial do Maranhão e terão motivos mais do que suficientes para chegar a casa mais do que satisfeitos com as mini-férias que o fim de semana alargado permitiu.