
Nestes dias vivimos na minha cidade a "bienal de flamenco". Uma oportunidade para abrir as portas de nossa cúltura ao mundo todo.
Sejam bem-vindos!

Foto de Jean-Marie Tinarrage, tirada daqui
Acordei cedo. Tinha hora e meia antes do encontro.
Tomei um duche, de consciência. Não queria cheirar mal... teria sido uma vergonha. Pus especial cuidado no que tinha que ter, na teoria, nas suas mãos.
Assim, aproximei o jorro da pressão do duche ao meu sexo. Puxei a pele até poder e esfreguei com suavidade. Loção íntima e a segurança de que depois de seco não ficasse qualquer humidade.
Já seco procurei os meus melhores boxers, que previamente na noite anterior tinha lavado. Finalmente entrei no carro em direcção ao desconhecido. O nome duma rua e um número escrito à pressa num pedaço de papel há 5 dias atrás, quando um telefonema ditou o nosso encontro.
...
No carro, entre engarrafamentos duma cidade que pede aos gritos uma rede de metro que nunca mais chega, imaginava o que iria passar-se. Imaginava-o velho, gordo e feio... provavelmente com óculos de fundo de garrafa e olhar, quem sabe, malicioso. Imaginava o momento em que me pediria para baixar as calças e aí estaria eu: indefeso ante o seu olhar experiente. Cada semáforo vermelho era uma bênção... não queria chegar. A minha pila não era para ele.
Na sala de espera os minutos não passavam... caíam. Observei ao meu redor. Eu não era o único da lista, mas alguns vinham com as suas parceiras. Muito nervosismo nos rostos... medo de perder uma masculinidade criada socialmente.
...
Finalmente aquela rapariga disse o meu nome e ele disse-me que podia passar ao seu quarto.
Mas o meu urologista não era velho, nem gordo, nem tinha cara de tarado. O que lhe contei foi suficiente. –“Fungos? De maneira nenhuma... a médica de família da tua parceira que reveja os seus conhecimentos”-
O botão das minhas calças não saiu do seu lugar e eu saí da consulta daquele homem com um mito e um medo caído ao chão. Os semáforos vermelhos desta vez faziam desesperar... atrás ficou aquela clínica e aquele médico.
(Obrigado a Noite pela ajuda com a traducçao do texto original e a correcçao de erros)


Depois daquele infausto fim-de-semana, ontem reconcilei-me com o Algarve.
Muita culpa disso a tem a nossa amiga Karla, que já falou muito bem deste pequeno paraiso pertinho de Vila Real de Sto. António.
Uma praia alheia ao turismo inglês e/ou alemão, onde não há estridentes meninos a jogar à bola, onde a lingua da praia é o português e (quase) não há presencia anglo-saxónica ou germánica.
Chega-se à praia com um pequeno bote a motor. Euro e meio por pessoa... Reparei que aquele era o último canto de autenticidade portuguesa no Algarve quenado naquele bote só a minha namorada e eu nao éramos portugueses...
Então senti-me em casa.
PD: Não digo o nome da praia por medo aos bifes e alemaes que visitam este blog... que ninguém deles chegue a Cacela Velha
Mad e Karla, o menino da foto tem cabedal para o vosso látego??
Estou a ver agora o telejornal e falam de dois importantes incêndios, cá, em Espanha.
E sei bem que também somos irmãos nisso.
Digo-o nas duas linguas, pelo bem de todos: cuidado/cuidado!!

