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março 16, 2008

Sete Luas

Há noites que são feitas dos meus braços
e um silêncio comum às violetas
e há sete luas que são sete traços
de sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levamos à cintura
como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
duma espada à bainha de um cometa.

Há noites que nos deixam para trás
enrolados no nosso desencanto
e cisnes brancos que só são iguais
à mais longínqua onda de seu canto.

Há noites que nos levam para onde
o fantasma de nós fica mais perto:
e é sempre a nossa voz que nos responde
e só o nosso nome estava certo.

{Natália Correia}
{13 de Setembro de 1923 - 16 de Março de 1993}

fevereiro 27, 2008

No Way Out

Sei hoje que sou pequeno
e não é esse o meu menor mal
mas faço meus os problemas
da gente de beaver canal

Nasci numa aldeia perdida
nestes caminhos de portugal
mas tanto tenho irmãos aqui
como os tenho em beaver canal

Eu a miséria da minha terra
contemplei-a ao natural
enquanto vi no cinema
como se vive em beaver canal

Mais do que a pedra mais do que a árvore
o homem é para mim real
e tanto sofre a dois passos de mim
como sofre em beaver canal

Não há país que não seja meu
em qualquer parte morro pois sou mortal
mas aproveito a força da rima
para dizer que a minha rua é beaver canal

Morra eu dividido aos quatro ventos
seja o legado sentimental
fique no mundo onde ficar
deixo o meu coração a beaver canal

{Ruy Belo}
(Lisboa, 25/02/1855 — Lumiar, 19/07/1886)

Grande poeta...

fevereiro 19, 2008

Gota de Água

Eu, quando choro.
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.

{António Gedeão}
(24/11/1906 – 19/02/1997)

fevereiro 01, 2008

Seria o Amor Português

Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.

Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
"Que me importa que batam à porta..."
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta.

{Fernando Assis Pacheco}
(Coimbra, 1 de Fevereiro de 1937 — Lisboa, 30 de Novembro de 1995)

janeiro 19, 2008

Fiama Hasse Pais Brandão

Resposta

"Eu vinha para a vida, e deram-me dias"
vivos com os seus lugares e espaço.

Ontem nasci sem fim, e alimentei-me
nesta mesa que em duas se reparte.
Uma aba no mar, vagante à toa,
trouxe os sabores de ondas, de orlas.
Outra aba na terra mostrou-me as pedras
polidas, úberes, gastas. Pedras
densas que me encheram o ventre
e me criaram similar à Terra.
No mar tive cristais quebrados, jóias;
na terra, tão nítida poeira branca
que fundi as formas das flores visíveis.

E hoje é este olhar profundo,
deriva das imagens pelo mundo.

{Fiama Hasse Pais Brandão}
{15/08/ 1938 - 19/01/2007}

Um ano de ausência!!!

Eugénio de Andrade

Espera

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

{Eugénio de Andrade}
{19/01/1923 - 13/06/2005}

janeiro 17, 2008

Miguel Torga

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.

{Miguel Torga}
{Vila Real, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995}

13 anos de saudades... Grande escritor...

Goor - A Crónica de Feaglar 2

Goor - A Cronica de Feaglar 2
Goor - A Crónica de Feaglar 2

Há muito tempo não lia com tanto prazer um livro, assim foi com livro "Goor - A Crónica de Feaglar II"
que devorei em poucos dias, logo depois do Natal.
É um grande livro e isso não se refere as suas 460 paginas, mas sim pela qualidade encontrada que (surpreendentemente) supera seu antecessor.
Durante cada pagina encontramos os mais variados sentimentos, encontramos em cada personagem um pouco de nós, um resquício do que pensamos, virtudes que desejamos e muito mais.
Nesse segundo livro seguimos com Rei Feaglar para a grande aventura nas montanhas de Goor, junto a ele vai a rainha Gar-Dena e muitos outros amigos, personagens que nos acompanharam durante o primeiro livro, personagens que acabamos conhecendo, acabamos nos afeiçoando.
Um desses personagens é Calédra, que encanta sempre, uma mulher fantástica, ao lado de Feaglar ela se torna um pilar para toda trama, sempre misteriosa, esperamos sempre uma novidade quando ela aparece na historia.
O escritor Pedro Ventura, nos brinca com as mais diversas reviravoltas (algumas amargas), com os mais grandiosos dilemas, confesso que em certa parte do livro eu chorei (não vou contar porque senão estraga a surpresa), o livro tem uma profundidade que acaba nos envolvendo, vivemos com os personagens, lutamos com eles, sentimos as dores de uma guerra e de tanta injustiça, mas também nos alegramos com cada vitória dos justos, da verdade e por cada esperança que nasce dos momentos menos esperados.
Pedro conseguiu criar um mundo fantástico, onde eu queria estar, viver essas aventuras ao lado de tão grandiosos personagens.
O livro é cheio de vida, com perolas que infelizmente não anotei, porque o ritmo de leitura se torna frenético e na próxima página sempre nos espera uma nova artimanha do escritor, uma nova batalha ou mais um segredo ou até uma revelação daquelas de deixar de boca aberta.
Em 2007 me encantei com a trilogia "Fronteiras do Universo" do escritor Philip Pullman, mas de todos os livros que li durante o ano, sem duvida alguma "Goor - A Crónica de Feaglar 2" foi o melhor do ano, melhor de todos, daquele tipo de livro que tenho sempre a mão para uma releitura, e posso indicar com toda confiança como sendo um livro completo.
Única tristeza é que acabou, ao menos essa aventura por Goor, eu fico na espera de um novo livro desse escritor que pra mim já deixou sua marca, já provou que é um dos grandes.
Que venha o próximo, pelo que li o escritor vai se aventurar por outro estilo, mas aposto (tenho certeza), será um sucesso, eu? Já estou aguardando.
Pena ser vendido somente em Portugal, mas creio que isso logo mude.

