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junho 29, 2006

Avenidas de Merda

O Ivar Corceiro é um amigo que viu ser publicado há pouco tempo o seu primeiro livro, ESTE. Sim, chama-se Numa Avenida de Merda. E depois desafiou-nos a todos a escrever sobre a nossa avenida de merda. Eu vou mostrar-vos a minha. Vocês podem e devem aceitar o mesmo desafio.


Foto de Lilly Rose

Não foi tanto o facto de ele estar completamente bêbado, mesmo sóbrio teria aquele ar miserável e rasgado. Mas arrotou quando estava já bem próximo de mim e disse foda-se de desprezo. E depois começou a cuspir repetidamente sois todos uns cabrões sois todos uns cabrões. É claro que me afastei e acho que ainda me lembro daquela impressão de sentir o nariz torcer. Incómodo. Que grande incómodo. Isto dantes não era assim.

E logo à frente, novamente essa vontade de parar de inalar e de cegar. Aquilo é uma ferida com gangrena ou outra merda qualquer. A velha está sentada e geme um dai-me qualquer coisinha. Num relance os olhares cruzam-se. Sente dor, exala dor. Perturba-me essa dor dos olhos. Azuis. Ela foi bonita. Está um calor insuportável. Bebia qualquer coisa.

Atravesso a praça até à banca das gasosas. E então vem outra. Aquela ali é a minha filha, tem o ciclo mas não quer trabalhar. E insiste, persegue-me. Lá em casa não há nada, acabou o gás. Páro e fixo a mulher. Tome lá, mas deixe-me em paz. A filha está sentada num banco, vira e revira um pacote amarrotado de SG Gigante e farta-se de rir sozinha.
- Ela é doente? - Doente sou eu, ela é uma desgraçada, quando rouba é pra cigarros. A doida começa a baloiçar-se e ri mais alto. Fujo dali com a garrafa de água na mão. Novamente na Avenida, tento acender um cigarro. É o saco, é a garrafa que, merda, já está vazia, e este calor. Vou fumar para quê? Mas acendo o cigarro.

Depois da praça a Avenida era bonita, lembro-me de acácias amarelas, do Mercado Municipal, de cores garridas contrastando com gente vagarosa. É quando reencontro o Mercado que percebo que a cidade da minha Avenida morreu. As paredes cinzentas estão lá mas deste lado da rua quase oiço um eco. Do interior do edifício vazio o breu espreita, se estendesse as mãos conseguiria tocar-lhe. Um silêncio enorme numa Avenida agora movimentada, buzinada, atropelada.

Pego na máquina, que se lixe, sou turista. Vou fixar a decadência. E então reparo neles. Velhos secadores de cabelo à varanda. A minha Avenida de Merda tem um oásis surreal. E, esquecendo a sujidade no solo, consigo imaginá-las, mulheres bonitas, sorridentes, a fazer a mise enquanto bronzeiam as pernas pequenas, cruzadas, fechadas.

Desperto com um miúdo que chora nos braços da mãe, mas ela continua a andar rapidinho, enquanto o baloiça para cima e para baixo.

janeiro 04, 2006

Dois em um

Ora aqui está a resolução do mistério lançado neste desafio aos leitores e ante-et-postadores. Uma maravilha que encontrei junto ao Farol Design Hotel em Cascais. Do lado oposto ao Coconuts. Cascais é um dos sítios que mais gosto aqui do reino. Um dia destes coloco aqui mais algumas fotos de lá!

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Foto: Bilhas

Entretanto hoje celebra-se o aniversário de Nascimento de Louis Braille e como não podia deixar de ser o Google faz sempre questão de nos lembrar... ora vejam lá como se escreve Google em braille.

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Imagem: daqui

janeiro 02, 2006

Onde é?

Esta praia, meus caros, é candidata ao record do Guinness para a praia mais estreita do mundo! :) Sabem onde fica!? Quem adivinhar ganha uma viagem de ida e volta de elétrico à Foz! eheheheh e aproveito para acompanhar a Mad nos post de vistas deslumbrantes...

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Foto: Bilhas

novembro 24, 2005

Momento - mad

A mad ... é a mad.
A mad, é aliciante.
A mad é paixão. Nas fotos, nos textos, na vida.

E revela-nos isto tudo, neste momento das suas férias.

Momento

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Foto: João Espinho

Tenho um momento muito particular, passado em férias, que me marcou para sempre.
Foi no ano passado, em setembro, numa praia algarvia, num final de tarde.
No início desse Verão tinha pedido ao mar forças para enfrentar os obstáculos.
Deu-me a força que precisava.
Escolhi esse final de tarde de Setembro, numa praia quase deserta, para agradecer a força que aquelas ondas me deram e reparei que ao mesmo tempo que, de um lado o Sol se estava a pôr do outro lado estava a Lua nascer e toda aquela mistura de cores estava derramada sobre as ondas.
Coloquei-me no meio daquele arco-irís e enquanto o João captava a imagem que aqui vos deixo tive a certeza que o Universo me estava a ofertar um dos melhores momentos da minha vida.