(foto daqui)
O que acontece quando um é um apaxionado de Portugal e só tem um dia e meio para ir e voltar desde Sevilha e disfrutar da praia é simples: o destino é o Algarve.
E eu já sabia que o Algarve cada vez mais está dominado pelo turismo inglês e alemao... já sao muitos anos (onze desde a primeira vez) que vou para terras algarvias... mas acho que este fim de semana foi o último que vou passar en Albufeira.
Porque eu sei que sou um ser estranho: um espanho que fala português e que além disso gosta de ouvir português, ler português e cheirar e sentir em português. E é por isso que este que escreve, se for a Portugal, compra o jornal... qualquer, mas um jornal português.
E isso quis fazer o domingo, em pleno centro de Albufeira: comprar o jornal... uma loja de souvenirs, outra, outra... nenhuma tinha jornais.
Ao fim, numa loja, jornais no chao: "The independent", "El mundo", "The sun", jornais alemaes... e os portugueses?, onde?, dentro, se calhar. -"Senhora, há jornais de Portugal??"-, -"Nao, nao há..."-
-"Nao há?, incrivel!", -"o português nao sabe ler"-, disse ela... -"Naaooo, minha senhora, sim sabe... e onde é que posso comprar um?"-, -"mmm... dificil... se calhar lá perto onde os autocarros..."-, blabla...
15 minutos depois, andadas todas as ruas do centro turístico de Albufeira, uma conclusao: nao só nao há jornais portugueses, nao há jornais em Albufeira...
Assim, zangado, deitei-me na praia. A minha namorada com o seu livro (previsora), e eu, sem nada nas maos... à minha direita ingleses, à minha esquerda, holandeses... portugueses?, nao nao habia... se calhar o mais português em cem metro era eu (!!)
E nao é que o português nao saiba ler... é que nao há portugueses em Albufeira.
Se calhar é por isso que a câmara municipal tinha decidido que como nao há portugueses, e o momento de destruir finalmente esta bela populaçao da costa e substutuir uma das coisas mais portuguesas que há (os chaos, os pavimentos, essas maravilhas feitas de pequenas pedras) por grandes placas rasas e planas. Já nem o chao é português.
Senti muita pena... uma coisa é o dito "para o inglês ver" e outra é "para o inglês fazer o que quiser".
Assim que já sabem: Em Espanha temos Gibraltar. Em Portugal têm Albufeira.

Vou estar e ver o jogo nalgum lugar perto desta praia...
Pois... as vezes é curioso pensar que na sou o único apaixonado de Portugal nesta cidade.
É isso tem mérito, pois ontém, no meu trabalho e perante da TV, cantava eu isso de "hérois do marrrrr, nobre povoo..." as 21h. Acho que os meus fregueses se perguntavam como é que alguém sabia o hino de Portugal.
Pois é. Tem mérito: espanhol meio português. Mas desde hoje ao 23 de Junho, no "Centro Cívico San Julián", em Sevilha, podem visitar todos os que gostem da fotográfia a esposiçao "Portugal". Fotografias da cidade de Lisboa nos anos 80 e 90. Da minha amiga Pau.
Acabo de chegar a casa. A inauguração foi um sucesso... cheia de gente. Somos apaixonados de Portugal. Nao sou só eu...



estou em Valência!!, adoro poder postar ao modo "scheduled"!

Mais informaçao aqui

Pensando no post de hoje, uma das opções era ver o que fiz o ano passado justo nesta data do 8 de maio.
E eu, que além de colaborar com o "ante et post" e de escrever o meu próprio blog, também tenho um pequeno diário-agenda desde há 14 anos (meu Deus!) posso fazer estas coisas: re-lembrar datas passadas com exactitude.
Leio a folha onde fica o 8 de maio de 2005. Descubro que era domingo e leio que fiz exactamente o que fiz ontém: dia de praia e de trabalho à noite.
...
E sinto uma extranha forma de rutina.

Foto daqui

Feria de Abril de Sevilla.
Tenho pelo menos três amigos (ou conhecidos, mais bem) que além de ter um blog pessoal têm um blog segredo.
Bom: dois destes blogs nao sao 100% segredos, porque eles disseram-me a sua autoria. Mas o blog daquele que é mais amigo meu sim é 100% segredo para mim. Ele nem quer dizer em que "server" tem o blog. Conclusao: quanto mais conhecimento, mais reticência a dizer "tenho segredos".
Aqui, no ante et post, eu tenho uma possibilidade parecida. Quase ninguém me conhece pessoalmente e os que lêem os meus escritos nao sao os leitores potenciales do outro blog... poderia ser este espaço o meu cantinho "segredo"?, a pesar de todo isso, acho que nao.
Tenho segredos... e mais que segredos, vontade de dizer coisas que poderiam doer segundo que leitores. Pessoas do meu entorno, pessoas que nao gostava de ferir.
Mas isso implica começar um terceiro blog...
Necessito mais tempo!

Gostamos de coisas assim.
É a nossa Semana Grande.
Bem-vindos!