- Que as espadas dos dhorians e dos seus aliados nunca tombem e que a sua vontade seja sempre a vontade dos justos!!!

dezembro 25, 2007

Chove. É dia de Natal.

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

{Fernando Pessoa}

Feliz Natal para todos... Boas festas!!!

dezembro 11, 2007

Manuel Gusmão

Já ali não estavas. Quando te pedi já
nunca tinhas existido; nem eu nem a rocha
na pequena praia onde estivéramos. Depois
foram todos os nomes do corpo: eu tentava
mas não conseguia reuni-los. Ficariam
como os pedaços daquele vaso que não se pode
reconstruir todo porque é menor que as suas
partes. E depois foram desaparecendo, levando-me
o próprio nome e a fala do mundo.
Já não existiam nem eu existia já.
Já nunca tínhamos existido agora.

{Manuel Gusmão}

Manuel Gusmão nasceu em Évora, em 11 de Dezembro de 1945, licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, com uma tese sobre o Fausto de Pessoa e doutorou-se em Literatura Francesa, com uma tese sobre a poética de Francis Ponge.

Parabéns para esse grande poeta!!!

dezembro 08, 2007

Ruínas

Se é sempre Outono o rir das Primaveras,
Castelos, um a um, deixa-os cair…
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quimeras!

E deixa sobre as ruínas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um contínuo destruir
De palácios do Reino das Quimeras!

Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
Mais alto do que as águias pelo ar!

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda boca!
Sonhos!… Deixa-os tombar… Deixa-os tombar.

{Florbela Espanca - Livro de Mágoas}

77 anos sem essa grande poeta...
Se tornou eterna nas palavras...

E não haver gestos novos nem palavras novas!

dezembro 05, 2007

Mozart no céu

NO DIA 5 de dezembro de 1791 Wolfgang Amadeus
Mozart entrou no céu, como um artista
de circo, fazendo piruetas extraordinárias
sobre um mirabolante cavalo branco.

Os anjinhos atônitos diziam: Que foi? Que não foi?
Melodias jamais ouvidas voavam nas linhas suplementares
[superiores da pauta.
Um momento se suspendeu a contemplação inefável.
A Virgem beijou-o na testa
E desde então Wolfgang Amadeus Mozart foi o
[ mais moço dos anjos.

{Manuel Bandeira} - in Lira dos Cinquent'anos

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novembro 30, 2007

Fernando Pessoa

Fernando_Pessoa.jpg

“Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.“

{“Alberto Caeiro”}

Saudades muitas grande poeta...

novembro 23, 2007

Herberto Helder

Herberto_Helder.jpg

Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta.

{Herberto Helder - 23/11/1930}

Parabéns para esse grande poeta!

Postado Por Bill

novembro 12, 2007

LET THERE BE LIGHT

adoce.jpg
Foto: Bill


Não há ruas perdidas numa cidade de luzes.
(Verdade ireefutável - essa de as pessoas
quererem por força colorir as suas vidas.)
Estendo os olhos na primeira direcção: um presépio
numa montra a jurar que o Natal chega em Novembro,
com o décimo terceiro mês da função pública.

De que nos serve esta luz sobre Lisboa?

{Vítor Nogueira}

Ótima semana a todos.

Postado por Bill

novembro 05, 2007

Novembro...

