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Photo © Eric Meola

Photo © Henk Braam

Foto: Irina No
O que é que se diz nesta hora?
Só posso dizer que, muito mais do que possam imaginar, este desafio, de escrever num blog, acabou por se tornar num desafio a mim mesma. E, directa ou indirectamente, influenciou o rumo da minha vida.
Acaba o blog, num momento em que ficam, também para trás, tantas outras coisas da minha vida.
A verdade é que o fim de um projecto implica, quase sempre, o inicio de outros.
É isso. O caminho até aqui foi bom. A companhia, do melhor.
Agora, neste cruzamento, sei exactamente para onde quero ir. O caminho faz-se caminhando... em frente.
O ante et post é um blog sem guião.
Não é um blog etiquetável.
É simultaneamente individual e colectivo. Individual, porque cada um escreveu com total liberdade. Colectivo, porque acabámos por desenvolver entre nós uma amizade que extravasou para lá dos bits e bytes que definem a virtualidade da blogosfera.
Por aqui passaram imagens, sons, falou-se coisas sérias e banais, ficções em prosa e em verso.
Por aqui passaram comentadores que enriqueceram os nossos textos, que ficam aqui para a posteridade.
Não gosto da palavra fim, até porque os textos que aqui escreveremos perdurarão na nossa memória e na dos que nos leram, e ficarão gravados neste espaço enquanto o serviço de alojamento assim o permitir.
Ao todo são 16 os autores (sendo que um é virtual).
Começo pela DK, que tive o prazer de conhecer pessoalmente, mas que devido à sua vida pessoal e profissional, não pode contribuir mais do que um parágrafo no nosso post de abertura. Desde então acabou o seu doutoramento e (penso que ainda) vive no Japão. O Leonardo, do qual já não tenho notícias há algum tempo, estava a fazer o doutoramento em Itália, e também por isso só fez alguns posts no início. A ambos quero agradecer o entusiasmo com que aderiram ao projecto, mesmo que esse empenho tenha esmorecido rapidamente.
Quando tive a ideia do projecto, a Karla foi a primeira pessoa de quem me lembrei. Ainda não tinha blog, tendo apenas colaborado de forma travestida no Chez Maria (a propósito, um beijinho para a Maria Árvore, nossa leitora fiel). É uma pessoa com quem sempre simpatizei, uma amiga na verdadeira acepção da palavra, comentadora de um meu antigo blog (para onde fez um texto muito bonito sobre a saudade) e que acreditei que tinha potencial como autora. Os resultados demonstram que não me enganei.
No projecto inicial, tinha a ideia de não limitar o blog a Portugal. Por isso, contactei pessoas que poderiam trazer para o blog o perfume e a cor de outras paragens. Já falei da DK (Japão) e do Leonardo (Itália), embora os seus contributos fossem curtos.
O Bin, um amante incondicional de África e um embaixador à altura, transportou-nos até às suas paisagens intermináveis, às suas cores fascinantes, deu voz aos povos mais esquecidos do planeta. Foi também dele o excelente design actual do blog.
A Noite, por seu lado, levou-nos até Macau, onde estuda Direito por linhas tortas, trazendo-nos também as suas cores, os seus aromas, a sua cultura. Foi também a única a ser acordada de madrugada por um bando de bloggers que festejavam em Portugal o primeiro aniversário do blog.
O Dani, sevilhano, adepto do Bétis e do Benfica, um espanhol que ama Portugal. Escreveu em português, falou-nos de Espanha e de Portugal, esteve connosco aquando do nosso primeiro aniversário, altura em que nos informou que tinha sido investido de uma nova e árdua tarefa: a de pai (as últimas notícias dizem que se tem saído bem).