Dizem que em Sevilha em primavera cheira à flor de laranjeira. "Azahar".
Eu digo que o azahar cheira à Sevilha.
Bem-vindos!
Amanhã vai acontecer um raro intercâmbio:
Milhões de espanhois vão ser benfiquistas.
Milhões de portugueses (se calhar menos que no primeiro caso) vão ser do FC Barcelona.
Mas, por questões puramente numéricas e de quantidade, acho que com esta regra de três, amanhã e por causa espanhola o Benfica vai ter mais adeptos do que nunca teve.
Paradoxas hispano-lusas... não acham?
PD: o único espanhol benfiquista de coração, o que escreve...


Trabahar numa geladeria tem estas coisas: eu rara vez tenho um domingo livre. Os meus dias de folga sao terças, quartas... ou segundas, como hoje.
Hoje foi o meu dia livre desta semana. Sanlúcar de Barrameda (Cádiz) o destino. Sem aglomerações nem engarrafamentos na auto estrada o almoço ainda sabe melhor.
A primavera já se cheira, onde o Gudalquivir morre.
Para mim foi domingo: agora boa semana para vocês!

Ela nao tem contrato, nem tem chefes ou chefas. Nao tem ordenado oficial nem horário de escritório.
Nao teve muitos dias de folga. Eu diria que nenhum, pelo menos desde que teve o seu primeiro filho. O seu nome nao está em nenhuma lista de mulheres trabalhadoras do Estado, mas ela é para mim a que mais tem trabalhado de todas:
Mamá, felicidades y gracias!
27 minutos. Os que restam até que este post saia à luz.
Bom, 26 já. Mmm... e de que falo hoje? vamos ver... os oscars?. Mmm.. vejo que a Lilly e a Karla já fizeram uma boa cobertura (cobertura?, isso é correcto em português?... vamos ver... que é o que diz o priberam, ok: é correcto, sigamos... 22 minutos já) bom... cobertura de George Clooney, hehe... o isso quiseram elas, acho. Cobertura de Goerge Clooney. ;-)
20 minutos. Entao?, se calhar falo do "amor" que têm os catalaes ao Mourinho, que chegou hoje a Barcelona. Mmm... com certeza que em Portugal já se fala disso muito más do que cá em Espanha... ok, vamos procurar outro tema. (tema?, isso é correcto em português?... vamos ver... que é o que diz o priberam, ok: é correcto, sigamos... 17 minutos já!!)
Mmm... um segundo, caros leitores. Imagens da "red carpet" no telejornal espanhol... mmmm!, eu quero ser o vestido da Jennifer Anniston, ou o sapato da Naomi Watts... uf, uf!, desperta, desperta!!, o tempo corre... o ante et post merece puntualidade... meu Deus!, o Jorge restou-me uma hora!, antes postaba as 23h espanholas, agora as 22h... e só há meia hora que sai da ducha, depois do spinning... entao... de que falo hoje?, shit!, 10 minutos!!
Olha... e se falarmos da hora... já é hora de jantar. Bom, e que é que janto hoje?, mmm... (janto hoje? soa um bocadinho estranho, isso é correcto em português?... vamos ver... que é o que diz o priberam, ok: é correcto, sigamos... 8 minutos já!!, Dani, pensa depois na refeiçao!!)
7 minutos... E ainda nao sei o tema desta noite... acho que já nao há tempo para assuntos transcendentais. Se calhar posto uma foto?, mmm... mas de quê? de George Clonney?, nao, nao... too much Clonney for today... uf, uf!, 3 minutos!!!!
Ok, ok... rendo-me: hoje nao há post!!

foto de aquí: http://fashion.hobby.ru/
Entao...
Cheio o depósito de gasolina. lembra-te: em Portugal "sin plomo" é "sem chumbo". Pronta a mapa. Dinheiro na carteira. Presente para o meu amigo Miguel, "espero que le guste la película que le traigo". Levo a camisola e o cachecol. 5 horas no carro. Deixo o carro pelo Colombo, almoço lá o pelo camainho?
E as 19,45, lá vou estar: pela primeira vez na minha vida, no estádio da Luz. É a rara história dum benfiquista espanhol.
Bendita locura.




Tranquilo na hora do almoço estava eu quando numa secçao de curiosidades desportivas dum canal de TV começa a soar música portuguesa.
O vosso Dani, apaixonado por tudo o que cheire a raia e vizinhos, deixa a comida e levanta o olhar. Guitarras portuguesas, música fadista e imagens de Cávaco Silva. A "voz en off" fala deste, do Mário Soares e dum do que nao me lembro (com bigode)... e também de Mourinho!, 4000 votos nas eleiçoes??!!
Caros amigos portugueses. Voçes sao mesmo trocistas!!
É pena nao poder saber o que opinam os "Gato Fedorento" desta noticia... comments, quero comments!!