E por Novembro
A galinhola toma-se da luz,
Já pouca, e levanta na bruma
De um pinhal
Coberto

Das montanhas ao mar.

{Gil De Carvalho}

Ótima semana a todos.

Postado por Bill

outubro 15, 2007

Pessoa.art.br

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«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.»
{Fernando Pessoa}

Espero que gostem desse novo espaço.

Ótima semana a todos.

Postado por Bill

outubro 11, 2007

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

{Natália Correia}

Postado por Bill

outubro 08, 2007

Goor - A Crónica de Feaglar II

goor.jpg
O autor, Pedro Ventura ( Sá Morais ), e a Papiro Editora têm o prazer de convidar a comunidade blogosférica a estarem presentes no lançamento promocional do livro "Goor - A Crónica de Feaglar II", que terá lugar no dia 13 de Outubro de 2007, pelas 15h30, na livraria Pretexto ( Rua dos Andrades, 55 / Loja 2 - Viseu)

Eu sempre fui fã de literatura fantástica, ficção, onde nossa imaginação se mistura mais com os sonhos das letras, sou fanático pelo Mestre J. R. R. Tolkien, que realmente foi e ainda é mestre nesse estilo.
Depois dele, seguem o mesmo caminho Rafael Abalos, Fhilip Pullman, Eoin Colfer, C.S. Lewis, J.K. Rowling, Christopher Paolini entre tantos onde sempre se nota alguma semelhança com as obras de Tolkien.
Mas para minha surpresa, um novo escritor, Pedro Ventura, veio para se destacar com um espírito criativo, seu livro "Goor, a Crónica de Feaglar - I" trás uma narrativa envolvente, com personagens bem criados e historias entrelaçadas que nos fazem querer ler o livro de uma vez só.
Toda historia, contexto, personagens, Reinos, cidades, batalhas são detalhadamente descritos, o que deixa tudo mais saboroso, algumas vezes nos misturamos com os personagens por nos identificar com certas dúvidas e situações, Pedro Ventura brilhantemente nos conduz por esse fabuloso mundo, junto com Feaglar,Gar-Dena, Thalian, Bastamás, Drell G'Bor, Drarik, Var-Gon, Gelufond e tantos outros personagens fantásticos desse livro.
E agora Pedro Ventura lança seu a continuação ( que já estou louco para conferir), por isso, quem estiver por perto, simplesmente digo, Não Perca!!!
Única tristeza, é que ainda não foi lançado no Brasil, mas creio que isso é questão de tempo, tamanho talento desse escritor.

Ótima semana a todos (=

Postado por Bill

setembro 03, 2007

Ótima semana!!!

atautou.jpg

Em 3 de Setembro, 1973
ás 18:28 e 32 segundos.

uma borboleta azul
da familia das calliphorides,

cujas asas conseguem bater
14 670 vezes por minuto

pousou na Rua Saint-Vincent,
em Montmartre.

Exatamente ao mesmo tempo,
no terraço dum restaurante,

o vento soprava
sob uma toalha de mesa,

fazendo os copos dançarem
sem que ninguém percebesse.

{Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain}

Postado por Bill

agosto 12, 2007

Domingo...

Escolho o silêncio assunto antigo para
falar deste domingo: descrevê-los
o silêncio o domingo será como
falar da escuridão e que metáfora
mais certa se as há certas, para a ínfima
luz própria metafórica do dia

A tua voz então vem como nave
a si mesma sulcar-se, na penumbra
tornando-se, não sei se mais igual
ou mais diversa do escuro sentido
do sentido, o tema interrompendo
do poema: o silêncio o domingo

{Gastão Cruz}

Postado por Bill

agosto 01, 2007

Agosto...

Nunca mais regressaste a casa desde agosto.
O teu lugar à mesa ficou vazio. Eu passei a coleccionar
os nomes de coisas distantes, sentei-me a desenhar
sistemas de coordenadas, soletrei os hemisférios
das palavras, regressei às zonas epidérmicas do toque,
à fome anatómica dos gestos, às regiões endémicas
dos sismos, à solidão unívoca das margens dos rios,
ao silêncio lento das magnólias. Trouxe o domingo
para dentro de casa e guardei-o junto ao parto
em que me deste à luz.

Digo: Os dias são todos de morrer.
Nenhuma das memórias que tenho de ti
sabe negar essa evidência.

{José Rui Teixeira}

Postado por Bill

julho 16, 2007

Ótima semana!!!

b&black.jpg

"No mistério do Sem-Fim equilibra-se um planeta.
No planeta, um jardim.
No jardim, um canteiro.
E no canteiro, o dia inteiro
Entre o mistério do Sem-Fim e o planeta
A asa de uma borboleta..."