Voltando a Portugal, e ao Alentejo profundo, vem a nossa aliciante Mad. Eu sempre gostei do blog da Mad, das suas fotos com muitas paisagens paradisíacas e, o mais importante, com muitos sinais. Sim, porque uma paisagem sem sinais não nos permite direccionarmo-nos para o que realmente interessa. A acompanhar as imagens, os seus belos textos, cheios de uma sensibilidade única. Além de tudo isto, ainda mostrou ser uma excelente anfitriã. Único defeito: ainda não ter convertido o lagarto do Nikonman em adepto do glorioso.
Vindo para cá do Douro, temos o nosso cartoonista de serviço: o Raim. Eu sempre fui um fã dos seus cartoons e nunca parou de me surpreender com as suas criações. O Raim demonstra aquela máxima de que uma imagem vale mais do que 1000 palavras. Além disso, todos os logótipos que encimaram o blog foram da sua autoria.
Ainda no conjunto dos nossos fundadores, passando para a outra margem, temos o Bilhas. Quem me deu a conhecer este blogger com H grande (como diria o João Pinto) foi a Karla. Apaixonado pelos museus (concluiu a sua tese de Mestrado enquanto escrevia no ante et post), e também por outras coisas com menos idade (como a Scarlett), foi um dos desafiadores de serviço, pelos caminhos de Portugal. É outro que vai conhecer a árdua (mas compensadora) tarefa de ser pai, brevemente.
Continuando agora para as aquisições posteriores, começo pela Lilly Rose. Foi a excelente anfitriã do nosso primeiro encontro. Criadora de excelentes textos, ficará para sempre conhecida como a nossa repórter do fim-de-semana, com os seus Domingos criativos e com os seus passeios de fim-de-semana. Um único senão: não sei se por causa dos “obosmóis”, esqueceu-se, até hoje, de nos enviar aquela encomenda da Jamaica.
A aNa, minha conterrânea, uma das mulheres mais genuinamente divertidas que eu já conheci, é uma força da natureza. Trouxe-nos belos textos, belas imagens, encheu este blog de cor e alegria. Tenho saudades tuas, rapariga! E da Maria (beijinhos também para ti)!
O PreDatado (a. k. a. Pré) é o nosso elemento mais jovem. Nos encontros, ninguém teve pedalada para ele, fez-nos sentir a todos tão velhos, que nunca mais fomos os mesmos. Recordo, particularmente, uma sequência de textos que obrigavam a ter sempre um dicionário à mão e os seus poemas do Livro das artes. E como ser quase perfeito que é, ainda é benfiquista.
Outro homem do norte, como o nome indicia, é o Andrade. Criou este pseudonómino exclusivamente para o ante et post, onde nos deixou excelentes sequências de imagens e de posts temáticos (como Três.x e ante et post). Ouvi por aí dizer que vai dar um grande passo (ou seria o grande passo?). Um conselho: o calçado é muito importante, para evitar escorregadelas.
A última aquisição, mas não menos importante, veio do outro lado do Atlântico, do nosso povo irmão, o Bill. O Bill é um apaixonado pela poesia (em particular, pelo Fernando Pessoa e pela Florbela Espanca), paixão que partilhou connosco. Um dia desses tens de atravessar esse Oceano e vir conhecer o mar português que Fernando Pessoa cantou.
Há ainda o nosso elemento enigmático, que ainda hoje não sei quem é (embora desconfie): o/a Jaguar. Se alguém tiver pistas, envie-me, por favor.
Ora, até agora contei 15, falta 1… De quem me esqueci? Ah! Sou eu. Esqueço-me sempre de mim… Bem, eu… sou eu.
Até sempre, leitores! Alguns de nós ainda andamos por aí, noutras paragens.
Até sempre, amigos, companheiros desta viagem! Vamo-nos vendo por aí. Até porque o próximo encontro está para breve, certo?
E penso eu que valerá a pena. Nas minhas leituras diárias dos Herald Tribune, New York Times e Washington Post desta vida vejam lá o que eu descobri.