A última garrafa que temos. Nao e quero abrir. É como a última ligaçao...
Vontade de voltar.
Quatro horas... quatro horas!
O tempo que tenho passado a montar os três estantes comprados numa loja de certa empresa sueca... nao é dificil fazê-lo, certamente... se tens cuidado, tudo quadra... parafusos, chaves inglesas... tudo no seu lugar e as instrucçoes bem abertas e presentes em cada paso dado. É por isso que tenho tardado tanto, devagar, devagarinho...
Ao fim, levanto do chao os estantes, ponho os contra a parede, orgulhoso de mim com meio sorriso na boca e lá está:
Hoje descobri que as minhas paredes nao tem 90º!

Em Espanha já se faz. Prohibido fumar no trabalho, é lei. Que é o que acham, vizinhos meus?

Ideia de aqui.
Tenho que reconhecer que as vezes me sinto como na caderneta.
Ontem, dia de chuva, nem saí. Passei toda a noite a ler blogs.
Para esta semana o propósito é claro: sair. Que sem saidas nao há histórias.
Boa semana ao pessoal!

estou aqui agora!
Abri o pacote com muita ilusao e lá estava: um pijama preto muito chato giro. Meio sorriso... "obrigado, vem mesmo a calhar!". Retiro o plástico do envoltório e... as calças chegam-me até o peito.
-"Acho que me fica um bocadinho grande, nao acham?"-
Depois de asegurar-me que tinham o ticket para cambiar o excelente presente, ainda restava o do meu cunhado...
Pacote pequeno, sem peso... abro-o e lá tenho: um vale para uma livreria.
Nao está mal... só um pequeno detalhe: eu nao falo dinamarquês!, Que é o que compra um numa livreria dinamarquesa?
Esta vez o sorriso saiu um bocadinho mais fraco... que é o que podia fazer?
PS: Nao foi até depois de escrever o post que vi que o amigo Bilhas já tinha falado sobre o tema, neste post, mas fica aqui o minha contribuçao.