{Cecília Meireles}

Post e Foto por Bill

julho 09, 2007

Ótima semana!!!

semana.jpg

Lançaste-me então para trás,
eu que poderia ter caminhado com as almas vivas sobre a terra,
eu que poderia ter dormido entre flores vivas
por fim;
(...)
{Ezra Pound}

Post e Foto por Bill

julho 01, 2007

Em especial aos domingos

Em especial aos domingos
quando ninguém está em casa
aí por finais de Junho
subo então ao terraço
para perceber além dos muros
a cidade silenciosa.

{Toninho Guerra}

Postado por Bill

abril 25, 2007

25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

{Sophia de Mello Breyner Andresen}

Libertade... Sempre!!!

Postado por Bill

abril 04, 2007

Parabéns moça (=

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Desejo uma fotografia
como esta — o senhor vê? — como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.
(...)

{Cecília Meireles}

Postado por Bill

abril 03, 2007

António Ramos Rosa

Não existem imagens através desta sombra
a que chamo sombra mas não sei se é uma sombra
Apenas os arbustos nebulosos enunciam a monótona opacidade do real
alheio ao meu desejo do alvor de uma figura
Talvez nunca saiba desenhar o puro semblante
plácido e enigmático de fronte lunar
que um dia entrevi sob as pálpebras como um bálsamo de sombra
e de luz violeta Quis então oferecer não todo o meu corpo
mas a parte mais alta e subtil a esse rosto de mulher
e para sempre consagrar o que em mim é a atenção suspensa
sobre todas as formas do silêncio e o ténue e brando
sorriso que às vezes aflora ao meu lábio como flor de delgada inocência
Em cálida chegada de invasão tão suave de matizes tão leves
a doce primavera abriu os cálices de amendoeira do meu corpo
e em puro gozo em desvario suave entreguei-me à brancura
daquele corpo invisível de imaculada fonte
e bebi a água límpida e fresquíssima do seu seio
O que escrevo deveria ser o movimento de um músculo suave
e acender um fogo enternecido e delicado no silêncio do ar
ou ter o lento brilho do interior da água
ou não mais que um pulso ténue uma folha o segredo branco de uma estrela

{Génese seguido de Constelações, Roma Editora, 2005}

António Ramos Rosa recebeu ontem (02/04), pelo seu livro "Génese", o Grande Prémio de Poesia APE/CTT 2005, que classificou como "um dos prémios mais valiosos" com que foi distinguida a sua obra.
Parabéns grande poeta.

Postado por Bill

março 16, 2007

Natália Correia...

Falavam-me de amor

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia - {13 de Setembro de 1923 — 16 de Março de 1993}
O Dilúvio e a Pomba
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979

Postado por Bill

março 11, 2007

Domingo...

Pequena elegia chamada domingo
O domingo era uma coisa pequena.
Uma coisa tão pequena
que cabia inteirinha nos teus olhos.
Nas tuas mãos
estavam os montes e os rios
e as nuvens.
Mas as rosas,
as rosas estavam na tua boca.

Hoje os montes e os rios
e as nuvens
não vêm nas tuas mãos.
(Se ao menos elas viessem
sem montes e sem nuvens
e sem rios ...)
O domingo está apenas nos meus olhos
e é grande.
Os montes estão distantes e ocultam
os rios e as nuvens
e as rosas.

{Eugénio de Andrade}

Postado por: Bill

março 08, 2007

Mulheres...

sta.jpg

"Cuida-te, quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas. A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual... debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada!"

{do Talmude}

Parabéns mulheres não só pelo dia de hoje mais por todos os dias (=

Postado por Bill

fevereiro 25, 2007

Domingo...

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Já não sei inventar os Domingos.
Pode-se inventar tudo menos os Domingos.