Imagem*: Capturada aqui, mas com algumas alterações(zitas). Na parte em que falam da culpa dos investidores, claro!
Só o PR é que comenta este facto importante para a nação, carago! O Sócrates nem uma palavra. Tou triste :( Ahhh e é verdade a qualidade deste país só é reconhecida lá fora, pá! Algum de vocês já foi entrevistado para algum jornal português? Alguma notícia sobre o fim do Ante? Nada... É uma vergonha, pá! Na próxima contratamos o Cristiano Ronaldo e aí ninguém nos larga...
E como este é mesmo o meu último post nesta casa, fiquem com uma excelente música de um excelente filme.
Uma vez mais... até sempre!
*Se não for perceptível o texto por baixo de "Portugal sad day" é qualquer coisa como "Ante-et-post, portugal best blog, declare the end. PR Cavaco Silva commens on that soon" :)

Foto: Jean-Sebastien Monzani
Num blog que viveu tanto de imagens e fotos, tantas ficam por mostrar, outras tantas ficam em rolos de memória que, em qualquer altura se podem revelar.
Aqui, cimentei o meu gosto por fotografia. Aqui, mostrei algumas das minhas experiências fotográficas.

Foto: João Espinho

Há sempre um antes e um depois. Ante et post. Tudo começa e tudo acaba. A ordem é sempre essa. Se num dia aqui me apresentei, um dia teria que me despedir. Começámos como as peças soltas e somos hoje a um mosaico completo. Quando se termina um puzzle, normalmente volta-se desmanchá-lo. Um dia dá-nos a vontade e resolvemos juntar tudo de novo. Ou partes. E lá segue tudo na sua ordem natural.
Um obrigado a todos os que fizeram parte do ante et post. Foi um prazer e um orgulho.
[Termino revelando a identidade que, até hoje, escondia: continuo por aqui.]
P.S.: O Jaguar e o Leonardo permanecem uma incógnita. Eu, Lilly, ainda hei-de encontrá-los. Alguém me dá umas pistas...?