"Entao?, onde é que vais passar as férias de Natal?
Este ano com a familia da minha namorada, em Dinamarca... Se calhar é que vamos ter "White Christmas"
Esta frase possivelmente tinha sido a mais repetida deste último mês... e hoje, finalmente...
Como nao sei em que dia vivo, depois de mais e mais viagens, esqueci-me de fazer o meu foto-post das 6 da manha... mas nao me esqueci de abrir o ante-et-post para vos desejar uma Feliz Noite de Natal!
Olá, São:
O teu mail vai mesmo a calhar... estava a pensar em enviar-te um contando o que aconteceu no consulado de Portugal.
Foi com muito interesse e vontade que lá fomos. Sarah até se vestiu muito elegante, que era a primeira vez que ia a um consulado.
Mas essa tarde foi uma das tardes de "aulas particulares de informática" com o meu pai. Cheguei tarde à minha casa e chegamos ao consulado às 20.35.
Quando lá chegamos vimos montes de gente na porta. Pensei "ok, ainda é cedo, nao começou...", até vi ao Juan (da turma do ano passado) "Giro, há gente das aulas!"
Mas chegamos e já o Juan me disse que estava tudo cheio. "Lotaçao esgotada", que diriam no estádio da Luz... entao, o marido da Maria do Carmo saiu e começou a explicar que era impossivel meter mais pessoas... que até já entraram 80 sabendo que nao podiam ver o espectáculo, só ouvir... que muitas desculpas, que nao podiam fazer nada.
Houve até quem se zangou muito... uma senhora que falava que ela estava lá às 20.28... blabla... O marido de Maria do Carmo esteve muito correcto e educado. Pobre homem!, nao esperava uma situaçao assim com certeza.
Eu perguntei-lhe se havia possibilidade de voltar a fazer o concerto e já me disse que nao... dei-lhe saudaçoes para a Maria de Carmo e com muita pena Sarah e eu resolvimos ir jantar...
Nesse dia, no autocarro, ja vi que havia publicidade nas ecras. Mas nao esperava um sucesso assim!
Para a próxima já sabem: mais dias ou pelo menos invitaçoes para os membros do Centro Cultural Lusófono!
Houvesse sido a segunda noite de fado em poucos dias. Em Lisboa fomos ao "Cafe Luso" no bairro alto. Já se sabe: "Ya que estamos aquí vamos a escuchar fados, no?"
Uma história para a noite de fado para ela só... recomendaram-nos o "Sr Vinho", no bairro da Lapa, e depois de andar meia Lisboa com essas famosas costas, quando lá chegamos vimos que era o lugar mais caro do mundo!!, resolvimos voltar ao bairro alto (de taxi esta vez) e depois de ver a ementa de todas as casas de fado, por fim entramos a este...
A última vez!! certo... muito bónito, muita boa música, mas 89 euros!!. 4 euros por uma bica cheia!
Lá estávamos... com medo de comer os entremeses... já sabes: em Portugal os entremeses pagam-se se comerem. Nem os provamos!, um bocadinho ridículo... pedimos dois dos pratos mais baratos e uma garrafa de vinho da casa. Eu mais ou menos tive sorte é o jantar estava "comible", mas Sarah... uff!, que coisa mais má!
E mesmo assim cobraram os entremeses que nao comimos!, pelo menos o fado esteve bem...
É pena, mas nao há lugares para os alfancihnas ouvirem fado, ou pelo menos ninguém sabe. O fado é uma coisa para turistas... disse uma amiga minha de Lisboa que os portugueses só ouvem fado em disco.
Como sabem, a semana passada (uma semana já!, como voa o tempo) a minha namorada e eu estivemos em Portugal.
Tinha muita vontade de lá ir. Por muitos motivos. Um deles era práticar um bocadinho a lingua de Camoes e que o meu português nao fique em portunhol em pouco tempo.
Mas caros amigos... impossivel!, se o táxista, o empregado do restaurante, do bar, o guia do museu ouviam que nós dois falávamos em espanhol, o se ouviam que eu tinha sotaque... mudavam ipso facto ao castelhano!
Entao se produziam escenas engraçadas: eu a falar em português e o português a falar em espanhol...
-"entao, onde é que fica o restaurante?"- (Eu)
-"Tenes que ir pela rua a la izquierda" (O homem no canto, se calhar nascido em Reguengos de Monsaraz)
E assim voltei, com vontade de voltar e que ninguém notar sotaque nenhum... há que seguir melhorando!

Cá estou. Depois da fazer um post-homenagem ao meu avô dos mais bonitos que sempre escrevi, a intentar que ouça o telemovel.
Impossivel. O -ring ring- soa e ele que nao desliga. Agora o chamo de novo e nada!, o telemovel está desligado!!
Com certeza que ainda nao sabe que tecla carregar. Com certeza que ouviu o teléfono e sem saber se era a tecla vermelha ou a verde ou Deus sabe qual sentiu nervos e sem querer desligou o telemóvel... e agora nao sabe como volver a ligá-lo!
E eu que tenho que chamar. E eles que nao têm já teléfono fixo em casa... e agora que??
As vezes ele nao sabe que é a pessoa mais importante da minha vida, nessas manhas... mas também as vezes odeio que nao saiba arranjar os pequenos detalhes do século XXI!
Que vontade de fazer esta viagem!
Depois de deixar a cama, já na cozinha, prendo a máquina de café expresso. Enquanto a água se aquece, busco pão.
Faço duas fatias. Finas mas não demais. A água já está quente. Ponho café na torneira da máquina e depois é o momento de converter as fátias em torradas. Prendo o torrador.
O café começa a sair, o fumo que cheira enche a sala. Deixo o café pronto na chavena à espera da leite. As torradas saltam.
Então se produz a homenagem: as torradas no prato recebem o seu azeite e são massajadas por um dente de alho. Penso no meu avô e relembro as suas palvaras. -"si hay hambre una tostaita con aceite y ajo, lo mejor"-. Ele sempre faz o mesmo. O seu pequeno almoço preferido.
Ele não o sabe, mas todas as manhãs o meu avô é a pessoa mais presente da minha vida.