Obrigada e beijinhos para ti

Mad

novembro 23, 2005

Férias S. Miguel - Carriço

O Carriço, do blog Fragmagens, respondeu ao nosso desafio com belíssimas imagens, de uma belíssima ilha. S. Miguel, Açores.
Quem não conhece o Fragmagens, não sabe o que perde. O Carriço, prima pelo bom gosto. Não só pelas suas fotos, como na forma clara e bem construída com que nos apresenta um pensamento, nos fala de um disco ou de um filme, ou até, quando se delicia com o seu escritor favorito. Curiosos? Passem por lá e descubram quem é. E aproveitem para descobrir o Carriço.

Férias - S. Miguel

Sem sair de Portugal, encontrei um pequeno paraíso. Não contava com o que ia encontrar, como acredito que muitos Portugueses desconheçam os encantos desta pequena ilha, de verde pintada!
Com um clima que, como dizem os habitantes locais, proporciona a vivência das quatro estações do ano apenas num dia, S.Miguel tem muito para oferecer. Desde praias muito agradáveis e de água temperada, para quem está habituado às águas do litoral norte de Portugal Continental, passando por construções muito características, até às suas deslumbrantes lagoas.

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Outro dos atractivos desta ilha é o Parque Terra Nostra. Um verdadeiro oásis. Além da diversidade de vegetação, este parque proporciona aos seus visitantes uns excelentes banhos de água férrea, a uma temperatura que os torna possíveis, independentemente do tempo que se fizer sentir. Está-se melhor na água que cá fora, acreditem!

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Não menos conhecido, é o Ilhéu de Vila Franca do Campo. A deslocação para o ilhéu faz-se através de uma embarcação, que se repete várias vezes por dia.

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Carriço

novembro 22, 2005

Maldivas ou ainda o paraíso - Bibas

A primeira resposta ao desafio, de uma leitora se blog, chega-nos pela mão da Bibas.

Roam-se de inveja!!

Maldivas ou ainda o paraíso

É bom, nas férias viajar e conhecer outros mundos, outras realidades.

É bom subir e descer grandes avenidas em grandes centros urbanos, percorrer quilómetros de florestas, desertos, subir montanhas e no fim ficarmos muito cansados, com os olhos esmagados de tantos registos, com as pernas doridas de tantas caminhadas.

Mas como é bom também encher os olhos de calma, acordar para ver o nascer do sol, e voltar para a cama logo de seguida, observar os pássaros que voam por cima de nós, os morcegos que se penduram nas árvores mesmo ao nosso lado, esconder os óculos ou qualquer objecto que brilhe para não serem alvo da rapina dos corvos que com eles ficam fascinados.

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Como é bom ficarmos acordados pela noite fora a ver as tartarugas que vêm à praia pôr os ovos, mergulhar e reter o colorido de tantos peixes, e poder fotografar pequenos tubarões a nadarem ao nosso lado.

Como é bom ter coelhos colados às nossas mesas, à espera que deixemos cair alguma migalha.

E por opção não termos televisão nem notícias (quem quisesse podia ir à cabana da net).

Sabermos que ao fim do dia vamos poder registar mais um magnifico e invulgar pôr do sol.

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Depois olhar para os pés, e saber que só vão ser espartilhados pelos sapatos, quando um dia de manhã formos obrigados a apanhar o hidroavião, para regressar, ou seja sair do paraíso.

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Bibas

novembro 21, 2005

Hollidays time blog - Predatado

Foi assim, que o Predatado, respondeu ao nosso desafio das férias. E, quem tiver interesse, não perca um olhar muito particular sobre Havana, uma visão social com um toque de humor, muito próprio, do Predatado.

Hollidays time blog

Anda um gajo pelas ruas de Havana a olhar para as mini saias das cubanitas (a propósito são boas como o milho) quando de repente quase tropeça na revolução. Não é que o lixo me tivesse incomodado. O problema é que quase tapava a pintura da parede.

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Mas nem tudo está tão mal assim. Só porque eu me lembrei de tirar uma foto a esta casa, não quer dizer que Havana não valha a pena. Por exemplo se fosse em Lisboa ela estaria de uma de duas maneiras, ou cobertas as portas e janelas de tijolo ou invadida por tóxico-dependentes. Lá, em Cuba, mais dia, menos dia estará recuperada, como tem acontecido a milhares de outras.

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E para terminar este partilhar de férias, quanto é que vocês davam para terem um carrinho destes?

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