Durante todo o tempo foi a Mad isto, a Mad aquilo, depois as fotos da Mad é que eram o máximo. Para não falar dos olhos da Mad. Mad Mad Mad! Só ela é que era aliciante! Vocês nem repararam no meus lábios com botox! Não dá!
Eu, Lilly, vou descontinuar a minha participação neste blog porque este moço vai casar. Não é que a noiva não seja amorosa, simpática e gira e ok, até tem bom gosto musical, mas perdi toda a motivação! Ante ele era um homem livre. Post, quantas mulheres ficarão tão destroçadas como eu? Acabou-se!
Não sei como começar um texto que representa o final de uma boa aventura. E como não sei bem como o fazer, vou fazê-lo como sempre, recorrendo à patetice.
Antes do Ante, antes do convite da Karla para o Ante, eu era apenas um rapaz que tinha o seu blog onde escrevia umas barbaridades, mais ou menos diárias, sobre a vida. Depois do Ante eu continuei a ser o mesmo rapaz que escrevia umas barbaridades diárias sobre a vida, mas agora em dois blogs. Como compreenderão a situação alterou-se completamente e a minha vida deu uma volta de 360 graus. :)
Eu avisei que era patetice, não avisei. Agora só continua a ler quem os tiver mesmo no sítio. Avisa-se desde já que tudo farei para puxar a lágrima para o canto do olho.
Certo dia, eram para aí umas duas da tarde, numa conversa com a Karla pergunta-me ela: “ò Bilhas, o menino por acaso não estaria interessado em fazer parte de um projecto muito engraçado aqui na Net?” E eu, como gosto muito destas coisas da Net e tal, respondi: “Que projecto? Um site de gajas nuas? Um daqueles em que há webcams em que as gajas se despem todas e tal e em que algumas, assim tipo uma, até são uns aviões do caraças? Sim, SIM!? QUERO!” E obtenho a seguinte resposta da Karla: “Não, menino Bilhas! É um blog colectivo onde vão participar algumas pessoas muito interessantes e que escrevem belissimamente!” À qual respondo com um contundente e desiludido “Ahhh... tá bem! Pronto!”, seguido de um esperançoso “Mas tem gajas boas?”.
Sabendo que teria pelo menos uma, a Karla (desculpem-me as outras meninas boas... mas para ser sincero tenho que dizer que só vim a confirmar que eram boas depois de começar o blog, não é?), lá resolvi aceitar. Gajo que é gajo aceita sempre estes convites. Quanto mais não seja pela curiosidade que tem em saber o que se passa na cabeça desta gente para me convidar. E também porque depois do primeiro convite, dificilmente teria outro do mesmo calibre. Ninguém cai no mesmo erro duas vezes.
Pela primeira vez em alguns anos e depois de algumas tentativas falhadas por parte dos meus pais, só para citar um exemplo, conseguiram que eu tivesse alguma disciplina e fizeram-me postar num horário pré-determinado. Quanto mais não fosse, só por este facto teria valido a pena fazer parte do ante, mas existem muitas mais razões (e muito mais importantes) para ter valido a pena o Ante.
A primeira foi ter-vos conhecido! Um conjunto de pessoas que vai desde o Porto ao Alentejo, passando por Lisboa e Setúbal e que chega a lugares como Sevilha (terra do espanhol mais benfiquista que pode haver) e Macau (faltou o encontro em Macau, rapaziada!), com interesses e vidas tão diversas, mas muito open minded e com aquelas cabeças carregadinhas de inteligência, que me possibilitou conhecer mais e aprender muito. E afinal a malta anda aqui é para ver se aprende alguma coisa (quer dizer... a malta não sei, mas eu ando).
A segunda, e se calhar a principal, foi ter criado novas amizades (ainda que algumas sejam apenas virtuais... do tipo de virtualidade que se reflecte em bits e bytes... não virtuais daquelas que supostamente podem um dia acontecer, ok?) mas que tem a sinceridade e a força das que são próximas fisicamente. Não me esquecerei nunca da força que vocês me deram num momento muito difícil. Essa força é o que define os elos da amizade que sinto por todos vocês.
A terceira, não me podia esquecer da terceira, tem a ver com as pessoas que nos (me) leram no Ante. Sem elas não teria sido tão compensador e, por isso, um grande obrigado é mais do que merecido (principalmente às que fiquei a conhecer). Um dia ainda me têm de explicar como conseguiram mantendo a sanidade mental :)
A quarta, e final, é um agradecimento à Anabela Chalana por me ter permitido a inspiração para um post engraçado e, na pessoa dela, a tudo e todos os que me inspiraram a escrita.
Não sei se já consegui puxar a lagrimita a algum de vocês (espero pelo menos ter conseguido uma lagrimita de felicidade da Anabela). Caso tenha conseguido, cuidado com o derrame sobre o teclado. Ainda causam um curto-circuito no computador e metem-se em trabalhos.
Resta-me deixar-vos aqui um abraço enorme cheio de felicidade e orgulho por ter participado deste blog.
Até sempre...
Bilhas, o "já com saudades" da fita!
Estamos tão lindos no filme...!

Foto: Pop Adrian
É com o vento que os abraço a todos.
É com ternura que vos toco com os lábios na face.
Foi com grande prazer que fiz parte deste projecto que conseguiu juntar pessoas, rostos, cumplicidades.
Que fez quilómetros de estrada e de letras com um objectivo comum: o de acreditar.
Que o espirito permaneça.
Foi bonito o blog, pá
Fiquei contente
De conhecer tanta gente
Tão importante p’ra mim.
Já é tempo de acabar
Mas certamente
Haverá uma semente
Para criar novo jardim.
Há um tempo a esperar
Reflectir e pensar,
Sei também quanto é preciso, pá
Nunca, nunca desarmar.
Canto um requiem, pá
Mas estou carente
De estar novamente
A cheirar vosso alecrim.
...pode implicar uma passagem pela velhinha, mas tão bonita, Estação de Santa Apolónia (Lisboa).


Fotos de Lilly Rose





Fotos de Lilly Rose