Andava hoje como há uma semana: sem saber o que ia a escrever no meu post das segundas, sintendo-me um pouco culpable por isso.
Decidi entao que se calhar uma sesao no ginásio ficava-me bem. Descontrair os músculos e rodar com a bicicleta estática meia hora a pensar.
Mas antes disso entrei no balneário, para deixar a roupa que nao ia usar, e nao pude evitá-lo: à cabeça chegou nitidamente este post.
Nao pude evitar pensar nas diferenças enter o balneário masculino e femenino. Ninguém falava, nenhume palavra ouvi. Todos a buscar uma secretária (e assim que se diz "armário pequeno dos balneários?", caros leitores?) que nao ficasse junto a alguem... todos separados, sem sequer roçar-se.
Entao pensei duas coisas:
- Que diferentes os homens das mulheres!
- ... e: a nova influência na minha vida: situaçoes que me lembram a ante-et-post!
PS: hoje nao tive tempo para dicionários nem para revisar erros... desculpem o meu português!

Desta vez, não vieram as beldades do hula hula, nem a gostosa da dança do ventre.
Entre o ante et post, o 6 em 1 e as transformações no PC, achamos que já tinhas com que te entreter.
Será que te sobra tempo para apagar as velas?
MUITOS PARABÉNS!!

Mulo é o mesmo que mu?
Há que ter vontade para beber uma água assim...
Vá lá, digam a vossa opinião:
a caixa de comentários ficou mais bonita?
... outras vezes, pelo contrário, acontece que pessoas como eu, amigos da integração, temos amizades portuguesas que acham que o seu espanhol é perfeito.
E é só quase perfeito...
Lisboa, Bairro Alto, 1998. O jantar terminado na altura dos cafés, então, a minha namorada tossiu.
-"sanidad!"- disse o Miguel.
Ela e eu não pudemos parar de rir... ouvir "sanidad" e nao o nosso espanhol "salud!" era como invocar o "ministerio de sanidad pública" ou uma coisa parecida.
-"Miguel, para a próxima, santinho diz-se salud"-
O parque de campismo de Albufeira estava cheio. Cheio não, cheíssimo!. Parece que meio Portugal tinha decidido passar a ponte do 15 de agosto naqueles metros quadrados, mais perto da saida da auto-estrada que da praia, mas dentro do concelho de Albufeira... –“estamos na costa, é suficiente”-
O problema era que meia Espanha também tinha pensado o mesmo. Entre tantos turistas vindos da fronteira, Sarah e eu.
Finalmente a coisa não esteve tão mal. Pudemos dormir tranquilos. Era segunda de manhã e a bicha da cafetaria lembrava-me as que se formaram no estádio do Bétis quando tive que retirar os bilhetes para a final da “Copa del Rey”. Paciência.
Não era eu o único sevilhano. Diante de mim, uma rapariga de uns vinte-e-muitos, alta e gorda, com um estilo bastante lamentável na forma de vestir. Seguro que se apostasse, adivinhava de que bairro da cidade era.
Notei que era sevilhana quando abriu a boca para peder o café. –“ a mí me pones un cortao”-, disse ao homem que, atrapalhado trás o balcão, não parava de colocar pequenas chavenas de bicas e espressos debaixo das torneiras da máquina.
Por supuesto, nossa amiga sevilhana saiu da bicha com um expresso, como todo aquele que não sabe pedir exactamente o que quer.
-“un cortao”- ,¿achava esta mulher que pedir um café em Portugal é igual que fazê-lo na “confitería La Campana”, aqui no centro da cidade?, ¿pensava que o português é essa lingua tradução do espanhol que se fala em Sevilha?
-“un cortao”-, nem sequer pediu “un cortado”, não... ela pediu “un cortao”, como se o empregado da cafetaria soubesse que na Andaluzia é normal tirar o “d” final aos participios... –“pero si el portugués es casi igual que el español...”- pensaria ela.
Suponho que se calhar, já na sua mesa, quando provasse o seu café e não o encontrasse com só uma gotinha de leite, como ela tinha querido, pensaria: -“mmm, quizás cortao no se diga igual en Portugal que en Sevilla”-
Oxalá um dia ela chegue a este blog e leia que “un cortao” é “um pingado”, mas oxalá um dia os espanhóis percebam que o português nao é essa lingua traduzida do castelhano de cada bairro e com cada sotaque de cada canto de Espanha.
Só se Cria na Diversidade.
Albert Camus