{Rosa Alice Branco}

Postado por Bill

fevereiro 13, 2007

Brasil - Terra de ninguém - Parte 01

Não sei que imagem do Brasil chega pela imprensa aos outros países, não sei se narram os fatos como eles realmente são... Então digo a vocês: O Brasil é um caos.
Estamos em uma guerra civil não declarada, bandidos fazem o que querem, quando querem e mesmo depois de presos, dão ordem para matar, roubar, seqüestrar. De dentro dos presídios.
Há pouco tempo chegaram ao ponto de atacar a policia, que ao teve outra opção a não ser recuar e se proteger, os policiais munidos com armas antigas e os ladrões com armas novas, realmente uma desigualdade, sem contar o salário de miséria pago para os policiais, e alguns maus pagos acabam se tornando corruptos fazendo com que o problema só piore.
A ultima barbaridade chocou o pais, um menino de 6 anos, “João Hélio”, morto ao ser arrastado por 7 km num carro por dois bandidos em fuga...
Chegamos ao ponto tal que é uma vergonha, banalização total, falta de segurança é tão grande que todos têm medo de sair de casa, um perigo não só para os brasileiros mais para os turistas, quantas e quantas vezes temos noticias de assalto a turistas assim que chegam ao Brasil, ou nas praias, noticias essas que são rapidamente tiradas de circulação para não manchar a imagem do pais, mas me diga... Que imagem?
E as autoridades o que fazem? Somente olham a onda de violência aumentando cada dia mais sem conseguir chegar a uma solução para esse problema sem tamanho.

Postado por Bill

fevereiro 04, 2007

Um pouco mais...

domingo.jpg

Fim de semana está tão bom que podia durar mais né...
Sporting goleou o Nacional, ser o melhor não é fácil né (=
Carlos Bueno, esse é o nome da fera \o/ hehehhe

Postado por Bill

janeiro 31, 2007

Interrupção voluntária da gravidez.

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Eu aqui de longe, sou do Sim!!!!

Atualmente no Brasil o aborto é considerado crime, exceto em duas situações: de estupro e de risco de vida materno, aqui {na verdade creio que em todo lugar} sempre houve uma pressão da igreja católica sobre esse assunto, fazendo com que sempre vire pano de fundo.

Acho uma discussão complicada, como todo caso que causa uma controvérsia e é por si só complicado de se lidar, sempre temos uma perda de razão.
Cada lado se julgam no direito de defender o que e certo, claro, direito de escolha é o que rege a conduta.
Mas um dos itens principais que não podemos esquecer é o direito de escolha da mulher, cabe a ela decidir o que fazer, e subsulgar isso com leis é um erro, já que tudo que é proibido gera um comércio negro que o faça em situações mais precárias possíveis.

No Brasil atualmente o que é fácil de se perceber é a venda de remédios abortivos via internet, é um comercio gigantesco com valores absurdos, e que se move cada vez mais rápido já que contra isso quase anda é feito.

A escolha do sim, é uma questão de conhecimento, de não se ater a crenças e sim procurar entender o que realmente se passa e perceber o que é melhor.

Deixo aqui umas palavras de uma grande amigo, o Pires, que resolve toda contenda de uma forma simples e clara.

"Nestes tempos moralmente dissolutos, em que todos os meios são lícitos para atingir um fim passando mesmo pelos grandes exercícios de virtude, era bom que imperasse a sensatez. A vitória do Não, não acabará com o aborto, porque estes continuarão a ser feitos independentemente de qualquer lei, mas contribuirá decisiva e dramaticamente para esterilizar e matar muitas mulheres."

[s]s
Postado por Bill

janeiro 28, 2007

Domingo...

domi.jpg

“Quando chega domingo,
faço tenção de todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida."
(...)
{Manuel da Fonseca}

Domingo... Pra mim um dia de leitura e de deixar as horas passarem...
E pra você? (=

Postado por Bill

janeiro 25, 2007

Um milhão...

1miaum.jpg

(...)
Agora a primavera trabalha nas galerias mais antigas,
bate os seus martelos contra um milhão de estrelas.
(...)
{Herberto Helder}

O primeiro um milhão de estrelas nesse nosso céu de palavras... Que venha o próximo. (=

Postado por: Bill

janeiro 23, 2007

Eis o verdadeiro Bill

Finalmente o verdadeiro, autêntico, insuperável, inenarrável e humilde {claro} Bill. Nem Clinton, nem Gates, nem Búfalo. Bill apenas, sem Hillary, sem Microsoft, sem tiros, mas com muitos sonhos.
Sou amigo das palavras, mas apesar dessa amizade vivo a lutar com elas. Alimento-me da leitura. Leio, escrevo, passeio, deslumbro.
Minha primeira obra de arte é minha vida. E dentro dela muitos enredos acontecem...
Sou simples, comum, mas não como outro qualquer. Sorrio, choro, entendo, revolto. Hobbies? Paixão? Tenho: Fotografia, amigos, música, poesia, ah doce poesia.
Hipocrisia e mentira não combinam comigo.
Agradeço as boas vindas de todos, adorei cada post, é uma honra poder participar dessa equipe.
Tenho um segredo. Mas se o revelasse não mais seria. Se me perguntares quem sou, responderei:

Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo...
{Álvaro de Campos - Tabacaria}

Postado por: Bill {Fábio Brandão}


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