Um novo blog nasceu! Da vontade indómita de dez pessoas em se associarem para fazer um blog (ou blogue) colectivo, que fosse capaz de albergar diversas formas de estar, nasceu o ante et post. E, para começar, nada como apresentar-nos, e desejar que este espaço vos agrade.
O Bilhas é um incorrigível trabalhador. É uma canseira vê-lo de manhã à noite a carregar bilhas de um lado para o outro sempre na companhia do seu bólide de estimação, o Bilhasmóbil! Tem uma estranha forma de vida online, mas prima sempre por andar com a tacha arreganhada... é o verdadeiro e quase último dos optimistas. Não é à toa que é adepto do Glorioso, afinal trata-se do mais-que-fabulástico-e-melhor-de-todos clube do Mundo... e arredores!"
O Bin gosta da Liberdade e do Amor principalmente.
O Dani é essa "rara avis" que quando cruza a raia gosta de falar e ouvir português. A história dum coração andaluz mais perto de Lisboa que de Madrid, mas também a história duma pessoa cheia de matizes e diferentes lados. Desde um deles, o lado trás-o-Guadiana, é que vai escrever.
DK in a nutshell? Tem uma natureza volátil e contraditória - tal como os blogues, aliás. A um tempo 'light' e densa, apaixonada e distante, cínica e sincera, vive a blogoesfera ao sabor das emoções. Daí ter com os blogues uma relação de amor-ódio. Ela bem tenta libertar-se, mas acaba sempre por regressar ao local do crime... É na troca de ideias e no debate aceso que se sente verdadeiramente no seu elemento. Por (de)formação profissional, tem uma tendência incontrolável para a citação erudito-charlatã. Alguns leitores, ingénuos, deixam-se enganar; a maioria, porém, não vai na conversa e ignora-a ostensivamente. Esperem, por isso, muita citação e exibicionismo gratuito sobre livros e poemas de que nunca ninguém ouviu falar nem quererá decerto ler. "Ó leitor, meu semelhante e meu irmão!"
O Jorge é um caso grave de múltipla personalidade. Dependendo de que lado sopra o vento, da fase actual da lua, do lado da cama em que acordou ou ainda do que tomou ao pequeno almoço, assim será a sua escrita. E nos dias em que o seu clube de futebol perde, é melhor nem pensar no que ele é capaz de escrever.
A Karla nasceu para os blogs, dentro de uma caixa de comentários. Mas só saiu da caixinha, quando a puxaram para fora. Desta experiência espera tudo, sem saber exactamente o quê. Espera sobretudo, divertir-se. E para que conste, a Karla não gosta de futebol.
A avó do Leonardo já dizia que quem quer aprender tem de passear ou ler. Por isso decidiu seguir os seus conselhos e partiu, sem deixar de continuar a ler e escrever. Todos os dias, do alto de um monte, olha para a catedral que se destaca entre o casario da cidade, e surpreende-se. Aqui, Leonardo vai falar do que vê, do que sente, do que vive, do que aprende. Ou simplesmente calar-se atrás de uma imagem...
A Mad é uma pessoa desinibida e de bem com a vida que conquistou a pulso. É uma mulher de batalhas com ideiais e objectivos muito próprios. Os textos que aqui poderão ler irão demonstrar uma série de personalidades que revelarão, com tempo a mulher que ela é. Da Mad não se esperem surpresas mas é certo que a qualquer momento pode surpreender com a sua escrita e as suas fotografias.
A Noite está do outro lado do mundo, em Macau. A Noite é como a noite: tanto pode ser tranquila como agitada, muito dependendo do que a rodeia colaborar ou não. Iniciou-se na blogoesfera para se aproximar do Portugal distante e do Macau mais pitoresco e começou a contar ao mundo esta cidade em que vive. Gosta de escrever, mas ultimamente não lhe tem dado muito para aí. Desde que tem máquina fotográfica que acha que faz uns bonecos giros e propôs-se mostrar também em imagens o que a envolve, mas o segredo está na máquina e no cenário, que tem muito que mostrar.
O Raim tinha como clientes os amigos e enchia as gavetas de desenhos até que descobriu a blogosfera... a partir daí nunca mais foi o mesmo. Aos papeis já ele estava habituado, mas depois de domesticados o lápis e a borracha comprou uma coleira para o scanner.
Agora que já nos conhecem, vão aparecendo. A porta estará sempre aberta, à vossa espera.